domingo, 27 de novembro de 2016

Conservador vence primárias da direita na França


François Fillon venceu neste domingo (27) as primárias do partido francês Os Republicanos, de centro-direita. Os resultados preliminares divulgados até as 18h do horário de Brasília colocavam ele com 68% dos votos, contra os 32% de seu rival, Alain Juppé – que já reconheceu formalmente a sua derrota. Fillon deve disputar a Presidência francesa em abril contra Marine Le Pen, da sigla de extrema-direita Frente Nacional. Segundo as estimativas atuais, ele deve vencer no segundo turno. Ainda não se sabe quem será o candidato socialista para as eleições de 2017. O partido realiza suas próprias primárias em janeiro. François Hollande, atual presidente, vive um período de grave impopularidade e, caso concorra ao posto, tem poucas chances de vencer. O embate entre a direita e a centro-direita tornou-se especialmente urgente após a vitória de Donald Trump nos EUA, neste mês - a surpresa eleitoral pode repetir-se com Le Pen, entregando-lhe assim a liderança de um dos principais Estados europeus. Isolacionista, a campanha de Le Pen tem aversão a migrantes e à União Europeia. Sua possível eleição, somada à decisão britânica de deixar o bloco europeu (o chamado 'brexit'), empurraria o continente ainda mais à direita. Fillon concorria neste domingo (27) com Alain Juppé. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy não chegou ao segundo turno das primárias. Tanto Fillon quanto Juppé tiveram campanhas marcadas por uma visão conservadora da economia. Ambos propuseram cortes nos gastos e nos servidores públicos, além da reforma das leis trabalhistas e da aposentadoria. Fillon, no entanto, tinha uma campanha mais conservadora na área social. Ele é contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo. Seu discurso é bastante agressivo em relação a migrantes e muçulmanos. Juppé, por outro lado, vinha defendendo o que chamou de 'identidade feliz': a acomodação da França em uma sociedade multicultural. Nessa área, teve peso o clima de insegurança vivido pelo país. Um atentado terrorista reivindicado pelo Estado Islâmico, entre outros, deixou 130 mortos em novembro do ano passado. A candidatura de Fillon pode apelar, dessa maneira, ao mesmo eleitorado da Frente Nacional, ao defender o que considera como 'valores tradicionais franceses'. Ele tem especial apoio entre setores católicos e rurais. Fillon, 62, foi premiê da França entre 2007 e 2012, sob o comando do então presidente Sarkozy. Sarkozy eclipsou o aliado durante aquele período, chamando-lhe uma vez de 'empregado' e passando por cima dele no contato direto com o gabinete. Mas, descrito como um homem discreto, Fillon foi um dos únicos premiês franceses a durar todo o mandato. Ele teve também a vantagem - em relação a Sarkozy e Juppé - de não ter se envolvido em grandes escândalos de corrupção no passado. Advogado por formação, Fillon nasceu em Le Mans, no oeste francês. Ele criou seus cinco filhos em uma mansão do século 12 chamada Manoir de Beaucé. Antes de ser premiê, ele ocupou os Ministérios de Assuntos Sociais e Educação Nacional. Seguidor da ex-premiê britânica Margaret Thatcher, ele defende cortar 500 mil cargos públicos, elevar a idade de aposentadoria e reduzir impostos pagos por firmas. Em 2013, ele votou contra o casamento homossexual. Ele publicou recentemente um ensaio sobre o radicalismo no islã, dizendo que a 'invasão' do islamismo no cotidiano francês poderia levar a uma guerra mundial.

Ministério Público gaúcho quer cassar os direitos políticos do prefeito de Pelotas, Eduardo Leite

O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu processo por improbidade administrativa contra o prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, do PSDB. O Ministério Público Estadual quer que ele devolva meio milhão de reais aos cofres públicos. O prefeito alega que demorou para sediar ali a secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilização Urbana, mas que a demora decorreu de entraves apenas burocráticos. Os promotores querem também a cassação dos direitos políticos do prefeito e pagamento de multa de R$ 1 milhão. O Ministério Público Estadual diz que Eduardo leite locou um imóvel durante longo tempo e nunca usou-o para nada. Foi tudo feito com dispensa de licitação.

Superintendente do BNDES é alvo de bloqueio de bens

A juíza Neusa Larsen determinou na sexta-feira o bloqueio de bens em um total de R$ 1 bilhão, além da quebra de sigilo fiscal, de Sérgio Cabral, de seu ex-secretário da Fazenda, Júlio Bueno, e da companhia Michelin. Também foi alvo da medida Maurício Elias Chacur, que presidia a Agência de Fomento do Rio no governo Cabral. Ocorre que Chacur é hoje superintendente da Área de Gestão de Riscos do BNDES, nomeado por Maria Silvia. (O Antagonista)

A Lava Jato chega ao PSDB


As delações da Odebrecht atingiram em cheio o PSDB. Em reportagem na edição desta semana, já nas bancas, VEJA revela como despesas da campanha de José Serra à Presidência em 2010, como o jatinho que ele usou para viajar pelo País, foram bancadas com dinheiro da Odebrecht. Os recursos foram depositados na Suíça em contas pessoais de um aliado do tucano, o ex-banqueiro Ronaldo Cezar Coelho. O texto também põe fim a um mistério: três fontes confirmaram que o codinome “santo” que aparece em planilhas da empreiteira refere-se ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) — nenhum deles, no entanto, disse ter negociado diretamente com o paulista. 

Investigação revela que Lula conseguiu burlar fiscalização de vôo



Na manhã de 3 de junho do ano passado, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, um jato particular, prefixo PP-SCB, se preparava para decolar. A aeronave já estava taxiando quando os pilotos e os cinco passageiros foram surpreendidos por um cerco. A operação, atípica, fora deflagrada por iniciativa da Receita Federal. Os fiscais foram informados de que malas haviam sido embarcadas de maneira suspeita no jatinho, sem passar pelo raio X. A operação cinematográfica, porém, foi abortada antes de ser concluída — e isso deu origem a uma investigação sigilosa em curso na Polícia Federal e no Ministério Público Federal. Dentro do avião estava o poderoso chefão da orcrim petista e ex-presi­dente Lula, acompanhado de um segurança e mais três auxiliares — seu fotógrafo particular, um assessor de imprensa e um tradutor.

Coaf aponta R$ 101 milhões em operações suspeitas ligadas ao ex-governador Sérgio Cabral



O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou uma série de transações atípicas em pelo menos oito concessionárias de veículos que, segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal seriam ligadas a Sérgio Cabral, preso na semana passada durante a Operação Calicute. Em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), o órgão enumera uma série de operações classificadas como suspeitas que totalizam mais de 101 milhões de reais. Dessa montanha de dinheiro, 10,9 milhões de reais, ou seja, 10%, foram depositados – entre os anos de 2007 e 2014 – na conta da empresa LRG Agropecuária (antiga Gralc Consultoria), registrada em nome de Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, conhecido como Piuzinho, que segundo os procuradores é o contador do ex-governador. O valor representa a maior fatia do faturamento de 13,9 milhões da LRG/Gralc ao longo dos anos. De acordo com o Ministério Público Federal, as oito concessionárias de veículos que têm relações estreitas com o PMDB pertencem à mesma família: Eurobarra Rio Ltda.; Dirija Niterói Distribuidora de Veículos Ltda.; Barrafor Veículos Ltda.; Disbarra Distribuidora Barra de Veículos Ltda; Americas Barra Rio Ltda.; Klahn Motors Distribuidora de Veículos Ltda.; Space Distribuidora de Veículos S/A. e Carcom Promotora de Negócios Ltda. “Através da presente investigação não foi, portanto, evidenciada qualquer prestação de serviço efetiva por parte da empresa Gralc Consultoria às empresas”, descrevem os procuradores no pedido de prisão do grupo. A investigação revela que as empresas, com um investimento quase nulo, faturaram alto justamente durante o governo Cabral, mesmo praticamente sem ter funcionários contratados. Entre 2007 e 2010 (período do primeiro mandato como governador e, curiosamente quando a empresa foi criada) havia um empregado. Depois, entre 2011 e 2014 não havia mais ninguém trabalhando para a Gralc, que além de Carlos Miranda tem como Sônia Ferreira Batista, ex-assessora de Cabral. Desse montante de mais de 101 milhões de "transações suspeitas", o Coaf descreve em seu RIF-23764 que parte da operação era feita em contas bancárias das próprias empresas e outra parte em contas de terceiros. A Dirija Niterói Distribuidora de Veículos Ltda., apontam os auditores, tem 43 milhões em movimentações atípicas, enquanto a Americas Barra Rio Ltda. registrou 17,3 milhões nessas condições. Esta última, por exemplo, depositou mais de 1,6 na conta da LRG/Glarc e, segundo o Ministério Público Federal, não há comprovante de serviços prestados. Na Americas Barra, na Avenida das Américas, numa salinha sem referência no segundo andar, funciona uma outra empresa que revela a ligação do grupo com outro íntimo assessor de Cabral: a Imbra Imobiliária Brasileira S/A. A sociedade anônima tem como acionistas Adriano Monteiro Martins e seu filho, Adriano José Reis Martins (donos da concessionária Americas) e a empresa Grypho Investment Inc., offshore com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Entre suas propriedades, a Imbra detém um apartamento no 12º andar do bloco 3 do Condomínio Atlântico Sul, na Avenida Lúcio Costa, comprado por 1,9 milhão de reais, onde vive o fiscal de renda Ary Ferreira da Costa Filho. A transação foi feita no dia 4 de julho de 2011, exatamente a mesma data em que a Imbra arrematou outro luxuoso imóvel, no oitavo andar do bloco 8 do Condomínio Lés Residences Saint Tropez, na mesma rua da praia, por 2,3 milhões. Quem passou a morar neste endereço? A ex-mulher e as filhas de Ary. Aryzinho, como é conhecido, é lotado nos gabinetes do ex-governador desde os tempos em que Sergio Cabral era o candidato dos velhinhos, ainda na Assembleia Legislativa dos Rio de Janeiro (Alerj), nos anos 90. Hoje vive às sombras, mantém duas matrículas no governo – uma na secretaria da Casa Civil (salário de 14 921 reais) e outra na secretaria de Fazenda (salário de 8 750 reais) – mas curtindo sua vida nababesca entre Rio de Janeiro e Miami, andando em carrões importados, passeios de lancha em Mangaratiba (sim, no mesmo Condomínio Portobello onde o chefe tem casa) e morando de frente para o mar da Barra da Tijuca. O assessor tinha tanto prestígio com o chefe que, em 2012, quando Cabral ainda tinha a popularidade alta e surfava na onda dos royalties do petróleo, conseguiu convencê-lo a gravar um vídeo de apoio à candidata a vereadora no município de São João de Meriri, na Baixada Fluminense. “Eu, Sergio Cabral, peço seu voto para Michele, a vereadora!”, diz o então governador, em um vídeo possível de rever no YouTube. Então namorada e hoje esposa de Ary, Michele Linhares angariou 226 000 reais em doações para sua campanha. Boa parte desse dinheiro – especificamente 147 200 – de quatro dessas concessionárias: Space, Eurobarra, Euroamerica e Americas. A lista de doadores da campanha Reginaves Indústria e Comércio de Aves Ltda. (70 000 reais) figura outra empresa que já havia despertado a atenção dos investigadores da Operação Calicute. As quebras de sigilo realizadas durante a fase de apuração descobriram que a mesma Reginaves, (doadora de Cabral, com 105 000 reais) depositou 93 850 reais na conta "laranja" da LRG/Glarc, de Carlos Miranda. Fez ainda contratos com a empresa de comunicação do ex-governador, a SCF, e com o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo, mulher de Cabral. O custo desse serviço? Dois milhões de reais. A Reginaves, desde o ano passado, a Rica (nome fantasia) vive difícil situação financeira. E, em email obtido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, fica claro que o próprio Cabral, em setembro de 2015, intermediou a venda de ativos da empresa. A relação das concessionárias investigadas com outros integrantes do PMDB também fica evidenciada nas prestações de contas das campanhas mais recentes. Em 2006 a Eurobarra doou 129 600, enquanto a Dirija deu 24 000 para Cabral e outros 50 000 reais para o Comitê Financeiro do partido. Na eleição de 2008, Eduardo Paes recebeu 200 000 reais da Eurobarra e da Dirija Niterói. Na reeleição ao governo do Estado, em 2010, Cabral declarou ter desembolsado 221 500 reais com o aluguel de veículos da Eurobarra, usados em sua campanha. Já no último dia 29 de agosto, o dono da Americas e da Imbra Imobiliária, Adriano José Reis Martins, doou, como pessoa física, 30 000 reais para Pedro Paulo Carvalho.

