sábado, 12 de agosto de 2017

João Paulo Keinubing deixa o PSD e retorna para o DEM em Santa Catarina



O deputado federal e ex-prefeito João Paulo Kleinubing vai sair do PSD e voltar para o DEM. A troca de partido ocorrerá na data definida pela reforma política em tramitação no Congresso Nacional, cujas propostas serão votadas até 7 de outubro. O deputado comunicou a mudança ao governador Raimundo Colombo (PSD) na segunda-feira, antes do embarque dele para a viagem oficial aos Estados Unidos. Esta mudança embaralha o processo de sucessão estadual e produz forte impacto na política de Blumenau. As tratativas para a transferência do deputado começaram há quase um ano, tornaram-se públicas durante a última eleição para prefeito e ganharam força nos últimos meses. 

O retorno ao DEM, partido pelo qual se elegeu prefeito de Blumenau em 2008, permitirá que o deputado avance na carreira política, participando da eleição ao governo do Estado de Santa Catarina no próximo ano. Também é comentado que ele poderia integrar a chapa do senador Paulo Bauer (PSDB) como candidato a vice-governador, ficando o atual deputado federal Espiridião Amin como candidato ao Senado Federal. Se permanecesse no PSD Kleinubing teria todos os seus caminhos bloqueados pelas armações montadas pelo governador Raimundo Colombo. 

Bombas da Odebrecht contra políticos peruanos atingem a ex-candidata presidencial Keiko Fujimori


Após arrasar com a classe política brasileira, as delações da empreiteira propineira Odebrecht, como bombas de alta precisão, continuam caindo sobre o Peru e desta vez atingem a líder da oposição, Keiko Fujimori, depois de ter atingido ex-presidentes como Alejandro Toledo e Ollanta Humala. Desta vez é uma anotação encontrada na agenda do celular do sinhozinho baiano Marcelo Odebrecht, ex-diretor-executivo da empreiteira propineira, preso no Brasil após admitir o pagamento de milionários subornos em troca de obras públicas no Brasil e outros países da América Latina, além do financiamento de campanhas políticas.

"Aumentar Keiko para 500 e eu fazer visita", diz a nota que a Procuradoria peruana informou que o Brasil fará chegar a Lima nos próximos dias. Segundo a imprensa, essa seria uma referência à campanha eleitoral de 2011, que a filha do ex-presidente Alberto Fujimori perdeu para Ollanta Humala. "O procurador brasileiro Orlando Martello, encarregado da equipe especial do caso Lava Jato, nos confirmou, através de uma videoconferência, a existência dessa anotação que foi apreendida do celular de Marcelo Odebrecht quando ele foi preso pela Polícia", disse ao jornal Perú 21 o procurador superior Alonso Peña.

Peña esteve em Curitiba em maio deste ano junto com um grupo de procuradores que interrogou Marcelo Odebrecht para saber mais sobre os casos peruanos que aparecem na "Lava Jato". As leis brasileiras impediram que os procuradores do Peru fizessem perguntas sobre novos casos. Na ocasião, segundo revelou o portal IDL Reporteros, o ex-diretor-executivo da construtora propineira brasileira admitiu que sua companhia financiou as campanhas dos políticos com mais destaque, como a de Keiko Fujimori, mas que não lembrava os valores exatos. O ex-representante da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, sabia de mais detalhes.

"A Odebrecht se envolveu nas campanhas eleitorais, apostando em todos os partidos que tinham a possibilidade de ganhar", disse o sociólogo Fernando Tuesta, professor na Universidade Católica do Peru. "A coisa ficará feia no Peru se todos estiverem envolvidos. O dinheiro para campanhas é para que os negócios fluam (...) por isso não estranho que tenha acontecido com o Fuerza Popular, que é o principal partido dos últimos 10 anos", avalia Tuesta. Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, ex-presidente (1990-2000) que cumpre condenação por crimes de corrupção e contra os direitos humanos, repeliu o ataque. Ela afirmou no Twitter que as acusações fazem parte de uma campanha de desprestígio e diz não conhecer Marcelo Odebrecht.

