quinta-feira, 16 de março de 2017

Potencial de aeroporto de Porto Alegre levou Fraport a oferecer ágio de 211%


O potencial de negócios de Porto Alegre foi o que motivou a operadora alemã Fraport a oferecer um ágio de 211% sobre o valor de outorga inicial mínimo pelo terminal gaúcho, ou R$ 382 milhões. O aeroporto foi um dos mais disputados do leilão de quatro aeroportos realizado nesta quinta-feira, recebendo um total de oito lances, ou seis propostas em viva-voz, e foi o que registrou o mais alto ágio, embora seja necessário considerar que também se tratava do terminal com menor valor de outorga inicial, de R$ 123 milhões. A vice-presidente executiva sênior da Fraport, Aletta von Massenbach, explicou que o forte interesse está relacionado ao potencial da região de Porto Alegre como "centro de negócios". Segundo ela, a análise econômica sobre as especificidades deste mercado fez com que a companhia se interessasse pela concessão. A Fraport também conquistou o terminal de Fortaleza, após apresentar um lance de R$ 1,505 bilhão, o que corresponde a um ágio de 10%. O aeroporto também foi alvo de uma disputa, neste caso com a francesa Vinci, mas após quatro lances em viva-voz se estabeleceu o vencedor. Sobre o aeroporto nordestino, Aletta salientou que a transformação do terminal não se dará tanto com novas construções, mas com a melhoria dos serviços. "O mais importante é o que oferecer, o que podemos fazer para atrair o interesse das companhias aéreas", disse ela. Tanto no caso de Fortaleza como do de Porto Alegre, ela salientou que a operadora conta com o crescimento das operações da companhia aéreas nos terminais, mas minimizou a importância de atração de empresas estrangeiras.  "Se são internacionais ou não, não interessa, não faz diferença, isso é uma questão de que tipo de destinações vão servir e o mercado de aviação é muito bom, então achamos que temos um número de players suficiente e com os quais podemos desenvolver", comentou. Após disputar os dois primeiros leilões de aeroportos realizados pelo governo federal, em parceria com a EcoRodovias, e não sair bem sucedida das disputas, desta vez a Fraport se apresentou sozinha e conquistou os dois aeroportos para os quais apresentou propostas. Ela abriu mão de disputar Florianópolis e Salvador. Questionada sobre a falta de interesse por este último, a executiva disse que a Fraport gastou muito tempo estudando o terminal baiano. "Queríamos muito achar soluções para este terminal, mas não encontramos. Provavelmente não éramos o certo para Salvador", disse.

Leilão do aeroporto Hercílio Luz, de Florianópolis, teve disputa lance a lance na Bovespa


A concessão do aeroporto Hercílio Luz foi disputada até os últimos instantes do leilão ocorrido na Bovespa na manhã desta quinta-feira, em São Paulo. Dos quatro aeroportos ofertados à iniciativa privada, o de Florianópolis foi o que mais recebeu lances das duas empresas interessadas. A suíça Zurich arrematou a concessão em uma disputa lance a lance com a francesa Vinci. O valor mínimo para a concessão do Hercílio Luz era de R$ 52.735.236,00. Na abertura de propostas, a Zurich foi mais agressiva: ofereceu R$ 58.333.333,33 (R$ 8 milhões a mais), enquanto a concorrente Vinci fez um lance R$ 1 maior do que o mínimo. Com a abertura da etapa de lances no viva-voz, o aeroporto de Florianópolis ficou de lado para uma disputa pelo terminal de Fortaleza. Como cada empresa só poderia ficar com o aeroporto de uma região, houve momentos em que algumas empresas ficaram inabilitadas de concorrer. Além de Florianópolis, a Zurich também disputava com a alemã Fraport o aeroporto de Porto Alegre. Ela chegou a estar à frente na capital gaúcha, o que tiraria o direito de ficar com o Hercílio Luz também. Mas a Fraport manteve a posição e fez altas propostas, o que tornou o aeroporto do Rio Grande do Sul o mais caro proporcionalmente entre os disputados. No valor final do ágio, que é a quantia acima do mínimo estabelecido, os alemães vão pagar 852% a mais que os R$ 31 milhões inicialmente previstos. O valor vencedor proposto pela Fraport para Porto Alegre foi de R$ 290 milhões. Em Florianópolis, apesar do ágio ficar em 58%, o segundo menor, a disputa foi intensa. Depois dos R$ 58,3 milhões iniciais da Zurich, os franceses passaram a aumentar as ofertas insistentemente. Em determinado momento, pouco antes de o operador encerrar o pregão, a Zurich voltou e fez nova oferta através do Banco Santander, corretor da empresa que atua na Bovespa. A reação nos segundos finais levou o público ao risos e comentários. Assim, o operador André Demarco ampliou novamente o tempo de ofertas. Dessa forma, Vinci e Zurich travaram um embate até que os franceses desistissem de novos lances. Durante o tempo de viva-voz, corretores e investidores ficaram ao celular em contato com acionistas e representantes das empresas. Em alguns momentos, houve surpresa dos presentes, com reações e até risos em voz alta. Ao final, quando o operador decidiu encerrar o leilão, o público aplaudiu e celebrou o resultado. Na batida de martelo, o ministro-chefe da secretaria-geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), acompanhou os representantes de cada empresa vencedora e das cidades dos aeroportos. Moreira disse que essas concessões fazem parte de "um esforço para colocar o País nos trilhos". "Isso significa restabelecer o ambiente de confiança para retomar os investimentos, que é condição indispensável para que o País volte a crescer e gerar milhões de empregos", disse o ministro.