terça-feira, 9 de maio de 2017

Justiça Federal determina suspensão das atividades do Instituto Lula

O juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, determinou, a pedido do Ministério Público Federal, a suspensão das atividades do Instituto Lula, entidade comandada pelo poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula. No despacho, assinado no último dia 5 e publicado nesta terça-feira, o magistrado justificou que,mesmo que o Instituto Lula desenvolva projetos de cunho social, há indícios “veementes” de “delitos criminais” que podem ter sido iniciados ou instigados na sede do instituto, localizada em São Paulo. “Como o próprio acusado (Lula) mencionou que no local (sede do Instituto Lula) se discutia vários assuntos, e há vários depoimentos que imputam pelo menos a instigação de desvios de comportamentos que violam a lei penal, a prudência e a cautela recomendam a paralisação de suas atividades. Há indícios abundantes de que se tratava de local com grande influência no cenário político do país, e que possíveis tratativas ali entabuladas fizeram eclodir várias linhas investigativas”, escreveu o juiz de Brasília em um trecho do despacho. Para assegurar o cumprimento da decisão, o magistrado determinou que a superintendência da Polícia Federal em São Paulo, a Junta Comercial paulista e o presidente do Instituto Lula sejam comunicados da medida cautelar. O magistrado relata ao longo do despacho que, ao depor à Justiça Federal, o próprio Lula comentou que o instituto já foi alvo de fiscalização da Receita Federal. Soares Leite destaca, entretanto, que, no mesmo depoimento, o ex-presidente não comentou que teria ocorrido, pelo menos, uma operação atípica que levou o Fisco a suspender a isenção fiscal da entidade referente ao ano de 2011 por suspeita de desvio de finalidade. Além disso, os técnicos da Receita contestaram doações de duas entidades sem fins lucrativos que, juntas, destinaram R$ 1,5 milhão ao Instituto Lula entre 2013 e 2014. O Fisco concluiu que houve desvio de finalidade no período investigado. Ainda segundo o juiz, o próprio Lula mencionou em depoimento que chamava pessoas para conversar na sede do instituto - que era tratado pelo petista como "Posto do Ipiranga", em referência ao fato de a entidade estar localizada no tradicional bairro do Ipiranga -, para discutir assuntos que não tinham relação com assuntos sociais. O magistrado destacou que essas conversas com aliados ocorriam no instituto "sem qualquer agendamento" ou "transparência em suas atividades". Soares Leite observou que o ex-presidente da República convidou até mesmo investigados pela Operação Lava Jato, como o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), para reuniões no instituto. Na avaliação do juiz, há indícios abundantes de que o Instituto Lula se trata de um local com "grande influência no cenário político do País" e que várias "tratativas" que ocorreram na sede da entidade geraram "várias linhas investigativas". "Não se sabe o teor do que ali foi tratado, mas, por depoimentos testemunhais (mais especificamente o depoimento do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, prestado perante a Vara Federal em Curitiba, bem como o de várias investigações em seu desfavor, há veementes indícios de delitos criminais (incluindo o descrito nesta denúncia) que podem ter sido iniciados ou instigados naquele local", enfatizou. De acordo com a força-tarefa da Operação Lava Jato, a Odebrecht adquiriu um terreno para que o Instituto Lula construísse uma nova sede em troca de contratos firmados pela empreiteira com a Petrobras. A nova sede, porém, não saiu do papel. O Instituto Lula afirmou que “funciona em uma casa adquirida em 1991, onde antes funcionava o Instituto da Cidadania. Não existe 'novo Instituto Lula'. Todas as doações ao Instituto Lula, fundado em agosto de 2011, são legais e registradas com notas fiscais”. Nesta terça-feira, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o pecuarista José Carlos Bumlai disse que o novo Instituto Lula "surgiu de uma conversa com a dona Marisa". Ele afirmou que era amigo da família do ex-presidente Lula, mas que, atualmente, não o vê há muito tempo. 


Na mesma decisão, Leite acolheu manifestação do Ministério Público Federal que pediu a coleta de documentos para uma ação judicial que tramita em Brasília a fim de apurar possível envolvimento de Lula na compra do silêncio do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, em desdobramento da Operação Lava Jato. Em sua decisão, Leite escreveu que "que o artigo 319 do Código de Processo Penal possibilita ao magistrado medidas cautelares diversas da prisão, que, em síntese, buscam evitar qualquer increpação desnecessária, mas também assegurar os objetivos cautelares, todos descritos pelo artigo 312 do Estatuto Processual Penal".  Segundo a Justiça Federal, a paralisação das atividades é por tempo indeterminado. 

Trump demite diretor do FBI após erro em declaração sobre e-mails de Hillary


O presidente Donald Trump demitiu nesta terça-feira (9) o diretor do FBI, James Comey, que chefiava investigações sobre integrantes da campanha de Trump e sua suposta ligação com a Rússia. Comey também supervisionava o inquérito sobre uso indevido de e-mails pela ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, que disputou a Presidência com Trump.