"Com o pedido de informação da Procuradoria ao Brasil se confirmará que nunca recebemos dinheiro da Odebrecht", escreveu na quinta-feira Keiko, duas vezes candidata, e cujo partido atualmente tem maioria no Congresso. A Odebrecht admite que realizou no Peru pagamentos ilícitos de 29 milhões de dólares entre 2005 e 2014, durante os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala. Toledo, que o Peru tenta extraditar dos Estados Unidos, nega a acusação de ter recebido 20 milhões de dólares para favorecer a Odebrecht com a construção de uma rodovia que une o Peru e o Brasil. Nessa época, o atual presidente Pedro Pablo Kuczynski era seu primeiro-ministro. Humala e sua esposa estão em prisão preventiva acusados por lavagem de dinheiro e ter recebido 3 milhões de dólares da Odebrecht para sua campanha presidencial de 2011. 

Em Curitiba, segundo o IDL Reporteros, a Odebrecht admitiu ter pago suborno a Humala a pedido do PT. Para evitar represálias com a favorita na época, Keiko Fujimori, sugeriu a seu representante no Peru que fosse dada a ela uma quantia maior. Daí viria essa anotação que hoje ocupa as primeiras páginas dos jornais peruanos e que poderá lhe complicar caso seja verdadeira. Do governo de García há ex-funcionários presos por receber subornos em troca de ganhar a concessão para uma linha de metrô. As siglas "AG" encontradas em várias ocasiões na agenda da Odebrecht, levaram a imprensa a especular que poderia se tratar do ex-presidente Alan García. "Humala, Toledo e outros se venderam, eu não", garantiu García no Twitter.

Atropelamento strike de Sérgio Sirotsky em Jurerê, na saída de boate, agora tem um morto

Um dos quatro jovens atropelados na madrugada do último domingo (6), na SC-402, em Jurerê, no Norte da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Sérgio Teixeira da Luz Júnior, 23 anos, morreu no início da madrugada de sexta-feira. Ele estava internado em estado grave na UTI do Hospital Celso Ramos, onde passou por cirurgias e chegou a retirar parte do pulmão esquerdo. De acordo com a unidade, a morte ocorreu por volta da 0h45min. Os jovens haviam saído de uma festa nas boates do famigerado Music Park, quando foram atropelados pelo Audi A3 do empresário Sérgio Orlandini Sirotsky, de 21. Três deles foram atropelados pelo Audi A3. Sérgio Teixeira da Luz Junior foi ainda atropelado uma segunda vez, enquanto recebia socorro de uma pessoa na rua. O rapaz que parou para ajudá-lo também acabou sendo atingido.

O responsável pelo primeiro acidente foi Sérgio Orlandini Sirotsky, de 21 anos, o qual admitiu na delegacia de polícia de Canasvieiras, na quarta-feira, que havia bebido "duas vodkas e energéticos". Ele prestou depoimento e foi liberado, porque não houve prisão em flagrante. Antes da morte de Sérgio, o delegado Otávio Cesar Lima, da 7ª Delegacia de Polícia, conduzia o inquérito por crime de lesão corporal culposa na direção de veículo e omissão de socorro. Agora, a conclusão do inquérito pode seguir um rumo diferente. Vejam bem, pode. Não quer dizer que será muito diferente. "O resultado morte aconteceu em razão do acidente. Resta saber se foi (homicídio) culposo (sem intenção de matar) ou dolo eventual (quando assume o risco de matar)", explicou o delegado. Esperem para ver no que vai dar!!! Outra possibilidade que pode ser levada em consideração tanto no inquérito quanto no processo criminal é a de crime de lesão corporal seguida de morte. A conclusão dependerá do colhimento de provas, resultado da perícia e depoimento de testemunhas. Já começou o lero-lero.


Sérgio Orlandini Sirotsky, neto de um dos sócios-controladores do Grupo RBS, Jaime Sirotsky, já é figura conhecida em Florianópolis. Em 2010, no apartamento de sua mãe, ele estuprou uma coleguinha de escola, o Colégio Catarinense. A menina na época tinha apenas 12 anos. Ele foi acusado de ter praticado o estupro na companhia de outro colega, filho de um delegado da Polícia Civil de Santa Catarina. O caso foi divulgado pelo bloqueiro Mosquito, dono do blog Tijoladas. Menos de dois anos depois do fato, o blogueiro foi encontrado morto em sua casa em Palhoça, cidade da Grande Florianópolis. A polícia catarinense, de forma bem apressada, disse que tinha sido um suicídio, o que é negado pelos amigos do jornalista.

