quarta-feira, 13 de julho de 2016

Produção de 25 plataformas da Petrobras será suspensa


A Petrobras vai paralisar a produção em 25 plataformas por até um ano, enquanto negocia a venda das áreas para a iniciativa privada. A paralisação foi autorizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) na última semana. A estatal também solicitou a interrupção da produção em outras nove unidades, mas ainda precisará apresentar estudos para justificar o pedido. As unidades estão situadas nos Estados de Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo. Ao todo, as unidades com paralisação solicitada abrangem 24 campos maduros, sendo 11 em terra. A maior parte das áreas já integra o plano de desinvestimentos da companhia, apresentado em março, com 104 concessões que representam 2% da produção da estatal. A autorização para a parada das unidades foi tomada no dia 4 de julho, em reunião de diretoria da agência. "Caso não tenha sucesso um possível processo de Cessão de Direitos, no dia útil seguinte ao final da paralisação deverá ser retomada a produção de cada campo, (...) discriminando as atividades e investimentos que serão implementados", diz a ata do encontro. A ANP também determinou que, se a empresa não conseguir vender as áreas e constatar a "inviabilidade econômica" da produção, deverá antecipar o término dos contratos. Conforme resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deste ano, as áreas devolvidas ou com os contratos encerrados poderão ser alvo de novos leilões para pequenas empresas. Em reunião com sindicalistas, na última terça-feira, o presidente da estatal, Pedro Parente, reforçou que não há "solução" para a petroleira sem a venda de ativos. Junto com diretores, o executivo falou que trabalha para "salvar" a companhia e indicou que estuda a entrada de um parceiro investidor na Transpetro para saldar dívidas da subsidiária. Em resposta aos desinvestimentos, os sindicatos já iniciaram mobilização para um novo movimento grevista na estatal. Sindicatos do Norte e Nordeste, onde estão concentrados os campos terrestres já colocados à venda, iniciaram também na terça-feira assembleia para votar indicativo de greve a partir do próximo mês.

MPF recorre contra decisão do STJ que tirou Cachoeira e Assad da prisão


O Ministério Público Federal recorreu nesta quarta-feira (13) contra decisões do Superior Tribunal de Justiça que tiraram da cadeia o contraventor Carlinhos Cachoeira e o empresário Adir Assad e os colocou em prisão domiciliar. Cachoeira teve a prisão preventiva decretada em 28 de junho, durante a Operação Saqueador, que investiga desvios de R$ 370 milhões de obras no Rio de Janeiro. Assad foi preso preventivamente, em 5 de julho, durante a Operação Pripyat, deflagrada para apurar suspeitas de corrupção nos contratos das obras da usina nuclear de Angra 3. As duas ações são desdobramentos da Lava Jato. Eles foram soltos por decisão do ministro do Nefi Cordeiro. Segundo o MPF, os fundamentos para a manutenção das prisões estão presentes nos dois casos: garantia da ordem pública, gravidade concreta das condutas e risco de voltar a cometer crimes. O Ministério Público argumenta que os habeas corpus não deveriam ter sido analisados porque não seria adequado o STJ apreciar as questões suscitadas sem exame de mérito pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, sob pena de indevida supressão de instância. Também sustentam que o ministro concedeu as medidas sem solicitar previamente as informações ao TRF e sem ouvir o Ministério Públlico Federal. No caso de Assad, o ministro entendeu que ele já se encontrava com tornozeleira eletrônica por uma decisão do Supremo Tribunal Federal e o ministro entendeu que esse fato se ajustava de maneira razoável ao caso. A manutenção da prisão em regime fechado era extrema e desnecessária", disse à Folha o advogado de Assad Miguel Pereira Neto. A prisão preventiva de Carlinhos Cachoeira foi decretada pela 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro como garantia da ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal. Para o Ministério Público, elementos indicam desvios de mais de R$ 370 milhões a partir de obras no Estado do Rio de Janeiro, realizadas pela empreiteira Delta Construções, que tem Fernando Cavendish como diretor executivo. Os pagamentos teriam sido feitos a 18 empresas fantasmas pertencentes aos operadores financeiros, dentre eles Carlinhos Cachoeira. Segundo a denúncia do MPF, durante o período compreendido entre 2007 e 2012, Carlinhos Cachoeira realizou diversas operações visando à dissimulação da natureza e movimentação dos valores provenientes da prática de crimes contra a Administração Pública. Embora a decisão monocrática do STJ assinale a extemporaneidade dos fatos, o agravo referente a ele argumenta que os efeitos dos crimes se estendem e podem ser percebidos no atual momento. Os subprocuradores-gerais acrescentam que "a recente delação premiada da Andrade Gutierrez no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrida em março de 2016, confirmou a prática de desvios de verbas públicas por meio de contratos fraudulentos celebrados pela empreiteira Delta Construções Ltda". A prisão preventiva de Adir Assad também foi decretada pela 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. O caso passou a ser apurado no Rio de Janeiro depois que o Supremo Tribunal Federal autorizou seu desmembramento. As investigações apontaram para a utilização de empresas vinculadas a Adir Assad no processo de lavagem de recursos recebidos da Andrade Gutierrez, utilizados para o pagamento de propina. Segundo o agravo, há provas de que Assad, na condição de operador, tem participação no esquema criminoso dirigido ao pagamento de propinas a agentes públicos. Além disso, destaca o envolvimento de Assad em quatro grandes operações policiais de repercussão nacional: Lava Jato, Saqueador, Abismo e Pripyat. Os subprocuradores-gerais também sustentam a contemporaneidade por movimentação envolvendo a Andrade Gutierrez nas contas bancárias de Assad e das empresas relacionadas, mas ressaltam que os contratos a que se referem as propinas investigadas na Operação Pripryat estão relacionados à empresa Eletronuclear, diferentemente daqueles apurados na Operação Saqueador. "Verifica-se, portanto, ser descabida a alegação da defesa de que há mera reiteração de fundamentos de modo a invalidar a prisão preventiva do investigado decretada pelo Juiz Federal da 7ª Vara do RJ", dizem.

Ex-juiz da Zelotes vai julgar denúncia contra Lula por compra de silêncio de Cerveró

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região definiu nesta quarta-feira (13) que o juiz Ricardo Leite, que protagonizou polêmica na Operação Zelotes, será responsável por avaliar a denúncia contra o ex-presidente Lula por suposto envolvimento numa trama para comprar o silêncio e evitar a delação do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. O juiz será responsável por aceitar ou não a acusação e decidir se transformará Lula e os outros acusados em réus por tentativa de obstrução de Justiça. A escolha do juiz foi por distribuição automática, sendo que a denúncia ficou sob responsabilidade da 10ª Vara. Leite atuou como o primeiro juiz na Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita. Ele foi alvo de um embate com procuradores que o acusaram de atrapalhar o caso e entraram com uma ação pedindo que ele deixasse a operação porque várias decisões judiciais dificultaram a obtenção de provas. A denúncia contra Lula tramitava no Supremo Tribunal Federal porque também envolve o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que foi cassado depois de se tornar delator da Lava Jato. Por decisão do ministro Teori Zavascki, a acusação foi enviada para a Justiça do Distrito Federal. O ministro contrariou a posição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que defendeu que o caso ficasse com o juiz do Paraná Sérgio Moro. Teori entendeu que o caso é de responsabilidade da Justiça do Distrito Federal porque a tentativa do crime teria sido praticada em preponderância na capital federal, mesmo tendo fatos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ministro cita, por exemplo, que o fato-chave do caso ocorreu em Brasília onde o ex-senador foi gravado em uma conversa na qual ofereceu auxílio financeiro para evitar a colaboração premiada de Cerveró. Segundo Teori, o próprio Supremo já fixou que casos que não tenham conexão direta com a corrupção na estatal não devem ficar a cargo da Justiça do Paraná. A defesa do ex-presidente Lula pediu à Justiça do Distrito Federal a redistribuição da denúncia para outro juiz. Os defensores alegam que a 10ª Vara é especializada em "processar e julgar crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, sem prejuízo da competência jurisdicional", sendo que a acusação do caso é de obstrução à justiça, o que justifica a mudança de magistrado. A denúncia contra Lula também tem como alvo Delcídio, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, seu filho, Maurício Bumlai, o banqueiro Andre Esteves, e Diogo Ferreira, ex-assessor do ex-senador. A idéia seria evitar que fossem delatados pelo ex-diretor. Segundo a Procuradoria, eles teriam atuado para comprar por R$ 250 mil o silêncio de Cerveró. A PGR afirmou ao STF que Lula "impediu e ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai, e Maurício de Barros Bumlai", e pede a condenação de todos por obstrução da Justiça. Os investigadores analisaram e-mail, extratos bancários, telefônicos, passagens aéreas e diárias de hotéis. Em depoimento à PGR, Lula disse que jamais discutiu com Delcídio a tentativa de obstruir a delação de Cerveró. A defesa de José Carlos Bumlai tem negado acusações. A defesa de André Esteves declarou que ele não cometeu nenhuma irregularidade.

