terça-feira, 10 de outubro de 2017

Lázaro Brandão renuncia ao conselho de administração do Bradesco


O Bradesco informou que Lázaro de Mello Brandão renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração do banco. O banqueiro, de 91 anos, entregou sua carta de renúncia nesta terça-feira. Para o lugar de Brandão, o banco nomeou Luiz Carlos Trabuco Cappi, até então vice-presidente do conselho de administração e diretor-presidente do Bradesco. Brandão iniciou sua carreira em 1942 na Casa Bancária Almeida & Cia., que se transformou em Banco Brasileiro de Descontos S.A., atual Banco Bradesco S.A., em 1943. Dentro da instituição, ele passou por todos os escalões da carreira bancária – seu primeiro cargo foi de escriturário. 

O banqueiro estava na presidência do conselho de administração desde fevereiro de 1990. De janeiro de 1989 a março de 1999, foi presidente da diretoria. O banco não informa o motivo da renúncia, mas diz que Brandão permanecerá na presidência do conselho de administração das sociedades controladoras "transmitindo seus ensinamentos e experiência acumulados ao longo desses mais de 75 anos de vida profissional dedicados exclusivamente à organização, com magníficos exemplos de trabalho, honradez e ética". Na nota, o Bradesco faz elogios ao novo presidente do conselho de administração; “Seus méritos são indiscutíveis. Sua competência e eficiência estão traduzidas na superação diária das adversidades diante de um mercado cada vez mais competitivo e um ambiente econômico repleto de desafios". 

Trabuco acumulará os cargos de presidente do conselho de administração e de diretor-presidente do Bradesco até a primeira reunião que se realizar após a assembleia-geral ordinária, prevista para março de 2018. A reunião elegerá o novo presidente do banco. Caberá a Trabuco, segundo o banco, a missão de “estabelecer as diretrizes estratégicas do Bradesco, sempre prezando pela cultura e valores da organização”. 

Aos 16 anos, seu sonho era trabalhar no Banco do Brasil – chegou a fazer um cursinho para se preparar para o concurso do BB. Ele aceitou a sugestão de um parente e foi trabalhar na Casa Bancária Almeida, instituição fundada em Marília que deu origem ao Bradesco. Entrou em 1942 como escriturário. 

Foi nomeado diretor em 1963. Em 1977, alcançou o posto de vice-presidente. O cargo de diretor-presidente chegou em 1981. Assumiu a presidência do conselho de administração em 1990, após o afastamento do fundador Amador Aguiar – que morreu em 1991. Brandão assumiu os dois cargos até 1999, quando Márcio Cypriano assumiu a presidência executiva do banco. Cypriano foi substituído em 2009 por Trabuco, que agora sucederá Brandão. 

No ano passado, ao completar 90 anos, ele disse que aposentar-se era uma necessidade iminente, mas um desejo longínquo.  Brandão sinalizou a escolha de seu sucessor quando Trabuco foi nomeado para a vice-presidência do conselho de administração do Bradesco. 

A fatia de Brandão no banco não é divulgada, mas pessoas próximas estimam que não chegue a 1%. Mesmo com essa pequena participação, Brandão sempre teve a palavra final em todas as decisões estratégicas da instituição. Sob a administração de Brandão, o banco implementou uma hierarquia rígida, de rotina pouquíssimo flexível. O comportamento de Brandão virou o padrão a ser seguido no banco: chega-se cedo e fica-se até a noite.

Danúbia Rangel, a Xerifa da Rocinha, mulher do bandido Nem, é presa no Rio de Janeiro


Danúbia Rangel, mulher do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi presa na tarde desta terça-feira no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A “Xerifa da Rocinha”, como Danúbia é conhecida, foi encontrada por policiais das delegacias de Nova Iguaçu e da Pavuna e foi levada para a Cidade da Polícia, complexo que concentra delegacias do Rio de Janeiro. Bandida, condenada por tráfico, Danúbia, de 33 anos, é figura conhecida no submundo carioca e estava foragida. Nascida no Complexo da Maré, na Zona Norte, tem outros dois chefões do tráfico no currículo amoroso (ambos mortos em confronto com a polícia, daí o apelido de Viúva Negra). Em 2006, conheceu Nem em uma festa e se mudou para a Rocinha. 

Casaram-se, tiveram uma filha e a Viúva Negra virou a temida Xerifa, a quem o traficante presenteava com jóias (uma delas, um cordão com a letra N pendurada), passeios de lancha e helicóptero e uma cobra de estimação, entre outros mimos. Depois da prisão de Nem, em novembro de 2011, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, atual chefe do tráfico na Rocinha, determinou que ela deixasse a favela. 

Os bandos dos dois traficantes, outrora aliados, disputam o controle do tráfico desde o dia 18 de setembro. Mesmo preso em Rondônia, Nem determinou que comparsas invadissem a favela para retomar o domínio. O grupo de Rogério 157 reagiu e foi iniciada uma rotina de tiroteios, toques de recolher e operações policiais e das Forças Armadas que perduram até agora. 

Mesmo foragida, Danúbia circula em várias páginas de redes sociais, algumas com milhares de seguidores — embora não se saiba quantas e quais são, de fato, de sua autoria. As imagens a mostram de biquíni em praias e piscinas, exibindo o corpo moldado por musculação e silicone. “Fase ruim nenhuma vai me derrubar”, escreveu em mensagem três meses antes da guerra da Rocinha.

A doce vida dos pelegos

À frente de verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, sindicalistas se aproveitam da falta de transparência e fiscalização para enriquecer às custas do movimento sindical


A suposta greve geral que há alguns dias conseguiu parar várias localidades do País com o controle dos transportes urbanos expôs uma realidade nua e crua que começa a irritar toda a população. Atuando em tática de guerrilha, queimando pneus e destruindo ônibus, sindicalistas que faziam a manifestação – com participantes contados aos dedos – moviam-se na verdade com um objetivo específico. Qual seja: barrar a discussão no Congresso que visa modernizar a lei trabalhista. Esses pelegos de carteirinha, muitos dos quais nunca trabalharam, temem como golpe fatal à sua existência o fim do chamado Imposto Sindical, aquela famigerada taxa que todo trabalhador é obrigado a pagar anualmente e que banca hordas de desocupados, representantes de categorias que só aparecem no momento da rescisão de cada um, para tomar mais um dinheiro em comissão.

Assim, por décadas caminhou a articulação dessa turma. Especialmente nos últimos tempos, na era das gestões Lula e Dilma, a quantidade de sindicatos, associações de classe e representações de categoria, explodiu com o incentivo e as gordas subvenções do governo, que buscava arregimentar aliados para a sua causa de perpetuação no poder. A deposição da petista Dilma e o início da administração Temer, que pôs em andamento a reforma trabalhista, está provocando uma reviravolta nessa realidade, com chances de colocar um ponto final na farra da pelegagem, que tem muitos dos seus líderes hoje vivendo como autênticos marajás.