No fim da manhã de sexta-feira, o pai de Sérgio Orlandini Sirotsky, o empresário Sérgio Sirotsky, divulgou nota afirmando que "não há o que amenize e alivie a imensa dor dessa perda", acrescentando: "Que a família encontre forças para enfrentar esta ausência. Estamos todos de luto e sofrendo com os familiares e amigos de Sérgio Teixeira da Luz Júnior". O velório de Sérgio Teixeira da Luz Júnior aconteceu no Cemitério Jardim da Paz, no bairro João Paulo, e o sepultamento se realizou às 17 horas. 


Quatro pessoas foram atropeladas por dois carros no fim da madrugada de domingo (6) na rodovia SC-402, que dá acesso ao bairro Jurerê Internacional, em Florianópolis. Na lateral dessa estrada, dentro da área ambiental protegida do mangue do rio Ratones, fica localizado o famigerado Music Park, um conjunto de bares e boates, onde jovens se encharcam em bebidas e drogas pesadas. O atropelamento na modalidade "strike" ocorreu por volta das 5h30min em frente ao famigerado Music Park. As vítimas saíam de uma festa no local quando foram atingidas pelos veículos. 

Segundo a polícia, depois do acidente causado pelo Audi A3, onde três pessoas ficaram feridas, outro atropelamento ocorreu no local. Em seguida, Eduardo dos Santos Rios, 25 anos, que conduzia um SsangYong, atropelou novamente uma das vítimas, Sérgio Teixeira da Luz, e outro homem que prestava socorro, identificado como Maycon Mayer, de 22 anos. O motorista do segundo acidente fugiu do local, mas foi abordado por uma viatura da Polícia Militar na Avenida Beira-Mar Norte, próximo ao Hotel Majestic, a 18 quilômetros do acidente. Sérgio Orlandini Sirotsky também fugiu do local com seu Audio A3. Ele abandonou o carro na frente de um motel, na entrada da avenida que leva à praia de Santo Antonio de Lisboa. Ali pegou carona com amigos que o seguiam.


De acordo com o boletim de ocorrência, foi constatado que o veículo estava com o para-brisa quebrado, danos no farol e no para-choque — onde foi encontrado um pedaço de tecido jeans. O carro de Rios foi recolhido pela polícia. O condutor apresentava sinais de embriaguez e foi submetido ao teste do bafômetro, que acusou 0,74 miligramas de álcool. 

Tribunal de Justiça catarinense recusa lista da OAB e nomeação de desembargador pelo quinto constitucional


O pleno do Tribunal de Justiça decidiu nesta sexta-feira anular a lista que resultou na escolha do advogado Alex Santore para o cargo de desembargador na vaga oriunda do quinto constitucional da OAB. Por unanimidade, entenderam que o candidato indicado pelo governador Raimundo Colombo não cumpriu um dos requisitos e, por isso, caberia nova escolha. O Tribunal vai agora informar ao governador a decisão para que Raimundo Colombo anule o ato de nomeação e após comunique a OAB para que refaça a lista sêxtupla, indicando um novo nome para que seja incluído junto aos outros cinco advogados que já estavam na lista anterior, ou que reabra novamente o processo de escolha. Caso o Executivo não anule a nomeação, o Tribunal pode judicializar o caso como parte interessada. 


O pleno do Tribunal de Justiça se reuniu nesta sexta-feira para deliberar sobre o caso do advogado Alex Santore, nomeado pelo governador para o cargo de desembargador dia 17 de maio, mas ainda não empossado pela corte. Primeiro foi analisado o emaranhado de liminares envolvendo a polêmica. A vaga é oriunda do Quinto Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil. Paulo Brincas, presidente da OAB-SC, fez a sustentação oral pela anulação da nomeação e de todo o processo, com a ordem reformando a lista. 