Segundo o jornal esquerdista The New York Times, o diretor soube da demissão enquanto discursava a funcionários do FBI em Los Angeles por meio do noticiário exibido nas TVs do local — os repórteres foram informados antes de a carta do presidente ser entregue na sede do órgão em Washington. Ainda não está claro o motivo da demissão abrupta. Horas antes, o FBI enviara ao Congresso uma correção de declarações oficiais de seu então diretor sobre os e-mails de Hillary, segundo as quais uma auxiliar da ex-chanceler passara ao marido "centenas de milhares de e-mails", incluindo alguns confidenciais. O órgão depois afirmou que encontrou apenas um pequeno número de mensagens no laptop do ex-deputado Anthony Weiner, investigado em um escândalo sexual. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, a decisão de Trump segue a recomendação do secretário da Justiça, Jeff Sessions, e de seu vice, general Rod Rosenstein. O sucessor não foi definido. Com o comunicado de Spicer, a Casa Branca divulgou cartas de Rosenstein e Sessions a Trump, datadas desta terça-feira, pedindo a demissão. Nenhuma delas, porém, cita a correção feita pelo FBI sobre as declarações de Comey. Rosenstein e Sessions argumentaram que a decisão do diretor do FBI de não recomendar o indiciamento de Hillary, em 2016, após investigar o uso de um e-mail particular para tratar de assuntos do Departamento de Estado foi "errada". O vice-secretário da Justiça cita ainda declarações de Comey à imprensa sobre o caso naquele ano, "ignorando" o princípio do Departamento de Justiça — ao qual o FBI está subordinado — de não divulgar informações sobre investigações criminais. Para Rosenstein, ele "usurpou a autoridade" do então secretário de Justiça ao anunciar que o caso seria encerrado. "Como resultado, o FBI não deve reconquistar a confiança do público e do Congresso até que tenha um diretor que entenda a gravidade dos erros e se comprometa a nunca repeti-los", disse. A carta de Trump comunicando a Comey sua demissão, no entanto, sugere que a investigação que o diretor do FBI conduzia sobre a possível relação de membros de sua equipe com a Rússia possa ter influenciado a decisão. "Mesmo que eu aprecie muito o fato de você ter me informado, em três ocasiões distintas, que eu não estou sob investigação, eu concordo com a avaliação do Departamento da Justiça de que você não está apto a liderar efetivamente o birô (FBI)", escreveu Trump. O presidente ainda afirmou ser necessário encontrar um novo diretor para o FBI que "restaure a confiança pública" na sua "missão vital de aplicação da lei". Democratas demonstraram preocupação com o fato de Trump apontar o responsável por conduzir, a partir de agora, as investigações sobre possíveis ligações de seus assessores com o governo de Vladimir Putin, suspeito de interferir nas eleições americanas de 2016. O senador democrata Ron Wyden, membro do Comitê de Inteligência do Senado — que também investiga as relações da equipe de Trump com a Rússia —, disse que Comey deverá ser levado ao Congresso para revelar até onde tinham avançado as suas investigações sobre os assessores do republicano quando ele foi demitido.

Lula recorre ao STJ para barrar depoimento a Moro


Depois de não conseguir adiar, via Tribunal Regional Federal da 4ª Federal, o depoimento que prestará nesta quarta-feira ao juiz Sergio Moro, o poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula recorreu, na noite desta terça-feira, ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, para evitar ficar frente a frente com o juiz da Lava-Jato em Curitiba. O habeas corpus foi distribuído ao ministro Felix Fischer, presidente da 5ª Turma e relator dos processos relacionados a pedidos de investigados no escândalo do petrolão. A decisão do STJ sobre se Lula deve ou não prestar o depoimento sobre o caso triplex deve ser oficializada na manhã desta quarta-feira. Em outro revés para Lula nesta terça-feira, o juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula. A medida foi tomada na ação penal em que o ex-presidente é acusado de tentar atrapalhar as investigações da Lava-Jato. O juiz tomou a medida cautelar porque entendeu que a entidade foi usada para a “perpetração de vários ilícitos criminais”.

Bumlai confirma conversa com Marcelo Odebrecht sobre Instituto Lula



Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, admitiu ter conversado com Marcelo Odebrecht sobre a instalação de uma nova sede para o Instituto Lula, em 2010, confirmando a declaração dada por Marcelo em seu acordo de delação premiada na Lava Jato. Bumlai relatou que a ideia de buscar um novo espaço para a entidade foi da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que queria fazer uma surpresa para o marido. Segundo Bumlai, Lula não sabia de nada. O pecuarista prestou depoimento por videoconferência na manhã desta terça-feira no processo em que Lula é acusado de receber benefícios da Odebrecht em troca de favorecimento em contratos da Petrobras. De acordo com o Ministério Público Federal, entre os benefícios dados pelo grupo estariam um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo, e um imóvel em Indianópolis, na Zona Sul de São Paulo, onde seria instalado o Instituto que leva o nome do ex-presidente. 

Gaúchos já comprometem 32,7% com dívidas, diz pesquisa da Fecomércio

O resultado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Fecomércio-RS, mostra que o indicador que mede o nível de endividamento das famílias gaúchas registrou alta (75,2%) na comparação com abril/2016 (70,4%). O levantamento revela que a elevação está diretamente ligada ao endividamento por necessidade para manter o nível de consumo corrente, tendo em vista as restrições de renda na conjuntura atual. O levantamento indica que a parcela da renda comprometida com dívidas em abril, na média em 12 meses, foi de 32,7%. Já o tempo de comprometimento da dívida no período de 12 meses cresceu, saindo de 7,7 meses para 7,9 meses. O cartão de crédito ainda é o principal meio de dívida dos gaúchos, apontado por 85,2% dos entrevistados, seguido por carnês (26,3%), financiamento de veículos (17,4%) e crédito pessoal (15,5%).  A conjuntura formada por redução de emprego e renda vem estabelecendo uma pressão para o aumento da inadimplência entre as famílias gaúchas. Em abril, o percentual de famílias com contas em atraso cresceu para 36,0%, ante 30,5% verificados em abril/2016. 

Filha de Janot advoga para OAS; procuradoria nega conflito de interesses

Leticia Ladeira Monteiro de Barros, filha do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atua como advogada da empreiteira OAS, investigada por ele na Lava Jato, em acordos junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A PGR negocia um acordo de delação premiada com executivos da empreiteira, que podem receber benefícios em troca de informações relevantes para as investigações da Lava Jato. Na segunda-feira (8) Janot pediu ao STF que o ministro Gilmar Mendes seja considerado impedido e suspeito nos casos relacionados ao empresário Eike Batista porque sua mulher, Guiomar Mendes, trabalha em um escritório que atende Eike em casos cíveis. O procurador ainda requereu que todas as decisões de Mendes sobre o empresário sejam anuladas. Em abril, Mendes concedeu habeas corpus a Eike, que havia sido preso pela Lava Jato. O magistrado afirma que não há impedimento já que o escritório em que sua mulher trabalha atua na área cível e não criminal. No caso da filha de Janot, a PGR afirma que quem celebra os acordos com o Cade com empresas é a primeira instância do Ministério Público Federal, na qual ele não atua. "O que está entre as atribuições da Procuradoria-Geral da República é negociar os acordos de colaboração que envolvem pessoas com prerrogativa de foro. Neste caso, os executivos propõem os termos de colaboração a serem prestados, e não a empresa. Mesmo assim, atualmente, os acordos de colaboração são assinados pelo Grupo de Trabalho da Lava Jato na PGR, por delegação do procurador-geral da República". 

