sábado, 24 de dezembro de 2016

Premier e presidente de Israel reagem à resolução da ONU contra assentamentos

 

Depois da decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra a construção de assentamentos na Cisjordânia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu energicamente contra a ONU e os Estados Unidos — o principal aliado Histórico de Israel se absteve da votação, e não utilizou o poder de veto, que favoreceria a continuação da política de colonização de Tel Aviv, praticando uma tremenda ação de traição contra seu principal aliado no Oriente Médio. Netanyahu afirmou que a resolução é “um golpe anti-israelense, desonesto e vergonhoso” do qual há que se colocar a culpa “no governo Barack Obama”, explicou, em referência ao presidente americano. E que vai cessar todos os financiamentos que faz à ONU. "A decisão que foi tomada é tendenciosa e vergonhosa, mas superaremos. Isso precisará de tempo, mas essa decisão será anulada", afirmou Netanyahu em uma cerimônia em celebração à festa judaica Hanukkah, que foi transmitida pela TV israelense. “Vergonhosa” foi a palavra mais repetida pelo premier durante seu discurso. "A decisão não só não ajuda a fazer a paz, mas também impede a paz", ressaltou Netanyahu em relação às negociações com palestinos. A resolução, aprovada por 14 dos 15 membros com direito a voto do Conselho de Segurança, pede que Israel “cesse imediatamente e completamente todos as atividades de assentamentos nos territórios ocupados palestinos, incluindo Jerusalém Oriental” e que os dois povos voltem à mesa de negociações. Segundo o texto, o estabelecimento das colônias “não tem valor legal e constitui uma flagrante violação sob a lei internacional”. A decisão do Conselho de Segurança poderia fazer com que a promotoria do Tribunal Penal Internacional avançasse num exame preliminar para uma investigação sobre os assentamentos. Netanyahu disse que deu instruções ao Ministério das Relações Exteriores para que revise em um mês “todos os compromissos de Israel com a ONU, incluindo o financiamento por parte de Israel de organismos das Nações Unidas e a presença em Israel de representantes da ONU”. "Já determinei o bloqueio de 30 milhões de shequels (R$ 25,5 milhões) que eram destinados a cinco instituições da ONU, cinco organismos particularmente hostis a Israel. E ainda farei mais", afirmou o premier. Já o presidente israelense, Reuven Rivlin, manifestou sua contrariedade contra a votação da ONU pelo Twitter: “Essa decisão vergonhosa não nos aproxima das negociações com os palestinos, mas torna essa perspectiva ainda mais distante". Em outro post, Rivlin acrescentou: “Jerusalém é a capital eterna de Israel e assim permanecerá. Não existe um organismo internacional com poderes para revogar este estatuto". 

Henrique Meirelles avisa que, sem contrapartidas de contenção da gastança, Rio de Janeiro não terá socorro

 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, garantiu que não haverá afrouxamento do projeto de renegociação das dívidas dos Estados com a União e que medidas como suspender reajustes de servidores e cortar gastos vão voltar, apesar de as contrapartidas terem sido retiradas do projeto na votação na Câmara. Ele lembrou que as exigências foram feitas sob medida para o Rio de Janeiro, Estado em pior situação financeira. Neste caso, para se beneficiar de um programa de recuperação fiscal, que permitirá aos Estados em pior situação financeira ficarem três anos sem pagar suas dívidas com a União, o governo estadual terá de cumprir tudo o que estava na proposta original. Segundo Henrique Meirelles, o “pacote de bondades” anunciado na última semana será importante para reduzir o endividamento das empresas e famílias e vai permitir que o crescimento de 1% da economia se concretize em 2017. 