O descontrole do mundo extraordinário dos pelegos é tamanho que dezenas de escândalos por desvios vieram à tona, deixando evidente a falência desse sistema. Em 2008, a polícia chegou a flagrar um grupo de sindicalistas da cidade de Campinas, no interior de São Paulo, que, em troca de subornos, vendia os interesses da própria categoria de trabalhadores que diziam representar. No flagrante exibido aos expectadores, uma propina de R$ 100 mil era negociada em nome de funcionários de empresas de transporte coletivo da cidade. Há um mês os bandidos travestidos de sindicalistas – e com carteirinha para comprovar a função – eram monitorados pelo Ministério Público e pela polícia. Como esse, centenas de casos de deturpação da atividade são registrados, dando conta de fabulosas cifras e esquemas criminosos que passaram a prevalecer no sindicalismo.

Os pelegos, em sua maioria, vivem bem. Com estabilidade financeira e sem qualquer risco de desemprego. A missão de um sindicato deveria ser a de lutar pelo benefício dos trabalhadores. Mas, na prática, não é isso que vem acontecendo. Seus membros movem-se por interesses quase sempre pessoais. Mesmo quando travam ruas, promovem invasões, quebra-quebras e colocam seus carros de som para gritar palavras de ordem que escondem objetivos inconfessáveis. Controlados por dirigentes corruptos, esses sindicatos acabam por tirar o dinheiro do bolso do trabalhador para colocar no bolso deles. Os donos dessas siglas de aluguel usam as verbas para ganhar poder e fazer fortunas.


O Brasil tem hoje mais de 16 mil sindicatos, muito mais que outros países da Europa e América Latina. Em 2016, sindicatos, centrais sindicais, federações e confederações arrecadaram mais de R$ 3,5 bilhões com o imposto, que corresponde a um dia de salário anual do trabalhador, independente dele ser sindicalizado. Entre as entidades de classe, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical estão no topo da lista, com R$ 59,8 milhões e R$ 46,6 milhões respectivamente. E os pelegos não querem perder esse quinhão. Verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, a direção dos sindicatos é cada vez mais cobiçada por eles. Eleições fraudadas, desvio de dinheiro e enriquecimento ilícito não são pontos fora da curva.

A lei não obriga as entidades sindicais a prestarem contas de suas operações. Sendo assim, o dinheiro arrecadado pelos sindicatos – em grande parte dinheiro público – nem sempre é utilizado da maneira correta. Ele acaba, muitas vezes, no bolso de dirigentes que aumentam seu patrimônio de forma ilícita e exponencial. “A não prestação de contas é grave, já que isso é dinheiro público. O ideal é que os sindicatos prestassem contas espontaneamente, e não apenas quando obrigados pelo Ministério Público”, afirma Almir Pazzianotto, que foi ministro do Trabalho do governo José Sarney.


Em Niterói, no Rio de Janeiro, o piso salarial dos comerciários é de R$ 1.150,00. Um comerciário comum, portanto, vive uma realidade bem diferente da vivida pela presidente do SEC (Sindicato dos Empregados do Comércio), Rita de Cácia da Silva Rodrigues de Almeida. A frente da entidade, ela adquiriu, em menos de quatro meses, oito veículos de luxo e nove imóveis em diferentes cidades. Em 2014, uma operação da Polícia Civil a apontou como chefe de uma fraude milionária: com um salário de mais de R$ 50 mil, Rita faturava entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão mensais desviando dinheiro das taxas pagas pelos comerciários filiados. Seu filho, Chriszanto Gonzales, ainda receberia R$ 21 mil por mês para ser vice-presidente do sindicato. Ambos seguem nos cargos de presidência e vice-presidência da entidade, segundo o site do sindicato.

Os casos de sindicatos comandados por famílias não são raros. No Rio de Janeiro, o Sindicato dos Comerciários foi comandado pelos Mata Roma por quase 50 anos. Luizant Mata Roma foi nomeado interventor do sindicato em 1966. Só deixou o cargo quando morreu, em 2006. O posto foi assumido por seu filho, Otton da Costa Mata Roma. A entidade era um feudo familiar: sua folha de pagamentos incluía mais de 10 parentes. Em 2014, após investigações, o MP pediu o afastamento de Otton, acusado de nepotismo e desvio de dinheiro. Toda a antiga diretoria foi destituída porque não tinha legitimidade para estar à frente do sindicato.

Orlando Diniz O presidente da Fecomércio-RJ vive em um luxuoso apartamento no Leblon e desfruta de uma casa de praia em Mangaratiba

Os dirigentes de sindicatos, assim como grande parte dos trabalhadores brasileiros, parecem desejar desfrutar a vida à beira-mar. Na lista de bens de vários deles encontram-se casas de veraneio e até hotéis. Genival Beserra Leite é presidente do Sindeepres (Sindicato dos Empresários Terceirizados), entidade que arrecadou mais de $ 9,3 milhões em 2016 com a contribuição obrigatória. Em paralelo à vida de líder sindical, também é dono de um hotel e de uma pousada em Ilhabela, no litoral de São Paulo. Na pousada Mais Bella, a diária de uma suíte de luxo para quatro pessoas pode chegar a R$

 3.420, dependendo da data.

Fábio Meirelles A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, da qual é presidente, é investigada por nepotismo

Quem também gosta de passar o verão com os pés na areia é Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ que comanda ainda o Sesc-Rio e o Senac-RJ. Ele ostenta um apartamento de 400 metros quadrados no Leblon, avaliado em R$ 12 milhões, e uma casa de veraneio avaliada em R$ 5 milhões, em Mangaratiba. O comerciário é bastante próximo do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preso pela Operação Lava Jato. Além de contratos milionários da federação com o governo, em 2014, e-mails trocados entre Cabral e Diniz revelaram pedidos pessoais do ex-governador ao presidente da Fecomércio-RJ, como a contratação de sua cunhada pelo Senac. Em um cenário onde o número de desempregados passa dos 14 milhões, a prioridade dos dirigentes sindicais passa cada vez mais ao largo dos direitos dos trabalhadores: se perdeu entre as casas de luxo do litoral brasileiro.

