segunda-feira, 19 de junho de 2017

Investigação da Polícia Federal conclui que houve corrupção em caso de Temer e Loures


Relatório preliminar da Polícia Federal referente à investigação sobre o presidente Michel Temer e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures conclui que houve a prática de corrupção passiva. As informações foram entregues ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (19). A Polícia Federal pediu ainda mais prazo ao ministro Edson Fachin para finalizar o relatório. A Polícia Federal não se manifestou sobre obstrução de Justiça, outro ponto da investigação, porque depende da perícia, não concluída ainda, das gravações secretas feitas pelo empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Ao todo, os peritos analisam quatro áudios, um deles de uma conversa do empresário bucaneiro caipira com Temer, no Palácio do Jaburu, em 7 de março. O prazo dado por Fachin para o inquérito ser finalizado se encerrou neste domingo (18) - sendo esta segunda-feira o primeiro dia útil, quando a conclusão deveria ser entregue. O ministro é o relator da Lava Jato no Supremo, responsável também por casos ligados à delação da JBS, homologado por ele em abril. O teor das informações prestadas pela Polícia Federal ainda não foi divulgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Após a conclusão do inquérito, caberá ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidir se denuncia ou não Temer e Loures ao Supremo. A expectativa é que ambos sejam alvo de denúncia da Procuradoria Geral da República até a semana que vem.

Defesa de Temer diz que Joesley é "criminoso notório de maior sucesso"


O presidente Michel Temer ajuizou processo nesta segunda-feira (19) contra o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, da JBS, por danos morais e crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria. No processo, a defesa do peemedebista afirma que o empresário é "o criminoso notório de maior sucesso na história brasileira" e faz críticas aos benefícios obtidos por ele em acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público. Joesley conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no Exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios", criticou.

Segundo o advogado Renato Oliveira Ramos, que assina as ações civil e penal contra o empresário, o real objetivo do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista foi "obter o perdão dos inúmeros crimes que cometeu, por meio de um generoso acordo de delação premiada que o mantenha livre de quaisquer acusações, vivendo fora do País com um substancial (e suspeito) patrimônio". Temer decidiu processar o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista neste fim de semana, após o sócio do grupo J&F afirmar que o peemedebista lidera a "maior organização criminosa do País". No sábado (17), o presidente divulgou uma nota em que diz que o governo "não será impedido de apurar" crimes praticados pelo empresário bucaneiro caipira Joesley.

A defesa afirmou ainda que as acusações são baseadas em "gravação clandestina e direcionada" e que o executivo passou, de uma hora para outra, a "incorporar papel de um empresário sério e indignado com a corrupção", apesar de desconsiderar "que foi a corrupção que o tornou um grande empresário". "Somente agora, quando seus crimes estavam sendo investigados e a sua prisão era iminente, que o querelado passou desesperadamente a acusar algumas autoridades do País, inclusive o presidente, em busca única e exclusivamente de um tipo de salvo-conduto", disse.

Ela acusa ainda o empresário bucaneiro Joesley Batista de ter protegido aqueles que foram os seus "reais parceiros de sua trajetória de pilhagens", em uma referências aos governos petistas. E diz que Joesley Batista tenta amenizar com a entrevista as críticas feitas pela opinião pública ao acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público. Segundo o advogado, o empresário demonstrou em entrevista "nítida vontade" de difamar o presidente, "menosprezando-o perante o público". "São informações falsas, criadas com o único e exclusivo propósito de abalar a credibilidade do presidente", disse.

A defesa protocolou duas ações, uma civil e uma penal, em Brasília. Ela pretende indicar uma instituição de caridade para doar o valor da indenização caso vença os processos judiciais. Por enquanto, a defesa do presidente não vai pedir um valor de indenização, mas caso o juiz indique que pode especificar um montante, os advogados indicarão a mesma quantia em uma emenda ao processo. Temer acredita que o Ministério Público Federal vai utilizar as novas declarações do empresário para "reconstruir" a base da denúncia que deve ser apresentada contra o presidente nos próximos dias.

