sábado, 13 de maio de 2017

Moro nega pedido de Lula para ouvir testemunhas no Exterior



O juiz Sergio Moro negou pedido da defesa do poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula para ouvir quatro das 86 testemunhas listadas em uma das ações em que o petista é réu na Lava Jato. As quatro moram no Exterior – duas não são brasileiras. No entanto, Moro aceitou que a defesa liste outras quatro pessoas que moram no Brasil para depor no lugar das testemunhas excluídas. "A ampla defesa, direito fundamental, não significa um direito amplo e irrestrito à produção de qualquer prova, mesmo as impossíveis, as custosas e as protelatórias", disse Moro em sua decisão. Esse processo acusa o ex-presidente de ter recebido vantagens indevidas da Odebrecht em troca de contratos da empreiteira com a Petrobras - e não é o mesmo que levou o ex-presidente a depor na última quarta (10) em Curitiba, relativo a contratos da OAS. As testemunhas que Moro negou ouvir são os embaixadores do Brasil em Lima, Marcos Leal Raposo Lopes, em Paris, Paulo Cesar de Oliveira Campos, e duas pessoas que fizeram auditoria na Petrobras, Nicholas Grabar e Stuart K. Fleischan. Para a defesa, os embaixadores ocuparam postos relevantes durante o governo Lula e "poderão prestar valiosos esclarecimentos para contrapor as afirmações contidas na denúncia -notadamente no que diz respeito ao caráter lícito, probo e ético da atuação do peticionário Lula em relação aos assuntos relativos à Petrobras". Já sobre os auditores, disseram que "ambos participaram de amplo e minucioso processo de auditoria na Petrobras, por ocasião das emissões de ações em 2010, conhecendo detalhes da operação, bem como da própria companhia". No despacho, Moro argumenta que os advogados de Lula não demonstraram "a imprescindibilidade da oitiva dessas testemunhas residentes no exterior, mesmo sendo intimada para tanto, sequer esclarecendo, aliás, o que elas teriam a relatar". O juiz deu cinco dias para que sejam listadas as substitutas dessas testemunhas. Procurada, a defesa de Lula ainda não se manifestou. Os advogados sempre afirmaram que o ex-presidente é inocente e não cometeu irregularidades. 

Carf decide a favor da Petrobras em processo de R$ 5,8 bilhões

A Petrobras informou nesta sexta-feira (12) que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu a favor da companhia em processo que envolvia a cobrança de R$ 5,8 bilhões em impostos. A disputa envolve o pagamento de imposto de IRPJ (renda de pessoa jurídica) e CSLL (contribuição social sobre o lucro líquido) em projetos de desenvolvimento da produção de campos de petróleo durante o ano de 2009. Em abril, a empresa já havia obtido decisão favorável em outro processo envolvendo cobranças dos dois impostos no mesmo ano, de R$ 1,5 bilhão. 


Em seu balanço do primeiro trimestre, a empresa calcula que processos de natureza fiscal podem provocar perdas de até R$ 159,9 bilhões. O valor inclui aqueles projetos em que "a probabilidade de perda é considerada possível". No caso do pagamento de IRPJ e CSLL, o valor total em discussão com o governo é de R$ 21,004 bilhões. 

O teleprompter de Dilma Rousseff

O talento oratório de Dilma Rousseff é conhecido. Ela só conseguia acertar seus discursos com um operador de teleprompter. Por isso ela mandou Mônica Moura pagá-lo. Entre salários, passagens aéreas e hospedagens, Dona Xepa gastou com ele 95 mil reais. (O Antagonista)

A campanha de Dilma Bolada

Os 400 mil reais em propinas para Dilma Bolada foram repartidos entre Mônica Moura e Danielle Fonteles, da Pepper. Espantosamente - e isso dá uma ideia da miséria intelectual dessa gente -, o assunto foi tratado numa reunião dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, com Rui Falcão, Edinho Silva, Franklin Martins, João Santana e Danielle Fonteles, além da própria Mônica Moura. (O Antagonista)