Calero diz que policiais federais o orientaram para usar da traição e gravar conversas com o presidente Michel Temer


O ex-ministro da Cultura, o filopetista Marcelo Calero, confirmou ontem que gravou mesmo uma de suas conversas com o presidente Michel Temer sobre as pressões que vinha sofrendo do ex-ministro Geddel Vieira Lima para derrubar o embargo do Iphan ao gabarito de prédio em Salvador onde Geddel tem apartamento comprado na planta no valor de R$ 2,4 milhões. Calero confirmou a existência da gravação em entrevista à jornalista Renata LoPrete, que será exibida neste domingo, 27, pelo programa Fantástico, da TV Globo. Um teaser exibido no “Jornal Nacional” deste sábado demonstra o potencial das revelações feitas pelo diplomata ao programa “Fantástico”, da Rede Globo. Calero admite ter gravado o presidente da República, Michel Temer, e outros integrantes do governo. O diplomata contou que pediu orientações a “amigos policiais federais”. Segundo Calero, as gravações das conversas com Temer foram feitas por telefone. Isso cheira a conspiração explícita, embora Temer e seu governo tenham demorado a agir no caso e demonstrado complacência diante do evidente tráfico de influência que estava sendo promovido pelo ex-ministro Geddel. Na dia 18 de novembro, o diplomata deixou o cargo e informou à Polícia Federal que gravou o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Ele acusa Geddel e o presidente de terem lhe pressionado para aprovar a construção de um edifício em área tombada de Salvador. Geddel seria um dos beneficiários com a construção, já que é dono de um apartamento no prédio em questão.

O legado de Fidel Castro, conforme Donald Trump

Após um tweet seco e direto mais cedo, Donald Trump fez, há pouco, comentários sobre a morte de Fidel Castro, definido por ele como um "ditador brutal": "O legado de Fidel Castro é de pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e negação de direitos humanos fundamentais". “Enquanto Cuba continua sendo uma ilha totalitária, é minha esperança que hoje marque um afastamento dos horrores suportados por muito tempo, para um futuro em que o maravilhoso povo cubano possa finalmente viver em liberdade". “Embora as tragédias, mortes e dores provocadas por Fidel Castro não possam ser apagadas, nossa administração fará tudo o que puder para garantir que o povo cubano possa finalmente iniciar sua jornada em direção à prosperidade e à liberdade". (O Antagonista)

A morte do ditador assassino sanguinário Fidel Castro


Fidel Castro acende charuto ao lado de Che Guevara durante os primeiros dias da guerrilha nas montanhas Sierra Maestra 

O homem que um dia disse que seria “absolvido” pela história morreu 22h29 de sexta-feira (horário de Havana, 1h29 de sábado em Brasília), em Havana, como uma das figuras mais emblemáticas do último século. Responsável pela morte de milhares de pessoas em julgamentos sumários, pela fuga de milhões para o Exterior e pela penúria dos que permaneceram no país, Fidel Castro saiu da linha de frente da política cubana ao transferir a presidência para o irmão, Raúl, em 2006. Mas permaneceu assombrando o povo e preservando sua tenebrosa herança. A saída de Fidel não significou uma abertura do país para a economia de mercado. Pelo contrário, a ilha seguiu emperrada, e melhorar de vida continuou a ser um ato tão subversivo quanto dar uma opinião sobre a política nacional. Se internamente as dificuldades não dão trégua, um sopro de esperança veio do inimigo externo, os Estados Unidos, que decidiu reatar relações diplomáticas com a ilha no apagar das luzes de 2014. Raúl, no entanto, fez questão de dizer que a aproximação não significará ‘tirar Cuba do rumo’, provando que Obama pode tentar a sua parte, mas alterações significativas dependem da saída de cena dos ditadores. Cultuado por partidos de esquerda latino-americanos, Fidel passava a maior parte de seu tempo livre em uma ilha paradisíaca ao sul de Cuba, onde levava um estilo de vida nababesco, em contraste com a miséria da população. Morreu em Havana, aos 90 anos. Como ocorre em todos os regimes ditatoriais, detalhes sobre a vida pessoal e principalmente a saúde do chefe de Estado sempre foram mantidos em sigilo. Fotos esporádicas invariavelmente o mostravam decrépito, vestindo um agasalho Adidas. Em fevereiro de 2014, a agência de notícias Associated Press eliminou de seus arquivos imagens alteradas digitalmente para esconder um aparelho auditivo. No mês anterior, o ditador havia comparecido à inauguração de um centro cultural em Havana. O registro de sua passagem pelo local mostrara o gerontocrata caminhando com ajuda, curvado e com uma aparência fragilizada. Em 2006, quando complicações de uma hemorragia intestinal o obrigaram a entregar o poder – primeiro provisoriamente, e dois anos depois, de forma definitiva –, muito pouco foi divulgado sobre a doença que o acometeu. Boatos apontaram para diverticulite (inflamação no intestino grosso) e até câncer, mas nada foi confirmado oficialmente. Os rumores sobre sua morte só aumentaram desde sua renúncia. “Já me mataram não sei quantas vezes”, disse, em uma de suas entrevistas para desmentir notícias sobre sua morte. Fato é que sua onipresença em público deu lugar a aparições cada vez mais raras. Fidel Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926, na província cubana de Oriente, filho do fazendeiro Angel Castro e da camponesa Lina Ruz. Aos 17 anos, mudou-se para a capital para estudar. Formou-se em direito na Universidade de Havana, em 1949, e começou a defender gratuitamente camponeses, operários e prisioneiros políticos – em troca, chamava todos a fazer parte da revolta que articulava contra o governo. O Partido Ortodoxo o escolheu para ser candidato à Câmara dos Deputados nas eleições de 1952, quando também seria escolhido o novo presidente do país. Mas o pleito não chegou a ser realizado. Em 10 de março de 1952, o sargento Fulgêncio Batista tomou o poder, com o reconhecimento do governo americano, e no dia seguinte fechou o Parlamento e suspendeu as eleições. Era o começo da farsesca carreira política de Fidel. Em 1953, ele liderou um grupo de rebeldes em um ataque suicida ao quartel de La Moncada. Foi preso e levado a julgamento no mesmo ano, quando assumiu a própria defesa, exercitando a retórica inflamada e arrogante que o caracterizaria por toda a vida pública. Dois anos depois, foi solto e exilou-se no México, onde começou a organizar seu retorno a Cuba. No dia 30 de dezembro de 1958, seu escudeiro, o psicopata assassino argentino Ernesto ‘Che’ Guevara, e mais quatrocentos guerrilheiros sob seu comando conseguiram conquistar Santa Clara, que era defendida por 3.500 soldados do governo. Essa vitória foi fatal para Fulgêncio, que abandonou o país na madrugada de 31 de dezembro. Em janeiro, Fidel já estava no poder. Um dos primeiros atos do principiante ditador foi mandar fuzilar colaboradores do ex-sargento. Começou promovendo a reforma agrária e nacionalizando empresas, transformando em unidades de produção cerca de 70% da superfície cultivável do país, pertencente a companhias estrangeiras e latifundiários locais. Milhares de cubanos deixaram o país e se estabeleceram na Flórida (EUA), onde passaram a representar uma força política contrária ao regime castrista. Enquanto isso, Cuba ia se afastando dos americanos, que decretaram bloqueio comercial ao país em 1960 e romperam relações diplomáticas em 1961 – ano em que o comunismo foi formalmente estabelecido. No ano seguinte, foi implementado o racionamento de alimentos – que prossegue até hoje e segundo o qual cada família cubana tem um limite mensal de produtos registrado em uma “libreta” de controle, hoje calculada em 800 calorias por dia. O país, então, começou a depender da União Soviética. Mas a ajuda durou apenas até o início dos anos 90. Depois disso, o colapso do regime soviético suspendeu o repasse financeiro e afundou Cuba em uma grave crise econômica, que obrigou Fidel a ensaiar tímidas reformas. A abertura de restaurantes familiares passou a ser permitida, assim como feiras livres para complementar a escassa ração oficial. Houve também incentivo ao turismo e investimentos estrangeiros. Fatalmente, algumas pessoas começaram a sentir uma leve melhora na qualidade de vida. Bastou para que, em 1996, o comandante-em-chefe engatasse a marcha a ré nas mudanças, que na visão dele teriam passado a afrontar o princípio revolucionário da igualdade. A repressão política ficou mais dura e dissidentes foram condenados a longas penas de prisão. A Venezuela do caudilho Hugo Chávez (1954 – 2013) passou a pagar a “mesada” que antes cabia à União Soviética, o que possibilitou, por exemplo, reduzir os cortes de energia elétrica na ilha. Mas os recursos concedidos ao regime, que vieram também dos cofres da China, do Canadá e do Brasil, nunca tiveram como reflexo o bem-estar da população. Dois terços dos 11 milhões de cubanos que nasceram depois de 1959 não conheceram outro regime que o de miséria imposto pelos irmãos Castro – nenhum outro ditador de sua época permaneceu tanto tempo no poder. Há ainda 2 milhões de cubanos exilados. Mesmo oficialmente aposentado, Fidel continuou mandando e desmandando no governo. Raúl e todos os demais dirigentes ainda eram obrigados a consultá-lo a respeito de qualquer assunto importante. Governavam, portanto, de mãos atadas. E quando perdeu as forças também para manter o padrão de seus célebres e longos discursos – no auge, chegou a falar por 8 horas ininterruptas – Fidel trocou o palanque da oralidade pelo texto escrito, mas igualmente nada sucinto: seu proselitismo foi reunido em um livro com nada menos que 896 páginas. Os cubanos que viram nas promessas de reforma de Raúl a possibilidade de recuperar os anos perdidos decepcionaram-se ao perceber que nenhuma mudança foi para melhor. A vida ficou mais difícil. O Estado, dominado pelos militares, mantém o controle de todas as atividades relevantes. A perseguição política não foi aliviada. Apenas mudou sua natureza. Se antes era realizada buscando algum suporte na lei, agora se dá de forma clandestina, com milícias governistas reprimindo os opositores. E a população continua impedida de avançar pois, aos olhos do regime castrista, a concentração da propriedade contradiz a essência do socialismo e jamais será permitida. Com a morte do ditador, Cuba tem o desafio de (finalmente) começar a caminhar com as próprias pernas e oferecer uma vida melhor (e livre) à população.