O peemedebista é investigado por corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa. O empresário bucaneiro petista Joesley Batista afirma que Temer sabia e deu aval para a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde o ano passado, para que ele não os delatasse. Na nota, Temer acusa Joesley de "desfiar mentiras em série", proteger "estrategicamente" o PT e critica a impunidade conferida ao empresário, em uma referência indireta à Procuradoria-Geral da República e seu comandante, Rodrigo Janot.

Governo Temer revela nome de espião americano da CIA no Brasil

O GSI (Gabinete de Segurança Institucional), órgão do Palácio do Planalto responsável pela área de inteligência do governo federal, revelou o nome de um graduado agente da CIA, o serviço secreto norte-americano, ao publicar seu nome e posto na agenda pública de visitas. Segundo a lista de compromissos do ministro-chefe do GSI, o general Sérgio Etchegoyen, divulgada no site do GSI na internet no dia 9 de junho passado, Duyane Norman era ou é o "chefe do posto da CIA em Brasília".


A indiscrição do governo brasileiro foi revelada, nesta segunda-feira (19), por João Augusto de Castro Neves em uma rede social. O GSI afirmou que Norman "realizou uma visita de cortesia ao ministro do GSI por estar retornando aos Estados Unidos após o término de sua missão no Brasil". Segundo o GSI, a agenda do ministro "é um dos instrumentos da transparência ativa" prevista na Lei de Acesso à Informação, de 2012, e "nas audiências são registrados os nomes e os cargos das autoridades, observando-se, sem exceção, o princípio da publicidade previsto no artigo 37 da Constituição" brasileira. 

Em uma rede social, uma pessoa com o mesmo nome se apresenta como morador de Brasília e funcionário da área de política do Departamento de Estado norte-americano, mas nada cita sobre a CIA. Informa ainda que ele estudou arte e assuntos de América Latina na Universidade Vanderbilt, em Nashville (EUA). Uma busca pelo nome de Duyane Norman na internet revela que uma segunda agenda oficial relacionou seu nome à CIA no Brasil. Em 11 de julho de 2016, Norman e outra pessoa, Joseph Direnzo, foram recebidos pelo diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, na sede da Polícia Federal em Brasília. A agenda pública cita os dois nomes ao lado da expressão "CIA".

A divulgação do nome do chefe da CIA no Brasil foi recebida com estranheza e encarada como um erro. O chefe do escritório da CIA coordena todos os espiões americanos no País. O governo americano nunca admite a existência de um escritório da CIA em um país. E não revela os nomes dos chefes do escritório, a não ser para o alto escalão de inteligência do país onde está o escritório. Em outros países, a revelação da identidade do chefe do escritório da CIA gerou graves problemas. No Paquistão, os serviços secretos do governo vazaram para a imprensa, em 2011, o nome do chefe da agência no país, e os jornais publicaram. O funcionário americano recebeu ameaças de morte e teve de deixar o país.

Em 2014, a Casa Branca revelou, por acidente, o nome do chefe da CIA no Afeganistão em um e-mail para 6 mil jornalistas. O funcionário chefiava centenas de espiões no país, que abrigava um dos maiores escritórios da CIA no mundo. O governo não quis informar se o funcionário teve de deixar o posto.

Juiz aceita denúncia e peemedebista Sérgio Cabral vira réu pela 11ª vez


A cada denúncia do Ministério Público Federal, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), aumenta sua vantagem e se consolida como político recordista em ações penais por corrupção na Operação Lava Jato. O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos processos da operação no Rio de Janeiro, acaba de colocar o peemedebista no banco dos réus pela 11ª vez, desta vez por crimes de lavagem de dinheiro, ao lado da ex-primeira-dama fluminense, Adriana Ancelmo,  garota do Leblon, que ele chama de "Riqueza", e dos “homens da mala” Carlos Emanuel de Carvalho Miranda e Luiz Carlos Bezerra. 

A acusação afirma que Cabral, Adriana, Miranda e Bezerra lavaram 4,5 milhões de reais em propina por meio da compra de jóias na joalheria de luxo H.Stern, entre 2009 e 2014. Os investigadores sustentam que o dinheiro utilizado nas aquisições foi pago em propina ao ex-governador pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, responsáveis por parte das obras do PAC das Favelas, do Arco Metropolitano, da reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e da linha 4 do metrô.