Lula não confiava em tesoureiro para cuidar de caixa 2

Mônica Moura disse que Lula não confiava em José de Filippi, tesoureiro da sua campanha de 2006, para cuidar de caixa 2. Filippi só cuidava do dinheiro oficial, segundo ela. O caixa 2 era assunto delegado diretamente por Lula a Antônio Palocci. (O Antagonista)

O "acordo informal" dos valores das campanhas

João Santana relatou que "sempre existiu um acordo informal entre os coordenadores financeiros" das campanhas, na intenção de combinar valores para não transparecer grandes discrepâncias. "Vão dizer que estou mentindo, mas é a verdade." (O Antagonista)

O telefonema de Dilma

Dilma Rousseff avisou por telefone que João Santana seria preso. Agora o episódio está claro. Mônica Moura disse que recebeu um e-mail clandestino da presidente Iolanda pedindo um telefone seguro para conversar. João Santana passou-lhe o número da produtora em que se encontrava, na República Dominicana. Dilma Rousseff avisou então que a Lava Jato já havia obtido um mandado de prisão contra eles. (O Antagonista) 

Lula jamais gostou de Graça Foster. Nem de Dilma

João Santana disse que Lula "nunca assinou embaixo" da nomeação de Graça Foster para a Petrobras: "Ele não gostava da Graça, achava que ela não tinha perfil para ser presidente da Petrobras." Santana acrescentou que Lula mantinha um mau humor permanente em relação à própria Dilma. (O Antagonista)

Iolalanda do Carmo Ribeiro

O Jota reproduziu a imagem do perfil Google+ da conta iolanda2606@gmail.com, usada por Dilma Rousseff para obstruir a Lava Jato. Ela só tem um seguidor: Dona Xepa. A Procuradoria Geral da República já tem uma cópia desses documentos? O Google já foi notificado?

João Santana não aprovou Temer como vice

João Santana contou que foi consultado sobre o perfil de Michel Temer para vice-presidente e, como profissional de marketing, não aprovou. "Do ponto de vista eleitoral, Michel Temer não somava nada. Ao contrário", disse Feira em sua delação, ponderando que Temer só foi confirmado em razão do peso do PMDB no tempo de televisão. "O Temer não tinha um perfil, nunca teve. Pouco conhecido, e onde era conhecido sofria críticas. E não havia uma sinergia entre os perfis dele e da Dilma. Pelo contrário. A Dilma precisava ter era um político mais jovem, mais aberto, mais carismático, que compensasse... sem engolir... Mas é uma questão técnica, que não vem ao caso." (O Antagonista)

Os códigos da guerrilheira

João Santana conta nesse trecho da delação que Dilma usava metáforas para avisá-lo sobre o desenrolar da Lava Jato. Quando soube da ordem de prisão contra o marqueteiro e Mônica Moura, a petista escreveu que um amigo estava muito doente e sua mulher também. É linguagem típica da guerrilha. (O Antagonista)


Marqueteira baiana Monica Moura registrou em cartório o crime cometido pela mulher sapiens petista Dilma Rousseff

Mônica Moura registrou em cartório um screenshot do crime cometido por Dilma Rousseff, que escreveu um e-mail para João Santana avisando que ele seria preso. O Estadão publicou o documento lavrado em 13 de julho de 2016 no 1º Tabelionato Giovannetti em Curitiba. (O Antagonista)

Lula mandava recados por Feira

João Santana contou que Lula o usava para mandar recados para Iolanda, quando eram "coisas constrangedoras". Um dos assuntos frequentes nesse telefone sem fio era Graça Foster. Lula pedia a Feira que levasse a Dilma as críticas de empresários ao trabalho da então presidente da Petrobras. E alertava o marqueteiro para a possibilidade de a imagem arranhada da estatal atrapalhar a campanha de reeleição de Dilma. Lula se mostrava bastante incomodado com "a incompetência" de Graça. (O Antagonista)