Cubanos em Miami comemoram a morte do ditador assassino sanguinário Fidel Castro



Dezenas de cubanos se reuniram na madrugada deste sábado com bandeiras de seu país e dos Estados Unidos nos arredores do restaurante Versailles, no bairro de Little Havana, em Miami, após tomarem conhecimento da morte de Fidel Castro, líder da revolução que levou milhares de pessoas a fugir de Cuba desde 1959. O famoso restaurante foi palco de celebrações semelhantes cada vez que se intensificavam rumores da morte de Fidel, e de protestos e reuniões dos exilados em Miami. Muitos sorriam para as câmeras, outros choravam da emoção e alguns bebiam champanhe diretamente da garrafa sem se importar com a presença de curiosos. A notícia da morte de Fidel Castro foi dada por seu irmão Raúl Castro, atual ditador presidente de Cuba, pouco antes da meia-noite. A famosa rua 8 de Miami, a avenida principal da região chamada Little Havana, teve o tráfego interrompido porque muita gente foi para o asfalto. Ramón Saúl Sánchez, líder da organização do exílio cubano Movimento Democracia, lamentou que a morte de um “tirano” – como definiu Fidel Castro – não signifique “a liberdade do povo de Cuba”. “É a maior tristeza que tenho em meu coração”, afirmou o ativista. Fidel Castro morreu aos 90 anos às 22h29 de sexta-feira (1h29 de sábado em Brasília), informou seu irmão, o presidente Raúl Castro, em pronunciamento na rede de televisão estatal. O corpo do velho ditador sanguinário assassino foi cremado, “atendendo sua vontade expressa”, explicou Raúl, bastante emocionado.

Funeral do ditador assassino Fidel Castro vai durar nove dias



O corpo do ex-ditador, morto às 22h29 (1h29 de Brasília) de sexta-feira (25) foi cremado neste sábado, em ato privado. Entre segunda (28) e terça-feira (29), as cinzas ficarão expostas na Praça da Revolução, maior palco dos longos discursos do ditador, para que apoiadores do castrismo possam prestar homenagens. A partir do dia 30, os restos mortais serão transportados em carreata que deve percorrer toda a ilha. Seu destino final é a cidade de Santiago de Cuba, onde Fidel, nascido em Birán, cresceu, frequentou a escola e, em 1959, anunciou a Revolução Cubana. No dia 4 de dezembro, as cinzas serão sepultadas após “ato maciço”, segundo nota oficial, na praça Antonio Maceo. 

Donald Trump escancara a verdade: "Fidel Castro foi um ditador brutal que oprimiu seu povo"



O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, referiu-se neste sábado a Fidel Castro como “um ditador brutal que oprimiu seu povo por seis décadas”, em reação à morte do líder cubano na véspera, em Cuba. Fidel faleceu aos 90 anos na noite de sexta-feira após desafiar os Estados Unidos por mais de meio século à frente de um regime que governou com mão de ferro. “Embora as tragédias, as mortes e a dor provocadas por Fidel Castro não possam ser apagadas, nossa administração fará tudo o possível para assegurar que os cubanos possam finalmente começar seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade que tanto merece”, declarou Trump em um comunicado. O presidente eleito não fez qualquer menção a suas ameaças prévias de reverter a histórica reaproximação realizada pelos dois países sob a presidência de Barack Obama. Fiel à retórica usada em sua campanha eleitoral, Trump destacou que “o legado de Fidel Castro é o dos pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e a negação aos direitos humanos fundamentais”.

Dissidente teme aumento da repressão após morte de Fidel

O dissidente cubano Guillermo Fariñas
Neste sábado, dezenas de opositores cubanos exilados foram às ruas para comemorar após receberem a notícia da morte de Fidel Castro. O dissidente Guillermo Fariñas, contudo, não se juntou ao coro. Para o ativista que é um dos mais importantes opositores do regime castrista, a partida do líder da revolução cubana pode aumentar os atos de repressão no país. “Achamos que haverá mais repressão. Já existem vários irmãos com as casas vigiadas, não podem sair. Simples e ingenuamente o que precisamos neste momento é mais do apoio da comunidade internacional e de governos democráticos”, afirmou Fariñas neste sábado: “As ditaduras são mais perigosas no começo e no final. Acredito que a repressão vai aumentar caso não exista solidariedade internacional". O jornalista e psicólogo de 54 anos deu as declarações sobre a morte de Fidel em Porto Rico, onde participa de uma série de atividades do Encontro Nacional Cubano ao lado do também dissidente René Gómez Manzano. Fariñas, que realizou inúmeras greves de fome para protestar contra a censura e as prisões políticas em Cuba – além de ter sido detido diversas vezes pelo regime –, pediu que os cubanos na ilha e fora dela pensem “como nação” e se unam contra o regime castrista e o atual presidente Raúl Castro, que assumiu o poder quando seu irmão se afastou por problemas de saúde, em 2006. “Se morreu um símbolo da ditadura, se morreu a figura icônica da mal chamada Revolução Cubana e 50% dela, que comecem uma luta interna porque Raúl dará o poder a seus filhos e netos, que são os que estão mandando em Cuba”, indicou Fariñas. A morte de Fidel foi anunciada neste sábado pelo seu irmão, o atual presidente de Cuba, Raúl Castro, em um pronunciamento transmitido pela televisão estatal do país. O ex-ditador morreu à 1h29 (horário de Brasília), aos 90 anos, na capital Havana. “Com profunda dor é que informo ao nosso povo, aos amigos da nossa América e ao mundo que hoje, 25 de novembro de 2016, às 22h29, morreu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz”, disse Raúl durante discurso emocionado.