Ao aceitar denúncia do Ministério Público Federal, o magistrado não faz juízo sobre o mérito da acusação e observa apenas se os procuradores reuniram indícios suficientes para que os acusados sejam levados a julgamento. Sérgio Cabral já havia sido denunciado na Lava Jato duas vezes por lavar dinheiro por meio da compra de joias e bens de luxo. Encaminhada a Marcelo Bretas na última sexta-feira, a acusação aceita hoje foi elaborada a partir do acordo de leniência firmado pela H.Stern, em que funcionários da joalheria detalharam como as compras eram feitas.

Diretora comercial da unidade da joalheria em Ipanema, Maria Luíza Trotta disse aos investigadores que, uma vez escolhidas por Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, as joias eram compradas por Carlos Miranda e Carlos Bezerra, que agendavam datas para fazer os pagamentos. Bezerra e Miranda são apontados pelas investigações da Lava Jato no Rio como dois dos principais operadores financeiros do ex-governador.

“As aquisições eram feitas com o propósito indisfarçável de lavar o dinheiro sujo angariado pela organização criminosa, com pagamentos em espécie, por intermédio de terceiros, ou compensando valores de outras joias, sem emissão de notas fiscais e sem emissão de certificado nominal da joia”, sustentam os procuradores do Ministério Público Federal.

Entre as joias compradas por Sérgio Cabral na H.Stern para lavar dinheiro de propina estão um par de brincos de ouro branco de 18 quilates, comprado por 1,3 milhão de reais; dois pares de brincos de ouro de 18 quilates, adquiridos por 1,8 milhão de reais e 262.200 reais; um anel de ouro de 18 quilates, avaliado em 1,1 milhão de reais; e um conjunto de pulseira, brincos e anel de ouro de 18 quilates, cravejados com diamantes, pelos quais o casal pagou 107.100 reais.

Além de responder a essa acusação na Justiça Federal do Rio de Janeiro, o ex-governador será julgado por Marcelo Bretas em outros nove processos, nos quais é acusado dos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão fraudulenta de divisas e formação de quadrilha.

Na terça-feira da semana passada, Sérgio Cabral conheceu a primeira das sentenças a que será submetido. O juiz federal Sergio Moro o condenou a 14 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por desvios na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Na decisão em que sentenciou Sérgio Cabral, Moro afirmou que o esquema no Comperj está inserido num contexto de “cobrança de propina sobre toda obra realizada no Rio”, o que indica “ganância desmedida” por parte dos réus. Ele ainda apontou como elemento agravante a “situação falimentar” do Estado, “com sofrimento da população e dos servidores públicos”. “Embora resultante de uma série de fatores, a crise tem também sua origem na cobrança sistemática de propinas pelo ex-governador e seus associados, com impactos na eficiência da Administração Pública e nos custos dos orçamentos públicos”, escreveu o juiz.

Eduardo Cunha emite nota da cadeia e diz que o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista mente e protege Lula


Preso no Complexo Médico-Penal de Curitiba desde outubro de 2016, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) escreveu uma carta para contradizer a entrevista do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista à revista Época, publicada no final de semana, e a delação premiada firmada entre ele e a Procuradoria-Geral da República. Condenado a 15 anos e 4 meses de prisão na Lava Jato, Eduardo Cunha classifica Joesley como “delinquente”, “perigoso marginal” e “meliante” e afirma que, ao contrário do que disse à publicação e em seus depoimentos, o empresário não esteve apenas duas vezes com o poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula.

Segundo Joesley Batista, os dois encontros com o petista ocorreram em 2006 e 2013 e o interlocutor dele junto ao governo e ao PT era o ex-ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega. No texto escrito de próprio punho na cadeia, o peemedebista Eduardo Cunha relata uma reunião ocorrida na casa do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, em São Paulo, no dia 26 de março de 2016, em que Eduardo Cunha, Lula e o anfitrião discutiram o processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. Conforme Eduardo Cunha, o encontro foi marcado a pedido do poderoso chefão da orcrim petista e ex-presidente Lula.

