domingo, 3 de abril de 2016

Deputados protocolam requerimento de informação sobre ‘pedaladas secretas’


Dois deputados da oposição vão protocolar nesta segunda-feira na Câmara requerimentos de informação em que pedem a abertura dos dados das "pedaladas" com taxas devidas à Caixa Econômica Federal – as tarifas se referem à execução de programas como o Bolsa Família, em que o banco precisa ser pago pelo governo por conta dos serviços prestados. O governo decidiu manter em sigilo o tamanho exato da dívida e quem são os devedores dessas taxas à Caixa Econômica Federal. O balanço contábil da instituição financeira registra apenas um crédito a receber de R$ 1,9 bilhão em 2015, referente a "administração de fundos e programas sociais", sem detalhar quais são exatamente esses fundos e programas e que fatia corresponde a União, Estados, municípios e iniciativa privada. Um pedido nesse sentido, via Lei de Acesso à Informação, foi negado em todas as instâncias, sendo a última delas uma comissão mista integrada por representantes de nove ministérios. A Caixa Econômica Federal e o governo alegam sigilo bancário e "informação própria de mercado e da estratégia" do banco. A posição não é unânime: um parecer técnico da Controladoria Geral da União havia concordado em repassar os dados, por enxergar interesse público na informação e por considerar que os devedores – União, Estados e municípios – são entes públicos. Em processos de conciliação que tentaram – sem sucesso – garantir os pagamentos das taxas, a Advocacia Geral da União relacionou essa falta de pagamento das tarifas às "pedaladas" fiscais, manobra que obrigou os bancos públicos a arcarem com programas do governo. A Caixa Econômica Federal move duas ações na Justiça para tentar receber R$ 274,4 milhões em taxas devidas pelos Ministérios da Agricultura e das Cidades. Os requerimentos de informação serão apresentados pelo líder da Minoria na Câmara, Miguel Haddad (PSDB-SP), e pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). Os pedidos serão direcionados ao Ministério da Fazenda, à AGU e à Caixa Econômica Federal. Haddad estenderá o requerimento ao Banco do Brasil, que também é credor do governo por conta de taxas não pagas na execução de programas sociais. "Os devedores são entes públicos, não cabe sigilo. Isso aumenta a suspeição nessa questão das "pedaladas", que têm efeitos e consequências nefastas. Não temos idéia da dimensão das "pedaladas". Qual é a parte do governo federal nesses R$ 1,9 bilhão de dívidas com taxas?", pergunta Haddad. Otávio Leite disse que vai pedir urgência na tramitação do requerimento na Mesa Diretora da Câmara e que também vai propor a convocação do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para tratar do assunto. "Essa ausência da quitação das taxas é um empréstimo mascarado. O governo utilizou o serviço dos bancos, não o remunerou e se apropriou de uma verba", afirmou o tucano do Rio de Janeiro. Em outra frente, na Comissão Especial do Impeachment, o deputado Danilo Forte (PSB-CE) vai encaminhar ao relator, Jovair Arantes (PTB-GO), os ofícios do Ministério da Fazenda que mostram um montante de "pedaladas" superior ao que o próprio Tribunal de Contas da União (TCU) já havia apontado. A iniciativa foi do então ministro Joaquim Levy, que informou "pedaladas" no valor de R$ 57 bilhões, ante R$ 40 bilhões detectados pelo TCU. "O governo é réu confesso e dois episódios mostram isso, os ofícios de Levy e as ações de cobrança da Caixa movidas na Justiça para receber essas taxas não pagas", disse Forte. 

Reservadamente, integrantes do STF afirmam que há indícios para investigar Dilma por tentativa de obstrução da Justiça


