domingo, 30 de outubro de 2016

Gean Loureiro é eleito prefeito de Florianópolis com 50,26% dos votos


Gean Loureiro será o prefeito de Florianópolis pelos próximos quatro anos. O candidato do PMDB foi eleito neste domingo ao derrotar a ex-prefeita Angela Amin, do PP, em segundo turno. Ele recebeu 50,26% dos votos válidos enquanto Angela teve 49,74%. A diferença foi de 1.153 votos, a mais apertada entre todas as capitais do País. Em números absolutos, Gean recebeu 111.943 votos. Já Angela Amin foi a escolha de 110.790 eleitores. A abstenção foi 16,18%, o equivalente a 51,181 pessoas. O número de votos brancos foi de 10.358 (3,91%), enquanto os eleitores que anularam chegaram a 31.988 (12,07%). No primeiro turno, Gean havia liderado a disputa, com 40,39% dos votos válidos, ao passo que Angela fez 24,79%. Eles derrotaram Elson Pereira (PSOL), Murilo Flores (PSB), Angela Albino (PCdoB), Mauricio Leal (PEN) e Gabriela Santetti (PSTU). Atualmente deputado estadual, Gean Loureiro havia sido derrotado por Cesar Souza Junior, que desistiu de concorrer à reeleição, no segundo turno da campanha de 2012. Ele foi vereador por cinco mandatos, sendo presidente da Câmara durante a gestão do hoje senador Dário Berger. Gean também foi presidente da Fatma por um ano e suplente de deputado federal. Na apuração, o candidato do PMDB começou na frente, porém, com 30,58% dos votos, a ex-prefeita saltou à frente. A situação permaneceu assim até a última parcial, quando Angela liderava por 1,497 votos. Apenas com 100% dos votos apurados foi possível descobrir o vencedor. 

Donald Trump está rigorosamente empatado com a comunista democrata Hillary Clinton


A diferença entre Donald Trump e Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca diminuiu, como apontam as últimas pesquisas, após a reabertura de investigação do FBI sobre o uso de um servidor privado por parte da candidata democrata quando era secretária de Estado. A nove dias da eleição presidencial, uma pesquisa da ABC News/Washington Post divulgada neste domingo dá apenas um ponto percentual de vantagem a Hillary sobre seu oponente republicano – 46% contra 45%. A enquete também inclui o candidato libertário, Gary Johnson, e a candidata verde, Jill Stein. Na Flórida, Trump agora ultrapassa Hillary, com 46% contra 42%, segundo pesquisa do The New York Times Upshot/Siena College Research Institute. Na última enquete do site RealClearPolitics, a democrata ostenta uma pequena vantagem de 3,4 pontos sobre o candidato republicano em nível nacional. Embora as pesquisas continuem prevendo a vitória da ex-secretária de Estado, Trump não perdeu tempo, fazendo um grande alarde neste domingo sobre os novos percentuais. "Agora estamos liderando em muitas pesquisas, e muitas delas foram realizadas antes que se anunciasse a investigação criminal na sexta-feira", tuitou o candidato. Na última sexta-feira, o diretor do FBI, James Comey, anunciou a reabertura da investigação – que havia sido arquivada em julho – sobre o uso de um servidor privado quando Hillary era secretária de Estado, diante da descoberta de novos e-mails. 

Tucano Jorge Pozzobom derrota PT e PMDB em Santa Maria, na disputa mais acirrada do Brasil


A disputa mais acirrada no segundo turno das eleições municipais de 2016 ocorreu em Santa Maria, município da região central do Rio Grande do Sul. O candidato Jorge Pozzobom (PSDB) foi eleito com 50,08% dos votos: uma diferença de apenas 226 votos para o adversário, Valdeci Oliveira (PT), que foi escolhido por 49,92% dos eleitores. Pozzobom começou a apuração dos votos com uma folga maior em relação a Oliveira e manteve uma diferença de cerca de 2 mil votos durante a maior parte do tempo, liderando a apuração até o final. O petista diminuiu a diferença e chegou a ficar a apenas 108 votos atrás do tucano. A apuração dos últimos votos garantiu a vitória ao candidato Pozzobom, que obteve 73.003 votos. Oliveira teve 72.777. 

Yeda Crusius deverá assumir a vaga de Nelson Marchezan Jr na Câmara Federal


A eleição de Nelson Marchezan Junior (PSDB) como prefeito de Porto Alegre abre caminho para a volta ao cenário político nacional da ex-governadora do Rio Grande do Sul,  Yeda Crusius, do mesmo partido. A economista Yeda é suplente de Marchezan. Ela recebeu 71.794 votos nas eleições de 2014 e acabou na primeira suplência do PSDB, na Câmara Federal. Marchezan fez, na ocasião, 119.375 votos. Os dois são adversários internos no partido. Yeda, de 72 anos, é filiada desde 1990 ao PSDB. Foi eleita deputada federal pela primeira vez em 1994, quando obteve 104.295 votos. Foi reeleita em 1998 e em 2002. Foi também candidata a prefeita de Porto Alegre - tirou segundo lugar, em 1996 - e acabou se elegendo governadora do Rio Grande do Sul em 2006. Ela tentou a reeleição em 2010, mas não conseguiu permanecer no cargo. 

Eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou nulo, foram mais do que os votos dados a Marchrezan Junior; portoalegrense é alienado


Em Porto Alegre, 402 mil eleitores escolheram Nelson Marchezan Júnior e 262 mil optaram pelo vice-prefeito, mas o maior contingente preferiu mesmo não votar neles. A soma de abstenções, brancos e nulos passou de 433 mil — 30 mil pessoas a mais do que as que elegeram prefeito o candidato do PSDB. Em comparação com eleições anteriores, foi uma disparada histórica na proporção dos que não votaram em nenhuma das duas opções disponíveis. Uma em cada quatro pessoas habilitadas (25,2%) sequer compareceu à seção eleitoral, sete pontos percentuais acima do registrado no segundo turno de 2012 e praticamente o dobro dos ausentes em 2000. Foram 277 mil abstenções — mais do que o número de votos do atual vice-prefeito. O índice dos que se deram ao trabalho de comparecer diante da urna e não selecionar nenhum dos dois candidatos foi o maior desde 2000. Os nulos representaram 13,36% (109 mil pessoas), contra 4,83% na eleição anterior. Os brancos pularam de 4,57% para 5,67% (46 mil). Uma das expectativas da votação tinha relação com a proporção dos votos nulos. Com a exclusão de candidatos da esquerda da disputa, os eleitores desse campo passaram as últimas semanas em um debate ferrenho sobre como se comportar diante da urna. O voto nulo avançou, mas não de forma tão acentuada: cresceu de 8,88% para 13,36% do primeiro para o segundo turno. Porto Alegre teve uma quantidade histórica de nulos, brancos e abstenções, mas não foi um caso isolado no país. O segundo turno foi marcado pela indiferença ou o protesto dos eleitores em outras metrópoles importantes. No Rio de Janeiro, os índices foram superiores aos da capital gaúcha. Os votos em branco ficaram ligeiramente abaixo (4,85% contra 5,67%), mas os cariocas optaram com muito mais avidez pela anulação ou a abstenção. Deixaram de comparecer à urna, na Cidade Maravilhosa, 26,85% dos eleitores. Os nulos foram 15,90%. No total, mais de 2 milhões de habilitados a votar não escolheram nenhum dos candidatos — 300 mil a mais do que a votação do vencedor, Marcelo Crivella (PRB). 

O tucano Artur Virgilio Neto é reeleito com grande folga em Manaus

O ex-senador tucano Artur Virgílio Neto, de 70 anos, foi reeleito prefeito de Manaus. Com o resultado, o PSDB mantém o controle das duas maiores cidades do Norte _o partido também venceu em Belém. Com todas as urnas apuradas, o prefeito manauara obteve 56% dos votos válidos, contra 44% para o ex-deputado estadual Marcelo Ramos (PR), de 43 anos. "É a festa do coração cheio de vontade de trabalhar muito pra ver essa cidade linda se tornar cada vez melhor para todo o seu povo", escreveu o tucano, em sua página no Facebook. A disputa do segundo turno se deu entre os grupos mais tradicionais da política amazonense. O ex-senador Virgílio Neto obteve o terceiro mandato como prefeito de Manaus – venceu a primeira eleição municipal em 1988. É filho e pai de deputado federal – o também tucano Arthur Bisneto. O tucano contou com o apoio do ex-governador e senador Eduardo Braga (PMDB), um antigo adversário político. Em 2010, quando não se reelegeu senador, Virgílio Neto acusou o peemedebista de comprar votos, chamando-o de "mandante da maior fraude eleitoral do Estado do Amazonas". Além do atual governador, José Melo (Pros), Ramos foi apoiado pelo deputado federal e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR), pelo senador e ex-governador Omar Aziz (PSD) e pelo ex-governador e ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT).

Só uma mulher é eleita nas 57 cidades com 2º turno para prefeito


Somente uma mulher conseguiu se eleger nas 57 cidades onde foi disputado o segundo turno: Raquel Lyra (PSDB), em Caruaru (PE), com 53,15% dos votos válidos, contra 46,85% de Tony Gel (PMDB). Entre capitais, nenhuma mulher saiu vitoriosa neste domingo, 30. Em Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB) teve uma vitória apertada sobre a candidata do PP, Angela Amim, que obteve 49,74% dos votos. Em Campo Grande (MS), Rose Modesto (PSDB) ficou com 41,23% dos votos, contra 58,77% do prefeito eleito Marquinhos Trad (PSD). Não fosse a vitória em primeiro turno de Teresa Surita (PMDB) em Boa Vista (RR), com 79,39% dos votos, nenhuma capital seria governada por uma mulher. Esta será a quinta vez que Surita, ex-mulher do senador Romero Jucá, comandará a prefeitura da capital de Roraima. Sua primeira vitória foi em 1992. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 637 mulheres que se elegeram prefeitas no primeiro turno, de um total de mais de 5 mil cidades. Nas eleições municipais deste ano, 158.445 mulheres se candidataram para cargos no legislativo e no executivo. Para as prefeituras, foram 2.148 concorrentes do sexo feminino em todo o País.

Nelson Marchezan Junior venceu em todas as zonais de Porto Alegre


O prefeito eleito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), venceu seu adversário no segundo turno, o atual vice-prefeito (PMDB), em todas as zonas eleitorais da cidade. O desempenho do tucano foi melhor do que na primeira etapa da eleição, quando havia saído vitorioso em seis das 10 regiões em que o Tribunal Regional Eleitoral divide a capital gaúcha. O prefeito eleito conseguiu virar o resultado do primeiro turno sobre o vice-prefeito nas zonas 158ª (região do Sarandi e Rubem Berta), 114ª (que engloba bairros do centro-sul, como Menino Deus, Teresópolis, Cristal, Nonoai e Belém Velho), 159ª (Lomba do Pinheiro e imediações) e 161ª (extremo-sul da cidade). O percentual mais alto de votos válidos alcançado pelo peemedebista foi na 114ª zona, onde teve 45,26% da preferência do eleitorado. A área em que Nelson Marchezan obteve os melhores índices se concentrou, no turno decisivo da eleição, em bairros localizados na faixa centro-norte do município. A 111ª zona concentrou o maior percentual de votos válidos em favor do novo prefeito de Porto Alegre, com 67,8%. Essa região abrange bairros de diferentes perfis socioeconômicos — mas congrega alguns dos locais de maior renda per capita da cidade, como Bela Vista, Mont'serrat e Três Figueiras. Inclui ainda bairros como Auxiliadora, Boa Vista, Chácara das Pedras e Passo D'Areia. 