Senado aprova MP que libera FGTS como garantia para crédito consignado



O Senado aprovou nesta quarta-feira (13) a medida provisória 719 que permite a trabalhadores do setor privado utilizar os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) como garantia para a contratação de crédito consignado. O texto segue para promulgação do Congresso. A proposta permite que os trabalhadores usem até 10% do saldo do FGTS como garantia e até 100% do valor da multa rescisória paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa, demissão por culpa recíproca ou força maior. A proposta dá ao Conselho Curador do FGTS o poder de estabelecer o número de parcelas e a taxa mensal de juros a ser cobrada pelas instituições. À Caixa Econômica, operadora do fundo, caberá definir procedimentos operacionais para viabilizar a modalidade de crédito consignado. De acordo com o líder da oposição, Lindbergh Farias (PT-RJ), a medida tem por objetivo reduzir os juros cobrados no crédito consignado, que atualmente giram em torno de 41% para pessoas do setor privado. A MP foi anunciada no início de fevereiro e publicada em 30 de março, no pacote de incentivo ao crédito, uma das vias tentadas pela equipe econômica da presidente afastada, Dilma Rousseff, para reanimar a economia. A estimativa do Ministério da Fazenda à época é que, se 10% dos trabalhadores usarem suas garantias para o consignado, o potencial de novas operações poderá chegar a R$ 17 bilhões. Para o governo, a possibilidade de uso do FGTS como garantia permite a substituição de dívidas caras por dívidas mais baratas, melhorando o perfil de crédito das pessoas. O texto também traz regras para seguro de embarcações e normas sobre utilização de imóveis para pagamento de débitos da dívida ativa da União.

Inflação argentina diminui, mas população vai às ruas contra tarifaço


A desaceleração da inflação na Argentina, que chegou a 3,1% em junho na comparação com maio, não foi suficiente para reduzir o descontentamento da população, que realizará nesta quinta-feira (14) o primeiro "panelaço" contra o governo do presidente Mauricio Macri. Em maio, os preços haviam avançado 4,2% ante abril. No mês passado, por sua vez, o indicador ficou 0,6 ponto percentual acima do máximo projetado pelo ministro da Fazenda do país, Alfonso Prat-Gay. Em junho, Prat-Gay havia dito a investidores em Nova York que a inflação seria de 2% a 2,5% durante o mês. O ministro estimava fechar o ano com uma elevação dos preços de até 25%. Só nos primeiros seis meses de 2016, no entanto, o índice chegou a 27%, segundo levantamento do Congresso Nacional feito com informações de consultorias independentes. Não há uma inflação oficial para o primeiro semestre, pois o primeiro dado do governo Macri para o indicador foi o de maio. Sob o kirchnerismo (2003-2015), houve denúncias de manipulação da inflação. A nova gestão precisou dos primeiros meses deste ano para reformular o índice. A desaceleração da inflação é vital para Macri, pois os preços argentinos representam uma das maiores insatisfações no país hoje. Em junho, os aluguéis e os serviços básicos, como o gás, subiram 7,1% ante maio, sendo os principais responsáveis pela subida dos preços. No início deste ano, o governo havia determinado ajustes de até 500% na luz e no gás. A medida foi tomada para reduzir os gastos e o deficit público do Estado, que concedeu, durante o kirchnerismo, subsídios para o pagamento desses serviços. A Justiça, porém, bloqueou na semana passada o aumento do gás. Em resposta, Macri reduziu o teto do reajuste para 400%. O presidente também pediu, duas vezes nos últimos cinco dias, para a população economizar energia. Para protestar contra a situação, os moradores de Buenos Aires realizarão nesta quinta-feira (14) o primeiro "panelaço" desde que Macri assumiu a Presidência, em dezembro. A manifestação com panelas contra políticas econômicas é comum no país desde o fim dos anos 1990 e teve seu auge na crise de 2001. Enquanto Cristina Kirchner esteve no poder, elas também eram realizadas, sobretudo como uma forma de protesto contra o controle do acesso ao câmbio.

Gerdau perde disputa tributária de R$ 4 bilhões no Carf

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu nesta quarta-feira contra o Grupo Gerdau em quatro casos que tratam de questionamentos tributários que são estimados no mercado em quase 4 bilhões de reais. A queixa refere-se ao ágio de operações de rearranjo societário interno do grupo Gerdau, que o Carf entendeu que não são passíveis de abatimento de Imposto de Renda e Contribuição Social para Lucro Líquido (CSLL). A decisão não reconheceu que a Gerdau teria direito aos benefícios fiscais alegados. O advogado da Gerdau, Plinio Marafon, que acompanhou a votação no Carf, disse que a empresa vai recorrer. “A tendência é apresentar um embargo no próprio Carf e ir à Justiça”, disse Marafon. A votação no Carf empatou em 5 a 5 e a questão foi decidida pelo chamado “voto de qualidade” do presidente do Conselho, Carlos Alberto Barreto. Analistas do JPMorgan estimaram mais cedo o montante envolvido nessas ações da Gerdau no Carf em 3,7 bilhões de reais.

Onyx Lorenzoni será o relator da comissão que analisará as "10 medidas contra a corrupção"

O deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) foi o escolhido para ser o relator da comissão especial que irá analisar as "10 medidas contra a corrupção". O projeto do Ministério Público Federal que teve o apoio de mais de 2 milhões de pessoas em todo Brasil. Os trabalhos da comissão começarão dia 2 de agosto. Onyx Lorenzoni disse que seu trabalho será "estabelecer limites bem claros para que todos, do mais rico ao mais pobre, saibam que serão punidos se os ultrapassarem".

Justiça do Distrito Federal condena Cid Gomes a indenizar Michel Temer

A Justiça do Distrito Federal condenou nesta quarta-feira (13) o ex-governador Cid Gomes (PDT) a indenizar o presidente Michel Temer por ter chamado o peemedebista de "chefe de quadrilha". A decisão é da quarta turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios que acolheu uma apelação apresentada pela defesa de Temer. Os defensores do presidente interino questionaram decisão tomada por uma juíza da primeira instância, que rejeitou a ação de indenização por danos morais e determinou que Temer pagasse custas e honorários de R$ 1,8 mil. Para os desembargadores da quarta turma, a frase extrapolou a liberdade de expressão. A ação da defesa de Temer não requereu um valor, mas foi fixada uma indenização de R$ 40 mil. O episódio começou em outubro de 2015, quando Cid Gomes se filiou ao PDT. Durante a cerimônia, ele acusou Temer de ser o chefe da quadrilha de achacadores que assola o Brasil. De acordo com o processo, Cid Gomes afirmou em entrevista: "Muito menos o Brasil pode avançar se entregar a Presidência da República ao símbolo do que há de mais fisiológico e podre na política brasileira, que é o PMDB liderado por Michel Temer, chefe dessa quadrilha que achaca e assola o nosso País". Na ação, a defesa de Cid Gomes afirmou que não há provas de que a frase imputada tenha sido dita por ele, que não houve ofensa à pessoa de Temer e que as manifestações do réu se deram em evento partidário do PDT, partido político de oposição ao do requerente, contexto no qual a manifestação de opiniões se dá de forma enérgica e ácida. 

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Avança no Senado a PEC que libera desvinculação de receita até 2023