Santore omitiu a informação de que trabalhou como servidor público do Judiciário e este período não pode ser contabilizado como exercício da advocacia, uma das premissas exigidas aos advogados candidatos à magistratura. Mesmo diante das resistências enfrentadas ao nome dele desde o início da seleção, ainda no Conselho da OAB, Santore sempre reafirmou ter cumprido todos os requisitos legais para o cargo de desembargador. Os 82 desembargadores reuniram-se a partir das 9 horas, em uma sexta-feira, o que é quase inacreditável.  

Mesmo não constando da pauta da sessão do Pleno do Tribunal de Justiça, o caso do desembargador Eduardo Gallo, que foi denunciado por advogado em plena sessão, como praticante da exigência de propina para as suas decisões, também influenciou as manifestações de alguns desembargadores. É que muitos deles não gostaram da declaração do advogado Paulo Brincas que, no calor da polêmica na semana passada, ao dizer que a tribuna no tribunal é solo sagrado do advogado. 

CNJ manda investigar desembargador alagona acusado de cobrar propina em troca de sentença

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que a Presidência do Tribunal de Justiça de Alagoas investigue o desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, nos autos de uma reclamação disciplinar que o acusa da suposta cobrança de R$ 30 mil ou metade do valor da causa, para que decidisse favoravelmente à advogada Adriana Mangabeira Wanderley, em uma ação em que ela cobra R$ 800 mil em honorários advocatícios da Braskem, do Grupo Odebrecht, em valores de 2008. A decisão do corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, é do dia 1º de agosto e viralizou nas redes sociais e em grupos do aplicativo WhatsApp, desde a tarde de quarta-feira (9). Noronha dá prazo de 60 dias para que a Presidência do Tribunal de Justiça comunique o resultado da apuração à Corregedoria Nacional de Justiça.


A reclamação disciplinar que tramita no CNJ em segredo de justiça expõe que a advogada Adriana Mangabeira Wanderley afirmou ter recebido proposta do ex-enteado de Tutmés Airan, o advogado Lucas Almeida, para que lhe pagasse metade dos honorários cobrados à Braskem, em troca de suposto favorecimento no julgamento de uma apelação sobre a causa. Na representação formalizada ao CNJ, no fim de abril deste ano de 2017, a advogada narrou ainda que, em janeiro, foi procurada por um colega de faculdade que disse que Tutmés teve prejuízo com um restaurante e que ela deveria entregar R$ 30 mil a um funcionário do Tribunal de Justiça. E afirmou ainda que só se ganhava causa com Tutmés se os advogados fossem Luís Medeiros, Nivaldo Barbosa (ex-sócios do desembargador) e seu ex-enteado Lucas Almeida.

Na primeira instância, o juiz Henrique Gomes Barros Teixeira chegou a determinar o bloqueio de R$ 10 milhões das contas da Odebrecht, em 17 de abril, para garantir o pagamento da causa ganha pela advogada. Mas uma decisão de Tutmés Airan mudou o efeito do recurso, desconhecendo a natureza alimentar dos honorários, dias depois de ter recebido a visita de advogados da Odebrecht, com uma mala considerada suspeita por Adriana Mangabeira Wanderley. A advogada incluiu na reclamação ao CNJ a informação de que “é procedimento dos advogados da Odebrecht fazer visitas ao requerido com malas”. E juntou fotografia de um desses momentos, em 15 de abril, dois dias antes do bloqueio da conta. 


Adriana Mangabeira Wanderley decidiu deixar de defender a Braskem, após o ingresso do advogado Marcos José Santos Meira na causa que conseguiu R$ 1 bilhão para a subsidiária da Odebrecht. A advogada assinou o subestabelecimento para o advogado, que é filho do ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José de Castro Meira. Marcos Meira é o mesmo que foi objeto de um laudo da Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava Jato, que revelou que seu escritório recebeu pelo menos R$ 11,2 milhões da Odebrecht de 2008 a 2014. O pai do advogado, quando ministro, relatou processo em que considerou prescrita uma dívida de R$ 500 milhões cobrada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional da Braskem.


