segunda-feira, 6 de junho de 2016

Comissão do impeachment aprova calendário de trabalho


A comissão especial do impeachment aprovou, nesta segunda-feira (2) o calendário de trabalho do colegiado para os próximos meses, com a previsão de que a votação do relatório do colegiado ocorra no plenário do Senado em 2 de agosto. Assim, a votação final do impeachment deve acontecer até o fim do mesmo mês. A aprovação do cronograma ocorreu em um clima bem mais tranquilo do que o visto na última reunião do colegiado, na quinta-feira (2) passada, em que os senadores discutiram por mais de 10 horas sobre o andamento dos trabalhos. Os ânimos se acirraram quando o presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB), acatou um pedido para reduzir em 20 dias o prazo de tramitação do processo. O peemedebista reviu sua decisão nesta segunda-feira, o que viabilizou o acordo para a votação do calendário proposto pelo relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). O tucano reiterou que seu planejamento é "meramente uma proposta indicativa" e pode sofrer alterações ao longo dos trabalhos. "Se o cronograma se demonstrar insuficiente, evidentemente que ele poderá ser aumentado", disse. A comissão começará a ouvir as duas testemunhas arroladas pela acusação na próxima quarta-feira (8). Depois, prestarão esclarecimentos outras três pessoas indicadas por senadores. As 32 testemunhas de defesa falarão em seguida. Todos eles deverão ser ouvidos até 17 de junho. A previsão é de que o interrogatório de Dilma aconteça em 20 de junho. Seus advogados, no entanto, ainda não decidiram se ela deverá comparecer pessoalmente. Após a votação do parecer prévio em plenário, sessão que será conduzida pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, há um prazo de até 48 horas para que a acusação apresente o chamado libelo acusatório, e outras 48 horas para que a defesa de Dilma se pronuncie. Após estes prazos, Lewandowski tem até dez dias para marcar a data do julgamento final.
CALENDÁRIO PROPOSTO POR ANASTASIA:
até 1º de junho - recebimento da defesa prévia da denunciada, apresentação dos requerimentos para indicação de testemunhas e de provas pelos membros da comissão
2 de junho - parecer sobre provas e diligências - discussão e votação de 6 de junho a 17 de junho - oitiva de testemunhas, esclarecimento do perito e juntada de documentos
20 de junho - interrogatório da denunciada
de 21 de junho a 5 de julho - alegações escritas dos denunciantes de 6 de julho a 21 de julho - alegações escritas da denunciada
25 de julho - leitura do relatório da comissão
26 de julho - discussão do relatório na comissão
27 de julho - votação do relatório na comissão
28 de julho - leitura do parecer em plenário
1º e 02 de agosto - discussão e votação do parecer em plenário
Janot inclui depoimento de ex-diretor de Furnas em inquérito contra Aécio Neves

Em depoimento à Polícia Federal em 2006, o ex-diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas Dimas Toledo admitiu que o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, "costumava" procurá-lo na estatal para "assuntos envolvendo municípios onde (Aécio) tinha base eleitoral". O depoimento de Dimas Toledo foi anexado ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhado na semana passada ao Supremo Tribunal Federal no qual ele considera "imperioso" retomar as investigações contra o tucano por suspeita de recebimento de propinas na estatal elétrica. O depoimento foi tomado em uma investigação iniciada na época, após as denúncias do delator do mensalão e ex-deputado Roberto Jefferson de que haveria também um esquema de corrupção em Furnas envolvendo Toledo para abastecer partidos políticos, sobretudo o PSDB. O caso deu origem a uma denúncia em 2012 do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que foi deslocada para a Justiça estadual por decisão da Justiça Federal. Dimas Toledo também foi apontado por delatores da Lava Jato como indicado de Aécio para operacionalizar um suposto esquema de corrupção na estatal nos moldes que vieram a ser implementados na Petrobras. Ele ocupou cargo de direção em Furnas entre 1995 e 2005. No depoimento, Toledo disse que era amigo do pai de Aécio, chamado Aécio Cunha e que era conselheiro de Furnas. Além dos encontros com Aécio e a amizade com o pai do tucano, Toledo também admitiu em 2006 que sua filha trabalhava para a Bauruense, empresa que prestava serviços para Furnas e está na mira da Procuradoria-Geral da República - ao menos dois delatores da Lava Jato afirmaram que houve pagamento de propinas nos contratos de terceirização de mão de obra da estatal com a Bauruense. Atualmente, segundo explicou a defesa de Toledo, a filha dele é servidora concursada de Furnas, tendo ingressado na companhia "por vias regulares, sem quaisquer gestões de terceiros ou de seu próprio pai, jamais sendo subordinada à Diretoria de Planejamento, Engenharia e Construção". As suspeitas envolvendo a estatal de energia e o tucano deram origem a um inquérito da Procuradoria-Geral da República contra o senador mineiro. Para o procurador-geral Rodrigo Janot, as suspeitas trazidas tanto por Jefferson quanto pelos delatores da Lava Jato tornam "imperioso" investigar o tucano. O caso está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, que inicialmente havia acatado um recurso da defesa de Aécio e determinado a suspensão do inquérito para que Janot avaliasse os argumentos do tucano. Janot, contudo, manifestou-se novamente pela necessidade da continuidade da investigação, o que foi acatado por Mendes. 