TRF 4 proíbe Lula de gravar depoimento a Moro e diz que "pedido é sem lógica"



O juiz Nivaldo Brunoni, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, negou nesta terça-feira pedido da defesa do poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula para fazer uma gravação autônoma do interrogatório que acontecerá nesta quarta-feira — será a primeira vez que o petista ficará cara a cara com o juiz Sergio Moro na condição de réu na Lava Jato. Brunoni considerou a solicitação “inusitada” e “sem lógica” e contestou a “frequente utilização” do habeas corpus pelos advogados de Lula. Mais cedo, ele havia indeferido outro pedido da defesa para suspender o processo em que é acusado de receber favores da empreiteira OAS por meio de reformas num tríplex no Guarujá (SP), o que poderia adiar o depoimento marcado para as 14 horas desta quarta-feira. “As gravações de audiência já passam de uma década e, até hoje, nunca transitou por este tribunal inusitado pedido, tampouco notícia de que a gravação oficial realizada pela Justiça Federal tenha sido prejudicial a algum réu”, escreveu o magistrado. Ele prosseguiu, dizendo que é “desarrazoada” a alegação dos advogados de que o modo padrão de captação de imagem e som de audiências viole a presunção de inocência. “De rigor, nem sequer existe pertinência lógica entre uma coisa e outra”, completou. O juiz ainda frisou que pedidos desse tipo nunca foram feitos em três anos de Lava Jato e nem nas 197 Varas criminais e cíveis da 4ª Região. Lançando mão do mesmo argumento, Moro já havia rejeitado a solicitação. A defesa, no entanto, recorreu à segunda instância (TRF4) para tentar conseguir fazer a gravação com uma equipe própria. Na decisão, o juiz responsável pela Lava Jato na primeira instância disse que o propósito de Lula, com a filmagem, era transformar o depoimento — “um ato normal do processo” — em um “evento político-partidário”. Os advogados se queixavam de que o foco da câmera exclusivo no acusado, que é padrão em oitivas de testemunhas e réus dos fóruns do Paraná, geraria uma “imagem negativa” e “inferiorizada” de Lula. 

Justiça manda sem-terra deixar parte de área ocupada em Curitiba



A Justiça Federal do Paraná concedeu liminar para determinar a reintegração de posse de uma parte da área ocupada por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Curitiba, onde aguardam o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, em processo referente à Operação Lava Jato. Desde a noite de segunda-feira, dezenas de ônibus chegaram ao local trazendo sem-terra do próprio Paraná e de outros estados. A área fica perto dos terminais rodoviário e ferroviário da cidade e sua ocupação teve aval da prefeitura, do estado e da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que é dona do terreno. A questão é que os manifestantes montaram suas barracas além da área permitida, invadindo um pedaço que é administrado pela América Latina Logística (ALL), empresa que ganhou a concessão para operar a malha da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA).  “A referida área é operacional, afeta o bom desenvolvimento das atividades ferroviárias de transporte de cargas”, afirma a empresa no pedido de reintegração de posse. “O local (…) é destinado à manobra de trens, sendo que todas as pessoas e estruturas que ali se encontram estão em risco”, completa. O juiz Friedmann Anderson Wendpap concordou. “O ponto maior de preocupação externada pela ALL é a própria segurança dos manifestantes, dentre os quais há crianças, considerando que se trata de área em que os trens fazem manobras e outras operações de execução essencialmente perigosa e que exigem atenção diversificada”, escreveu na decisão. Empunhando faixas com dizeres “Fora Temer” e “Diretas Já”, tochas acesas e bandeiras do MST, militantes iniciaram nesta noite uma marcha em apoio a Lula. Eles seguirão do acampamento no terminal rodoferroviário até a Praça Tiradentes. Os organizadores estimam em 4 mil pessoas na marcha. À frente da marcha, o líder do MST, João Pedro Stédile, disse que, apesar de Moro ter negado pedido da defesa de Lula para que o depoimento seja transmitido ao vivo, a militância espera que o juiz volte atrás da decisão.  

Justiça nega adiamento do depoimento de Lula a Sergio Moro


O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) recusou agora há pouco habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula que pediu adiamento de 90 dias no depoimento agendado para amanhã, dia 10, em Curitiba. A defesa pedia extensão do prazo para avaliar as quase 100.000 páginas de documentos anexados pela Petrobras entre 28 de abril e 2 de maio. O juiz Nivaldo Brunoni afirmou que os documentos enviados pela foram requeridos pela própria defesa do ex-presidente.

Simone Leite poderá ser a candidata do PP ao governo gaúcho


O Movimento da Mulher Progressista lançou nesta segunda-feira o nome de Simone Leite, presidente da Federasul, para disputar o governo estadual em nome do partido. A senadora Ana Amélia Lemos apoia Simone. As duas foram candidatas na última eleição, mas agora invertem a chapa: Ana Amélia para senadora e Simone Leite para o governo do Estado. Na pesquisa divulgada pelo Correio do Povo, elaborada pelo Paraná Pesquisa, Ana Amélia Lemos venceria com folga todos os demais candidatos ao Piratini, mas ela já avisou formalmente ao PP que não disputará o governo de novo, já que quer voltar ao Senado.

Ricardo Pessoa diz que não tratou de propina com Lula


O dono e ex-presidente da UTC, o empreiteiro propineiro Ricardo Pessoa, afirmou em depoimento ao juiz Sergio Moro, nesta segunda-feira (8), que não tratou de propina com o poderoso chefão da organização criminosa e ex-presidente Lula ou com o ex-ministro Antonio Palocci. Segundo Pessoa, os pagamentos para o PT eram acertados com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto. Os repasses eram determinados, ainda de acordo com o empreiteiro, com base em porcentagens do valor dos contratos entre a UTC e a Petrobras. "Eu me reunia sistematicamente com Vaccari no meu escritório da UTC, em São Paulo, e a gente fazia um controle, praticamente uma planilha, de obra a obra", disse. Pessoa afirmou ainda que a maior parte desses pagamentos de propina era feita por meio de doação ao diretório nacional do PT. Além disso, segundo ele, em épocas de campanha, a UTC realizava doações que não eram ligadas às obras. O empreiteiro propineiro fechou acordo de delação premiada com a Lava Jato em 2015 e depôs como testemunha em ação penal que tem Lula, Palocci, Marcelo Odebrecht e outros seis como réus. Lula responde por crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro relacionados à empreiteira Odebrecht. Em nota, a defesa do ex-presidente ressaltou o fato de o petista não ter sido acusado por Pessoa e afirmou que, na denúncia, "as imputações são vagas e genéricas e a acusação a Lula francamente especulativa". Pessoa disse que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque o apresentou a Vaccari. A propina no setor de Serviços da estatal era dividida entre o ex-tesoureiro do PT e o gerente da Petrobras, Pedro Barusco, subordinado a Duque. O delator também confirmou o pagamento de propina ao setor de Abastecimento, comandado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, cujos intermediários eram o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010. Costa, Barusco e Youssef são delatores da Lava Jato. Duque, apesar de não ser delator, confessou que recebeu propina e disse que Lula conhecia o esquema. "Se pagava propina porque nós eramos instados a colaborar tanto com o PP, através do diretor Paulo Roberto e José Janene, isso depois ficou a cargo do Youssef, e a diretoria de Serviços, que ficava uma parte dentro da casa, dentro da própria companhia, com o Barusco, e também uma parte com João Vaccari, que era para o Partido dos Trabalhadores. Se pagava porque éramos cobrados", afirmou o dono da UTC. Pessoa confirmou ainda a existência de um cartel de empresas, cujos dirigentes se reuniam para combinar quem ficaria com cada obra da Petrobras. A propina era determinada e paga depois da formação dos consórcios, segundo ele. 

