sábado, 8 de outubro de 2016

Primeiro prefeito eleito pelo partido diz: "Hoje tenho vergonha do PT"


Em 1982, nas primeiras eleições diretas para cargos do Executivo e Legislativo (excluindo-se o posto de presidente da República) desde o golpe de 1964, o PT elegeu o seu primeiro prefeito — o sindicalista e metalúrgico Gilson Menezes, em Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo. À época, a sigla tinha apenas dois anos de história. Passados 36 anos daquela vitória – incluindo os treze que a legenda ficou à frente da Presidência da República -, o partido protagonizou sucessivos escândalos e está hoje imerso em sua maior crise: apeado do poder após o impeachment de Dilma Rousseff, amargou neste pleito municipal o pior resultado em 20 anos. Hoje no PDT, Menezes, que foi prefeito por dois mandatos (de 1982 a 1988 e de 1997 a 2000), deputado estadual, vereador e vice-prefeito, também está longe dos seus melhores dias: recebeu apenas 360 votos e não conseguiu se eleger para a Câmara de Diadema. Assim como o partido, ele não está em bons lençóis com a Justiça, que bloqueou seus bens por suspeitas de irregularidades cometidas na época em que foi prefeito pela segunda vez. Apesar de ainda firmar alianças com o PT – em 2012, foi candidato a vice-prefeito na chapa de Mario Reali (PT). Menezes já passou por PSC e PSB. E não esconde a frustração com a sigla que ajudou a fundar junto com o “companheiro” do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva. O veterano afirmou que tem vergonha de sair às ruas e pedir votos para a antiga legenda que, segundo ele, desviou-se dos seus princípios e caiu no “fascínio do dinheiro”. 

EUA acusam Rússia de vazar e-mails democratas para interferir em eleição


O clima de Guerra Fria foi reeditado nesta sexta-feira (7), com a Casa Branca se dizendo "confiante" de que o governo russo está por trás de ataques hackers contra o Comitê do Partido Democrata, que derrubaram sua presidente às vésperas da convenção do partido que chancelou a candidatura de Hillary Clinton, em julho. "Estes furtos e divulgação têm como meta interferir no processo de eleição dos EUA", disse o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson, e o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, em comunicado. "Essa atividade não é nova em Moscou. Os russos têm usado táticas e técnicas similares ao longo da Europa e da Eurásia, por exemplo, para influenciar a opinião pública lá", continua a nota. "Acreditamos, com base no alcance e na sensibilidade desses esforços, que apenas as autoridades mais altas na Rússia poderiam ter autorizado essas atividades." 


Os ciberataques abasteceram o site WikiLeaks com quase 20 mil e-mails trocados por dirigentes democratas, entre eles a deputada Debbie Wasserman Schultz, que presidia o comitê nacional da legenda. Ela renunciou dias depois de vir à tona a troca de mensagens em que a alta cúpula do partido trata com desdém o então rival de Hillary nas prévias internas, o senador Bernie Sanders — até sua suposta falta de fé (embora ele se diga judeu) foi sugerida como arma por um deles, que poderia vir a calhar em Estados americanos onde a religiosidade é forte. Na época, a campanha de Hillary montou uma força-tarefa para responsabilizar Vladimir Putin pelo vazamento — o presidente russo sempre negou a intervenção. Agora, é o governo americano que oficializa as suspeitas. As relações entre Washington e Moscou já estão tensas em razão da guerra na Síria —- russos são aliados de longa data do ditador Bashar al-Assad, enquanto americanos estão ao lado dos rebeldes que lutam contra o regime. Há ainda o avanço da facção terrorista Estado Islâmico no país, combatido pelos dois fronts. Nesta sexta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que Rússia e Síria deveriam ser investigadas por crimes de guerra, após ações militares em Aleppo ceifarem vidas civis. A hostilidade entre EUA e Rússia virou também uma ogiva eleitoral, com Hillary acusando seu adversário republicano, Donald Trump, de simpatia por Putin. Trump de fato elogiou o russo, que diz ver como uma liderança mais forte do que o presidente Barack Obama. Ele também chegou a dizer que hackers conterrâneos de Putin deveriam expor 30 mil e-mails que Hillary deletou do servidor privado que usou quando era secretária de Estado (2009-13). Os e-mails particulares viraram alvo de investigação do FBI, mas metade deles foi apagada. Depois, o republicano disse que estava sendo sarcástico. Um banner gigante de Putin foi estendido na lateral da ponte Manhattan nesta quinta-feira (6) à tarde, com a foto dele e a legenda "pacificador". A polícia removeu o pôster em menos de uma hora, e a autoria do que internautas chamaram de "atentado terrorista" ainda é desconhecida.