Com eleitor descrente, votos brancos e nulos batem recorde no segundo turno

O percentual dos que decidiram anular ou votar em branco no segundo turno, no domingo (30), foi o maior registrado desde as eleições municipais de 2000: 13,3% em todo o país, segundo dados preliminares do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em 2012, o índice foi de 9,2%.  Em algumas cidades, essa parcela do eleitorado foi tão significativa que se assemelhou à diferença entre o candidato vencedor e o segundo colocado. No Rio, Marcelo Crivella (PRB) elegeu-se com 59,36% da preferência dos eleitores, enquanto 40,64% votaram em Marcelo Freixo (PSOL). Os 536,6 mil votos que separaram os dois candidatos são menos do que os 719,3 mil eleitores que não digitaram nem o dez (de Crivella) nem o 50 (de Freixo) nas urnas, mas resolveram votar em branco ou anular. O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da FGV/EAESP, destaca ainda o índice de abstenção no pleito carioca, de 26,89%. Somando-se o número aos que votaram em branco ou nulo, o resultado indica que quase metade (47,03%) do município não respaldou nenhum dos dois candidatos. No caso do Rio, entra também na conta o fato de os eleitores precisarem escolher entre o que o acadêmico vê como "candidaturas antagônicas". "Uma delas considerada representante do fundamentalismo religioso. A outra, ideológica. Houve um vazio ao centro", afirma o cientista político. "Qualquer candidato que ganhasse já tomaria posse sob uma desconfiança muito grande. [Quase] metade da cidade não escolheu nenhum dos dois." Em Belo Horizonte, onde a disputa, para Teixeira, ficou entre "outsiders" da política em uma campanha de "nível horrível", os números de não votantes foram parecidos com os do Rio. Brancos e nulos somaram 20,37% dos votos e as ausências chegaram a 22,77%.  A capital mineira elegeu Alexandre Kalil (PHS), ex-presidente do Atlético Mineiro. Parte da população votou após o recadastramento biométrico, que garante maior precisão ao excluir mortes não reportadas ao TSE e a mudança de cidade do eleitor. Diferente do Rio, onde a transição só ocorre em 2018 e os dados atuais de abstenção podem estar inflados. Entre seculares e religiosos, nesta eleição os grandes vencedores foram os descrentes. Trata-se de uma tendência que já apareceu no primeiro turno, em 2 de outubro, quando 13,18% dos votantes em todo o país lavou as mãos e preferiu não dar o voto a nenhum dos candidatos na disputa. Os resultados finais do domingo reforçam a mensagem de descontentamento da população com seus governantes, em quem perderam a confiança. Agora, três anos depois das manifestações de 2013, quando se intensificou a insatisfação política, o discurso do "não me representa" parece ter se traduzido pelas urnas. "Quando quase 30% da população que não vota [somando brancos, nulos e abstenções], chega-se a um patamar grave", diz Teixeira. Na avaliação do cientista político, exige-se de vencedores e derrotados uma "reflexão profunda".  "Senão, vamos passar a ter governos eleitos em nome de parcela pequena da sociedade", diz Teixeira. "A democracia depende da legitimidade. Se as pessoas se recusam a participar, o processo fica enfraquecido."

PMDB encerra ciclo de 20 anos do PT em Vitória da Conquista

O radialista Herzem Gusmão (PMDB) foi eleito prefeito de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, derrotando o deputado estadual José Raimundo (PT). Com 100% das urnas apuradas, Gusmão teve 57,58% dos votos contra 42,42% do adversão petista. A vitória de Gusmão, que é aliado do ministro Geddel Vieira Lima, encerra um ciclo de duas décadas do PT frente a prefeitura de Vitória da Conquista. A cidade dividia com Pintadas, também na Bahia, o título de reduto mais antigo do PT no Brasil. Os petistas, contudo, foram derrotados nas duas cidades. Vitória da Conquista tornou-se uma das principais vitrines do PT em meados dos anos 1990 com a primeira eleição do atual prefeito Guilherme Menezes para o cargo. Em sua gestão, Menezes quando implantou na cidade bandeiras históricas do partido como o orçamento participativo, além de uma rede do programa Saúde da Família que se tornou referência no Estado. "O que fica é um sentimento de gratidão à população pelos cinco mandatos que tivemos aqui. Acredito que a conjuntura nacional influenciou no resultado e era natural que outro projeto fosse vencedor", afirma Guilherme Menezes à Folha. A derrota do PT em Vitória da Conquista também representa um revés para o governador da Bahia Rui Costa (PT), que foi derrotado nas quatro maiores cidades da Bahia. No primeiro turno, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) foi reeleito com 74% dos votos. O DEM também venceu em Feira de Santana e Camaçari.

"Chora, capeta!", diz pastor Silas Malafaia sobre vitória de Crivella no Rio de Janeiro


Em sua conta no Twitter, o pastor Silas Malafaia comemorou a vitória de Marcelo Crivella (PRB) para a prefeitura do Rio com uma série de posts provocando os eleitores do derrotado Marcelo Freixo (PSOL) e veículos de comunicação. "Cambada de esquerdopatas se ferraram, tomaram uma lavada histórica. Calados!", escreveu Malafaia, logo após o resultado da apuração, completando a mensagem com "muito kkkkk". Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella venceu as eleições com 59,36% dos votos válidos. "Crivella venceu a intolerância, preconceito, manipulação jornalística, e o melhor, a esquerda comunista", continuou Malafaia, que é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. No primeiro post após o resultado, escreveu "Chora Capeta! Chora Freixo!", provocando ainda o PSOL, o PT, o jornal O Globo e a revista Veja, que publicaram nas últimas reportagens consideradas prejudiciais pela campanha de Crivella. Por volta das 21h, voltou a provocar, perguntando se "a essa hora tem um pessoal na Lapa fumando maconha para tentar curar a ressaca".