Estado de saúde de Mario Soares, ex-presidente socialista português, agrava-se repentinamente


O estado de saúde de Mario Soares, ex-presidente socialista português, de 92 anos, agravou-se bruscamente neste sábado, segundo a equipe médica do hospital onde ele está internado há dez dias. Os médicos definem seu estado como crítico. Não foi divulgada a natureza exata do problema de saúde que levou à sua internação em 13 de dezembro. Nesta sexta-feira Soares havia saído dos cuidados de terapia intensiva. Mas, segundo o hospital, ele teve uma forte piora de ontem para hoje. O ex-presidente, que contribuiu para a queda da ditadura em 1974 e a integração do país à União Européia, manteve-se na primeira linha do cenário político por mais de 40 anos. Figura histórica de Portugal, foi o fundador do Partido Socialista Português (PSP), ministro das Relações Exteriores, duas vezes chefe de governo, presidente da República de 1986 a 1996 e eurodeputado. Muito ativo até uma idade avançada, opôs-se às medidas de austeridade impostas pelo ex-governo de centro-direita para equilibrar a economia do país, que esteve sob assistência econômica internacional entre 2011 e 2014. Após a morte de sua esposa, Maria Barroso, em julho de 2015, foi se retirando aos poucos da vida pública. Visivelmente debilitado por problemas de saúde, foi homenageado em julho pelo atual governo socialista. Sua última aparição pública ocorreu em setembro, durante uma homenagem a sua falecida esposa. Em 7 de dezembro, completou 92 anos.

México e Equador abrem investigações sobre corrupção da empreiteira propineira Odebrecht


O México abriu investigação para apurar quais funcionários públicos do país receberam suborno do grupo Odebrecht. "Com base em relatos publicados pela imprensa de que as empresas Odebrecht e Braskem teriam pago subornos a funcionários públicos em países de três continentes, incluindo o México, o Ministério da Função Pública, por meio de sua de Unidade de Responsabilidades, e em coordenação com a Pemex (Petróleos Mexicanos), começou a recolher todas as informações disponíveis, a fim de trabalhar em conjunto no esclarecimento destas questões", afirma o comunicado do governo mexicano publicado na quinta-feira (22). No Equador, o Ministério Público local realizou uma operação de busca e apreensão nos escritórios da empreiteira propineira Odebrecht em Guayaquil, onde apreendeu documentos que podem estar relacionados com informações sobre propinas de mais de US$ 35,5 milhões a funcionários do governo. Na operação, realizada durante a madrugada foram apreendidas 23 pastas com papéis, três livros e 23 cadernos, além de dois CDs e quatro computadores portáteis. Os agentes confiscaram, além disso, uma CPU (unidade central de processamento) e dois HDs externos, ainda segundo a Procuradoria, que solicitou assistência penal sobre este caso a Estados Unidos, Brasil e Suíça. A operação aconteceu em dois escritórios que ficam em um centro comercial da cidade portuária e, de acordo com o Ministério Público em sua conta no Twitter, buscava "evidências documentais, materiais e digitais que poderiam ser relacionados" com o caso.

BNDES devolve R$ 100 bilhões ao Tesouro da União e a dívida bruta tem queda de 1,6% do PIB



O Tesouro Nacional informou nesta sexta-feira (23) que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fez o pagamento de R$ 100 bilhões. O valor corresponde a 1,6% do PIB, que será abatido da dívida bruta, hoje em 70,3% do PIB (R$ 4,3 trilhões). O montante representa 18,7% do passivo de R$ 532 bilhões, referente a contratos firmados entre 2008 e 2014, quando o governo fez empréstimos ao BNDES para que o banco de fomento repassasse a juros baratos para empresas. Em novembro, o Tribunal de Contas da União autorizou o BNDES a devolver ao governo federal esse valor. A exigência foi de que os recursos sejam usados exclusivamente para reduzir a dívida pública. O Ministério da Fazenda avaliou, por meio de nota, que "a operação é importante componente do programa de ajuste fiscal do governo federal e resulta em melhora substancial e imediata no nível de endividamento". O secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, comentou o assunto em sua conta no Twitter. "Mesmo com pagamento de hoje de R$ 100 bi ao Tesouro, BNDES ficará com mais de R$ 100 bi em caixa, que vai aumentar ainda mais", escreveu. Dos R$ 100 bilhões, R$ 60 bilhões foram pagos em dinheiro e R$ 40 bilhões foram liquidados em títulos públicos. "Os títulos foram imediatamente cancelados e os recursos financeiros serão utilizados exclusivamente para o pagamento de dívida pública em mercado", informou o Tesouro Nacional. Mesmo após o pagamento de R$ 100 bilhões, o BNDES diz que "permanece com recursos disponíveis para estimular a retomada do crescimento econômico". O caixa do banco foi reforçado este mês por duas operações de liquidação antecipada de dívida da Petrobras, que somam R$ 20 bilhões - a segunda, de R$ 16,7 bilhões foi anunciada nesta sexta-feira (23). Além disso, diz o banco, sua estrutura de capital foi fortalecida pela limitação da distribuição de dividendos à União a 60% do lucro líquido anual.

