terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Abelhas podem ser o segredo para a superinteligência humana enfrentar a inteligência artifical



Uma ferramenta inspirada em enxames de insetos está ajudando as pessoas a prever o futuro, tornando grupos mais inteligentes do que seus membros são individualmente. Quem acredita ter descoberto uma forma de aumentar a inteligência de todos nós é Louis Rosenberg. E o segredo é simples: abelhas. Rosenberg tem uma startup no Vale do Silício, a Unanimous AI, que criou uma ferramenta para facilitar a tomada de decisões levantando opiniões online.

A ferramenta permite que centenas de participantes respondam a uma questão todos de uma vez, juntando suas opiniões coletivas, tendências, preconceitos e variações de conhecimentos em uma única resposta. Desde seu lançamento, em junho, até a primeira quinzena de dezembro, a Unanimous AI registrou cerca de 50 mil usuários e respondeu 230 mil questões.

Rosenberg acredita que o Unanimous AI pode ajudar a responder algumas das questões mais difíceis da atualidade. E mais: ele acredita que mesmo com avanços cada vez mais rápidos em inteligência artificial os humanos ainda podem ser cruciais na tomada de decisões. "Não podemos parar o desenvolvimento de inteligências artificiais cada vez melhores. Então, a alternativa é nós ficarmos cada vez mais inteligentes para estarmos sempre um passo à frente", explicou.

E é aí que entram as abelhas. "Se você analisar espécies sociais como as abelhas, elas trabalham juntas para tomar decisões melhores. Por isso as aves formam bandos e os peixes, cardumes - isso permite que eles reajam de forma otimizada combinando a informação que possuem. A questão para nós era: pessoas conseguem fazer isso?" - disse Rosenberg. Tudo indica que sim. O Unanimous AI conseguiu um índice de acerto muito bom em alguns eventos: a previsão dos vencedores do Oscar; vencedores da Stanley Cup, o Campeonato Nacional de Hockey, em 2016; os quatro primeiros colocados na corrida de cavalos de Kentucky Derby de 2016, transformando uma aposta de US$ 20 (quase R$ 64) em um prêmio de US$ 11,8 mil (mais de R$ 37 mil).

Mais recentemente a ferramenta previu não apenas o time vencedor do campeonato americano de beisebol, o World Series Baseball, o Chicago Cubs, que não vencia desde 1908. Mas também previu quem seria o adversário dos Cubs na final, o Cleveland Indians. Além disso, o Unanimous AI também previu quem seriam os oito times que chegariam nas fases finais do campeonato. Todas as previsões foram publicadas quatro meses antes no jornal americano Boston Globe. Para Toby Walsh, pesquisador em inteligência artificial da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, a "sabedoria da multidão já é bem conhecida".

"Vários métodos já foram desenvolvidos para usar a inteligência coletiva", acrescentou. Um exemplo é a previsão para mercados, na qual as pessoas fazem apostas financeiras, na bolsa de valores, por exemplo, tendo como base o resultado de um evento futuro. O comportamento geral do mercado pode ser usado como um indicador da probabilidade daquele evento. Outro exemplo vem do ano de 1999. Menos de três anos depois de perder uma partida para o computador Deep Blue, da IBM, o campeão mundial de xadres Gary Kasparov resolveu enfrentar uma multidão de 50 mil pessoas em um jogo pela internet. Ele venceu, mas disse que nunca tinha se esforçado tanto em um jogo, que ele chamou de o maior jogo na história do xadrez, graças ao número incrível de idéias e diferentes pontos de vista.

Essa idéia de enfrentar ou pedir a opinião de muitas pessoas ao mesmo tempo não é nova. Há registros dela no começo do século 20. Em 1906, Francis Galton, um erudito da época, pediu a 787 agricultores que adivinhassem o peso de um boi. Os palpites foram variados mas a média entre todos foi apenas 450 gramas abaixo da resposta correta, que era de 542,9 quilos.