Lula e Dilma dão uma banana para a democracia e não vão votar; e ainda há bobo que faz vigília…

Dois ex-presidentes, ambos favoráveis ao voto obrigatório, ignoram o segundo turno porque seus respectivos candidatos nem o disputavam

Por Reinaldo Azevedo - Quem é petista e não se beneficiou das maracutaias lideradas pelo partido não deve ser bandido — embora possa gostar de bandidos… Mas uma coisa é certa: é trouxa. Por que afirmo isso? Nem Lula nem Dilma compareceram para votar neste domingo, embora tenha havido segundo turno nas cidades de seus respectivos domicílios eleitorais: São Bernardo do Campo e Porto Alegre. Sendo quem são, trata-se de uma óbvia manifestação de desrespeito pelo processo eleitoral. Só não compareceram porque ambos já haviam sido derrotados nas suas cidades. Na mítica capital do sindicalismo petista, berço político de Lula, Tarcísio Secoli, candidato do PT, ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 22,57%. O segundo turno foi disputado por Orlando Morando, do PSDB, que ficou com 45,07% na primeira jornada, e Alex Manente, do PPS, com 28,41%. O tucano venceu. É claro que, houvesse um companheiro na reta final, o Apedeuta lá estaria. Dilma também deu de ombros para a eleição, não quis nem saber. Ela vota em Porto Alegre. Do mesmo modo, na capital gaúcha não sobrou esquerdista para a etapa final. Nelson Marchezan Jr., que venceu, do PSDB, enfrentou Sebastião Mello, do PMDB. Raul Pont, do PT, obteve apenas 16,37% dos votos. A outra esquerdista da turma, Luciana Genro (PSOL), que chegou a liderar a disputa, obteve apenas 12,06% e ficou em quinto lugar. A ex-presidente preferiu se mandar para a sua terra natal, Belo Horizonte, onde também não teria candidato. Reginaldo Lopes, do PT, teve desempenho de candidato nanico na primeira jornada: 7,27%. Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB) rejeitaram, obviamente, o apoio do PT. Vamos lá: eu sou contra o voto obrigatório. Acho que tem de acabar. Mas Lula e Dilma são favoráveis. Dois ex-presidentes que deixam de comparecer ao segundo turno porque não têm candidato evidencia que eles só respeitam resultado em que são vencedores. Bem, já sabíamos disso. Segundo o Inciso II do 1º Parágrafo do Artigo 14 da Constituição, Lula não é obrigado a votar porque já tem mais de 70 anos. Mas Dilma ainda tem 68. Só para lembrar: o voto também não é obrigatório para analfabetos e pessoas entre 16 e 18 anos. Ocorre que a questão, obviamente, não é de natureza legal apenas. Antes de mais nada, é política. Sendo quem são, deveriam demonstrar subordinação às regras do jogo… Bem, não seria agora que a dupla demonstraria seu amor ao Estado de Direito, não é mesmo? Fico aqui pensando naqueles, com todo respeito, bobões que ficam fazendo vigília em frente à casa de Lula ou que foram às ruas para defender o mandato de Dilma. Eis o que ganham em troca: uma solene banana. Ainda que a dupla pudesse argumentar que iria anular o voto, pouco importa. Deveria ter demonstrado que aceita as regras do jogo. Como se vê, não aceita. Para o PT, só um resultado é legítimo: a vitória do partido. Ou eles gritam: “golpe!”.

Rafael Greca promete usar papa como modelo


Depois de dizer que não é São Francisco de Assis para cuidar dos pobres, Rafael Greca (PMN), candidato eleito à prefeitura de Curitiba, disse neste domingo que vai usar o papa Francisco “como modelo” em sua gestão. “Espero fazer um serviço público transparente, usar a verdade como método. E usar o papa Francisco como modelo”, disse Greca, após sua vitória. Em 22 de setembro, ele deu uma declaração um tanto diferente e infeliz, que fez com que ele caísse nas pesquisas eleitorais. “Eu nunca cuidei dos pobres, eu não sou São Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que tentei carregar um pobre e pôr dentro do meu carro eu vomitei por causa do cheiro”, afirmou, durante sabatina promovida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e o jornal Bem Paraná. Neste domingo, Greca conseguiu 53,38% do total dos votos, enquanto Ney Leprevost (PSD) amealhou 46,62%. Questionado sobre o alto índice de nulos e abstenções (que somaram 15,8%), Greca disse que esses eleitores são "órfãos das antigas bandeiras que a Lava Jato pulverizou” e que tem o dever de “reencantar essas pessoas com a política”. O prefeito eleito também disse que vai começar já nesta segunda-feira e que terá como prioridade a saúde. Ele ainda criticou a gestão de Gustavo Fruet (PDT) ao dizer que saiu “espancado pelos buracos” das ruas de Curitiba no sábado, quando fez uma carreata por 75 bairros da cidade. “Até passei Cataflam na barriga”, brincou.

