domingo, 22 de janeiro de 2017

"Inacreditável, 2016 não acaba", disse Janot sobre a morte de Teori Zavascki


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que a morte do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, mostra que o ano de 2016 não acabou. "Inacreditável. 2016 não acaba. É a era de Aquarius ao inverso", disse Janot no velório de Teori, em Porto Alegre (RS). Ministros do Supremo como Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Toffoli compareceram ao velório. Emocionado, Toffoli disse que não era o momento de discutir como ficará o trabalho de Teori na corte: "É uma perda pessoal que nos abala e que estamos ainda sofrendo bastante".  Temer chegou no início da tarde, junto com os ministros Alexandre de Moraes (Justiça) e José Serra (Relações Exteriores), além do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo de Tarso Sanseverino, defendeu no velório que o sucessor de Teori na relatoria seja escolhido antecipadamente entre um ministro do próprio tribunal para evitar uma "situação politicamente delicada". Ele disse ainda que seria uma "solução em razoável" que a própria Cármen Lúcia assumisse a Lava Jato.  No velório, o caixão ficou coberto com a bandeira do Brasil. Foram posicionados dois telões ao lado do corpo com fotos da carreira dele. A sede do tribunal regional foi escolhida pela família para a cerimônia porque a corte foi presidida por Teori de 2001 a 2003. O corpo de Teori chegou por volta das 8h30 ao local, acompanhado de escolta. Cármen Lúcia chegou na mesma comitiva. Na noite de sexta-feira (20), a sede do tribunal ficou movimentada com a entrega de dezenas de coroas de flores. O professor Danilo Knijnik, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  disse que a morte de Teori é "um vazio que não será preenchido, mas não será esquecido". O ministro se formou em Direito, fez mestrado e doutorado na universidade federal e também lecionou na instituição. Teori se mudou para Porto Alegre aos 18 anos, em 1966.

Irmã do ministro Teori diz: "Tenho medo de ter muita coisa por trás"


Teori Zavascki passou pela roça, pelo seminário, pelos campos de futebol e por três cidades do oeste de Santa Catarina até, bem mais tarde, se tornar o ministro do Supremo Tribunal Federal e relator da Lava Jato. Na sua cidade natal, a pequena Faxinal dos Guedes, com cerca de 10.000 habitantes, sua morte significou a perda do filho mais ilustre do município e deixou familiares inconformados. “Tenho medo de que possa ter muita coisa por trás. Quero que façam uma boa investigação”, pediu a irmã Delci Zavascki Salvadori, de 70 anos. “A nossa família sempre esteve muito preocupada com o trabalho dele na Lava Jato, mas o Teori sempre nos dizia para ter calma, porque andava com muitos seguranças”, disse a dona de casa. Delci é a única dos seis irmãos do ministro que ainda mora cidade natal da família de descendentes de poloneses. A ida ao pequeno município era obrigatória para Teori pelo menos três vezes por ano. Fiel às raízes, gostava de aproveitar as folgas com os parentes de forma simples. Churrasco no almoço, seguido de chimarrão e conversas pela tarde adentro na varanda formavam a programação favorita. A família Zavascki manteve o endereço desde que os pais, um casal de agricultores, começaram a ter os filhos. A mãe, Pia, faleceu em junho, aos 101 anos. Ela morava em uma casa de madeira, no mesmo terreno onde Delci vive em um sobrado com o marido, o empresário Alvor Salvadori. O quintal compartilhado é espaçoso, com um amplo gramado, piscina e lago. Embora gostasse de falar com os parentes, Teori tinha um assunto vetado no bate-papo. “Ele não contava nada do trabalho. Era discreto demais. Nunca gostava de aparecer”, disse a irmã. “A gente se falava por telefone quase toda semana. O Teori sempre demonstrou estar tranquilo, nunca me pareceu inseguro sobre possíveis riscos”, relembrou. A prefeitura local decretou luto oficial de três dias. 