Cerveró diz em delação premiada que Lula escalou Dutra para melar a CPI da Petrobrás


O ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que, em 2009, o poderoso chefão e presidente Lula escalou o ex-senador José Eduardo Dutra (PT-SE) para "esvaziar" a Comissão Parlamentar de Inquérito aberta para investigar desvios na estatal petrolífera. Dutra foi presidente da Petrobras (2003-2005) no primeiro mandato do petista e exerceu mandato de senador pelo PT entre 1995 e 2003. No período de 2010 a 2011 foi presidente do partido. Dutra morreu no ano passado, aos 58 anos. "Em 2009, foi instalada no Congresso Nacional uma CPI sobre a Petrobras", relatou Cerveró, no dia 7 de dezembro de 2015: "Na época, José Eduardo Dutra era o presidente da BR Distribuidora. Em razão da CPI, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a José Eduardo Dutra a missão de participar do 'esvaziamento' da CPI da Petrobras".









A revelação de Cerveró sobre o suposto empenho de Lula em "esvaziar" a CPI da Petrobras está no Termo de Colaboração 11/12, que aborda o tema "Indicação para a Diretoria da BR Distribuidora e distribuição de atividades na BR Distribuidora".






Outro delator da Lava Jato, o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, revelou aos investigadores que mandou pagar R$ 10 milhões a um dos integrantes da CPI, o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), morto em 2014. A CPI foi encerrada em 18 de dezembro de 2009. Guerra era um dos 11 integrantes do colegiado - três eram da oposição e acusaram, na ocasião, o governo de impedir as apurações.

PT tomou e não pagou empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões que tomou no Banco Schain

Bumlai e os próprios donos do Banco Schain confirmaram em delação premiada que o empréstimo fraudulento tomado pelo PT foi como disse Nestor Cerveró. O primeiro a denunciar o caso foi o publicitário Marcos Valério. Na série de denúncias que faz na delação premiada liberada para conhecimento público na quinta-feira pelo STF, o ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, apontou detalhes do dinheiro que o PT tomou no Banco Shain, nunca pagou e usou para calar um chantagista. Esse é um capítulo emblemático do PT e o inviabiliza como partido. Alvo de uma das etapas da Lava Jato, é o caso do empréstimo de R$ 12 milhões que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, tomou no banco Schahin, em outubro de 2004. Segundo Bumlai, o PT foi o destinatário do montante. A força-tarefa da Lava Jato afirma que, em troca, a Schahin ganhou contrato com a Petrobras de US$ 1,6 bilhão, em 2009, para operar o navio-sonda Vitória 10.000.












"Essa contratação objetivava a quitação de um empréstimo do PT, perante o banco Schahin, garantido por José Carlos Bumlai", diz o termo de declaração de Cerveró. "Como reconhecimento da ajuda do declarante nessa situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar o declarante para uma diretoria da BR, a Diretoria Financeira e de Serviços."

Professor do MIT diz que "economia brasileira está como a de um país em guerra civil'