Crivella reza, canta e samba ao comemorar vitória no Rio de Janeiro


Em seu primeiro discurso como prefeito eleito do Rio de Janeiro com 59% dos votos, Marcelo Crivella (PRB) agradeceu a Deus, a pastores e chegou a rezar um “Pai Nosso” em Bangu, zona oeste da cidade. “Quero agradecer também aos umbandistas, kardecistas, aos que não têm religião, aos agnósticos e aos ateus”, disse. Evangélico e bispo licenciado da Igreja Universal, o senador também fez questão de demonstrar sua gratidão ao apoio da Igreja Católica. Crivella discursou após a apuração dos votos na sede social do Bangu Atlético Clube, acompanhado de sua mulher, Sylvia Jane, do vice, Fernando MacDowel, e de políticos aliados. “Quero agradecer a Deus, a minha família querida e meus companheiros que marcharam ao meu lado fazendo com que essa vitória fosse possível. Agradeço a todos que levaram o nosso projeto aos eleitores. Peço a Deus que essa modesta vida pública possa deixar para todos os cariocas esse exemplo de que sempre chega nossa vez quando a gente não desiste”, disse. Crivella citou Deus cinco vezes em seu discurso de pouco mais de oito minutos. O senador também não deixou de prestar sua homenagem ao prefeito Eduardo Paes, cujo candidato a sucessor, Pedro Paulo Carvalho, não passou do primeiro turno: “Quero parabenizar o candidato Freixo por sua luta, e também ao prefeito Paes, que me ligou. Também quero agradecer a toda a igreja Católica que nos apoiou vencendo uma onda enorme de preconceito difundido por parte de uma mídia facciosa”, continuou. Depois, na quadra do Bangu, Crivella sambou, cantou e falou novamente sobre os ataques sofridos durante a campanha por sua ligação com a igreja Universal, do seu tio, o bispo Edir Macedo. Ao citar acusações de ser machista e ultraconservador, disparou: “Nós não somos membros de um convento de pudicos, mas uma síntese do povo carioca. Nós fomos massacrados”. Crivella voltou a criticar a imprensa e a alfinetar Marcelo Freixo. “Chega dessa agenda Fora Temer, nós queremos recursos. Se o povo do Rio quisesse que essa cidade se transformasse numa luta politica, teria votado no outro candidato. Não à legalização do aborto. Não à legalização das drogas. Não à ideologia de gênero da criança”, bradou, arrancando aplausos do público. Do discurso mais moderado que o acompanhou na campanha, restou apenas a afirmação de que não “governará com revanchismo”: “Eu não quero saber de injúria. O que disseram de mim ficou para trás. Vamos concentrar todas as nossas energias à causa do Rio de Janeiro”. Crivella terminou seu discurso rezando um “Pai Nosso” e repetiu, mais uma vez, a palavra “amém”. O discurso de Crivella foi acompanhado por políticos que lhe apoiaram durante a campanha, como Clarissa Garotinho (PR), os tucanos Otávio Leite e Carlos Osório, Indio da Costa (PSD), Flavio e Jair Bolsonaro (PSC). Também estiveram presentes o peemedebista Jorge Felippe, presidente da Câmara Municipal e Rodrigo Bethlem, ex-secretario de Paes, acusado de corrupção. Bethlem, que andava entre as pessoas sem chamar muita atenção, disse que não fará parte do governo de Crivella. “Vou ajudar no que ele precisar, mas não serei secretário”, afirmou. Expulso do governo de Paes por ser acusado de desvio dinheiro, ele falou em “justiça divina” ao ser questionado sobre a sensação de ver Crivella vencer a cidade que durante oito anos foi do PMDB. “A justiça divina fala por tudo. Eu vou provar que fui injustiçado. O tempo é senhor da razão”, disse. Apesar de ter apoiado o senador, Bethlem diz que agora está fora da política e que se dedica a projetos particulares. Cacique do PMDB, Jorge Felippe, também presente, falou sobre seu apoio ao candidato. “Ele era o candidato que melhor se aproxima do diálogo, e no parlamento nos preconizamos o diálogo. Achamos que ele terá a grandeza de saber construir essa relação com o parlamento”, avisou.

Rui Palmeira se reelege em Maceió em novo revés para Renan


O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), reelegeu-se neste domingo para mais quatro anos de governo. O resultado agrava a derrota do grupo político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), nos maiores colégios eleitorais de Alagoas. Além de perder na capital, o PMDB já havia sido derrotado pelo PSDB em Arapiraca, segunda cidade mais importante – apesar de ter conseguido manter o maior número de prefeitos no geral. A vitória de Rui Palmeira tem o potencial de consolidá-lo como nome de renovação do tucanato no Nordeste, caso a Operação Lava-Jato não avance sobre ele. O prefeito não é formalmente investigado, mas seu nome apareceu em uma planilha apreendida pela Polícia Federal com a contabilidade paralela da Odebrecht. A empreiteira fechou um acordo de delação premiada coletivo para que seus executivos revelem detalhes da distribuição de propina e dinheiro a campanhas e políticos. O prefeito tucano nega irregularidades e diz que a única doação eleitoral do grupo veio por meio da Braskem, em 2012, ao diretório do PSDB de Maceió. A reeleição do tucano significa mais um revés para Renan Calheiros, no momento em que o terceiro homem na linha de sucessão da Presidência da República se vê às voltas com o avanço de investigações criminais sobre corrupção, sobretudo na Operação Lava-Jato, e abriu um enfrentamento de poderes com o Executivo e Judiciário. Nem o empenho do governador Renan Filho (PMDB), eleito em 2014, conseguiu alavancar a candidatura do ex-prefeito e deputado peemedebista Cícero Almeida. A derrota é especialmente ruim para o próprio parlamentar. Alvo de um inquérito e de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal que apuram desvios em sua gestão na capital alagoana, Cícero Almeida pode se ver sem mandato em breve. É que a Procuradoria-Geral da República já deu parecer favorável à perda do cargo de deputado federal por infidelidade partidária.

7 derrotas em 7 cidades: 2º turno confirma derrocada do PT


O resultado do segundo turno das eleições municipais confirmou o pior desempenho do PT desde 1985. Das sete grandes cidades em que o partido concorria (Anápolis, Recife, Santa Maria, Santo André, Juiz de Fora, Mauá e Vitória da Conquista), não levou nenhuma, segundo indicam os resultados da apuração. A legenda conquistou apenas uma capital, Rio Branco (Acre), ainda no primeiro turno, e ainda perdeu o controle do chamado “cinturão vermelho” — as cidades no entorno de São Paulo onde o partido era forte desde os anos 1980. Na única capital onde o partido ainda tinha chance no segundo turno, Recife, o petista João Paulo foi derrotado por Geraldo Júlio (PSB), que conseguiu a reeleição. No chamado “cinturão vermelho”, o partido também perdeu nas duas cidades em que disputava o segundo turno: Mauá e Santo André. Com isso, não vai comandar nenhuma das cidades — até este ano, tinha seis prefeitos na região, entre eles o de São Bernardo, Luiz Marinho; Lula, que vive lá, não foi nem sequer votar no segundo turno. Com isso, a maior cidade sob controle do PT no país a partir de 2017 passará a ser Rio Branco, com pouco mais de 300 000 habitantes. Em São Paulo, a maior cidade comandada pelo petista será Araraquara, com cerca de 150 000 habitantes, onde o ex-ministro de Dilma Edinho Silva foi eleito no primeiro turno.

