terça-feira, 3 de maio de 2016

Acabou a farsa do golpe armada pelo PT, Janot pede ao Supremo para investigar Dilma, Lula e José Eduardo Cardozo


A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido de abertura de inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff, o poderoso chefão e ex-presidente Lula e o ministro da Advocacia-Geral da União, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, por suspeita de obstrução das investigações da Operação Lava Jato. O pedido está oculto no sistema do Supremo e será analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos que tratam do esquema de corrupção da Petrobras, que terá que autorizar a apuração contra os três petistas. Se o inquérito for aberto, a petista Dilma Rousseff passa a ser formalmente investigada. Como se trata de presidente, Teori também pode decidir submeter o pedido ao plenário do Supremo do Tribunal Federal. A linha de investigação requerida pela Procuradoria Geral da República leva em consideração a delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), a tentativa de evitar que o parlamentar fechasse acordo de delação com o Ministério Público Federal, a nomeação do poderoso chefão e ex-presidente Lula para a Casa Civil e a nomeação de ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, com o objetivo de libertar os empreiteiros propineiros, especialmente o sinhozinho baiano Marcelo Bahia Odebrecht. Em sua delação, o petista Delcídio do Amaral contou que o governo da petista deflagrou uma ofensiva nos tribunais superiores para influenciar nos desdobramentos da Lava Jato e garantir, por exemplo, a liberdade de grande empreiteiros. A nomeação de Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o STJ faria parte dessa trama. E o então ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo teria auxiliado nessas ações. 


Para os procuradores, a indicação de Lula à Casa Civil fez parte das ações do Palácio do Planalto para "tumultuar" o andamento da apuração dos desvios na estatal e de retirar da alçada do juiz Sergio Moro a condução das investigações que envolvem Lula, garantindo-lhe o direito ao foro privilegiado. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse ao Supremo que o ato caracterizou desvio de finalidade. Isso foi reforçado, segundo os procuradores, por interceptações telefônicas da Lava Jato de Lula que alcançaram telefonema com Dilma, no qual ela afirma que está mandando um termo de posse para seu antecessor utilizar em caso de necessidade. Na avaliação da Procuradoria, apesar da polêmica por causa desse grampo ter sido gravado após a Justiça mandar parar a interceptação, a prova é legal. Relator da Lava Jato, o ministro Teori Zavascki, no entanto, já afirmou, em debate no plenário do Supremo, que haverá dificuldades para confirmar esta prova. "A validade da gravação não está em causa, embora aparentemente uma das mais importantes conversas foi gravada depois de ter sido suspensa a ordem de interceptação. Será difícil convalidar a validade dessa prova", disse Teori. Alguns integrantes do Supremo avaliam, no entanto, que o fato de a presidente ter admitido a conversa com Lula em uma nota oficial pode representar uma confissão extrajudicial, o que tornaria irrelevante o debate sobre a validade das gravações. A posse de Lula continua suspensa por decisão liminar do ministro Gilmar Mendes mas, pela última decisão de Teori Zavascki, o poderoso chefão e ex-presidente por ora só pode ser investigado no Supremo. Os procuradores trabalham, agora, em como será feita uma eventual divisão das investigações sobre o petista na Lava Jato, avaliando o que deve ficar no Supremo e o que deve ser repassado para a Justiça do Paraná. Para procuradores, a situação de Lula é delicada. Há ainda uma gravação levantando a suspeita de que o ministro petista "aloprado" Aloizio Mercadante (Educação) teria trabalhado para tenta evitar a delação de Delcídio do Amaral, oferecendo ajuda financeira e lobby junto ao Supremo para que ele fosse libertado. À época dos fatos, a assessoria de Dilma informou que o envio do termo de posse a Lula não tinha por intenção obstruir as investigações e ocorreu porque o ex-presidente não sabia se poderia comparecer à cerimônia de posse. Dilma também rebateu as acusações da delação de Delcídio, negando a tentativa de interferir na Lava Jato. A defesa do ex-presidente afirma que a nomeação de Lula já vinha sendo discutida desde o ano passado e que a posse não teve nenhum objetivo de alterar seu foro de investigação. Marcelo Navarro já afirmou que não se comprometeu a tomar decisões para libertar empreiteiros ao ser indicado para o STJ. Mercadante admitiu ter oferecido ajuda a Delcídio, mas disse que não teve a intenção de impedir sua delação premiada.

CCJ da Câmara será comandada por Osmar Serraglio, aliado de Eduardo Cunha


O desenho estratégico de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para escapar da cassação do mandato e continuar à frente da presidência da Câmara foi confirmado nesta terça-feira: por 43 votos a sete, seu aliado Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi eleito para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a maior e mais importante da Casa. Cabe ao colegiado analisar a admissibilidade de todos os projetos e - mais relevante para Eduardo Cunha - todos os recursos, entre eles os apresentados pelo peemedebista para anular os atos do Conselho de Ética, que o investiga no escândalo de corrupção da Petrobras. Serraglio rechaçou estar no posto para salvar seu correligionário. Eduardo Cunha trabalha, desde o início do ano, para ter o comando da Comissão de Constituição e Justiça em suas mãos. Em janeiro, ele lançou o seu braço-direito Hugo Motta (PMDB-PB) na disputa pela liderança do PMDB, que, por ser o maior partido da Casa, tem o direito de escolher os principais colegiados - e a Comissão de Constituição e Justiça sempre é prioridade. Motta foi derrotado por Leonardo Picciani (RJ). Ele anunciou para presidir a comissão o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que não demonstrou a intenção de facilitar a vida de seu colega de partido. Em seguida, Eduardo Cunha e seus aliados iniciaram uma ofensiva para emplacar Serraglio na comissão, passando, inclusive, pela ameaça de destituição de Picciani. O nome de Serraglio foi escolhido a dedo: o peemedebista ganhou notoriedade em 2005, ao ocupar a relatoria da CPI dos Correios e, mesmo estando na base do governo, defender a cassação de figurões do PT, como a do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu. Em seu quinto mandato, o peemedebista tem perfil discreto, bom trânsito e respeito entre os parlamentares - o que, em tese, afastaria as suspeitas de que estaria no posto como uma linha auxiliar de Eduardo Cunha. "Muita coisa se disse sobre a possível condução deste que agora assume. Eu acho que a minha história e a minha biografia exteriorizam o que se possa imaginar como eu irei proceder, tanto no contato com os companheiros quanto às matérias mais tormentosas. Posso dizer que não tenho compromisso nenhum. Fui certamente mal compreendido", discursou Serraglio.

Câmara de Porto Alegre proíbe o Uber, o que é amplamente inconstitucional

O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, o vereador cassado Cássio Trogildo (do PTB, está no exercício do mandato por uma liminar do TSE, que não julga nunca o seu processo, de maneira estranhíssima), promulgou a lei que proíbe o funcionamento do Uber e de qualquer outro serviço que use aplicativos similares na capital gaúcha. O projeto esteve com o prefeito José Fortunati para aprovar ou vetar, mas ele preferiu se omitir, o que é muito seu feitio. A partir de agora, motorista que prestar serviços para o Uber poderá ser preso e pagar pesadas multas em Porto Alegre. Isso é uma decisão completamente boçal dos vereadores da capital gaúcha, que preferiram se agachar diante da pressão dos motoristas de táxi da cidade. Esses motoristas são detentores de um grande cartório, o das placas concedidas pela prefeitura, que inclusive passam de pai para filho. Cada placa vale mais do que um apartamento de três quartos. O serviço de táxi é péssimo e os motoristas são muito desqualificados, grande parte deles bandidos, mal-educados, grosseiros. O Uber é um excelente serviço e o cidadão deve ter o direito de escolher o que considerar melhor e mais seguro. O vereador Cassio Trogildo é muito atrasado.  