Há alguns anos, a Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos (NPR) repetiu a experiência pedindo a mais de 17 mil pessoas para adivinhar o peso de uma vaca em uma fotografia. Novamente a média chegou muito perto – cerca de 5% diferente do peso correto. E, neste caso, a multidão não era formada por fazendeiros. O que está claro é que opiniões abalizadas fazem parte desse fenômeno. Mas, assim como na experiência da NPR, os participantes das experiências de Rosenberg não são especialistas.

Ninguém do grupo que previu quem seriam os ganhadores do Oscar sequer tinha visto todos os filmes concorrentes, por exemplo. E, mais importante, grupos relativamente pequenos, ou pequenos enxames, têm um desempenho melhor que as multidões maiores. No ano passado Rosenberg fez a pergunta da vaca para um grupo. Com respostas de apenas 49 pessoas, a precisão do palpite mais que dobrou quando os pesquisados agiram como um enxame em comparação à simplesmente calcular a média entre as respostas do grupo. Rosenberg afirma que isto é mais do que a sabedoria das multidões. "Nós deixamos os grupos de pessoas mais inteligentes", explicou.

A sabedoria das multidões geralmente é mais usada através de pesquisas ou votações. E, para Rosenberg, isto tem um efeito de amplificação - nossa tendência é tomar decisões melhores como um grupo do que como indivíduos. Mas a abordagem de Rosenberg foi criada para melhorar ainda mais este quadro. "Enxames vão superar (o desempenho de) votações e pesquisas pois permitem que (a opinião do grupo) convirja para a melhor resposta, ao invés de simplesmente descobrir qual é a média das opiniões", contou.

Escolher uma resposta desta forma é importante pois impede a influência daqueles que dão a resposta primeiro. Por exemplo: em votações públicas, as pessoas que votam primeiro podem influenciar um grupo. E em termos de previsão dos mercados, aqueles com mais dinheiro têm uma influência maior no resultado final. E estas forças podem distorcer o quadro final. Rosenberg trabalhou com sistemas de realidade aumentada para o Armstrong Labs da Força Aérea Americana no começo da década de 1990.

Mas ele se interessou por abelhas. Por exemplo: quando um enxame de abelhas quer estabelecer uma nova colméia, precisa tomar uma decisão coletiva na hora de escolher o lugar. Algumas centenas de abelhas vão voar em direções diferentes para ocupar possíveis lugares. Quando elas voltam, fazem uma dança, se balançando, para passar a informação sobre o que encontraram para o enxame. Cada uma destas abelhas que saíram em busca de um novo local para a colméia vai tentar puxar o grupo para o seu lado e, no fim, elas decidem em grupo qual direção seguir, tomando uma decisão que nenhuma abelha sozinha poderia tomar.

Rosenberg está tentando capturar a mesma dinâmica com seus enxames humanos. Responder uma questão com a ferramenta Unanimous AI envolve mover um ícone para um canto da tela ou para outro - indo a favor ou contra a multidão –até alcançar uma convergência de idéias ou opiniões. Os indivíduos precisam disputar o tempo todo com os membros do grupo para persuadi-los a se inclinar em direção de sua solução preferida. Experiências já mostraram que esta abordagem supera a previsão que usa pesquisas.

Em outro estudo, Rosenberg e seus colegas pediram a um grupo de 469 torcedores do futebol americano para prever os resultados de 20 apostas no Super Bowl de 2016. Em seguida, eles fizeram a mesma proposta para um grupo de apenas 29 torcedores. Apesar de ser 16 vezes menor - e não ter informações melhores - este grupo acertou em 68% de suas previsões em comparação com apenas 48% no grupo maior. No entanto Rosenberg não está tão interessado em apostas e esportes. Ele sabe que alguns vão querer usar a ferramenta para melhorar suas apostas. "Se ficar muito popular, poderá afetar a forma como as probabilidades são calculadas", explicou.

Para ele os eventos esportivos são apenas bons testes para a ferramenta. Rosenberg está oferecendo a Unanimous AI para empresas. O sucesso da ferramenta despertou o interesse de muitos grupos, desde organizações que fazem previsões financeiras até empresas de pesquisa de mercado. "O valor de longo prazo do ato de ampliar a inteligência das pessoas é muito mais importante do que apostas em esportes", disse. Por exemplo: equipes de vendas podem fazer previsões melhores se pensarem como um enxame.