Em São Paulo extingue-se o cinturão vermelho petista e Alckmin sai ainda maior para 2018


Nem foi preciso esperar o resultado final deste segundo turno. Na manhã deste domingo eleitoral (30/10), no jornal A Tribuna, da baixada santista, o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), sentenciou: “Eu chego à conclusão de que, de alguma forma, a candidatura para presidência em 2018 deve estar no destino do Alckmin porque a composição nacional de hoje, o quadro nacional político, para quem conhece política, ele está, assim, num WO coletivo. Praticamente não há adversário, neste instante, para ele, como figura política”. O diagnóstico foi certeiro sobre o status político do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O bom resultado do PSDB paulista no primeiro turno, simbolizado com a vitória absoluta de João Doria na capital paulista, foi confirmado no segundo turno do maior colégio eleitoral do País. Não apenas pelas vitórias do PSDB e seus partidos aliados no Estado, mas também pela derrota dos adversários fora e dentro de São Paulo. Em Minas Gerais, Aécio Neves, seu principal rival interno do PSDB, viu seu candidato tucano João Leite ser derrotado pelo neófito da política, Alexandre Kalil (PHS). Em São Paulo, seu principal adversário no campo político nacional, o PT, saiu derrotado em todas as cidades em que disputou segundo turno no Estado de São Paulo. Pela primeira vez em 34 anos, o PT não terá prefeitos eleitos no berço político histórico, o ABC paulista. Em Santo André e Mauá, os respetivos candidatos Carlos Grana e Donisete Braga, que disputavam reeleição, saíram humilhados nas urnas. Braga conseguiu 35,53% dos votos válidos em Mauá, enquanto em Santo André, Grana conseguiu apenas 21,79% dos votos válidos. Das cinco cidades que o PSDB disputava o segundo turno, tucanos saíram como vencedores em quatro delas: São Bernardo do Campo, Santo André, Jundiaí e Ribeirão Preto. A única derrota veio de Bauru, onde o candidato Sidnei Rocha (PSDB), com 43,67%, foi derrotado por Gilson de Souza (DEM), que obteve 56,33% dos votos válidos. Nem essa derrota tucana tem necessariamente cara de fracasso. DEM é um dos partidos que compõe a base política no nível estadual e será eventual apoiador em 2018 nas contas de alckmistas. O PSB, principal fiador da pré-candidatura de Geraldo Alckmin fora do PSDB, garantiu vitórias em outras três cidades paulistas: Guarulhos, Mauá e Guarujá. Outros partidos como PV, e o próprio DEM, levaram outras quatro cidades. Com isso, Alckmin sai como vitorioso em onze das treze cidades em que houve segundo turno no Estado de São Paulo, só saindo derrotado em Bauru e Suzano. De olho para 2018, são motivos mais do suficientes para Alckmin e seus aliados comemorarem.

A conexão Uruguai da família Lula

Lava Jato investiga se mansão em Punta Del Este pertence ao ex-presidente petista. Esquema seria semelhante ao do tríplex no Guarujá e ao do sítio em Atibaia. Seu filho caçula, depois de implicado por delatores da Odebrecht, já arrumou um emprego no país vizinho


As investigações sobre o patrimônio oculto do ex-presidente Lula ultrapassaram as fronteiras do Brasil. Depois de identificarem ligações do ex-presidente com imóveis suspeitos em solo nacional, como o tríplex no Guarujá, o sítio em Atibaia e uma cobertura em São Bernardo do Campo, procuradores do Ministério Público Federal (MPF), integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, apuram se uma mansão em Punta Del Este, no Uruguai, pertence a Lula. A investigação foi iniciada em agosto. O esquema seria semelhante ao adotado pelo petista para as outras propriedades utilizadas por ele no Brasil. No modus operandi tradicional, os imóveis ficam registrados em nome de empresários amigos. Em troca de benesses e tráfico de influência no governo ou fora do País, Lula se transforma no dono real desses imóveis, com poder para deles usufruir quando bem entender, determinar quem entra e sai e até mesmo promover caríssimas reformas, mesmo que oficialmente as propriedades não figurem em seu nome. O que ISTOÉ revela agora é que essa prática se repetiria no Uruguai. Neste caso, a mansão – segundo colaboradores do Ministério Público Federal que estiveram em Punta Del Este – pertenceria a uma offshore ligada ao empresário Alexandre Grendene Bertelle, um dos donos da indústria de calçados Grendene e que, no Uruguai, é proprietário de um sem-número de casarões – entre os quais uma suntuosa casa na rua paralela à do imóvel suspeito de ter ligações com Lula – e sócio de empreendimentos bem-sucedidos como o Hotel e Cassino Conrad.


A casa que motiva a investigação da Lava Jato possui um terreno de 7,5 mil metros quadrados e fica localizada na Calle Timbó, conhecida por Villa Regina, com valor estimado em US$ 2 milhões, segundo corretores locais. A mansão adota o estilo de chalé suíço, com uma escadaria de acesso à residência. O que mais chama a atenção é a grande área verde da propriedade, que cerca toda a edificação. A reportagem de ISTOÉ esteve no local na última quarta-feira 26. A mansão está vazia. Outras moradias da região, reduto de endinheirados da América Latina que escolhem o local para passar temporadas de veraneio, são ocupadas apenas por caseiros. As informações sobre a possível propriedade de Lula no país vizinho foram transmitidas ao MPF por um conhecido colaborador. Ele fora responsável pelas denúncias que levaram à deflagração da Operação Lava Jato. Daí a sua confiabilidade. No mesmo dia em que entregou documentos à Lava Jato, esse delator narrou que vários ônibus de excursão, responsáveis por conduzir comitivas de brasileiros pela paradisíaca Punta Del Este, passam defronte a casa de Calle Timbó e dizem, sem pestanejar, que a propriedade pertence a Lula. Em duas dessas visitas monitoradas, os turistas brasileiros demonstraram revolta ao receberem a informação. Um deles chegou a fotografar a casa de dentro do ônibus. Na última semana, o procurador destacado para investigar o caso disse à ISTOÉ que se encontra na fase de coleta de provas. Ele não descarta a possibilidade de pedir a colaboração do governo uruguaio. Na Procuradoria da República, a investigação está sendo tratada com total discrição. A avaliação é de que, se no Brasil já é difícil caracterizar a ocultação de patrimônio quando ele figura em nome de terceiros, em Punta del Este, no Uruguai, torna-se ainda mais complicado puxar o fio desse intrincado novelo. Haja vista que lá os imóveis, em geral, ficam escondidos em offshores, dificultando o rastreamento. Procurada por ISTOÉ, a assessoria de Lula repetiu uma versão já conhecida. Disse que o ex-presidente não tem nenhuma casa ou conta no exterior e que todas as propriedades dele estão em São Bernardo do Campo e são devidamente declaradas.