Com mais de 16 mil registros, Brasil é campeão em número de sindicatos. Já o Reino Unido tem apenas 168 sindicatos. A Argentina tem apenas 91 sindicatos. E a Alemanha só 16 sindicatos. Os Estados Unidos registram apenas 130 sindicatos. E a Dinamarca tem só 164. (IstoÉ)

Promotor de Goiás, Mário Caixeta, chama Lula de "filho da puta"


O promotor Mario Caixeta, do Ministério Público de Goiás, chamou de "filho da puta" o líder máximo do PT, o poderoso chefão da organização criminosa petista, Luiz Inácio Lula da Silva. O lulopetismo está muito contrariado com o Ministério Público em todo o País. O comentário de Mario Caixeta foi postado no Twitter quando ele escreveu sobre um notícia da revista Época, que diz que o Lula gosta quando políticos criticam o Ministério Público. O que escreveu o promotor: "Os filhos da puta se unem pelos objetivos comuns. Orgulho de ser MP". Ele também endereçou a mensagem ao promotor Marcelo Zenkner, do Espírito Santo.

Ministério Público Federal denuncia os irmãos açougueiros bucaneiros Joesley e Wesley Batista por manipulação do mercado


Os procuradores Thaméa Danelon e Thiago Lacerda Nobre, do Ministério Público Federal, em São Paulo, denunciaram à 6ª Vara Federal os irmãos açougueiros bucaneiros Joesley e Wesley Batista, na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles, por uso de informação privilegiada e manipulação do mercado. Os executivos estão presos. A Tendão de Aquiles apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio, data da divulgação dos dados relacionados à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República.

Para o Ministério Público Federal, em São Paulo, os irmãos “minimizaram prejuízos mediante a compra e venda de ações e lucraram comprando dólares com base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República”. “Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papéis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando-se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, diz a Procuradoria da República. Segundo a denúncia, “as operações ilegais” de venda e compra de ações ocorreram entre 31 de março e 17 de maio.

O açougueiro bucaneiro Wesley Batista foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley havia sido custodiado dois dias antes por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua própria delação premiada. Os irmãos foram indiciados pela Polícia Federal em 20 de setembro. Joesley foi indiciado pela autoria dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, previstos na Lei 6.385/76, com abuso de poder de controle e administração, em razão do evento de venda de ações da JBS S/A pela FB Participações, controladora desta última.

Wesley foi indiciado como autor do crime de manipulação de mercado e “como partícipe no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado por Joesley com abuso de poder de controle e administração, em relação aos eventos relativos à venda e compra de ações da JBS S/A”.

O relatório final da Polícia Federal na Tendão de Aquiles foi entregue ao Ministério Público Federal. Segundo o documento, com a assinatura do compromisso de delação premiada, os irmãos tiveram a certeza de que aquele documento “era impactante” e a informação poderia ser utilizada no mercado. Na semana passada, a Justiça federal bloqueou os bens e e valores da família Batista.

Protesto contra Gilmar Mendes em São Paulo tem "tomataço"



Um protesto organizado pelo grupo autonomeado Tomataço sujou de tomates a calçada em frente ao Instituto de Direito Público de São Paulo (IDP-SP), faculdade da qual é sócio o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. No momento do protesto, a instituição, localizada na Bela Vista, região central da cidade de São Paulo, realizava o seminário “Reforma Política: Avanço ou Retrocesso?”, que tinha na mesa de abertura o ministro e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Pelas redes sociais, o Tomataço convocou seus apoiadores a comparecerem ao movimento nesta segunda-feira, “na faculdade do Gilmar Mende$”, com a letra final do nome do magistrado sendo substituída por símbolo de cifrão. Nas imagens, os militantes do grupo exibem as frutas podres que vão ser utilizadas no protesto, doadas pelos “patriotas do Ceasa”, centro de compra e venda de hortaliças e vegetais da cidade de São Paulo.

Voltado a discutir as mudanças na legislação eleitoral aprovadas na semana passada pelo Congresso Nacional e sancionadas no último sábado pelo presidente Michel Temer (PMDB), o evento conta também com as presenças do senador José Serra (PSDB-SP) e do ministro Tarcísio Carvalho Neto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O protesto chegou a parar o trânsito em uma quadra da rua Itapeva, onde está sediado o IDP-SP. Em sua página no Facebook, o Tomataço diz ser a favor da “renúncia de todos”, além de realizar postagem defendendo as Forças Armadas e a Operação Lava Jato.

Lula diz em Brasília: "Não tenho cara de demônio, mas me respeitem como se fosse"


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão em primeira instância, o grande chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula disse nesta segunda-feira (9) que está “lascado”, mas afirmou esperar “desculpas” do juiz Sérgio Moro. Em um ato em defesa das universidades públicas, em Brasília, Lula subiu o tom contra a Lava Jato e desafiou seus acusadores a ver o que acontecerá no País se o impedirem de ser candidato ao Palácio do Planalto em 2018.

“Eu sei que eu estou lascado. Todo dia tem um processo. Não quero nem que o Moro me absolva, só quero que peça desculpas”, declarou o ex-presidente. Muito aplaudido pela plateia, que o chamava de “guerreiro do povo brasileiro”, Lula prosseguiu em sua ofensiva. “Eles agem todo santo dia para me tirar da disputa. Obviamente que eles podem. Juntam meia dúzia de juiz e votam. Não me deixam ser candidato e pronto. Se eles acham que, me tirando da disputa, está resolvido o problema deles, façam e vamos ver o que acontece no País. Se acham que não vou ter força para ser cabo eleitoral, testem".

Em quase quarenta minutos de discurso, Lula ressuscitou a narrativa do “nós contra eles”, afirmou não poder mais aceitar tantas “mentiras” e disse não ter medo da Lava Jato. Argumentou ainda que, se o objetivo da Lava Jato é não deixá-lo ser candidato, os investigadores não deveriam deixar “o povo sofrer” por causa disso. 

Acompanhado do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad – que já chegou a ser apontado como plano B do PT na eleição de 2018 -, Lula provocou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e disse que os petistas devem fazer o oposto do que ele faz. “Se o Bolsonaro agrada ao mercado, nós do PT temos de desagradar ao mercado”, insistiu o ex-presidente. 

Pré-candidato à Presidência, Bolsonaro está em segundo lugar nas pesquisas, empatado com a ex-senadora Marina Silva (Rede). Lula lembrou que, em várias campanhas eleitorais, o prédio da Bolsa de Valores de São Paulo fechava as portas, quando havia uma passeata do PT nas redondezas, porque o consideravam um demônio. “Eu não tenho cara de demônio, mas quero que me respeitem como se eu fosse. Eles sabem que, comigo, a economia brasileira não vai ficar mais subordinada ao rentismo”, provocou o petista. 