Morre Fidel Castro. Havendo um inferno, está indo pra lá. Ou: O mistificador da história

A mais estúpida de todas as leituras é aquela que poderia ser assim sintetizada: “Fidel liderou uma ditadura, mas melhorou os índices sociais”. Isso que parece ingênuo, de uma objetividade crua e descarnada de qualquer ideologia, é, de fato, uma impostura formidável

Por Reinaldo Azevedo - Aos 90 anos, morre Fidel Castro. Viveu 57 desses 90 como ditador de Cuba, ditadura esta que, desde fevereiro de 2008, tem Raúl, o irmão, como executivo. As considerações que seguem são quase as mesmas que fiz naquele ano, quando o facínora se afastou do dia a dia do governo. Tenho um pouco de vergonha de muitos da minha profissão. Com as exceções de sempre e de praxe, afirmo de modo categórico: está tomada por pusilânimes, por idiotas, por cretinos incapazes de escolher entre o bem e o mal, entre a democracia e a ditadura, entre a vida e a morte. Já li nesta manhã muita coisa que a imprensa relevante publicou, no Brasil e no mundo, a respeito da morte do ditador. Não fiz a contabilidade, mas creio que 90% dos textos apelam a uma covardia formidável: seu legado seria ambíguo; Fidel nem é o herói de que falam as esquerdas nem o facínora apontado pela direita. Até parece que ele é apenas um objeto ideológico sujeito a interpretações. Não por acaso, esquece-se de abordar, então, o seu legado segundo o ponto de vista da democracia. A mais estúpida de todas as leituras é aquela que poderia ser assim sintetizada: “Fidel liderou uma ditadura, mas melhorou os índices sociais”. Isso que parece ingênuo, de uma objetividade crua e descarnada de qualquer ideologia, é, de fato, uma impostura formidável; aí está a fonte justificadora do mais assassino de todos os regimes políticos jamais inventados pela humanidade. A ditadura comunista viria, assim, embalada pelo mito da reparação social: “Não se tem liberdade, mas, ao menos, há saúde e educação para todos”. Pergunto: uma ditadura de direita, então, se justificaria segundo esses mesmos termos? Mas atenção! Não se trata apenas de criticar esse postulado indecente que aceita trocar liberdade por conquistas sociais. O milagre social da revolução cubana foi criado em cima de mentiras objetivas. Em 1952, Cuba tinha o terceiro PIB per capita da América Latina. Em 1982, estava em 15º lugar, à frente apenas de Nicarágua, El Salvador, Bolívia e Haiti. A fonte? La Lune et le Caudillo, de Jeannine Verdes-Leroux. O livro, de 1989, tem o sugestivo subtítulo de “O sonho dos intelectuais e o regime cubano”. Estuda como se implantou e se consolidou o regime comunista no país entre 1957 (a revolução é de 1959) e 1971. Não foi só essa mentira. Ao chegar ao poder, Fidel afirmou que 50% da população da ilha era analfabeta. Mentira! Em 1958, a taxa era de 22%, contra 44% da população mundial. Um ano depois da revolução, já não havia no governo nenhum dos liberais e democratas que também haviam combatido a ditadura de Fulgêncio Batista. Tinham renunciado ao poder, estavam exilados ou mortos. Logo nos primeiros dias da revolução, antes mesmo que se explicitasse a opção pelo comunismo, Fidel e sua turma executaram nada menos de 600 pessoas. Em 1960, pelo menos 50 mil pessoas oriundas da classe média, que haviam apoiado a revolução, já haviam deixado Cuba. Três anos depois, 250 mil. A Confederação dos Trabalhadores Cubanos, peça-chave na deposição do regime anterior, foi tomada pelos comunistas. Em 1962, imaginem, a CTC cobra de Fidel a “supressão do direito de greve”!!! O principal líder operário anti-Batista, que ajudou a fazer a revolução, David Salvador, foi encarcerado naquele ano. Só nos anos 1960, o regime de Fidel fuzilou entre 7 mil e 10 mil pessoas. Caracterizá-lo como um assassino não é uma questão de gosto, mas de fato; não se trata de tomar essa característica como parte de seu legado supostamente ambíguo. Não há nada de ambíguo em fuzilar 10 mil. É coisa de facínora. Como é incontroverso que ele e seu amiguinho, o Porco Fedorento Che Guevara, criaram campos de concentração na ilha, os da UMAP (Unidade Militar de Apoio à Produção), formados por prisioneiros políticos, que chegaram a 30 mil!!! Ali estavam religiosos, prostitutas, homossexuais, opositores do regime, criminosos comuns… Os movimentos gays, que costumam ser simpáticos à esquerda, deveriam saber que a Universidade Havana passou por uma depuração anti-homossexual. Isso mesmo. Em sessões públicas, os gays eram obrigados a reconhecer seus “vícios” e a renunciar a eles. As alternativas eram demissão e cana (em sentido literal e metafórico). Segundo O Livro Negro do Comunismo, desde 1959, estima-se em 100 mil o número de pessoas que passaram pela cadeia ou pelos “campos” de reeducação no país. Os fuzilamentos são estimados entre 15 mil e 17 mil pessoas. Quando Fidel fez 80 anos, escrevi neste blog o seguinte: “Em 1961, estima-se que Cuba tivesse 6,5 milhões de habitantes. Nada menos de 50 mil já tinham fugido da ditadura para o exílio. Ou seja: 0,77% da população. Isso não impediu, é claro, que José Dirceu fosse buscar abrigo na ilha quando veio o golpe militar. Ali ganhou uma nova cara e consta que treinou guerrilha — há quem diga que nunca deu um tiro. Em 1964, o Brasil tinha 80 milhões. Se os militares tivessem feito aqui o que o ditador cubano fez lá, nada menos de 616 mil brasileiros teriam ido embora. Cuba tem hoje 11 milhões de habitantes. Desde 1959, foram executadas na ilha 17 mil pessoas — não se sabe quantas morreram nas masmorras. Só os reconhecidamente executados são 0,154% da população. Postos os números em termos brasileiros, dada uma população atual de 180 milhões, os mortos seriam 277.200. Só nos primeiros cinco meses da revolução, foram sumariamente executadas 600 pessoas (0,0092% da população). É pouco? No Brasil de 1964, isso significaria 7.360 mortes logo de cara. Os 21 anos de ditadura militar brasileira mataram, em números superestimados, 424 pessoas, incluindo os guerrilheiros do Araguaia. Desse total, por razões comprovadamente políticas, foram 293 pessoas. Os números sobre o Brasil estão no livro “Dos Filhos Deste Solo”, do petista e ex-ministro de Lula Nilmário Miranda. Em Cuba, de 1959 para cá, passaram por prisões políticas 100 mil pessoas (0,9% da população atual). Em Banânia, isso representaria 1.620.000 pessoas. Essa é a democracia que um grupo de petistas estava — ou está — se preparando para saudar no próximo dia 13 de agosto, quando Fidel faz (ou faria) 80 anos, 47 dos quais à frente de uma das ditaduras mais fechadas e sanguinárias no planeta. Mais detalhes no texto “A América Latina e a Experiência Comunista”, de Pascal Fontaine, que integra “O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão” (Editora Bertrand Brasil), recebido com um silêncio covarde e cúmplice por aqui. E também em “Loué Soient nos Seigneurs”, de Régis Debray (Editora Gallimard), que conheceu de perto, em Che Guevara, parceiro de Fidel, “o ódio que faz do homem uma eficaz, violenta, seletiva e fria máquina de matar”. Nota: ainda hoje, as prisões cubanas são um exemplo acabado da degradação humana. A totalidade dos presos de Fidel preferiria, sem sombra de dúvidas, dividir celas com os terroristas de Guantánamo. Mas o mundo, claro, acha Bush um bandido e para quando discursa o ditador de opereta.”
Então…
Viram só? Por que os nossos ditadores, que não passam de soldadinhos de chumbo perto da máquina de matar que foi Fidel Castro, também não têm reconhecida a sua herança ambígua, não é mesmo? Já imaginaram. “Há quem diga que o general Emílio Médici foi um ditador, mas, para alguns, foi um verdadeiro herói…” Não! Isso os nossos jornalistas isentos jamais dirão. Mas cobram isenção diante de um dos maiores assassinos da história. Não saúdo a morte de ninguém. Mas vai que o inferno exista… Existindo, Fidel foi pra lá.

O ministro amigão

Ricardo Lewandowski, do STF, protege o deputado petista Marco Maia, acusado de comprar um apartamento em Miami de maneira ilícita


Durante sua atuação como ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski foi acusado por seus adversários de se alinhar demais ao PT. No impeachment de Dilma Rousseff, permitiu a separação entre a cassação e a perda dos direitos políticos. Agora, de volta ao trabalho como magistrado em um primeiro inquérito desdobrado da Lava Jato, documentos obtidos por ISTOÉ mostram que ele protege um deputado petista de uma investigação aprofundada. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou abertura de um inquérito para apurar a compra de um apartamento em Miami pelo deputado federal Marco Maia (PT-RS), acusação feita na delação premiada do ex-vereador petista Alexandre Romano. A hipótese é de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo caiu nas mãos de Lewandowski. O ministro até autorizou a abertura do inquérito, mas barrou as duas principais diligências solicitadas por Janot para avançar as investigações: acesso ao conteúdo dos celulares de Marco Maia e cooperação internacional com autoridades dos EUA para obter documentos do imóvel. Em despacho de 4 de outubro, Lewandowski autorizou somente a tomada de depoimentos no Brasil, o levantamento de doações eleitorais de uma empresa suspeita de bancar o apartamento e a juntada de provas já produzidas. O ministro nem chega a explicar porque barrou as principais diligências.


Advogado e ex-vereador em Americana, Alexandre Romano foi preso pela Lava Jato no ano passado e firmou delação premiada, na qual também relata um esquema de desvios ligado ao ex-ministro Paulo Bernardo. A ideia de Maia ao comprar o apartamento em Miami, segundo o delator, surgiu durante uma viagem de ambos àquela cidade, em 2013. Romano possuía apartamento nessa cidade. “O deputado confidenciou-lhe ter um ‘sonho’ de ter um apartamento lá”, relatou a petição de Janot. A defesa do deputado petista nega que ele seja o dono do imóvel. A assessoria de Lewandowski disse que ele não poderia comentar porque o processo é sigiloso. A delação de Romano envolve nas irregularidades a empresa Ímpar/Hospital 9 de Julho. Segundo o ex-vereador, foi por meio de um acerto com a empresa que o apartamento em Miami foi bancado: Maia lhe relatou que tinha um crédito de R$ 1 milhão a cobrar da Ímpar e que poderia ser destinado ao financiamento do imóvel. O apartamento custou US$ 630 mil.