Conselho de Ética aprova cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral


O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou nesta terça-feira, com 13 votos favoráveis e uma abstenção, o relatório que pede a cassação do mandato do ex-líder do governo Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Os congressistas seguiram entendimento do relator do caso, Telmário Mota (PDT-RR), para quem "não há qualquer dúvida de que o senador Delcídio abusou de sua prerrogativa constitucional" e de que maculou a imagem do Senado ao atuar, segundo o Ministério Público, para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. "Quando o senador se propõe a auxiliar na fuga de um criminoso e influir no escorreito trabalho de um tribunal, macula não só sua imagem, mas a do Senado", resumiu o relator. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar se reuniu nesta terça-feira para discutir e votar as conclusões de Telmário Mota. Na sessão, os congressistas concordaram que não era necessário sequer discutir o veredicto do relator. Depois da decisão do Conselho de Ética, o processo contra Delcídio é encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça para que seja analisado se o trâmite obedeceu a Constituição. Na sequência, cabe ao Plenário do Senado confirmar a perda de mandato do parlamentar. Em dezembro, PPS e Rede ingressaram no Conselho de Ética com representação contra Delcídio. Gravações feitas pelo filho de Cerveró, Bernardo, mostram Delcídio negociando o pagamento de 50.000 reais mensais à família do ex-dirigente e até a fuga do ex-diretor para fora do país. Paralelamente, investigadores atribuíram ao banqueiro André Esteves, ex-CEO do BTG Pactual, o papel de bancar a mesada à família de Cerveró e pagar outros 4 milhões de reais ao advogado Edson Ribeiro, que atuava na defesa do ex-diretor e trabalhava para impedir a delação premiada. Os depoimentos do senador em colaboração com a Justiça, porém, apresentaram uma nova versão para os pagamentos. Segundo o senador, partiu do ex-presidente Lula, também investigado no Petrolão do PT, a ordem para comprar o silêncio de Cerveró. Segundo Delcídio, Lula tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu pessoalmente para barrar as investigações. Também em delação, o senador atribuiu à presidente Dilma Rousseff pleno conhecimento dos problemas da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, transação permeada pelo pagamento de propinas, além de ter tentado aparelhar o Superior Tribunal de Justiça para garantir a liberdade de grandes empreiteiros presos por ordem do juiz Sergio Moro. "Não houve qualquer informação substancial que viesse a alargar, alterar ou reduzir as suspeitas da denúncia de quebra de decoro parlamentar. Os fatos atribuídos ao representado Delcídio foram expostos detalhadamente na peça acusatória. O senador é acusado de ter obstruído os trabalhos da justiça ao se oferecer para influenciar junto ao Supremo Tribunal Federal para a obtenção de um habeas corpus favorável a Nestor Cerveró, bem como auxiliar na sua fuga", disse o relator Telmário Mota. "Elementar dizer que é constrangedor julgar um dos nossos pares. Não tenho dúvida do senador que conhecemos, um homem cordial até aquele dia de novembro quando foi preso. Aí aquele cidadão comunicativo era outro. Havia um senador que conhecia detalhadamente os escândalos, as corrupções", afirmou o senador Lasier Martins (PDT-RS). "Ele nos ensejou conhecer quem é quem", completou. Na sessão, Otto Alencar (PSD-BA) lamentou que Delcídio tenha faltado a todas as convocações para prestar depoimento, disse que julgava com isenção e afirmou que a cassação, se confirmada, "tira o brilho do Senado Federal". "Esse é um momento de deslustra a imagem do Senado Federal. A gravação, a voz do senador e depois a delação, que foi uma outra confissão. Ele acusou vários senadores", justificou. "Delcídio prestou um grande serviço ao falar que estava a serviço do ex-presidente Lula, mas isso não retira a quebra do decoro parlamentar", completou o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Quando pediu a prisão cautelar do então líder do governo no Senado, o procurador-geral Rodrigo Janot havia afirmado que a articulação de Delcídio do Amaral, André Esteves, Edson Ribeiro e do ex-chefe da gabinete Diogo Ferreira para inviabilizar o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, revelava um "componente diabólico" para tentar travar as investigações da Operação Lava Jato. Pelo acordo, em troca do silêncio do ex-dirigente da Petrobras, a família de Cerveró receberia uma mesada. Se a delação fosse assinada, como acabou ocorrendo, a negociação era para que os nomes de Delcídio e André Esteves não fossem citados pelo delator. Na sessão desta terça-feira no Conselho de Ética, o advogado de defesa de Delcídio, Antonio Figueiredo Basto, contestou a tese de que o senador teria atuado para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, afirmou que os áudios das conversas gravadas por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, não estão nos autos do processo de cassação e desqualificou o episódio que levou às gravações das negociações feitas entre Cerveró, o advogado Edson Ribeiro e o próprio Delcídio. Nas conversas gravadas por Bernardo Cerveró, além de negociar um plano de fuga para o ex-dirigente da Petrobras e prometer auxílio financeiro para que não houvesse um acordo de delação premiada, o ex-líder do governo no Senado prometeu atuar junto à Corte e aos peemedebistas Michel Temer e Renan Calheiros para que Nestor Cerveró fosse colocado em liberdade. Nas gravações, Delcídio disse que ministros do STF poderiam ser influenciados em prol da soltura de Cerveró. Na conversa, o senador também prometeu influência do vice Michel Temer e de Renan Calheiros em benefício do ex-diretor da Petrobras. "Delcídio é um homem debilitado por uma injustiça. É um senador que é amigo dos amigos e amigo de todos. Jamais teve atirada a pecha de corrupto, é homem probo", discursou o advogado na sessão do Conselho de Ética. "Muitos daqueles que querem vê-lo cassado e fora do parlamento estão com contas no Exterior. Delcídio não esta sendo acusado por estar naquele truque cênico organizado por Bernardo Cerveró. Ele não é frouxo, não é covarde, é correto e teve coragem de romper com grilhões que lhe seguravam e dizer quem são os verdadeiros corruptos", disse. Depois de preso em 25 de novembro, Delcídio do Amaral fechou acordo de delação premiada e, entre outros pontos, disse que atuou para comprar o silêncio de Nestor Cerveró a mando do poderoso chefão e ex-presidente Lula. Também advogado de defesa do senador, Adriano Bretas afirmou que os parlamentares deveriam discutir o escalonamento de penas para o parlamentar, e não a recomendação direta da cassação do mandato do ex-petista.

Polícia Federal indicia Gim Argello e Ronan Maria Pinto na Lava Jato


A Polícia Federal indiciou o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) por corrupção passiva e o empresário Ronan Maria Pinto por lavagem de dinheiro. O primeiro foi preso na Operação Vitória de Pirro, na 28ª fase da Lava Jato, e o segundo, na Carbono 14, 27ª etapa. Os dois foram transferidos nesta segunda-feira da carceragem da Polícia Federaç, em Curitiba, para o Complexo Médico Penal, em Pinhais (PR). O ex-senador, que foi vice-presidente da CPI mista da Petrobras, é suspeito de receber propina de empresários para barrar a convocação dos mesmos ao colegiado. Segundo as investigações, ele recebeu 5,35 milhões de reais - 5 milhões da UTC e 350.000 da OAS - por meio de doações oficiais e de depósitos na conta de uma igreja do Distrito Federal, frequentada pelo político. Dono do Diário do Grande ABC e de empresas do setor de transporte e coleta de lixo, Ronan Maria Pinto é suspeito de ter embolsado 6 milhões de reais de um empréstimo fraudulento tomado pelo pecuarista José Carlos Bumlai do Banco Schahin. Em um outro processo na Justiça, o empresário foi condenado por envolvimento em um esquema de corrupção montado na gestão do ex-prefeito de Santo André, o petista Celso Daniel, que foi assassinado em um crime ainda nebuloso, em 2002. A polícia apura se ele recebeu o dinheiro como uma espécie de "cala boca" para não contar o que sabia sobre o caso. Nesta segunda-feira, foi anexado ao inquérito de Gim Argello um depoimento do sócio da construtora Engevix, o empreiteiro propineiro José Antunes Sobrinho. Nele, o empresário afirma à Polícia Federal que o ex-senador lhe pediu 5 milhões de reais de propina para que nenhum representante da empreiteira, incluindo ele, fossem convocados a depor na CPI mista da Petrobras, que funcionou em 2014. Ele é a quarta pessoa a relatar o suposto esquema de blindagem no colegiado. No depoimento, o empresário contou que se reuniu com o político na residência dele, na Asa Sul de Brasília, em meados de 2014. Segundo Sobrinho, a reunião não durou mais de 40 minutos e foi realizada na companhia do empresário Paulo Roxo e do ex-assessor parlamentar Valério Neves Campos, apontados como operadores do político pela investigação. Conforme o empresário, Gim tentou mostrar que estava tentando ajudá-lo com a proposta. "O tom utilizado foi como se fosse um grande favor que estava oferecendo e que se o declarante não quisesse participar do grupo de empreiteiros que deixaria de ser chamado na CPI não teria problema, pois teria outros empreiteiros para colocar no lugar, mencionando que estariam oferecendo a mesma oportunidade para as empreiteiras OAS, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Correa, Toyo Setal e UTC, dentre outros nomes", diz trecho da transcrição do depoimento do executivo. Sobrinho, então, teria dito que ia pensar na proposta e conversaria antes com seu sócio, Gerson Almada, para tomar uma decisão. De acordo com o empresário, após aquela reunião, Paulo Roxo ligou a ele por pelo menos dez vezes, cobrando uma posição sobre o pedido de Gim. No fim, ele disse ter rejeitado a "oferta". Mesmo assim, a CPI mista da Petrobras encerrou-se sem a convocação dele ou de algum executivo da Engevix, bem como da UTC e da OAS. A história veio à tona na delação dos dirigentes da UTC, os empreiteiros propineiros Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro, e foi corroborada na colaboração premiada do senador petista Delcídio do Amaral, que, além de Argello, envolveu no esquema o presidente da CPI mista, Vital do Rêgo - hoje ministro do Tribunal de Contas da União -, e o relator da mesma, o deputado federal petista gaúcho Marco Maia. Os dois têm direito a foro privilegiado, diferente de Gim, que perdeu as eleições em 2014. A Procuradoria Geral da República pediu ao STF abertura de um inquérito contra Vital e Marco Maia. Sobrinho relata que a oferta de Gim chegou a ele por meio de Julio Camargo, lobista da Toyo Setal. Ele teria lhe dito que o empresário precisava ir a Brasília para "tomar um Gim Tônica", fazendo um trocadilho com o nome do ex-senador. No diálogo, Julio lhe falou que estava sendo "muito pressionado" pelo então senador para que ele contatasse os outros empreiteiros enrolados no Petrolão do PT sobre a proposta de blindagem, conforme o empresário.