Se o triplex do Guarujá está em nome da OAS de Léo Pinheiro, o sítio de Atibaia no de Fernando Bittar e Jonas Suassuna e a segunda cobertura de São Bernardo no de um primo do pecuarista José Carlos Bumlai, o mecenas de Lula na mansão de Punta Del Este seria o bilionário Alexandre Grendene. O empresário do ramo calçadista mantém relações com Lula – e com os políticos de um modo geral. Durante o governo do petista, Grendene obteve empréstimos subsidiados do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 3 bilhões. Esses empréstimos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal de Novo Hamburgo (RS). Só para a compra da Vulcabrás, o BNDES emprestou R$ 314 milhões para a Grendene. Os irmãos Pedro e Alexandre Grendene participaram também em 2008 de um negócio para implantação de usinas de açúcar e álcool no valor de R$ 1,8 bilhão, com dinheiro do governo. Integraram a negociação, além dos Grendene, a Odebrecht, o empresário André Esteves (Banco Pactual) e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo íntimo de Lula.


Há outro significativo elo entre o empresário e Lula. Grendene foi um dos empresários que doaram parte dos R$ 10,8 milhões que custearam o filme “Lula, o filho do Brasil”, inspirado na trajetória do ex-presidente petista e dirigido por Fábio Barreto. Ele também colaborou com o “Fome Zero”, carro-chefe da política social do petista no início do primeiro mandato – uma espécie de embrião do Bolsa-Família. Ainda no primeiro governo petista, o guitarrista Lenny Kravitz doou sua guitarra para o programa de combate à pobreza, que leiloou o instrumento em maio de 2005. O empresário Pedro Grendene pagou R$ 322 mil pela guitarra, uma cobiçada Epiphone Flyng V preta autografada, mas o episódio, como tantos outros envolvendo o PT, terminou na Lava Jato. A força-tarefa passou a investigar o destino da renda obtida com os instrumentos. Análise de e-mails de Bumlai, amigo de Lula, mostrou que houve uma disputa entre a ONG Ação Fome Zero e o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome pelo direito dos recursos levantados com os leilões. Em resposta à ISTOÉ na quinta-feira 27, a assessoria de Grendene disse que ele estava no Exterior. Um assessor da diretoria da empresa afirmou, no entanto, que a história de que Grandene seria uma espécie de testa-de-ferro do ex-presidente petista no Uruguai não “passa de um absurdo completo”. Nos últimos dias, a Lava Jato fez novas descobertas acerca do patrimônio oculto de Lula. No caso do sítio de Atibaia, um dos maiores amigos do ex-presidente na área empresarial, Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht, revelou detalhes da reforma do imóvel feita pela empreiteira durante processo de delação premiada em Curitiba. O executivo era um dos porta-vozes de Lula dentro da empresa. Era o amigo das viagens feitas por Lula à América Latina e África à bordo de jatinhos da Odebrecht. Na negociação de sua delação com a Justiça do Paraná, Alexandrino confirmou que a Odebrecht participou de um consórcio junto com a OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, para reformar o sítio de Atibaia. Segundo ele, a Odebrecht iniciou a reforma em outubro de 2010, quando Lula ainda era presidente. A empreiteira ficou responsável pelas obras de um anexo às quatro suítes do sítio. A propriedade está em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, e Lula, mais uma vez, nega ser dono do local. A Polícia Federal, no entanto, não tem dúvidas de que o sítio é mesmo do ex-presidente.


Em outra frente, a força-tarefa da Lava Jato deu início esta semana a uma investigação sobre uma segunda cobertura que Lula ocupa no edifício Green Hill, em São Bernardo do Campo. O Ministério Público Federal investiga se o imóvel, localizado ao lado da primeira cobertura de Lula, foi adquirida com dinheiro da Odebrecht. Em dezembro de 2010, Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai recebeu R$ 800 mil da DAG Construtora, investigada pela PF por ter sido usada pela Odebrecht para negócios ilícitos. Com o dinheiro, Glaucos comprou a cobertura vizinha de Lula e a alugou para o ex-presidente. O petista garante que pagou aluguéis e que os mesmos encontram-se declarados em seu Imposto de Renda. Somente em 2015 pagou R$ 51,3 mil a Glaucos. Os procuradores suspeitam que tudo tenha sido feito para ocultar o verdadeiro dono do imóvel. Na realidade, o próprio Lula. A história se repete.


Punta Del Este, no litoral Sul do Uruguai, onde está localizada a mansão alvo de investigação da Lava Jato por possíveis ligações com Lula, é considerada a Saint-Tropez da América do Sul. Praias paradisíacas, cassinos de luxo, hotéis suntuosos. Uma cidadezinha de 10 mil habitantes, mas que no verão reúne os novos ricos do mundo todo e muitos milionários brasileiros, provocando congestionamentos de Mercedes-Benz e Ferraris nas ruas da cidade. Os carros são conduzidos de São Paulo para lá – a distância é de 1.900 Kms – pelos motoristas, enquanto os patrões percorrem o trajeto de avião. As mansões de veraneio de milhares de dólares ficam vazias o ano todo, mantidas por caseiros que se recusam a falar com jornalistas, e só são ocupadas na alta temporada. Foi nesse cenário bucólico que Lula foi descansar logo que se elegeu presidente pela primeira vez em 2002. Jornalistas locais relataram que o petista descansou na casa de um amigo em Punta Del Este por alguns dias. Gostou do que viu.