O Brasil não está em guerra civil, mas o estado atual de sua economia é como o de um país conflagrado, de acordo com Roberto Rigobon, professor de economia aplicada do Massachusetts Institute of Technology (MIT). "Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca", diz: "Na economia, o governo Dilma foi catastrófico". Rigobon, que é venezuelano, define como "patética" a política externa adotada pelo Brasil nos últimos anos. O país, avalia, se omite em momentos em que ele deveria assumir um papel que lhe seria natural, o de líder da América Latina. "Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder", afirma. Em vez disso, argumenta Rigobon, o Brasil gosta de se cercar "do pior do mundo" - e ele põe na lista Argentina, Rússia e sua Venezuela natal. "Só falta firmar um acordo de intercâmbio com a Coréia do Norte", ironiza.  
O Brasil acaba de mudar seu governo. O senhor acredita que isso pode favorecer a economia do país? 
Depende de como essa mudança acontecerá em termos concretos. Acredito que uma gestão que suceda um impeachment é diferente da eleita pelo povo. Por enquanto, parece haver um otimismo exagerado. Em geral, na história mundial, observamos uma quantidade pequena de presidentes efetivamente culpados por corrupção. Antes de se tornar pública, quando se faz uma investigação, como a da Petrobras, por exemplo, a polícia pode investir todo o tempo na apuração do caso. Nesse contexto, é mais fácil chegar às provas dos crimes cometidos. Depois de vir à tona na mídia, os desafios aumentam, e isso se torna mais difícil. Já imaginou o que aconteceria se o Congresso resolvesse que não há evidências claras de que Dilma esteja envolvida em crime de responsabilidade? A lei prevê que ela volte ao poder, não é? Ainda que o mercado atribua "chance zero", acredito que existe o risco de o Congresso brasileiro não encontrar evidências suficientes para depor a presidente ou obrigá-la a renunciar. O fato de ter havido uma votação para abrir o processo não significa, necessariamente, que houve crimes. Isso complica o cenário.
Como o senhor avalia o papel do Estado na economia brasileira no governo Dilma? 
Foi catastrófico. Tão ruim quanto ter uma guerra civil, período em que os países não crescem e, ao mesmo tempo, têm inflação, em um quadro típico de "estagflação". Esse quadro é piorado, em grande parte, por medidas tomadas do lado da oferta, como a intervenção brutal do Estado, expropriações, em um cenário em que o setor privado tem medo de investir. Em uma guerra civil é assim: há muita inflação e a economia se estanca.
Qual o peso da crise externa para esse cenário? 
Nenhum. Esta inflação, por exemplo, tem raízes totalmente internas. Foi, portanto, causada pela incompetência do governo brasileiro. Em 2009, o mundo todo estava em crise, mas o Brasil não foi afetado. Esta é uma evidência clara de que os problemas que começaram a aparecer no país foram provocados pela acumulação de ineficiência e ideologia do governo anterior.
Como o senhor avalia a premissa de que o Brasil só pode negociar acordos comerciais junto com o Mercosul? 
Quando o Mercosul foi criado, há mais de vinte anos, ele trouxe muitos benefícios a Brasil, Argentina e Uruguai. Esses países adotaram diversas medidas pró-mercado, fazendo com que suas empresas buscassem atingir o mesmo nível, de uma maneira justa. Mas, como em todos os acordos, as partes têm que evoluir. Depois de ter desenvolvido bastante sobretudo a indústria, os países do bloco deveriam procurar outros parceiros, que fossem melhores que eles. A única forma de melhorar é incluir no clube nações mais desenvolvidas que as que já estão. Falo de Estados Unidos e países europeus. Isso forçaria o Mercosul a seguir evoluindo.
Mas o bloco optou por tomar outro rumo, certo? 
Sim. Há muito o que melhorar em termos de política externa. No caso do Brasil, a política externa foi patética nos últimos anos. Parece que o país gosta de se cercar do pior do mundo - Venezuela, Argentina, Rússia. Só falta afirmar um acordo de intercâmbio com a Coreia do Norte. O Brasil é muito covarde para investir em acordos internacionais, considerando o tamanho e a importância que tem.
Qual seria o passo natural para a evolução do bloco? 
Depois de incluir os países desenvolvidos, como EUA, Inglaterra, Alemanha, Espanha, União Europeia, o passo seguinte é: os países que não estiverem de acordo com essa ideia, devem ficar com suas ideologias - e deixar o grupo.
O Brasil, como grande potência do bloco, deveria assumir uma liderança nesse processo? 
Sim, mas o Brasil falhou nessa missão. Ele deveria ser o líder da região, posto que é compartilhado por Chile e Colômbia. Quando olham para a vanguarda da modernização, social política, econômica, da América do Sul, as pessoas não veem o Brasil. O país nunca quis, por razões que desconheço, assumir esse papel de líder. As empresas brasileiras não têm a visibilidade e a liderança que deveriam ter, dado o tamanho e a importância do Brasil. É muito triste. Parece que o Brasil tem medo de se comprometer e tomar decisões e ações duras, que cabem a um líder. Mas nunca é tarde. É importante que o Brasil seja líder da América Latina. Tem todas as condições. Só mencionam o Brasil para fazer a seguinte comparação: o Brasil, geograficamente, equivale a todos os outros países somados. Os países líderes da região deveriam ser Argentina e Brasil.
E os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)? 
Isso durou muito pouco. As razões, novamente, se relacionam com a falta de decisão e vontade do Brasil de ser líder neste espaço. Como a comunidade externa percebe o momento das crises política e econômica do Brasil? Os desdobramentos dos escândalos de corrupção têm um aspecto positivo, de mostrar que as instituições estão funcionando e estão punindo corruptos. Nesse sentido, é muito positivo. Por outro lado, há ainda muita incerteza sobre quem será o próximo presidente, o que preocupa. Mas, em geral, o saldo é positivo. 
O senhor é venezuelano e se mostra bastante crítico dos caminhos tomados por seu país. Que saída econômica o senhor vê para a Venezuela? 
Acredito que a Venezuela vai enfrentar uma hiperinflação ainda maior do que a atual. Se isso acontecer, a parte econômica é mais fácil de resolver. Há que considerar que ela é muito ruim, pois produzem muita pobreza e dor. O aspecto positivo é que ela elimina todas as distorções do mercado, incluindo os preços de diversos contatos. Depois que isso acontecer, terá de haver uma mudança radical de governo. A atual gestão é muito ideológica, o que torna os desafios mais difíceis de ser superados. O governo venezuelano tem a maturidade de uma criança de 3 anos, especialmente no quesito teimosia. Por isso, em vez de se chamar "Maduro", deveria se chamar "Imaduro".
O que um novo governo teria de fazer? 
Se há uma hiperinflação, em novas eleições outro governo deveria ser eleito - e um que considere, em suas políticas, todos os venezuelanos. Um governo que reconheça que o chavistas são um grupo grande da população, que, de alguma forma, devem ser considerados e respeitados. Algo que se aprendeu com o governo Chavista - e que é uma lição para todos os países da América Latina - é que os programas sociais têm de ser mais ambiciosos.
Em que sentido? 
Há 50 anos, pensava-se que fazer algo pelos pobres já era suficiente. Hoje em dia, está claro que não temos que fazer algo, mas muito. O fenômeno de Chávez, na Venezuela, de Lula, no Brasil, dos Kirchner, na Argentina, de Morales, na Bolívia, tem em comum ideologias muito esquerdistas, antiquadas, algumas da Idade Média. Elas são resultado de uma frustração muito grande na sociedade, que reflete a falha dos sistemas democráticos na hora de suprir os cidadãos mais pobres. Espero que os últimos 15 anos de desastre na região sejam usados como aprendizado, para entender que o modelo de desenvolvimento futuro tem de incluir programas sociais muito mais ambiciosos que os do passado - que atendam os pobres e lhes deem oportunidades. Os próximos governos, tanto na Venezuela quanto no Brasil, não podem esquecer dos erros cometidos no passado.