O desembargador disse estar muito chateado e entristecido com o que chamou de “infâmia”. E depois de atribuir a reclamação a uma decisão sua que negou a liberação dos honorários à Adriana Mangabeira Wanderley, afirmou que iria processar a advogada, porque ela não provaria nenhum ato ilegal cometido por ele. “Na verdade, ela não gostou de uma decisão monocrática minha, que depois foi homologada pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, à unanimidade. Ela queria porque queria receber a liberação de um honorário que ainda era extremamente controvertido. E fez essa infâmia aí, porque não liberei o honorário para ela, por uma questão de cautela, porque podia ser que no final da ação ela perdesse. Eu vou me defender, naturalmente, com absoluta tranquilidade e vou processar ela, até onde os processos possam permitir, tanto no âmbito penal, quanto no âmbito cível”, disse Tutmés.

O desembargador afirmou que a advogada denunciante teria “ficha corrida não recomendável”, sem credibilidade. E desqualificar a denúncia que sugere entrega de propina em malas, ao afirmar que advogados que não moram em Alagoas costumam circular com malas nos Tribunal, como teria sido o caso do representante da Braskem, que é de Salvador (BA). “Essa história de advogado com mala é uma maldade muito grande. Recebo advogados para entregar memoriais e nem precisa marcar hora no gabinete. O advogado estava acompanhado do Telmo Calheiros, que preside a comissão de ética da OAB de Alagoas. Isso é maldade infinita. Essa moça tem uma ficha corrida pouco recomendável. Ela não é uma pessoa que, assim, a princípio mereça muita crença. Então, estou à disposição da imprensa e das autoridades, para prestar os devidos esclarecimentos, sem dificuldade nenhuma”, declarou o desembargador.

Em julho de 2016, o então presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Washington Luiz Damasceno Freitas, foi afastado do cargo de desembargador, após apuração de denúncias de corrupção pelo CNJ. Ele permanece afastado até hoje. A advogada Adriana Mangabeira Wanderley já havia ingressado no CNJ com uma representação contra Tutmés Airan, em 28 de abril, com juntada de documentos em 2 de maio, expondo que o desembargador havia admitido o recebimento de recurso da Braskem já considerado deserto, porque não teria havido o pagamento das chamadas custas de preparo relativas à ação principal. Nesse mesmo dia, a advogada peticionou no processo, comunicando pedido ao Tribunal de Justiça que acompanhasse a representação feita junto ao CNJ.


Dias depois dessa primeira representação, sem manifestação das partes, o desembargador incluiu o processo na pauta de julgamento da sessão de 17 de maio da 1ª Câmara Cível, quando foi rejeitada por unanimidade a preliminar que argumentava pela deserção pelo não pagamento das custas obrigatórias do recurso da Braskem, com votos favoráveis, além do de Tutmés, dos desembargadores Fernando Tourinho de Omena Souza e Fábio José Bittencourt Araújo, que anularam a sentença de origem, favorável à advogada. 

A primeira reclamação da advogada ao CNJ teve que ser refeita, porque teria sido protocolada errada, direcionada à presidente do CNJ, Cármen Lucia. E a reclamação que agora prossegue é a segunda protocolada, reformulada. Em maio, a presidente da Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fernanda Marinella, e a Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB Nacional foram comunicados sobre a reclamação disciplinar junto ao Conselho Nacional de Justiça. 

Um dos acusados, Luís Medeiros, ingressou com queixa crime pedindo a condenação contra Adriana Mangabeira Wanderley, por calúnia, R$ 500 mil em reparação de danos a serem destinadas a instituições que tratem de mulheres com distúrbios mentais ou dependência química. E pediu que a Justiça que realize exames de sanidade mental e de dependência química na denunciante. 

Lucas Almeida, ex-enteado de Tutmés Airan, disse: “Eu tenho muito pouco a dizer sobre a denúncia da advogada Adriana Mangabeiras. Primeiro porque não tenho a menor intimidade com ela (nunca trocamos duas palavras), segundo porque não sabia que ela atuava como advogada em Maceió (achei que tivesse outra atividade) e terceiro porque eu jamais tomei conhecimento do processo dela. Na verdade, eu estou me sentindo como uma pessoa que está passando na rua e leva um tapa de um desconhecido sem ter absolutamente nada a ver com a história. A coisa se torna preocupante, entretanto, pela irresponsabilidade da informação e pelo estrago causado à imagem. Sobretudo num tempo em que falar da corrupção entre parentes de juízes e juízes virou moda, notadamente porque muitas vezes essas denúncias têm fundamento. Tenho recebido informações sobre o histórico criminoso dessa moça, que pode ser facilmente levantado a partir de uma busca simples no Google pelo seu nome. Enfim, vamos manter a calma, tomar as medidas judiciais cabíveis e esperar que as coisas sejam esclarecidas".