Instituto Lula é autuado pela Receita Federal por "desvio de finalidade"


A Receita Federal autuou o Instituto Lula por "desvio de finalidade" por ter feito gastos que não poderia já que era uma entidade sem fins lucrativos e, por isso, isenta de impostos. A cobrança do fisco leva em consideração multas e impostos não recolhidos relativos ao ano de 2011. O valor da autuação, que aconteceu em 11 de novembro, não foi divulgado, mas o total a ser pago é de cerca de R$ 2 milhões. A entidade, fundada pelo poderoso chefão da orcrim petista, Lula, em 2011, após sair da Presidência da República, teve sua isenção tributária suspensa pelo mesmo motivo. A Receita abriu a investigação contra o instituto em dezembro do ano passado e analisa, além do exercício fiscal de 2011, as declarações de imposto de renda dos anos de 2012, 2013 e 2014. A principal irregularidade identificada até agora nas auditorias foi o pagamento de R$ 1,3 milhão nos anos de 2013 e 2014 para a empresa G4 Entretenimento, que pertence a Fábio Luís, filho do ex-presidente; e a Fernando Bittar, dono do sítio de Atibaia (SP) frequentado por Lula e que é alvo de investigação da Operação Lava Jato. Segundo os auditores, houve simulação de prestação de serviço pela G4 como forma de mascarar a transferência de recursos da entidade para o ex-presidente ou parentes, configurando o desvio de funcionalidade. Também foram apontados pagamentos sem destinatários e o aluguel de um imóvel apontado como sede, mas que era diferente do endereço do instituto. No período auditado, a entidade recebeu quase R$ 35 milhões em doações, boa parte de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Os auditores também contestaram doações de duas entidades sem fins lucrativos que, juntas, destinaram R$ 1,5 milhão ao instituto entre 2013 e 2014. 

PSDB processa o PT, acusado de agir com má fé



O PSDB afirmou nesta sexta-feira (23) que entrará na Justiça contra o PT em razão do que chamou de "prática de litigância de má-fé". Segundo a direção nacional tucana, o PT "acusa deliberadamente o PSDB por fatos que, sabe, são inverídicos". "Com o intuito de desviar o foco das graves acusações que pesam sobre o PT, a legenda tem repetidas vezes utilizado a Justiça Eleitoral para registrar falsas acusações ao invés de prestar esclarecimentos sobre, por exemplo, escândalos como as gráficas fantasmas que atuaram na campanha presidencial de Dilma Rousseff", declara a nota do PSDB. A ação tucana foi motivada pelo intuito petista de pedir ao TSE investigação sobre o depoimento que Otávio de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, prestou em ação de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, na eleição de 2014. Em depoimento, Azevedo disse ter verificado seus recibos e chegado à conclusão de que doou à campanha de Aécio Neves R$ 19 milhões, e não apenas R$ 12,6 milhões, como estava registrado na prestação de contas dos tucanos. Foi também nesse depoimento que o executivo mudou sua versão ao sustentar, diferentemente do que havia dito antes, que não repassou propina para a chapa Dilma-Temer. A informação inicial, agora revista, poderia levar à cassação da chapa e, consequentemente, à perda do mandato de Temer. O PT classificou o depoimento de Azevedo como um "fato de extrema gravidade que pode, em tese, determinar que as contas de Aécio sejam julgadas irregulares", caso fique comprovado que o PSDB não declarou tudo o que recebeu da empreiteira.  Na resposta desta sexta-feira, o PSDB disse que os R$ 19 milhões da Andrade Gutierrez "foram transferidos para a conta do comitê financeiro da campanha presidencial, sendo R$ 12,7 milhões para a conta do candidato a presidente e o restante para outros candidatos, partidos ou comitês dentro da estrutura da própria campanha nacional". A ação de cassação da chapa Dilma-Temer começou a ser movida pelo PSDB antes que Temer assumisse o governo e que os tucanos passassem a integrar sua base. 