“Ele fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes, em 2006 e 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontrou que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência à Rua França 553, entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, afim de discutir o processo de impeachment, ocorrido em 17 de abril, onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham”, afirma Eduardo Cunha.

Ele ainda diz que seguranças da Casa que o acompanharam à reunião e a locação do veículo que ele utilizou em São Paulo podem comprovar suas declarações. Acusado nos depoimentos do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista de receber propina em contratos da Caixa Econômica Federal, do Fundo de Investimentos do FGTS e do Ministério da Agricultura, além de uma mesada para não aderir a um acordo com o Ministério Público Federal, Eduardo Cunha classifica a delação da JBS como “bilionariamente premiada” e lamenta ter convivido com o empresário.

“Lamento ter exposto a minha família à convivência com esse perigoso marginal, na minha casa e na dele, onde hoje fica claro que ele mente para obter benefícios para os seus crimes, ficando livre da cadeia, obtendo uma leniência fiada, mas desfrutando dos seus bilionários bens a vista, tais como jatos, iate, cobertura em NY, mansão em St. Barthy, além de bilhões de dólares no Exterior, dentre outros”, acrescenta a nota de Eduardo Cunha. 

O ex-presidente da Câmara também cita o recurso em que pede ao plenário do Supremo Tribunal Federal a anulação da homologação das delações da JBS. O peemedebista sustenta que a lei que regula os acordos de colaboração “só permite ao Ministério Público não oferecer denúncia contra delator, se ele não for o líder da organização criminosa e for o primeiro a delatar, o que não enquadra o meliante, que além de ser líder não foi o primeiro a delatar. Espero que o STF reveja esse absurdo e bilionário acordo desse delinquente”, ataca.

Eduardo Cunha encerra a nota de repúdio citando as medidas provisórias 783 (Programa Especial de Regularização Tributária) e 784 (leniência com o Banco Central) e afirma que Joesley Batista ainda é “o maior beneficiário de medidas do governo”. “A pergunta que não quer calar é de onde vem o poder dele, que mente, ataca o governo e ainda se beneficia dos atos do governo que o deixam mais rico e impune?”, completa.

Temer ataca Janot, Fachin e Joesley

Segundo a Folha de S. Paulo, um documento de 30 páginas preparado por seus advogados “elenca itens que poderiam dar base formal a diversos questionamentos sobre o acordo firmado com o Ministério Público Federal. A minuta tem um capítulo intitulado "Expectativas" que recomenda, por exemplo, que o governo peça no Supremo a rescisão da colaboração da JBS, alegando que ela ‘abusou da boa fé dos brasileiros e garantiu a impunidade aos delatores’”.O documento também “questiona a competência do ministro Edson Fachin para homologar a delação da JBS, tema que será julgado pelo STF na quarta-feira, e sugere que o Ministério Público Federal ‘seja intimado’ a explicar à sociedade por que deixou de denunciar os irmãos Batista”. Michel Temer é um professor de Direito Constitucional, é um dos homens daquela casta dos praticantes da Hermenêutica, para os quais vale qualquer coisa.

Procurador Deltan Dallagnol desautoriza agência que oferecia palestras suas a R$ 40 mil.

Delatado pelo site comuno-petista Brasil 247 (que tem como uma das suas estrelas o jornalista comuno-petista Paulo Moreira Leite), que o acusou de oferecer palestras a preços fixos (R$ 30 mil a R$ 40 mil) através da agência Motivação SP, o procurador federal Deltan Dallagnol divulgou nota, na tarde desta segunda-feira, para avisar que não autorizou ninguém a oferecer seus serviços nesta área. Dallagnol recebeu críticas ferozes dos inimigos da Lava Jato. Palestras do chefe da força-tarefa da Lava Jato eram oferecidas por valores entre R$ 30 mil a R$ 40 mil. Ele reconheceu que cobra por palestras, mas não quis falar em valores. Esse é um dos problemas desses procuradores, Eles extrapolam suas atribuições e passam a gastar o tempo, que é pago pelos contribuintes, para o desenvolvimento de interesses particulares. A Constituição de 88 criou um casta de pretores que querem submeter a política, portanto a soberania popular, à sua vontade. 