Boas notícias na economia começaram a aparecer, diz presidente do BNDES


Para a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, as boas notícias na economia começaram enfim a aparecer. Segundo ela, diferentemente do ano passado, quando a expectativa de recuperação econômica não se concretizou, agora há sinais concretos de retomada. "Temos números, fatos, indicando que setores da indústria começam a apresentar recuperação. No BNDES, as aprovações nesse primeiro trimestre estão muito positivas", disse a executiva após participar de evento promovido em São Paulo pelo Lide. "Isso se soma à melhora dos índices de confiança". Maria Silvia citou o crescimento de 32% nas aprovações do Finame no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2016. Trata-se de linha do BNDES que financia aquisição de máquinas e equipamentos. Excluindo-se o setor agrícola e de ônibus e caminhões, a alta foi de 128%, afirmou Maria Silvia. Como sinais de retomada, ela elencou ainda a revisão pela agência Moody's da perspectiva de classificação de risco do Brasil, que passou de negativa para estável, a alta na produção de veículos neste ano, e a elevação da expectativa do mercado para o crescimento do PIB neste ano. "É uma coisa mais espalhada, que vem na esteira da redução da taxa de inflação", afirmou, lembrando que a taxa de inflação em 2017 deve ficar abaixo do centro da meta definida pelo governo, de 4,5%. "Isso tudo faz com que a economia possa se planejar e se reaquecer", completou. De acordo com Maria Silvia, da mesma forma que as famílias, as empresas brasileiras buscaram nos últimos meses a redução de seu endividamento. Esse fator deve dar combustível à retomada econômica, avaliou. Segundo ela, a dívida elevada de pessoas físicas e jurídicas fez com que a recuperação fosse "mais lenta e mais dolorosa" do que em outras crises enfrentadas pelo país. Nomeada para o comando do BNDES logo após Michel Temer assumir o poder, a executiva reafirmou o valor das reformas promovidas pela equipe econômica do peemedebista. Segundo ela, o teto dos gastos, já aprovado pelo Congresso, fará com que o Brasil passe a ter de debater o Orçamento, o que antes não ocorria em bases realistas. "O Brasil viveu durante muitos anos como se pudesse fazer tudo ao mesmo tempo. A sociedade terá de verdade que elencar suas prioridades", disse.

Satélite brasileiro chega à posição definitiva até sábado


O satélite brasileiro lançado ao espaço na semana passada deve chegar à sua posição final no próximo sábado (13). O equipamento está na terceira volta ao redor da Terra, e terá que dar mais quatro voltas para chegar ao local correto, onde ficará nos próximos 18 anos. “A saúde do satélite está perfeita”, disse o presidente da Telebras, Antonio Loss. Segundo Loss, até agora todas as etapas,após o lançamento, foram concluídas com sucesso, como a abertura dos painéis solares que garantirão a energia ao satélite e o envio dos primeiros sinais de telemetria. Quando o satélite chegar a seu destino, serão iniciados os primeiros testes de transmissão, que duram 45 dias. A previsão é que no dia 1º de julho a Telebras comece a fazer os primeiros testes para medir a potência do satélite para a transmissão de dados em todas as regiões do País. “Este é um satélite que vai levar transmissão de dados, que é uma demanda crescente. Em um país continental como o nosso, a única forma de chegar em algumas regiões remotas é com um satélite artificial.” Parte da capacidade do satélite será alugada para empresas privadas para oferta de banda larga, especialmente em regiões remotas. Segundo Loss, a Telebras vai ficar com a capacidade necessária para oferecer serviços nos setores de saúde e educação, e comercializar outra parte para gerar concorrência na oferta de internet. “Cada região do Brasil vai ser estimulada com a concorrência de, no mínimo quatro competidores simultaneamente”, afirmou. O lançamento do foguete que levou o satélite ao espaço ocorreu no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, na última quinta-feira (4). O satélite, de 5,8 toneladas e 5 metros de altura, vai ficar posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. O equipamento será utilizado para comunicações estratégicas do governo e para ampliar a oferta de banda larga no País, especialmente em áreas remotas. O projeto é uma parceria entre os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e envolve investimentos de R$ 2,7 bilhões. 

TRF4 nega pedido de reintegração de área ocupada no Morro do Osso em Porto Alegre


O TRF4 negou, no final de abril, o pedido de reintegração de posse de um corretor de imóveis sobre um terreno ocupado por índios da etnia Kaingang, localizado no bairro Tristeza de Porto Alegre (RS). A 3ª Turma manteve a decisão de primeiro grau por unanimidade. O corretor alegou que adquiriu a propriedade, que está localizada próximo da entrada do parque natural Morro do Osso, em 1992. Ele defendeu que na condição de proprietário possuiria os direitos inerentes à propriedade, destacando que pagou o preço do imóvel e que pagava IPTU. Para a desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler, relatora do processo, não foram preenchidos os requisitos para a reintegração de posse. “Analisando as provas não há como reconhecer que o autor estivesse na posse do imóvel que alega ter sido expropriado por ocasião da ocupação. Na ação de reintegração de posse não se discute domínio, mas sim a posse”. O Parque Natural do Morro do Osso é uma área de antiga disputa judicial. Em abril de 2004, cerca de setenta famílias Kaingangues ocuparam o lugar, e desde então buscam a posse da terra alegando que seu sustento do artesanato é feito da vegetação nativa do parque, e, além disso, que existe na região cemitério de seus ancestrais. Por outro lado, o município de Porto Alegre alega que o parque é uma área de preservação remanescente de Mata Atlântica e por isso ingressou com ação de reintegração de posse. O litígio aguarda decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). 