Para Meirelles, IPCA sinaliza que a economia brasileira está voltando à normalidade


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avalia que a desaceleração da inflação em setembro, mostrada nesta sexta-feira, 7, pelo IPCA, sinaliza que a economia brasileira está voltando à normalidade. "A recessão ainda está em andamento, a capacidade ociosa das empresas é elevada, o desemprego é elevado e ainda crescendo. É normal que a inflação caia e as expectativas de inflação também. O que estava fora do normal era ver inflação alta em um cenário recessivo e com desemprego em alta", disse ele, em conversa com jornalistas. O ministro afirmou que precisa ser avaliado com cuidado se a desaceleração do IPCA em setembro é um fenômeno isolado ou se sinaliza uma tendência, assim como disse mais cedo o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Meirelles mencionou ainda que a autoridade monetária tem autonomia de decisão e análise e vai olhar o comportamento da inflação com cuidado. "Vemos diversos sinais de que aos poucos a economia começa dar mostras de normalização em várias áreas, como a produção de bens, e a confiança que está se recuperando. O país aos poucos vai encontrando seu ritmo, na medida em que políticas adequadas vão sendo anunciadas, seja na área fiscal ou de governança nas empresas estatais".

PTB confirma apoio a Neelson Marchezan no 2º turno em Porto Alegre


Quarto colocado na corrida à prefeitura de Porto Alegre, Maurício Dziedricki (PTB) confirmou o apoio a Nelson Marchezan (PSDB) no 2º turno no fim da manhã desta sexta-feira em cerimônia em seu comitê. O PTB, que hoje ainda ocupa cargos no governo de José Fortunati (PDT), consolida-se como oposição ao candidato a sucessor do pedetista, Sebastião Melo (PMDB). "Estamos na prefeitura, construímos grande parte dos projetos que são mostrados nas campanhas e temos carinho, compromisso e lealdade com o prefeito Fortunati. Até o dia 31 de dezembro, faremos parte desse governo que em muitas coisas avançou, mas temos a responsabilidade de levar protagonismo para o nosso partido", disse Maurício. O petebista tenta transferir para o tucano os 97.939 votos que arrecadou nas urnas no último domingo. Maurício leva junto do seu apoio os partidos PSC, PR, SD, PRP e PT do B, que compuseram a sua coligação no 1º turno. Marchezan tem defendido uma campanha livre de "loteamento" de cargos na prefeitura em troca de apoio político. Ele garante que não houve negociação de espaço para siglas em uma eventual gestão em função do apoio de Maurício. "Estamos abrigando uma idéia de mudança que foi vitoriosa no primeiro turno. O Maurício parece que fez uma decisão correta conforme aquilo que os seus eleitores disseram para ele, que queriam mudanças. Estamos agregando um conjunto de ideias, muitas delas similares às nossas, para que possam nos ajudar se vencermos a eleição e, sim, a governar", apontou o tucano. A decisão do PTB teria sido influenciada pelo compromisso de Marchezan com o programa de governo de Maurício — especialmente com a abertura dos postos de saúde até as 22 horas — e pelo pragmatismo. Melo acumula 14 partidos em sua coligação e teria dificuldade de lidar com os interesses de mais seis siglas caso vença a eleição. O apoio do petebista também era cobiçado por Melo, o único que estava "disponível" dentre os principais candidatos no 1º turno. O PT de Raul Pont declarou que não apoiará nem Melo e nem Marchezan e defendeu o voto nulo ou a abstenção. Luciana Genro (PSOL) também manifestou que não abraçará nenhuma das candidaturas. 