Já o advogado Luís Medeiros comentou: “Não a conheço, nunca estive com ela, jamais tratei sobre processo dela e não sei nem do que se trata. Irei ajuizar queixa-crime, ação de danos e representação, pedindo que ela seja submetida a exame de insanidade mental e a teste de dependência química, afinal, o enredo mirabolante por ela criado só pode ser obra de uma pessoa acometida de enfermidade mental ou de uma mente entorpecida pelo uso contínuo de psicotrópicos e alcaloides. Defendo a minha honra porque sou honesto e jamais permitirei que qualquer aventureira tente macular a mim e a minha profissão”. 

Por sua vez, o advogado Nivaldo Barbosa Jr afirmou: "Acerca da representação promovida por uma advogada contra um desembargador de Alagoas no CNJ envolvendo meu nome, gostaria de esclarecer que não a conheço, jamais estive com ela, não sei do que trata o processo dela e não sei de onde extraiu tal versão. Outrossim, o referido desembargador espontaneamente averba-se de suspeito nos processos em que atuo, de modo que a acusadora será instada judicialmente a comprovar tais alegações, sem prejuízo das providências penais cabíveis. Por fim, estou disponível, como sempre estive, para qualquer esclarecimento ou investigação, providência, aliás, que eu mesmo solicitarei. Nivaldo Barbosa Jr". 

BNDES pode contratar empréstimos indiretos para a Petrobras


Independentemente de estar acima do limite de exposição à Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia contratar novos empréstimos indiretos para a petroleira. Nas operações indiretas, o BNDES fornece o funding dos recursos a um banco repassador, que faz a análise e assume o risco de crédito do financiamento. Na quinta-feira, após a divulgação dos resultados da estatal, o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que a companhia voltaria a tomar recursos no banco de fomento em breve, chamando atenção para a exposição do BNDES à estatal.

"Fizemos pagamentos expressivos para o BNDES e agora podemos voltar a operar. Uma linha que a gente espera utilizar o mais rápido possível é de Finame", afirmou Monteiro. A Finame é a linha do BNDES para financiar a aquisição de bens de capital, que é operada de forma indireta na maioria dos empréstimos. Segundo o executivo, a intenção é contratar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão somente em operações da Finame nos próximos seis meses. O total poderia chegar a R$ 2 bilhões. 

Pelas regras do Banco Central, um banco não pode ter, em crédito a receber e participação acionária, mais do que 25% do seu patrimônio de referência comprometidos com um único cliente. Como o patrimônio de referência do BNDES terminou o primeiro trimestre em R$ 135,864 bilhões, o banco não pode ter exposição superior a R$ 33,966 bilhões com apenas um cliente. O BNDES está desenquadrado em relação à Petrobras há anos e, desde 2015, o banco está proibido de emprestar para a companhia enquanto não reduzir sua exposição à estatal para baixo do limite permitido. A partir de 2016, porém, a estatal vem pagando antecipadamente parte de sua dívida com o banco de fomento, reduzindo a exposição.

Corte da Colômbia intima presidente Juan Manuel Santos a depor sobre caso Odebrecht

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e parte de seu gabinete vão depor em um alto tribunal a pedido de um senador que está preso por sua suposta relação com a rede de propinas criada pela construtora Odebrecht no país. "O governo está pronto para dar uma resposta ao que a justiça requer", disse nesta sexta-feira a jornalistas o ministro do Interior, Guillermo Rivera. A Corte Suprema aceitou um pedido da defesa do congressista Bernardo Elías para que Santos dê a sua versão, segundo um documento judicial citado pela imprensa.