Ministros do Supremo Tribunal Federal, tidos como simpáticos à gestão da presidente Dilma Rousseff, têm começado a questionar a petista em conversas de bastidores. Até o fim do ano passado, o STF parecia ao Planalto um palco mais amistoso do que o Congresso, mas o panorama mudou nos últimos dias com o agravamento da crise. O abandono do governo dentro da Corte vai além da perspectiva sobre o impeachment. Integrantes do Tribunal dizem, reservadamente, ver indicativos claros de que há indícios para investigar a presidente por tentativa de obstrução da Justiça em razão da indicação do poderoso chefão e ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil. O sinal foi dado, na avaliação de um ministro, na decisão do plenário desta semana, que manteve no Supremo os grampos de Lula. "Para afirmar o que a maioria do Tribunal afirmou, é preciso reconhecer que há indícios de infração penal (por parte de Dilma)", diz um ministro que participou do julgamento. Na avaliação dele, o caso só foi mantido na Corte porque há suspeita de irregularidades cometidas pela presidente, que tem prerrogativa de foro. Do contrário, o caso poderia ser conduzido na primeira instância pelo juiz Sérgio Moro. Relator da Operação Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki não entrou, durante o julgamento, no mérito da discussão sobre uma eventual investigação de Dilma - que precisa ser solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot -, mas deu indicativos, na interpretação desse integrante do Tribunal, de que há gravidade na conversa. A análise sobre a deterioração do governo extrapola os gabinetes dos ministros tradicionalmente críticos a Dilma e agora faz parte do discurso de magistrados contabilizados pelo Palácio do Planalto, até hoje, como votos governistas. Um ministro da Corte com boa interlocução com o Executivo já tem feito previsões de que o "triunvirato peemedebista" deve prosperar até a metade do ano. A expressão é uma referência interna à possibilidade de o vice-presidente da República, Michel Temer, assumir o governo no caso de afastamento, tendo como colegas de partido os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL). "O trem saiu da estação." É assim que outro ministro define o processo "sem volta" de afastamento de Dilma. Para o mesmo magistrado, o Brasil vive uma crise aguçada por ações desastradas no campo econômico e o "fundo do poço parece nunca chegar". O coro é reforçado por um terceiro integrante do Tribunal, para quem o impeachment se dá pelo esfacelamento da base aliada diante da derrota do presidencialismo de coalizão na gestão Dilma. Nomeado ao STF pelo poderoso chefão e ex-presidente Lula, Dias Toffoli se afastou do Planalto durante o primeiro mandato de Dilma e se aproximou do maior desafeto de petistas hoje no Tribunal: o ministro Gilmar Mendes. Interlocutor do Planalto no Judiciário avalia que outros dois ministros, Celso de Mello e Cármen Lúcia, têm demonstrado decepção com o governo do PT. Quem mantém o contraponto às vozes críticas ao governo é Marco Aurélio Mello.

Dilma reage a editorial da Folha, pedindo sua renúncia, dizendo que jamais renunciará