Petrobras pede mediação da Justiça para negociar com petroleiros



A Petrobras protocolou no Tribunal Superior do Trabalho pedido de conciliação para concluir as negociações salariais com os sindicatos dos petroleiros. Na quinta-feira (22) a categoria anunciou a aprovação de uma greve nacional para forçar a estatal a melhorar sua oferta. O movimento teve início à 0h de sexta-feira. Em comunicado interno, a Petrobras diz a seus empregados que a decisão de pedir conciliação foi tomada após a avaliação de que "o momento exige uma nova instância de negociação". "A Petrobras entende que fez uma proposta justa, considerando a situação financeira da empresa, e que a conclusão desse processo, que já dura mais de três meses, é necessária e benéfica para todas as partes", argumentou a companhia. A última proposta da empresa é de reajuste de 6% retroativo a setembro e mais 2,8% a partir de fevereiro. Os petroleiros reclamam, porém, da insistência na empresa em uma proposta para reduzir em 25% a jornada de trabalho, com corte equivalente no salário, que tem apoio de um grupo de empregados da área administrativa. Em nota, a petista Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que não aceitará a mediação da Justiça. "Trata-se de um jogo combinado. A FUP iria para ouvir a ameaça de um dissídio coletivo", diz a entidade petista, que controla 13 sindicatos. A estatal diz a seus empregados que não se trata de um pedido de dissídio coletivo, quando a questão passa a ser decidida pela própria Justiça. "Uma vez que foram realizadas quatro reuniões e apresentadas quatro propostas, todas elas com avanços que buscaram atender às demandas apresentadas pelos sindicatos dentro das limitações financeiras da Petrobras, a empresa decidiu buscar alternativas junto à Justiça para garantir que haja avanços nas discussões", argumentou a companhia. Sindicatos e a direção da empresa discordam ainda em relação ao programa de venda de ativos da estatal, que prevê arrecadar US$ 34,6 bilhões até 2019 com a justificativa de que o dinheiro é necessário para reduzir o endividamento da companhia. A greve dos petroleiros foi iniciada em ritmo lento na sexta-feira, com atrasos na troca de turnos em algumas unidades operacionais e manifestações em áreas administrativas.

Deutsche Bank e Credit Suisse fazem acordo em caso de hipotecas subprime



O Deutsche Bank e o Credit Suisse fecharam acordo de US$ 15,5 bilhões com o Departamento de Justiça americano para encerrar processos relacionados à crise das hipotecas "subprime", crédito imobiliário de má qualidade que está no centro da crise financeira global de 2008. Com o acordo com os bancos alemão e suíço, a soma das penalidades impostas pelas autoridades americanas já soma US$ 82 bilhões contra instituições pela venda de hipotecas fraudulentas. Isso significa que a conduta tornada famosa pelo filme "A Grande Aposta" (com Ryan Gosling e Christian Bale) já se tornou o escândalo financeiro mais caro da história. E esse número deve crescer, já que instituições européias como HSBC e UBS ainda não integram o acerto. Anteriormente bancos como JPMorgan Chase, Citigroup e Goldman Sachs já haviam acertado o pagamento de multa às autoridades americanas –essas mesmas instituições receberam ajuda do governo dos Estados Unidos em um programa lançado em 2008 para impedir uma quebradeira geral do sistema financeiro. A maior multa paga até o momento foi a do Bank of America, que fechou um acordo de US$ 16,7 bilhões. No acerto fechado nesta sexta-feira (23), o Deutsche Bank disse que vai pagar US$ 7,2 bilhões – incluindo uma multa de US$ 3,1 bilhões – por seu papel na crise de empréstimos "subprime". Além da multa, o banco alemão aceitou conceder vantagens aos clientes, como revisão das condições dos créditos concedidos, totalizando US$ 4,1 bilhões. O valor foi recebido com alívio, já que três meses atrás foi anunciado que os Estados Unidos queriam US$ 14 bilhões para encerrar o caso contra o maior banco da Alemanha. Já o Credit Suisse anunciou que vai pagar US$ 5,3 bilhões como parte do acordo, sendo multa de US$ 2,5 bilhões e mais US$ 2,8 bilhões em compensações financeiras para os consumidores. Outro banco europeu, o britânico Barclays, informou que não chegou a um acordo com as autoridades americanas sobre o valor da multa e vai ser processado pelo Departamento de Justiça. Segundo o "Financial Times", a instituição achava que sua pena deveria ser de no máximo US$ 2 bilhões, mas as autoridades dos Estados Unidos queriam valores próximos aos exigidos de Deutsche Bank e Credit Suisse. De acordo com os promotores americanos, o Barclays, entre 2005 e 2007, vendeu de modo fraudulento mais de US$ 31 bilhões em ativos lastreados por hipotecas. Esses ativos funcionavam da seguinte forma: vários títulos imobiliários eram "empacotados" em um só ativo e negociados pelos bancos. A promessa para os consumidores é que eles eram muito seguros e que, se um outro proprietário de imóvel não pagasse seu financiamento, isso não teria efeito sobre o título como um todo , já que o "pacote" envolvia milhares desses créditos imobiliários. O que se viu na crise, porém, é que houve uma disparada na inadimplência imobiliária, e os títulos viraram pó, deixando investidores com um grande prejuízo e arrastando o restante da economia norte-americana, que ainda hoje sente os efeitos da crise da década passada. De acordo com o "Wall Street Journal", a decisão de fazer um acerto com Deutsche Bank e Credit Suisse e de processar o Barclays se deve, em parte, ao temor dentro do governo Barack Obama de que a administração de Donald Trump possa até mesmo desistir de processar esses grandes bancos.