"Pavarotti" de malas prontas

"O giro que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará pelo Exterior, para mobilizar apoiadores contra as investigações da Lava-Jato, incluirá uma palestra em Paris, no dia 24 deste mês. O petista vai visitar também outros países da Europa". Vão deixar Lula sair do Brasil? (O Antagonista)

Dilma sugeriu a João Santana e Monica Moura que recebessem em Cingapura

Na campanha de 2014, preocupada com a Lava Jato, Dilma Rousseff sugeriu a João Santana e Mônica Moura que recebessem o dinheiro de caixa 2 da Odebrecht em Cingapura, não na Suíça. Leiam o que disse Mônica Moura na sua delação: "Ela queria que a gente mexesse na conta. Ela sugeriu uma vez ‘porque vocês não transferem essa conta de lá para algum outro lugar?’. Aí João dizia ‘de jeito nenhum, eu não vou mexer em nada, não tenho culpa de nada, mexer significa assunção de culpa’. Ela sugeriu uma vez que a gente mandasse pra um lugar, Cingapura, ou algo assim, que ela ouviu que era um lugar muito seguro, que a Suíça já estava… as conversas eram assim, a preocupação dela com essa conta que seria o elo do pagamento da Odebrecht.” (O Antagonista)

Mônica usou "menino" de Dilma para enviar recado

Mônica Moura contou em delação que procurou Anderson Dorneles, o Las Vegas, para enviar uma mensagem urgente a Dilma. Ela entregou à Lava Jato os prints da conversa com Larissa, mulher de Anderson, no Whatsapp.


Mônica confirma que Lula brigou com Dilma por 2014

Mônica Moura confirmou aos procuradores que Lula e Dilma brigaram em 2014, porque ele queria voltar ao poder e ela não abria mão da reeleição. Segundo a marqueteira, Dilma "se sentia forte". "Em 2014, houve um certo estremecimento entre o Lula e a Dilma, acho que isso é do conhecimento de todos. Os jornais especulavam bastante na época. Eles negavam, mas é verdade. Porque o Lula queria ser o candidato. Aí a Dilma não aceitou. Ela queria a reeleição dela." "O Lula queria ser o candidato em 2014. Voltar, né. Tipo assim, 2010 ele sai, bota a apadrinhada dele lá, mas, em 2014, ele volta para ser o candidato. E aí houve um certo estremecimento. Ele ia lá na produtora da gente, de vez em quando grava apoio pra ela, né, porque também não ia colocar em risco a eleição dela. Mas ele não se envolveu com dinheiro dessa vez, não." (O Antagonista)

Petista Luciano Coutinho está na Europa

Luciano Coutinho está na Europa e só voltará ao Brasil na próxima semana. No âmbito da Operação Bullish, a Justiça autorizou a condução coercitiva do ex-presidente da BNDES, além de mandados de busca e apreensão em endereços dele. (O Antagonista)

O que quer a OAB?

A OAB divulgou nota para dizer que "são cada vez mais impactantes e preocupantes os detalhes revelados pelas colaborações premiadas relacionadas à Operação Lava Jato". A OAB quer o fim das conduções coercitivas na fase de investigação criminal. (O Antagonista)

Diário de Xepa

Para incentivar os procuradores a vasculharem suas anotações -- e confiar nelas --, Mônica Moura comparou em sua delação: "Minha agenda é quase um diário de adolescente". (O Antagonista)

Palocci precisa dar sinal de boa-fé

O próximo movimento de Antonio Palocci, segundo a Folha, será desistir do habeas corpus que está para ser julgado no Supremo. O Antagonista apurou que essa foi uma exigência da força-tarefa como um "sinal de boa-fé". (O Antagonista)

