quinta-feira, 20 de julho de 2017

Comunista trotskista Marco Aurélio Garcia, CEO da organização revolucionária Foro de São Paulo, morre em São Paulo


Morreu nesta quinta-feira (20), em São Paulo, o comunista trotskista Marco Aurélio Garcia, principal executivo do Foro de São Paulo e assessor da Presidência da República nos governos do PT, além de fundador do partido. Ele morreu de um infarto agudo. Tinha 76 anos e sofria de problemas cardíacos. Ele era professor aposentado de história da Unicamp e se graduou em filosofia e direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Começou a vida pública como vereador em Porto Alegre, nos anos 1960, pelo antigo Partido Republicano. Como era comunista, e o Partido Comunista Brasileiro estava na clandestinidade desde o final da década de 40, ele concorreu por esse partido. 

Durante o regime militar, Marco Aurélio Garcia dava aulas na Faculdade de Filosofia (que abrigava muitos cursos) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde participou de um seminário aberto no Curso de Filosofia. Nesse curso examinava-se as obras de três autores, Georg Hegel, a cargo de Gerd Alberto Bornheim; Louis Althusser, a cargo de Marco Aurélio Garcia, e o existencialista francês Maurice Merleau Ponty, a cargo de João Carlos Brum Torres. Todos foram expurgados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul por esquerdismo em 1969. O curso aberto, que recebia até alunos secundaristas, chamava-se "Filosofia da História". Nessa época, Marco Aurélio Garcia, que tinha sido militante do PCB (Partido Comunista do Brasil), vereador por essa organização clandestina abrigado no Partido Republicano, passara depois para a Dissidência (agrupamento que se formou no Rio Grande do Sul com os militantes que discordaram do PCB após a instalação do regime militar). A Dissidência juntou-se com a Polop (Política Operário, partido comunista trotskista, particularmente ativo em Minas Gerais, que tinha como uma de suas instrutoras de teoria marxista a adolescente mulher sapiens petista Dilma Rousseff) e daí resultou na criação do POC (Partido Operário Comunista). Marco Aurélio Garcia era dirigente desta organização comunista, ao mesmo tempo em que trabalhava como redator na editoria Internacional do jornal Zero Hora, em Porto Alegre. Sua mulher (já falecida), Elisabeth Souza Lobo, dava cursinhos de marxismo para jovens militantes do POC, tendo como texto básico uma cartilha elaborada pela comunista chilena Marta Harnecker ("Os Conceitos Elementares do Materialismo Histórico").

Quando o POC resolveu aderir à luta armada, no final da década de 60, a repressão política recaiu sobre essa organização revolucionária clandestina e seus militantes e dirigentes. Um dos presos foi o jornalista Luiz Paulo Pilla Vares, em Porto Alegre, pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) da Polícia Civil. Pilla Vares confirmou os nomes de todos os nomes de membros do POC. Saiu da prisão, por intervenção pessoal do empresário Maurício Sirotsky (então dono da empresa de comunicação RBS) e, chegando na redação do jornal Zero Hora, passou a informação sobre o que a polícia política sabia a respeito do POC para outro militante da organização clandestina, também redator do jornal, que a repassou para a direção do partido. Marco Aurélio Garcia era candidatíssimo à prisão. Na época ele morava em uma casa na rua Barros Cassal, próxima da Avenida Independência, em Porto Alegre. Por muito tempo correu a versão cômica de que ele se evaporou de Porto Alegre, junto com sua mulher, assim que houve a soltura de Pilla Vares, com Elisabeth Souza Lobo lamentando-se: "Ai, meus canapés..... ai, meus canapés". Ela lastimava ter de se afastar dos sofás de cana da Índia que havia acabado de comprar para sua casa.  