Ex-premiê espanhol Zapatero se reuniu com opositor venezuelano preso

O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, facilitador de um diálogo entre o governo venezuelano e a oposição, se reuniu, de surpresa, no sábado (4), com o opositor preso Leopoldo López, segundo o pai do político detido. "A reunião com Zapatero foi uma surpresa para Leopoldo. Não sabemos quem e nem para que a permitiram. Só sabemos que houve uma surpresa!", escreveu Leopoldo López Gil, pai do opositor, em sua conta no Twitter.


López cumpre uma pena de quase 14 anos de prisão no centro de detenção militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, acusado de instigar a violência em protestos antigoverno em 2014, que terminaram com 43 mortos e mais de 800 feridos. Junto com a Unasul e os ex-mandatários Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá), Zapatero tem sido mediador nas conversas entre o governo do presidente Nicolás Maduro e a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) para buscar soluções à crise venezuelana. Para dialogar, a oposição exige que as autoridades eleitorais fixem datas que permitam avançar no processo de referendo revogatório contra Maduro. Enquanto o ex-candidato presidencial Henrique Capriles diz que a MUD não deveria participar num diálogo "para que Maduro ganhe tempo ou livre sua cara", o presidente do Parlamento, Henry Ramos, insiste que é necessário conversar. Maduro, por sua vez, reiterou sua disposição em dialogar nas reuniões exploratórias que tiveram início na República Dominicana. Na última sexta-feira (3), no entanto, assessores jurídicos do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, entraram com um pedido de amparo contra a mesa diretora da Assembleia Nacional (controlada desde janeiro pela oposição) sob alegação de usurpação de poderes. Uma das acusações é que líderes do Legislativo violam a Constituição ao conduzir uma campanha, até agora frustrada, para que a Organização dos Estados Americanos (OEA) aplique sanções contra Maduro com base na Carta Democrática do órgão, sediado em Washington. A oposição convocou os 1,8 milhões de eleitores que assinaram o pedido para ativar o referendo revogatório a "reafirmarem seu compromisso com a mudança", nesta segunda-feira (6), disse o secretário-executivo da MUD, Jesus Torrealba. A Venezuela está passando por uma severa crise agravada pela queda do preço do petróleo, que fornece 96% das divisas do país.

Governo de Michel Temer corta comida de Dilma no Palácio do Alvorada


Depois de limitar as viagens da presidente afastada Dilma Rousseff com uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), o governo interino cortou, na quarta-feira, o "cartão de suprimento", usado para comprar comida para o Palácio do Alvorada. Além da comida, o recurso era usado para custos com a manutenção do local onde Dilma permanece enquanto afastada. A Secretaria do Governo confirmou a suspensão, mas afirmou que houve apenas uma "interrupção provisória" até o recebimento de parecer jurídico sobre os direitos da petista. Na noite de sexta-feira, o Palácio do Planalto informou que o cartão já estava liberado para as compras. Segundo assessores, Dilma teria ficado furiosa com os cortes estabelecidos e chamou o governo provisório de mesquinho. Em Porto Alegre, a presidente afastada informou, em tom de denúncia, na noite de sexta-feira, a limitação de viagens imposta pela equipe de Michel Temer. Para ela, a situação é considerada "grave". Sobre os deslocamentos, no Facebook, ela afirmou que "vai viajar": "Houve uma decisão da Casa Civil ilegítima, provisória e interina, cujo objetivo é proibir que eu viaje. É um escândalo que eu não possa viajar para o Rio, para o Pará, para o Ceará Isso é grave. Eu não posso, como qualquer outra pessoa, pegar um avião (comercial). Tem de ter todo um esquema garantindo a minha segurança, pela Constituição. É a Constituição que manda. Estamos diante de uma situação que vai ter de ser resolvida. Eu vou viajar!", escreveu. A presidente afastada deixou Porto Alegre rumo a Brasília no fim da tarde deste sábado, depois de participar de dois atos políticos na Assembleia Legislativa e na Esquina Democrática, no Centro.