A marqueteira Monica Moura repassou para o petista Franklin Martins mais de US$ 2 milhões

Mônica Moura deu detalhes da participação de Franklin Martins e sua mulher na campanha de Hugo Chávez. Ela contou à Lava Jato que o ex-ministro cobrou US$ 8 milhões e US$ 10 milhões. "O Maduro disse: você vai receber dinheiro diretamente comigo e eu não quero esse contato com muita gente. Então, eu pago a você a sua parte e a do Franklin Martins. Quem fazia essa parte administrativa era a mulher dele, a Mônica Monteiro." Xepa contou ainda que Maduro lhe fez pagamentos semanais, na própria Chancelaria e até no Palácio de Miraflores. Ele mandava buscá-la no hotel em carro blindado. Eram malas com US$ 300 mil, US$ 500 mil. "Cheguei a receber US$ 800 mil" Depois, ela distribuía a parte de Franklin a Mônica Monteiro. "Ela tinha uma coordenadora de produção que ficava em Caracas ou (entregava para) o rapaz, Laerte, o diretor da parte de internet que trabalhava com o Franklin". Segundo a delatora, Franklin não recebeu todo o valor. Nem ele nem João Santana. "Chávez morreu seis meses depois de tomar posse e tomamos um calote histórico. A gente tomou um calote de mais ou menos US$ 15 milhões. Franklin também não recebeu tudo. Eu repassei a ele cerca de US$ 2,4 milhões". (O Antagonista)

"Minha garantia era Lula"

Mônica Moura explicou que não assinou qualquer contrato para fazer a campanha de Hugo Chávez. Questionada pelo Ministério Público Federal sobre qual a garantia que ela tinha para receber o valor combinado, ela disse: "Minha garantia era Lula". Quando houve atraso, João Santana procurou Lula, que prometeu procurar Chávez. O presidente venezuelano morreu logo depois de tomar posse. (O Antagonista)

Braço-direito de Joesley intermediou doações à cúpula do PMDB

Quem quiser ter uma ideia da atuação de Francisco de Assis e Silva, diretor de Relações Institucionais da JBS alvo da Operação Bullish, pode rever aqui a delação de Sérgio Machado. Ele contou que, num encontro na casa de Renan Calheiros, Francisco lhe comentou sobre sua ajuda a diversas campanhas políticas, basicamente a cúpula do PMDB. (O Antagonista)

Luciano Coutinho também está no Exterior

A Polícia Federal não conseguiu conduzir coercitivamente Luciano Coutinho nem Joesley Batista, pois ambos estão no Exterior. É muita coincidência. (O Antagonista)

Banco do Brasil cancela licitação de publicidade suspeita

O Banco do Brasil decidiu cancelar definitivamente a licitação para sua conta de publicidade, vencida pela Multi Solution, agência ligada ao Grupo Petrópolis. O direcionamento da licitação foi revelado pela Folha. Segundo o BB, "a decisão ocorreu após apurações internas de denúncias veiculadas na imprensa". "Não foi possível comprovar que tenha havido vazamento ou favorecimento, porém, as investigações identificaram evidências de conflito de interesse que não foi declarado previamente à comissão por um dos integrantes indicados por órgão externo para compor a subcomissão técnica". É uma admissão de culpa. (O Antagonista)

"Porquinho" petista José Eduardo Cardozo diz que só avisou Dilma no dia da prisão dos marqueteiros baianos

José Eduardo Cardozo soltou nota à imprensa rebatendo as acusações de Mônica Moura e João Santana e dizendo que só avisou Dilma Rousseff da prisão dos marqueteiros "quando da deflagração da operação, ou seja, no momento em que seria efetuada". (O Antagonista)