Muitos conhecidos de Marco Aurélio Garcia relatavam que, naquela época, em Porto Alegre, ele costumava vangloriar-se de sua suposta proximidade com o "filósofo" marxista francês Louis Althusser (autor de "Pour lire Marx"), com o qual teria convivido em curso em Paris. E mostrava como prova disso um guardanapo "rabiscado" por Althusser que era reverenciado em mesas de bares em Porto Alegre. Althusser dizia que a super-estrutura da sociedade capitalista, o mundo do ideológico, superpunha-se às esferas do econômico e do político, vale dizer, condicionava o resto da vida em sociedade. Althusser, soldado francês prisioneiro em campo de concentração alemão, de onde saiu com a psique severamente perturbada ao final da guerra, filiou-se ao Partido Comunista francês em 1948 e passou estudar e depois dar aulas na École Normale Supérieure, em Paris. Em 1946, Althusser conheceu Hélène Rytmann, uma revolucionária de origem judaico-lituana, oito anos mais velha. Ela foi sua companheira até 16 de novembro de 1980, quando foi estrangulada pelo próprio Althusser, num surto psicótico. Ele foi internado em um hospital psiquiátrico, de onde saiu em 1983, isolando-se então até sua morte, em 1990. 

Marco Aurélio Garcia, ao escafeder-se de Porto Alegre junto com sua mulher, em direção à Argentina e a seguir ao Chile, acabou rapidamente transferindo-se para Paris, onde viveu como exilado político, dando aulas na Unidade de Nanterre da Sorbonne, saboreando vinhos e charutos de primeira linha, como convém a um dirigente da alta nomenklatura trotskista, no comissariado da 4ª Internacional comunista. Ao mesmo tempo, dedicava-se a preparar e realizar o envio de militantes do extinto POC brasileiro para militância terrorista na organização trotskista argentina ERP (Exército Revolucionário do Povo). Dois desses militantes, que acabaram presos em Buenos Aires, foram os trotskistas gaúchos Flávio Koutzii e Maria Regina Pilla (a Neneca). Flávio Koutzii, na Argentina, recebeu uma submetralhadora que não soube manusear e a qual acabou sendo roubada dele. Em Porto Alegre, Flávio Koutzii tinha o apelido, entre os comunistas, de "Abacuc", personagem do filme "L'armatta brancaleone", sobre as cruzadas, do cineasta comunista italiano Mario Monicelli. Até hoje impera a suspeita de que eles foram entregues à repressão argentina pelos próprios companheiros do ERP, que desdenhavam e rejeitavam os companheiros brasileiros. Parte desta versão é admitida em livro de memórias rápidas escrito por Maria Regina Pilla, entitulado "Volto semana que vem".

Marco Aurélio Garcia, enquanto morava em Paris, teve como hóspede permanente em sua casa o casal trotskista gaúcho Jorge Mattoso e Beth Vargas. Ambos foram militantes do POC. Beth Vargas fez cursinho de marxismo pela cartilha de Marta Harnecker com Elisabeth Souza Lobo. Ao voltarem ao Brasil, o casal se separou. Jorge Mattoso, grande amigão de Marco Aurélio Garcia, acabou presidente da Caixa Econômica Federal no primeiro governo do poderoso chefão da organização criminosa petista Lula, e comandou o estupro da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos, tentando livrar a cara do seu superior, então ministro da Fazenda, o "porquinho" petista Antonio Palocci, que era acusado no processo do Mensalão do PT. Até hoje o humilde Francenildo não recebeu indenização da Caixa Econômica Federal pela violação ilegalíssima de sua conta bancária. Mas, o trotskista Jorge Mattoso vai muito bem, obrigado. 