Cerveró diz que Petrobrás pagou o dobro (R$ 4 bilhões) pela Ipiranga, tudo para garantir propina para a campanha de Lula

A delação premiada de Nestor Cerveró já é do conhecimento público e por isso a cada dia surgem novidades surpreendentes. A mais recente trata da compra do grupo gaúcho Ipiranga por parte da Petrobrás. Nestor Cerveró disse que a petroleira valia algo como R$ 2 bilhões na época, mas que a estatal pagou R$ 4 bilhões. Uma parte do sobrepreço foi para a campanha presidencial de 2006, que resultou na reeleição de Lula. Tudo na forma de propina. Desde antes de 2006, a Petrobrás funciona como antro de corrupção e de propinas.

Indiciamento na Zelotes torna Bradesco alvo de ação nos EUA


O Bradesco virou na sexta-feira (3) alvo de processo movido por investidores em um tribunal dos Estados Unidos, sob suspeita de ocultar envolvimento em suposto esquema de fraude na Receita Federal investigado pela Operação Zelotes, da Polícia Federal. O processo foi aberto no tribunal distrital de Manhattan em nome de detentores de recibos de ações (ADRs) do Bradesco. A ação foi feita em nome dos investidores em ADRs do banco entre 30 de abril de 2012 e 31 de maio de 2016, ou seja, tem caráter coletivo. O argumento é que o preço da ação do Bradesco foi inflado por causa de informações falsas e enganosas prestadas pelo segundo maior banco privado do Brasil. O Bradesco afirmou que suas ações não tiveram oscilações relevantes para que o banco fosse alvo de ação judicial de investidores nos Estados Unidos e que contratará escritórios de advocacia para representá-lo na questão. Na última terça-feira (31), a Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e outros dois executivos do banco em inquérito da Operação Zelotes que apura se grandes contribuintes pagaram propina para reverter multas na Receita Federal. No relatório, a Polícia Federal afirma que Trabuco era informado por seus subordinados das ações ilícitas realizadas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A afirmação baseia-se em conversas de terceiros, interceptadas com autorização judicial. Não há gravações de executivos do Bradesco nem provas de contrato com empresas já denunciadas ou esquema ou pagamento do banco a envolvidos. Responsável pelo prosseguimento da ação, o Ministério Público do Distrito Federal ainda avalia o caso e deve solicitar novas diligências antes de decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça. 

Cunha recorre da decisão do STF que o afastou do mandato de deputado


O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recorreu contra a decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu seu mandato e o afastou da presidência da Câmara. Na ação, os advogados argumentam que o julgamento que afastou de Cunha, acusado de usar o cargo para atrapalhar as investigações contra ele na Operação Lava Jato, e o seu processo de cassação no Conselho de Ética registraram "omissões graves". Um dos equívocos apontados pelos defensores é a falta de um prazo para o afastamento. Os defensores utilizam como parâmetro o afastamento previsto para Presidente da República no impeachment, que é de 180 dias, sendo que se o processo não for concluído neste período, há retorno ao cargo. "Se não tem uma sentença criminal transitada em julgado não há espaço para o afastamento do parlamentar. E essa é a interpretação restritiva não das prerrogativas do Legislativo, mas sim das possibilidades de intromissão do Poder Judiciário no funcionamento de casas parlamentares", diz o documento. O ministro do STF, Teori Zavascki, relator da Lava Jato, pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifeste. Na quinta-feira passada (2), o Supremo manteve a decisão do próprio tribunal que transformou o deputado afastado no primeiro réu da Lava Jato na Corte. Os ministros negaram recurso apresentado pela defesa de Cunha questionando pontos do julgamento de março do STF que aceitou a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o peemedebista, abrindo uma ação penal. Os ministros seguiram o voto do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, pela rejeição dos chamados embargos de declaração. Segundo Teori, os recursos dos advogados de Cunha tinham o objetivo de rejulgamento do caso e representavam mero inconformismo com a decisão. Não houve debate na sessão, os ministros apenas acompanharam o voto do relator. Com isso, Cunha responderá pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O deputado afastado é acusado neste caso de ter atuado em conjunto com a ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) num esquema de pagamento de propina de contratos de navios-sonda da Petrobras. Cunha teria recebido R$ 5 milhões em propina. Não há prazo para o desfecho do caso. Agora, o Supremo começa a fase de instrução processual, com a apresentação de testemunhas de defesa e acusação. Na sequência, uma nova etapa de coletas de provas e questionamentos dos elementos do processo. Cunha também será interrogado e, depois, o Ministério Público e fará suas alegações finais, repassando o caso para o ministro Teori Zavascki fechar seu voto. Outro integrante do Supremo será encarregado de revisar o processo liberando o caso para votação. Na Lava Jato no STF, o deputado afastado é alvo de mais cinco procedimentos, entre eles, uma denúncia por ter supostamente recebido propina da Petrobras em contas secretas no Exterior. Há ainda três inquéritos que apuram o uso do mandato para beneficiar aliados e ainda suposto desvios na obra do Porto Maravilha. Um outro pedido de abertura de inquérito segue em sigilo. Sem ligação com os desvios na Petrobras, o STF também abriu um inquérito para apurar se o peemedebista foi beneficiado por esquema de corrupção em Furnas.