Palocci troca de advogado para aderir à delação


O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) decidiu fazer delação premiada. Nesta sexta-feira, diante da promessa de que ‘muito em breve’ poderá ganhar a liberdade, ele comunicou seu advogado de confiança, o veterano criminalista José Roberto Batochio, que não precisa mais de sua assistência. Ele comunicou a Batochio que a saída dele da causa foi uma ‘primeira exigência’ da força-tarefa da Lava Jato. Batochio, ‘por princípio’, não defende clientes que fazem delação premiada. Nos últimos meses, o criminalista tem travado um embate tenso com os procuradores do Ministério Público Federal e não desiste de tentar habeas corpus para o ex-ministro no Supremo Tribunal Federal. Em abril, quando foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro na ação penal em que é réu pelo recebimento de R$ 128 milhões em propinas da empreiteira Odebrecht – parte do valor teria sido destinado ao PT -, Palocci acenou claramente com a possibilidade de fazer delação. Na ocasião, ele disse ao juiz que tinha informações importantes a revelar que podem esticar por mais um ano, pelo menos, os trabalhos da Lava Jato. Batochio defende Palocci há dez anos. Nesse período conseguiu 12 absolvições do ex-ministro, como no episódio do caseiro Francenildo e na investigação sobre tomate com ervilhas da merenda escolar de Ribeirão Preto, município do qual o petista foi prefeito. “Palocci não resistiu ao sofrimento psicológico que lhe foi imposto em Guantánamo meridional”, declarou Batochio, referindo-se a Curitiba, base da Lava Jato.

Advogado da JBS se nega a colaborar com a Polícia Federal


Um dos alvos de condução coercitiva realizada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (12), o diretor executivo de Relações Institucionais da JBS, Francisco de Assis e Silva, recusou-se a colaborar. Ao entregar seu celular na sede da Polícia Federaç, ele afirmou que para usar o aparelho era necessário digitar uma senha. Mas, no entanto, ele não contaria qual é. 

Marqueteiros revelam os bastidores de atritos entre Dilma e Lula


No acordo de delação premiada, o casal de publicitários João Santana e Mônica Moura revelou os bastidores dos atritos entre os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff no ano de 2014, quando foi deflagrada a primeira operação da Lava Jato. Segundo o relato dos marqueteiros, os dois não se entendiam em três pontos principais: a escolha de Graça Foster para a presidência da Petrobras — Lula reclamava que ela estava “fechando a torneira” para as empreiteiras; a condução da política econômica do país pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega — Lula queria trocá-lo por Henrique Meirelles; e a decisão de Dilma de querer disputar a reeleição em 2014 — Lula já pretendia naquele ano tentar o terceiro mandato. Mais do que conduzir as últimas três campanhas presidenciais do PT (2006, 2010 e 2014), Santana era um dos principais conselheiros de Lula e Dilma. Fazia diagnósticos de cenários, pesquisas de opinião e era o responsável pela comunicação de programas vitrines, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Em seu depoimento, disse que também exercia a função de pombo correio entre os dois mandatários. Segundo ele, o padrinho sempre o acionava quando queria passar algum recado incômodo à sua afilhada política. “Havia um mal humor permanente do presidente Lula em relação a ela”, disse Santana. “Ele (Lula) sempre usava esse artifício de não falar diretamente de coisas constrangedoras com as pessoas. Sempre mandava recados. Quem viveu com ele sabe disso”, completou. De todas as rusgas, no entanto, a que mais chamou a atenção dos procuradores foi a informação de que Lula — na condição de ex-presidente — dava pitacos sobre o comando da Petrobras. Segundo o marqueteiro, o ex-presidente “queria a cabeça” de Graça Foster, a quem considerava “incompetente e sem estatura para o cargo”, principalmente porque ela estava “fechando as torneiras” da estatal para as empreiteiras. “Numa ocasião, ele (Lula) foi ainda mais incisivo: ‘Eu queria que você dissesse para Dilma que eu tenho recebido aqui uma procissão de empresários que prestam serviços para a Petrobras, que vêm reclamar de atrasos sistemáticos nas obras'”, disse ele, reproduzindo o diálogo que teve com o petista. “Diga a Dilma que, se pararem essas obras, vai ter um dano grande na campanha e para você que é marqueteiro também. Você vai ter que ir na televisão fazer programa de que a Petrobras que nós vendemos por eficiência e que foi motivo da minha reeleição…”, explicou. Após a conversa com Lula, Santana encontrou Dilma dois dias depois em um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na ocasião, transmitiu-lhe a mensagem e recebeu a seguinte resposta: “Será que não enxergam que eu estou arrumando a casa. O canalha do Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator número 1 da Lava Jato) fui eu que tirei”, relatou Santana, dando a entender que a petista havia colocado Graça no cargo para sanear a empresa. O marqueteiro disse que, na época, não achou que Lula se referia aos esquemas de corrução na Petrobras. Depois das descobertas da Lava Jato, no entanto, teve a convicção de que parte das queixas tinham relação com isso — “ela estava fechando a torneira”, afirmou. Graça Foster foi presidente da estatal de fevereiro de 2012 a 2015, sendo substituída por Aldemir Bendine. Em seu acordo de delação, Mônica Moura também deu detalhes dos desentendimentos entre os dois. Disse, por exemplo, que, em 2014, “havia um certo estremecimento entre Lula e Dilma”, porque ele queria disputar a eleição no lugar dela. Na ocasião, crescia no PT o movimento “Volta Lula”. “Todos os jornais especulavam na época, eles negavam, mas era verdade. Lula queria ser candidato. E a Dilma não aceitou. Ela queria a reeleição dela. Se sentia forte. Isso é conversa dela com o João (Santana). O Lula queria ser o candidato de 2014. Era tipo assim — 2010 ele sai, colocava apadrinhada lá, mas 2014 voltava a ser candidato”, disse Mônica.