Delatores ameaçados

As pressões para que testemunhas desmintam seus depoimentos incluem ameaças de morte sob a mira de revólveres, envolvem promessas de incendiar moradias com a família dormindo e compõem a face obscura do mundo das delações premiadas


A advogada Beatriz Catta Preta abre a porta de casa localizada na rua Hungria, bairro Jardim Europa, São Paulo, e se depara com o doleiro Lúcio Bolonha Funaro no sofá da sala brincando com seus dois filhos. Ela estremece. Funaro saca uma arma, aponta para sua cabeça e desfia um rosário de ameaças. Para não realizá-las, impõe a Catta Pretta uma condição: que convença seu cliente, o empresário Julio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal, a não sustentar denúncias contra seu aliado, o então presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. Em negociação de delação premiada, no início de 2015, Camargo havia se comprometido a dizer aos investigadores da Lava Jato que Cunha recebeu US$ 5 milhões de propinas na venda de navios-sondas da Samsung para a Petrobras em 2008. Funaro, que já havia sido defendido por Catta Preta no episódio do mensalão, tinha acesso à residência da advogada, mas àquela altura já era uma espécie de capanga de Cunha. A ameaça surtiu efeito. Num primeiro momento, sob a orientação de Catta Preta, Camargo livrou a cara do deputado. Só em maio deste ano, Camargo decidiu revelar os subornos recebidos por Cunha e forneceu os detalhes mais sórdidos do pagamento de propina em contas na Suíça. Iniciava-se ali o processo de perda do mandato de Cunha e da conseqüente prisão pela Lava Jato.

As criminosas ameaças de Funaro a Catta Preta, até então uma jurista responsável por defender dezenas de delatores da Lava Jato, levaram a advogada a abandonar os clientes e a praticamente encerrar a profissão. Mas desnudou uma faceta obscura do mundo das delações premiadas. De 2014, quando a operação Lava Jato foi deflagrada, até hoje, delatores sofrem ameaças de terem suas vidas e a de seus parentes ceifadas. Aterrorizados, alguns se viram obrigados a mentir em depoimentos à Justiça. Depois, mudaram suas versões. O clima permanece pesado entre os dispostos colaborar com os procuradores. Há duas semanas, o empresário Léo Pinheiro, ex-sócio da OAS, foi responsável por um gesto insólito. Pinheiro chegou a pedir para continuar preso temendo que, em liberdade, corresse risco de morte. A solicitação foi feita por seus advogados ao juiz Sergio Moro “tendo em vista o teor bombástico de sua nova delação”. Os defensores de Pinheiro alimentam outro receio: o de que o empreiteiro seja transferido para o Complexo Médico Penal de Pinhais. Entendem que ele não teria garantia de vida no local, mais vulnerável do que a Superintendência da Polícia Federal no Paraná. “Seria recomendável a sua manutenção na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná, inclusive para acautelar eventual risco à sua integridade física”, disseram. Um delator clamar para permanecer detido é algo inédito na Lava Jato, mas Pinheiro teme terminar como Celso Daniel, o ex-prefeito de Santo André assassinado com 13 tiros em janeiro de 2002. O crime teve motivações políticas. Assim como Daniel estava disposto a denunciar um sombrio esquema de desvios de recursos para financiamento de campanhas eleitorais, o que poderia ferir o PT de morte antes mesmo de o partido ascender ao Planalto, Pinheiro pretende apresentar à Lava Jato seu arsenal bélico com potencial para enterrar de vez o lulopetismo, quase 15 anos depois. A nova delação pode ser determinante para a condenação do ex-presidente Lula, hoje réu nos casos do tríplex no Guarujá e do armazenamento de seu acervo num balcão em São Paulo, custeado pela OAS.


O lobista Fernando Moura, que delatou o ex-ministro José Dirceu na Lava Jato, também não quis pagar para ver até onde PT era capaz de chegar. Num primeiro depoimento a Sérgio Moro, contrariou o que dissera na delação premiada aos procuradores. Moura afirmou que Dirceu nunca recomendou que ele deixasse o Brasil e desistisse de revelar as transferências de R$ 11,8 milhões em propinas para o ex-ministro. Depois voltou atrás: “Eu errei. Errei feio”. E se explicou: deu uma guinada de 180° graus no depoimento por se sentir ameaçado quando passeava por uma rua de Vinhedo, interior de São Paulo, cidade onde Dirceu mantinha residência, e foi abordado “por um homem branco, de 1,85m de altura, aparentando ter uns 40 anos”, que perguntou como estavam seus netos. “Eu interpretei que houve uma ameaça velada de alguém envolvido neste processo”, disse Moura. O delator ainda relatou aos procuradores da Lava Jato que quando estava na cadeia, apenas uma pessoa o procurou para falar sobre as implicações de seu depoimento. Tratava-se de Roberto Marques, ex-assessor de José Dirceu, que lhe pediu, quando dividiram cela em Curitiba, para que ele não citasse o nome do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, no esquema do Petrolão. Pereira, que havia sobrevivido incólume ao mensalão, mesmo depois de ser denunciado por Roberto Jefferson, acabou virando réu na Lava Jato este mês.


O expediente de atemorizar familiares de delatores tem se mostrado bastante usual durante as investigações da Lava Jato. O mesmo Funaro que foi o principal responsável pela aposentadoria forçada e precoce de Catta Preta, ao colocar uma arma em sua cabeça na frente dos filhos, ameaçou os rebentos de outro delator: Fábio Cleto, vice-presidente da Caixa Econômica Federal e apadrinhado de Eduardo Cunha. Funaro costumava ser agressivo durante cobranças de propinas. Em delação premiada, Cleto disse ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que ele quis pôr fogo em sua casa, no momento em que seus filhos estivessem lá. “Em razão dessas cobranças agressivas, o declarante (Fábio Cleto) e Lúcio Bolonha Funaro acabaram brigando. Que o fator culminante para a separação foi quando Funaro ameaçou colocar fogo na casa do depoente com os filhos dentro”. Pioneiro nas denúncias que resultaram nas investigações da Lava Jato, o empresário Hermes Freitas Magnus, dono da Dunel Indústria e Comércio Ltda, ainda se sente inseguro. Magnus, que implicou José Janene (PP-PR), morto em 2010, e o doleiro Alberto Youssef, ainda em 2008, teve de deixar o Brasil para desfrutar de uma vida livre de sobressaltos. Teme ser morto. “Sobretudo agora que o doleiro Youssef está em liberdade”, contou à ISTOÉ, pedindo para que não fosse revelado o País onde vive atualmente.

Vice-presidente dos direitos humanos em São Paulo admite que recebia mesada do PCC


O vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, admitiu em depoimento à Polícia Civil de São Paulo que recebia uma mesada do PCC para prestar serviços à organização criminosa. Santos é um dos 55 alvos da Operação Ethos, que desmontou o núcleo jurídico da facção, a chamada “célula R” — cada integrante dela era chamado de R1, R2, R3 até o R41. Santos teve a prisão temporária (válida por 5 dias) prorrogada pela Justiça paulista na sexta-feira, no mesmo dia em que foi afastado do cargo pelo Condepe. Em seu interrogatório, Santos diz que vinha sendo renumerado pelo PCC desde janeiro de 2015 e que só não recebeu neste mês porque a facção atrasou o pagamento. O objetivo inicial dos criminosos era que ele usasse de sua influência perante desembargadores e representantes do governo para interceder pelos membros da facção. Em seu depoimento, ele diz que recusou fazer esse tipo de trabalho, mas aceitou “auxiliá-los nos processos envolvendo reclamações contra o Sistema Prisional Paulista”. Muitas das queixas protocoladas por Santos eram falsas e acabaram sendo arquivadas, como por exemplo uma que dizia que um vidro fora encontrado na comida de uma penitenciária. O intuito final era, conforme ele próprio confirmou, reunir as denúncias e levá-las até a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em um e-mail interceptado pela Polícia Civil, ele chega a cobrar 10.000 reais aos advogados do PCC para fazer uma vistoria no presídio de Presidente Bernardes, onde é cumprido o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) – o fechamento desse presídio é uma reivindicação antiga da facção. No início das tratativas, foi combinado que Santos receberia 2.000 reais mensais. Depois, a quantia subiu para 3.000, 4.500 e, enfim, 5.000 reais. A soma costumava ser depositada na conta de sua mulher. Os dois Rs responsáveis por arregimentar Santos foram os irmãos advogados Davi e Vanila Gonçales, que também foram presos na terça-feira. Diz um trecho do depoimento transcrito: “Foi procurado por Vanila no Condepe quando então ela fez a proposta de pagamento de 2.000 reais mensais ao interrogado para que ajudasse os amigos e clientes dela; indagado em que consiste exatamente essa ajuda, o interrogado diz que Vanila narrou que havia ingressado com revisões criminais perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em nome de seus clientes e solicitava que o interrogado utilizasse sua influência de conselheiro para convencer os desembargadores; a pretensão era que o interrogado conversasse com o desembargador Luiz Edmundo Marrey, representante do Tribunal de Justiça perante o Condepe, para que ele interferisse nos demais desembargadores nos respectivos processos de interesse de Vanila”. A Polícia Civil diz que não encontrou nenhum indício de que os desembargadores atuaram em favor dos criminosos. Em seu depoimento, Santos afirma que, logo em fevereiro de 2015, tentou se desvencilhar do esquema. Vanila, então, teria lhe dito que “não havia mais volta”. Ele teve noção clara de que estava sendo ameaçado, quando num certo dia um motoqueiro desconhecido o surpreendeu na frente de casa com a foto dos filhos, segundo Santos. A Polícia Civil considera que parte das declarações do conselheiro fazem parte da sua estratégia de defesa de dizer que foi coagido. A corporação também informou que, se ele requisitar, poderá entrar num programa de proteção por causa das ameaças. Conhecido por frequentemente denunciar abuso da violência policial, Santos tem uma carreira de mais de 20 anos na defesa dos direitos humanos. Ele dirige a ONG Conselho Ouvidor de Direitos Humanos e Cidadania (DODH), que tem sede em Cotia. Foi por meio dela que ele conseguiu se tornar conselheiro suplente do Condepe, em 2014, e ser escolhido neste ano para o cargo de vice-presidente. Segundo a Polícia Civil, a sua campanha, que custou 12.000 reais, foi bancada pelo PCC. O Condepe é formado por membros egressos de ONGs, representantes do Ministério Público, do Tribunal de Justiça, do governo paulista e da OAB. O conselho é vinculado à Secretaria de Justiça da gestão Alckmin, mas tem status de órgão autônomo.