Presidente colombiano ganha Nobel da Paz por esforços de pacificação

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi premiado nesta sexta-feira com o Nobel da Paz por promover um acordo de paz assinado com a organização terrorista e narcotraficante Farc, um reconhecimento após ambas as partes anunciarem que discutirão "ajustes" ao acordo, que foi rejeitado pelo povo colombiano em um plebiscito. "Esperamos que isso encoraje todas as boas iniciativas e todos os atores que poderiam ter um papel decisivo no processo de paz e leve finalmente a paz à Colômbia depois de décadas de guerra", declarou a presidente do Comitê Nobel norueguês, Kaci Kullmann Five. Na verdade, esse não foi um Prêmio Nobel, mas um Prêmio Ignóbil. A cada ano a Academia Sueca vem se especializando em produzir uma esquerdopatia superior à outra, e desta vez resolveu agredir a soberania popular colombiana. Após o anúncio, em Havana, sede das negociações de paz que duraram quase quatro anos, o governo colombiano e as Farc concordaram em manter o cessar-fogo e discutir "propostas de ajuste" ao acordo, rejeitado surpreendentemente no plebiscito de domingo. "Reiteramos o compromisso assumido" pelas partes "de manter o cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo decretado em 29 de agosto passado", explicou o comunicado conjunto. Santos, de 65 anos, disse que dedicava esse grande prêmio ao povo colombiano. "Recebo este prêmio em seu nome: o povo colombiano que tanto sofreu por esta guerra", afirmou, em entrevista à Fundação Nobel. "Estamos muito, muito próximo de alcançar a paz", acrescentou. Antigos "falcões" convertidos em pombas, Santos e o comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, "Timochenko", assinaram no dia 26 de setembro um acordo histórico para colocar fim a um conflito que durava mais de meio século. Contra todas as previsões, o povo colombiano rejeitou o acordo em um referendo no último domingo, exigindo, entre outras medidas, que os guerrilheiros desmobilizados não possam participar na vida política e que sejam levados à prisão, em vez de se beneficiar de penas alternativas. De Cuba, Timochenko comemorou o prêmio. "Felicito o presidente Juan Manuel Santos, aos avalistas Cuba e Noruega, e acompanhantes Venezuela e Chile sem os quais a paz seria impossível", escreveu em sua conta no Twitter. Álvaro Uribe, ex-presidente colombiano e grande vencedor do referendo de domingo, também felicitou seu sucessor e adversário e desejou a ele "que conduza a mudanças nos acordos nocivos para a democracia". Além disso, os máximos representantes da União Européia (UE) parabenizaram em bloco nesta sexta-feira seu "amigo" Juan Manuel Santos por um prêmio que "encoraja a seguir buscando a paz". Segundo o texto do Comitê Nobel, "existe um risco real de que o processo de paz seja interrompido e que a guerra civil seja retomada", o que "torna ainda mais urgente o respeito ao cessar-fogo pelas partes". O fracasso do referendo obrigou Bogotá e a guerrilha a retomar suas negociações, às quais o Comitê Nobel concede um apoio nesta sexta-feira com o peso simbólico do prêmio. "O fato de a maioria dos eleitores ter dito não ao acordo de paz não significa necessariamente que o processo de paz está morto", argumentou o comitê. "O referendo não era uma votação a favor ou contra a paz", acrescentou o Comitê. Santos reiterou na entrevista que o prêmio "será um grande incentivo para chegar ao fim e começar a construção da paz na Colômbia". Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, este prêmio chega num "momento crucial" e "traz esperança e alento necessários para a população colombiana". Os colombianos se mostraram divididos diante da premiação de Santos. José Alberto Soriano, de 18 anos e cujo avô foi assassinado pelas Farc em 1991, disse que não estava de acordo com a decisão do Comitê Nobel porque Santos havia sido muito relapso com os rebeldes. "Eles matam famílias e acham que nós temos que nos ajoelhar diante deles", declarou. De acordo com a tradição, o Comitê não quis explicar por que este prêmio não era compartilhado com as Farc. Perguntada sobre esta questão, Kullman Five não quis responder e alegou: "Nunca fazemos comentários sobre outros candidatos ou outras possibilidades". A ex-senadora e ex-refém da guerrilha Ingrid Bettancourt opinou, por sua vez, que o grupo armado "também merecia ter recebido o Nobel da Paz", em uma entrevista ao canal de notícias francês I-Télé.
"Um prêmio às Farc teria provavelmente sido mal encarado pelos que são céticos sobre o acordo de paz", explicou o diretor do Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio), Kristian Berg Harpviken. 
Santos, que quando foi ministro da Defesa durante a presidência de Uribe lançou a maior ofensiva contra a guerrilha marxista, decidiu seguir a via das negociações depois de ter sido eleito presidente, há seis anos. "Seguirei buscando a paz até o último minuto do meu mandato porque este é o caminho para deixar um país melhor aos nossos filhos", prometeu recentemente. Embora há apenas alguns dias dissesse não buscar o Nobel, a recompensa fortalece o presidente em sua busca de uma reconciliação na Colômbia, atingida por décadas de violência de guerrilhas, paramilitares e forças estatais que deixaram 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados. O prêmio, que consiste em uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de oito milhões de coroas suecas (950.000 dólares), será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.

