sábado, 1 de julho de 2017

Médico-monstro Roger Abdelmassih sai da prisão domiciliar e volta à penitenciária de Tremembé


O médico-monstro Roger Abdelmassih, de 74 anos, voltou na manhã deste sábado à penitenciária de Tremembé (SP), após a determinação da 6ª Câmara de Direito Criminal de São Paulo. Desde o último sábado, Abdelmassih cumpria prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica, em seu apartamento no bairro dos Jardins, em São Paulo. Desde 2016, a defesa do médico-monstro pede um indulto humanitário, devido ao seu estado de saúde. Ele tem doença coronariana grave e estava internado desde 18 de maio em um hospital de Taubaté com broncopneumonia. Na última semana, a Justiça negou o perdão da pena, mas permitiu que ele recebesse tratamento em casa. O Ministério Público recorreu.

Na decisão de sexta-feira, o desembargador José Raul Gavião de Almeida disse haver relatos de que o condenado criou uma situação para conquistar o direito de prisão domiciliar. "Não bastasse, há notícia de que médicos internados no presídio relataram que Roger Abdelmassih deixou propositalmente de medicar-se, a tornar duvidosa a criação de situação ensejadora de seu afastamento do cárcere", escreveu.

A defesa de Abdelmassih classificou a decisão como teratológica, ou seja, absurda, uma vez que há laudos comprovando que o ex-médico é portador de doenças crônicas graves. A escalada de denúncias de estupro contra Abdelmassih colocou fim à carreira do então renomado especialista em fertilização in vitro no Brasil. Em julho de 2010, ele teve seu registro cassado por unanimidade pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Em novembro daquele ano, Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão.

No processo, foram ouvidas 250 testemunhas e vítimas de vários Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro. Segundo a sentença da juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo, o "médico constrangeu ou tentou constranger as vítimas, sempre mediante violência real, a praticar ou permitir que com elas praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal".

A juíza lembrou que em cerca de 50% dos casos narrados na denúncia, as vítimas não tinham plena capacidade de agir, "pois estavam retornando da sedação, da anestesia que tinham tomado para realizar o procedimento de aspiração de óvulos, em posição deitada, em quarto de recuperação. Elas usavam tão somente o avental/camisola hospitalar".