Janot pede ao Supremo para incluir Lula e cúpulas do PT e PMDB no inquérito sobre quadrilha do Petrolão


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que o poderoso chefão e ex-presidente Lula, diversos políticos do PT e do PMDB, além de ministros de Estado, empresários e o atual chefe de gabinete da presidente Dilma, Jaques Wagner, passem a integrar o inquérito que investiga a atuação de uma quadrilha no mega esquema de corrupção instalado na Petrobras - o chamado 'quadrilhão'. Segundo o Ministério Público Federal, as investigações da Operação Lava Jato reuniram informações sobre 31 pessoas e que escancaram a "atuação da organização criminosa de forma verticalizada", com dois flancos principais de articulação tanto dentro do PT quanto do PMDB. As evidências foram colhidas, entre outros, na compartilhamento de provas sobre investigações já em tramitação contra o presidente da Câmara Eduardo Cunha, nos grampos em que o ex-presidente aparece em conversas pouco republicanas com a presidente Dilma Rousseff, por exemplo, e em delações premiadas como as do senador Delcídio do Amaral e do ex-presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo. "Essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse", acusa o Ministério Público, que pede a prorrogação das investigações por mais 150 dias. O tema será decidido pelo relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki. "Os diálogos interceptados com autorização judicial não deixam dúvidas de que, embora afastado formalmente do governo, o ex-presidente Lula mantém o controle das decisões mais relevantes, inclusive no que concerne as articulações espúrias para influenciar o andamento da Operação Lava Jato", afirma o Ministério Público.

Na cúpula petista, além do ex-presidente Lula, Janot afirma haver provas do envolvimento dos ministros petistas Edinho Silva (Comunicação Social), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), do ex-chefe da Casa Civil e atual chefe de gabinete de Dilma. Jaques Wagner. Na nova lista de Janot também estão o ex-ministro Antonio Palocci, a ex-ministra Erenice Guerra, o ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), o ex-chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, todos petistas, e mais o pecuarista e amigo de Lula, José Carlos Bumlai, o atual presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli (todo mundo petista, com exceção do fazendeiro falido Bumlai). "No âmbito dos membros do PT, os novos elementos probatórios indicam uma atuação da organização criminosa de forma verticalizada, com um alcance bem mais amplo do que se imaginava no início e com uma enorme concentração de poder nos chefes da organização: Edinho Silva, Ricardo Berzoini, Jacques Wagner, Delcídio do Amaral", disse o procurador-geral. Ao Supremo, Rodrigo Janot informou haver um "esquema ilícito comandado e articulado" por políticos, que atuavam em um esquema de propinas, desvio de dinheiro público, financiamento ilegal de campanhas e enriquecimento ilícito com o objetivo de "garantir a perpetuação no poder". "No âmbito do núcleo do PT, a organização, ao que tudo indica, era especialmente voltada à arrecadação de valores ilícitos, por meio de doações oficiais ao Diretório Nacional, que, posteriormente, fazia os repasses de acordo com a conveniência da organização criminosa. Esse projeto de poder fica evidente em diversos os relatos de colaboradores", informou o procurador-geral. Entre os peemedebistas, o chefe do Ministério Público Federal alega haver uma divisão no partido entre Câmara dos Deputados e Senado Federal e indica que precisam ser investigados o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o ex-ministro do Turismo, Henrique Alves, os deputados Alexandre dos Santos, Altineu Cortes, André Moura, Arnaldo Faria de Sá, Carlos William, João Magalhães, Manoel Junior, Nelson Bornier e a atual prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Almeida. Todos são aliados de Eduardo Cunha. No núcleo do PMDB do Senado as provas indicam haver evidências da participação do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), do ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, dos lobistas Milton Lyra e Jorge Luz, além do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado. "Estes dois grupos, embora vinculados ao mesmo partido, ao que parece, atuam de forma autônoma, tanto em relação às indicações políticas para compor cargos relevantes no governo quanto na destinação de propina arrecadada a partir dos negócios escusos firmados no âmbito daquelas indicações", diz Janot. Segundo as investigações, o grupo atuava na indicação de apadrinhados para a Petrobras e para a Caixa Econômica Federal, "vendia" requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar as empresas OAS, Odebrecht e o banco BTG Pactual. Na avaliação do Ministério Público Federal, há evidências de que André Esteves, do BTG Pactual, e o operador do mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro, apontado como "sócio oculto" do deputado Eduardo Cunha, integravam o esquema. O Partido Progressista (PP), legenda que tem o maior número de parlamentares já investigados no escândalo do Petrolão do PT, também teve nomes citados no novo pedido de ampliação do inquérito sobre a Lava Jato. O procurador-geral disse ao Supremo que devem ser incluídos na investigação sobre a quadrilha que atuava no propinoduto da Petrobras os deputados federais Eduardo da Fonte e Aguinaldo Ribeiro.
Veja a nova lista de Rodrigo Janot:
Luiz Inácio Lula da Silva
Jaques Wagner
Ricardo Berzoini
Jader Barbalho
Delcídio do Amaral
Eduardo Cunha
Eduardo da Fonte
Aguinaldo Ribeiro
André Moura
Arnaldo Faria de Sá
Altineu Cortes
Manoel Junior
Henrique Eduardo Alves
Giles Azevedo
Erenice Guerra
Antonio Palocci
José Carlos Bumlai
Paulo Okamotto
André Esteves
Silas Rondeau
Milton Lyra
Jorge Luz
Sérgio Machado
José Sergio Gabrielli
Lúcio Bolonha Funaro
Alexandre Santos
Carlos William
João Magalhães
Nelson Bornier
Solange Almeida
Isso tudo parece não passar de um cineminha de má qualidade bancado pelo procurador geral da República, uma vez que, excluídos os deputados e senadores, todos os outros envolvidos deveriam cair, em poucos dias, nas mãos do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba. Janot teve um enorme tempo para fazer suas representações, e resolve só entrar com ela agora. Janot não engana ninguém. 

Lavenère, autor do pedido de impeachment de Collor, cai no ridículo 24 anos depois

Ao falar em defesa de Dilma no Senado, ex-presidente da OAB demonstra ser um homem sem medo do ridículo

Por Reinaldo Azevedo - O governo indicou três pessoas para falar em sua defesa na Comissão Especial do Impeachment do Senado. O mais eloquente foi Marcelo Lavenère, ex-presidente da OAB e coautor da denúncia contra Fernando Collor, que resultou no seu impeachment. O outro era Barbosa Lima Sobrinho. Embora advogado, ou justamente porque advogado, Lavenère não negou o crime cometido por Dilma — ele só não o considera grave. Preferiu fazer terrorismo e se dedicar à peroração política. Para o doutor, o que está em curso é mero “revanchismo”, e a verdadeira intenção dos que querem depor Dilma é aniquilar um projeto de inclusão social. Entenderam? Sem argumentos técnicos em que se ancorar, ele parte, então, para o terrorismo explícito. Lavenère demonstrou ser ruim de matemática e de percepção histórica. Segundo disse, os que querem o impeachment pretendem dividir a sociedade e estimulam a intolerância. Bem, a sociedade, com efeito, já está dividida: de um lado, a maioria esmagadora que quer o impeachment e, de outro, a minoria que, como o doutor, não quer. Quanto à intolerância, ele deve saber do que fala: afinal, a presidente que ele defende levou para dentro do Palácio do Planalto prosélitos da luta armada e da invasão de terras produtivas. Quem combate adversários com cuspe são os que se alinham com a sua posição. Os favoráveis ao impeachment têm preferido os argumentos. Também falaram o professor de Direito Financeiro da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Ricardo Lodi Ribeiro, e o professor de Direito Processual Penal da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Geraldo Luiz Mascarenhas Prado. Embora tenham tentado dar um sotaque técnico às respectivas intervenções, não conseguiram descaracterizar o crime de responsabilidade. Eles só tentaram demonstrar que a falta foi cometida para o nosso bem. Não me digam! Quero voltar a Lavenère. Curiosamente, ele foi chamado a dar seu depoimento porque foi um partidário do impeachment no passado: “A diferença fundamental é que, no caso do Collor, tinha crime praticado pelo presidente por suas próprias mãos, por sua própria falta de ética e, nesse caso, não há nenhum crime praticado. Não posso dizer que seja algo que Vossas Excelências não conheçam. Não acredito que seja possível a pessoas com a inteligência brilhante ou não brilhante, com a responsabilidade dos senhores, que digam que pedaladas fiscais, plano Safra, decretos de abertura de crédito configuram crime do tipo que todo tipo de doutrina internacional considera que é um dos crimes que podem cassar essa consequência que é o impeachment de um presidente”. Em primeiro lugar, o doutor despreza o Inciso VI do Artigo 85 da Constituição: atentar contra a Lei Fiscal é crime de responsabilidade. Em segundo lugar, lembro que a denúncia que ele próprio ofereceu contra Collor não trazia, aquela sim, nem sequer o crime cometido pelo então presidente: tratava-se de uma peça de pura retórica política. Não precisam acreditar em mim. O texto está aqui. Como todo mundo conhecia a atuação de PC Farias e tinha ciência de sua parceria com o presidente da República, nem se entrou no mérito das provas. Tanto é assim que, no STF, não custa lembrar, Collor foi absolvido. Como o doutor não conseguiu apontar o crime cometido por Collor, embora todo mundo soubesse que crime havia, então ele se saiu com isto na sua denúncia de 1992: “É por essa razão que a melhor tradição política ocidental atribui competência, para o juízo de pronúncia dos acusados de crime de responsabilidade, precisamente ao órgão de representação popular. Representar o povo significa, nos processos de impeachment, interpretar e exprimir o sentido ético dominante, diante dos atos de abuso ou traição da confiança nacional. A suprema prevaricação que podem cometer os representantes do povo, em processos de crime de responsabilidade, consiste em atuar sob pressão de influências espúrias ou para a satisfação de interesses pessoais ou partidários". Vale dizer: para depor Collor, o oposicionista Lavenère se contentava com o fato de que o povo não mais queria saber dele e com a certeza do crime cometido, ainda que prova não houvesse. Para depor Dilma, o governista Lavenère nega os argumentos do passado e faz questão de ignorar o crime cometido com prova. Eu realmente não sei como essa gente consegue se olhar no espelho. É preciso ter perdido completamente o senso de ridículo. Bem, ele perdeu.