Palocci pede a Moro que libere R$ 79 mil de sua empresa para pagar funcionários

A defesa do ex-ministro e "porquinho petista" Antonio Palocci, preso na Operação Omertà por suspeita de recebimento de R$ 128 milhões em propinas da empreiteira Odebrecht, pediu ao juiz federal Sérgio Moro que autorize o desbloqueio de R$ 79,3 mil da conta de sua empresa, a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira. Os advogados de Palocci alegam que a liberação de parte do dinheiro confiscado por ordem de Moro é destinada ao pagamento de despesas como impostos, salários e vale transporte para os funcionários. A Omertà, 35ª fase da Operação Lava Jato, foi deflagrada no dia 26 de setembro. Nesse dia, Palocci foi preso em regime temporário por cinco dias. No dia 30, Moro converteu em preventiva a prisão do ex-ministro, sob suspeita de agir no interesse da Odebrecht em troca de recursos para o PT e para si próprio — o que é negado com veemência pelos defensores do ex-ministro. Quando autorizou a Omertà, o juiz Moro ordenou o bloqueio de R$ 128 milhões de Palocci e de outros alvos da investigação. O sequestro alcançou a Projeto Consultoria — R$ 30 milhões foram congelados da conta da empresa de Palocci, sediada em São Paulo. Em sua decisão, o juiz destacou que a constrição recairia apenas sobre o saldo do dia constante da conta corrente e/ou aplicações financeiras, "não impedindo, portanto, continuidade das atividades das empresas ou entidades". "Ocorre que a continuidade das atividades da empresa de propriedade (de Palocci) depende do pagamento de diversas despesas operacionais, as quais seguem discriminadas em anexo, e que atingem o montante de R$ 79.358,42", anotam os advogados de defesa. Os defensores pedem "urgência" a Moro e sua autorização para o levantamento dos valores "necessários à sobrevivência da pessoa jurídica".

EUA acusam russos de lançar ciberataques e advertem que responderão

Os Estados Unidos acusaram o governo russo, formalmente, nesta sexta-feira (7), de lançar ataques virtuais contra organizações americanas para interferir nas próximas eleições presidenciais e advertiram que poderão tomar medidas "no momento e lugar" que considerarem convenientes. Em uma conferência conjunta, o Departamento de Segurança Interna e o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional indicaram que os hackers "tentavam com esses roubos e revelações interferir no processo eleitoral dos EUA". "Acreditamos, com base no alcance e na sensibilidade de tais esforços, que apenas funcionários do mais alto escalão da Rússia podem ter autorizado essas atividades", disseram. A declaração foi a primeira acusação oficial por parte de funcionários de Washington contra Moscou em uma série de ciberataques, ainda que muitos analistas afirmassem que os incidentes pareciam ter origem na Rússia. Indicaram que a comunidade de inteligência local "está convencida de que o governo russo lançou a recente espionagem de e-mails de pessoas e instituições dos Estados Unidos, inclusive de organizações políticas americanas". Além disso, a declaração afirma que as revelações de e-mails hackeados pelo WikiLeaks e outros sites da Internet pelo personagem virtual "Guccifer 2.0" eram "consistentes com os métodos e motivações russos". "Essa atividade de Moscou não é nova - os russos utilizaram táticas e técnicas similares ao longo da Europa e Eurásia, por exemplo, para influenciar a opinião pública" desses locais, afirmou. Um alto funcionário assinalou nesta sexta-feira que os Estados Unidos responderão aos ciberataques da Rússia "no momento e lugar" que considerarem convenientes e que essas ações poderão ser encobertas. "Vamos tomar medidas para proteger nossos interesses, inclusive no ciberespaço, e faremos isso no momento e no lugar de nossa escolha", disse esse funcionário, utilizando a linguagem normalmente reservada para as campanhas militares. Algumas horas depois, o Kremlin respondeu as acusações americanas contra a Rússia chamando-as de "lixo". "Outra vez esse tipo de lixo", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov à agência de notícias russa Interfax. "Todos os dias o site de (Vladimir) Putin é atacado por dezenas de milhares de hackers. Muitos desses ataques vêm de território americano, mas não é por isso que nós acusamos a cada vez a Casa Branca ou Langley (quartel-general da CIA)", acrescentou.

Odebrecht Energia vende unidade eólica para o Grupo NC, em Rio Grande

A Odebrecht Energia vendeu sua subsidiária Odebrecht Energias Alternativas, detentora dos ativos de energia do Complexo Eólico Corredor do Senandes, localizado no município de Rio Grande (RS), ao Grupo NC, formado por 10 empresas, entre as quais a farmacêutica EMS e o Grupo RBS de Santa Catarina. Em nota à imprensa, o Grupo NC e a Odebrecht Energia não comentaram sobre os valores envolvidos. Mas a Odebrecht destaca que o complexo de ativos eólicos vendido já está concluído, no qual foram investidos R$ 400 milhões. O complexo passa a ficar sob a marca de negócios NC Energias Renováveis. A efetivação da transação de compra está condicionada à aprovação dos órgãos competentes, principalmente Cade e Bndes.