MST levará 20 mil militantes a Curitiba, diz Stédile



Líder nacional do MST, João Pedro Stédile afirmou, no sábado (7), que o Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra levará 20 mil militantes a Curitiba na próxima quarta-feira (10), quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestará depoimento ao juiz Sérgio Moro. Após depoimento, os apoiadores de Lula realizarão um ato. Segundo Stédile, maior parte dos participantes será do próprio Estado do Paraná, onde o movimento reúne 20 mil famílias. Já a CUT (Central Única dos Trabalhadores) distribuiu a organização das carreatas entre os sindicatos que a compõem. Cerca de 30 ônibus sairão do grande ABC. Lula foi informado da mobilização pelos coordenadores do MST durante almoço na Segunda Feira da Reforma Agrária, em São Paulo. O juiz Sergio Moro divulgou vídeo no sábado pedindo que apoiadores da Lava Jato não compareçam à sede da Justiça Federal durante o depoimento. Ele disse que a audiência será apenas um "procedimento normal" de um processo.

PT-SP pedirá liberdade dos 'presos políticos' Dirceu, Palocci e Vaccari

O PT de São Paulo decidiu, em congresso estadual, dar tratamento de preso político aos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Aprovada por unanimidade pelos 999 delegados estaduais do PT, uma moção propõe que o partido exija a liberdade dos três. 

"É um erro e faz o jogo do juiz Sergio Moro punir alguns petistas 'culpados' por delatores manipulados por procuradores, juízes e policiais quando os presos sabidamente não têm liberdade para se defender. O PT deve exigir a liberdade para o presos políticos José Dirceu, Vaccari e Palocci". O texto, que foi apresentado pela chapa Unidade pela Reconstrução do PT, diz também que a "República de Curitiba" mantém dirigentes do PT presos há mais de ano, alguns sequer condenados no "regime de exceção" que se instala no país. A moção será também submetida ao congresso nacional do PT, programado para os dias 1º e 2 de junho. Eleito presidente do PT de São Paulo horas depois da aprovação do texto, o ex-prefeito Luiz Marinho afirma que esta é uma moção "de carinho e de afeto". E justifica: "O que queremos mostrar é todas arbitrariedades e a perseguição que o partido está sofrendo". Em seu discurso de agradecimento, Marinho informou que acompanhará o ex-presidente Lula, de quem é amigo, em seu depoimento ao juiz Sergio Moro, marcado para esta quarta-feira (10). Na volta de Curitiba, avisou, visitará José Dirceu, numa demonstração de que o PT "não esconde suas preferências". Ao falar sobre o caso de Vaccari, o futuro presidente estadual do PT diz ainda que os tesoureiros dos demais partidos deveriam estar também presos. "Não estamos pedindo que sejam complacentes com o PT, mas corretos", alega Marinho. Em seus discurso, Marinho defendeu "revirar todos os cantos deste Estado para colocar em pé de guerra a militância para derrubar os tucanos, pé de guerra para derrotar o golpe". Presentes ao encontro estadual do PT, petistas criticaram Moro por exibir um vídeo recomendando que os apoiadores da Lava Jato desistam de ir a Curitiba nesta quarta-feira (10), data do julgamento de Lula. Para um dirigente do partido, Moro sabia que os militantes petistas estariam em maior número e, por isso, publicou um apelo nas redes sociais. O ex-ministro Alexandre Padilha chamou a medida de inapropriada e ironizou: "Se ele gosta tanto de vídeos, deveria autorizar a veiculação do depoimento de Lula". Para o presidente estadual do PT-SP, Emídio de Souza, "Moro não tem que se comportar como chefe de torcida organizada dizendo quando tem que gritar e se calar". "O campo dele deve ser nos autos e só", acrescenta. Eleito com 643 dos 999 votos, Marinho afirma que "pode ser que finalmente esteja caindo um processo de bom senso no Moro de não ficar estimulando esta guerra, este fla-flu". Lula, por sua vez, tem sido orientado a ter uma atitude respeitosa com Moro durante o depoimento para que seja realçado seu papel de magistrado. Em vez de criticar o juiz, o ex-presidente deverá questionar notícias veiculados e mostrar altivez.

Justiça Federal no Rio manda ação contra Cunha para julgamento de Moro

A Primeira Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) decidiu remeter para a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, o processo penal em que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a ex-prefeita de Rio Bonito, Solange Pereira de Almeida, são acusados de participação no esquema de corrupção em contratos da Petrobras. Com isso, a ação será julgada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato.


A decisão, que acompanhou o entendimento do desembargador federal Paulo Espirito Santo, ocorreu em recurso (julgamento de agravo) apresentado por Cunha, para que ele fosse processado e julgado pela primeira instância da Justiça Federal no Rio de Janeiro. Após o fim do mandato de Solange Almeida na prefeitura de Rio Bonito, o tribunal decidiu remeter os autos para a primeira instância de Curitiba e este foi o motivo para Eduardo Cunha apresentar o agravo. De acordo com o tribunal, o ex-presidente da Câmara alegou que a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba já julgou o mérito de processo que apurou os mesmos fatos denunciados, porém em relação a outros réus. A defesa argumentou que, por isso, a ação deveria ser mantida na Justiça Federal no Rio de Janeiro, onde, supostamente, Cunha teria cometido os crimes denunciados pelo Ministério Público Federal. Para o relator do processo no TRF2, Paulo Espirito Santo, a duplicidade de ações no Rio de Janeiro e no Paraná só ocorreu em função da prerrogativa de foro. “Assim, apesar de realmente estar sentenciado o processo a que se reporta o embargante, como pode ser visto, há um conjunto probatório que demanda apreciação por um único juízo (13ª Vara Federal de Curitiba/PR), no caso prevento, eis que lá houve apuração em relação aos demais réus envolvidos nos mesmos fatos”, argumentou o desembargador federal. O processo contra Eduardo Cunha e Solange Pereira de Almeida, que na época ocupava o cargo de prefeita, teve início com denúncia do Ministério Público Federal oferecida ao TRF2. Como ela estava em mandato municipal, tinha o direito de ser julgada diretamente pela segunda instância, por causa da prerrogativa do foro por função. A denúncia do MPF, aponta que Cunha teria pedido propina ao estaleiro Samsung, com sede na Coreia do Sul, no total de US$ 40 milhões, em troca de atuar na contratação de navios-sonda com a Petrobras. O equipamento seria utilizado em operações de perfuração em águas profundas na África e no Golfo do México. Ainda conforme a denúncia do MPF, a negociação teria sido efetuada com a intervenção de Solange Almeida e de Júlio Camargo, que prestou colaboração premiada e foi condenado pela Justiça Federal no Paraná.