A presidente petista Dilma Rousseff respondeu ao editorial da Folha ("Nem Dilma nem Temer" ), dizendo que "jamais renunciará". O texto foi colocado no perfil oficial da presidente no Facebook. "Setores favoráveis à saída de Dilma, antes apoiadores do impeachment, agora pedem a sua renúncia. Evitam, assim, o constrangimento de respaldar uma ação "indevida, ilegal e criminosa". Ao editorial da Folha de S. Paulo publicado neste domingo (3), fica a resposta da presidente: "Jamais renunciarei", diz a publicação, acompanhada de um vídeo com trechos de discursos anteriormente proferidos pela presidente. O editorial "Nem Dilma nem Temer" afirma que a presidente perdeu as condições de governar o País e, por isso, deve renunciar. O texto defende ainda que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) renuncie para que possam ser convocadas novas eleições. A Folha nunca defendeu o impeachment de Dilma, sempre foi um jornal pró-petismo. O ministro Edinho Silva (Comunicação Social) também criticou a posição defendida pelo jornal. Em nota, ele afirmou que "infelizmente, o editorial da Folha neste domingo, publicado semanas antes da deliberação da Câmara dos Deputados sobre o ilegal processo de impeachment da presidenta Dilma, engrossa o coro daqueles que não aceitam o resultado legítimo das urnas, daqueles que querem golpear a jovem democracia brasileira". "O posicionamento do jornal contradiz todo o esforço que a Folha tem feito nas últimas décadas de ser um veículo que 'joga o jogo da democracia'", concluiu o ministro. Democracia para petista é tudo aquilo que beneficia o partido e os seus membros. A assessoria do vice-presidente Michel Temer disse que não comentaria o texto. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adotou a mesma posição. O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que há alguns meses defendeu publicamente que Dilma renunciasse, afirmou que "o editorial mostra o que quase todos vêem: que o governo da presidente Roussef e do PT perdeu a capacidade de dirigir o País". "Há algum tempo eu pedi a ela publicamente que, em um gesto de grandeza, propusesse ao Congresso algumas medidas básicas para o País e oferecesse sua renúncia. A resposta a este clamor, agora também da Folha, foi clara: 'não renunciarei!'" O ex-presidente indagou: "Por que haveria de aceitar hoje o que ontem negou? Sem a renúncia da presidente, como pedir ao vice que faça o mesmo?". Nesse cenário, diz FHC, "só resta insistir no impeachment". "E, se por meios inescrupulosos a Câmara ceder ao governo, caberá ao TSE julgar se há provas para invalidar as eleições de 2014". Defensor do impeachment, presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), diz não acreditar na possibilidade de renúncia de Dilma e lembra que seu o apoio ao vice-presidente está condicionado ao compromisso do peemedebista de não vislumbrar a permanência no Palácio do Planalto após 2018. "Dilma não renuncia, não há hipótese, a chance é nenhuma. O Brasil já vai mal diante da expectativa de impeachment, mas irá muito pior se houver a frustração da expectativa", afirmou. Segundo Agripino, "Temer será um mero instrumento de um governo de coalizão. Já conversei com ele, e a condição de governabilidade é não ser candidato à reeleição. Se ele começar a falar nisso, partidos como PSDB, DEM e outros vão tirar o apoio, transformando-o numa nova Dilma". Líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE) classificou a posição do jornal como "equivocada". "Não vejo a presidenta renunciar, assim como não vejo hipótese de tantos segmentos abrirem mão (de seus mandatos). E quem quiser interromper o processo democrático deve assumir a responsabilidade por isso, não dá é para querer que ela a assuma", criticou. Ele questionou ainda a legitimidade de Temer para ocupar a Presidência: "Não tem base social para tocar o governo. E vai ter no Congresso? Quem sabe? Dilma pode voltar a contar com a maioria no Congresso, como já ocorreu". Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello diz-se afinado com a posição do jornal. Assim como a maior parte dos atores políticos, ele acredita, porém, que a possibilidade de todos deixarem seus postos é próxima de zero. "Minha leitura é aquilo que está ali no editorial, o Brasil não pode continuar sangrando. Mas isso é uma visão utópica, de quem sonha e de quem não se imagina no Brasil. Os ocupantes são muito apegados aos cargos, o interesse nacional não prevalece", atacou o magistrado. Entre os petistas, a ordem é engrossar o discurso de que a queda de Dilma não prosperará. Líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) defende, inclusive, uma repactuação do governo com a participação da oposição. "Pensaram que afastar a Dilma era tão fácil quanto afastar o Collor. Tem que sentar na mesa e repactuar o país, com a oposição. A condição de governabilidade se cria, se constrói. É só a oposição querer", propôs Guimarães.

Morre uma lenda do jazz, o saxofonista argentino Leandro "Gato" Barbieri


O saxofonista argentino Leandro "Gato" Barbieri, lenda do jazz de todos os tempos e ganhador de um Grammy em 1972 pela trilha sonora do filme "O Último Tango em Paris", morreu em Nova York, aos 83 anos. "Hoje perdemos um ícone, um pioneiro e um amigo querido", afirmou o clube de jazz New York Blue Note no Twitter, onde se apresentava. O artista faleceu no sábado por causa de uma pneumonia. Nascido na cidade de Rosário, norte de Buenos Aires, viveu nos Estados Unidos nos últimos 40 anos. Em 2015 recebeu um Grammy latino por sua carreira. Barbieri integra uma plêiade de músicos argentinos que atravessam as fronteiras de idioma hispânico e faz parte de de um quadro de honra ao lado de Astor Piazzolla, Mercedes Sosa, Lalo Schifrin e Carlos Gardel. Barbieri foi um exímio intérprete do sax tenor, gravou cerca de 50 álbuns e tocou ao lado de mestres como Don Cherry, Cecil Taylor, Charlie Haden, Pharoah Sanders, Roswell Rudd e Ron Carter. 
 