Setor naval nacional afunda de maneira completa

A euforia da indústria naval no Brasil durou pouco. O setor, que há cinco anos comemorava encomendas bilionárias, hoje sofre com a falta de novos projetos. Nos 36 estaleiros em funcionamento no Brasil, não há construções novas no horizonte, o que está levando muitas empresas a fecharem as portas. Entre as que se mantêm em operação, o trabalho se restringe à conclusão de projetos antigos, e a saída tem sido buscar outras opções de negócios, como o segmento de reparo de embarcações. O marasmo no setor é resultado da combinação entre a crise na Petrobras, decorrente dos escândalos de corrupção e da queda nos preços do petróleo, e da derrocada da Sete Brasil, empresa criada pelo governo da ORCRIM petista para intermediar a construção de sondas do pré-sal e assim gerar mais propinas. O cenário de crise se reflete em demissões. Do fim de 2014 até fevereiro deste ano, quase 45 mil trabalhadores perderam seus empregos. O número, de acordo com o Sinaval, associação que reúne as companhias do setor, passou de 82.472 para 37.747, uma redução de 54%. Nem no auge o setor alcançou as previsões de 2011 — de cem mil vagas —, quando a política de conteúdo nacional ganhava força e prometia dar novo impulso a uma indústria que foi à bancarrota nos anos 1980. Mas o fundo do poço pode não ter chegado, dizem empresários e especialistas. O temor é que um fracasso no processo de recuperação judicial da Sete Brasil — um projeto de US$ 27 bilhões entre encomendas e investimento do setor — possa dar fim aos 20 mil empregos existentes ao longo da cadeia de fornecedores. E enterrar de vez os novos estaleiros, voltados para a fabricação de sondas, como o Enseada Paraguaçu, em Maragogipe, na Bahia, que já demitiu 7.275 trabalhadores. Situação semelhante ocorre com o Jurong Aracruz, no Espírito Santo, que está em construção, além do Brasfels, em Angra dos Reis, que cortou cinco mil, e do estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Sem receber recursos desde 2014, estes empreendimentos vivem hoje em compasso de espera. Edson Rocha, coordenador da Confederação Nacional dos Metalúrgicos e membro do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante, diz que o cenário é reflexo da paralisação do setor de óleo e gás e de problemas de gestão: "Muitos estaleiros tiveram problemas comerciais e não conseguiram dar continuidade às obras. Mas a paralisia no setor afetou a todos. A Transpetro (subsidiária da Petrobras) reduziu suas encomendas de 49 embarcações para 24, afetando estaleiros médios. A Sete Brasil não paga aos estaleiros de grande porte, porque não consegue assinar os contratos com a Petrobras, que pisou no freio, reduzindo as encomendas de barcos de apoio. O ambiente político atrapalha tudo, e quem paga é o trabalhador. O Sinaval critica a falta de continuidade dos projetos no Brasil. “A redução dos investimentos da Petrobras representa um menor número de campos produtores a serem desenvolvidos, o que reduz a demanda por plataformas de produção, navios de apoio marítimo e navios petroleiros aliviadores", conclui o Sinaval. A crise se reflete em todos os pólos navais do País. Além do Rio de Janeiro, onde o quadro é de fechamentos em série de estaleiros e de falta de perspectivas no Brasa e no Inhaúma, Pernambuco é um dos epicentros da turbulência. Henrique Gomes, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado, destaca a redução das encomendas do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que cancelou seu contrato com a Sete Brasil para construir sete sondas e teve uma drástica redução nas encomendas feitas pela Transpetro. Segundo Gomes, o número de trabalhadores do EAS passou de 11 mil, em 2009, para apenas 3.800: "Desde 2015, três mil foram demitidos. Não está sendo dada continuidade aos projetos por causa de Lava-Jato e da crise do petróleo. Muitas empresas que prestavam serviços ao setor naval foram fechando. Já são seis fechadas e duas em recuperação judicial. Na Bahia, onde as obras do estaleiro Enseada do Paraguaçu foram paralisadas, o reflexo já foi contabilizado. Entre novembro de 2014 e fevereiro de 2016, o corte de vagas na região gerou perdas de R$ 100 milhões, fruto da redução da massa salarial, de acordo com dados do governo local. É o oposto do que se viu entre 2013 e 2015, quando foram gerados R$ 360 milhões em serviços executados para o estaleiro, com a contratação de 678 empresas. O PIB (Produto Interno Bruto) da cidade de Maragogipe, que cresceu de R$ 194 milhões, em 2010, alcançando R$ 753 milhões em 2013, deve recuar em 2015 e 2016. E, segundo o Ministério do Trabalho, 3.588 vagas foram fechadas na cidade no ano passado. "Hotéis, restaurantes e empresas fecharam suas portas", afirma Vera Lúcia dos Santos, prefeita de Maragogipe. Diferentemente do que ocorreu na Bahia, as obras de construção do estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, ainda não foram paralisadas, já que estão 90% concluídas. A empresa, contratada para construir quatro sondas, está quase terminando a primeira delas com recursos próprios. Hoje, o Jurong tem 1.800 trabalhadores. Mas, diz uma fonte, a continuidade vai depender do processo de recuperação judicial da Sete Brasil, que reduziu sua programação de 28 para dez sondas.

Produção industrial caiu 11,4% em março, na 25ª queda consecutiva da economia no regime petista


A maioria dos indicadores industriais manteve em março a trajetória baixista dos últimos meses, de acordo com os dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Hoje, o IBGE confirmou o pio dos mundos para a indústria:queda de 11,4% na produção, a 25ª queda consecutiva. Os dados da CNI, ontem, indicam que o faturamento real das empresas caiu 1,2% na margem, descontada a sazonalidade. Já o nível de emprego recuou 0,6%, na mesma métrica, fazendo com que a massa salarial real apresentasse variação negativa de 0,3%. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,7% para 77,4% entre fevereiro e março, também excetuados os efeitos sazonais. Na comparação interanual, a UCI sofreu queda de 2,4 p.p., atingindo 78,1% no terceiro mês deste ano. Em contrapartida, o número de horas trabalhadas e o rendimento médio real registraram ambos altas de 0,2%.

PT gaúcho faz de conta que ainda existe e proíbe coligações

O PT gaúcho, um partido zumbi, faz de conta que ainda está vivo e confirmou hoje que não admitirá alianças com PMDB, PP, PTB, PSD, PV, PSDB, PPS, PRB, PR, PSB e PR nas eleições deste ano no Rio Grande do Sul. Ele saiu bloqueando as alianças antes que ninguém mostrasse interesse em coligação, já que a situação do PT é agônica, afundado como está em processos de corrupção e reconhecido legalmente como uma ORCRIM (organização criminosa). PMDB, PP, PTB, PSD, PV, PSDB e PPS ainda não decidiram se admitirão coligações com o PT. O maior problema é o do prefeito de Canoas, o petista Jairo Jorge, que quer impor aliança com a sua vice, que saiu o PP e foi para o PRB. O PT gaúcho é controlado e comandado por militantes da organização revolucionário clandestina DS - Democracia Socialista, um grupelho trotskista sucessor do antigo POC - Partido Operário Comunista. Faz parte desse grupelho o petista Arno Augustin, que esculhambou, detonou, as contas públicas nacionais enquanto ficou na chefia do Tesouro Nacional. Ele é conhecido como "Mandrake" e rei das pedaladas. 