Refinaria polêmica da Petrobras nos EUA é alvo de ação de ambientalistas


Sentado à mesa de reunião em uma grande sala rodeada de livros, que funciona como uma espécie de biblioteca comunitária em Manchester, na região metropolitana de Houston, o advogado ambientalista Juan Parras manda um recado à Petrobras: "Digam a eles que fariam um favor se fechassem essa refinaria". Ele refere-se à Pasadena Refining System Inc (PRSI), mais conhecida na região pelo antigo nome Crown Refinery, mas que no Brasil passou a ser chamada de refinaria de Pasadena, nome da cidade onde está localizada, vizinha a Manchester. Com quase cem anos, a unidade – que é alvo da Operação Lava Jato – vem sendo citada como uma das instalações mais problemáticas da região e experimentou, nos últimos anos, uma série de acidentes e vazamentos. Em março, dois grupos ambientalistas dos EUA, Sierra Club e Environment Texas, entraram na Justiça com ação civil pública pedindo o fechamento de equipamentos poluidores da refinaria e multas por violações de limites legais de emissões de poluentes. A ação faz parte de uma ofensiva contra as indústrias acusadas de poluir a região do condado de Harris, a leste de Houston, onde está a maior concentração de refinarias e petroquímicas dos EUA. As entidades acusam as petroleiras de contaminação do ar e do solo na área. Devido ao histórico mau cheiro gerado pelas fábricas, a cidade de Pasadena ganhou o apelido de "Stinkadena", trocadilho com a palavra "stink" (fedor) – em uma tradução livre, algo como "Fedentina" (a pronúncia correta do nome da cidade é "Pasadina"). Para Neil Carman, diretor da unidade texana do Sierra Club, o histórico de emissões e violações ambientais faz a subsidiária da Petrobras se destacar nesse cenário. Só em 2016, acusam os autores da ação, a unidade emitiu ilegalmente 31,8 toneladas de particulados (poeira que contém produtos tóxicos). Nos últimos cinco anos, foram centenas de violações dos limites horários de emissões de substâncias como monóxido de carbono, dióxido de enxofre e particulados. Além da poluição, a ação cita dois incêndios em 2011, uma explosão com 11 feridos e um vazamento de produtos químicos em 2016. "Quando houve a explosão lá, as janelas tremeram como se fosse um terremoto", lembra a dona de casa Evangelina Perez, 65, que vive em Galena Park. Seu apartamento fica a apenas uma quadra da avenida que divide a parte residencial das indústrias. No vazamento de julho, a população foi obrigada a respeitar um toque de recolher. Com cerca de 12 mil habitantes, a maior parte de origem hispânica, Galena Park está ao norte do Ship Channel, canal marítimo de 80 quilômetros que abriga o porto de Houston e as indústrias. A refinaria da Petrobras está do outro lado do canal, ao sudeste, próxima a um dos acessos ao município, o túnel Washburn, que foi fechado ao tráfego no vazamento de 2016. Os moradores reclamam do mau cheiro e de efeitos da poluição, como alergia e frequentes dores de cabeça. Perez está há 27 anos na cidade e se diz acostumada, mas conta que, sempre que volta de um tempo fora, sofre com coriza e catarro. "É uma área contaminada e arriscada para nossas crianças", diz a também dona de casa Guadalupe Cortez, 66. Mas os problemas podem ir além: pesquisa feita há dez anos pela Universidade do Texas concluiu que crianças que vivem em um raio de 3,2 km do Ship Channel têm 56% mais chances de desenvolver leucemia do que as que vivem a mais de 16 km. "A gente acaba se acostumando e não tem muito o que fazer, mas sempre digo para os meus filhos que saiam daqui depois de se casarem", diz Maria García, 46, dona de um restaurante na região. No fim de abril, o Sierra Club e o Environment Texas (o outro autor da ação contra a Petrobras) obtiveram uma vitória contra a ExxonMobil, que foi multada em US$ 19,9 milhões também por violações no limite de emissões em uma refinaria na área. Na decisão, o juiz responsável pelo caso considerou que a empresa lucrou US$ 14 milhões por postergar investimentos que poderiam reduzir o problema. No caso da Petrobras, eles pedem uma multa diária de US$ 93,7 mil por cada dia de violação dos limites legais e o fechamento das unidades poluidoras até que sejam feitas modernizações. A avaliação dos ambientalistas é que, após a série de problemas jurídicos enfrentados com a sócia Astra Oil, a estatal vem postergando reformas necessárias na unidade. "É uma refinaria antiga, ultrapassada", afirma Parras, que dirige a organização Texas Environment Justice Advocacy Services. A Petrobras diz que está preparando sua defesa na ação movida contra Pasadena e que a unidade sempre atuou em conformidade com os requisitos estabelecidos pelos órgãos de segurança americanos. "As unidades da refinaria foram modernizadas e novas unidades de processo foram construídas", afirmou a companhia, em resposta às críticas sobre falta de investimentos em modernização. A Petrobras adquiriu participação em Pasadena em 2006, sob o argumento de que precisava de um ponto de entrada no mercado americano de combustíveis. Pagou por 50% das ações US$ 360 milhões, ante US$ 42 milhões que a sócia havia desembolsado um ano antes para ter 100% do capital. Após disputa judicial com a Astra, a estatal brasileira acabou desembolsando US$ 1,2 bilhão para ficar com todas as ações. A ex-sócia foi favorecida por cláusulas assinadas durante a aquisição, aprovadas pelo conselho de administração à época comandado pela então ministra Dilma Rousseff, que depois se revelaram prejudiciais à Petrobras. Em 2014, a então presidente da empresa, Graça Foster, disse que os valores investidos não se justificavam. "Definitivamente, não foi um bom negócio." 