A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a autorização para que o governo utilize livremente parte de sua arrecadação, a chamada Desvinculação de Receitas da União (DRU), até 2023. O texto aprovado também eleva o porcentual de desvinculação de 20% para 30%. Com isso, a proposta, que é prioridade do governo Michel Temer, já pode ser levada a plenário. A promulgação depende da aprovação, em dois turnos, por pelo menos 49 dos 81 senadores. A DRU é um mecanismo que dá mais liberdade ao governo no uso das receitas obtidas por meio de tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. Na prática, permite à União aplicar os recursos carimbados para áreas como educação, saúde e previdência social em qualquer despesa considerada prioritária e na formação de superávit primário – desde que respeitando os gastos mínimos constitucionais exigidos para cada área. A proposta já passou pela Câmara dos Deputados. Se aprovada também no Senado, o governo federal poderá ter liberdade para realocar 30% das receitas obtidas com taxas e contribuições que hoje têm aplicação específica definida em lei. Até o ano passado, esse porcentual era de 20%. O texto, já aprovado pela Câmara, ainda prorroga a DRU até o dia 31 de dezembro de 2023, estabelecendo que a autorização para remanejar o Orçamento da União será retroativa a 1º de janeiro deste ano. Em plenário, deputados tentaram retirar a possibilidade de a desvinculação retroagir por considerarem inconstitucional, mas não conseguiram aprovar emenda nesse sentido. A última autorização para a DRU venceu em 31 de dezembro de 2015. A PEC também prevê a criação de uma espécie de DRU para Estados e municípios – chamadas de DRE e DRM, respectivamente – nos mesmos termos da DRU, mas prevendo explicitamente que o remanejamento não pode afetar recursos destinados a saúde e educação. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) tentou adiar a votação na CCJ e apresentou requerimento para realizar uma audiência pública sobre o tema, com presença do ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, e outros especialistas. O pedido, no entanto, foi rejeitado por 13 votos a 8. Segundo Gleisi, não está claro o impacto que a medida terá sobre Estados e municípios. “Não somos contra o instrumento de desvinculação, mas temos dúvida sobre o mecanismo para Estados e municípios”, disse a senadora. “Acho temeroso votar esse assunto agora. Não temos informações sobre impacto em Estados e municípios. Ainda que se tire educação e saúde (da alçada da desvinculação), temos despesas importantes em Estados e municípios”, acrescentou. O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), defendeu o prosseguimento da votação da matéria na CCJ e sugeriu que a audiência pública solicitada por Gleisi seja realizada após a retomada dos trabalhos após o recesso do Parlamento. “Não tenho objeção a discutir a matéria, mas ela não será votada (em plenário) hoje. Nesse intervalo, teremos todo o tempo para discutir”, disse. Gleisi também argumentou que, entre a proposição da PEC e a votação agora, houve “mudança de diretrizes políticas” e a apresentação de outra PEC, que institui o teto de gastos. “Se nós aprovamos DRU como está, com a PEC que está tramitando, com a visão do governo atual para Previdência, nós vamos, sim, estar tirando recursos da área social. Não vai ser mera flexibilização. Vão ser retirados recursos de áreas sociais”, disse. O relator da matéria, senador José Maranhão (PMDB-PB), já havia apresentado parecer favorável. Segundo ele, o projeto não irá atingir os recursos da saúde e da educação, o que poderia causar divergência na base aliada de Michel Temer. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou um voto em separado no qual defendeu a rejeição da PEC. O senador argumentou que a DRU restringe os gastos em áreas sociais, como saúde e educação, “à reserva do possível”. “É fundamental reconhecer que contribuições sociais foram criadas para atender saúde, educação. Logo, em consonância com isso, é fundamental que tenham direcionamento a essas áreas”, disse. Randolfe Rodrigues disse ainda que, em vez de “ignorar prioridades constitucionais”, o Executivo deveria implementar “política qualificada de contenção de gastos” para equilibrar as contas públicas. “Esta matéria fere direitos e princípios constitucionais”, afirmou o senador. Além do senador da Rede, foram contrários à PEC da DRU os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR) e José Pimentel (PT-CE).

CCJ adia novamente votação do recurso de Eduardo Cunha


Depois de mais de sete horas de uma sessão marcada por bate-bocas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) adiou novamente a análise do relatório do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) sobre o recurso apresentado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra a aprovação de seu pedido de cassação no Conselho de Ética. O presidente do colegiado, Osmar Serraglio (PMDB-SC) reagendou a votação para amanhã às 9 horas – mas o mais provável é que a questão seja definida apenas na volta do recesso parlamentar, em agosto. Em seu parecer, Fonseca, que é aliado de Eduardo Cunha, defendeu que o processo retorne ao Conselho de Ética. Na ação, Cunha apontou para uma série de irregularidades na tramitação de seu processo no conselho. O esforço principal do peemedebista era para reverter a votação que pavimentou a aprovação de sua cassação – e foi justamente esse o ponto acatado por Fonseca.

Abin minimiza possibilidade de ato terrorista no Rio de Janeiro, mas preocupação é altíssima


A 23 dias do início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o governo brasileiro concentra esforços para, publicamente, minimizar os riscos de atentados terroristas no País. A medida é parte de uma operação de redução de danos coordenada pelo Palácio do Planalto e tem por objetivo evitar que a propagação de informações sobre riscos de ocorrência de atos extremos possa desestimular turistas e até atletas que se preparam para viajar ao país. “Não é momento de tratarmos disso publicamente, sob pena de contribuirmos para prejudicar os Jogos que estamos sediando”, disse uma alta autoridade encarregada de coordenar os preparativos na área de segurança. A estratégia foi combinada há pouco mais de um mês, em reunião no Palácio do Planalto que contou com a presença do presidente em exercício, Michel Temer, e dos ministros incumbidos de tratar do assunto. Nesta quarta-feira, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República apresentou a jornalistas o Centro Nacional de Inteligência – uma sala de pouco mais de 200 metros quadrados instalada na sede da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), em Brasília. É a partir desse centro que agentes do serviço secreto brasileiro e de países estrangeiros vão monitorar e trocar informações sobre eventuais ameaças terroristas durante o evento. “Não achamos nenhum dado que nos faça deixar a população preocupada com a probabilidade (de atentados)”, declarou o ministro-chefe do GSI, general Sergio Etchegoyen. O discurso oficial é cuidadosamente calculado, até porque descartar a existência de riscos pode representar um problema: se algo ocorrer, como explicar depois que as ameaças haviam sido negligenciadas? A alternativa está no meio do caminho: dizer que todas as medidas de prevenção estão sendo adotadas. “Estamos hoje garantidos pelas melhores práticas, pelos procedimentos que têm dado certo no mundo inteiro”, disse o general: “Todos os riscos são considerados, independentemente da probabilidade". Se em público o discurso é tranquilizador, internamente a preocupação é grande. Neste momento, as autoridades se esforçam para localizar pelo menos dois suspeitos de ligação com organizações extremistas que entraram clandestinamente no País. Um deles é o sírio Jihad Ahmad Deyab, ex-prisioneiro de Guantânamo que vivia no Uruguai e que, segundo autoridades que acompanham o caso, atravessou a fronteira para o Brasil. “Há várias operações em andamento neste momento em várias partes do País”, diz um oficial. Um relatório reservado da Abin estipula em 4, numa escala de 1 a 5, o nível de ameaça terrorista ao Brasil durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. 

PSDB, PPS, DEM e PSB anunciam apoio a Rodrigo Maia


Após uma breve reunião da bancada do PSDB na Câmara, os líderes do bloco da antiga oposição – formado por PPS, DEM, PSB e tucanos – anunciaram em conjunto oficialmente apoio a Rodrigo Maia (DEM-RJ) na disputa pelo comando da Casa. O PSDB é dono da terceira maior bancada de deputados da Câmara, com 51 parlamentares. A unidade do bloco foi possível após o deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas Gerais, desistir de sua candidatura. “A decisão de apoiar Maia foi unânime na bancada. Os 51 deputados decidiriam por aclamação”, afirmou Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara. Em seu discurso, Rodrigo Maia disse que o plenário da Câmara precisa “ter de volta sua soberania”. “Queremos uma Câmara mais democrática e forte”, disse. O líder do PSB na Câmara, Paulo Foletto (ES), disse que a expectativa é de que 80% dos deputados do partido apoiem Maia – em números absolutos, dos 33 parlamentares, entre 26 e 27 votos devem ser dados a ele. Após se reunir com a bancada no gabinete da liderança e receber a visita de alguns dos 17 candidatos inscritos, Foletto disse, em entrevista coletiva, que a intenção inicial do partido era fechar questão em torno da candidatura de Julio Delgado (PSB-MG), mas como o nome dele “não encorpou” e o deputado retirou a candidatura, a bancada decidiu orientar o voto em Maia. O objetivo, disse, é fortalecer o bloco da antiga oposição. “Esse movimento de bloco nós temos que valorizar neste momento em que há uma série de candidaturas personalizadas que pode levar a um desastre”, disse Foletto, ao ressalvar que não haverá unanimidade na bancada por se tratar de uma eleição personalizada. “O PSB passa a ser decisivo numa eleição que pode ter um segundo turno”, completou. O líder do PSB afirmou que a candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF) é ligada a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou ao comando da Câmara na semana passada. Ele também disse que a candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI) é ligada ao governo da presidente afastada Dilma Rousseff. “Nós fomos muito discriminados pelo presidente da Câmara que está afastado e fomos muito afastados pela presidente do Brasil que está afastada, não tiveram nenhuma consideração até pela bancada que elegemos”, afirmou o socialista, ao avaliar que os votos que não forem para Rodrigo Maia não devem ir para Rosso nem para Castro. Foletto ressaltou que a bancada não quer nenhum “favorecimento” com essa escolha. “Não é uma bancada que achaca e que vive atrás de emprego. É uma bancada que luta pela melhoria”, disse.