Sobraram, ainda, estocadas para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Não concordo com tudo o que acontece na Venezuela, mas concordo menos com o ‘seu’ Trump cuidando da Venezuela". Gritos de “Fora Temer” marcaram o ato, que reuniu cerca de 400 pessoas no Centro Internacional de Convenções. “Espero que em 1º de janeiro de 2019 esse pesadelo chamado Temer acabe e o senhor assuma para dar a volta por cima e para colocar o Brasil na rota de desenvolvimento”, disse Haddad.

A cúpula do PT pretende manter a candidatura de Lula à Presidência até serem esgotados todos os recursos jurídicos, mesmo que ele seja condenado em segunda instância e vire ficha suja. Nesse cenário, Haddad só será uma opção em último caso. Por enquanto, o ex-prefeito e ex-ministro da Educação pretende concorrer ao Senado.

Logo que o ex-presidente entrou no auditório do Centro Internacional de Convenções, um pequeno grupo gritou bem alto “Lula, ladrão!”. Diante de olhares perplexos, os petistas completaram: “Lula, ladrão, roubou meu coração!”. Foi um alívio geral.

Moody’s altera perspectiva do sistema bancário para negativa



A agência de classificação de risco Moody’s alterou a perspectiva do sistema bancário brasileiro de estável para negativa e afirmou que o movimento reflete o risco de que as incertezas políticas possam causar deterioração adicional dos fundamentos financeiros dos bancos, em especial os riscos de ativos e a rentabilidade. Embora a agência espere a continuidade da recuperação econômica brasileira, apoiada pela inflação mais baixa e pelos cortes na taxa de juros, “o crescimento permanecerá fraco”.

A Moody’s prevê o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 0,5% neste ano e em 1,5% no próximo ano. “Em consequência, embora os bancos estejam saindo da recessão econômica, com risco de ativos administrável, não antecipamos uma redução material na inadimplência”, afirmou. Para a Moody’s, apesar do alívio que a inflação e os juros mais baixos ofereçam à capacidade de pagamento dos tomadores, “a inadimplência seguirá alta nos próximos 12 a 18 meses devido aos níveis ainda elevados de desemprego e resultados corporativos fracos”.

De acordo com a vice-presidente sênior da Moody’s Ceres Lisboa, que é a principal autora do relatório, “nos últimos três meses, houve sinais iniciais de uma recuperação na concessão de crédito, mas o apetite por risco dos bancos permanece contido, enquanto a demanda por crédito corporativo é limitada, uma vez que os grandes tomadores continuam focados na de alavancagem em vez de em investimento devido à significativa capacidade ociosa”.

Segundo a agência, a posição de liquidez dos bancos permanecerá robusta e as necessidades de captação continuarão limitadas. Além disso, a Moody’s afirmou que a perspectiva negativa para o sistema bancário reflete a perspectiva negativa do rating soberano do Brasil.

MPF acusa apontado de entregar propina de mentir em depoimento



Em oitiva de acusação realizada nesta segunda-feira pela manhã em Curitiba, o MPF acusou de mentira o taxista Marcelo Marques Casimiro, apontado como encarregado de entregar propina da Odebrecht ao ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine. Ao passar a palavra ao juiz Sergio Moro, o procurado disse haver “evidências claras” que ele não falava a verdade. Tudo isso porque o taxista mudou alguns termos de um depoimento anterior prestado a Polícia Federal.  Em depoimento aos investigadores naquela ocasião, ele confirmou ter recebido, a pedido de Antônio Carlos, apontado como operador de Bendine, “pacotes fechados de plástico”. Nesta segunda-feira ele negou ser próximo do empresário.

Nuzman tentou usar R$ 5,5 milhões da Rio-2016 para pagar advogado



Ao pedir a prisão preventiva do presidente afastado do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, o Ministério Público Federal afirma que ele tentou usar a estrutura da instituição “em benefício próprio”, ao propor que os honorários do escritório do advogado criminalista que o defende fossem pagos com dinheiro do Comitê Organizador das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Nuzman foi preso temporariamente na segunda fase da Operação Unfair Play, que investiga compra de votos para fazer do Rio a sede dos Jogos de 2016.

Entre os documentos apresentados pelos procuradores a Bretas, estão e-mails trocados entre Carlos Nuzman e Mário Andrada, diretor de comunicação do comitê Rio-2016, nos quais o dirigente pediu que fosse paga uma nota fiscal no valor de 5,5 milhões de reais emitida pelo escritório do advogado Nelio Machado. O comitê da Rio-2016 deve cerca de 120 milhões de reais a fornecedores.

Apreendidos na primeira fase da Unfair Play, os e-mails foram enviados entre os dias 25 e 29 de setembro, cerca de vinte dias depois da deflagração da operação. Na ocasião, Nuzman foi conduzido coercitivamente a depor à Polícia Federal.

Na primeira mensagem enviada a Andrada, no dia 25 de setembro, o dirigente orienta que “face a urgência”, a nota fiscal deveria ser paga. A ordem foi dada antes da aprovação da despesa no conselho do comitê. “Esse assunto será levado a deliberação do Conselho Diretor Rio 2016 no dia 27 de setembro de 2017”, completou o dirigente.

Quatro dias depois, já no dia 29, Nuzman informa o subordinado sobre a autorização do pagamento. “A Diretoria Estatutária do Comitê Rio 2016 deliberou, em reunião realizada no dia 27 de setembro passado, aprovar o contrato de prestação de serviços advocatícios com o escritório Nelio Machado Advogados. O pagamento da quantia contratada, no valor de R$ 5.500.000,00, está autorizado e deve ser realizado e efetivado”, diz Carlos Nuzman.


No pedido de prisão preventiva de Carlos Arthur Nuzman, os procuradores do MPF afirmam que o e-mail “demonstra o poder que Carlos Nuzman ainda exercia junto ao Comitê Olímpico Brasileiro” e que ele “continua a atuar em benefício próprio, usando os instrumentos do Comitê Olímpico Brasileiro, bem como sua influência sobre as pessoas que lá trabalham”.

Ao decretar a prisão preventiva do dirigente, o juiz Marcelo Bretas diz que, aparentemente, Nuzman está usando recursos do COB “para fazer face a despesas pessoais” e indaga: “qual seria a urgência mencionada pelo investigado em seu e-mail que não a sua defesa em possíveis medidas cautelares pessoais no futuro?”

Apesar da informação, pelo próprio Nuzman, de que o pagamento estava autorizado e deveria ser efetuado, o comitê Rio-2016 disse que os conselheiros voltaram atrás na decisão diante da desaprovação da área de governança e que a nota fiscal foi cancelada. O escritório de Nelio Machado informa que não recebeu o valor e cancelou a nota porque a decisão do conselho do comitê sobre o pagamento não foi unânime. A banca ainda afirma que os honorários seriam pagos em relação a serviços prestados ao COB e ao comitê Rio-2016, e não a Carlos Nuzman.