Calero diz, após demissão de Geddel, que "não compactua com ilícito"



Em resposta a pronunciamentos do Palácio do Planalto, o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, afirmou na sexta-feira que não pediu uma reunião com o presidente Michel Temer com o objetivo de gravar a conversa. Disse também que, em sua carreira política e diplomática, “nunca agiu de má-fé ou de maneira ardilosa” e que, em relação ao episódio envolvendo o apartamento do agora também ex-ministro Geddel Vieira Lima, apenas demonstrou que não tolera atos ilícitos. “No episódio que agora se torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições”, escreveu em nota publicada em sua página no Facebook. Essa é a primeira declaração dada por Calero a após a demissão de Geddel. A frase é uma reação à declaração do porta-voz do presidente Michel Temer, Alexandre Parola, que disse na quinta-feira ter ficado “surpreso” com os “boatos” de que Calero pedira a audiência com Temer para gravar “clandestinamente” o diálogo que se seguiu entre eles. Depois de acusar a cúpula do governo de tentar pressioná-lo a liberar uma obra de interesse pessoal de Geddel, Calero entregou à Polícia Federal gravações das conversas que teve sobre o assunto com Temer, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o próprio Geddel. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-ministro narrou detalhes de como Temer e seus dois principais ministros teriam tentado forçá-lo a liberar a construção de um prédio residencial em uma região tombada pelo patrimônio histórico em Salvador. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, subordinado a Calero, havia embargado a obra. Além de gravar Temer e seus dois ministros de confiança, o ex-ministro da Cultura registrou as conversas que teve com dois auxiliares do presidente. O próprio Palácio do Planalto obteve a confirmação da existência dos áudios. “As gravações não são de boa qualidade, porque foram feitas com um aparelho que aparentemente estava no bolso do Calero”, disse um ministro palaciano. Confira na íntegra a nota publicada por Calero: “A respeito de informações disseminadas, a partir do Palácio do Planalto, de que eu teria solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial, esclareço que isso não ocorreu. Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má fé ou de maneira ardilosa. No episódio que agora se torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições".

Fernando Henrique Cardoso diz que "o país tem de chegar até uma eleição em 2018"



Após participar de almoço com o presidente Michel Temer na sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o País “tem de chegar até 2018” ao se referir ao atual contexto de crise gerado pela demissão do sexto ministro do atual governo, Geddel Vieira Lima. “Temos de chegar até uma eleição em 2018 e temos de nos unir pelo Brasil”, disse Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, a demissão de Geddel da Secretaria de Governo foi um dos assuntos tratados, mas a conversa teria sido “mais geral”. O tucano fez comentários sobre a possibilidade de a conversa entre Temer e o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, ter sido gravada – segundo o ex-ministro, o presidente o pressionou para liberar empreendimento embargado na Bahia nesse encontro. “Uma pessoa gravar uma conversa com outro me parece uma coisa que não é certa. Tem que ter a boa-fé, imaginar que você está conversando com interlocutor. Eu não acho isso correto, ainda mais quando se trata de um presidente da República ou um ministro”, afirmou. O senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, que também participou do almoço, disse que defendeu a ideia de que o presidente Temer envie para o Congresso o texto da Reforma da Previdência logo após o primeiro turno de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto dos gastos, marcado para o próximo dia 29. “É ideia dele e nós estimulamos que seja após o primeiro turno. E antes do segundo turno não há necessidade de esperar essa votação”, afirmou.

Os ministros caídos de Temer



Desde que assumiu o governo interinamente em maio, o presidente Michel Temer viu escândalos eclodirem entre seus ministérios. Em seis meses de governo, Temer teve seis baixas entre seus ministros. Um ministro por mês, em média. A primeira baixa aconteceu em maio quando o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Romero Jucá, foi flagrado em áudios vazados com o ex-presidente da Transpetro falando em “estancar a sangria”, se referindo à Operação Lava Jato. Neste mês, Jucá foi oficializado como líder do governo no Senado. Na época, ele pediu demissão do cargo e atualmente exerce seu mandato de senador pelo PMDB. O último acontecimento que abalou, mais uma vez, a estrutura do governo Temer foi o pedido de demissão do ministro da Cultura, Marcelo Calero, na última sexta-feira, alegando que o ministro da Secretaria do Governo, Geddel Vieira Lima, estava o pressionando para a liberação de uma obra embargada de seu interesse na Bahia. Na sexta-feira foi a vez de Geddel pedir demissão após a crise ter se instalado no governo. Em carta, Geddel afirma que “é hora da sair”. Abaixo, a lista dos seis ministros que deixaram o governo: 
1. Romeró Jucá 


Em maio deste ano, o senador Romero Jucá foi exonerado do cargo de ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão do governo de Michel Temer após ser flagrado em conversas, gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Nas gravações, Jucá afirmava que era necessário "estancar essa sangria", se referindo a Operação Lava Jato. Jucá também propõe um “pacto” para conter o avanço das investigações e fala “a saída é o Michel [Temer] e o Eduardo [Cunha]”. Neste mês, Jucá foi oficializado como líder do governo no Senado. Ele exerce o mandato de senador pelo PMDB. 

2. Fabiano Silveira 


Em maio, Fabiano Silveira, então ministro da Transparência do governo Temer, pediu demissão do pasta após ser flagrado em gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado onde fazia críticas a Operação Lava Jato e dava conselhos ao presidente do Senado Renan Calheiros. As conversas aconteceram em fevereiro e Silveira ainda atuava no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

3. Henrique Eduardo Alves 


Em junho, o então ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão do cargo após ser citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado. Machado diz ter pago 1,55 milhão de reais a Alves. 

4. Fábio Medina Osório 


Em setembro, Fábio Medina Osório, ex-advogado Geral da União, denunciou que o governo tinha a intenção de "abafar a Lava Jato" após ser demitido pelo presidente Michel Temer. Medina foi demitido sob a justificativas de que não conseguiu se firmar no cargo, tinha dificuldade de dialogar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e enfrentava problemas internos na AGU. Em entrevista a VEJA no mesmo dia da demissão, o ex-ministro disse que saía do posto porque o governo não queria fazer avançar as investigações da Lava-Jato que envolviam aliados. 

5. Marcelo Calero 


Na sexta-feira da semana passada, o então ministro da Cultura pediu demissão da pasta alegando que estava sendo pressionado pelo ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria do Governo. Calero afirma o ministro o procurou cinco vezes para reverter um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) da Bahia que havia embarcado a construção de um prédio onde Geddel havia comprado um apartamento. O titular da pasta à época se negou a contrariar o parecer do IPHAN. Calero ainda disse o presidente Michel Temer “enquadrou” para que ele encontrasse uma “saída” para a questão envolvendo o prédio La Vue Ladeira da Barra, em Salvador, onde Geddel comprou um apartamento. 

6. Geddel Vieira Lima 

 
Nesta sexta-feira, o ministro da Secretaria do Governo Geddel Vieira Lima pediu demissão da pasta. Em carta entregue, o ex-ministro afirma que "é hora de sair" e fala em "limite da dor". A demissão ocorre depois de Geddel ser acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tentar usar o cargo para pressionar pela liberação de uma obra de seu interesse na Bahia.

Psol anuncia que vai pedir impeachment de Temer



A bancada do Psol na Câmara dos Deputados se antecipou ao PT e anunciou na sexta-feira que protocolará na segunda-feira um pedido de impeachment do presidente Michel Temer. “Agora sim estamos diante de um crime de responsabilidade”, afirmou o líder do partido Ivan Valente (SP). Para o processo ser aberto, o pedido precisa ser acolhido pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado do governo. O partido vai se basear nas denúncias do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, feitas em depoimento à Polícia Federal de que Temer interveio em favor dos interesses pessoais do ministro demissionário da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Segundo Calero, Temer pediu para que ele resolvesse o impasse na liberação do empreendimento imobiliário em Salvador (BA), onde Geddel comprou um apartamento. O primeiro partido a defender a apresentação do impeachment de Temer foi o PT. Na quinta-feira, o líder da sigla na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), disse que as bancadas na Câmara e no Senado continuarão atuando para apurar o caso, “que agora ficou muito mais grave, com o envolvimento de Temer nas denúncias”. “Identificado o crime de responsabilidade, o caminho é a abertura de um processo de impeachment de Temer. O governo Temer derrete”, disse o líder comunista em nota.