Marqueteira baiana Mônica Moura diz ter recebido caixa dois de cinco formas diferentes em 2010


Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, relatou em sua delação cinco maneiras diferentes pelas quais recebeu pagamentos de caixa dois em 2010, na primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT). Segundo ela, a negociação do orçamento foi semelhante a das campanhas de 2006 e 2008 do PT. As conversas ocorreram entre ela e o ex-ministro Antonio Palocci, que sempre avisava sobre a necessidade de uma parte ser paga por caixa dois. De acordo com a delatora, o então tesoureiro João Vaccari Neto também participou. Mônica disse que o valor total da campanha ficou em R$ 54 milhões, sendo que de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões seriam pagos por fora. Como também ocorreu em 2006 e 2008, Mônica Moura foi orientada a procurar a Odebrecht para acertar o recebimento de parte do caixa dois. O restante caberia ao PT pagar. Ela afirma que, ao longo de 2010, a Odebrecht operacionalizou o pagamento de R$ 5 milhões em dinheiro. As entregas aconteciam em hotéis e flats de São Paulo. No ano seguinte, a empresa repassou mais R$ 10 milhões (cerca de US$ 5 milhões) pela conta do casal de marqueteiros na Suíça. Mônica relata que executivos da Odebrecht, porém, pediram que ela assinasse um contrato para o envio desse montante. Segundo ela, eles lhe explicaram que o contrato fictício só serviria para que o banco onde a empresa tinha conta liberasse os pagamentos. Assim, ela assinou o documento que estabelecia uma relação entre a sua conta offshore Shellbill e a offshore Klienfield, da Odebrecht. O contrato, apreendido mais tarde pela Lava Jato, serviu para ligar os marqueteiros à empreiteira. Com relação ao pagamentos de caixa dois que cabiam ao PT, Mônica afirmou que eram feitos por Vaccari, na sede do partido em São Paulo, ou por Juscelino Dourado, assessor de Palocci, numa casa de chá no shopping Iguatemi, também na capital paulista. Mônica afirma, entretanto, que o PT ficou devendo cerca de R$ 10 milhões do pagamento de caixa dois previamente acertado. Ela disse que, desde 2011, procurou Palocci e Vaccari para saldar o débito, mas sem sucesso. Então, segundo seu relato, Santana procurou o ex-presidente Lula para reclamar. O petista afirmou que Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, resolveria. O contato com Okamotto durante o ano de 2012, diz Mônica, não surtiu efeito. Até que Vaccari, já no fim daquele ano, indica o operador Zwi Skornicki para fazer o pagamento. Mônica diz que o procurou em 2013 e que ele se dispôs a pagar por meio da conta na Suíça, mas afirmou que era preciso um contrato. A delatora, então, envia a Skornicki o acordo celebrado com a Odebrecht anos antes para servir de modelo. "Eu risquei todas as partes que estava escrito Klienfield e disse pra ele substituir pela empresa dele." A delatora afirma, contudo, que nunca chegou a assinar o contrato e, ainda assim, Skornicki começou a pagar em dez parcelas de US$ 500 mil. As últimas prestações, já em 2014, não foram pagas, segundo Mônica Moura, devido ao avanço da Lava Jato. A delatora afirma que, a exemplo de 2006 e 2008, Palocci dizia que precisava recorrer ao chefe, referindo-se a Lula, para aprovar os custos da campanha. Mônica diz que não tratou pessoalmente com Lula sobre dinheiro naquela época. Ela diz ainda que Dilma não participava das conversas técnicas e financeiras da campanha e que tampouco recorreu à então candidata quando houve atraso no pagamento do PT.