Força tarefa da Lava Jato diz que lei americana permite a divulgação dos acordos de delação


A força-tarefa da Lava Jato, responsável pela condução do acordo de leniência, espécie de delação premiada da pessoa jurídica, com o grupo Odebrecht, afirmou que a diferença de legislação entre Brasil e Estados Unidos é o que permite que documentos da empreiteira se tornem públicos pela Justiça americana e não pela brasileira. Na tarde de quarta-feira (21), o Departamento de Justiça americano tirou o sigilo de relatórios e termos dos acordos de leniência firmados pelo grupo baiano e seu braço petroquímico, a Braskem, nos EUA. Para justificar a permanência da ocultação dos dados no Brasil, a força-tarefa afirma que no País "a lei determina que o acordo de colaboração seja, em regra — salvo decisão judicial específica em contrário —, sigiloso. Por paralelo, o acordo de leniência também tem sido submetido à homologação da Câmara de Combate à Corrupção e da Justiça sob sigilo". Os procuradores dizem ainda que o conteúdo das delações no Brasil se tornará público no momento de oferecimento de denúncia criminal contra os acusados. "Assim como nos Estados Unidos, o relato e provas (os anexos e depoimentos do acordo, com os detalhes sobre fatos e provas) permanecem sigilosos enquanto o sigilo for importante para a efetividade das investigações, ressalvada decisão judicial específica que determine o contrário".

Governo italiano socorre o banco Monte dei Paschi di Siena para salvar sistema bancário do país inteiro

A aprovação de um resgate com dinheiro público do banco Monte dei Paschi di Siena marca o início de uma delicada operação para salvar todo o sistema bancário de Itália, um dos mais fracos da Europa por causa de milhões em empréstimos duvidosos. O governo italiano aprovou a madrugada de sexta-feira durante uma reunião extraordinária um decreto que autoriza o ministério do Tesouro a se transformar no maior acionista do Banco Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo, fundado na Toscana durante a Idade Média. A decisão foi tomada após o fracasso da entidade em sua tentativa de captar os 5 bilhões de euros necessários para sua recapitalização. Depois de uma reunião do Conselho de Ministros urgente, o chefe de governo, Paolo Gentiloni, aprovou um decreto, ratificado sucessivamente pelo parlamento, para a criação de um fundo de 20 bilhões de euros para o resgate do banco, o que provocará automaticamente um aumento da dívida pública. Segundo Morelli, "a intervenção do Estado não era a primeira opção para o banco, mas permite continuar com o plano de eliminação da morosidade", disse. Para Gentiloni, o plano de resgate protege "100%" dos poupadores. Aproximadamente 40.000 pessoas têm títulos do Banco Montei dei Pasci di Siena e muitos os adquiriram sem saber dos riscos. A Comissão Europeia afirmou nesta sexta-feira que vigiará para que se respeitem as regras e se proteja em particular os pequenos poupadores. O governo não revelou o valor da ajuda que concederá, embora o ministro das Finanças, Pier Carlo Padoan, assegurou que "será suficiente". Segundo especialistas, entre os bancos que correm risco estão o Popolare Vicenza, o Veneto Banca, o banco Carige e outros quatro que estão em curso de recuperação (Popolare dell'Etruria, Carife, Carichieti e Banca delle Marche).