Na corda bamba, Rosso pode ficar fora de 2º turno na Câmara


Após intensa negociação com o Palácio do Planalto e com o chamado centrão, grupo de 12 legendas de apoio ao governo interino de Michel Temer, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) lançou-se candidato à presidência da Câmara como o favorito para vencer a disputa – e a vitória era esperada com relativa tranquilidade. Às vésperas da votação, porém, a corrida pela sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aponta para um clima de total incerteza: aliados e o próprio Rosso já admitem que o projeto pode morrer na praia. Neste cenário, ele sequer alcançaria o inevitável segundo turno. O diagnóstico de enfraquecimento do favoritismo de Rosso se deve essencialmente à pulverização de candidatos do maior bloco partidário na Câmara, que buscam no mandato-tampão nacos de influência para projetos pessoais de poder, ainda que todos sejam da base de sustentação do governo provisório de Michel Temer. Minutos antes de a sessão ser aberta formalmente no Plenário da Câmara dos Deputados, articuladores do governo disparavam telefonemas em busca da contabilidade parcial de votos. Avaliavam que, pouco antes das 17 horas de quarta-feira, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) apareceria na liderança com relativa folga e praticamente com os pés no segundo turno da disputa. Publicamente, o presidente interino Michel Temer mantém o discurso protocolar de que não pode interferir na definição do sucessor do peemedebista Eduardo Cunha, embora opere diretamente para evitar a todo custo a chegada ao segundo turno do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), ex-ministro da Saúde e aliado da presidente afastada Dilma Rousseff. “Com tantos candidatos, votos vão fazer falta”, disse um interlocutor de Temer. A cautela é justificada pela necessidade de Temer implementar e ver aprovadas com urgência no Congresso medidas de seu governo interino. E de resto sepultar o risco de prosperar um pedido de impeachment contra ele – o tema adormeceu nas mãos do presidente Waldir Maranhão (PP-MA), a despeito da ordem do Supremo Tribunal Federal para que o processo seguisse adiante. “Se Temer pula publicamente para dentro da articulação, repete o erro da Dilma, que viu o Eduardo Cunha vencer o Chinaglia (Arlindo Chinaglia, candidato ao PT à presidência da Câmara). Neste momento Temer não pode fazer nem marola”, diz um governista. Instantes antes do início da votação, Rogério Rosso dedicou-se a fazer novos cálculos do cenário previsto para esta quarta-feira. O líder do PSD avalia que o deputado Rodrigo Maia, que conta com o apoio dos antigos partidos de oposição à presidente afastada Dilma Rousseff, consiga somar 110 votos. Os mais otimistas chegam a projetar 148 votos para Maia. Nos levantamentos parciais, Marcelo Castro, apoiado por petistas, receberia 100 votos. Na sequência, o próprio Rosso conseguiria no máximo 90 votos, ficando de fora da disputa final. Com experiência em mandatos-tampão – ele ocupou interinamente o governo do Distrito Federal com a queda de José Roberto Arruda em 2010 –, Rosso ficou até a última madrugada reunido com membros do centrão na tentativa de consenso interno. Resultado: os deputados Beto Mansur (PRB-SP) e Fausto Pinato (PP-SP) anunciaram a retirada da candidatura nesta manhã. No entanto, outros dois fortes deputados do grande bloco partidário, Giacobo (PR-PR) e Espiridião Amin (PP-SC), resistiram em recuar e mantiveram o racha do grupo. É esperado que Giacobo consiga o apoio quase majoritário do PR, que tem 43 deputados, e ainda de outros congressistas ligados a Valdemar Costa Neto, senhor absoluto da legenda. Amin complicaria ainda mais o jogo ao atrair parte dos votos de sua legenda e também de partidos da antiga oposição, como o PSDB. Para além do amplo racha entre partidos alinhados a Temer, os indícios de desidratação da candidatura de Rogério Rosso são creditados também às revelações de que duas testemunhas assistiram ao vídeo em que o deputado aparece recebendo propina do ex-secretário do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, delator da Operação Caixa de Pandora e responsável pelo escândalo do mensalão do DEM no Distrito Federal. Na festa de aniversário do ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), nesta terça-feira, um dos temores de apoiadores de Rosso era o de que o vídeo viesse à tona a qualquer momento e eles sofressem desgaste por ter apoiado um parlamentar que poderia ser confrontado com imagens em que embolsaria propina. Em um Congresso historicamente marcado pelo corporativismo e pelos altos índices de traição em votações secretas, Rogério Rosso pode não ser mais o franco favorito. Mas com 14 candidatos distintos, as barganhas de última hora serão fator crucial para eleger o deputado que terá quase sete meses de minutos ao sol no mandato-tampão pós-Eduardo Cunha. 

Serviço secreto francês vê risco de atentado durante a Olimpíada do Rio de Janeiro

No site da Assembleia Nacional da França foi publicado hoje, quarta-feira, o depoimento do chefe de um dos serviços secretos do país, a Direction du Renseignement Militaire (DRM, ou Diretoria de Informação Militar). Nela, o general Christophe Gomart diz à CPI que investigou os atentados de 13 de novembro em Paris e Saint-Denis que um ataque seria cometido por um brasileiro seguidor do Estado Islâmico e teria como alvo a delegação francesa durante a Olimpíada na cidade do Rio de Janeiro. A declaração foi feita em 26 de maio aos deputados, mas só foi divulgada hoje, com a publicação de um relatório no site do Legislativo francês. Mas a publicação desse trecho se deu por erro, porque as descrições das ações do DRM no combate ao Estado Islâmico em outros países estão protegidas por sigilo e foram publicadas indevidamente. No documento, não há informações se o suspeito brasileiro de integrar o Estado Islâmico estaria preso, nem mesmo se ele estaria ou não no Brasil.

PT perderá feio eleição em São Bernardo do Campo, diz Ibope

Pesquisa de intenção de voto para a prefeitura de São Bernardo do Campo, São Paulo, realizada pelo Ibope Inteligência, entre os dias 5 e 7 de julho, mostra que o provável candidato do PT, Tarcisio Secoli, aparece na quarta posição em dois cenários apresentados aos entrevistados. Ele teria 5% dos votos na cidade que é comandada há oito anos pelo petista Luiz Marinho e onde o ex-presidente Lula, maior ícone da legenda, mora. Em dois cenários, os candidatos Alex Manente (PPS) e Orlando Morando (PSDB) aparecem empatados tecnicamente, com uma vantagem para o representante do PPS. Num dos cenários, Manente tem 28% das intenções e Morando tem 25%. Em terceiro lugar, aparece Maurício Soares, do PHS, com 6%.

Assembléia Legislativa gaúcha dá demonstração cabal de que o Rio Grande do Sul não tem mesmo conserto

A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em meio à mais severa crise das finanças públicas em toda a história do Estado, deu uma demonstração cabal de que a chamada classe política gaúcha é absolutamente esquizofrênica, covarde e refém de corporações estatais. Qualquer visitinha de promotor apavora de maneira aterrorizante esses tipo denominados de representantes do povo. Os seguintes deputados estaduais votaram pela derrubada do veto do governador Ivo Sartori ao aumento de 8,13% para os servidores do Judiciário, do Legislativo, do Ministério Público Estado, do Tribunal de Contas do Estado e Defensoria Pública, deixando de fora os 320 mil servidores do Executivo: 
PT - Adão Villaverde, Altemir Tortelli, Edegar Pretto, Jeferson Fernandes, Luiz Mainardi, Miriam Marroni, Nelsinho Metalúrgico, Stela Farias, Tarciso Zimermann, Valdeci Oliveira e Zé Nunes.
PCdoB - Manuela D'Ávila e Juliano Roso
PSOL - Pedro Ruas
PTB - Aloísio Classmann, Luis Lara, Maurício Dziedricki e Ronaldo Santini
Junto com o PT, votaram contra a base aliada da qual fazem parte, ignorando os apelos de Sartori e portanto colocando-se ao lado da desordem fiscal, os seguintes deputados:
PMDB - Alvaro Boesioe Gilberto Capoani.
PP - Adolfo Brito
PDT - Ciro Simoni, Edurdo Loureiro, Enio Bacci, Gilmar Sossela e Juliana Brizola.
PSDB - Adilson Troca e Jorge Pozzobom
PPL - Bombeiro Bianchini
Rede - Regina Becker


As galerias reuniram funcionários que mataram o trabalho para pressionar os deputados. Eram necessários 28 votos para derrubar os vetos. O governador disse que está fazendo a sua parte, mas que a situação financeira estadual e a desordem fiscal federal exigem que todos colaboram, o que não acontece no Rio Grande do Sul: "Os gastos com pessoal já somam 75% da arrecadação". Os placares variaram, mas a decisão foi semelhante em todas as situações. No caso dos tribunais de Justiça e de Justiça Militar, o veto foi derrubado por 30 votos a 14; no da Defensoria Pública, por 32 a 13; no do Ministério Público e do Tribunal de Contas, por 31 a 14, e no do Legislativo, por 32 a 14. A maior parte da base aliada uniu-se ao PT, PCdoB e Psol para derrotar o governo. Isso comprova, mais uma vez, que essa canalhice corrupta de base aliada só serve para assaltar os cofres públicos. 