A solicitação inclui também alguns de seus ministros, ex-ministros e o ex-vice-presidente Germán Vargas Lleras. Rivera acrescentou que o governo aguardará a notificação da justiça. O presidente e seus colaboradores deverão depor sobre a adjudicação, em 2014, de um contrato para Odebrecht para a construção de uma via. Segundo o Ministério Público, a empresa obteve a obra mediante o pagamento de subornos. Elías, um influente senador oficialista, foi capturado na quinta-feira por ordem da Corte Suprema de Justiça, encarregada de investigar os congressistas.

O legislador está sob suspeita por supostamente ser "beneficiário" do pagamento de subornos pela construtora. Por este mesmo caso, o Ministério Público pediu a investigação de outros três senadores. A Odebrecht, imersa em um escândalo global de corrupção, reconheceu ante o governo dos Estados Unidos ter pago 11,1 milhões de dólares em subornos na Colômbia. Segundo a procuradoria colombiana, os subornos superariam os 27,7 milhões de dólares.

Por esse caso, estão presos o ex-vice-ministro do Transporte Gabriel García e o ex-senador Otto Bula. A máxima autoridade eleitoral colombiana investiga o financiamento da Odebrecht às campanhas presidenciais de Santos e de Óscar Iván Zuluaga, seu rival nas eleições de 2014 pelo partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente e senador Álvaro Uribe.

Delator diz que ganhava propina para ajudar conselheiro do "Tribunal da Receita", o famigerado Carf


O ex-auditor Paulo Roberto Cortez fechou o primeiro acordo de delação premiada no âmbito da Operação Zelotes e revelou aos investigadores como funcionava o esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o "Tribunal da Receita". Cortez detalhou que votos de conselheiros eram "encomendados" por empresas que deviam fortunas ao Fisco e que funcionários do setor eram remunerados "por fora" em troca de informações sigilosas dos processos. A delação do ex-auditor foi homologada no dia 7 pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

Cortez, o delator, que foi conselheiro do Carf até 2007, afirmou, ainda, como o Bank Boston se livrou de multa milionária - o tribunal administrativo julga recursos de empresas e bancos contra autuações da Receita. Ele disse que em 2012 recebeu do então conselheiro Valmir Sandri um voto para o caso do Boston e "a orientação de adaptar o texto aos padrões do conselho". Sandri nega enfaticamente envolvimento com o esquema instalado no Carf. O delator contou que, por meio de dois recursos ao colegiado, o Bank Boston conseguiu reduzir multa de R$ 600 milhões para uma quantia inferior a R$ 100 milhões. 

O Itaú-Unibanco, que adquiriu operações do Bank Boston, esclareceu "que não é parte do processo": "O Itaú não tem e não teve qualquer ingerência na condução de tais processos nem tampouco qualquer benefício das respectivas decisões. O Itaú esclarece, ainda, que nenhum dos denunciados foi funcionário ou diretor desta instituição". 

Cortez confessou ainda que ganhava R$ 10 mil todo mês em dinheiro vivo para orientar um outro ex-conselheiro, José Ricardo da Silva, que seria também dono de uma "consultoria" que atuava em casos submetidos ao colegiado. O delator disse que o ex-conselheiro "não sabia fazer" o trabalho no Carf. "Na área de Imposto de Renda, ele (Ricardo) não tinha conhecimento, tampouco em contabilidade. Então, antes de cada sessão, quando eu trabalhava com ele, eu fazia as devidas explicações, repassava para ele o material e fazia as explicações de cada matéria a ser tratada em cada julgamento", afirmou Cortez. 

Agência Fitch rebaixa nota da dívida do Chile


A agência de classificação Fitch rebaixou, nesta sexta-feira a nota de Chile de "A+" para "A", por causa da "deterioração contínua" do balaço fiscal do país, seguindo os passos da Standard & Poor's um mês mais tarde. O "prolongado período de debilidade econômica e os menores preços do cobre" - o Chile é o maior produtor mundial do metal - contribuíram para o crescimento da dívida pública, que este ano será de cerca de 25% do PIB e vai subir a 30% em 2019. 