Imagem de 2015 do saxofonista argentino Leandro "Gato" Barbieri

Investigação descobre novas contas secretas da Odebrecht

Uma investigação internacional sobre um escritório do Panamá especializado em criar empresas para esconder dinheiro ilícito aponta que a Odebrecht criou três firmas que operam contas secretas que são desconhecidas pelos investigadores da Operação Lava Jato, segundo reportagem do UOL deste domingo (4). As empresas offshores controladas pela Odebrecht são as seguintes, de acordo com a reportagem: Davos Holdings Group SA, Crystal Research Services Pesquisa e Salmet Trad Corp. A Odebrechet negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e não quis comentar o caso. O escritório panamenho que criou as empresas é o Mossack Fonseca, que tem uma filial em São Paulo e também é investigado pela Lava Jato. A apuração internacional começou quando o jornal alemão "Süddeustche Zeitung" obteve 11,5 milhões de documentos sobre o escritório do Panamá e compartilhou os papéis com 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países, todos ligados ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo), uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington, nos Estados Unidos. No Brasil, a investigação foi conduzida pelo UOL, que faz parte do grupoFolha, pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela Rede TV!. A série de reportagens foi batizada internacionalmente de "Panama Papers". A apuração revela que o escritório panamenho criou empresas para 57 investigados no esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com o UOL. Para esses investigados foram criadas 107 empresas offshores, ainda segundo o UOL. Essas firmas podem ser legais ou ilegais, mas tem em comum o fato de operarem em paraísos fiscais para pagar menos impostos e dificultar que as autoridades descubram quem são seus verdadeiros donos. Os papéis do Mossack Fonseca mostram que um operador de propinas do PMDB chamado João Henriques é sócio em uma offshore do ex-controlador do banco BVA, José Augusto Ferreira dos Santos. O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, havia citado em sua delação premiada a relação do BVA com o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Segundo Cerveró, Lobão lhe deu ordens para não "atrapalhar" um investimento do fundo de pensão Petros, de funcionário da Petrobras, no BVA. Esse banco quebrou em 2012, deixando um rombo de R$ 4,5 bilhões. Setenta fundos de pensão perderam recursos no BVA. O maior prejudicado foi o Petros, conforme a Folha revelou em janeiro de 2014. As defesas de Lobão e de João Henriques não quiseram comentar o caso. A documentação confirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), controla uma empresa offshore, a Penbur Holdings, que foi usada para receber suborno no Exterior, de acordo com outro delator, o empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia. O empresário disse em acordo de delação que pagou US$ 3,9 milhões a Eduardo Cunha entre 2011 e 2014 para obter recursos da Caixa Econômica Federal para investir no Porto Maravilha, um dos principais projetos do prefeito daquela cidade, Eduardo Paes (PMDB-RJ). Documentos entregues pelo empresário à Procuradoria Geral da República mostram que a Penbur recebeu US$ 702,3 mil do total do suposto suborno pago ao presidente da Câmara. Eduardo Cunha nega com veemência que tenha recebido propina e que tenha contas ilegais no Exterior. Os papéis mostram que um empresário português que é suspeito de ter pago propina para Eduardo Cunha, Idalécio de Oliveira, abriu empresas offshore pouco antes de vender campos de petróleo em Benin para a Petrobras, em 2011. O negócio resultou em prejuízo para a estatal brasileira. Investigadores da Lava Jato suspeitam que Eduardo Cunha tenha recebido propina na Suíça por conta dessa transação, o que o presidente da Câmara refuta. Uma das empresas investigadas na Lava Jato, a Queiroz Galvão, usou o escritório do Panamá para abrir duas offshores em junho de 2014, três meses depois de a Polícia Federal e do Ministério Público Federal desencadearam a operação. A empresa foi aberta por Carlos Queiroz Galvão, sócio da empreiteira. A troca de correspondência com a Mossack Fonseca sugere que ele tinha pressa em criar as offshores. Um outro documento da Queiroz Galvão aponta que a empreiteira pagava 3% de comissão de tudo o que receber do governo da Venezuela em um projeto de irrigação naquele país. Carlos Queiroz Galvão diz que não ocupa nenhum cargo na empresa. Sobre o contrato na Venezuela, a empresa afirma que não fez nenhum pagamento ilegal no Exterior.  O escritório do Panamá criou também uma empresa para Carlos Eduardo Schahin, sobrinho de Milton Schahin, que era controlador do banco que leva o seu sobrenome até ser vendido ao BMG em 2011. A offshore, chamada Lardner Investiments Ltd. e aberta em 1996, tinha como sócios outros três executivos do banco: Eugênio Bergamo, Robert Van Dijk e Teruo Hyai. Investigado pela Lava Jato, Milton Schahin fez um acordo de delação com os investigadores e revelou que o banco fez um empréstimo de R$ 12 milhões ao empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, que nunca foi pago. Preso pela Lava Jato, Bumlai confessou que os recursos foram repassados ao PT e que o partido nunca quitou o empréstimo, mas recompensou a família com um contrato de R$ 1,6 bilhão da Petrobras, para operação de sondas de petróleo. O PT nega que tenha recebido recursos ilícitos. Carlos Eduardo não quis fazer comentários sobre a offshore. A empreiteira Mendes Jr. também adquiriu uma offshore da Mossack Fonseca, em 1997, chamada Lanite Development. Aparecem como sócios da offshore Jésus Murilo Vale Mendes, Ângelo Marcus de Lima Cota e Jefferson Eustáquio, que são, respectivamente, presidente, diretor financeiro e superintendente da Mendes Júnior. A empreiteira diz que a Lanite foi aberta como parte de um projeto de internacionalização da Mendes Júnior que não foi adiante. Por isso, segundo a empresa, a offshore ficou inativa.