Renan sofre derrota e proposta sobre abuso de autoridade é adiada


Contrário a uma análise acelerada do projeto sobre abuso de autoridade, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) conseguiu adiar a votação da proposta para o segundo semestre deste ano. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), queria que a matéria fosse votada nesta semana. Na reunião da Comissão de Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação da Constituição desta terça-feira (12), Jucá propôs aos integrantes do colegiado que a matéria fosse votada amanhã, para que eles tivessem tempo de analisar o relatório e decidir sobre o tema. Os senadores, no entanto, protestaram sobre o curto prazo e, após os apelos dos colegas, Jucá anunciou que a próxima reunião da comissão para tratar do tema ocorrerá em 16 de agosto. Ele também não descartou a realização de audiências públicas e até a possibilidade de a proposta ser enviada para outras comissões. Se for aprovado pelas comissões, o projeto também terá que ser analisado pelo plenário da Casa. "É claro que é um projeto que precisa ser discutido sim mas considero que esta não é a melhor forma. Precisamos ter tempo para discuti-lo, para analisar, ouvir as entidades envolvidas, analisar na Comissão de Constituição e Justiça. Não acho razoável que de hoje para amanhã nós sejamos obrigados a formar uma opinião sobre isso", afirmou Ricardo Ferraço (PSDB-ES). "Ninguém tem dúvida sobre a necessidade de aperfeiçoamento dessa lei, mas o problema é a complexidade do momento em que vamos votar essa matéria. Não pode ser feito com açodamento", endossou a senadora Simone Tebet (PMDB-MS). Durante a discussão, ela rebateu a tese apontada por algumas entidades de que o fato de o projeto ter sido reapresentado neste momento visa atrapalhar as investigações da operação Lava Jato e a intimidação de juízes, procuradores e magistrados. "Não temos nenhuma intenção de barrar a Lava Jato mas até para mostrarmos que esse não é o objetivo, é preciso que seja discutido em outras comissões, que passe por uma peneira, mesmo que se estabeleça um prazo para isso", disse. O adiamento da votação é uma das derrotas sofridas por Renan nos últimos dias ao tentar emplacar uma pauta prioritária para o Senado. O problema apontado por líderes partidários foi a falta de diálogo do peemedebista com os demais senadores para definir o pacote. Eles reclamaram que não foram ouvidos. Na semana passada, os dois projetos elencados por Renan para serem votados não tiveram acordo e suas análises ficaram para esta semana. 

Governo Temer sanciona lei que obriga medição individualizada de água em condomínio


O presidente interino, Michel Temer, sancionou a lei 13.312, que torna obrigatória a medição individualizada do consumo de água. A medida é válida apenas para novos condomínios. O principal objetivo da medida é ambiental: incentivar a economia de água e distinguir os poupadores dos gastadores. Para o governo, a medida vai "aprimorar a sustentabilidade ambiental e fazer justiça àqueles que economizam a água da planeta". Os condomínios têm agora cinco anos para instalarem os hidrômetros individuais e se adaptarem à regra. Há alguns anos, a medição individualizada vem sendo pregada por especialistas em administração predial como um dos trunfos para a redução do consumo de água. Segundo estudo do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), a medição individualizada pode derrubar o consumo de água em até 40%.

Testemunha cita pai de Fábio Porchat em investigação de fraudes da Lei Rouanet

Testemunha da Operação Boca Livre, Katia dos Santos Piauy, auxiliar administrativa e financeira do grupo Bellini Cultural em 2014, apontou fraudes praticadas pelo conglomerado investigado pelo desvio de R$ 180 milhões em projetos da Lei Rouanet. O depoimento foi dado à Polícia Federal em 30 de junho, dois dias após da deflagração da Operação Boca Livre. Nele, Katia Piauy cita, entre as fraudes, a falsificação de recibos de doação de livros produzidos por meio de isenção fiscal. Para forjar os documentos, segundo ela, o grupo teria a ajuda da Academia Latino-Americana de Artes (ALA), dirigida pelo empresário Fábio Porchat, pai do humorista do Porta dos Fundos. Entre os conselheiros da associação está Antônio Carlos Bellini, presidente do grupo Bellini. 

Piauy, que fez três projetos culturais e captou R$ 647,6 mil, afirma no texto da Polícia Federal que "tinha conhecimento que Bellini, por possuir muitos contatos no meio artístico e cultural, conseguiria tais comprovantes". Entre elas estaria a ALA, que "fornecia a Bellini essas declarações falsas de que teria recebido livros". Quanto aos livros que deveriam ser doados, Piauy disse que "tem conhecimento de que um grande número de exemplares encontravam-se abandonados na sede do escritório das empresas (Avenida Giovani Gronchi, Morumbi) e na Fazenda (São João da Boa Vista)". Ela relata, ainda, que a Bellini superfaturava valores de serviços gráficos de livros. De acordo com o depoimento, "o grupo Bellini se utilizava sempre da gráfica Mazer" e Felipe Vaz Amorim, filho de Antonio Carlos Bellini Amorim, presidente do Grupo Bellini Cultural, "não concordava com a utilização de outras gráficas ainda que com custos menores". À Polícia Federal, Katia Piauy afirmou ainda que, entre as fraudes do grupo, estavam contrapartidas dadas às empresas patrocinadoras. 

Senado aprova pacote de reajuste salarial para servidores públicos


O Senado aprovou nesta terça-feira (12) o pacote de oito projetos que reajusta os salários de diversas categorias do funcionalismo. Os textos seguem para sanção presidencial. As propostas beneficiam servidores da Câmara dos Deputados, do Tribunal de Contas da União, da Advocacia-Geral da União, da Polícia Federal, do Banco Central, da Educação, da Cultura, do Desenvolvimento Agrário e de ex-territórios federais, além de outras 40 carreiras como agentes penitenciários, médicos e técnicos de hospitais públicos e soldo dos militares. No caso do TCU, o reajuste será de 31,32% em quatro parcelas pagas até 2019 para cargos efetivos e funções comissionadas. Já os servidores da Câmara dos Deputados deverão receber um aumento médio de 5% também até 2019. Para os militares das Forças Armadas, o reajuste será de 25,5% nos próximos três anos. Os servidores do magistério federal e de carreiras ligadas à Educação, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FNDE) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o aumento médio será de 20% pagos ao longo dos próximos quatro anos. Até o fim da votação, os senadores não sabiam informar qual é o impacto atualizado do pacote para os cofres da União. De acordo com alguns congressistas, o ministério do Planejamento ainda não concluiu os cálculos mas a estimativa é de que fiquem em torno de R$ 53 bilhões até 2019. De acordo com o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o aumento salarial é menor do que a inflação prevista para os próximos três anos e, por isso, os reajustes permanecerão dentro do centro da meta de inflação de 4,5%. Ele destacou também que não há gastos novos aprovados nestes projetos. "A aplicação dos reajustes dos vencimentos se desdobrará em três anos, seguindo uma prática que vem desde o início do governo Lula. Nessa negociação, o reajuste não ultrapassará 4,5%, que é a meta da inflação a que aspiramos chegar, ou seja, o centro da meta da inflação. Não haverá nenhum acréscimo ao gasto que ultrapasse o centro da meta projetada para os três anos", explicou Aloysio. Para que as propostas pudessem seguir direto para sanção presidencial e não tivessem que ser analisadas novamente pela Câmara, o presidente Michel Temer se comprometeu a vetar qualquer artigo que possibilite a criação de cargos ou gratificações e a transferência de carreiras. Apenas uma das propostas chegava a criar mais de 14 mil postos. 

Promotoria denuncia 14 por homicídio culposo pela queda de ciclovia no Rio de Janeiro

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou nesta terça-feira (12), 14 pessoas por homicídio culposo pela queda, em abril deste ano, da ciclovia Tim Maia, em São Conrado, na zona sul do Rio. O acidente matou Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, e Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos. Entre os denunciados, sete são servidores públicos. Outros sete são das empresas contratadas para a obra. A denúncia dos promotores Marisa Paiva e Alexandre Murilo Graça foi encaminhada para a 32ª Vara Criminal que analisará se aceita ou não as alegações do Ministério Público.


A prefeitura do Rio de Janeiro disse que sempre esteve à disposição da polícia para o caso. O consórcio Contemat-Concrejato e a Engemolde informaram que não tiveram acesso ao inquérito e não irão se pronunciar sobre o assunto. Se condenados, os denunciados podem cumprir pena de 2 a 8 anos de prisão. A denúncia considera em parte o inquérito elaborado pelo delegado José Alberto Lages, da 15ª DP (Gávea). O delegado ouviu 27 pessoas entre testemunhas e profissionais envolvidos na construção da ciclovia. No inquérito há relatos de engenheiros, responsáveis pela obra, que reconhecem que o projeto deveria conter um "estudo prévio do regime das marés e de que havia a necessidade de um plano de contingência que previsse a instabilidade das marés como aconteceu no presente caso", informa o relatório policial. O delegado Lage considera que a incidência das ondas não foi cogitada na pista da ciclovia. Os tabuleiros, como são chamados os pisos da ciclovia, se mostraram frágeis na sua fixação. A ciclovia Tim Maia foi inaugurada em janeiro deste ano com 3,9 km, tendo um trecho suspenso sobre o mar. O custo da obra foi de R$ 44,7 milhões.

Petrobras prorroga negociação de gasodutos com Brookfield


A Petrobras informou nesta terça-feira (12) que prorrogou por 30 dias o prazo para negociação de venda de subsidiária de gasodutos com a canadense Brookfield. As duas empresas iniciaram conversas exclusivas há 60 dias. A Brookfield tem interesse na compra da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), empresa que controla a malha de gasodutos do sudeste brasileiro. A operação faz parte do plano de venda de ativos da estatal, que tem por objetivo levantar US$ 15,1 bilhões para reduzir o elevado endividamento da companhia. A NTS é fruto da cisão da Transportadora Associada de Gás (TAG). Uma outra subsidiária, chamada Nova Transportadora do Nordeste (NTN), ficou com a malha de gasodutos da região nordeste. Em nota, a Petrobras informou que novos fatos julgados relevantes sobre o tema serão informados imediatamente ao mercado. A prorrogação por mais 30 dias estava prevista no comunicado que anunciou as negociações exclusivas, divulgado em maio.