Brasil embarga exportação de gás lacrimogêneo para Venezuela


Após a revelação de documentos que comprovam a venda de mais de 70 mil bombas de gás lacrimogêneo para a Venezuela por uma empresa com sede no Rio de Janeiro, na última sexta-feira, o governo brasileiro decidiu intervir e embargou a exportação do explosivo. A decisão pelo embargo à negociação da empresa Condor Tecnologias Não-Letais acontece depois de sucessivas mortes em protestos contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e foi tomada em conjunto pelos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, uma vez que esse tipo de venda depende de aprovação do governo brasileiro.

“O governo decidiu acatar um pedido dos opositores venezuelanos porque há um massacre na Venezuela“, disse uma das fontes, acrescentando que nos próximos dias deve haver uma reunião do governo brasileiro para discutir o embargo às exportações de armas letais e não letais à Venezuela. A outra fonte, uma autoridade graduada do governo brasileiro, disse que as exportações de outros equipamentos para controle de multidões também serão vetadas.

O envolvimento do Ministério de Relações Exteriores ressalta o papel da questão diplomática na decisão, uma vez que normalmente apenas as Forças Armadas são responsáveis por autorizar exportações de “produtos controlados” como bombas de efeito moral, balas de borracha, sprays de pimenta e gás lacrimogêneo produzidos pela Condor.

A Venezuela vive em estado de exceção, que restringe as garantias constitucionais, desde janeiro de 2016. Desde o começo de abril, a população tem ido às ruas diariamente para exigir eleições, a libertação de ativistas presos, ajuda humanitária estrangeira para amenizar a crise econômica e autonomia para o Legislativo controlado pela oposição. A dura repressão de Maduro contra as manifestações já deixou mais de 70 mortos.

A suspensão da venda desse tipo de armamento para Caracas foi solicitada há duas semanas pela oposição venezuelana ao Brasil. O líder oposicionista Henrique Capriles comemorou a decisão do Brasil de negar o embarque do material e ressaltou que poucos países ainda continuam fornecendo equipamento de choque ao governo de Maduro para controlar os protestos. “O Brasil fez absolutamente a coisa certa ao negar permissão para o envio”, disse Capriles: “Estamos trabalhando com os outros… A China parece ser a única exceção”.

Um parlamentar da oposição venezuelana afirmou que o Legislativo conseguiu aprovar acordos que envolvem solicitações a outros países para que não vendam “material para a repressão na Venezuela”. “Descobrimos que havia negociações avançadas para a compra de material no Brasil e fizemos uma denúncia pontual”, disse o deputado Jorge Millán.

Questionado sobre a negociação da Condor com as Forças Armadas venezuelanas para exportação das bombas de gás lacrimogêneo, o Ministério da Defesa brasileiro disse que as “cargas não foram embarcadas”, sem explicar o motivo. A Condor, por sua vez, disse também por email na sexta-feira que tem atualmente dois contratos em vigor com a Venezuela, sem detalhá-los.

As exportações da Condor já tinham chamado a atenção nos últimos anos depois que seus produtos foram utilizados para reprimir manifestações em países como Turquia e Bahrein. A empresa disse na sexta-feira que não faz julgamentos sobre seus clientes e alertou que bloquear suas exportações “poderá ter consequências dramáticas, posto que não restará alternativa às forças de segurança locais a não ser o uso de armas de fogo”.

Gilmar Mendes ataca de novo a Lava Jato, dizendo que a investigação foi além dos limites


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, atacou nesta segunda-feira o que chamou de “abusos” em investigações. “Investigação sim, abuso não”, defendeu Gilmar Mendes, durante seminário do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) em Pernambuco. Embora tenha falado de uma “importante conquista” da Operação Lava Jato, o ministro fez duras críticas a juízes e procuradores e chegou a ser aplaudido pela platéia em alguns momentos. "Expandiu-se demais a investigação, além dos limites. Abriu-se inquérito para investigar o que já estava explicado de plano. Qual é o objetivo? É colocar medo nas pessoas. É desacreditá-las. Aí as investigações devem ser questionadas”, disse na palestra. 