Juiz decreta prisão preventiva de Carlos Nuzman



O juiz federal Marcelo Bretas atendeu ao pedido do Ministério Público Federal e converteu a prisão temporária do presidente afastado do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, em prisão preventiva. Com a decisão do magistrado, Nuzman não tem mais prazo para deixar a cadeia. No mesmo despacho, Bretas também determinou a prorrogação da prisão temporária de Leonardo Gryner, ex-executivo do Comitê Rio-2016, por mais cinco dias. 

Carlos Nuzman e Gryner são investigados pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro por supostamente terem intermediado um pagamento de 2 milhões de reais a Lamine Diack, presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), que, em troca do dinheiro, votaria pela candidatura do Rio a sede da Olimpíada de 2016 e influenciaria outros membros africanos do Comitê Olímpico Internacional (COI) a fazer o mesmo. 

Conforme as apurações, o pagamento foi feito a Papa Massata Diack, filho do dirigente, pelo empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, o “Rei Arthur”, cujas empresas chegaram a ter 3 bilhões de reais em contratos com o governo do Rio de Janeiro durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Alvo da primeira fase da Unfair Play, assim como Nuzman, Soares vive em Miami e é considerado foragido pelas autoridades brasileiras. 

Na decisão, em que afirma que a prisão preventiva do dirigente é “indispensável”, Marcelo Bretas concordou com a argumentação dos procuradores de que, em liberdade, Nuzman poderia atuar para embaraçar as investigações. 

Além da possível obstrução de Justiça apontada pelo juiz, Bretas ainda entende que o presidente do COB teria, por meio de uma declaração retificadora à Receita Federal, tentado dar aparência legal a bens adquiridos ilegalmente. Na nova declaração ao fisco, após ser alvo da primeira fase da Operação Unfair Play, Carlos Nuzman informou a posse de 16 barras de ouro de um quilo cada, mantidas em um cofre em Genebra, Suíça. O MPF afirma que ele poderia manter no país europeu valores ainda maiores do que o estimado em ouro. 

Marcelo Bretas cita na decisão e-mails que, conforme os investigadores, mostram uma tentativa de Carlos Nuzman de usar dinheiro do Comitê Organizador das Olimpíadas do Rio para pagar 5,5 milhões de reais ao escritório do advogado criminalista Nelio Machado, que defende o cartola criminalmente. “Ao que parece, Carlos Nuzman estaria utilizando recursos do Comitê Olímpico Brasileiro – COB para fazer face a despesas pessoais, já que o advogado Nélio Machado o representa pessoalmente nos processos criminais em curso neste Juízo”, pontua o juiz federal. 

Ao concluir as determinações sobre Nuzman, Bretas diz que, em se confirmando as suspeitas do MPF sobre Nuzman, “estaremos diante de graves delitos de organização criminosa e de lavagem ou ocultação de ativos”. 

No despacho, o magistrado também impõe ao COB e ao comitê Rio-2016 que forneçam, em um prazo de 24 horas, a íntegra do conteúdo da caixa de e-mails de Maria Celeste de Lourdes Campos Pedroso. Ex-funcionária do COB, ela recebeu mensagens de Papa Diack com cobranças pelos pagamentos combinados com Carlos Nuzman e Leonardo Gryner.

Lançamento de frente parlamentar pelo jogo reunirá investidores



Marcado para o próximo dia 18, o lançamento da frente parlamentar pela legalização do jogo no Brasil terá a presença de investidores portugueses e americanos. Cerca de 50 deputados também já confirmaram que estarão no plenário em apoio ao projeto.

Investigação do MPF pode levar à rescisão de leniência da J&F



O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília abriu na sexta-feira investigação para avaliar eventual descumprimento do acordo de leniência firmado com a holding J&F, segundo despacho obtido pela Reuters. A investigação tem prazo de um ano e corre sob sigilo. A investigação pode resultar em aditamento aos termos do acordo, com o grupo assumindo responsabilidade por crimes constatados, uma repactuação, a rescisão ou mesmo a manutenção do acordo. O procedimento foi instaurado, segundo o documento, em razão de fatos ocorridos na delação premiada de executivos do grupo. 

O documento cita o pedido de rescisão do acordo de colaboração premiada feito pela Procuradoria-Geral da República contra Joesley Batista e Ricardo Saud por suposta omissão de informação na delação, motivo que os levou a prisão cautelar. Outro fato relatado é a suspeita de uso de informação privilegiada, que também culminou em decretos de prisão contra Joesley e seu irmão Wesley Batista. O despacho cita ainda novos áudios gravados por delatores do grupo, que foram tornados públicos também com suspeita de ocultação de informações. 

“Esses fatos, analisados ainda em juízo meramente delibatório, podem atrair consequências na leniência e que é objeto deste procedimento administrativo, ante a existência de cláusulas explícitas que versam sobre omissão e sonegação de informações ligadas a fatos sobre os quais a colaboradora se obriga a cooperar, bem como cláusula explícita que estabelece o princípio da boa-fé contratual”, diz o despacho. 

O acordo assinado no dia 31 de maio entre o MPF e o grupo prevê o pagamento, em 25 anos, e multa recorde de 10,3 bilhões de reais por atos praticados por controladas da J&F. Depois,foi homologado pela Câmara de combate à Corrupção do órgão e ratificado pela Justiça Federal no Distrito Federal. 

Contudo, em 11 de setembro a Justiça decidiu suspender parte dos efeitos da leniência da J&F até uma decisão final do STF sobre a validade do acordo de delação premiada dos executivos do grupo. A decisão atingia repercussões penais que podiam envolver pessoas ligadas ao grupo, mas os efeitos civis da leniência continuavam válidos. 

O novo despacho do MPF destaca que, por ora, não há qualquer suspensão da leniência e que até uma manifestação final o grupo e as empresas controladas que tenham aderido ao acordo seguem “gozando todos seus efeitos legais e contratuais” até que haja uma decisão fundamentada sobre o caso. 

Para instruir a investigação, a Procuradoria da República no DF determinou o pedido de informações para PGR, a Procuradoria da República em São Paulo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O MPF determinou encaminhar ofícios para Controladoria-Geral e o Tribunal de Contas da União, CVM, Previc, BNDES, Caixa Econômica Federal, Petros e Funcef, para que manifestem interesse em participar da discussão com a J&F de eventual aditamento do acordo firmado.