"O período de fraco crescimento econômico do Chile, após o super ciclo da mineração, está durando mais que o esperado. Isso está contribuindo para uma deterioração contínua do balanço fiscal", explica a agência em seu informe. Para a Fitch, a dívida pública continua "muito abaixo da média 'A', mas aumentou consideravelmente em relação aos baixos níveis que respaldaram a melhora do Chile para 'A+' em 2011".

A boa notícia é que a agência de classificação prevê uma redução gradual do déficit fiscal do Chile depois de 2018 e prevê uma margem de alta limitada para o ritmo de consolidação econômica, independente de quem ganhe as eleições presidenciais deste ano. Nesta quinta-feira, o governo de Michelle Bachelet enviou ao Congresso um projeto de reforma previdenciária que pode custar 1,5 bilhão de dólares adicionais ao Estado. A Fitch considera que a perspectiva estável da dívida é respaldada por uma "sólida governabilidade e um quadro político que tem preservado a estabilidade macroeconômica".

Os chilenos vão às urnas no próximo 19 de novembro para eleger o sucessor de Bachelet. As pesquisas indicam o ex-presidente de direita Sebastián Piñera como favorito. Em 13 de julho, a S&P reduziu a classificação do Chile pela primeira vez em 25 anos, baseando-se também no crescimento econômico fraco. Espera-se que a Moody's, a terceira agência de classificação em importância, siga o mesmo caminho e reduza a nota do Chile antes do fim do ano.

Ford demite 364 trabalhadores em São Bernardo do Campo


A Ford demitiu 364 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, nesta sexta-feira, 11. O grupo estava com contratos suspensos há pelo menos cinco meses, o chamado lay-off, e começou a receber na quinta-feira, 10, os telegramas de demissão. Na manhã desta sexta-feira, após assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os trabalhadores da área de estamparia paralisaram as atividades, o que prejudica a produção nos demais setores.

A Ford então anunciou folgas para todos os funcionários na segunda e na terça-feira, para futura compensação. A unidade produz o modelo Fiesta e caminhões. Em nota, a montadora informou que "nos dois últimos anos, a Ford adotou uma série de medidas para administrar o excesso de empregados decorrente da redução do volume de produção em São Bernardo do Campo, tais como PPE, PDV, lay-off e férias coletivas. Entretanto, devido à necessidade de adequar os níveis de mão de obra às demandas de mercado, estamos fazendo o desligamento dos funcionários da planta de São Bernardo do Campo que estavam em layoff".

Segundo o sindicato, havia um acordo entre as partes fechado em 2015 que previa estabilidade no emprego até janeiro de 2018. A entidade aguarda encontro com a direção da empresa para discutir o tema.

Trump diz que considera adotar uma opção militar contra a Venezuela


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (11) que considera uma "opção militar" contra a Venezuela. Sem detalhar, ele disse que, "se for necessário", poderá buscar uma ação militar. "Temos muitas opções para a Venezuela, inclusive uma opção militar se for necessário", afirmou, em Nova Jersey, quando questionado por uma repórter sobre a situação do país sul-americano. 

Trump não quis dar mais detalhes, só repetiu que uma opção militar é "certamente algo que podemos buscar". "A Venezuela é nossa vizinha, e nossas tropas estão por todo o mundo, em lugares muito, muito distantes. A Venezuela não é muito longe, e as pessoas estão sofrendo e morrendo", disse o presidente americano. 

Nesta quinta-feira (10), o ditador psicopata comuno-bolivariano venezuelano, Nicolás Maduro, havia dito que pediu ao chanceler venezuelano que ele contatasse Washington para tentar arranjar um telefonema com Trump, ou até mesmo um encontro durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. "Se está tão interessado na Venezuela, estou aqui 'mister Trump', aqui está minha mão", disse, para na sequência chamá-lo de imperador e fazer uma ameaça. "Jamais vamos nos render e responderemos a uma agressão com armas na mão". 

A crise venezuelana se acirrou depois da eleição de uma Assembleia Constituinte, no último dia 30, em uma votação contestada pela comunidade internacional. A ONU denunciou que as forças de segurança da Venezuela têm utilizado força excessiva - assim como torturas - para reprimir os protestos contra Maduro, provocando a morte de centenas de pessoas desde abril.