Terrorista islâmico do ataque com caminhão a feira de Natal em Berlim é morto a tiros na Itália


O islâmico tunisiano que praticou o ataque terrorista que matou 12 pessoas em Berlim foi morto em uma troca de tiros com a polícia na quinta-feira em Milão, na Itália, disse o ministro italiano do Interior, Marco Minniti. O terrorista Anis Amri, de 24 anos, estava sendo procurado por vários países da Europa. Ele foi flagrado quando caminhava sozinho em uma praça de Milão durante a madrugada, às 03 horas. Policiais o abordaram e pediram pelos seus documentos, em um procedimento regular de patrulha. No entanto, o jovem tirou repentinamente uma arma da mochila e feriu um dos dois policiais nas costas. O outro policial rapidamente disparou contra o suspeito e ele morreu com o tiro. Antes de atirar, Amri ainda gritou "Deus é grande" (Allah akbar). Algumas horas depois, a agência ligada à organização terrorista Estado Islâmico, que reivindicou o ataque em Berlim, confirmou que o homem abatido em Milão foi o autor do atentado. Minniti também já afirmou que não há dúvida de que a pessoa morta é mesmo o terrorista tunisiano. Ele agradeceu ao policial que foi baleado por Amri, Christian Movio, de 36 anos, em nome do governo. E disse ainda que a Itália deve se sentir orgulhosa das suas forças de segurança: "Ele era o homem mais procurado na Europa e foi imediatamente identificado e neutralizado. Isto significa que a nossa segurança está funcionando muito bem". O chefe da polícia italiana admitiu que o suspeito foi encontrado por acaso, uma vez que as autoridades não faziam idéia de que Amri estava em Milão. Os policiais que o abordaram também não sabiam que estavam abordando o homem mais procurado da Europa. O agente, que efetivamente disparou contra Amri, se chama Luca Scatà e, aos 29 anos, tem apenas nove meses de serviço na polícia. "Não tinhamos conhecimento de que ele poderia estar em Milão", disse Antonio De Iesu: "Eles (os policiais) não sabiam que poderia ser ele. Se soubessem, teriam sido muito mais cuidadosos".

 

Já um porta-voz do Ministério do Interior da Alemanha disse que a morte do terrorista é um alívio para o país, depois de vários dias de uma intensa caçada pela Europa: "Estamos agradecidos às autoridades italianas pelo estreito intercâmbio de informações que aconteceu, em total confiança, durante a madrugada", disse o porta-voz da diplomacia alemã, Martin Schäfer. O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, confirmou que a investigação sobre o caso continuará em andamento. Ele reforçou que o nível de ameaça terrorista no país continua alto. No corpo do terrorista tunisiano foi encontrada uma passagem de trem, que pode ajudar as autoridades a reconstruir a sua movimentação após o atentado. Ele teria pegado um trem de Chambery, na França, passando pela cidade de Turim, na Itália, até chegar a Milão. Ele teria chegado à estação central de trem à uma da manhã, apenas duas horas antes que os policiais italianos o abordassem na rua. As imagens publicadas pela polícia alemã e as impressões digitais colhidas no caminhão do ataque permitiram a identificação do corpo do suspeito, confirmado que era verdadeiramente Amri o homem que se envolveu no confronto com os policiais em Milão. Agora, os investigadores trabalham para descobrir se a pistola que Amri usou contra os agentes de segurança era a mesma que ele usou para matar o motorista polonês que originalmente dirigia o caminhão do atentado, sequestrado especialmente para o ataque. Um repórter do "Deutsche Welle" conversou com um dos irmãos de Amri após a confirmação da sua morte. "Estamos chocados e toda a família está em uma situação difícil. Sem comentários", disse o irmão, que vive na Tunísia. Amri foi filmado por câmeras da polícia em uma mesquita na madrugada de terça-feira, apenas algumas horas após o atentado. Naquele momento, no entanto, ele ainda não era suspeito de ter avançado com um caminhão sobre a multidão que se divertia em um mercado de Natal. 