Temer indica que União não ajudará individualmente o governo do Rio de Janeiro a sair da crise



O presidente Michel Temer reforçou nesta sexta-feira (7) declaração do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que o governo federal não irá socorrer financeiramente o Rio de Janeiro. Ele lembrou que a gestão federal não pode ultrapassar neste ano um déficit de R$ 170,5 bilhões e ressaltou que qualquer ajuda financeira a outras unidades da federação será feita de forma coletiva, não individual. "A União tem as suas naturais dificuldades. Nosso déficit é de R$ 170,5 bilhões e não podemos ultrapassá-lo, embora o desejo seja ajudar os Estados. Se houver um meio que não vulnere o déficit da União e possa ajudar os Estados, nós o faremos. Mas queremos fazer coletivamente", disse. Nesta sexta-feira (7), Meirelles disse que não há espaço para a ajuda financeira de cerca de R$ 14 bilhões, como quer o Rio de Janeiro. Além da questão financeira, o governo federal teme que o repasse de mais recursos ao Rio de Janeiro possa deflagrar uma guerra com governadores nordestinos, que pressionam o presidente a renegociar suas dívidas estaduais. 

Petroleiras querem que governo impeça ANP de aumentar royalties



O Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa as petroleiras no Brasil, quer que o governo impeça a agência reguladora do setor do petróleo, a ANP, de revisar o cálculo para a cobrança de royalties, que tem o potencial para aumentar em mais de 2 bilhões de reais a arrecadação anual do País. A ANP realiza na segunda-feira (10) uma audiência pública para discutir propostas para a revisão dos critérios para a fixação do preço mínimo do petróleo e do gás natural a ser adotado no cálculo das participações governamentais. A medida, que busca adequar uma portaria publicada há mais de 15 anos às condições do mercado internacional de petróleo, deverá elevar os valores a serem pagos ao governo por petroleiras no Brasil. "O governo federal tem, sim, a prerrogativa constitucional de tomar a decisão de suspender esse processo", afirmou o secretário-executivo de Exploração e Produção do IBP, Antônio Guimarães. O executivo ressaltou que uma medida do governo neste caso não seria uma intervenção do governo na ANP, já que cabe a ele resolver sobre política energética. Em sua avaliação, tecnicamente a agência reguladora "está fazendo o trabalho certo", mas o governo precisa zelar pela melhoria do ambiente de negócios no Brasil. Segundo Guimarães, cálculos indicam que a revisão da ANP causará um aumento de 6,5% na arrecadação, o equivalente a R$ 2,2 bilhões a mais por ano. Em janeiro deste ano, o governo chegou a decidir, via resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que a ANP não revisasse o cálculo para cobranças até que o preço da commoditie retornasse aos US$ 50,00 por barril. A decisão ocorreu antes do impeachment de Dilma Rousseff. Na ocasião, o barril de petróleo tipo Brent operava em torno de US$ 32,00. Entretanto, uma ação impetrada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que a ANP tivesse o aval para continuar o processo. A ação do Rio foi motivada pela busca por aumento da arrecadação, em meio aos baixos preços do petróleo, que reduziram sua receita. Hoje, apesar do petróleo estar novamente operando em torno dos US$ 50,00 por barril no mercado internacional, Guimarães pontuou acreditar que, "do ponto de vista de atratividade do país, nada mudou". Em nota, a ANP afirmou que a minuta de resolução sobre o tema foi colocada em consulta pública depois de quase um ano de estudos, análises, reuniões com concessionárias, beneficiários, agências de informação de preços, entre outros agentes econômicos e sociais. 

Famoso ex-governardor e ex-senador anti-petista Mão Santa ressurge, vence PT e governará cidade no Piauí

Após uma série de derrotas políticas consecutivas no Piauí, o ex-governador Francisco de Assis de Moraes Souza, o Mão Santa (SD), voltou a ter um mandato, derrotando o PT, seu ferrenho adversário. No último domingo (2), Mão Santa foi eleito em votação apertada o novo prefeito de Parnaíba, a segunda maior cidade do Estado do Piauí, com 35.585 votos, ou 45,53% dos válidos. O prefeito Florentino Neto (PT), que tentava reeleição e tinha o apoio do governador petista Wellington Dias, obteve 44,09% (34.462 votos).  Apesar de a campanha do candidato ter sido marcada por restrições — como só ter o PSL em sua coligação, fazer a campanha a pé nas ruas e ter somente 35 segundos no horário eleitoral —, houve tempo para mais uma polêmica. Mão Santa veiculou um vídeo na TV em que o presidente Michel Temer pedia votos para ele. Era, no entanto, um vídeo gravado em 2012, quando ele foi candidato, derrotado, ao mesmo cargo. Mão Santa ganhou destaque nacional quando em 2001 se tornou o primeiro governador cassado no País por abuso do poder econômico. No ano seguinte, sempre alegando ser injustiçado, o piauiense foi eleito senador pelo PMDB. 