USP aprova novo plano de demissão voluntária e cotas para rede pública


A USP aprovou definitivamente um novo plano de demissão voluntária para funcionários técnicos-administrativos e um programa de redução de jornada de trabalho. As medidas têm o objetivo de atenuar a crise financeira que atinge a universidade. Ainda foi definido que 16% das vagas da instituição serão reservadas para alunos de escolas públicas, parte delas para pretos, pardos e indígenas. A seleção para essas vagas será feita via Enem. As medidas foram aprovadas nesta terça -feira (12) pelo Conselho Universitário, instância máxima da universidade. Este é o segundo plano de demissão aprovado na gestão do reitor Marco Antônio Zago. O orçamento para o plano é de R$ 118 milhões. Não há definição, por enquanto, de quantos servidores a USP quer demitir. "Quem aderir é importante, sejam cinco ou 600. A redução com gastos da folha é a parte mais sensível, porque é onde a universidade tem maior dificuldade de economia", disse o reitor. 


O plano não atinge professores, apenas servidores técnico-administrativos. Médicos e profissionais de enfermagem também não poderão participar. Sem funcionários, o Hospital Universitário já reduziu os atendimentos. A universidade conta com 15,5 mil técnicos. No último plano de demissão, desligaram-se 1.433 servidores – o que resultou em um gasto de R$ 281 milhões com indenizações. Por outro lado, a redução de funcionários provocou uma economia de R$ 250 milhões (até junho). Zago espera com a medida conseguir equalizar as contas até 2018. Desde 2013, o gasto com salários na USP tem sido superior aos recursos recebidos do Estado. A situação tem feito a universidade usar reservas para pagar as contas. Até o mês passado, os gastos da USP com folha de pagamento ficaram 6% acima dos recursos recebidos. Sem as demissões, a USP calcula que o déficit seria de 9%. A indenização prevista para quem aderir inclui um salário por ano de trabalho e mais 40% do saldo do FGTS. Sobre a redução de jornada, os servidores poderão baixar de 40 horas para 30 horas semanais, com diminuição proporcional de salário. A cada seis meses, quem aderir recebe um bônus. Também foi aprovada na reunião a inclusão de vagas da USP no Sisu (Sistema de Seleção Unificada, que usa a nota do Enem) para 2017. Enquanto no ano passado a universidade colocou 1.138 vagas no sistema, este ano o número será de 2.338 (21% do total de vagas). O restante continua a ser disputado pela Fuvest. Dessas vagas no Sisu, 1.741 (16% sobre o total de vagas da USP) serão para quem é de escola pública. São 1.155 para quem é de escola pública e 586 para quem é da rede, mas que seja preto, pardo ou indígena.

Governo libera R$ 100 milhões para retomar obras da nova ponte do rio Guaíba


A retomada das obras da segunda ponte do rio Guaíba foi garantida nesta terça-feira pelo presidente Michel Temer (PMDB), durante reunião no Palácio do Planalto com políticos da bancada gaúcha no Congresso. Assessorado pelos ministros dos Transportes, Maurício Quintella, do Planejamento, Dyogo Oliveira, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, Temer prometeu aos parlamentares verba de R$ 100 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), recurso a ser destinado em cinco parcelas mensais de R$ 20 milhões, a primeira já em agosto. Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o mínimo necessário para retomada dos trabalhos era R$ 70 milhões. "Foi uma reunião muito bem sucedida. Os parlamentares gaúchos ficaram contentes com a receptividade do presidente Temer, que se convenceu de que essa obra é a prioridade número um do Rio Grande do Sul", disse o senador Lasier Martins (PDT), um dos responsáveis, ao lado de Padilha, por alinhavar o encontro. Paralisada desde maio por falta de recursos, a ponte é considerada prioridade no Estado por ligar a Região Metropolitana aos portos de Uruguaiana e de Rio Grande, além de estar na principal rota de conexão da Capital com países como Argentina e Uruguai. "O porto seco de Uruguaiana é o maior do gênero no Brasil, e pelo de Rio Grande se escoam os principais produtos gaúchos. É preciso levar em conta também que, em função do vão móvel da atual ponte, há muitos engarrafamentos, que causam um enorme prejuízo econômico ao Estado", comentou Lasier. Os 18 deputados federais e os dois senadores presentes na reunião também sustentaram a necessidade de verbas para o trecho Guaíba-Pelotas da BR-116 e para a duplicação da BR-386. Segundo Lasier, o presidente não se negou a discutir o assunto mais adiante, mas reforçou que o país atravessa um momento de crise e pediu calma. "Vamos por parte. Vocês sabem das dificuldades financeiras que temos", disse Temer aos parlamentares, segundo Lasier. O custo total e atualizado da nova travessia é de R$ 740 milhões e, conforme o DNIT, foram investidos até agora aproximadamente R$ 266 milhões (36%). Atualmente, apenas cerca de 80 funcionários estão trabalhando em funções como segurança do material, manutenção, licenças ambientais e projeto junto à prefeitura. No dia 2 de maio, cerca de 300 operários foram demitidos pelo consórcio formado por Queiroz Galvão e EGT Engenharia, responsável pela edificação, e desde então a estrutura da ponte permanece a mesma. Outros 200 operários já haviam sido desligados em novembro de 2015. O motivo dos cortes seria o mesmo: insuficiência nos repasses de recursos da União. "Já nos reunimos com as empresas responsáveis pelo consórcio e acertamos que assim que a destinação da verba for formalizada serão feitas as contratações e, imediatamente, reiniciadas as obras. Esse recurso será consumido ainda dentro de 2016", disse o superintendente do DNIT, Hiratan Pinheiro da Silva. A nova ponte foi planejada para ser a principal travessia sobre o Guaíba, dispensando o vão móvel da passagem atual entre Porto Alegre e Eldorado do Sul (pela BR-116/BR-290), que precisa ser acionado toda vez em que há movimentação de navios na região. Os 7,3 quilômetros de extensão (2,9 quilômetros deles sobre a água) vão receber cerca de 50 mil veículos diariamente, segundo estimativa do DNIT. A construção começou em outubro de 2014 e tinha conclusão prevista para o final de 2017, mas o prazo não será cumprido. O governo federal trabalha agora na reprogramação da obra. 

Senado Federal retira da pauta de votação o projeto de liberação dos cassinos e jogatina em geral

Dois projetos considerados prioritários para o governo Temer acabaram saindo da pauta de votações do Senado Federal. A proposta que regulamenta os jogos de azar e o projeto que determina um limite global para a dívida da União não serão mais votados antes do recesso parlamentar, que se encerra em agosto. Apesar de prioritárias, as propostas também eram consideradas polêmicas e o governo não conseguiu encontrar em sua base o apoio necessário para seguir com as votações. Diante de muitas dúvidas de senadores e manifestações públicas de entidades preocupadas com o projeto que regulamenta os jogos de azar, o governo preferiu recuar. O relator do projeto, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), pediu que a proposta fosse retirada de pauta. O governo calcula que o projeto poderia arrecadar R$ 15 bilhões aos cofres da União. Já o projeto que determina um limite global para a dívida da União não foi retirado de pauta, mas teve sua votação adiada. Como o recesso legislativo se inicia nesta semana, a proposta só poderá voltar à pauta em agosto. O governo tem dúvidas se deve levar o projeto adiante ou focar as energias na proposta que limita os gastos da União, anunciada pela equipe econômica de Michel Temer tão logo ele assumiu o governo. Apesar de diferentes, o governo entende que os projetos podem ter efeito semelhante sobre as contas públicas, o que diminuiria a urgência de se aprovar a matéria do limite da dívida. 

Juiz Sérgio Moro recebe a delação da Andrade Gutierrez

O ministro Teori Zavascki enviou, finalmente, para o juiz federal Sérgio Moro, as delações dos executivos da Andrade Gutierrez - ao menos a parte referente ao Petrolão do PT. Ao todo, 11 executivos da Andrade Gutierrez tornaram-se delatores, confessaram seus atos de corrupção: Antônio Pedro Campello de Souza Dias, Clóvis Renato Numa Peixoto Primo, Elton Negrão de Azevedo Júnior, Flávio David Barra, Flávio Gomes Machado Filho, Gustavo Ribeiro de Andrade Botelho, Luís Mário da Costa Mattoni, Olavinho Ferreira Mendes, Otávio Marques de Azevedo, Paulo Roberto Dalmazzo e Rogério Nora de Sá. No pedido de homologação, a Procuradoria Geral da República ressaltou que os colaboradores "descreveram com muita riqueza de detalhes como funcionou , durante anos, o pagamento de propina envolvendo os negócios mantidos pela Construtora Andrade Gutierrez e o governo federal/empresas estatais". "Além de ilícitos envolvendo a Petrobras, os colaboradores também relataram o pagamento de propina nos contratos firmados no âmbito da Eletronuclear, Eletronorte, de estádios da Copa do Mundo e da Valec. Mas não apenas as obras de responsabilidade da Construtora foram instrumento da cobrança de propina, outros negócios diversos, como, por exemplo, obtenção de empréstimos junto ao BNDES, também originaram pagamentos de valores ilícitos".