Amri já havia passado pela Itália anteriormente. Ele chegou ao país em 2011, junto com outras dezenas de milhares de imigrantes tunisianos, que fugiram de barco do seu país durante a Primavera Árabe. Lá, ele passou quase quatro anos em seis prisões diferentes da Sicília sob várias acusações, incluindo por ter provocado um incêndio em um centro de refugiados. A família do jovem, incluindo dois dos seus irmãos, afirmaram que ele poderia ter se radicalizado dentro da prisão. Autoridades italianas já haviam relatado que Amri teve comportamentos violentos dentro da prisão — e a sua má conduta levou à sua transferência de prisão em prisão. Atrás das grades, ele provocava seus companheiros de cela e tentava começar rebeliões. Em julho passado, Amri foi preso na cidade de Friedrichshafen, na Alemanha, e deveria ter ficado na prisão aguardando a deportação. Mas foi libertado no dia seguinte por ordem do Departamento dos Refugiados da cidade de Kleve, na Renânia, a primeira residência dele na Alemanha, quando chegou, vindo da Itália, em julho do ano passado. A exemplo do jihadista que, no final de julho, explodiu uma bomba suicida na entrada de uma discoteca na cidade de Ansbach, no Sul da Alemanha, Amri também tinha um status de “tolerado” concedido pelas autoridades alemães, após o pedido de asilo político ter sido recusado. Amri aprendeu a dirigir caminhão e planejou o atentado praticamente debaixo do nariz das autoridades. Na sua página no Facebook, só apagada na quarta-feira, ele mostrava com orgulho o seu mundo extremista. No último post, de agosto de 2015, posa como jihadista. Na quinta-feira, mais de cem agentes participaram de uma batida no centro de refugiados de Emmerich, no Oeste do país, onde Amri viveu por alguns meses. Foram efetuadas buscas também no bairro berlinense de Prenzlauer Berg. 

Arenas dos Jogos Olímpicos são transferidas ao governo federal porque não apareceu ninguém interessado nelas

 

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, anunciaram, nesta sexta-feira, a transferência da gestão das arenas esportivas do Parque Olímpico para o governo federal. O anúncio aconteceu durante a inauguração do Muro dos Campeões e da Via Olímpica. O Muro dos Campeões é um monumento tradicional feito ao final dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos que mostra todos os medalhistas da Rio 2016. 


A Via Olímpica, calçadão que corta todo o Parque Olímpico, agora possui duas quadras esportivas, campo de grama sintética, equipamentos de ginástica para adultos, academia da terceira idade, pista de skate e parque infantil. Além disso, a via também foi arborizada. Na inauguração, o prefeito Eduardo Paes disse que agora a Via Olímpica e o Muro dos Campeões se tornam mais um ponto turístico do Rio de Janeiro. Segundo o prefeito, a definição de data e horário de funcionamento é com o Marcello Crivella, mas ele fez questão de inaugurar. "A idéia era fazer uma parceria público-privada (PPP) para gerir o local, mas junto à crise econômica e ao fim do governo, não apareceu nenhum interessado na PPP que apresentasse os requisitos mínimos e necessários para que a licitação fosse em frente". Com o acordo, o Ministério do Esporte passa a ser responsável pelas Arenas Cariocas 1 e 2, o Centro Olímpico de Tênis e o Velódromo. O Ministério também vai custear a desmontagem do Estádio Aquático, a montagem dos dois estadios aquáticos, da Arena do Futuro e de quatro escolas. A Arena Carioca 3 continuará com administração da prefeitura, que vai transformá-la em um Ginásio Experimental Olímpico - escola de ensino integral com capacidade para atender até mil alunos. As arenas terão uso permanente e bem definido, dedicado ao treinamento de equipes esportivas, atletas de alto rendimento e categorias de base. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, afirmou que, a partir de segunda-feira, a equipe de transição de gestão já começará a trabalhar. Ele também prometeu que nos próximos meses será anunciado um calendário de eventos que acontecerão no local em 2017.