Trump anuncia que começará a renegociar acordo comercial com México e Canadá

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que começará a renegociar o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) com autoridades do Canadá e México, com as quais irá se reunir em breve. "Iremos nos reunir com o premier do Canadá e o presidente do México, e iniciaremos as negociações relacionadas ao Nafta", declarou, em um ato na Casa Branca. Trump receberá o colega mexicano em 31 de janeiro. Não há data para o seu encontro com o chefe de governo canadense, mas se espera que o mesmo aconteça em breve, segundo a transcrição de um telefonema entre os dois líderes neste sábado. O Nafta, em vigor desde janeiro de 1994, reúne em uma ampla área de livre-comércio Estados Unidos, México e Canadá, e foi um dos principais alvos da campanha eleitoral de Donald Trump, que o considera causador de um êxodo de empregos americanos para o México. O novo governo, republicano, alertou que se os sócios se opuserem a uma negociação "que possibilite aos trabalhadores um acordo igualitário", os Estados Unidos irão abandonar o Nafta. Segundo o estatuto do Tratado, uma das partes pode notificar as outras sobre sua intenção de se retirar, momento em que se abre um período de 180 dias para o início de novas negociações. Se não houver um novo acordo, o antigo é dissolvido.

Ditador Nicolas Maduro troca presidente do Banco Central devido à inflação cavalar de 800% na Venezuela

O ditador da Venezuela, o comunista bolivariano Nicolás Maduro, anunciou neste domingo a renúncia do chefe do Banco Central, Nelson Merentes, nomeando para o seu lugar o veterano economista Ricardo Sanguino. "Diante da renúncia do companheiro Nelson Merentes, que entregou sua carta de demissão da presidência do Banco Central da Venezuela, decidi colocar" em seu lugar Sanguino, informou Maduro em seu programa dominical na televisão estatal. Merentes, doutor em matemática de 62 anos, estava à frente do Banco Central da Venezuela desde 2009, exceto durante um período de oito meses em 2013, quando foi ministro das Finanças do governo de Maduro. Em janeiro de 2014 voltou a assumir o comando da entidade. "Quero agradecer todo o esforço que Nelson Merentes sempre fez de distintas frentes de batalha, mas quero que iniciemos uma nova etapa do desenvolvimento do Banco Central da Venezuela", acrescentou Maduro. Sanguino, de 73 anos, foi por muitos anos deputado e presidente da Comissão de Finanças e de Orçamento da Assembleia Nacional, controlada há um ano pela oposição. "Eu o conheço muito bem. É um dos homens mais estudiosos e conhecedores da vida financeira, econômica e monetária do país", garantiu Maduro sobre o novo presidente do Banco Central da Venezuela.

Estados Unidos já preparam a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém


Já nos primeiros dias do governo de Donald Trump nos Estados Unidos, elevam-se as expectativas sobre a proposta do presidente de transferir a embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O secretário de imprensa de Trump, Sean Spicer, afirmou que o governo ainda está nos estágios iniciais de uma discussão sobre a possibilidade de realocação da embaixada. A declaração veio apenas algumas horas antes do novo presidente conversar por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e pode indicar que levará certo tempo até que sejam divulgados mais detalhes sobre a possível mudança. A conversa durou menos de 30 minutos e foi chamada por Trump de "muito boa". "Estamos nos estágios iniciais de até mesmo discutir este assunto" disse Spicer. Um canal de televisão israelense disse que a Casa Branca poderia anunciar na segunda-feira a mudança da embaixada. Os israelense têm Jerusalém como sua capital. Judeus do mundo inteiro consideram Jerusalém a sua capital. Em sua campanha, Trump repetiu diversas vezes que pretendia realocar a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. Algumas semanas atrás, arábes da Cisjordânia lançaram uma campanha diplomática e midiática contra a mudança da embaixada. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, comentou o tema diversas vezes, dizendo que os palestinos não reagiriam violentamente à mudança, mas usariam canais legais e diplomáticos para lidar com o assunto. Além disso, enviou uma carta a Trump com um pedido para que a embaixada não fosse transferida, uma vez que este passo poderia devastar o processo de paz. Neste domingo, Trump, empossado na última sexta-feira, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversaram pelo telefone. Após anos de tensão com a Casa Branca, um vez que o ex-presidente muçulmano Barack Obama marcou forte oposição à Israel vê no novo governo republicano uma chance de melhorar a relação com os Estados Unidos. A posse de Trump impulsionou o lançamento de novos projetos de colonização em Jerusalém Oriental. No primeiro fim de semana do republicano no cargo, a prefeitura israelense de Jerusalém deu a aprovação definitiva à construção de 556 casas em três bairros de colonos do leste da cidade, de população majoritariamente árabe. Em Jerusalém Oriental, a pedido de Netanyahu e à espera da chegada de Trump à Casa Branca, foram congeladas no fim de dezembro as autorizações de construção de casas, segundo autoridades. Meir Turjeman, presidente da comissão de construção e planejamento da prefeitura de Jerusalém, disse que estas casas serão construídas agora nos bairros de Pisgat Zeev, Ramot e Ramat Shlomo. "As regras do jogo mudaram com a chegada de Donald Trump ao poder. Não temos mais as mãos atadas, como na época de Barack Obama", afirmou Turjeman: "Estas 566 casas são apenas o tiro de largada. Temos planos para construir 11 mil casas à espera de ser autorizados". O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, declarou em um comunicado que também serão construídas 105 casas nos bairros dos árabes da Cisjordânia. "Passamos oito anos difíceis com Barack Obama, que pressionava para que as construções fossem congeladas", declarou o prefeito. Netanyahu comemorou a chegada ao poder de Trump, depois de ter mantido relações tensas com seu antecessor, Barack Obama. O democrata muçulmano adotou tom crítico à questão das colônias, consideradas por ele um obstáculo nas negociações de paz com os árabes da Cisjordânia. A tensão alcançou seu pico quando, em 23 de dezembro, os Estados Unidos não vetaram, pela primeira vez desde 1979, uma resolução da ONU que condenava as colônias israelenses, promovendo um gigantesca e histórica traição ao seu maior aliado na região. Cerca de 430 mil colonos israelenses vivem atualmente na Cisjordânia e mais de 200 mil em Jerusalém Oriental, que os árabes da Cisjordânia também desejam que seja a capital do Estado ao qual aspiram.

Líderes da extrema-direita da Europa se reúnem para formar aliança

Um dia após a posse do presidente Donald Trump, líderes populistas europeus se reuniram na Alemanha, no sábado, para formar uma nova aliança de direita que tem por objetivo o combate à União Européia, ao euro e aos imigrantes. A nova aliança da extrema-direita quer começar já em 2017, ano de importantes eleições na Holanda, França e Alemanha. A cúpula foi realizada na cidade alemã de Koblenz. "A vitória de Donald Trump vai incentivar os europeus a se rebelarem contra a elite neoliberal, 2017 será o ano do despertar do povo da Europa Central contra a prisão da Europa e do euro", disse Marine Le Pen, a líder da extrema-direita francesa. Le Pen é a líder direitista que mais desperta medo entre os esquerdistas em geral porque é a que tem mais chance de ser eleita. Ela criticou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, por ter aberto as fronteiras do país para refugiados contra a vontade do povo: "Essa política de imigração é uma catástrofe". Já o holandês Geert Wilders, do Partido da Liberdade, que enfoca na sua lista de inimigos comuns da nova aliança mais os muçulmanos do que a União Européia, considera a vitória de Trump um sinal de que a “época de mudança” chegou. Segundo ele, será o “ano dos patriotas”: "A História nos conclama a salvarmos a Europa. Nós vamos nos libertar e salvar a Europa". As pesquisas o indicam como o mais votado para as eleições de março. Segundo o líder holandês, a “Europa precisa ser salva da imigração em massa”. Para ele, seriam necessárias estratégias para que as mulheres europeias deixem de ter “medo de mostrar seus cabelos louros”: "2017 será o ano do povo, nós vamos nos libertar e reconquistar os nossos países". Segundo o cientista político Thomas Peguntke, em toda a Europa a extrema-direita tirou tirou proveito da crise dos refugiados. Participaram ainda do encontro líderes direitistas da Bélgica e da Itália.