O delator desmemoriado

A jornalista Roberta Paduan lançou o livro "Petrobras, uma história de orgulho e vergonha", pela editora Companhia das Letras, leitura obrigatória para quem deseja entender a fundo a gênese do petrolão. No livro, ela dedica um bom trecho a Augusto Ribeiro de Mendonça, delator que, segundo Roberta, ainda tem muito a contar à Lava Jato. Leiam o que Roberta Paduan nos enviou: ""O delator Augusto Ribeiro de Mendonça Neto foi o primeiro empresário a fechar acordo de colaboração premiada com a força tarefa da Lava Jato, em outubro de 2014. Ele foi peça fundamental para esclarecer como funcionava o cartel das empreiteiras que drenaram por mais de uma década recursos da estatal. Com o passar do tempo, tornou-se peixe pequeno, diante de prisões de tubarões, como Marcelo Odebrecht. No entanto, se a memória de Mendonça Neto for um pouco mais estimulada pelos investigadores, é possível que ele ajude a esclarecer episódios ligados à gênese do petrolão. Em agosto de 2002, Lula gravou o primeiro programa do horário eleitoral gratuito no BrasFels. Em um discurso inflamado, afirmou que a Petrobras estava cometendo um crime ao encomendar plataformas de petróleo no exterior. Caso fosse eleito, a Petrobras passaria a contratar plataformas no Brasil. Disse, ainda, que aquele mesmo estaleiro, o Brasfels, poderia construir as duas plataformas que a estatal pretendia contratar. Dias antes da gravação do programa eleitoral, Lula havia participado de um encontro no Sindicato Nacional da Indústria Naval, no Rio de Janeiro. Entre os empresários que o ciceronearam estava Mendonça Neto. A ponte entre Lula e o empresário foi feita pelo ex-prefeito de Angra, o atual deputado federal Luiz Sérgio. Luiz Sérgio, aliás, havia trabalhado como metalúrgico no Verolme (antigo nome do Brasfels), antes de se tornar líder sindical e ingressar na política. O deputado e Mendonça Neto também haviam visitado, em dupla, executivos da Petrobras, sempre tentando convencê-los de que a empresa deveria contratar as plataformas de estaleiros instalados no país. Na época, a recomendação do presidente da estatal Francisco Gros era a de encomendar os equipamentos que apresentassem o melhor preço e a melhor qualidade, fossem eles construídos dentro ou fora do Brasil. Eleito, Lula cumpriu a promessa. Antes mesmo de assumir o governo, dois membros de sua equipe de transição, Dilma Rousseff e José Sérgio Gabrielli, convocaram o então diretor de engenharia da Petrobras, Luiz Menezes, para fazer um pedido: gostariam que a estatal adiasse as licitações de duas plataformas que estavam sendo licitadas, a P-51 e a P-52. Dilma explicou ao diretor Menezes que o novo governo gostaria de estabelecer novas regras para a contratação dos equipamentos. Gros, que havia se desgastado pelos jornais com Lula durante a campanha eleitoral, concordou. Por fim, o estaleiro Brasfels ganhou a licitação para construir as duas plataformas. Hoje já se sabe que o Brasfels pagou propina para ganhar os contratos. Em sua delação premiada, no entanto, Mendonça Neto esqueceu de contar aos procuradores que pagou propina pelas duas plataformas. Contou apenas que pagara pelas obras realizadas em refinarias (o empresário deixou a sociedade no estaleiro em 2005 e sua nova empresa atuava em obras de refino). Nos depoimentos de outubro de 2014, o empresário afirmou que 'tinha ouvido falar' que o estaleiro havia pago propina pelas plataformas. A versão de Mendonça Neto foi, finalmente, mudada em um depoimento em julho deste ano, quase dois anos depois da delação original, e após a prisão do lobista Zwi Skornicki, que era representante da Keppel Fels no Brasil, ex-sócia de Mendonça Neto no estaleiro. Segundo Skornicki, o estaleiro negociou e pagou propinas por contratos com a Petrobras desde 2003, quando ganhou o contrato da primeira plataforma já no governo Lula. O juiz Sérgio Moro, que tomava o depoimento de Mendonça Neto, percebeu a mudança na versão do delator, que agora corre o risco de perder os benefícios do acordo de colaboração. Por que Mendonça Neto escondeu que pagou propina pelas duas plataformas? Lula, Dilma, Gabrielli e Luiz Sérgio souberam de tais acordos? Essas perguntas precisam ser respondidas. Zwi, aliás, já declarou que pagou propina a Luiz Sérgio para não depor na CPI da Petrobras, da qual Luiz Sérgio foi relator." (O Antagonista)

Mensagens reforçam que sítio de Atibaia pertence a Lula



Mensagens eletrônicas obtidas pela Polícia Federal comprovam que o então assessor do gabinete pessoal do então presidente Lula, Rogério Aurélio Pimentel, coordenou as obras da reforma do sítio em Atibaia. Lula responde a inquérito por ter recebido benesses de empreiteiros que reformaram o imóvel, registrado em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios do filho de Lula. Os e-mails fazem parte de um relatório da Operação Lava-Jato. São mensagens trocadas pelo engenheiro Igenes Irigaray Neto, que cuidou pessoalmente da reforma do sítio. Nelas, Igenes troca informações com o assessor do gabinete pessoal de Lula sobre detalhes da reforma do que classifica como “residência Atibaia”. Em 18 de novembro de 2010, Igenes envia a Rogério Aurélio Pimentel uma mensagem na qual são anexados projetos para a construção da suíte que abrigaria Lula no sítio. “Segue (sic) 3 plantas das suítes com propostas diferentes de implantação e locação de varandas, qualquer coisa estou à disposição”, escreveu Igenes. No dia 22 de novembro de 2010, Pimentel envia mensagem para o engenheiro com informações sobre “Proposta de Sauna (Residência Atibaia)”, diz que “ficou perfeito” e pede que seja enviada a planta do galpão naquele mesmo dia. Na sequência, completa: vai passar no sítio para ver se tem “alguma alteração” para fazer no local. Ele diz que vai conversar com Fernando, que seria referência a Fernando Bittar, um dos donos do sítio. 
 


Rogério Aurélio Pimentel foi assessor da Presidência da República até fevereiro de 2011. Foi o responsável por cuidar do transporte dos bens pessoais de Lula para o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no período em que as obras eram realizadas no local. Para a Polícia Federal, a reforma do sítio foi feita “no interesse da família Lula da Silva”. Outras mensagens mostram que Igenes Irigaray mantinha contatos com Emerson Cardoso, do Grupo Bertin, para fazer a reforma do sítio. O preço total que o engenheiro ganhou pela obra teria sido de 262.000 reais, que teriam sido pagos pelo Grupo Bertin. Outros personagens que trocam mensagens eletrônicas sobre a reforma do sítio são os engenheiros Romulo Dinalli, da Usina São Fernando, que pertence ao amigo do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, e Frederico Marcos de Almeida Horta, da Odebrecht. A PF já havia encontrado no apartamento de Lula arquivo com 130 recibos de materiais de construção usados na reforma do sítio. Também foram recolhidas duas notas fiscais em nome de Rogério Aurélio Pimentel, relacionadas à reforma do sítio.

Estatueta de "Pensador" de quase 4 mil anos é encontrada em Israel


Arqueólogos de Israel anunciaram nesta semana a descoberta de uma estatueta de 18 centímetros, feita há 3.800 anos, que exibe um homem pensativo. O pequeno boneco foi encontrado durante as escavações de um terreno da cidade de Yahud, próxima de Tel Aviv. De acordo com a Autoridade Israelense sobre Antiguidades, a escultura chama a atenção pela qualidade e por ser muito semelhante à obra "O Pensador", feita pelo artista francês Auguste Rodin, no século XX. “O nível de precisão e atenção aos detalhes nesta peça criada há quase 4.000 anos é realmente impressionante”, disse Gilad Itach, diretor de escavações da IAA. Segundo os arqueólogos, a peça, em excelente estado de conservação, foi encontrada em outubro, durante obras em um terreno onde serão construídas casas populares. Em pouco mais de um mês, os pesquisadores limparam o boneco e remontaram seus pedaços soltos. O pequeno ‘Pensador’ faz parte da mais extensa coleção de objetos funerários já encontrada em Israel. Junto com a escultura, os cientistas também acharam pontas de flechas, vasos funerários, partes de um machado, pequenas peças de metal e ossos de ovelhas e macacos. Segundo os arqueólogos, a reunião das peças leva a crer que o local pode ter sido o mausoléu de algum nobre da comunidade que habitava a região há cerca de 4.000 anos.

"É de anistia que se trata"

Carlos Ayres Britto atacou a emenda salva-ORCRIM em dois jornais. À Folha de S. Paulo, ele disse: “O projeto é uma parafernália. É mistura de figuras penais e crimes eleitorais com uma serventia, autoanistiar membros do Legislativo. E a Constituição não admite isso em se tratando de membros de Poder. A anistia foi versada pela Constituição como perdão legal de infrações, mesmo no campo penal, protagonizadas por particulares”. E: “Se for aprovado, o projeto já nascerá vocacionado para o seu desvantajoso questionamento em juízo. Esse tema é uma pecinha de cristal, nuançado. É imbricado com outras figuras delituosas. O caixa dois pode ser produto de corrupção, de propina, meio de lavar dinheiro”. Para o Estadão, ele escreveu: “O primeiro questionamento em torno dessa mal disfarçada anistia decorre da consideração de que ela, emenda, propõe a despunibilização de um tipo omissivo de conduta que a cabeça do artigo 350 do Código Eleitoral expressamente veda: omitir, em documento público ou então particular, declaração que deles devia constar (a exemplo da aceitação de doações para o financiamento de campanha eleitoral). Conduta tipificada pelo parágrafo único desse mesmo artigo 350 como ‘falsidade documental’ ou ideológica. Sancionada, além do mais, com ‘reclusão até 5 anos e pagamento de (...) multa (...). Logo, é de anistia mesmo que se trata”. E também: “Há mais o que dizer em desfavor da mal inspirada emenda. Muito mais, pois o que ela termina por fazer é anistiar o inanistiável. Explico. Primeiro, ela faz um estranho (pra não dizer temerário) corte radical entre doação e sua matriz subjetiva. Ou entre doador e donatário, se se prefere dizer, para assim poder despunibilizar os dois. Mesmo que o doador esteja a abrir a mão para o donatário depois de enchê-la com o produto de crime (peculato, corrupção, conluio em licitações, superfaturamento de obras e serviços públicos, tráfico de drogas, administração fraudulenta de instituição financeira, etc.). Com o que assume o risco de perdoar, de uma só cajadada, o crime atual e o antecedente. Explosiva mistura de malfeitorias de vários ramos ou disciplinas jurídicas que pode ter por efeito o ampliado favorecimento do número dos malfeitores”. (O Antagonista)

Morre aos 76 anos Roberto Correa, cantor dos Golden Boys




Morreu no fim da tarde deste sábado, em sua casa, no Rio de Janeiro, o cantor Roberto Correa, do grupo Golden Boys, sucesso na era da Jovem Guarda com músicas como O Cabeção e Alguém na Multidão. Roberto Correa tinha 76 anos. Sua morte foi anunciada pelo grupo em seu perfil no Facebook, sem, no entanto, informações sobre as causas. “É com imensa tristeza que informamos o falecimento, hoje, do nosso querido Roberto Correa. Força para toda a família Correa…”, diz a mensagem publicada na rede social. No último 27 de outubro, Correa publicou foto com o neto, que foi visitá-lo para cumprimentá-lo pelo aniversário. Badalados nos anos 1960, os Golden Boys, desde 2004 um trio de irmãos (Roberto, Ronaldo e Renato Correa), continuavam a fazer shows. Em agosto, por exemplo, se apresentaram em Niterói. Não se sabe como ficará o conjunto com a perda de Roberto. Há duas semanas, se apresentaram em Piratuba, Santa Catarina. Além dos três irmãos, na origem os Golden Boys contavam, na origem, com o “primo” Valdir da Anunciação, que na verdade era colega na Escola Industrial Ferreira Viana, onde estudavam, e que faleceu em em janeiro de 2004.