Raquel Dodge defende prisões de Joesley Batista e Ricardo Saud


Afirmando que o empresário Joesley Batista tem “impulso voltado a praticar crimes capazes de aumentar o seu poder econômico”, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira parecer favorável à manutenção das prisões preventivas de Joesley e do ex-diretor de relações institucionais da JBS Ricardo Saud. O relator, ministro Edson Fachin, que determinou as prisões, pediu a opinião da Procuradoria-geral da República depois que os investigados recorreram de sua decisão.

Raquel Dodge afirma que a soltura de ambos traria risco à investigação e à instrução criminal, à ordem pública e à aplicação da lei penal. A procuradora-geral entende que o empresário é “integrante de organização criminosa dotada de elevado poderio econômico” e destaca a suspeita de Joesley ter se valido de informações privilegiadas para fazer operações no mercado financeiro.

“Há claras evidências de omissão de fatos graves, do ajustamento de depoimentos e declarações, além da apresentação de provas e fatos ainda não revelados às autoridades, apenas no momento mais oportuno para defesa”, escreveu Raquel Dodge na manifestação ao STF.

Para a chefe do Ministério Público Federal, a liberdade de Joesley Batista representaria risco de fuga e de ocultação de provas no Exterior. “Não se pode olvidar, também, que o grande poder econômico do recorrente – que conta com propriedades, contas e residência no exterior – evidencia uma clara possibilidade de ocultação de bens e provas no estrangeiro, além de um fundado risco de fuga, o que representaria embaraço evidente à aplicação da lei penal”, sustenta Raquel Dodge.

Ela afirma, ainda, que há indícios de omissão intencional, premeditada e de má-fé de fatos, incluindo a participação do ex-procurador da República Marcello Millerenquanto ainda ocupava o cargo público. “As evidências encontradas não dizem respeito apenas à possível atuação ilícita do ex-Procurador da República Marcello Miller, o áudio e seu conteúdo demonstram, também, que os colaboradores estão agindo de forma orientada e que seus depoimentos buscam esclarecer de forma homogênea apenas os fatos que lhes interessam expor”.

Sobre Ricardo Saud, Dodge diz que omissão atribuída a ele na delação premiada “é referente ao possível conhecimento de fatos ilícitos que teriam sido praticados por terceiras pessoas, as quais teriam prestado serviços à organização criminosa, e que nunca foram informados às autoridades competentes”.

A procuradora-geral da República destaca a cidadania paraguaia de Saud para sustentar, também no caso dele, a possibilidade de fuga e ocultação de provas. “Não se pode olvidar, também, que o poder econômico ostentado pelo recorrente e o fato de ter cidadania paraguaia – mantendo, inclusive no Paraguai, conta bancária não informada às autoridades brasileiras – evidencia uma clara possibilidade de ocultação de bens e provas no estrangeiro, além de um fundado risco de fuga, o que representaria embaraço evidente à aplicação da lei penal”, afirma Raquel Dodge.

Ancara pede a Washington que retire a suspensão de vistos


Autoridades turcas exortaram os Estados Unidos nesta segunda-feira a voltar atrás em sua decisão de suspender a concessão de vistos aos cidadãos do país, tomada no último domingo. A medida foi determinada em um contexto de crescentes tensões entre os dois países, sócios na Otan. 

A Turquia convocou um dos principais diplomatas americanos em Ancara, Philip Kosnett, para uma reunião no Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira, para pedir a suspensão da decisão e sinalizar que ela abre caminho para uma “escalada inútil” das tensões. 

Horas mais tarde, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em visita a Kiev, se declarou “penalizado” com a decisão americana. “É claro que, antes de mais nada, esta decisão realmente nos penaliza”, disse durante uma coletiva conjunta com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko. 

O embaixador americano na Turquia, John Bass, assegurou em um vídeo divulgado nesta segunda à noite que a decisão dos Estados Unidos não foi tomada por impulsos. “Esperamos que isso não dure, mas neste momento não podemos prever quanto tempo será necessário para resolver essa questão”, afirmou. 

Washington suspendeu no domingo de maneira imediata a concessão de vistos, exceto os de imigração, em todas as suas missões diplomáticas na Turquia, dias depois da prisão de um funcionário local do consulado em Istambul, acusado de “espionagem”. Horas depois a Turquia anunciou estar adotando as mesmas medidas contra cidadãos americanos. 

Este brusco agravamento das relações repercutiu com força nos mercados: a Bolsa de Istambul abriu esta segunda-feira com baixa de 4%, e a libra turca era cotada a 3,71 por dólar (diante dos 3,61 de sexta-feira), após alcançar o máximo de 3,92. 
Crise 

As relações entre Ancara e Washington vêm sendo abaladas há tempos por discórdias a respeito do apoio dos Estados Unidos a combatentes curdos na Síria, pelos clamores turcos para a extradição do clérigo Fetullah Gülen e pelo indiciamento de um ex-ministro turco em um tribunal americano. 

Mas a prisão de um funcionário turco do consulado americano em Istambul na semana passada abalou ainda mais o relacionamento. A Turquia disse que o funcionário tem laços com Fetullah Gülen, que Ancara culpa por um golpe militar fracassado em julho de 2016. 

Ao anunciar a suspensão de vistos, os Estados Unidos não mencionaram este caso explicitamente, mas declararam que devem reavaliar “o compromisso” da Turquia a respeito da segurança da equipe de suas delegações diplomáticas. Por sua vez, o ministro turco da Justiça, Abdulhamit Gül, assinalou que “tem o direito de julgar um cidadão turco por atividades realizadas” no país.

Só no dia 17 o governo gaúcho quitará o total da folha de setembro

A secretaria da Fazenda avisou que nesta terça-feira fará novos pagamentos do salário do funcionalismo. Na data, devem receber integralmente os servidores com salário líquido de até R$ 4 mil, com o que 76% do funcionalismo estará com os vencimentos quitados. 90% do magistério, 144 mil servidores, terão sido pagos. Nesta segunda-feira o governo do Estado realizou o depósito dos salários de quem ganha até R$ 2,5 mil líquidos. Para o restante do funcionalismo, será necessário aguardar mais. A previsão de pagamento para quem recebe acima de R$ 4 mil é para o dia 17.

Juiz Sérgio Moro manda Lula apresentar originais dos recibos de aluguel que diz ter pago


O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta segunda-feira que os advogados do ex-presidente Lula esclareçam se possuem os documentos originais dos recibos que comprovam o pagamento de aluguéis de um apartamento vizinho ao que Lula mora, em São Bernardo do Campo. Caso existam, o juiz determinou que sejam entregues. Os procuradores da Lava Jato afirmaram que os recibos entregues são "ideologicamente falsos". A defesa defende realização de perícia. Os recibos apresentam distorções gritantes, como erros de data e semelhança de texto, mas além disto, o suposto locatário diz que não recebeu nada e assinou os recibos sem ver.