Ao voltar ao Brasil, encerrando seu exílio, Marco Aurélio Garcia conseguiu vaga de professor na Unicamp, a Universidade de Campinas, a universidade petista por excelência no Brasil. Foi um dos condutores da estratégia do trotskismo brasileiro se aninhar no PT, partido que foi fundado com a ressalva em seu regimento interno da admissão da existência de grupelhos organizados dentro do partido. Ou seja, os comunistas trotskistas ingressaram no partido como uma "tendência". E lá estão até hoje. É o caso do partido comunista clandestino DS - Democracia Socialista, comandado no Rio Grande do Sul por Raul Pont, um ex-subordinado de Marco Aurélio  Garcia no POC. Resumindo: Marco Aurélio Garcia, como dirigente da 4ª Internacional comunista trotskista, fez a mesma, com os seus associados no Brasil e na América Latina, ingressarem no PT. Sempre foi o orientador de "política externa" do PT. Nos quatro governos do PT, comandou a política externa de dentro do Palácio do Planalto, tendo exercido função estratégica na montagem e condução do Foro de São Paulo. Este organismo comunista internacional, que praticamente substituiu a 4ª Internacional, é rigorosamente uma criação de Marco Aurélio Garcia. Ele teve como um de seus assessores nesta tarefa o gardelão argentino Felipe Belisário Wermus, vulgo "Louis Favre", que foi marido da socialite paulistana Marta Suplicy. Antes disso ele tinha se casado com filhas de grandes empreiteiros brasileiros. E, por último, atuou como assessor presidencial de Ollanta Humala, no Peru, o qual está neste momento na cadeia, por recebimento de propina da Odebrecht. Marco Aurélio Garcia morre com um inigualável galardão, o de ter sido o destruidor da diplomacia brasileira. O País é hoje praticamente um pária no concerto internacional. Entre outras coisas, ele aproximou escandalosamente o Brasil de tudo quanto é regime criminoso, terrorista, existente na face da Terra. Em 2006, também chegou a ser presidente do PT. 

Mas, o momento mais marcante de sua existência ocorreu em  julho de 2007. Em meio à consternação causada pelo desastre do Airbus A320 da TAM, que derrapou na pista do Aeroporto de Congonhas e se incendiou ao bater contra prédio do outro da avenida, matando 199 pessoas, ele apareceu nas telas de televisão naquela noite, em todo o País, fazendo um gesto acidente, e batendo com uma mão aberta sobre a outra fechada, e por isso ficou conhecido como "Top Top". Naquela noite ele não se consternava pela morte de tanta gente de maneira absolutamente gratuita, por uma confluência de fatores na qual o governo tinha influência muito importante, a começar pela irresponsabilidade do órgão governamental Anac em permitir o funcionamento de uma pista precária como a do Aeroporto de Congonhas em um fim de tarde de chuva forte em São Paulo. Dez anos depois, os familiares das vítimas choram seus mortos sem justiça. Tudo que eles continuam recebendo é um "Top Top". 


"Top Top" era uma lembrança dos Fradinhos do Henfil. Esse apelido ajusta-se perfeitamente à obra de destruição que o comunista trotskista produziu no Brasil e na América Latina, e que levará décadas para regeneração. Com tudo isso, ainda está sendo velado na Assembléia Legislativa de São Paulo. À beira do caixão lastima-se o único filho, que se chama "Leon". Só poderia mesmo ter ganho esse nome. Se fosse outro, só poderia ter se chamado "Vladimir" ou "Carlos".

Morre, aos 78 anos, o colunista Paulo Sant'Ana


O jornalista Paulo Sant'Ana morreu nesta quarta-feira, aos 78 anos, em Porto Alegre. O velório será a partir de 8h30 na Arena do Grêmio com deslocamento para Cemitério João XXIII, onde ocorrerá sepultamento, às 17 horas. Nascido em 15 de junho de 1939, trabalhou como feirante e inspetor de polícia na juventude, e ficou famoso depois de entrar para o jornalismo. Ele despontou como uma figura carismática em programa de debates esportivos na antiga TV Piratini, que simulava uma arquibancada no estúdio. Suas tiradas bem humoradas marcaram sua imagem. Fanático pelo Grêmio, Paulo Sant'Ana foi contratado como colunista de esportes de ZH e comentarista esportivo da Rádio Gaúcha, em 1971. Meses depois, virou comentaria do então recém-criado Jornal do Almoço, da RBS TV Porto Alegre. Passou a escrever crônicas sobre o cotidiano nos anos 90, depois de assumir a coluna da penúltima página de Zero Hora. Nas mais de quatro décadas, ganhou fama por seu olhar aguçado do cotidiano e pelas polêmicas que comprou. Seu maior assunto de toda sua vida foi ele próprio. Sant'Ana casou-se duas vezes. Com Ieda, teve os filhos Jorge, 47 anos, e Fernanda, 45 anos, que lhe deram três netos. Depois, casou-se com Inajara, mãe de Ana Paula, 26 anos. O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, divulgou na noite desta quinta-feira o seguinte boletim:

BOLETIM MÉDICO - FRANCISCO PAULO SANT'ANA

Comunicamos o falecimento do paciente Francisco Paulo Sant’Ana, ocorrido às 22h10 desta quarta-feira (19). Ele deu entrada no hospital pela manhã, já em situação bastante debilitada, com quadro clínico de insuficiência respiratória e infecção generalizada. Após 12 horas hospitalizado na UTI, o paciente veio a óbito. Talentoso e inquieto, Paulo Sant’Ana viveu com intensidade e conquistou o respeito de gremistas e colorados em todo o Rio Grande. Cronista da vida cotidiana, escreveu marcantes páginas da história do jornalismo gaúcho. Porto Alegre, 19 de julho de 2017. Dr. Luis Antonio Nasi - Superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento - CRM 11.217

PT diz que Moro promove "asfixia econômica" de Lula ao bloquear bens

O Partidos dos Trabalhadores (PT) lançou, nesta quarta-feira (19), nota de repúdio contra o bloqueio de bens do chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula. A medida foi adotada após decisão do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. No total, R$ 606,7 mil encontrados nas contas do petista foram bloqueados pelo Banco Central. No comunicado, o partido informa que a decisão do magistrado provoca "uma pena de asfixia econômica que priva o ex-presidente de sua casa, dos meios para subsistir e até para se defender das falsas acusações". O documento destaca que a sentença é mais impactante, pois tem efeito imediato e que o patrimônio e os bens retidos "são compatíveis com o de uma pessoa de 71 anos que trabalha honestamente desde criança". Essa parte da nota do PT e hilária porque o sujeito não trabalha ao menos desde meados da década de 70 do ano século passado.

"Foi uma decisão mesquinha, tramada em segredo ao longo de nove meses com a Força Tarefa de Curitiba, e concluída após a forte reação da sociedade e do mundo jurídico à sentença injusta no caso do triplex. É um caso típico de retaliação, de quem se vale da cumplicidade com a Rede Globo para cometer todo tipo de arbitrariedades contra o maior líder popular do País", diz um trecho da nota. O dinheiro retido pela Justiça foi encontrado em quatro contas de Lula: R$ 397.636,09 (Banco do Brasil), R$ 123.831,05 (Caixa Econômica Federal), R$ 63.702,54 (Bradesco) e R$ 21.557,44 (Itaú).

O comunicado do PT mantém o tom "de perseguição e arbitrariedade contra Lula", utilizado pelo petista e seus defensores desde os primeiros processos na Lava-Jato contra o ex-presidente: "A cada decisão que profere, Moro escancara as contradições do processo do triplex. Ele condenou Lula por ser o suposto dono do imóvel, mas fugiu à prova da inocência, argumentando que a propriedade não seria relevante para o caso". O juiz também confiscou três apartamentos e um terreno, em São Bernardo do Campo (SP), além de dois veículos do ex-presidente.

"Neste processo, pleiteia (o Ministério Público Federal) o sequestro de bens do ex-presidente para recuperação do produto do crime e o arresto dos mesmos bens para garantir a reparação do dano", escreveu Moro na decisão. O PT afirma que "a alegação de Moro para o bloqueio de bens é mais uma injúria assacada pelo juiz contra Lula, mais uma iniquidade como as que foram cometidas contra Dona Marisa e a família do ex-presidente".