"O objetivo é realmente fazer melhor uso do conhecimento, da sabedoria e da intuição que já existe em uma equipe". A ferramenta também despertou o interesse de médicos. Um diagnóstico médico é uma forma de previsão que pode se beneficiar da inteligência do enxame, de acordo com o criador da Unanimous AI. "Um radiologista, um oncologista, outros especialistas podem chegar a uma conclusão sobre um diagnóstico e nossa visão é que eles podem fazer um uso melhor dos seus conhecimentos e intuições combinados", afirmou Rosenberg.

Máquinas já são capazes de fazer diagnósticos. Mas, para Rosenberg, os enxames humanos têm uma vantagem. "Existe muito trabalho por aí para tirar as pessoas da equação em coisas como o diagnóstico médico. Mas se você está tirando humanos da equação, você corre o risco de acabar com uma forma muito fria de inteligência artificial que realmente não tem o sentido do interesse humano, das emoções ou valores humanos". Os temores do criador da Unanimous AI vão além dos diagnósticos médicos: "Se construirmos uma inteligência artificial que é realmente inteligente, então será imprevisível, como se alienígenas aparecessem na Terra".

Rosenberg afirma que ampliando nossa inteligência, criando estes enxames humanos, é uma forma de nos manter na corrida: "É um jeito de ter os benefícios da inteligência artificial, mas mantendo as emoções, valores e intuição dos humanos". É uma idéia grandiosa. Que Toby Walsh, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, prefere encarar com mais cautela.

"Infelizmente existe uma diferença entre um simples experimento de laboratório e como as pessoas se comportam em um mundo bagunçado", disse: "Eu teria menos certeza de que armadilhas (sociais) como a tragédia dos comuns - onde indivíduos egoístas agem contra os interesses do grupo - podem ser evitados com tanta simplicidade". Para Walsh, este tipo de atitude humana pode atrapalhar na hora de se chegar a um consenso. "Mudança climática é um bom exemplo da tragédia dos comuns onde a inteligência do enxame não vai ajudar", alertou. E há outra razão para preocupação. Enxames às vezes acabam em catástrofe. Formigas, por exemplo, formam grandes grupos, deixando para trás uma trilha de feromônios que outras formigas vão seguir. O comportamento às vezes leva a um fenômeno conhecido como espiral da morte, que acontece quando formigas seguem a formiga logo à frente em um círculo cada vez maior até que todas morrem.

Ainda assim, Rosenberg não parece preocupado: "Enxame é uma forma muito simples de nos manter à frente das máquinas". E com as pesquisas de opinião fracassando de forma espetacular na previsão dos resultados do referendo para a saída da União Européia, na Grã-Bretanha, e dos resultados das eleições nos Estados Unidos, este pode ser o momento certo para tentar usar nossa inteligência coletiva. Então a Unanimous AI é uma espiral da morte ou um atalho para um futuro mais inteligente? Talvez esta seja mais uma pergunta para o enxame. (BBC)

Procurador Janot pede urgência a Carmen Lúcia na homologação das delações da empreiteira propineira Odebrecht