JBS inicia negociação para acordos de delação e leniência


A JBS, maior empresa nacional de produção e venda de carne, está em tratativas com o Ministério Público para assinar acordos de delação premiada e leniência. A negociação estaria sendo feita pela holding J&F, detentora da JBS e da Eldorado Celulose, entre outras empresas – e de propriedade dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O objetivo seria reduzir o desgaste sofrido pela empresa desde que ela e seus executivos se tornaram alvos de investigações da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades. Apenas nos últimos doze meses, a JBS esteve envolvida em seis operações da Polícia Federal, entre as quais a Greenfield, a Sépsis, a Cui Bono e a Bullish. Foram realizados pelo menos dois encontros entre investigadores e executivos da empresa, mas as negociações ainda estão em estágio preliminar. A JBS propôs a realização de um acordo temático, que se restrinja às operações das quais é alvo. Mas os procuradores teriam resistido à idéia, insistindo para que os acordos sejam feitos via Procuradoria-Geral da República.

Maqueteiro baiano João Santana recebeu R$ 800 mil de favorecidos por empréstimo ao PT


Em sua delação premiada firmada com o Ministério Público Federal e tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal, a mulher de João Santana, Mônica Moura, disse que ele recebeu 800.000 reais por ter colaborado com o trabalho de dois marqueteiros na campanha do ex-prefeito de Campinas Dr. Hélio (PDT), em 2004. Os publicitários são Giovane Favieri e Armando Peralta, réus na Operação Lava Jato por terem recebido 3,9 milhões de reais oriundos do empréstimo fraudulento de 12 milhões de reais do Banco Schahin ao Partido dos Trabalhadores, intermediado pelo pecuarista José Carlos Bumlai. “Os marqueteiros que faziam a campanha do Dr. Hélio chamaram o João para ajudar na campanha. ‘Você não precisa assumir a campanha porque sei que você não tem tempo, não quer, mas faz umas produções para a gente, uns comerciais bacanas, cria estratégias políticas’. Aí a gente fez isso, um contrato com esse pessoal, um chamava Giovane Favieri e o outro Peralta, eles tinham uma produtora grande em São Paulo e nos contrataram para criar uma parte da campanha”, relatou a marqueteira. Segundo Mônica, 600.000 reais foram pagos por meio de um contrato de prestação de serviços e os 200.000 restantes, em dinheiro vivo. Ela não deu detalhes a respeito dos serviços executados por seu marido na campanha de Dr. Hélio. Donos das agências de marketing político NDEC Núcleo de Desenvolvimento de Comunicação e à Omny Par Empreendimentos, Favieri e Peralta receberam os 3,9 milhões de reais do frigorífico Bertin, utilizado por Bumlai em operações de lavagem de dinheiro para distribuir os 12 milhões de reais obtidos junto ao Banco Schahin. Segundo as investigações da Operação Lava Jato, o pagamento à campanha de Dr. Hélio foi solicitado pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. O empréstimo do banco ao pecuarista jamais foi quitado, mas acabou compensado por um contrato de 1,6 bilhão de dólares da empreiteira Schahin com a Petrobras, para operação do navio-sonda Vitória 