A mulher sapiens Dilma Rousseff já sabe que está fora do poder, até mandou empacotar seus livros para enviá-los a Porto Alegre


Sob o título "Dilma desistiu", o jornalista Leandro Mazzini conta que, ciente da guilhotina no impeachment, e de que não volta ao Palácio do Planalto, a mulher sapiens petista Dilma Roussef trocou a prioridade dos estudos processuais pela musculação em uma sala do Palácio do Alvorada. Dilma emagreceu 17 quilos nos últimos meses com dieta de exercício, saladas e frutas, além das pedaladas diárias. Diz Mazzini: "A presidente afastada Dilma Rousseff jogou a toalha — literalmente — nos ombros e se preocupa mais com sua saúde. Ciente da guilhotina no impeachment e de que não volta ao Planalto, trocou a prioridade dos estudos processuais pela musculação em uma sala do Palácio do Alvorada. Já emagreceu 17 quilos nos últimos meses com dieta de exercício, saladas e frutas, além das pedaladas diárias. A maioria de seus livros já está encaixotada para mudança para Porto Alegre". Na verdade, as viagens semanais de jatinho para Porto Alegre servem para condução de partes da carga da mudança. 

Câmara aprova urgência para renegociação de dívidas estaduais

O governo Temer conseguiu reverter a derrota da última semana e aprovou nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, o requerimento que confere urgência à tramitação do projeto de renegociação das dívidas dos Estados com a União. O requerimento foi aprovado por 335 votos a favor e 118 contra. Para aprovar esse tipo de pedido, são necessários pelo menos 257 votos favoráveis. Na semana passada, o governo saiu derrotado por uma pequena margem: a Câmara rejeitou o pedido por apenas quatro votos. Dissidências na base aliada e uma pressão da bancada do Nordeste, cujos governadores querem pressionar por uma ajuda extra, contribuíram para a rejeição do pedido, segundo parlamentares aliados. O pedido de urgência coloca o projeto como prioridade de votação no plenário. O governo tem pressa em votar o projeto porque o Supremo Tribunal Federal deu prazo até 22 de agosto para que União e estados formalizem o acordo sobre as dívidas, o que só seria efetivado com a aprovação da lei. O texto é fruto de acordo com governadores e garante aos entes da federação seis meses de carência para o pagamento de suas dívidas, além de um alongamento de 20 anos. A principal dificuldade para a aprovação do projeto é a resistência de deputados com contrapartidas impostas pela equipe econômica para que o alongamento dos débitos seja feito. O governo quer, por exemplo, que os Estados fixem um teto para os gastos públicos nos mesmos moldes do que está sendo proposto para a União por meio de uma proposta de emenda constitucional (PEC). O projeto proíbe ainda aumentos de despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao término do mandato dos governadores e a aprovação de reajustes que invadam o mandato seguinte. A proposta foi encaminhada ao Legislativo pela presidente afastada Dilma Rousseff no início do ano, mas voltou à mesa de negociações quando o presidente interino Michel Temer assumiu. O texto acordado pela nova equipe econômica ainda não foi enviado ao Congresso Nacional pelo governo, o que foi alvo de polêmica durante a votação. O deputado Afonso Motta (PDT/RS) argumentou que votar a urgência sem o texto seria contrário ao regimento: "Nós queremos votar a urgência, mas temos que ter o texto. Acho uma questão de ordem pertinente", disse. O presidente da mesa, deputado Beto Mansur (PRB/SP), descartou essa possibilidade: "A urgência é justamente para apressar o projeto. Não vejo nenhum cabimento na questão de ordem". 

Impeachment: Acusação diz que pedaladas fiscais provam crimes


Os juristas Hélio Pereira Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Conceição Paschoal comparam a situação da presidente Dilma Rousseff a de prefeitos que respondem a processos por fraudes em suas gestões e sustentam que as “pedaladas” fiscais realizadas em outros bancos públicos comprovam o crime de responsabilidade nas “pedaladas” no Banco do Brasil em 2015, que são o foco do processo de impeachment. As alegações finais assinadas pelos juristas foram protocoladas nesta terça-feira na comissão especial do Senado. Agora, será aberto um prazo até o dia 27 de julho para que a defesa apresente seus argumentos. No início de agosto, a comissão tomará sua decisão. O julgamento final, porém, deverá ocorrer depois da Olimpíada do Rio de Janeiro, que se encerra em 21 de agosto. O debate sobre a autoria de Dilma no caso das “pedaladas” ganhou força depois que perícia realizada por técnicos do Senado afirmaram não haver ato direto dela nos atrasos de pagamentos do Tesouro ao Banco do Brasil relativos ao Plano Safra de 2015. Para os juristas, a presidente deve ser responsabilizada porque é seu dever funcional acompanhar as finanças públicas do País. “Ora, se, no âmbito municipal, responde pelos crimes contra as finanças o prefeito, simetricamente, no âmbito federal, responde o presidente da República, valendo ressaltar que o artigo 38 da Lei de Responsabilidade Fiscal faz menção expressa ao presidente. Decisões da grandeza das que foram tomadas relativamente aos ilegais mútuos, aos ilegais decretos, não poderiam jamais ser de desconhecimento de quem tinha o dever e, mais do que o dever – até mesmo o prazer – de acompanhar e decidir sobre contas públicas, como condutora da Alta Administração. De fato, durante todo o mandato, a presidente revelou-se a grande artífice da economia: a mãe do PAC”, diz trecho do documento protocolado. Os juristas ressaltam que a repetição de atrasos em outros bancos, como Caixa e BNDES, mostrariam que haveria uma política direcionada por Dilma para a realização das pedaladas. “Ademais, reforça a autoria delitiva o fato de as chamadas pedaladas fiscais terem se verificado no âmbito de todas as instituições financeiras federais, sendo certo que, para a fraude perpetrada se efetivar, precisou-se contar com a interveniência de diversos órgãos, todos subordinados à Presidência da República”, diz trecho da acusação. “Tratou-se de ação concertada, praticada pela interveniência de várias instituições, órgãos e autoridades subordinadas à presidente da República. Ademais, não se pode perder de vistas que as pedaladas fiscais foram muito interessantes à denunciada, na medida em que possibilitaram a efetiva maquiagem das contas públicas, criando uma ilusão de estabilidade econômica, bem como a sensação de que os programas sociais teriam continuidade, quando já se sabia que tal continuidade seria impossível”, reforçam os juristas. Para a acusação, Dilma praticou crime de responsabilidade tanto nos decretos quanto nas pedaladas. Eles sustentam que dois artigos da lei do impeachment foram violados por meio dos atrasos nos pagamentos ao Banco do Brasil e outro artigo por Dilma não ter ordenado o pagamento imediato dos débitos. Apontam ainda a violação a outros dois artigos pela edição dos decretos de crédito suplementar em 2015 quando o próprio governo já reconhecia que não cumpriria a meta fiscal. Na conclusão, com forte tom político, o documento afirma que a própria defesa reconheceria a prática de crimes em 2013 e 2014, por insistir que os casos de anos anteriores não poderiam ser analisados. Para a acusação, tudo faz parte do mesmo “conjunto da obra”. “E a defesa, comodamente, aceita ter havido toda a irresponsabilidade em 2013 e 2014, como se fosse possível esta divisão artificial, quando todos os fatos demonstram, como reconhece o próprio Tribunal de Contas da União, existir apenas o Conjunto da Obra, uma continuidade do mesmo comportamento do mandato anterior, que persistiu em 2015, revelando antes de tudo um modo de ser; verdadeiro modus operandi”, diz trecho. A acusação ressalta que o fato de a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ter apresentado um pedido de impeachment com fundamento semelhante ao que está em tramitação reforçaria a tese de que o processo não é um “golpe”. A acusação destaca que o pedido da Ordem inclui fatos da Lava-Jato como a acusação de que Dilma teria nomeado ministro ao Superior Tribunal de Justiça para tentar atrapalhar a Operação Lava-Jato. Afirma ainda que os crimes que teriam sido praticados pela presidente que estão no processo são de extrema gravidade, passíveis da aplicação da pena de afastamento definitivo. “A denúncia foi finalizada com o Hino Nacional. Estas alegações são fechadas com o pequeno trecho do Hino da Independência: Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”, concluem os juristas. O documento foi protocolado pelo advogado João Berchamans, contratado pelos juristas para auxiliá-los no processo. 

ATENÇÃO! Na Universidade Federal do ABC, não há diferença entre nacionalismo judaico e nazismo!