Gilmar Mendes voltou a criticar a investigação aberta contra os ministros do Superior Tribunal de Justiça Francisco Falcão e Marcelo Navarro, para apurar se Navarro foi nomeado em troca de uma atuação que pudesse obstruir o avanço da Lava Jato. “O objetivo é constrangê-lo. E constranger o tribunal é constranger a magistratura”, declarou. Para o ministro, nenhum país deve se organizar, em termos institucionais e econômicos, com o propósito principal de combater a corrupção. “Em algum momento, parece que o país se voltou para isso: ‘não posso fazer a reforma da Previdência por que tenho que combater a corrupção’. Não pode ser assim”, disse ele. Gilmar entende que combater a corrupção se tornou “programa monotemático” para procuradores e promotores, que foram “colocados no centro do debate nacional”. Para ele, contudo, as investigações começaram a abordar até situações de “mera irregularidade”: “Consciente ou inconscientemente, o que se passou a querer era mostrar que não havia salvação no sistema político". Como exemplo, o presidente do TSE citou as doações por caixa dois, uma prática que ele já havia dito que não necessariamente pressupõe corrupção. 

Defendendo a reforma política em seu discurso, Gilmar Mendes afirmou que não se faz democracia sem política e sem políticos. “Quem quiser fazer política que vá aos partidos políticos e faça política lá. Não na promotoria, não nos tribunais”, disse o ministro, que ouviu aplausos em seguida. Ele criticou, ainda, a possibilidade de um governo gerido por juízes e promotores. “Deus nos livre disso. Os autoritarismos que vemos por aí já revelam que nós teríamos não um governo, mas uma ditadura de promotores ou de juízes”, afirmou o ministro, que voltou a ser aplaudido. “Não pensem que nós juízes ou promotores seríamos melhores gestores”, completou. Seguindo a crítica, Gilmar Mendes falou de benefícios pagos a juízes e promotores, como o auxílio-moradia, e declarou que “ninguém (do Judiciário) cumpre teto (salarial), só o Supremo”. E emendou a frase perguntando: “Vocês vão confiar a essa gente que viola o princípio de legalidade a idéia de gerir o País? Não dá”. 

Embora sem citar diretamente o senador afastado Aécio Neves (PSDB) e o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, Gilmar criticou o afastamento de um parlamentar por meio de liminar. “Se está a banalizar. Dá-se uma liminar para suspender um senador do mandato. Onde está isso na Constituição? Não está, mas a gente inventa”, ironizou. Gilmar Mendes também atacou, sem citar diretamente Joesley Batista, a ação em que o empresário gravou uma conversa com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu: “Nós não podemos despencar para um modelo de estado policial. Investigações feitas na calada da noite, arranjos, ações controladas, que têm como alvo muitas vezes qualquer autoridade ou o próprio presidente, é preciso discutir isso".

Lava Jato pede sequestro de imóveis de familiares de Palocci

Antonio Palocci pode tentar enganar a Lava Jato. Mas ele vai acabar se arrependendo. O Estadão conta que o procurador Januário Paludo pediu ao juiz Sergio Moro o sequestro de imóveis da filha e da enteada do Italiano. Para o Ministério Público Federal, “há indícios” de que Antonio Palocci “promoveu a ocultação de patrimônio ilicitamente obtido mediante registro de doação”. No caso Carolina Palocci, ele doou 2,9 milhões de reais, usados na compra de um apartamento de 2 milhões de reais. Sérgio Moro decretou o sequestro de bens das filhas de Antonio Palocci. No pedido do Ministério Público Federal, há a indicação de quatro transferências bancárias dele para Carolina Palocci, no valor de R$ 2,8 milhões. A maior parte do dinheiro foi usada para a aquisição de um apartamento na rua Peixoto Gomide, no bairro Cerqueira César, em São Paulo  (SP). Da mesma forma, o Ministério Público Federa identificou a doação de R$ 1,5 milhão para a enteada Marina Watanabe. O dinheiro também foi usado para a compra de um apartamento na alameda Sarutaiá, no bairro Jardim Paulista, também em São Paulo (SP).