Queiroz Galvão e EGT demitem 350 trabalhadores e paralisam obras da nova ponte do rio Guaíba

Começaram na manhã desta terça-feira os processos de demissão dos 350 trabalhadores que ainda mantinham de pé o canteiro de obras da nova ponte do rio Guaíba. O empreendimento, anunciado com pompa e circunstância pela presidente petista Dilma Rousseff, parou completamente. O contrato foi assinado em março de 2014 e serviu para alavancar a campanha da petista. Até agora só 35% da obra está concluída. Queiroz Galvão e EGT não quiseram falar sobre a paralisação, mas avisaram que tudo tem a ver com os atrasos nos pagamentos. O Dnit diz que está sem dinheiro.

A galega italiana Marisa Letícia e seu filho querem agora tomar dinheiro do governo pela revelação de seus telefonemas

A ex-primeira-dama, a galega italiana Marisa Letícia, seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e sua nora Renata entraram na Justiça pedindo indenização da União pelos áudios divulgados pelo juiz federal Sérgio Moro, em março deste ano. Em nota, os advogados da galega italiana Marisa Letícia afirmam que, “além da ilegalidade da própria interceptação telefônica, a legislação prevê que o material desta decorrente seja mantido em sigilo”. O valor total da causa, segundo o jornal, é de 300 mil reais.

Demanda por voos no Brasil cai 7,16% em março, diz Anac

A demanda por vôos domésticos no Brasil teve nova queda em março e a procura por vôos internacionais recuou pela primeira vez em dois anos, apesar do número de passageiros transportados para destinos fora do País atingir o maior nível para o mês em dois anos, informou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta segunda-feira (2). Em março, a demanda por vôos domésticos caiu pela oitava vez seguida sobre mesmo mês do ano anterior. O recuo foi de 7,16%. Já os vôos internacionais tiveram retração na demanda de 1,2% no período, diante do cenário cambial mais desfavorável e a crise econômica que atinge o País. A agência explicou que o pico no embarque de passageiros para o exterior atingido em março, de 579,1 mil, ocorreu diante de reservas feitas anteriormente, o que não influencia a demanda, que é medida pelo nível de reservas feitas junto às companhias aéreas. A associação de companhias aéreas Abear já havia divulgado tendência similar, com a primeira queda na demanda internacional em dois anos e novo recuo na demanda doméstica em março. A Gol, por exemplo, suspendeu em fevereiro suas operações regulares para Miami e Orlando (EUA), Caracas (Venezuela) e Aruba. A Azul suspendeu planos de nova rota para Nova York e não tem previsão de começá-la em 2016. A TAM, do grupo Latam, encerrou março com uma fatia de 36,8% dos vôos domésticos, ante 37,6% no mesmo período de 2015. A participação a Gol no mês passou de 34,2% para 32,6%. No mercado internacional, a TAM elevou a participação de 77,7% para 79,4%, enquanto a Gol reduziu de 14,9% para 13,6%. A Azul manteve a participação no mercado doméstico em 17,8% e a Avianca Brasil elevou a fatia de 9,6% para 11,8%, segundo os dados da Anac desta segunda-feira.

Justiça de São Paulo envia ao juiz Sérgio Moro o pedido de prisão de Lula


A 4ª Vara Criminal de São Paulo remeteu ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, o pedido de prisão preventiva do poderoso chefão e ex-presidente Lula e a denúncia contra o petista por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso do tríplex de Guarujá (SP). Os autos foram enviados pela juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira na última quinta-feira, após ela negar recursos contra a decisão na qual declinou da competência para o juízo que centraliza a Operação Lava Jato, no Paraná, proferida há mais de um mês. A posse do tríplex reformado pela construtora OAS para Lula e a galega italiana Marisa Letícia era investigada pelo Ministério Público de São Paulo, em inquérito decorrente do caso Bancoop, e pelo Ministério Público Federal na Lava Jato. A juíza entendeu que os crimes são de âmbito federal e podem estar relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras. Caberá a Moro agora decidir se aceita a competência e acata ou não o pedido de prisão e a acusação formal. O ex-presidente também é investigado no âmbito da Lava-Jato, mas neste caso, devido ao envolvimento de pessoas com foro privilegiado, a apuração ocorre sob o crivo do STF. 

OGX sangra em mais R$ 20,9 milhões


Em decisão já publicada, a Juíza Marianna Mazza, da 23ª Vara Cível do Rio de Janeiro, determinou que a OGX pague R$ 22,9 milhões à Nordic Trustee, administradora de títulos de dívida da OSX. O valor refere-se aos contratos de afretamentos de plataformas celebrados em 2012. Na ocasião, a OGX, antes da debacle de Eike Batista, acertou com a OSX um pagamento diário de US$ 439 mil. Esses US$ 20,9 milhões são os recursos já depositados em juízo e já foram transferidos para a Nordic. Se alguém achou que é um volume de dinheiro suficiente para balançar a encrencada OGX, hoje em recuperação judicial, não viu nada — é apenas uma migalha do que a petroleira deve neste contrato. O total chega a US$ 140 milhões. 

Janot arquiva acusação contra Francischini

Na mesma petição em que pediu abertura de investigação contra Vital do Rêgo e o deputado federal petista gaúcho Marco Maia, Rodrigo Janot solicitou o arquivamento das acusações contra Fernando Francischini. O PGR disse que Júlio Camargo não tem conhecimento do envolvimento do deputado do Solidariedade, que é ex-delegado federal: "Prevalece a máxima de que a mera referência a terceiros em conversa alheia desacompanhada de outros elementos de convicção e em aparente conflito com a versão dos colaboradores mencionados não autorizam a realização de investigação".

Janot pede que Aécio deponha em até 90 dias sobre propina em Furnas


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu na abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que ele preste depoimento em até 90 dias sobre as suspeitas de recebimento de propina de Furnas. A solicitação foi feita ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, relator dos casos relacionados à Operação Lava Jato. Ainda não houve resposta do ministro sobre o pedido de investigação. O pedido de abertura de inquérito teve como base a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), mas também contou com novas informações prestadas pelo doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores da Lava Jato. Youssef relatou que Aécio recebia valores mensais, por intermédio de sua irmã, da empresa Bauruense, contratada por Furnas. Também deve ser ouvido o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, apontado por Delcídio como responsável por repasses de propina. Janot também escreveu, no pedido ao Supremo, que uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro encontrou documentos de doleiros que confirmam a existência de uma conta no exterior ligada a uma fundação em nome da mãe de Aécio Neves, Inês Maria Neves Faria. O fato havia sido citado na delação de Delcídio. "Referidas informações constituem um conjunto harmônico e apontam para a verossimilhança dos fatos descritos", apontou Janot. Janot também solicitou um inquérito contra Aécio e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) sob suspeitas de envolvimento na maquiagem de dados do Banco Rural para esconder o mensalão mineiro, na época em que Aécio era governador de Minas. Além de Aécio, há outros pedidos que atingem a cúpula do PMDB, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Vitórias de Trump estremecem apoio a Ted Cruz dentro do Partido Republicano

Ainda que Donald Trump o tenha derrotado por margens esmagadoras, de New Hampshire à Flórida e ao Arizona, o senador Ted Cruz até recentemente podia se reconfortar ao recordar uma vantagem crucial: ele vinha derrotando Trump nas obscuras disputas internas por delegados que podem terminar decidindo a indicação do Partido Republicano à Presidência. "É assim que se vence uma eleição nos Estados Unidos", vangloriou-se Cruz depois de conquistar a maioria dos delegados no Wyoming, um mês atrás. Agora, diante de uma disputa que pode ameaçar sua candidatura nesta terça-feira (3), em Indiana — onde uma pesquisa da NBC News, "Wall Street Journal" e Marist divulgada no domingo (1º) o mostrava 15 pontos percentuais atrás de Trump —, Cruz não terá grande consolo a extrair de sua tão alardeada operação de captura de delegados, mesmo que vença no Estado. 