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, formalizou ao Supremo Tribunal Federal o pedido de urgência na análise e homologação das delações da empreiteira propineira Odebrecht, colhidas no âmbito da Operação Lava Jato. Nesta segunda-feira, o procurador esteve reunido com a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Oficialmente, o encontro foi para que Janot prestasse condolências pela morte do ministro Teori Zavascki. Janot tem demonstrado preocupação, nos bastidores, com o futuro da operação no tribunal após a morte do ministro Teori, com quem mantinha boa relação. Caberá a Cármen Lúcia decidir qual critério será utilizado para a redistribuição dos casos relativos à operação e, portanto, definir quem será o novo magistrado responsável por cuidar da Lava Jato no STF. Na segunda-feira, a presidente autorizou o andamento da análise da delação de 77 executivos e funcionários da Odebrecht pela equipe de juízes auxiliares de Teori. Com isso, serão realizadas as audiências com os executivos da empreiteira para confirmar se os delatores prestaram depoimento de forma espontânea. Antes de tomar a decisão, Cármen Lúcia ouviu a opinião de colegas da corte, que a apoiaram. Na prática, o pedido de Janot provoca a presidente do STF a se manifestar sobre a condução da Lava Jato. Isso porque a avaliação de ministros ouvidos reservadamente é que Cármen Lúcia pode dar andamento a trâmites que já vinham sendo feitos por Teori, mas caberá ao novo relator a homologação dos acordos. Mesmo com a morte do ministro, os magistrados auxiliares seguem no gabinete até que o sucessor de Teori assuma e decida se vai manter a equipe. De acordo com o cronograma anterior que vinha sendo cumprido pelo gabinete, os juízes devem viajar para capitais onde vão ouvir os colaboradores.

Governo do Peru ordena expulsão da Odebrecht do país, o Brasil deveria ter extinguido essa máquina de corrupção


A decisão do presidente Pedro Pablo Kuczynski, um homem sabidamente de direita, acha que a Odebrecht (também a Braskem, dona do Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul) está manchada pela corrupção e tem que ir embora - sair da vida empresarial. É uma punição drástica e necessária. No Brasil, a Odebrecht, essa empreiteira campeã mundial de propinagem e corrupção, e as demais empreiteiras e empresas corruptas, pagam multa, dizem que se arrependeram e fica por isto mesmo, mas elas também estão manchadas e deveriam ser proibidas de operar. O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, disse que a Odebrecht terá que vender seus projetos no Peru, conforme os promotores negociam um possível acordo com a companhia. Kuczynski afirmou que seu governo já recebeu uma garantia de US$ 262 milhões do consórcio de gasodutos liderado pela Odebrecht por descumprimento do prazo de financiamento e quebra dos termos do contrato de US$ 5 bilhões que está retornando ao controle estatal. O que ele disse: "Eles vão ter que vender seus projetos. Muitos deles são muito bons", disse: "Infelizmente eles estão manchados pela corrupção, eles têm que ir embora. Acabou".

Mulher de Lula, Marisa Letícia, sofre AVC hemorrágico e está na emergência do Sirio Libanês em estado crítico


A mulher do poderoso chefão da orcrim petista e ex-presidente Lula, Marisa Letícia Lula da Silva, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e está internada no Hospital Sírio Libanês. Neste momento, Marisa Letícia está na sala de emergência e recebe medicações. O Hospital Sírio Libanês ainda não disponibilizou boletim médico, mas confirmam que médicos atendem Marisa Leetícia neste momento. O AVC de Marisa Letícia é hemorrágico, mas os médicos submetem a paciente a uma intervenção de cataterismo, visando estancar o sangramento no cérebro. Lula foi para o hospital logo depois da internação, ocorrida as 15h30min. Desde que saiu da presidência, Marisa Letícia tem sido objeto de duras investigações policiais, oitivas na Polícia Federal e no Ministério Público Federal, além de denúncias na Justiça Federal, o que a coloca, com o marido e os filhos, em situação constrangedora e capaz de levá-la à prisão. Ela não resistiu às pressões de toda ordem, sobretudo por parte da mídia. 


