sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Lula diz a Temer que lamenta a ruptura de diálogo com Fernando Henrique Cardoso


O poderoso chefão da orcrim petista e ex-presidente Lula disse ao presidente Michel Temer que lamenta não ter conversado mais com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao longo dos anos. Na noite quinta-feira (2), ao receber a visita do presidente no hospital Sírio-Libanês – onde sua mulher, Marisa Letícia, havia sido internada – Lula se disse disposto a dialogar com Temer sobre reforma política e agenda econômica. No encontro com Temer, o petista lembrou que, por várias vezes, ele e Fernando Henrique Cardoso desenharam uma aproximação. Mas que, por culpa dos dois, o movimento nunca se concretizou. O petista citou também a viagem em que, a convite da então presidente Dilma Rousseff, ele, Fernando Henrique Cardoso, e os ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney foram ao enterro de Nelson Mandela, na África do Sul. Reunidos, os ex-presidentes concordaram que seria necessário conversar mais. O encontro, no entanto, nunca se repetiu. Visivelmente comovido com a iminência da morte de sua mulher, que acabou ocorrendo formalmente ao entardecer desta sexta-feura, Lula elogiou a atitude de Fernando Henrique Cardoso, que o visitara sete horas antes. Segundo o senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), Lula afirmou que a visita de Fernando Henrique Cardoso é "um exemplo pedagógico para os jovens". Por várias vezes, Lula afirmou que pretende conversar com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presente ao encontro. Ele aconselhou Temer a mudar o argumento adotado em defesa da reforma previdenciária. Segundo Lula, é um erro afirmar que a Previdência Social está quebrada. O correto seria alegar que a aposentadoria das futuras gerações está em jogo. Na conversa, Lula insistiu que as divergências políticas não podem impedir o diálogo. Lula deu um abraço no ministro José Serra (PSDB) dizendo que tinham uma boa relação pessoal, embora tenham disputado uma eleição presidencial. Ele chamou Sarney, presente ao encontro, de amigo. Ainda segundo participantes, Lula relatou ter recebido horas antes a visita da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). À comitiva liderada por Temer, reproduziu o que dissera a Marta. "Para mim, não interessa que você tenha brigado com o PT aqui de São Paulo". Lula citou ainda o ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) – morto em 2014 num acidente aéreo. Disse que Campos criticava sua política de fomento da economia. Lula defendeu sua agenda econômica, alegando ter permitido o aquecimento da indústria brasileira. A conversa com Temer consumiu 18 minutos. Só depois, Lula foi informado que o presidente fora chamado de "assassino" por um grupo de militantes petistas na chegada ao hospital. Informado do contratempo, Lula reclamou com amigos. Disse aos aliados que não gostaria de transformar o momento das condolências em um "espetáculo de intolerância". Ele também afirmou que os petistas deveriam servir de modelo contra o ódio. A seu pedido, militantes e sindicalistas foram orientados a deixar a portaria do hospital. Na tarde desta sexta (3), Lula recebeu Dilma. Ao lado do empresário Josué Gomes, Lula e Dilma lembraram da luta travada contra o câncer pelo ex-vice-presidente José Alencar, que morreu em 2011. Na conversa, Lula e Dilma afirmaram que Alencar fora um guerreiro. Lula confessou que se arrepende até hoje de não ter insistido para que Alencar fosse à sua posse em 2007. Filho de Alencar, Josué revelou ter comprado um sapato novo para que Alencar participasse da posse. Mas disse que sua mãe nunca permitiria que o pai, doente à época, cometesse essa extravagância. O sapato nunca foi usado.

Agora é oficial, morre Marisa Letícia, a mulher de Lula


Marisa Letícia Lula da Silva, Primeira-dama do Brasil de 2003 a 2010, morreu nesta sexta-feira (3), às 18h57, em São Paulo, aos 66 anos. Mulher do poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula, ela estava internada no Hospital Sírio-Libanês, a boutique da saúde brasileira, desde o último dia 24, quando sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). De acordo com boletim do Hospital Sírio-Libanês, ela estava sem fluxo cerebral. Com o diagnóstico, a família já havia autorizado na quinta-feira (2) procedimento de doação de órgãos da ex-primeira-dama. Diante da situação "irreversível", como definiu o médico da família, o cardiologista Roberto Kalil Filho, os aparelhos também foram desligados na quinta-feira. Após vir à tona o diagnóstico de ausência de fluxo cerebral, Lula e a família passaram a receber mensagens de solidariedade de políticos de diversos partidos. O petista recebeu a visita no hospital do presidente Michel Temer (PMDB), que foi hostilizado pela malta petista chegar no local, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A cassada ex-presidente Dilma Rousseff (PT) antecipou retorno de viagem à Europa para prestar condolências ao padrinho político. No fim da tarde desta sexta-feira, o padre filocomunista Júlio Lancelotti foi ao hospital aplicar a extrema unção de Marisa Letícia. O velório deve ter início pela manhã deste sábado, no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP). A previsão é que a ex-primeira-dama seja cremada no cemitério Jardim da Colina, no ABC paulista, ainda na tarde deste sábado. A mulher do ex-presidente é potencial doadora de fígado, rins e córneas. A retirada de órgãos de Marisa Letícia deve começar por volta da meia-noite – é preciso esperar um prazo de seis horas após a morte cerebral ser decretada. Marisa Letícia já tinha histórico de pressão alta. Além disso, fumava e não costumava se exercitar no ritmo indicado. A ex-primeira-dama nasceu em São Bernardo do Campo em 7 abril de abril de 1950. Ela conheceu o ex-presidente Lula em 1973, aos 23 anos, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Os dois eram jovens viúvos – ele de Maria de Lourdes, que morreu grávida durante uma cesariana de emergência. Ela, de um taxista que morreu assassinado, com quem teve um filho, Marcos. Lula já tinha uma filha, Lurian, fruto de relacionamento com a enfermeira Mirian Cordeiro. Lula e Marisa se casaram em 1974 e tiveram três filhos: Fábio Luís, Sandro e Luís Cláudio. O ex-presidente perde a mulher no momento mais difícil de sua vida política. Ele é réu em cinco ações na Justiça e sua rejeição é de 44%. Na Operação Lava Jato, a ex-primeira-dama era ré junto com Lula em duas ações penais sob responsabilidade do juiz Sergio Moro. Ela também foi mencionada em investigações relacionadas à reforma de um sítio, em Atibaia (SP), usado pela família. Com a morte, o processo contra Marisa Letícia é extinto e ela escapa de uma condenação criminal. 