Em evento do PT, Lula ataca imprensa, Doria e Bolsonaro


No dia em que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque disse à Lava Jato que o ex-presidente Lula tinha “pleno conhecimento” do esquema de corrupção na estatal, o petista partiu para o ataque contra a imprensa. Em discurso na abertura do Congresso estadual do PT, em São Paulo, Lula prometeu “regulamentar os meios de comunicação” caso seja eleito em 2018. A medida é um pleito antigo dos setores mais radicais do PT que tanto Lula quanto a ex-presidente Dilma Rousseff rejeitaram durante os 13 anos de mandato da legenda. O petista reclamou da cobertura da imprensa na Lava Jato e ironizou: “As manchetes dos jornais diziam que o PT acabou e diziam que amanhã o Lula vai ser preso. Faz dois anos que eu estou ouvindo isso. Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam”. Depois de ter se comparado a uma jararaca, Lula usou seu crescimento nas pesquisas para se comparar a um mandacaru, espécie de cactus típico do sertão nordestino. “O que eles não sabem é como o mandacaru sobrevive. Ele não precisa de muita água e eu não preciso de imprensa, preciso olhar nos olhos de vocês.” O petista também teceu críticas a dois possíveis adversários na disputa presidencial de 2018, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB). Lula declarou que o surgimento “de um fascista que é o Bolsonaro” é resultado da “destruição da política” causada pela Lava Jato. Sobre Doria, o petista afirmou: “Um coxinha ganhou as eleições em São Paulo se fazendo passar por ‘João Trabalhador’. Se alguém encontrar com ele pergunte se já teve uma carteira assinada na vida”.

Manaus decreta emergência devido à chegada de índios venezuelanos que fogem da fome em seu país



A prefeitura de Manaus decretou estado de emergência e pediu ajuda ao governo federal por causa da chegada em massa de indígenas de origem venezuelana à capital do Amazonas nos últimos meses. O decreto foi publicado na última quinta-feira no Diário Oficial. Segundo a prefeitura, cerca de 400 índios da etnia warao imigraram para Manaus desde dezembro do ano passado e se alojaram em condições precárias nas proximidades da rodoviária da cidade. Logo que chegaram, o grupo sofreu com surtos de catapora e tuberculose. No decreto, a gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) escreveu que tomou a medida devido à possibilidade de disseminação de doenças oportunistas entre os imigrantes e os nativos e a “carência de habilidades profissionais e diversidade linguística dos indígenas que os levam ao estado de prostração e mendicância”, conforme o texto. “Considerando o agravamento da situação no Município de Manaus, ante ao inesperado e rápido aumento do número de imigrantes que chegaram ao município, triplicando o contingente de estrangeiros, sem que possuam meios e condições para sua manutenção”, diz o texto em uma das justificativas. O estado de emergência é um instrumento usado pelos poderes municipal ou estadual para definirem um regime especial de normas em casos de desastre. O prefeito de Manaus, por exemplo, dispensou a necessidade de licitação para contratar serviços que atendam aos indígenas.  A medida prevê que a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) priorize as ações de emergência em prol dos imigrantes, como a vacinação e o atendimento médico. “O que nós queremos verdadeiramente é a inclusão do governo federal e do governo do Amazonas nas ações que tem como objetivo dar uma solução a curto prazo para o drama dos venezuelanos indígenas”, disse o titular da secretaria, Elias Emanuel. A Venezuela vive uma crise política e econômica que tem levado a população do país a buscar melhores condições de vida no Brasil. A principal porta de entrada é o município de Pacaraima, em Roraima, que faz fronteira com o município venezuelano de Santa Elena do Uiarén. “Um chamariz para esse grupo é a supervalorização do real frente ao bolívar venezuelano. Com um real é possível trocar por mil bolívares na fronteira. Portanto, qualquer arrecadação feita aqui, eles são capazes de potencializar financeiramente no retorno à Venezuela”, disse o secretário municipal. 


Baixo nível de hidrelétricas volta a pressionar preço da energia

Com o nível médio dos reservatórios no Nordeste perto da barreira de 20% (o mais recente boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, de 7 de maio, aponta 21,3%), voltou a inquietação com os preços da eletricidade. Para poupar água, o ONS determinou que as usinas não produzam a pleno. A situação já provoca dor de cabeça no chamado mercado livre, formado principalmente por empresas. Detalhe: depois do tarifaço de 2015, a contratação nesse ambiente mais do que dobrou: cresceu 122% no ano passado. O Rio Grande do Sul espera, ainda para este mês, a solução para destravar projetos de geração eólica no sul do Estado. No ano passado, por falta de conexão com o sistema, devido ao atraso da obra que deveria ter sido tocada pela Eletrosul, parques eeólicos ficaram fora do leilão que ocorreria em dezembro. Depois, a concorrência foi cancelada, mas já se passaram cinco meses e nada aconteceu. Segundo a Secretaria de Minas e Energia do Estado, que está no papel de torcedora, falta o acerto final com a chinesa Shangai Eletric. Conforme Eberson Silveira, gerente de Planejamento da pasta, o acordo que envolve obras estimadas em R$ 3,3 bilhões depende apenas de burocracia. Ainda não há novo leilão à vista, mas os sinais de estrangulamento podem acelerar a definição. A exigência de uma linha de transmissão com capacidade de levar energia até os consumidores surgiu depois que, no Nordeste, vários parques ficaram prontos, mas sem condições de abastecer famílias e empresas por falta de conexão.

Cartel da Petrobras quase dobrou em dois anos, diz executivo a Moro

O executivo da Toyo Setal Marcos Pereira Berti confessou, em depoimento como testemunha de acusação do poderoso chefão da organização criminosa petista e presidente Lula no processo que envolve a compra de um terreno pela empreiteira Odebrecht, ter participado de reuniões para discutir as preferências das empresas em licitações da Petrobras. Delator, Berti relatou ao juiz Sergio Moro que o número de empresas integrantes passou de 9 para 16 no clube de empreiteiras que manipulavam as concorrências. A força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava-Jato sustenta que o cartel se instalou na Petrobras entre 2004 e 2014. O rombo oficial é estimado em R$ 6 bilhões. "Eu comecei em 2005 a participar dessas reuniões. Elas foram até 2010 e 2011. Em 2011, praticamente acabou. Depois de ter tido muitas reuniões em 2011, mas a efetividade tinha acabado. Existia uma lista de projetos da Petrobras e a gente discutia qual empresa era a eleita para ganhar a concorrência. Fazia a divisão de obras. Havia 9 empresas, depois 15, depois 16", relatou Marco Pereira Berti, delator da Operação Lava-Jato. Berti depôs no processo que envolve a compra do terreno que seria destinado ao Instituto Lula — que não chegou a ser concretizada — pela Odebrecht. A fim de corroborar o que disse em delação, ele entregou anotações e planilhas que detalham o funcionamento do esquema. Tais documentos indicam que as empresas escolhiam as preferências entre as obras oferecidas pela estatal. Segundo o delator, a Setal participou da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo. Nesta denúncia, a propina — equivalente a porcentuais de 2% a 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobras e a Construtora Norberto Odebrecht S/A —, totaliza R$ 75.434.399,44. Este valor teria sido repassado a partidos e a políticos que davam sustentação ao governo de Lula, especialmente o PT, o PP e o PMDB, bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro. A compra do terreno seria uma forma de lavagem de dinheiro dos valores supostamente oferecidos ao ex-presidente, segundo sustenta o Ministério Público Federal. A defesa de Lula diz que as imputações são vagas e genéricas e a acusação "francamente especulativa". Os advogados dizem ainda que o MP passou a intensificar negociações para a delação de réus, "aparentemente com o compromisso da inclusão do nome de Lula em seus depoimentos".