Advogado diz que falta limites à imprensa


"Toque em um de nós e nos tocará a todos", disse o advogado Luiz Flávio D'Urso nesta segunda-feira (9), em ato de desagravo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ao criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. O encontro em São Paulo reuniu alguns dos principais defensores do País, em uma crítica ao vazamento à imprensa de trechos da delação do corretor Lúcio Funaro que envolviam Mariz. 

Estavam lá Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula, Pierpaolo Bottini e Antônio Cláudio de Almeida e Castro, o Kakay, defensores, entre outros, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Além de presidentes e representantes de entidades como o IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) e o Instituto dos Advogados do Brasil. 

O tom geral era de insatisfação com uma reportagem do jornal "O Globo", depois reproduzida pelo Jornal Nacional, que relatava trecho da delação premiada de Funaro. Funaro, tido como operador de Eduardo Cunha, disse ter se reunido no escritório de Mariz, então seu advogado, para tratar de uma delação premiada combinada com os executivos da JBS. 

Advogado de Michel Temer, Mariz representou o presidente na primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o peemedebista. Na segunda denúncia, que leva em conta o depoimento de Funaro, ele deixou a defesa de Temer. Para a OAB, a reportagem com o vazamento do depoimento do relator violou as prerrogativas do exercício da advocacia ao divulgar o conteúdo de uma suposta conversa sigilosa entre o profissional e seu cliente. 

Em seu discurso, Mariz fez críticas à "falta de limites e peso" da imprensa e disse haver um "conluio entre a imprensa e a cultura punitiva". "A imprensa se tornou o arauto dessa conduta punitiva", afirmou ele. Depois, a jornalistas, ele afirmou que não se referia especificamente a reportagens sobre a Operação Lava Jato, mas de uma prática que disse ser histórica. "Por que entendem os jornalistas que o direito à informação é ilimitado?", disse o advogado. Mariz afirmou que a mídia "está necessitando de reflexão", precisa entender que não existe um direito absoluto à informação sem que se respeitem outros direitos. 

Marcos da Costa, presidente da seccional paulista da OAB, mencionou em seu pronunciamento dispositivo em vigor em países como os EUA que permite anular julgamentos que foram influenciados pela exposição do caso na mídia. A OAB pretende debater o assunto.

Supremo nega pedido para Senado analisar impeachment de Gilmar


O Tribunal Federal negou na quinta-feira (5) um recurso para analisar um pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes. O caso foi levado ao Supremo em janeiro por um grupo de advogados, que entrou com um mandado de segurança contestando decisão do então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, em setembro de 2016, arquivou um pedido de impeachment contra Gilmar. Para os juristas, Renan não poderia "arquivar sumariamente o pedido de impeachment: a) por não ter competência legal para tanto, eis que tal competência é da Mesa do Senado; b) por estar legalmente impedido (por suspeição) de praticar o ato hostilizado". Segundo eles, o ato deveria ser anulado e reavaliado. 

O documento é assinado por Celso Antonio Bandeira de Mello, Fabio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha, Eny Raimundo Moreira, Roberto Átila Amaral e Alvaro Augusto Ribeiro Costa. Relator do caso, Edson Fachin negou o pedido do grupo, que recorreu. Para Fachin, "embora os impetrantes discordem das conclusões a que chegou o então presidente do Senado, não cabe a esta corte rever seu mérito, apenas verificar a legalidade dos atos e dos procedimentos por ele praticados, no exercício legítimo de sua função constitucional". O caso foi julgado no plenário virtual do STF entre os dias 29 de setembro e 5 de outubro. Gilmar Mendes não participou e nem o ministro Marco Aurélio, que se declarou suspeito. Os outros ministros votaram contra o prosseguimento da ação.

Parecer sobre denúncia contra Temer deverá ser apresentado nesta terça-feira


O parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu "Fodão" Padilha (Casa Civil) e Moreira "Angorá" Franco (Secretaria-Geral) deverá ser lido nesta terça-feira (10) à tarde na Comissão de Constituição e de Justiça da Câmara. A previsão foi feita nesta segunda-feira (9) pelo deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais articuladores de governo, após conversar com Andrada.

Mesmo com a previsão de entrega do parecer somente na parte da tarde desta terça-feira, o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), confirmou a realização da reunião da comissão às 10h. Segundo a assessoria da CCJ, mesmo que o relatório não seja apresentado pela manhã, a comissão tem uma pauta para deliberar inclusive sobre questões de Ordem relacionadas ao trâmite da denúncia. O relator da denúncia tem reclamado do pouco tempo que dispõe para analisar as mais de mil páginas que compõem a peça acusatória elaborada pela Procuradoria-Geral da República e também pelas defesas dos acusados.

O presidente da CCJ já afirmou que após a leitura da peça irá conceder vista coletiva do relatório por duas sessões plenárias da Câmara. Com isso, a discussão e votação do parecer de Andrada na comissão deverá ser iniciada na terça-feira da próxima semana (17). Após a apresentação do parecer, os advogados dos três acusados poderão se manifestar oralmente para expor os argumentos da defesa contra a denúncia. Qualquer que seja o parecer do relator sobre a denúncia e o resultado da votação na CCJ, a decisão final será tomada em votação no plenário da Casa. Para que a Câmara autorize o Sipremo Tribunal Federal (STF) a iniciar as investigações, são necessários o mínimo de 342 votos favoráveis dos deputados.

Captação líquida de fundos cresce 166% até setembro e bate recorde

A captação líquida - diferença entre aplicações e resgates - do setor de fundos de investimento alcançou R$ 220,7 bilhões até setembro e bateu seu recorde histórico, informou a Anbima (associação das entidades de mercado) nesta segunda (9). O número representa aumento de 165,9% em relação ao mesmo período de 2016, quando os fundos captaram R$ 83 bilhões. 

O setor encerrou setembro com R$ 4 trilhões de patrimônio líquido distribuído em 15.740 fundos. Só no terceiro trimestre, a captação somou R$ 90,1 bilhões, alta de 137,1% ante igual intervalo do ano passado. Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima, atribui o resultado histórico aos primeiros sinais de que a economia brasileira está se recuperando. 

"Destaque para os fundos de ações e multimercados, que ganharam atratividade nesse contexto de juros em queda. Com o cenário econômico mais benigno, a gente cada vez mais enxerga apetite maior a risco e uma demanda maior por esses dois produtos", ressalta. 