Polícia Federal prende mais um acusado de integrar esquema corrupto liderado pelo peemedebista Sérgio Cabral


A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (3) o publicitário Francisco Assis Neto, que era considerado foragido desde a deflagração da Operação Eficiência, um desdobramento da Operação Calicute, desenvolvida no final do ano passado. Assis Neto é apontado pelo Ministério Público Federal como operador do ex-governador peemedebista Sérgio Cabral na trama que também pode envolver o empresário de pirâmide de papel Eike Batista. A operação apura esquema usado para ocultar mais de R$ 340 milhões enviados ao Exterior. O acusado teve prisão preventiva decretada pela Justiça e foi detido no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, quando retornou ao Brasil. Ele foi detido (3) por volta das 11 horas e encaminhado para prestar depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio de Janeiro. O advogado do publicitário, Breno Melaragno, esteve na Polícia Federal para acompanhar seu depoimento e disse que Francisco Assis Neto estava de férias com a família no Exterior e que adiantou o retorno ao Brasil para se entregar à polícia. Breno informou ainda que um pedido de habeas corpus foi feito e, como seu cliente tem nível superior, a defesa vai pedir que ele seja encaminhado para o presídio de Bangu 8.

Corpo de Marisa Letícia passa por primeira etapa protocolar de exames para confirmação clínica da morte cerebral


O Hospital Sírio-Libanês informou nesta sexta-feira que às 12h05 de hoje (3) foi realizada a primeira etapa do protocolo de morte encefálica da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, de 66 anos. A morte cerebral foi declarada na manhã de quinta-feira, mas ocorreu na quarta-feira, porém ainda são necessários mais exames para constatar o diagnóstico. Segundo o boletim médico, o protocolo será finalizado às 18h05. Marisa Letícia foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sírio-Libanês no dia 24 de janeiro, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Na manhã de quinta-feira (2) foi realizado um dopller transcraniano que identificou a ausência de fluxo cerebral na paciente. A família autorizou a doação de órgãos. A ex-primeira-dama está sendo acompanhada pelas equipes coordenadas pelos médicos Roberto Kalil Filho, Milberto Scaff, Marcos Stávale e José Guilherme Caldas.

Ex-secretária da Odebrecht diz em juízo que não conheceu o ex-ministro petista Palocci pessoalmente


Em depoimento nesta sexta-feira (03), a ex-funcionária da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, negou conhecer o ex-ministro petista Antônio Palocci e o assessor dele, Branislav Kontic. Maria Lúcia foi ouvida como testemunha de acusação na ação penal que investiga o ex-ministro, o empreiteiro propineiro Marcelo Odebrecht e mais 13 pessoas. Eles foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O advogado de Palocci e de Branislav Kontic, José Roberto Batochio, questionou se ela já tinha visto o ex-ministro, e Maria Lúcia respondeu: “só vi na televisão. Mas nunca estive pessoalmente com ele. E nunca falei com ele”. A testemunha trabalhava no Setor de Operações Estruturadas da empreiteira e era responsável por controlar as planilhas que informavam sobre remessas de dinheiro para pessoas beneficiadas pelo esquema de corrupção entre a Petrobras e a Odebrecht. Os documentos eram preenchidos com codinomes. A ex-funcionária, que assinou acordo de delação premiada, reafirmou hoje (3) o que já havia dito na colaboração, que o único apelido que ela sabia a quem se referia era o da publicitária Mônica Moura, apontada na planilha como “Feira”. Respondendo a questionamentos da defesa da publicitária, Maria Lúcia informou: “o único codinome que eu conhecia era o de Mônica Moura, que era 'Feira', porque ela foi lá na sala. Ela foi pegar um dinheiro comigo”. A ex-funcionária afirmou ainda que Mônica Moura teria ido duas vezes à empresa para receber valores. Além de Maria Lúcia Tavares, também prestaram depoimento hoje à tarde o senador petista cassado Delcídio do Amaral, o ex-gerente da Petrobras, o corrupto Pedro Barusco, e o engenheiro corrupto Zwi Skornicki. Todos assinaram acordo de delação premiada e têm obrigação de contar o que sabem. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Palocci e a construtora Odebrecht estabeleceram um “amplo e permanente esquema de corrupção” entre 2006 e 2015.