10.000. Do restante dos 12 milhões de reais, a Lava Jato conseguiu rastrear que 6 milhões de reais foram destinados a Ronan Maria Pinto, empresário do ABC paulista que teria chantageado o poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula e os ex-ministros Gilberto Carvalho e José Dirceu no caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2001. José Carlos Bumlai foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro a 9 anos e 10 meses de prisão em um dos processos que apurou a concessão do empréstimo e sua compensação. Em outra ação, que tratou da distribuição do dinheiro, o magistrado condenou Delúbio Soares e Ronan Maria Pinto a cinco anos de cadeia. Ainda há uma terceira ação penal, ainda sem sentença, em que são réus, além de Giovane Favieri e Armando Peralta, Dr. Hélio, Delúbio e o ex-presidente do Banco Schahin, Sandro Tordin.

Juiz dá três dias para bilionário piramista de papel Eike Batista pagar R$ 52 milhões ou voltar à prisão


O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, decidiu nesta sexta-feira dar um novo prazo para o empresário Eike Batista, alvo da Operação Eficiência, pagar fiança de R$ 52 milhões. O empresário terá três dias úteis para pagar o montante ou precisará voltar para o sistema carcerário. O fundador do grupo X está em prisão domiciliar desde o dia 30 de abril graças a uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A fiança já tinha sido determinada por Bretas e teria que ser paga até a última terça-feira, mas o prazo para pagamento foi suspenso na segunda-feira pelo próprio juiz. A decisão ocorreu após a defesa de Eike Batista alegar que havia R$ 78 milhões do empresário bloqueados em excesso na 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, por causa de outros processos em que ele é réu. Foi pedido que esse dinheiro fosse usado para pagar a fiança. Bretas fez uma consulta à juíza da 3ª Vara, Rosália Monteiro Figueira, mas a magistrada negou que houvesse bloqueio em excesso. Após a negativa, o magistrado determinou novamente o pagamento dos R$ 52 milhões. O oficial de Justiça deve entregar mandado de intimação ao empresário neste sábado. O advogado de Eike Batista, Fernando Martins, afirmou que todos os bens do empresário estão bloqueados pelo juízo da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, “inclusive em flagrante excesso, conforme decisão anterior nos autos do processo e confirmada pelo próprio Tribunal Regional Federal”. Ele acrescentou ainda que o não-pagamento “não se trata de descumprimento de fiança, mas sim de expressa impossibilidade de dar cumprimento, eis que todos os bens estão bloqueados”. Atualmente, segundo a defesa, Eike Batista tem R$ 240 milhões bloqueados na Justiça. Em 2014, ele teve todos os seus bens bloqueados pela 3ª Vara Federal Criminal. No ano seguinte, a Justiça decidiu desbloquear bens e ativos apreendidos, exceto R$ 162 milhões. Com isso, estariam bloqueados em excesso os R$ 78 milhões.

Veja os videos com a íntegra da delação premiada da marqueteira baiana Monica Mouro





































































Veja os videos da delação na íntegra do marqueteiro baiano João Santana