A realidade é que os delegados — como os eleitores comuns — são suscetíveis a viradas de opinião pública. E à medida que a gravitação das recentes vitórias esmagadoras de Trump nas primárias atrai mais republicanos à sua candidatura, o apoio a Cruz entre os 2.472 delegados que participarão da convenção do partido vem caindo, o que coloca em risco sua esperança de impedir a nomeação de Trump ao derrotá-lo em uma votação plenária no evento em Cleveland, em julho. Cada delegado que Trump conquista o aproxima dos 1.237 votos de que ele necessita para garantir a indicação diretamente, e as chances de Cruz de detê-lo — mesmo que consiga uma virada improvável em Indiana — estão se reduzindo. Antes da vitória esmagadora de Trump na Pensilvânia, na semana passada, a campanha de Cruz se vangloriava de ter 69 pessoas dedicadas a adquirir o maior número possível de delegados entre os 54 delegados avulsos do Estado, que estão livres para votar como preferirem na primeira votação da convenção, o que poderia lhes conferir papel decisivo em uma convenção disputada. Ted Cruz conquistou apenas três delegados. Na Dakota do Norte, onde a campanha de Ted Cruz declarou vitória depois da convenção republicana no Estado em 3 de abril e disse ter conquistado "vasta maioria" dos 28 delegados avulsos do Estado, o apoio a Cruz parece estar em queda. Em entrevistas, delegados disseram que o candidato tinha apenas 12 promessas firmes de voto, para começar, e que mesmo alguns desses simpatizantes parecem estar começando a vacilar agora que a vantagem de Trump aumentou muito. E em Estados de todo o sul, supostamente o baluarte de Cruz, alguns delegados começam a ecoar um sentimento que parece crescer no Partido Republicano: uma sensação de resignação diante da ideia de que Trump representará a agremiação na eleição presidencial. "Honestamente, não acreditávamos que ele chegaria até onde chegou", disse Jonathan Barnett, representante do Arkansas no Comitê Nacional Republicano, sobre Trump. Barnett, que apoiava a campanha frustrada do ex-governador Mike Huckabee, disse que seu foco agora estava em vencer em novembro, mesmo que isso acarretasse a necessidade de aderir, a contragosto, a Trump. As mudanças de opinião tiveram pouco a ver com qualquer súbita inspiração quanto às chances de eleição de Trump ou com os recentes esforços de sua campanha para retratá-lo com mais seriedade. Em lugar disso, disseram delegados e dirigentes do partido, eles estão prontos a ir adiante e se unir em apoio a alguém, para que os republicanos não cheguem à eleição geral irremissivelmente divididos. E muitos delegados também mencionam dúvidas quanto a Cruz ser de fato uma melhor escolha. "O número de pessoas que questionaria a ideia de aderir a Cruz é igualmente grande", disse Barnett. Essa aquiescência gradual revela uma falha ainda maior na estratégia de Cruz de se tornar o único candidato alternativo a Trump que restou de um grupo inicial de 17: o caso era menos de adesão a ele do que de uma busca desesperada de alternativas mais palatáveis a Trump. Mas o "nunca" do movimento "Nunca Trump" agora parece estar se transformando em "relutantemente". "Não faço parte da campanha 'qualquer um menos Trump'", disse Jim Poolman, delegado do Dakota do Norte. "Minha campanha é qualquer um menos Hillary", acrescentou. Poolman disse que ainda planeja votar em Cruz na primeira votação, que foi o compromisso que ele assumiu com a direção de campanha do candidato. Mas acrescentou que não se tratava de uma decisão irreversível. "Estou tentando manter meu compromisso, mas ser pragmático", disse. "Há muita coisa que pode acontecer antes de Cleveland. E sei que isso me faz soar vacilante, mas não é isso que quero dizer." Delegados como Poolman são emblemáticos dos problemas mais amplos da campanha de Cruz para reter votos, caso a indicação não esteja confirmada antes da convenção. Poolman inicialmente era partidário do senador Marco Rubio, da Flórida, que deixou a disputa em março. Enquanto Poolman buscava outro candidato, conta, voluntários locais da campanha de Cruz perguntaram se podiam incluir seu nome na lista de delegados que apoiariam Cruz na convenção estadual. Ele disse que Heidi, a mulher de Cruz, telefonou para ele e lhe deu o número de seu celular, afirmando que o delegado sempre teria "uma linha direta para a campanha". Poolman terminou eleito como delegado. Mas agora, Poolman diz se preocupar com a desunião do partido, e o que isso poderia representar para os republicanos em novembro. "Minha meta pessoal", disse, "é não permitir que nossa convenção se torne um circo".


Kelly Armstrong, presidente do Partido Republicano em Dakota do Norte, disse que Cruz continua a ter muito apoio no Estado, mas define o número de votos com que ele conta entre os 28 delegados avulsos como "pelo menos 10" — bem abaixo da "vasta maioria" que a campanha de Cruz vinha alardeando. Armstrong, que não tomou partido na disputa, disse que os delegados também precisam considerar o efeito que negar a indicação a Trump poderia ter entre seus partidários. "Não podemos causar imensa irritação a algumas pessoas com relação ao processo e imaginar que teremos o apoio delas em novembro", disse Armstrong. Os resultados na Pensilvânia foram os mais perturbadores para Cruz. Ele tinha dominado a disputa por delegados no Colorado e Wyoming, votações influenciadas pela espécie de ativista do partido que ele tende a atrair. Mas Trump parece ter conquistado pelo menos 40 dos 54 delegados irrestritos da Pensilvânia. "Não haverá segunda votação", disse Ash Khare, eleito na terça-feira passada (26) como delegado irrestrito pela Pensilvânia. Khare se recusou a declarar apoio a qualquer candidato antes da eleição, ainda que Trump, Cruz, e o governador John Kasich, do Ohio, o tenham procurado, segundo ele. "Prometeram-me uma foto, uma conversa privada. Pode esquecer", disse Khare, dizendo que sua intenção havia sido sempre a de votar no candidato que tivesse ganhado em seu distrito. Isso quer dizer Trump. Khare afirmou que nada o atrai especialmente, em Trump ou em suas ideias. "Se ele terá ou não sucesso, não sei", disse. Mas afirmou que não podia contrariar a vontade de tamanho número de eleitores. "Há uma revolução em curso", afirmou. Os eleitores podem estar começando a aceitar o raciocínio de Trump, de que ele mereceria a candidatura mesmo sem obter 1.237 delegados. Uma recente pesquisa da rede de TV NBC e do "Wall Street Journal" constatou que mais de 60% dos republicanos acreditam que o nomeado deve ser o candidato com mais votos, mesmo que ele não tenha o apoio da maioria dos delegados. Ainda assim, a campanha de Trump está atuando para garantir o compromisso dos delegados de que necessitaria para obter a maioria. Já que a primária de Indiana pode ser um momento decisivo para seu esforço de deter Trump, Cruz só pode esperar que a campanha uma vez mais tome rumos inesperados. "Trump é muito popular em nosso Estado", disse Alec Poitevinte 2º, veterano líder republicano na Geórgia e antigo simpatizante de Rubio, agora sem candidato decidido. Ele será um delegado restrito na primeira votação, mas ainda não lhe foi designado um candidato à indicação. E se ele tiver de votar em Trump, que venceu com 39% dos votos na Geórgia? "Tudo bem, por mim", disse.

Oposição venezuelana apresenta 1,85 milhão de assinaturas para referendo

A oposição venezuelana entregou nesta segunda-feira (2) um total de 1,85 milhão de assinaturas ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em cumprimento de mais uma etapa para pedir a convocação de um referendo revogatório contra o ditador bolivarianoe Nicolás Maduro, anunciou o porta-voz da oposição, Jesús Torrealba. "Entregamos hoje ao CNE 80 caixas, cada uma com 2.500 planilhas, de um total de 200 mil planilhas, contendo 1 milhão e 850 mil assinaturas", escreveu Torrealba, secretário-geral da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), em sua conta no Twitter. 


A MUD, que controla o Parlamento, apresentou essa quantidade apesar de ter assegurado haver reunido 2,5 milhões de assinaturas em todo o país, 13 vezes mais que as 195.721 (1% do colégio eleitoral) exigidas pelo CNE para pedir o início do processo. As caixas com as assinaturas foram entregues em uma dependência do CNE em Fila de Mariches (leste de Caracas), e não na sede central do organismo, como se esperava que ocorresse nesta terça-feira (3). "Hoje de manhã fizemos o governo acordar cedo. Já entregamos as assinaturas ao CNE. Adiante! (...) Os violentos ficaram irritados", afirmou o porta-voz da MUD. A previsão inicial era de que o CNE confirmasse em cinco dias o número para depois pedir aos signatários que ratificassem seu apoio com a impressão digital em outros cinco dias. Só depois que as assinaturas forem validadas que deve ser autorizada a coleta de 4 milhões de assinaturas (20% do colégio eleitoral) para, então, realmente convocar o referendo. "A partir de amanhã começam cinco dias contínuos para que o CNE indique centros para validar assinaturas!", afirmou o líder opositor e ex-candidato à Presidência, Henrique Capriles. Mas Tania D'Amelio, diretora do CNE, afirmou no Twitter que a confirmação das assinaturas deve começar quando forem completados os 30 dias concedidos à MUD para coletá-las, ou seja, a partir de 26 de maio. Para revogar Maduro no referendo, o "sim" deverá obter mais de 7,5 milhões com os quais foi eleito após a morte de seu mentor, Hugo Chávez, em 2013.