Edital para a seleção de professores é um dos maiores atentados à inteligência e ao bom senso que já vi. Eis o que as Chauis da vida fizeram com a universidade brasileira

Por Reinaldo Azevedo - Há um lugar no Brasil em que o sionismo, o nacionalismo judaico, é só a expressão de um mal ao qual pertencem também o nazismo e o apartheid. Isto mesmo, leitor: há um lugar “nestepaiz” em que judeus, nazistas e racistas sul-africanos são apenas expressões da “branquidade”. Estranho? Então vamos ver. Não é só na economia que o país há de amargar muitos anos para se livrar dos desastres do petismo. Aliás, esse tende a ser até o menor dos males, apesar de tudo. A catástrofe verdadeira — que, às vezes, chega a parecer sem solução — está mesmo na educação. E em todos os níveis. Um edital da Universidade Federal do ABC, datado de 21 de junho, expõe a profundidade na nossa tragédia. A íntegra do documento está aqui.

Quem viu há dias Marilena Chaui, ícone do professorado universitário petista, a dizer que Sergio Moro é pau-mandado de uma conspiração americana para nos tomar o pré-sal tem uma medida do abismo em que nos metemos. O tal edital busca contratar quatro professores, em regime de dedicação exclusiva e salário inicial de R$ 8.639,50, para uma “área” cujo nome já dá o que pensar: “Relações Étnico-Raciais”. Cada profissional será contratado para se dedicar a uma destas subáreas:
1: Desigualdades de Raça, Gênero e Renda;
2: Relações Étnico-Raciais e Políticas Públicas;
3: Diáspora Negra, Direitos Humanos e Racismo;
4: Dinâmicas Socioterritoriais e Relações Étnico-Raciais.
Muito bem! Áreas e subáreas parecem já condicionar um conteúdo, mas ainda seria precipitado afirmá-lo. O edital, ora vejam, não quer surpreender ninguém. E traz o conteúdo de cada uma das subáreas. Até aí, parece prudente. Mas há mais do que isso. Esse conteúdo já expõe uma leitura da realidade e um viés ideológico inequívoco, que atinge as raias do escândalo intelectual quando se expõe o programa da subárea “Diáspora Negra, Direitos Humanos e Racismo”. Lá se lê o programa:
4.3.1.1. Capitalismo, eurocentrismo e a construção da raça no Mundo Atlântico;
4.3.1.2. A formação do Estado-Nação na América Latina: o lugar das populações negras e indígenas;
4.3.1.3. Descolonizações africanas, a luta contra o apartheid e suas influências nos movimentos antirracistas no Brasil e no mundo;
4.3.1.4. Conexões da branquidade e dos regimes racistas: apartheid, nazismo, sionismo;
4.3.1.5. Desigualdades raciais e ações afirmativas em escala internacional;
4.3.1.6. A luta contra o racismo na ONU e outras instituições internacionais;
4.3.1.7. Racismo, xenofobia, islamofobia e as novas imigrações;
4.3.1.8. A Conferência de Durban, ativismo transnacional e Década Internacional dos Afrodescendentes;
4.3.1.9. Pan-africanismo: questões contemporâneas;
4.3.1.10. Feminismo negro: teorias e práticas.
Dá para fazer picadinho de cada item, que, como se nota, já condiciona um pensamento. Ou o primeiro não sugere que a construção da raça do mundo atlântico seria outra sem o capitalismo? Bem, certamente seria. Mas é possível que assim fosse também sem a energia elétrica… Mas é no item “4.3.1.4” que a delinquência intelectual se revela de maneira insofismável: “Conexões da branquidade e dos regimes racistas: apartheid, nazismo, sionismo”. Como se nota, o professor a ser contratado está obrigado a considerar que uma chave une e traduz estas três realidades históricas: o nazismo, o apartheid e, ora vejam, o “sionismo”. Assim, o nacionalismo judaico, segundo a “religião” que se cultua na Universidade Federal do ABC, é uma das “conexões da branquidade”, que abrigaria também o nazismo, que é um pensamento, uma corrente política e um regime que tinha como um dos horizontes o extermínio dos… judeus. Assim, um curso destinado a combater o racismo está em busca de um professor que olhe para parte considerável dos judeus com olhos… racistas! A bibliografia também não deixa a menor dúvida. Vejam:
4.3.2.1. AMIN, Samir. Eurocentrismo: crítica de uma ideologia. Lisboa: Dinossauro, 1994.
4.3.2.2. BRAGA, Pablo de R. S. África do Sul: a rede de ativismo transnacional contra o apartheid na África do Sul. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão, 2011.
4.3.2.3. DA SILVA, Joselina & PEREIRA, Amauri M. Olhares sobre a Mobilização Brasileira para a III Conferência Mundial Contra o Racismo. BH: Nandyala, 2013.
4.3.2.4. DAVIS, Angela. A democracia da abolição. Para além do império, das prisões e da tortura. Difel, 2009.
4.3.2.5. FANON, Frantz. Condenados da terra. Juiz de Fora: UFJF, 2005.
4.3.2.6. FEKETE, Luiz. A suitable enemy: racism, migration and islamophobia in Europe. London/NY: Pluto Press (May 20, 2009).
4.3.2.7. GILROY, Paul. O Atlântico negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34: 2001.
4.3.2.8. GONZALEZ, Lélia Gonzalez. Por um feminismo afro-latinoamericano. ISIS, 1988.
4.3.2.9. MARX, Antonhy. Making race and nation. Cambridge, Cambridge University Press, 1998.
4.3.2.10. MORNING, Anne. Ethnic classification in global perspective: a cross-national survey of 2000 Census Round. Population Research and Policy Review, v. 27, n. 2, p. 239-272, 2008.
4.3.2.11. MUCHIE, M.; LUKHELE-OLORUNJU, P. & AKPOR, O. (Eds). The African Union Ten Years After. Solving African Problems with Pan-Africanism and the African Renaissance. Africa Institute of South Africa, 2013.
4.3.2.12. PAIVA, Angela R. (org.). Ação afirmativa em questão: Brasil, Estados Unidos, África do Sul e França. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.
4.3.2.13. PAMPLONA, M. & DOYLE, (orgs). Nacionalismo no Novo Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2008.
4.3.2.14. PLUMELLE-URIBE, Rosa A. La férocité blanche – Des non-Blancs aux non-Aryens, génocides occultes de 1492 à nos jours. Paris: Albin Michel, 2001.
4.3.2.15. QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e America Latina. In: LANDER, Edgardo. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. (org.). CLACSO, Buenos Aires. 2005, pp. 117-142.
4.3.2.16. SAND, SHLOMO. The invention of the jewish people. London/NY: VERSO, 2009.
4.3.2.17. SILVA, Silvio José Albuquerque e. Combate ao racismo. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2008.
4.3.2.18. WALLERSTEIN, Immanuel & BALIBAR, E. Race, nation, class: ambiguous identities. London/NY: Verso, 1991.
4.3.2.19. WARE, Vron (org.). Branquidade: identidade branca e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.
Quem conhece o riscado notou que há um judeu famoso na lista acima: Schlomo Sand. No livro citado como referência, ele defende a tese de que o sionismo é, sim, uma forma de racismo. Entenderam o truque? Se até um judeu diz isso… E, claro, não poderia faltar na lista a obra-símbolo da apologia da violência redentora dos “oprimidos”: o detestável “Os Condenados da Terra”, de Frantz Fanon, que, tudo indica, o candidato a professor deve aplaudir. Vejam o edital inteiro. Àquilo foi reduzida a universidade brasileira. É evidente que, nesse ambiente, não há espaço para o pensamento plural. Faz-se um edital para selecionar, na verdade, um militante e um prosélito, uma vez que o curso já está determinado. É evidente que um candidato que não reze por essa cartilha terá seu nome recusado. Ou haveria espaço para demonstrar que a obra de Fanon justifica, por exemplo, o terrorismo do Estado Islâmico? Ou haveria espaço para evidenciar que a cristofobia, que mata mais de 100 mil pessoas por ano no mundo, é muito mais letal do que a islamofobia? Ou haveria espaço para demonstrar que, quando se levam em consideração as vítimas, os islâmicos parecem ser os verdadeiros islamofóbicos? Ou haveria espaço para demonstrar que os maiores massacres de negros foram perpetrados por negros, sem que isso tivesse qualquer relação com o Ocidente?




Não! Eu não acho que uma universidade devesse abrigar apenas pessoas que desenvolvessem esse viés que exponho aqui. Creio que ela deveria ser um lugar da pluralidade de vozes. Mas não é o que temos. Como se nota, a peneira já se faz na seleção dos professores. Só entra naquele espaço, afinal, quem conseguir demonstrar que não há diferença essencial entre um nacionalista judaico e um exterminador de judeus. Não é universidade. É lixo intelectual! Isso ajuda a explicar por que temos uma das piores educações do mundo, embora, em relação ao orçamento que existe, este seja um dos países do mundo que mais investem em educação. O PT foi apeado do poder. Mas, por enquanto, essa guerra tem uma vencedora: Marilena Chaui. Ela é uma das personalidades que ajudaram a arruinar a universidade brasileira.