sábado, 9 de setembro de 2017

Joesley Batista pode ter gravado sem o lobista Ricardo Saud saber disso


A suspeita de investigadores da Lava Jato é que Joesley Batista, a quem o presidente Michel Temer apelidou de “grampeador-geral da República”, gravou o cúmplice, Ricardo Saud, lobista da J&F/JBS, sem que ele soubesse, para arrancar informações adicionais à própria delação. O objetivo de Joesley seria encantar o procurador-geral Rodrigo Janot municiando-o contra ministros do Supremo Tribunal Federal, transformando-se em “credor”, na sua relação com o Ministério Público Federal. Policiais experientes acham que Joesley pode ter gravado o lobista para mantê-lo sob controle: o testemunho de Saud poderia destruí-lo. Na gravação, Joesley instiga Saud a contar o que sabe do submundo da corrupção e até sobre a vida íntima de autoridades. Durante a maior parte da gravação não parece conversa entre cúmplices, parece mais Joesley interrogando o lobista da J&F/JBS. A conversa se alongou, regada a uísque, e Joesley falou demais, até de infidelidade conjugal, e fez referencias indelicadas à própria mulher.

Relatório de acompanhamento fiscal aponta piora da dívida bruta


O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), feito pela Instituição Fiscal Independente (IFI) em setembro deste ano, aponta que o cenário da dívida pública piorou e terá um pico de 93,3% do PIB, em 2024. A partir daí, ocorre uma estabilização e queda gradual do montante. O relatório aponta, no entanto, que a situação só vai mudar se acontecerem alterações nos gastos obrigatórios do governo federal. Se houver esta análise, dívida bruta converte para 85,5% do PIB, até 2030. As metas de déficit primário foram revisadas pelo governo, sendo elevadas em R$ 20 bilhões para 2017 e R$ 30 bilhões para 2018. De acordo com o relatório, há necessidade de ajuste de R$ 44,5 bilhões, explicado quase inteiramente pela frustração de receitas. Medidas que aumentem as receitas em R$ 14,5 bilhões precisam ser aprovadas com urgência, aponta o RAF. Caso a elevação não ocorra, o ajuste deve ocorrer por meio de contingenciamento. Apesar da expansão do PIB, motivada pelo consumo das famílias, os investimentos ainda não reagiram. Os motivos são a redução dos gastos públicos, grande ociosidade da capacidade produtiva e elevado nível de incertezas na economia, principalmente em relação ao problema fiscal. Já os resultados primários do setor público estão estáveis, interrompendo a tendência de deterioração – apesar de ainda não existirem indícios claros de recuperação. Esses resultados somado aos juros nominais cadentes levam a uma redução dos déficits nominais lenta, que acabam permanecendo elevados e pressionando o endividamento.

O recuo de desonerações foi de R$ 85 bilhões este ano. Mesmo assim, a arrecadação segue em terreno negativo, principalmente para as tributações sobre faturamento e lucratividade. Já entre os componentes que apresentam destaques positivos estão os tributos incidentes sobre folha e produção. O gasto social representa 75% do orçamento da União. Os principais despesas são com Previdência, Educação, Saúde e Assistência Social. As renúncias tributárias da área social somaram R$ 102,4 bilhões, em 2016, o que equivale a 26% do gasto orçamentário.

Ipea diz que investimentos na economia aumentaram 1,1% em julho

Os investimentos na economia aumentaram em julho, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrou elevação de 1,1% em relação a junho. Apesar do avanço, o crescimento dos dois principais componentes da FBCF não foi homogêneo. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came, que corresponde à produção doméstica acrescida das importações menos as exportações) caiu 3,6%, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. Já o indicador de construção civil teve a segunda variação positiva seguida: 1,4%. Na comparação com julho de 2016, o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo encolheu 1,4%. O resultado do Came cresceu 2,5% no período. A alta não foi mais acentuada porque foi negativamente influenciada por um salto de 37,7% nas exportações, embora a produção doméstica de bens de capital tenha avançado 1,1% e as importações tenham crescido 7%. Na comparação com julho de 2016, a construção registrou queda de 3,6% no mês de julho deste ano. No ano de 2017, o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo acumula uma queda 4,6%. Em 12 meses, a taxa está negativa em 5,2%.

O açougueiro bucaneiro Joesley Batista, Ricardo Saud e o ex-procurador Marcelo Miller devem ir para a cadeia


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (8) um pedido de prisão dos delatores da JBS, o empresário açougueiro bucaneiro Joesley Batista e seu executivo Ricardo Saud, e também do ex-procurador Marcello Miller. A solicitação de Janot está sendo analisada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na corte e o responsável pela homologação do acordo de delação dos executivos do grupo. O pedido de prisão foi feito após a Procuradoria-Geral da República ouvi-los nos dois últimos dias sobre a gravação em que Joesley e Saud indicam possível atuação de Miller no acordo de delação quando ainda era procurador - ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril.

Para a equipe de Janot, houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação que tratam de omissão de má-fé, o que justificaria rever os benefícios. O pedido de Janot está sob sigilo. Não há previsão ainda sobre quando Fachin vai despachá-lo. Por causa dessa nova gravação, de 17 de março e com quase quatro horas de duração, Janot anunciou na segunda-feira passada a abertura de investigação para apurar omissão de informações, com ameaça de revisão dos benefícios concedidos, incluindo a imunidade penal.

Joesley Batista alega que foi apresentado a Marcelo Miller por Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa e também delator, porque estava à procura de alguém para a área de anticorrupção da JBS. Os delatores argumentam que apenas consultaram Miller em linhas gerais sobre o processo de delação e que acreditavam que ele já havia saído da Procuradoria Geral da República. O ex-procurador pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída foi oficializada em 5 de abril.