Miriam Leitão faz grande elogio ao procurador do TCU que depôs na Comissão do Impeachment

A jornalista Miriam Leitão, colunista de Economia da Rede Globo, sintetizou a atuação do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Tribunal de Contas da União, na comissão do impeachment, nesta segunda-feira: "O procurador foi muito feliz na participação na comissão. Ele foi duro, falou em fraude e ilegalidade, e indicou com segurança os pontos que o governo desrespeitou. Quando o Planalto manda o banco público liberar um benefício e não paga à instituição, como previa o Orçamento, abre-se um espaço para aumentar as despesas com pretensões eleitorais. São práticas que distorcem a democracia. Elas aconteciam no passado e levaram o País à hiperinflação. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada para evitar isso". Júlio Marcelo de Oliveira desnorteou os senadores petistas com o seu conhecimento de causa, a sua clareza de exposição e a sua atitude civilizada.

Jucá diz que Dilma tenta desequilibrar Orçamento com novas despesas


Cotado para o comando do Ministério do Planejamento na gestão de Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) criticou nesta segunda-feira (2) o pacote de bondades anunciado pela presidente Dilma Rousseff e acusou o governo petista de tentar desequilibrar o Orçamento da União. Na chegada a reunião com o vice-presidente, para avaliar os impactos das medidas anunciadas neste domingo (1º), o senador considerou que qualquer "ação de vingança" da gestão petista estará sendo feita não apenas contra uma eventual administração interina, mas contra a população brasileira. "Lamentavelmente, o governo federal perdeu o parâmetro de qualquer conta e está executando despesas em uma tentativa de desequilíbrio do Orçamento. Ampliar o desequilíbrio da economia do país é prejudicar as pessoas. Na hora que o Orçamento é deficitário, isso impacta o nível do desemprego", criticou. No domingo, a presidente anunciou aumento médio de 9% nos benefícios do Bolsa Família e reajuste de 5% na tabela do Imposto de Renda. A medida foi tomada a pouco mais de uma semana do julgamento em plenário do Senado Federal sobre a admissibilidade do pedido do impeachment, o que poderá manter a petista afastada do cargo por até 180 dias. Na chegada ao encontro com Temer, o peemedebista Eliseu Padilha, cotado para assumir a Casa Civil, concordou com a avaliação do secretário do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, segundo o qual não há espaço para novos gastos sem uma revisão da meta fiscal para 2016. "São despesas absolutamente impossíveis", criticou Padilha. O governo federal enfrenta uma das piores crises fiscais da história recente. Apenas nos três primeiros meses do ano, o rombo já alcança R$ 18 bilhões, mesmo com a receita extra de R$ 11 bilhões oriunda da venda de hidrelétricas no final de 2015. Além dos dois peemedebistas, participam da reunião com Temer os ex-ministros Henrique Meirelles (Banco Central), Henrique Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

OAB pede CPI da Anatel no Senado Federal


O presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, vai propor nesta terça-feira, em uma audiência pública no Senado Federal sobre os limites da banda larga fixa, uma CPI para investigar a Anatel. A sugestão de Lamachia é que o foco da comissão seja porque a Anatel defende, na visão dele, interesses das empresas e não dos consumidores, o que é absolutamente verdadeiro.

Janot pede novos inquéritos contra o ministro petista Edinho Silva e Eduardo Cunha


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de mais um inquérito contra o ministro da Secretaria de Comunicação Social, o petista Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff, e uma nova investigação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois pedidos são baseados na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) e se desdobram da Operação Lava Jato. Ambos já são investigados atualmente – Edinho é alvo de um inquérito com base na delação do empreiteiro propineiro Ricardo Pessoa, enquanto Eduardo Cunha responde a cinco procedimentos (duas denúncias e três inquéritos). 


Caso o ministro Teori Zavascki aceite a abertura dos novos inquéritos, será o segundo contra o petista Edinho Silva e o sexto contra Eduardo Cunha. No caso de Edinho, a nova investigação está relacionada ao relato de Delcídio de que o ministro o orientou a receber, via caixa dois, o pagamento de dívidas de campanha de R$ 1 milhão por meio de um laboratório farmacêutico, a EMS. Segundo o delator, porém, a operação não se concretizou porque as empresas credoras não aceitaram receber diretamente da EMS. Em relação a Eduardo Cunha, o novo inquérito se refere a uma possível influência que o peemedebista teve em uma diretoria de Furnas. Delcídio do Amaral disse acreditar "que ele tenha recebido vantagens indevidas" porque mantinha "comando absoluto da empresa". Segundo o senador, Furnas chegou a se associar a uma hidrelétrica ligada a Lúcio Bolonha Funaro, corretor de valores muito próximo a Eduardo Cunha. Além de Eduardo Cunha e Edinho Silva, Janot pediu abertura também de dois inquéritos contra Aécio Neves e um contra o deputado federal petista Marco Maia (PT-RS), e o ministro Vital do Rego, do Tribunal de Contas da União. No total, são até agora cinco investigações decorrentes da delação premiada do senador Delcídio do Amaral. Janot ainda pediu a investigação dos fatos relativos à propina da usina hidrelétrica de Belo Monte aos senadores do PMDB Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA). Nesse caso, porém, não foi aberto inquérito específico, mas foi feito o compartilhamento da delação de Delcídio do Amaral que relatou o caso nos inquéritos já existentes contra os senadores. 

Rede de supermercados Asun compra cinco lojas fechadas pelo Walmart no Rio Grande do Sul


A rede gaúcha Asun comprou cinco dos 14 supermercados fechados pelo grupo Walmart no Rio Grande do Sul. A Asun já está trabalhando na reforma das lojas e a abertura está prevista para os próximos 60 dias. De acordo com o diretor da rede, Antonio Ortiz Romacho, serão contratadas em torno de 450 pessoas. "Tenho a convicção de que não podíamos perder essa oportunidade. Durante as crises, surgem as oportunidades", afirma Romacho. A Asun é a rede com o quinto maior faturamento no setor de supermercados do Rio Grande do Sul. Emprega mais de 2 mil pessoas e tem uma atuação forte no Litoral, onde mantém as lojas abertas durante o ano todo. As lojas do Walmart adquiridas pelo grupo Asun são as seguintes: Nacional da Avenida Plínio Brasil Milano, em Porto Alegre; Nacional Hospital Conceição, em Porto Alegre; Nacional da Mathias Velho, em Canoas; Nacional da Avenida Boqueirão, em Canoas; Nacional de Esteio. 

Teori envia a Moro citações de Delcídio de propinas em governo Fernando Henrique Cardoso


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidiu enviar para o juiz Sergio Moro as citações feitas pelo senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) em sua colaboração premiada sobre o pagamento de propina por um projeto da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso, referente à compra de máquinas da Alstom. O senador levantou aos investigadores a suspeita de que a compra de máquinas da empresa Alstom envolveu possível pagamento de propina na Petrobras, entre os anos de 1999 e 2001. Em sua decisão, Teori afirmou que as declarações de Delcídio neste caso "não revelam envolvimento direto de pessoa com prerrogativa de foro", que só podem ser investigadas com aval do Supremo. O ministro afirmou ainda que cabe a Moro avaliar se é de sua competência ou não tratar do caso. Segundo a delação de Delcídio, entre os anos de 1999 e 2001 foi implementado programa voltado a conter problema de racionamento de energia elétrica e que, antes desse programa governamental, já havia sido adquirida a máquina "GT24", da empresa Alstom, para atendimento das necessidades da Refinaria Landulfo Alves. Ele ressaltou que essa máquina apresentou defeitos em outros países que a haviam adquirido. Delcídio contou que a empresa OAS possuía interesse na compra do equipamento, o que lhe foi relatado por Carlos Laranjeira, à época diretor daquela empresa. Na ocasião, segundo o senador, Carlos Laranjeira teria falado, inclusive, que entre US$ 9 e US$ 10 milhões de dólares americanos haviam sido separados para pagamentos de propina, possivelmente para políticos ligados ao PFL (atual DEM) do Estado da Bahia. Segundo a Procuradoria-Geral da República, "nessa direção, faz-se necessário averiguar até que ponto as declarações do colaborador encontram eco nas evidências angariadas no Caso Lava Jato" . Em sua delação, o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, relatou aos procuradores, na fase de negociação de sua delação premiada, que Delcídio recebeu suborno de US$ 10 milhões da multinacional Alstom durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1999 e 2001. À época, ele ocupava a diretoria de Óleo e Gás da Petrobras, e Cerveró era um de seus gerentes.