Dilma tem 200 funcionários à sua disposição



De jardineiros, camareiras, copeiros e garçons a fotógrafos e assessores políticos, Dilma Rousseff tem cerca de 200 funcionários à sua disposição: 160 no Palácio da Alvorada, 7 no escritório político em Porto Alegre e o restante na Granja do Torto.

Corpo de Muhammad Ali é velado em Louisville, sua cidade natal




O corpo de Muhammad Ali chegou a Louisville, Kentucky, na tarde deste domingo. O principal lutador da história do boxe será enterrado na cidade onde nasceu, em cerimônia que será realizada sexta-feira e contará com a presença de políticos e personalidades do esporte. O porta-voz da família, Bob Gunnel, informou que vários familiares, como a esposa Lonnie, e diversos amigos estiveram presentes no vôo que transportou o corpo do lutador. O corpo foi levado para um local privado, onde a família iniciou uma cerimônia. Neste domingo, a cidade natal de Ali recebeu muitas homenagens. Na igreja de seu pai, a família rezou e houve diversos tributos ao multicampeão mundial dos pesos pesados. O pai de Ali foi pintor e era membro da igreja do Rei Salomão. Morreu há uma década, mas pintou um mural do batismo de Jesus que continua até hoje nas paredes da igreja. A cidade também abriga um memorial do lutador, onde fãs de diversas regiões dos Estados unidos foram prestar homenagens. Na porta do local, deixaram luvas de boxe, flores, imagens do lutador e inúmeras cartas. Muhammad Ali morreu na madrugada de sexta-feira para sábado em decorrência de um choque séptico. O lutador sofria há 32 anos de Parkinson e estava internado em estado grave em um hospital de Phoenix, no Arizona, onde deu entrada com problemas respiratórios. Fora dos ringues, ele também ficou conhecido como defensor da igualdade racial e se recusou a combater na Guerra do Vietnã após alegar que não via motivos para lutar contra os vietcongues porque "nenhum deles me chamou de crioulo". 


Em 1978, quando a carreira de Muhammad Ali (56 vitórias, apenas cinco derrotas e nenhum empate) se aproximava do fim, o romancista e poeta Ishmael Reed escreveu Reed: "Ali nos seguirá lembrando a turbulenta década de Malcolm X, da Nação do Islã, do Vietnã, de Lyndon Johnson, do Black Power, de Robert Kennedy e de um longo etecetera. Ali representa os novos negros dos anos 70, descendentes dos novos negros dos anos 20: é elegante, sofisticado, inteligente, internacional e militante da causa negra". No ringue, nunca houve um lutador como ele, capaz de "flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha", em sua própria definição. Muhammad Ali sempre soube do significado de sua fama e da carga social que o boxe americano, de pobres e negros, carregava. O jornalista David Remnick, editor da revista New Yorker, lembra uma frase de Ali que agitou corações e mentes entre o final dos anos 60 e o início dos 70, ao resumir sua atividade: "Somos dois escravos em um ringue. Os senhores põem dois de seus velhos escravos negros para lutar enquanto eles apostam, 'meu escravo vai machucar o seu'". Aliás, lembra Remnick, o primeiro campeão americano de boxe foi um escravo, Tom Molineaux, de propriedade de fazendeiros da Virgínia. Esperto, fanfarrão, falsamente mercurial, até que o Mal de Parkinson o calasse, Ali tinha um discurso moldado para construir um personagem, afeito ao que sonhavam os fãs de todo o mundo. Ele encarnou um personagem midiático. Abandonou a fé cristã porque a considerava "religião dos homens brancos"; rasgou o nome de batismo Cassius Marcellus Clay, porque, dizia, era "meu nome de escravo"; rejeitou combater no Vietnã e trocou a luta pelos direitos civis em defesa do islamismo violento dos adeptos da Nação do Islã. Não tardou para que se transformasse no mais querido personagem de uma intelectualidade que misturava máquinas de escrever com luvas de boxe, às vezes trocando uma por outra. Ali foi uma figura necessária - ajudou a moldar seu tempo e por ele foi moldado. Mas nada como o passar dos anos para pôr as verdades no lugar, como o pugilista atordoado que depois do intervalo, ao soar do gongo, sabe que deve retornar à lona verde com mais cautela. Fora dos ginásios, onde realmente fazia do agressivo boxe uma nobre arte, era uma metralhadora verbal que girava a esmo. Naqueles tempos românticos e turbulentos, faça amor, não faça a guerra, soava engraçado e inteligente. A graça, vista hoje, parece um tanto deslocada, dada as transformações pelas quais a sociedade passou. Sua inteligência, rápida como um jab, ainda é respeitada - mas talvez já não fizesse tanto sentido, alimentada por lugares-comuns que funcionavam espetacularmente bem no final dos anos 60 e início dos anos 70, mas não mais. Ao acender a pira olímpica da Olimpíada de Atlanta, em 1996, mãos trêmulas, olhar perdido, o campeão foi unanimemente celebrado, como um animal ferido que antes da doença só fizera o bem, apesar de ganhar a vida com luvas. A emocionante cena da abertura dos Jogos Olímpicos apagou da memória os movimentos tortos e contraditórios de Ali, tão tortos e contraditórios como o século XX que ele ajudou a desenhar, na inegável figura de uma de suas mais influentes personalidades. ​Líder das causas civis dos negros americanos, ele também alimentava o racismo. Em entrevista à revista Playboy chegou a sugerir que um homem negro deveria ser assassinado caso casasse com uma mulher branca. Trocou a amizade com Malcolm X pelo radicalismo de Elijah Muhammad. Ao vencer George Foreman, em 1974, no épico combate do Zaire, disse que "os Estados Unidos não têm futuro, Alá enviará um castigo divino aos Estados Unidos". Depois, como costuma acontecer após muito histrionismo, arrependeu-se de tudo, e chegou a lamentar a idolatria cega que o cercava. Sem a retórica que o sustentava, sem os punhos que batia com jabs elegantes, Ali teve a grandeza de se reinventar e de admitir que não fora perfeito - ainda que, aos olhos do mundo, sua grandeza ainda seja aquela do tempo em que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnã dentro de casa, quando qualquer grito mais ou menos coerente agitava multidões e encurralava os poderosos. Tivesse ele a postura dos anos 60 e início dos 70, não teria sido convidado por Barack Obama a ocupar a fileira da frente na cerimônia de posse do presidente negro, em 2009. 