Gilmar Mendes acusa Lava Jato: "Presos são mantidos reféns em Curitiba"

Alvo de críticas generalizadas e até de um pedido de suspeição feito por Rodrigo Janot, Gilmar Mendes disse em entrevista à colunista petista Mônica Bergamo, da Folha, que na Lava Jato "há uma luta pela opinião pública" e que, para garantir esse apoio, a operação faz de seus presos "reféns". O ministro resolveu abrir guerra aberta com os procuradores do MPF, acusados de conluio com a PF e o juiz Sérgio Moro, com a mídia e com os movimentos sociais que o hostilizam diariamente por favorecer os bandidos que estão presos em Curitiba e no Rio. Gilmar Mendes criticou ainda o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, que, diante das sucessivas derrotas na 2ª Turma, encaminhou o julgamento do pedido de habeas corpus de Antonio Palocci para o plenário da casa: "Se esse debate continuar, daqui a pouco vai ter gente dizendo em que turma quer ser julgado".

Lula e Bolsonaro sairiam empatados das eleições presidenciais no Rio Grande do Sul, diz a Paraná Pesquisas

Caso João Doria fosse o candidato do PSDB, Lula pontearia as intenções de votos para presidente no RS, empatado tecnicamente com Jair Bolsonaro, mas no caso de uma candidatura de Geraldo Alckmin pelo PSDB, Lula e Jair obteriam exatamente a mesma votação, 19,4% cada um. O cenário com João Doria, que é o mais relevante: 
Lula, 19,8%; 
Jair Bolsonaro, 17,5%; 
João Doria, 14,5%; 
Marina, 10,9%; 
Joaquim Barbosa, 5,5%;
Ciro, 2,6%; 
Caiado, 0,5%; 
Não sabe, 6,4%; 
nenhum, 16,8%.
O Instituto Paraná Pesquisas, que fez a amostra, também quis saber qual nome o PSDB deveria apresentar como candidato. O resultado foi: 
Doria, 21,7%; 
Serra, 13,6%; 
Aécio, 11,3%;
Alckmin, 9%;
Beto Richa, 1,6%.

Indicadores do mercado de trabalho em abril apontam para recuperação gradual do emprego

Os indicadores de mercado de trabalho referentes a abril, divulgados hoje pela FGV, reforçaram a visão de que a recuperação do emprego se dará de forma gradual e defasada à melhora da atividade econômica. O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) atingiu 100,5 pontos em abril, o equivalente a uma estabilidade em relação ao mês anterior. Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) alcançou 97,4 pontos no período, o que corresponde a um recuo de 3,2 pontos ante março. Esses resultados apontam para alguma retomada do emprego nos meses à frente.

Inflação do IGP-DI registra forte deflação m abril

Os dados mais recentes de inflação seguiram surpreendendo para baixo as expectativas do mercado, reforçando a visão dos economistas do Bradesco de que o IPCA encerrará o ano abaixo da meta, com alta de 3,7% em 2017. O IGP-DI caiu 1,24% em abril, de acordo com os dados divulgados há pouco pela FGV, abaixo da mediana das expectativas dos analistas do mercado (-1,04%). A desaceleração em relação a março foi generalizada dentre seus grupos. A deflação do IPA agropecuário foi acentuada entre março e abril, ao passar de uma queda de 2,09% para outra de 4,10%. No mesmo sentido, o IPA industrial recuou 1,19% neste mês (ante variação negativa de 0,30% na leitura anterior), refletindo principalmente a queda de 9,5% do preço do minério de ferro. O IPC também apresentou desaceleração, passando de uma alta de 0,47% para outra de 0,12%. Por fim, o INCC reverteu a elevação de 0,16% em março, ao cair 0,02% em abril. Para o IGP-M de maio, espera-se continuidade da deflação, ainda impulsionada pela queda dos preços dos produtos agrícolas no atacado e do minério de ferro, porém menos intensa que a apresentada no resultado de hoje.

Pesquisa revela que mais da metade dos gaúchos quer ver governador Sartori pelas costas


A administração do governador do Rio Grande do Sul, o muito incompetente e inapetente José Ivo Sartori (PMDB), é desaprovada por 50,5% dos eleitores gaúchos e aprovada por 45,6%, segundo pesquisa realizada pela Paraná Pesquisa. Para 38,7% das pessoas a administração de Sartori é de ruim a péssima, enquanto 33,4% consideram o mandato regular. Apenas 26,7% dos entrevistados vêem o desempenho do governador como bom ou ótimo. O levantamento também questionou os eleitores sobre as eleições do ano que vem. A senadora Ana Amélia (PP) lidera os resultados com 25,9% das intenções de voto seguida pelo atual governador com 17,8%. Em terceiro aparece a ex-deputada Luciana Genro (PSOL) com 8,8%, a ex-deputada Manuela D’ávila (PCdoB) é a quarta com 8,5% das intenções, seguida pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM) com 6,4%. Eduardo Leite aparece com 5,5%. Jairo Jorge (PDT) e Miguel Rosseto (PT) fecham a lista com 3,8% e 2,2% das intenções de votos, respectivamente. Para 14,8% dos eleitores, nenhum dos candidatos merece ser votado e 6,3% não souberam ou não quiseram opinar. Desde 2015 como governador, Sartori assumiu o Rio Grande do Sul com desafio de equilibrar contas públicas. Sem dinheiro no caixa para pagar o salário de funcionários públicos e com uma dívida em torno de R$ 12 bilhões em precatórios, o Estado decretou calamidade financeira, principalmente devido à inércia da administração em combater o enorme buraco financeiro.