Janot pede que citações de Delcídio sobre o banqueiro André Esteves sejam enviadas ao juiz Sérgio Moro


A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal que citações feitas pelo senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) em sua delação premiada sobre o banqueiro André Esteves, controlador do BTG, sejam enviadas para análise do juiz Sergio Moro. A Procuradoria também solicitou que parte das menções seja incluída em inquéritos que já tramitam no Supremo. Os pedidos serão analisados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo. Esteves já é alvo de dois inquéritos no STF que apuram seu envolvimento com o esquema de corrupção da Lava Jato. Em um deles, o banqueiro foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por suposta participação numa trama para a compra do silêncio e evitar a delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. Em outra, ele é investigado em conjunto com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por suspeita de irregularidades na tramitação de medidas provisórias no Congresso. Em sua delação premiada, o senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) afirmou que é fato conhecido que "o presidente da Câmara funcionava como menino de recados de André Esteves, principalmente quando o assunto se relacionava a interesses do banco BTG, especialmente no que tange a emendas às medidas provisórias que tramitam no Congresso", diz. De acordo com a delação, o presidente da Câmara dos Deputados havia apresentado emenda a uma MP "possibilitando a utilização dos FCVS (Fundos de Compensação de Variações Salariais) para quitarem dívidas com a União", o que seria do interesse do BTG e Esteves. O fato está em análise no Supremo. Delcídio cita ainda que Esteves tem relação de proximidade com o pecuarista José Carlos Bumlai, réu na Lava Jato e amigo do poderoso chefão e ex-presidente Lula. Atualmente, Bumlai cumpre prisão domiciliar, por determinação da Justiça do Paraná. O senador também afirmou que Esteves tinha preocupação com o projeto PetroÁfrica, uma operação que, segundo ele, é polêmica e levou a aquisição de 50% dos campos de petróleo, principalmente na Nigéria, pelo BTG. Delcídio disse que André Esteves, por meio do BTG, comprou 50% do PetroÁfrica pelo valor de US$ 1,5 bilhão, sendo que empresas de auditoria fizeram avaliação dos campos, tendo fixado valor de compra aproximado de US$ 2,7 bilhões. Ele apontou também que não isentava o negócio de ilicitude. Se o envio das menções for aceito por Teori, caberá a Moro avaliar se elas justificam ou não a abertura de uma nova linha de investigação envolvendo o banqueiro.

Arminio Fraga está defendendo mais injeção de recursos públicos na Petrobras falida pelo PT


O ex-presidente do Banco Central, o banqueiro Armínio Fraga, afirmou nesta segunda-feira (2) que o governo deveria injetar recursos próprios na Petrobras. Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Armínio disse que o governo resiste em fazer o aporte para não afetar, ainda mais, as estatísticas da dívida pública. Porém, em sua avaliação, a injeção daria condições para a petroleira trabalhar com mais fôlego. Ele não precisou valores, mas indicou que a Petrobras precisaria entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões, a depender de detalhes sobre a composição de sua dívida e a sua geração de caixa. Segundo ele, a dívida não deveria superar em três ou quatro vezes a geração de caixa da companhia. "O governo não quer por capital porque afeta estatísticas da dívida, mas pela minha experiência é melhor encarar o problema, redefinindo as regras para o setor", afirmou. Armínio Fraga se mostrou contrário à ideia de privatizar a estatal, mas defendeu que o governo "pense o setor como um todo", o que incluiria fixar preços de mercado para o setor de combustíveis. "Privatizar uma empresa que é quase um monopólio, não é solução. Mas pensaria na estrutura desse setor para gerar mais concorrência", afirmou. A Caixa Econômica Federal, segundo o banqueiro, embora tenha suas contas menos transparentes, também "é candidata a receber algum capital" do governo federal, dado as dificuldades do banco estatal. Cogitado para assumir o Ministério da Fazenda de Michel Temer – o que por fim não prosperou–, Armínio Fraga se mostrou muito preocupado com a deterioração das contas públicas. "Não sei como falam que há a opção entre ajustar ou ser feliz. É uma mentira, isso não existe. As opções são ajustar ou cair em um buraco mais profundo. O estrago já foi feito, só nos resta corrigir tudo o que está aí", afirmou, referindo-se à necessidade de cortar despesas. Armínio Fraga afirmou que o nível atual da dívida bruta do governo (ao redor de 70% do PIB) é mais elevada do que a de países com nível de desenvolvimento semelhante, o que, combinado a um baixo crescimento econômico e juros em ascensão, gera uma "aritmética explosiva". "O risco é grande. Mas a divida é interna, 80% dela está na mão de brasileiros. A situação é administrável, mas complicada", disse ele, ao responder a uma pergunta sobre o risco de insolvência do governo. Em sua opinião, é preciso dar um voto de confiança ao governo do PMDB: "Terá que tomar medidas muitas antipáticas, que vão afetar interesses". Argumentou que, caso o caminho pela correção não seja o adotado, a situação pode ficar ainda pior. "O País pode entrar numa situação mais complicada. Estávamos caminhando para isso, se não houvesse o processo de impedimento", afirmou. "A margem de manobra para arrumar o Estado é muito pequena, o risco de isso deteriorar ainda existe, é muito grande e vai continuar por um bom tempo", disse: "Vamos ter que trabalhar muito para chegar lá, porque a economia está totalmente arrebentada". 

A peronista populista Cristina Kirchner é denunciada sob acusação de enriquecimento ilícito na Argentina


A ex-presidente da Argentina, a peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, que chefiou um governo extremamente corrupto, foi denunciada à Justiça pela segunda vez desde que deixou o poder, em 9 de dezembro de 2015. Na semana passada, o Ministério Público Federal pediu para que ela e seu filho, Máximo, sejam investigados por enriquecimento ilícito e falsificação de documentos públicos. O caso ficou conhecido nesta segunda-feira (2). 


Há indícios de que imóveis da família Kirchner foram alugados por empresas de Lázaro Báez e Cristóbal López para agradecer favores prestados pela ex-mandatária. Báez e López são apontados como os empresários que mais enriqueceram no país durante o kirchnerismo (2003-2015), vencendo dezenas de licitações públicas.  Preso há quase um mês sob suspeita de lavagem de dinheiro, Báez teria enviado milhões de dólares ao Exterior — dinheiro que pode ter recebido como pagamento de obras superfaturadas. A primeira denúncia à Justiça contra a peronista populista Cristina Kirchner decorre de sua ligação com o empreiteiro, que era um dos melhores amigos do ex-presidente e marido de Cristina, Néstor Kirchner, morto em 2010. López, por sua vez, vem sendo investigado por não ter repassado ao governo 8 bilhões de pesos (cerca de R$ 2 bilhões) em impostos. Esse valor foi pago por consumidores que compravam combustível das empresas de López, mas nunca chegou aos cofres públicos. Rumores indicam que o governo Kirchner facilitou para que o empresário não entregasse o dinheiro ao governo. O novo caso contra Cristina foi colocado em segredo de Justiça pelo juiz Claudio Bonadio, tido como um dos maiores inimigos do kirchnerismo. Ele também lidera a causa da venda de dólares no mercado futuro a preços inferiores ao de mercado, para a qual convocou Cristina a prestar depoimento. O juiz já investigou a lavagem de dinheiro nos hotéis da ex-dirigente. Nesse processo, do qual foi afastado no fim do ano passado, há suspeitas de que Báez tenha pagado centenas de diárias fantasmas para a empresa hoteleira de Cristina Kirchner, sem que ninguém houvesse ocupado os quartos. Para a deputada Margarita Stolbizer, que concorreu à Presidência no ano passado e denunciou Cristina Kirhcner ao Ministério Público, o esquema de aluguéis dos empreendimentos imobiliários de Cristina seria semelhante ao do hotel.

Henrique Meirelles defende controle legal da trajetória de despesas públicas



Cotado para comandar o Ministério da Fazenda no governo Michel Temer, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu nesta segunda-feira (2) a criação de um controle legal e até mesmo constitucional da trajetória de gastos da máquina pública. Na saída de reunião com o vice-presidente, o economista reconheceu que está sob avaliação do peemedebista uma espécie de limitador global de despesas públicas. Elaborado pelo PMDB, o documento de governo "Ponte para o Futuro" propõe a criação de um teto de gastos que seja estabelecido por meio de lei e seja inferior ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). "Um controle legal e até constitucional da trajetória de gastos uma alternativa interessante que certamente será contemplada", disse. Meirelles disse ainda que a prioridade para o País neste momento é recuperar a confiança da população e do mercado. Para isso, ele defende mudança na trajetória de crescimento da dívida pública, o que fará com que as taxas de risco e de juros também caiam. "Nós temos que sinalizar claramente que não nos veremos em situações similares a outros países que tiveram lá na frente que tomar medidas abruptas. É necessário tomar medidas que façam com que a trajetória da dívida seja alterada", disse. O ex-ministro da autoridade monetária avaliou que a questão fiscal é fundamental para esse processo, assim como a realização de concessões que viabilizem investimentos diretos em infraestrutura, o que ajudaria tanto na geração de empregos como na diminuição do custo País.  "Com a recuperação da confiança, os agentes econômicos voltariam a contratar, os consumidores voltariam a comprar e os bancos voltariam a emprestar. Portanto, sairíamos desse ciclo negativo e entraríamos em um ciclo positivo de crescimento", disse. Em relação ao aumento do Bolsa Família e correção da tabela do Imposto de Renda, anunciados pela presidente Dilma Rousseff, Meirelles lembrou que " tudo tem um custo e eles terão de ser equacionados". "Isso vai ter de ser devidamente medido e equacionado. O País tem condições de honrar os seus compromissos", afirmou.