O AVC do tipo H estava caracterizado e ela foi imediatamente conduzida ao Hospital Sirio-Libanês. No seu Facebook, Lula escreveu há pouco: "Dona Marisa Letícia foi hospitalizada nesta terça-feira. Estamos torcendo muito para que ela se recupere logo". O estado de Marisa Letícia é considerado grave, mas os médicos intervieram rapidamente para conter o sangramento, usando a técnica do cateterismo. O site do Hospital Albert Einstein, São Paulo, explica em detalhes o que é o AVCH, qual a causa da doença, como ela pode ser tratada e quais as sequelas. O acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH) se caracteriza pelo sangramento em uma parte do cérebro, em consequência do rompimento de um vaso sanguíneo. Pode ocorrer para dentro do cérebro ou tronco cerebral (acidente vascular cerebral hemorrágico intraparenquimatoso) ou para dentro das meninges (hemorragia subaracnóidea). A hemorragia intraparenquimatosa (HIP), é o subtipo mais comum de hemorragia cerebral, acometendo cerca de 15% de todos os casos de AVC. Ocorre principalmente em decorrência da hipertensão arterial ou de uma doença chamada angiopatia amilóide. Nestas doenças, as paredes das artérias cerebrais ficam mais frágeis e se rompem, causando o sangramento. 

PORQUE PORTO ALEGRE DÁ NOJO


Pouco depois das eleições em Porto Alegre eclodiu o escândalo do lixo. O Ministério Público estadual invadiu a sede do DMLU (Departamento Municipal de Limpeza Urbana) e a casa de seu diretor, vereador eleito André Carus. Foram apreendidos documentos, computadores e celulares, entre outros objetos. Foi amplamente divulgado, com grande documentação, que a empresa contratada para coletar o lixo da cidade, a BA Ambiental, fraudava o contrato diariamente. Todos os seus caminhões carregavam caliça de concreto nas caçambas antes de iniciarem os roteiros de coleta. Isso era feito para aumentar o peso do lixo. Pois bem..... o contrato da empresa venceria, como venceu, agora no dia 22 de janeiro. A coisa mais óbvia do mundo seria esperar que a prefeitura não renovasse o contrato. Séria óbvia em qualquer parte do mundo, menos em Porto Alegre. Ainda em dezembro, o governo de José Fortunati (PDT) renovou emergencialmente o contrato da BA Ambiental. E a administração de Nelson Marchezan Junior está quietinha até agora sobre essa barbaridade. Concluindo: o portoalegrense é ou não é um otário? Nem vale a pena perguntar para que existe o Ministério Público.... Agora vocês vejam a foto acima. O que há de ilegal nela? O caminhão da BA Ambiental está com uma guarnição de apenas dois garis. Pelo contrato, cada caminhão deve ter uma guarnição de três garis. Um contrato a menos é mais dinheiro que sobra na fatura do fim do mês. Isso ocorre todos os dias, na cara de toda a população de Porto Alegre. E ninguém diz nada, ou faz nada. Portoalegrense é mesmo um otário ou não? Portoalegrense não só gosta de ser roubado, ele ainda premia quem lhe rouba. 