Odebrecht venderá R$ 12 bilhões em ativos para pagar dívidas


Investigada pela Operação Lava-Jato, pressionada por credores e com uma dívida bruta de mais de R$ 90 bilhões em valores do fim de 2014, o Grupo Odebrecht confirmou que está negociando a venda de ativos para melhorar o caixa das subsidiárias e equacionar o perfil de seu endividamento. A expectativa, segundo a direção do grupo, é levantar cerca de R$ 12 bilhões até o fim deste ano. Estão na lista de ativos postos à venda a Odebrecht Ambiental, a hidrelétrica de Chaglla e a rodovia Rutas de Lima, ambas no Peru; a participação de 28% do grupo na hidrelétrica de Santo Antônio, uma mina de diamante e um bloco de exploração de petróleo, em Angola. Também estão sendo negociados ativos das áreas de infraestrutura, da Odebrecht Transport, e imobiliários, da Odebrecht Realizações Imobiliárias. A empresa, que atua em 14 setores, descartou a venda de sua participação na petroquímica Braskem, como se cogitou no mercado. Além de vender ativos, o grupo corre para renegociar débitos. A Odebrecht Agroindustrial, do setor de açúcar e etanol, por exemplo, tem dívidas de R$ 13 bilhões e receitas de menos de R$ 3 bilhões. De acordo com fontes do grupo, as negociações com os principais credores, Bradesco e o BNDES, estão adiantadas. Os bancos já teriam concordado em conceder um prazo de três anos de carência para o principal da dívida, além do alongamento por mais dez anos. Como contrapartida, a Odebrecht reincorporará a usina geradora de energia à base de bagaço de cana, avaliada em R$ 2 bilhões, além de fazer um aporte de capital na empresa. O grupo baiano também está renegociando as dívidas, da ordem de R$ 12 bilhões no fim de 2014, da Odebrecht Óleo e Gás, afetada pela crise do setor do petróleo e pelos problemas da Petrobras, sua maior cliente. Essas negociações envolvem detentores de bônus perpétuos e outros títulos de dívida. Depois da prisão do presidente da holding, Marcelo Bahia Odebrecht, há mais de nove meses, o grupo demorou a indicar um novo dirigente, o que deixou os credores ainda mais preocupados. O cargo só foi preenchido em dezembro passado, com a indicação de Newton de Souza, executivo que integrava o Conselho de Administração do grupo. A Odebrecht deve divulgar os números de seu balanço de 2015 no fim deste mês, e a dívida tende a subir, impactada pela variação cambial. Ao mesmo tempo, a companhia deverá apresentar um faturamento maior do que o de 2014, já que cerca de 61% de suas receitas atualmente são obtidas no Exterior.  Para o diretor da Fitch Ratings, Ricardo Carvalho, a venda de ativos é estratégica para dar liquidez ao grupo. Ele diz que a empresa sofre com o risco de imagem por causa das investigações da Lava-Jato e, por isso, novos financiamentos ficam mais difíceis. 