De 2004 até a 2014, no entanto, disputando ou apoiando a mulher, Adalgisa Moraes Souza, e o filho, Francisco de Assis de Moraes Souza Júnior, o Mão Santinha, ele perdeu seis eleições. A pior das derrotas ocorreu há dois anos, ao disputar pelo PSC o cargo de governador e ter obtido só 1,55% dos votos. "Expulsamos os portugueses do Piauí e agora o PT. Foi Deus que me ajudou, pois ninguém gosta de quem mente e rouba e o PT faz as duas coisas", disse o prefeito, sobre a vitória na eleição municipal. A vitória, ainda que apertada, pode significar o renascimento de Mão Santa, que era apontado por rivais como alguém "no fundo do poço", também por ter passado por inúmeras siglas desde a cassação. Do PMDB, foi para o PSC, mas rompeu com líderes do partido e se filiou ao SD. Ao assumir a prefeitura de Parnaíba em 1º de janeiro de 2017, Mão Santa terá que se relacionar com o governo do Estado, que é administrado pelo PT. Sobre essa relação, ele afirmou ser "democrata". "Sou democrata e Wellington Dias é governador de todos. É uma pessoa civilizada e deve respeitar o resultado das eleições".

Governo argentino volta a aumentar preço do gás no país após bloqueio


Depois de dezenas de protestos nas ruas argentinas e de uma decisão da Corte Suprema que bloqueou o aumento do gás, o governo de Mauricio Macri voltou a aumentar, nesta sexta-feira (7), o preço do combustível. Segundo o ministro de Energia, Juan José Aranguren, a nova tarifa é, em média, 72,6% inferior à que havia sido fixada em abril e que foi anulada pela Justiça. Em junho, consumidores reclamaram que as contas haviam chegado com altas de 1.000% em comparação aos valores cobrados no início do ano. 


O incremento determinado nesta sexta-feira foi possível porque o governo realizou uma audiência pública nacional para debater o assunto, conforme os magistrados haviam exigido. Para os usuários que consomem menos gás, a alta será de no máximo 300%. A elevação poderá chegar a 400% no caso dos que gastam mais e a 500% em estabelecimentos comerciais. Em média, o governo calcula que o ajuste será de 203%.  O aumento da tarifa é essencial para a política econômica de Macri, que pretende reduzir o déficit fiscal por meio desse reajuste e ampliar os investimentos no frágil setor energético argentino. Ao mesmo tempo, ele havia se tornado uma das principais fontes de descontentamento da população. Em manifestações, os argentinos pediram a cabeça do ministro de Energia. O programa de retirada de subsídios a serviços básicos, como energia, gás e transporte, começou no fim de janeiro. Essas ajudas financeiras haviam sido implantadas durante o kirchnerismo (2003-2007) e elevado os gastos do Estado.

Petrobras decide fechar usina de biodiesel no Ceará que limitar prejuízo



A Petrobras informou nesta sexta-feira (7) que decidiu fechar a usina de biodiesel de Quixadá, no Ceará, no dia 1º de novembro. A decisão já foi comunicada a empregados, sindicatos, clientes e fornecedores e, segundo a estatal, está em linha com os planos de sair do setor de biocombustíveis. "Considerando que de acordo com as projeções, não haveria uma solução para a usina em curto prazo e sem novos investimentos, o Conselho de Administração da Petrobras Biocombustível optou por encerrar a produção de biodiesel no Ceará e assim focar recursos em projetos com maior rentabilidade", disse a empresa, em nota. A desmobilização das operações levará cerca de seis meses. Os empregados da unidade serão realocados em outras operações da estatal. As operações das unidades de Montes Claros (MG) e Candeias (BA) serão mantidas, enquanto a companhia busca alternativas para essas unidades. No plano de negócios divulgado no mês passado, a estatal anunciou que sairá do negócio de biocombustíveis. A idéia é tentar vender as unidades. Criada em 2008, a Petrobras Combustíveis vem dando seguidos prejuízos à estatal. Em 2015, a perda foi de R$ 955,8 milhões.