Lava-Jato quer reter crédito de R$ 158 mil de ex-tesoureiro do PT


A força-tarefa da Operação Lava-Jato requereu à Justiça Federal, na segunda-feira, que ordene à Caixa Econômica Federal o depósito judicial — a título de fiança — do crédito de R$ 158.770,55 detido no banco pelo ex-tesoureiro do PT, o gaúcho Paulo Ferreira. Ele foi preso na Operação Abismo, 31º desdobramento da Lava-Jato, em 23 de junho de 2016, que investiga desvios em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). Em 16 de dezembro, depois que o petista confessou a captação de recursos ilícitos nas campanhas de seu partido e nas campanhas das outras legendas, o juiz Sergio Moro impôs fiança de R$ 1 milhão para Ferreira sair da cadeia. A defesa do ex-tesoureiro entrou com dois pedidos de reconsideração, alegando que o petista está desempregado e com dívidas. Em 12 de janeiro, a juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro, em férias, reduziu o valor da fiança de R$ 1 milhão para R$ 200 mil. Os defensores de Ferreira argumentaram à juíza dificuldades em levantar o valor de R$ 158.770,55 referentes à carta de crédito de consórcio imobiliário que ele mantém junto à Caixa Econômica Federal, "eis que a instituição financeira estaria exigindo que somente o requerente, pessoalmente, poderia levantar o numerário". A defesa ofereceu, como garantia, veículo de sua propriedade que estaria em posse de sua mulher, em Brasília, e que segundo a tabela Fipe estaria avaliado em R$ 34.988,00. Solicitou à juíza Gabriela Hardt que coloque o petista em liberdade "com o encargo de, em quinze dias, providenciar o depósito do valor da carta de crédito, e, em trinta dias, complementar o depósito do valor remanescente até atingir R$ 200 mil". Na segunda-feira, os procuradores federais Julio Carlos Motta Noronha e Roberson Henrique Pozzobon, que integram a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, pediram o depósito judicial do montante relativo à carta de crédito de Paulo Ferreira. "Uma vez que o acusado não deteria quaisquer outros bens, requereu-se a redução da fiança para o montante de R$ 34.988,00, correspondente a veículo automotor, único bem disponível supostamente detido por Paulo Ferreira, ou a liberação do acusado do recolhimento de fiança em razão da alegada impossibilidade, podendo outras medidas cautelares serem a ele opostas pelo Juízo", assinalam os procuradores. "Não obstante o que alega a defesa do acusado, não restou comprovada a impossibilidade de recolhimento do valor de fiança arbitrado", argumentam. "É de todo possível requerer a esse Juízo a expedição de ordem judicial direcionada à Caixa Econômica Federal determinando o saque do crédito de R$ 158.770,55 detido por Paulo Ferreira perante aquela instituição financeira e seu respectivo depósito em conta judicial correspondente ao recolhimento da fiança do acusado". Os procuradores observam que "a defesa não juntou documentos comprobatórios relativos à propriedade do mencionado veículo automotor ou à inexistência de ônus que sobre ele recaiam, nem mesmo informando o modelo, número de Registro Nacional de Veículos Automotores — Renavam — e placa do bem, impossibilitando a consulta por este órgão ministerial": "Da mesma forma, o alegado valor de avaliação do bem pela tabela Fipe não restou comprovado, pelo que não pode ser aceito como garantia ao pagamento de fiança arbitrada".

Dono de jatinho que matou Eduardo Campos faz delação premiada


Apontado pela Polícia Federal como responsável por entregar propina de empreiteiras ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) – morto em um acidente de avião, em agosto de 2014 –, o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, conhecido como João Lyra, assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Turbulência. Lyra se apresentou formalmente como o único comprador do avião que caiu em Santos, no litoral de São Paulo. O acordo ainda precisa ser homologado pela Justiça e João Lyra deve prestar depoimento nas próximas semanas. Além dele, também optaram pela delação Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira. Os três empresários pernambucanos foram alvo da Turbulência, responsável por investigar o arrendamento da aeronave Cessna Citation PR-AFA que caiu em Santos e vitimou o então candidato à presidência Eduardo Campos. Além dos fatos envolvendo o avião, João Lyra negociou com os investigadores o detalhamento de todas as transações financeiras realizadas por seu grupo cujos valores são oriundos de superfaturamento de obras públicas e de esquemas envolvendo empreiteiras e o governo de Pernambuco. Para chegar aos verdadeiros proprietários do jatinho, os investigadores identificaram empresas de fachada supostamente utilizadas para lavar e escoar dinheiro oriundo de obras públicas para campanhas políticas. Foram investigados repasses da Camargo Corrêa e da OAS que teriam origem em desvios praticados em obras da Petrobras em Pernambuco e na transposição do Rio de São Francisco. Parte das informações foi compartilhada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra dezoito pessoas envolvidas no caso, o órgão apontou que os três empresários lideravam o grupo criminoso que lucrava com “a prática de agiotagem”, lavagem de dinheiro proveniente de superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina para agentes públicos. Apesar de a primeira denúncia ter sido arquivada, a investigação continua e deve dar origem a novas denúncias. À época da deflagração da Turbulência, o PSB, do qual Campos era presidente, reiterou a sua confiança na “conduta sempre íntegra do ex-governador” e “o apoio incondicional ao trabalho de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, esperando que resulte no pleno esclarecimento dos fatos”. A Camargo Corrêa, uma empresa tremendamente proba, como todo mundo sabe, afirmou que foi a primeira a colaborar e que segue à disposição da Justiça.