segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Doria Jr nomeou filho de executivo de empresa com contrato bilionário com a prefeitura, só para ser obrigado a demití-lo

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O prefeito João Doria (PSDB) anunciou no sábado (11) a exoneração do engenheiro Alexis Beghini, de 27 anos, responsável pela Coordenadoria de Projetos e Obras da prefeitura regional da Sé, no centro de São Paulo. A decisão foi tomada após reportagem do jornal Folha de S. Paulo ter apontado que Alexis é filho de José Alexis de Carvalho, diretor de empresa contratada pela prefeitura para fazer a coleta de lixo na cidade e conselheiro do sindicato patronal da limpeza urbana (chama-se Abrelpe). Foi como ter entregue o galinheiro para ser cuidado pela raposa. Em nota, a prefeitura disse que "a decisão foi tomada pelo prefeito com o objetivo de reforçar o compromisso com a lisura nos processos de fiscalização dos trabalhos de varrição". Deveria ter pensado nisso quando nomeou o rapaz. Desde quando um jovem engenheiro, de apenas 27 anos, tem qualificação profissional para dirigir um setor que realiza tão gigantescos como esse da prefeitura de São Paulo? Fica evidente que a nomeação foi uma retribuição por apoios financeiros em campanha eleitoral ou coisa parecida. 

O engenheirinho Alexis Beghini disse que foi pego de surpresa com a decisão de João Dória exonerá-lo. "Recebi uma ligação do prefeito regional da Sé (Eduardo Odloak) comunicando a exoneração, e ele se disse tão surpreso quanto eu. Não recebi justificativa. Reafirmo que não havia conflito de interesses no meu trabalho. Jamais deixaria de fiscalizar uma empresa e jamais receberia propina. Os números do meu trabalho mostram que a fiscalização só aumentou, melhorando problemas da gestão anterior. Sei que o prefeito tem uma agenda cheia e é difícil, mas a ligação de um secretário seria interessante", afirmou. 

O empresário José Alexis defende a atuação do filho. "Vocês estão dizendo que meu filho estaria lá para não fiscalizar os serviços. E nesse curto período ele aplicou mais de cem atos de constatação de irregularidades na Inova (consórcio de varrição que cuida da Sé). Fora isso, a prefeitura tem 32 prefeituras regionais. Ele não tem atuação nas outras, fiscalizava uma. Entendo que o prefeito é o gestor principal da cidade e tem enorme responsabilidade sobre isso", disse.

Beghini assumiu em 20 de setembro a Coordenadoria de Projetos e Obras da Prefeitura Regional da Sé, cargo mais alto responsável pela fiscalização na área. A função dele era coordenar os agentes para detectar, entre outras coisas, problemas em contratos de varrição nos distritos de Bom Retiro, Santa Cecília, Consolação, Bela Vista, República, Liberdade, Cambuci e Sé. Ou seja, justamente o grande centro ampliado da capital paulista, a região que mais produz lixo na cidade. Essa gente na político e nos negócios não tem mais limites, e fazem tudo na cara do povo. A varrição foi alçada a símbolo da gestão por Doria, que chegou a se vestir de gari. Mas, a quantidade de toneladas de sujeira varridas na cidade no primeiro semestre deste ano recuou 6% em relação a igual período de 2016. Resumindo, a farsa da limpeza é só farsa mesmo. Beghini e a gestão Doria negaram conflito de interesses. "Os presidentes dessas empresas de limpeza urbana me viram nascer, não posso negar, em reuniões me chamam pelo meu apelido, Lequinho. Mas eles sabem que não vai ter conversa", disse Beghini. Que gracinha o Lequinho!!!!! Na Sé, a varrição está a cargo do consórcio Inova, composto pelas empresas Paulitec, Vital e Revita. O contrato de varrição com a prefeitura, assinado por R$ 1,12 bilhão em 2011, tinha validade de 36 meses, mas foi prorrogado até dezembro de 2017. As empresas Vita e Revita pertencem ao maiores grupos lixeiros do País, a Estre Ambiental e o Grupo Solvi, respectivamente,  dos empresários petroleiros Wilson Quintela Filho e Carlos Leal Villa. Os dois estão implicados nos escândalos de corrupção e farta distribuição de propinas investigado pela Operação Lava Jato. Os dois foram sempre financiadores do PT e do lulismo. 