Erdogan submeterá restauração da pena de morte ao Parlamento turco

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou neste sábado que a restauração da pena de morte para os participantes da tentativa de golpe de Estado em julho passado será submetida ao Parlamento, acrescentando que as críticas ocidentais sobre esse assunto "não contam". "Nosso governo submeterá isto (a restauração da pena de morte) ao Parlamento. E estou convencido de que o Parlamento a aprovará, e eu a ratificarei", declarou Erdogan durante um discurso em Ancara, sem informar datas para apresentar a iniciativa. "Logo, logo, não se preocupem. Será em breve, se Deus quiser", disse Erdogan, em resposta à multidão que gritava "queremos a pena de morte" para os autores do golpe fracassado de julho. Um eventual debate parlamentar sobre a pena de morte se antevê tumultuado, em um momento em que o governo precisa do apoio dos deputados da oposição para reformar a Constituição e instaurar um regime presidencialista. Desde o dia seguinte à tentativa de golpe de 15 de julho, o presidente Erdogan, prometendo eliminar "os vírus" infecciosos do Estado, mencionou uma possível restauração da pena capital, o que provocou indignação na União Europeia (UE), com quem Ancara mantém relações instáveis. A pena de morte foi abolida na Turquia em 2004, no âmbito da candidatura de Ancara para entrar na UE, de modo que a sua restauração poderia acabar com as negociações de adesão ao bloco, além de agravar as preocupações relativas ao Estado de direito. "O Ocidente diz isto, o Ocidente diz aquilo. Me desculpem, mas o que conta não é o que diz o Ocidente, é o que diz o meu povo", afirmou Erdogan, que se pronunciou durante a cerimônia de inauguração de uma estação de trem de alta velocidade na capital turca. Mais de 35.000 pessoas foram presas na Turquia durante as investigações sobre o golpe fracassado, segundo dados do governo.

Nova pesquisa mostra Hillary e Trump separados por apenas dois pontos

Hillary Clinton e Donald Trump estão separados apenas por dois percentuais segundo uma nova pesquisa eleitoral divulgada neste sábado pelo “Washington Post” e pela “ABC News”. A democrata tem 47% das intenções de voto, e o republicano, 45%. A pesquisa foi conduzida entre segunda e quinta-feira. Há pouca mudança em relação à última simulação divulgada, que analisou as intenções de voto entre domingo e quarta-feira. Nela, Hillary aparece com 48%, e Trump, 44%. Apesar disso, os números divulgados neste sábado revelam uma aproximação substancial entre os candidatos, uma vez que, no último fim de semana, a democrata liderava com uma margem folgada. A semana teve reviravoltas, como o retorno de alguns grupos republicanos à campanha de Trump e a decisão do FBI de voltar a investigar se Hillary seguiu normas de segurança no uso do e-mail institucional quando era secretária de Estado. Em setembro, uma pesquisa conjunta também do “Washington Post” e da “ABC News” mostrou que 63% dos americanos desaprovavam a postura da democrata quando era perguntada sobre seu uso do e-mail — dos quais 48% desaprovavam fortemente. Outras pesquisas divulgadas nesta semana mostraram diferentes margens de liderança da democrata. Números da “Fox News” e “Investors’ Business Daily/TIPP” mostram Hillary na frente apenas por três pontos; já segundo a “CNBC” e o “USA Today/Suffolk”, ela ganharia por nove pontos; finalmente, segundo uma pesquisa da “Associated Press” e GfK, a diferença é de 14 pontos. As diferenças mostram variações de reação diante de novos eventos, além de ondas de entusiasmo entre os apoiadores dos dois candidatos.

Odebrecht diz que pagou caixa dois para Serra na Suíça

A Odebrecht revelou à Lava Jato que R$ 23 milhões da empreiteira foram destinados à campanha presidencial de José Serra (PSDB) via caixa dois em 2010. Parte do dinheiro teria sido repassada por meio de uma conta na Suíça. A Odebrecht apontou dois nomes como sendo os operadores dos R$ 23 milhões à campanha de Serra, hoje ministro das Relações Exteriores do Governo de Michel Temer (PMDB). “O acerto do recurso no Exterior, segundo a Odebrecht, foi feito com o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (ex-PSDB e hoje no PSD), que integrou a coordenação política da campanha de Serra”: “O caixa dois operado no Brasil, de acordo com os relatos, foi negociado com o também ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ), próximo de Serra”. Os repasses foram mencionados por dois executivos da Odebrecht nas negociações de acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, e a força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. “Um deles é Pedro Novis, presidente do conglomerado de 2002 a 2009 e atual membro do conselho administrativo da holding Odebrecht S.A. O outro é o diretor Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP, que atuava no contato junto a políticos de São Paulo e na negociação de doações para campanhas eleitorais”. Essa foi a primeira menção ao nome de Serra na investigação que apura esquema de desvio de recursos na Petrobras. Para corroborar os fatos relatados, a Odebrecht promete entregar aos investigadores comprovantes de depósitos feitos na conta no EExterior e também no Brasil. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, a empreiteira doou oficialmente em 2010 o total de R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional da campanha do PSDB à Presidência da República (R$ 3,6 milhões em valores corrigidos). Os executivos da Odebrecht disseram aos procuradores que o valor do caixa dois foi acertado com a direção nacional do PSDB, que depois teria distribuído parte dos R$ 23 milhões a outras candidaturas. 

Conservador Mariano Rajoy investido novamente chefe de governo da Espanha

O conservador Mariano Rajoy foi investido neste sábado (29) novamente como chefe de governo da Espanha por uma maioria simples do Congresso, pondo fim a dez meses de bloqueio político no país. No poder desde 2011, Rajoy obteve a confiança do Congresso para um segundo mandato com 170 votos a favor, 111 contra e 68 abstenções - estas últimas procedentes, a princípio, de seu rival histórico, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se mostrou dividido sobre a questão.