Fórum da Liberdade pretende erguer escultura do gigante Atlas, uma ironia ridícula


O Fórum da Liberdade, criado no Rio Grande do Sul e realizado anualmente, lançou a idéia e com ela pretende erguer uma escultura do gigante Atlas, condenado por Zeus a sustentar o mundo nas costas. é um trocadalho do carilho, como dizia a gurizada antigamente. Os donos do Fórum da Liberdade querem fazer uma brincadeira, ou ironia, utilizando o título do livro da filósofa Ayn Rand, autora de um livro com o título "A Revolta de Atlas". O Fórum da Liberdade foi criado por empresários gaúchos no início da década de 80, que pretendiam divulgar as idéias liberais e formar seus herdeiros dentro desse ideal, por meio do Instituto de Estudo Empresariais. Mas, virou uma piada, porque a maioria desses empresários se tornou miseravelmente subalterna do petismo da maneira mais abjeta e sabuja. O exemplo maior disso é a postura oficial até hoje de apoio ao agônico governo petista da parte da fúnebre Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul). A maior liderança do liberalismo no Rio Grande do Sul era o barão do aço Jorge Gerdau Johannpeter. Hoje ele é uma figura patética, que se aliou ao petismo de maneira total, a ponto de fazer parte durante uma década do conselho de administração da Petrobras e lá aprovar transações infames como a compra da sucateada Refinaria de Pasadena. Mais do que isso, ele estava no conselho de administração e não viu, não ouviu, não sabia de nada sobre a dilapidação da Petrobras em bilhões de reais. Junto com ele também foram fundadores do Forum da Liberdade e do Instituto de Estudos Empresariais empresários chineses das famílias Tse e Ling. Os Ling hoje mandam no grupo empresarial Evora e no Instituto Ling, também criado supostamente para abrigar e divulgar o pensamento liberal, mas que é um antro do esquerdismo. Já os Tse não têm muito a dizer. Correm rumores intensos em Porto Alegre de que a empresa deles, a Olvebra, está em vias de falir. O Rio Grande do Sul é mesmo um Estado tremendamente hipócrita!!!

Os gastos exorbitantes dos Lula da Silva

A Polícia Federal já tem as informações sobre a ida de Lulinha e Kalil Bittar a uma loja de produtos importados em Campinas, na qual Lulinha comprou geladeira duplex, televisor e uma coifa italiana, tudo no valor de 100 mil reais. A conta foi paga por Kalil Bittar. As compras de Lulinha na loja de produtos importados revelam que Kalil Bittar paga, ou pagava, suas contas. Permitem entrever também que o laranjal lulista é ainda maior do que se imaginava. Kalil Bittar pagou 100 mil reais pela coifa italiana e pela geladeira duplex de Lulinha, mas a nota fiscal foi emitida em nome da PDI Processamento Digital de Imagem. O telefone dessa empresa é o mesmo da Grupo Gol, de Jonas Suassuna – também sócio de Lulinha e, juntamente com Fernando Bittar, laranja do Sítio Santa Bárbara. Não é mesmo um espanto?!!! Não é estupefaciente?!!!!

Justiça Federal de Santa Maria condena José Otávio German, Luiz Fernando Záchia e João Luiz Vargas no processo da Operação Rodin

O juiz Loraci Flores de Lima, da 3ª Vara Federal de Santa Maria, que substituiu a juíza Simone Barbisan Fortes, condenou na sexta-feira três dos cinco réus em uma das ações de improbidade administrativa originadas da Operação Rodin, que investigou esquema de fraude no Detran. Os condenados são o deputado federal José Otávio Germano (PP), o ex-deputado estadual Luiz Fernando Salvadori Záchia (PMDB) e o ex-conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, João Luiz Vargas. A Operação Rodin investigou, em 2007, desvio de R$ 90 milhões (valor atualizado) do Detran desde 2003. Foi desarticulado esquema de corrupção nos serviços de exames teóricos e práticos para expedição da carteira de motorista. Na fraude, os suspeitos realizavam subcontratações ilegais superfaturadas. José Otávio foi secretário da Segurança no governo Germano Rigotto (PMDB), entre 2003 a 2006, quando teve o Detran sob sua chefia. Luis Fernando Záchia foi chefe da Casa Civil no governo Yeda Crusius (PSDB), a partir de 2007, e João Luiz Vargas integrava o TCE. O juiz Loraci Flores de Lima é irmão do delegado federal Luciano Flores de Lima, que atua atualmente na Operação Lava Jato e fez parte da operação que conduziu coercitivamente o poderoso chefão Lula para depor na Polícia Federal. As penas na Operação Rodin incluem perda da função pública ou cassação de aposentadoria, suspensão dos direitos políticos por oito anos, pagamento de multa e responsabilização solidária pela reparação do prejuízo. O juiz absolveu outros dois réus, o deputado estadual Frederico Antunes (PP) e o ex-secretário estadual e economista Delson Martini. Para o magistrado, os indícios contra os dois eram superficiais, não havendo elementos capazes de demonstrar sua participação.