Além da limpeza, abrange a remoção de entulho, lavagem de vias, capinação, pintura de guias, desobstrução de bueiros e bocas de lobo e manutenção de lixeiras. Esses são os contratos de "limpeza pública" mais rentáveis no mundo do lixo, e aqueles mais facilmente fraudáveis. A Vital é do grupo Queiroz Galvão, integrante do consórcio Ecourbis (detentor de contrato de coleta de lixo). No Ecourbis, a Queiroz Galvão é sócia da Marquise, na qual José Alexis é diretor. A Queiroz Galvão é uma empreiteira propineira denunciada na Operação Lava Jato. 

Outra empresa em que José Alexis trabalhou por 11 anos, até 2010, é a Vega Engenharia, pertencente ao grupo da Revita, também sob fiscalização de Beghini – ele mesmo foi estagiário na Vega por um ano e meio. José Alexis é integrante do conselho do sindicato das empresas de limpeza urbana de São Paulo, do qual Revita e Vital são associadas e que representa os interesses desses grandes grupos –como os que vinham sendo fiscalizados pelo filho dele. Em agosto, Beghini e seu pai foram alvo de reportagens por terem sido vítimas de um sequestro organizado no Rio de Janeiro por um dos melhores amigos do rapaz. 

O mundo do lixo na prefeitura de São Paulo é absolutamente corrupto e corruptor. Estre e Grupo Solvi controlam esse negócio, cujo modelo foi instaurado na cidade pelo governo da então petista e socialite Marta Suplicy. Na época, a licitação promovida por ela foi denunciada à Justiça, chegou a ter a assinatura do contrato suspensa por uma liminar judicial mas, até hoje, a ação popular impetrada não teve sequer julgamento em primeiro. E já se passaram nisso mais de 15 anos. O judiciário paulista é absolutamente inqualificável. Também são inqualificáveis os grandes órgãos de imprensa, vagabundos, que até hoje não acompanham o desenrolar desse processo. E os tais contratos de lixo da capital paulista representam mais de 30 bilhões de reais. É dinheiro bastante para corromper todo mundo. 


Beghini afirmou que, além de fiscalizar os serviços de varrição, pretendia aplicar multas na área de coleta de lixo no caso dos grandes geradores – locais que produzem volume superior a 200 litros diários de resíduos sólidos. Claro, ele pretendia agir no interesses das grandes empresas lixeiras. "Nós (fiscais da Sé) não podemos multar na varrição, apenas notificamos, e infelizmente as notificações, pelo que soube, não têm se transformado em multa na Amlurb (autoridade municipal de limpeza) para as empresas". Que anjinho o Lequinho!!!!  "Agora a gente achou um decreto que permite que prefeituras regionais apliquem multas na coleta, e vamos começar a fazer isso. Se chegar em um lugar e ver lixo por três dias, posso aplicar multa", afirmou o garotinho querido das lixeiros e dos grandes industriais lixeiros. .

A prefeitura publicou um novo edital de licitação para os serviços de varrição na cidade, mas que foi suspenso em outubro pelo Tribunal de Contas do Município. Na avaliação do órgão, havia risco de prejuízo ao poder público no modelo proposto. No dia 1º de novembro a licitação foi liberada, mas com exigência de mudanças. Entre elas, a melhora da fiscalização dos serviços das empresas. 


Antes da exoneração, o engenheiro Alexis Beghini afirmou que sua trajetória e a relação do seu pai com os empresários de limpeza urbana não iriam interferir em seu trabalho de fiscalizador na Prefeitura Regional da Sé. "Não há conflito de interesses. Se você olhar pela ótica do poder público, é muito melhor. Todos aqueles vícios, erros e macetes conhecidos eu vou bater. Por exemplo, eu soube que a empresa Inova cortou em alguns bairros parte do efetivo. Sabendo disso, convoquei o presidente da Inova, porque não podemos ficar sem áreas cobertas", disse. "Nunca um diretor da empresa Loga tinha vindo na Sé. Agora já estão vindo para começar justamente a trabalhar. Estamos usando o conhecimento a nosso favor", disse, ressaltando que o pai não teve relação com a nomeação.

A gestão João Doria afirmou antes da exoneração que Alexis Beghini foi indicado ao cargo por suas qualificações. "É engenheiro civil formado pela Universidade Anhembi Morumbi em 2015, frequentou cursos de gestão e liderança; negociação e gestão de pessoas e desenvolvimento da capacidade emocional, todos cursados na FGV. É fluente em inglês e espanhol", afirma, em nota. Além disso, a prefeitura rejeitou qualquer possibilidade de conflito de interesses. "O fato de Alexis ser filho de um executivo não o torna suspeito liminarmente. Qualquer ilação em contrário chega a ser ofensiva ao funcionário, pois parte da premissa de que, na função, ele estaria predisposto a prevaricar". Como é anjinha essa administração de João Dória Junior. 

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