"Quero fazer governo democrático", diz Kuczynski antes de resultado final no Peru

Ainda sem resultados finais oficiais anunciados, o candidato Pedro Pablo Kuczynski fez um discurso a seus apoiadores no começo da noite deste domingo (5). "Precisamos esperar o resultado oficial, mas estamos muito felizes, porque queremos fazer um governo democrático e dialogante", disse o economista, enquanto seus apoiadores gritavam "ditadura, nunca mais".


PPK também pediu aos fiscais que estão nos centros de contagem de votos que sigam "vigilantes" para garantir que o resultado seja "limpo e claro". Ele disse que, se for confirmado presidente, seu mandato será um período "sem brigas e de inclusão". Acrescentou que, se eleito, irá "escutar todas as vozes do espectro político". Se de fato vencer a eleição, PPK conviverá com um Congresso de maioria fujimorista, eleito em 10 de abril. Enquanto isso, uma pequena multidão também se aglomerava ao redor do hotel Meliá, onde está Keiko Fujimori. Logo após o discurso de PPK, ela foi até a varanda do hotel onde espera o resultado, agradeceu aos apoiadores e disse: "Esses resultados que vocês estão vendo na televisão mostram um empate técnico, mas esperem a chegada do voto rural e do voto do exterior, temos certeza de ter mais de 50%". Resultados prévios do Instituto Ipsos dão uma vitória a PPK por poucos votos — uma diferença de apenas um ponto percentual, o que corresponde a cerca de 150 mil eleitores. O órgão responsável pelas eleições fará um pronunciamento às 21h (23h do Brasil), com o resultado de um escrutínio rápido, a partir da amostragem de 30% dos votos. Kuczynski vem de família de imigrantes. Filho de mãe suíço-francesa e pai judeu polonês, nasceu em Iquitos, mas logo saiu para estudar fora. Cursou economia e filosofia em Oxford e em Princeton. Ao voltar ao Peru, trabalhou no governo de Fernando Belaúnde (1963-68), mas, quando este foi deposto pelo golpe militar de Velasco Alvarado, retornou aos Estados Unidos, onde trabalhou no Banco Mundial. Durante a administração de Alejandro Toledo (2001-2006), foi primeiro-ministro e ministro da Economia. Em sua campanha, PPK chamou a atenção para o fato de, por ter integrado o governo que veio logo após a ditadura fujimorista, ter sido peça essencial no desmonte do aparato ditatorial. Nas últimas semanas, PPK deixou o estilo passivo para sair ao ataque, afirmando que uma vitória de Keiko seria um retrocesso democrático. Passou a repetir cada vez mais em discursos a palavra "liberdade" e a se descrever como um "político de centro, não de ultradireita como dizem". De fala lenta e sotaque estrangeiro, sabe que a idade (77 anos) é um ponto negativo em seu currículo, por isso vem repetindo que gosta de se exercitar e tem "muito vigor". Casado pela segunda vez, também com uma norte-americana, tem quatro filhos. Keiko é uma velha conhecida dos peruanos. Passou a ser a primeira-dama do país quando tinha apenas 19 anos, após o divórcio do pai. Quando a ditadura caiu e Fujimori migrou para o exílio, Keiko foi aos Estados Unidos para estudar. Recebeu seu MBA na Universidade Columbia em 2006 e se casou com um norte-americano, com quem tem duas filhas. Logo, voltou ao Peru e passou a investir na carreira política. Elegeu-se congressista por Lima e então começou a montar sua candidatura presidencial. Derrotada, passou a fazer campanha para conseguir um indulto para o pai, hoje preso, condenado por crimes de corrupção e abuso de direitos humanos. Conservadora, Keiko estudou no Colégio de la Recoleta, instituição católica frequentada pela elite de Lima. Ela se diz contra o aborto, salvo em caso de risco de vida à mãe (única condição aceita na lei peruana) e é contra o matrimônio homossexual. Aos 41 anos, durante a campanha, apresentou soluções diretas e firmes, propondo legalizar a mineração ilegal, prometendo mandar o Exército às ruas para garantir a segurança, impor toque de recolher em locais perigosos e aumentar os gastos do Estado em saúde.