Ex-juiz Rocha Mattos está preso na Polícia Federal em São Paulo



O ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, acusado de comandar uma organização que negociava decisões judiciais, está preso na sede da Polícia Federal no bairro da Lapa, em São Paulo, desde quarta-feira (5), informou a Polícia Federal nesta sexta-feira (7).  Segundo o Ministério Público Federal, Rocha Mattos foi preso após ser condenado em última instância por peculato, configurado quando um funcionário público comete crime contra a admnistração. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça emitiu um mandado de prisão contra o ex-juiz e, na ocasião, ele não havia sido encontrado, levantando suspeitas sobre uma possível fuga. A ordem de prisão, porém, foi revogada por um juiz dias depois em resposta a um recurso de Rocha Mattos. No mandado de junho, o tribunal atendeu a pedido do Ministério Público Federal para que tivesse início o cumprimento da pena imposta pela prática do crime de lavagem de dinheiro, tendo por fundamento decisão recente do plenário do Supremo Tribunal Federal que admite que o réu vá preso após condenação em segundo grau. Na última quarta, o Supremo voltou a tomar uma decisão nesse sentido.  A Justiça Federal de São Paulo reconheceu que o ex-juiz participou de quadrilha voltada à prática de prevaricação, corrupção, fraude processual, tráfico de influência, peculato e lavagem de dinheiro, dentre outros crimes. Em 2003, Rocha Mattos foi alvo da Operação Anaconda, sendo acusado de vender sentenças. Ele tem outras condenações na Justiça e chegou a passar oito anos na cadeia, mas foi colocado em liberdade em 2011. No julgamento, o ministro Luiz Fux defendeu que o ex-juiz abusou de recursos e agia com o intuito de protelar o início do cumprimento da pena e chegar até mesmo a prescrição da punição. Fux tachou a defesa de incansável, pela grande quantidade de recursos apresentados. Segundo o ministro, "o recorrente (Rocha Mattos) tenciona obter a protelação do feito para obstar a formação da coisa julgada e atingir a prescrição mediante o artifício da interposição de inúmeros recursos inadmissíveis". Neste caso, em 2006, o ex-juiz foi condenado a 8 anos e 5 meses de prisão pelos crimes de falsidade ideológica, peculato e prevaricação. A sentença foi do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo. Um recurso no Superior Tribunal de Justiça reduziu a punição, caindo para seis anos e três meses. Para os ministros do tribunal, o TRF aplicou de forma errada agravantes para o aumento da pena. Rocha Mattos também já foi condenado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção passivas. Em 2015, R$ 77,5 milhões foram repatriados, sendo que haviam sido transferidos ilegalmente para a Suíça por Rocha Mattos.

Lava-Jato recusa delação de executivo propineiro Alexandrino Alencar, da Odebrecht, que viajava com Lula


A Procuradoria-Geral da República recusou a proposta de delação do executivo proprineiro Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht que acompanhava Lula nas viagens pelo Exterior no jatinho da empresa. Os procuradores consideraram as informações prestadas por Alexandrino Alencar "inconsistentes" para produzir algum tipo de benefício penal a ele. Não foi só a de Alexandrino Alencar que foi recusada. Outros cinco executivos também tiveram as negociações interrompidas pelo mesmo motivo. O executivo propineiro Alexandrino Alencar ao menos poderá contar com as visitas na prisão do amigo publicitário gaúcho Alfredo Fedrizzi, da agência Escala, não é mesmo?

Suíte no Hotel Windsor, em Brasília, tornou-se o quartel general da delação da Odebrecht na Operação Lava Jato