As pessoas físicas tiveram papel relevante nessa recuperação, segundo os dados da Anbima. Até agosto, a captação líquida do segmento varejo era de R$ 65,9 bilhões (29,8% do total de R$ 221,1 bilhões). Os private, que são pessoas físicas de alta renda, respondiam por R$ 61,4 bilhões (27,8%). "As pessoas físicas foram muito importantes para a indústria e vão continuar sendo daqui para a frente, quando tivermos um patamar de juros mais baixo. Com isso, a demanda por fundos de ações e multimercados vai crescer ainda mais, assim como investimento no Exterior", ressalta Ambrósio. 

Por categorias, a renda fixa recebeu o maior fluxo até setembro, para R$ 88,4 bilhões, aumento de 170,3% em relação ao mesmo período de 2016. Os multimercados ficaram em segundo lugar, com total de R$ 75,5 bilhões – aumento de 384% na comparação com o mesmo intervalo de 2016. 

Os fundos de ações saíram de captação negativa de R$ 2,1 bilhões até setembro do ano passado para saldo positivo de R$ 4,6 bilhões no mesmo período deste ano. "Vemos um espaço grande para small caps (ações de empresas com menor valor de mercado), assim como fundos de gestão ativa e livres, que entregam retornos superiores aos índices de Bolsa", diz o vice-presidente da Anbima. Por outro lado, a captação em fundos de previdência, que deveria ganhar força com a discussão da reforma, teve apenas leve aumento: 1,4%. 

"A indústria de Previdência teve um começo de ano mais difícil do que anos anteriores, mas vem se recuperando no ultimo trimestre. O começo do ano teve muita indefinição, e isso impactou a captação desses produtos. Mas no último trimestre essa demanda voltou", ressalta Ambrósio. Outro reflexo da queda de juros é sobre as taxas de administração cobradas pelos gestores de fundos. Segundo Ambrósio, há um movimento de queda principalmente naqueles que têm gestão passiva.

Suiça apreende o ouro do cartola Nuzman e confirma a existência de "vários quilos escondidos"


A polícia de Genebra abriu nesta segunda-feira o cofre alugado por Carlos Arthur Nuzman na cidade suíça e confirmou a existência de "vários quilos de ouro" escondidos pelo brasileiro, ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), preso na semana passada sob suspeita de corrupção durante o processo de votação que elegeu o Rio sede da Olimpíada de 2016. As barras foram apreendidas pelas autoridades locais. Elas são avaliadas em R$ 2 milhões.

Sem dar detalhes do que encontraram, as autoridades confirmam que policiais foram até o local designado, abriram o cofre e emitiram uma ordem para que nada que esteja dentro do cofre possa ser retirado dele. O ouro estava no Port Francs de Genebra, um armazém usado para guardar obras de arte, peças raras e verdadeiras fortunas. Implicado em escândalos no passado, o local garantiu nesta segunda-feira que foram eles quem informaram às autoridades sobre a existência de um cofre em nome de Nuzman, assim que a referência ao brasileiro foi feita na imprensa. "No momento que descobrimos na sexta-feira que essa pessoa (Nuzman) alugava um cofre em nossa empresa, imediatamente informamos ao Ministério Público de Genebra", disse Alain Decrausaz, diretor-geral do armazém.

A declaração contradiz o que os representantes da companhia disseram na semana passada. Funcionários de alto escalão alertaram por telefone que, enquanto a polícia não entrasse em contato, qualquer pessoa com uma procuração de Nuzman poderia retirar as barras de ouro. No Brasil, o Ministério Público indicou que as barras somariam um total de 16 quilos. Mas não excluem a possibilidade de que o cofre possa conter até mais recursos.

Além do desembarque da polícia ao armazém, o Ministério Público da Suíça indicou também que aceitou o pedido de cooperação para investigar e bloquear as contas de Nuzman. Todas as transações do brasileiro estão sendo coletadas e os extratos bancários serão repassados aos investigadores brasileiros. O objetivo é o de identificar todos os depósitos e transferências, na esperança de traçar a "rota do dinheiro". Se os dados seguirão ao Brasil, as barras de ouro e o dinheiro em suas contas apenas podem ser repatriados quando Nuzman for condenado em último grau.

Em um breve comunicado, Berna indicou nesta segunda-feira que "pode confirmar que o pedido de cooperação do Brasil está sendo atualmente executado". De acordo com pessoas envolvidas no caso, no Brasil, a ação envolveria o congelamento de todos os ativos do dirigente e um mapeamento de todas suas transações nos bancos locais. Pela cooperação com a Suíça, os bancos são obrigados a repassar todos os extratos bancários que, então, poderão alimentar a investigação no Brasil e França. A ação também exige o bloqueio dos bens do dirigente.

No dia 28 de setembro, os procuradores brasileiros encaminharam um pedido aos suíços para que as contas fossem bloqueadas, assim como o ouro mantido por Nuzman em Genebra. No dia 5 de outubro, dia da prisão do dirigente, o Departamento de Justiça deu o primeiro sinal verde para a cooperação e encaminhou a documentação para a "execução" por parte do Ministério Público de Berna. Dentro do sistema de cooperação, a aprovação inicial é considerada como um passo decisivo. Agora, os procuradores suíços deram prosseguimento. ao caso.

O trabalho dos investigadores agora é o de traçar a "rota" da fortuna do brasileiro. Documentos e envelopes encontrados durante a operação policial na casa de Nuzman, em setembro, revelaram que o brasileiro não apenas mantinha dinheiro vivo em sua residência em diversas moedas, mas também guardava informação sobre contas na Suíça.

No dia 27 de junho de 2014, Nuzman escreveria para Laetitia Theophage, funcionária da Federação Internacional de Atletismo, um e-mail no qual colocava seus dados de uma conta na Suíça. Tratava-se de um depósito que deveria ser realizado no banco Societe General Private Banking, instituição financeira dedicava a administrar grandes fortunas.

Laetitia era a assistente pessoal do então presidente da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (Iaaf), o próprio Lamine Diack, investigado por corrupção e hoje detido. Com a conta bancária número 1720399, ele indicava para onde a Iaaf deveria fazer um depósito. O local do banco também é revelador: Lausanne, cidade sede do COI e para onde Nuzman viajou com grande frequência entre 2009 e 2016, durante a preparação do Rio de Janeiro.

Em seu pedido de habeas corpus, Nuzman indicou que a conta servia para receber pagamentos de trabalhos realizados para a Iaaf e suas despesas. O brasileiro chegou a ser membro do Conselho de Ética da entidade. Agora, um dos trabalhos dos investigadores será o de apurar se a conta em nome de Nuzman serviu para algum outro objetivo. Para isso, o Ministério Público Federal espera a cooperação da Suíça. Um fluxo ainda importante de dinheiro passou pelos Estados Unidos e pelo Caribe, o que exigiu a cooperação da Justiça americana e da Grã-Bretanha.