Jarbas Passarinho enterrado com honrarias militares em Brasília




Foi enterrado neste domingo, no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o general da reserva e ex-ministro Jarbas Passarinho. A cerimônia rápida, marcada para as 16 horas, contou com honrarias militares, como execução de marchas, tiros de fuzil e de canhão. Parentes e autoridades elogiaram a atuação política de Passarinho e o aplaudiram na despedida. "Era um homem de idéias, preocupado com o Brasil", afirmou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, que participou da cerimônia: "Esteve sempre muito preocupado com o destino do nosso povo". Velloso lembra que falou sobre a situação do País na última conversa que teve com Passarinho: "Era seu assunto preferido". Passarinho tinha 96 anos e morreu em casa, em Brasília, em decorrência de problemas causados pela idade avançada. Nascido em Xapuri, no Acre, ele iniciou sua trajetória política no Pará, Estado que governou entre os anos de 1964 a 1966. Também foi senador por três mandatos e atuou como ministro nos governos militares e do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O ex-ministro participou da articulação do golpe militar de 1964 e ficou famoso por uma frase proferida durante a reunião do Ato Institucional 5, que deu amplos poderes aos militares e endureceu o regime a partir de 1968, empurrando o país para uma ditadura. "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência", disse na época.

Lava Jato vê falas de Renan em áudios como piores que a gravação de Delcídio do Amaral


A Lava Jato não encara as declarações do senador Renan Calheiros nos áudios de Sérgio Machado como mera “opinião”. Entrelinhas Para integrantes da investigação, as gravações que registraram comentários do senador são tão ou mais graves que o grampo de Delcídio do Amaral.

Em reunião, Temer decide manter Fabio Medina Osório e Henrique Eduardo Alves nos cargos


O presidente interino, Michel Temer, decidiu na manhã desta segunda-feira (6) manter no cargo os ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União). Em reunião no Palácio do Jaburu com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Governo), o peemedebista avaliou que ainda não há motivos suficientes para afastá-los do posto. Ele ponderou ainda que é necessário entender a amplitude de um eventual envolvimento do ministro do Turismo na Operação Lava Jato antes de se tomar uma decisão. Eliseu Padilha reconheceu que "constrangem" o governo interino as informações de que Alves teria atuado para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS. 

Versão de mulher de Eduardo unha sobre gastos foi para evitar prisão


A versão da ex-jornalista Claudia Cordeiro Cruz (ex-apresentadora do Jornal Nacional da Rede Globo) em depoimento divulgado na semana passada foi combinada com Eduardo Cunha — apesar de comprometer a versão do presidente afastado da Câmara para as contas que o Ministério Público Federal atribui a ele no Exterior. Os advogados de Claudia e do presidente afastado da Câmara costuraram a explicação segundo a qual os gastos no cartão de crédito da mulher do deputado eram autorizados por Eduardo Cunha. Isso porque havia a convicção por parte da defesa que Claudia teria a prisão preventiva decretada a qualquer momento — algo que os advogados ainda não descartam. Assim, Cunha autorizou a versão — e continuará sustentando que, a despeito do que ela disse em Curitiba, as contas não eram dele, mas de um trust.

Pioneira da Lava-Jato, Toyo Setal vê lucro subir em 2015


A Toyo Setal, uma das pioneiras nas delações da Lava-Jato com os depoimentos de Julio Camargo e Augusto Mendonça, conseguiu o que poucas empreiteiras arroladas nas investigações conseguiram: aumentar seus ganhos em 2015. O lucro foi de 29,6 milhões de reais, quase o quádruplo dos 7,7 milhões de reais do ano anterior. A receita teve alta expressa, de 21,4%, para 848,8 milhões de reais. A maior parte do faturamento veio de um contrato da Petrobras, para montagem de uma unidade de geração de hidrogênio no Comperj, chamado de “Projeto UGH”. O projeto foi paralisado pela estatal, mas ainda gerou uma receita de 442,7 milhões de reais para a Toyo Setal no ano passado. O projeto de uma unidade de fertilizantes em Uberaba, também da petroleira, que foi cancelado, ainda gerou faturamento de 260 milhões para a empreiteira, responsável pela sua implantação.