Economista Eduardo Giannetti diz que brasileiros estão carregando dois Estados nas costas

 

Mais do que Previdência desequilibrada e os maiores juros reais do mundo, o problema fiscal brasileiro tem origem em um federalismo truncado, diz Eduardo Giannetti. Segundo o economista, a transição de atribuições para Estados e municípios não foi acompanhada de um enxugamento da União, e o resultado é que “carregamos hoje dois Estados nas costas”.  
Como o senhor classifica a atual política fiscal do governo?
São medidas de caráter quase emergencial para estancar a situação. Eu apoio a PEC 241 e a reforma da Previdência, mas nós estamos vivendo o esgotamento do ciclo de expansão fiscal que começou em 1988. Lá, nós tínhamos uma carga tributária de 24% do PIB, e o Estado investia 3% do PIB. Era uma carga normal para um País de renda média. De lá pra cá, a carga tributária cresceu em todos os governos e hoje está em 34% do PIB. O Estado brasileiro, englobando União, Estados e municípios, gastam 10% do PIB a mais do que arrecadam. Portanto, estamos em um país onde 44% da renda nacional transitam pelo setor público. A capacidade de investimento caiu de lá pra cá, e hoje ela está em torno de 2,5% do PIB, e o Estado não atende às demandas mais primárias da população.
O que pode ser feito?
É evidente que Previdência e juros são problemas graves de primeira ordem. Mas a conta relevante aqui é a seguinte: a Previdência representa um dispêndio de 12% do PIB, muito além do que deveria ser para um país demograficamente jovem. E pagamos 8% do PIB em juros. Somados, dá 20% do PIB. Se o Estado brasileiro drena 44% do PIB e você desconta do total o gasto com juros e Previdência, sobram 24% do PIB para atividades-fim. Cadê? Tem mais coisa que não deveria estar acontecendo e absorvendo recursos públicos. A minha hipótese é que temos um problema de federalismo truncado.
E o que isso quer dizer?
Até 1988, tínhamos um modelo de Estado muito concentrado na União, no regime militar. Em 1988, optou-se por um Estado federativo, transferindo para Estados e municípios as atribuições do setor público. Se tudo tivesse corrido bem, deveria ter havido uma diminuição do governo central. Mas o que aconteceu foi que os três níveis de governo passaram a crescer ao mesmo tempo. Então nós estamos carregando dois Estados superpostos nas costas. 
Daí a crise dos estados hoje?
Sim, é parte disso. Quando o governo federal faz isenção tributária, ele faz isso com dinheiro de Estados e municípios, que ele deixa de transferir. O Brasil vai ter que enfrentar um dilema: ou é um Estado centralizado na União, ou é um modelo genuíno de Estado federativo, e aí a União vai ter que diminuir. 
Por meio de uma nova constituinte?
Não precisa ser uma constituinte, mas vai ser preciso completar o movimento que começou em 1988. O que eu defendo é o seguinte: só vai para Brasília dinheiro para atividades que só a União pode desempenhar, como o Banco Central, a diplomacia e a segurança externa. O resto do dinheiro não precisa e não deve ir para Brasília para depois voltar. Ele deve ficar o mais perto possível de onde ele foi arrecadado. No fundo, o que eu defendo é menos Brasília e mais Brasil, e acabar com esse passeio maluco do dinheiro. 
Há clima para esta mudança?
Em um governo de transição, não. Trata-se de uma mudança complexa, não será tudo de uma vez. Mas temos que começar a pensar a redesenhar o sistema tributário.
O senhor também defende uma grande reforma política. O Brasil vai conseguir dar esse passo em um momento como o de agora?
Eu acho muito difícil uma reforma política ampla e profunda, assim como eu acho muito difícil uma reforma profunda fiscal em um governo de transição. Mas o processo pode ser encaminhado e eu acho que ele tem condições de pelo menos ser iniciado. O grande momento definidor, na minha concepção, vai ser a eleição de 2018, em que, aí sim, vamos ter a oportunidade de discutir esses problemas e de escolher o caminho que país deseja trilhar.

Ex-deputado Eduardo Cunha recorre ao STJ para deixar prisão


O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ)recorreu, por meio de seus advogados, ao Superior Tribunal de Justiça para tentar deixar a prisão. Cunha está preso desde o mês passado em Curitiba, por determinação do juiz federal Sérgio Moro. O caso será decidido pelo ministro Felix Fischer. Entre os argumentos usados para justificar o pedido de prisão de Cunha, a força-tarefa de procuradores da Lava Jato afirmou que a liberdade do ex-deputado representava risco às investigações. Segundo a acusação, "há evidências" de que existem contas pertencentes a Cunha no exterior que ainda não foram identificadas, fato que coloca em risco as investigações. Além disso, os procuradores ressaltaram que Cunha tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana) e pode fugir do País. A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África. O processo foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal, mas após a cassação do ex-deputado, a ação foi enviada para o juiz Sérgio Moro porque Cunha perdeu o foro privilegiado.

Temer faz acordo com Renan e Maia para impedir anistia a caixa dois

Apesar de sempre negarem que houvesse uma tentativa de anistiar políticos que cometeram crime de caixa dois eleitoral, o presidente da República, Michel Temer, e os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaram neste domingo (27) um "ajustamento institucional" para impedir a tramitação de qualquer tentativa neste sentido. "Temos feito, o Executivo e o Legislativo, um ajustamento institucional com vistas a se, for possível, impedir a tramitação de qualquer proposta que vise a chamada anistia", afirmou Michel Temer: "Acordamos que não há a menor condição de levar adiante essa proposta". O objetivo da entrevista coletiva convocada de última hora era anunciar que a proposta de anistia não seria mais levada adiante. Na pior crise de seu governo, Temer tenta reverter a agenda negativa resultante da crise econômica e da crise política, que se instalou sobre o Palácio do Planalto desde que o ex-ministro da Cultura denunciou que o então ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, teria atuado na esfera governamental para garantir interesses pessoais em Salvador, sua base eleitoral. "No tocante à anistia, há uma unanimidade dos dirigentes do Poder Executivo e do Legislativo. Mas, ao mesmo tempo, verificamos que era preciso atender o que chamamos de 'a voz das ruas', que é a reprodução de um dispositivo constitucional que o poder não é nosso, mas do povo. Então, o povo se manifesta, a urgência há de ser tomada pelo poder Legislativo e, igualmente, pelo Poder Executivo", disse o presidente da República. Nos últimos dias, Rodrigo Maia comandou uma série de reuniões com líderes de praticamente todos os partidos para tratar do assunto. Eles tentariam aprovar a anistia apresentando uma emenda em plenário. Já havia articulação, inclusive, para que o texto fosse levado imediatamente ao Senado, onde seria votado sem demora. Deputados e senadores correram contra o tempo para que as alterações na lei fossem aprovadas antes que a delação premiada de executivos da Odebrecht fizesse as primeiras vítimas no Congresso.

Temer critica Calero e diz que é "'indigno" gravar um presidente

O presidente Michel Temer criticou neste domingo (27) o ex-ministro Marcelo Calero, da Cultura, e disse que, caso ele o tenha gravado uma conversa no gabinete presidencial, cometeu uma medida "agressiva", "clandestina" e "irrazoável". Em entrevista a veículos de imprensa, o peemedebista avaliou que o gesto de gravar uma conversa com um presidente sem conhecimento dele é "quase indigno" e uma iniciativa gravíssima. O Ministério da Justiça anunciou na semana passada que irá apurar se a conversa entre o ex-ministro e o presidente foi gravada. A informação é ainda extraoficial e não confirmada por Calero, que negou em nota que tenha pedido uma audiência com o peemedebista para gravá-lo, como sugere o Palácio do Planalto. "Eu acho que gravar clandestinamente é irrazoável, é quase indigno. O ministro gravar o presidente é gravíssimo. Se gravou, eu espero que essa gravação venha à luz e eu vou pedir que venha à luz", disse. O presidente voltou a negar que "enquadrou" o ex-ministro, como ele alegou para a Polícia Federal e disse que esse "comportamento autoritário" não faz parte do estilo dele. Segundo ele, ao pedir que Calero levasse o episódio para ser arbitrado pela AGU (Advocacia-Geral da União), a intenção não era atuar por um interesse pessoal do ex-ministro Geddel Vieira Lima, mas solucionar um conflito entre o Iphan estadual e o Iphan nacional. O presidente disse ainda que, para evitar a repetição do episódio, pedirá que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), grave todas as suas audiências públicas a partir de agora. "Assim, aproveitando uma agressiva, clandestina e irrazoável iniciativa, podemos fazer de um limão uma limonada", disse.