O empresário Emílio Odebrecht, patriarca do grupo Odebrecht, se reuniu ao longo da semana na cobertura do Windsor Plaza Brasília com os advogados que participam das negociações daquela que pode se tornar a mais explosiva delação premiada da Operação Lava Jato, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. Da janela, em reuniões que entram madrugada adentro, regadas a água, café e vinho branco, os participantes podiam avistar o lugar onde tudo começou, dois anos e sete meses atrás: o Posto da Torre, que deu nome à operação e levou a Polícia Federal até a contabilidade secreta do doleiro Alberto Youssef. No Windsor, Emílio permanecia o tempo todo com a filha Mônica e o marido dela, Maurício Ferro – responsável pela área jurídica do conglomerado -, e Newton de Souza, atual presidente do grupo. São eles que ditam os rumos da tentativa de acordo com a Procuradoria-Geral da República, para que Marcelo, filho de Emílio, e cerca de 50 executivos confessem seus crimes em troca de punições menores. A cena se repetiu várias vezes ao longo da semana e foi acompanhada pela equipe do jornal, hospedada no Windsor. A Odebrecht alugou espaços para reuniões e quartos para as cerca de 20 pessoas que participaram das negociações na sede da PGR. Além do local para as conversas internas, o grupo ocupava um lounge anexo, onde permaneciam duas secretárias prontas para resolver qualquer problema de logística dos presentes, e um refeitório com TV e buffet variado. O acesso ao buffet está disponível a qualquer hóspede mediante o pagamento de uma taxa extra. O Windsor Plaza transformou-se em um “bunker” da empreiteira número 1 da América Latina, que tenta fechar um dos maiores acordos judiciais já assinado no mundo – o Ministério Público quer impor uma multa de ao menos R$ 6 bilhões. Marcelo, que era presidente do grupo até sua prisão, um ano e quatro meses atrás, e os executivos estão dispostos a contar os bastidores da distribuição de milhões de reais em propina para “conquistar” obras e apoio político nos governos federal, estaduais e municipais e outros ilícitos cometidos em diversos outros países. Em contrapartida, além de terem as penas de seus executivos diminuídas, a empresa tenta virar a página dessa história que a arrastou para um dos maiores escândalos de corrupção do mundo. Os advogados são orientados a manter sigilo sobre a negociação e, principalmente, o conteúdo dos depoimentos. As negociações não têm sido fáceis e o clima de tensão domina a cobertura do hotel. Descontração apenas em alguns momentos, como o da quinta-feira à noite, quando os advogados e Emílio esqueceram o trabalho por minutos para acompanhar a goleada da seleção brasileira sobre a Bolívia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. “Nunca na minha vida achei que ia ter que negociar assim”, comentava uma advogada com os colegas, enquanto o Brasil marcava seu segundo gol e iniciava a primeira goleada da era Tite. Nesse mesmo dia, Emílio ficou das 18 horas até perto de meia-noite entre uma conversa e outra. Parou só para pedir uma salada caprese – sem folhas, mas com reforço na muçarela de búfala – e conferir o placar do jogo do Brasil. Segundo o jornal, uma das negociações mais duras envolve Marcelo Odebrecht. Investigadores consideram que o caso do mais poderoso e rico dos executivos presos na Lava Jato deve servir de exemplo contra a impunidade. Exigem mais quatro anos de regime fechado para o ex-presidente da empresa, à frente da companhia entre 2009 e 2015, e responsável pela criação do setor de operações estruturadas – popularmente conhecido como departamento da propina. A meta dos advogados coordenados pelo criminalista Theodomiro Dias Neto, o Theo Dias, é convencer os investigadores de que o executivo já passou muito tempo na prisão e tentar reduzir a pena de reclusão para dois anos e meio – já descontado o ano e quatro meses cumprido na carceragem da Polícia Federal de Curitiba. A delação de Marcelo, mais do que qualquer outra, provoca terror no meio político com potencial para derrubar líderes que ainda se sustentam após dois anos e sete meses de investigação ininterrupta. Enquanto bebia um vinho, um dos advogados previa muitas operações após o acordo. Os executivos têm sido divididos em faixas pela PGR, por características comuns dos crimes. Marcelo tem uma faixa única. E seu pai concentra todos os esforços em Brasília para diminuir o tempo do filho atrás das grades. “Minha mãe pediu para nós dois, eu e meu pai, não viajarmos no mesmo avião. Mas meu pai não vai embora antes, ele não vai embora deixando a gente aqui”, dizia Mônica aos advogados, na manhã de ontem, quando todos fizeram as malas para deixar Brasília, ainda sem conseguir assinar o acordo de Marcelo. “Na manhã foi ruim. Mas à tarde, dado o contexto, foi bom”, comentava um advogado recém-chegado das conversas com procuradores aos colegas, no início da noite de anteontem. Nem todos sentam à mesa de negociação com o grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um dos que encararam negociações de madrugada chegou faminto para o café da manhã do hotel. “Eu não jantei.” Depois explicou: “Se você negocia só um é fácil. Se você negocia 50, cada um tem um caso. ‘Olha, minha mãe está doente’, ‘meu filho é menor de idade’…”, disse ao dar as justificativas dos executivos aos investigadores para terem suas penas reduzidas. No total, 53 executivos negociam a colaboração. Anteontem, pelo menos 15 casos teriam sido fechados segundo as conversas dos presentes no último andar do hotel. Entre eles, o do ex-diretor financeiro da empresa César Ramos Rocha. Com seu acordo fechado e com um envelope pardo com logo oficial em mãos, o executivo se preparava para chegar a um acordo com uma pena de oito meses. Embora estivesse prevista para ontem, a assinatura de todos os acordos ainda deve levar ao menos mais uma semana. Há casos considerados mais simples, como o de Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e outros, emperrados. Uma das negociações travadas é a de Alexandrino Alencar. Ele foi diretor de Relações Institucionais da empresa e vice-presidente da Braskem. Alencar tinha contato direto com líderes políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal. Por isso, é pressionado a entregar mais informações. As conversas refletem a quantidade de advogados atuantes na negociação, vindos de bancas criminalistas de São Paulo, Rio, Paraná, Brasília e do corpo jurídico da própria empreiteira, que tem sede na Bahia. Apesar da diversidade de advogados, o objetivo é um só e transparece na frase mais ouvida nas conversas travadas na cobertura do Windsor Plaza: “Virar a página da empresa”. Para isso, Emílio negocia, advogados estendem reuniões na Procuradoria-Geral da República e a irmã de Marcelo pede a uma das integrantes da equipe: “Não vamos desistir agora”