domingo, 15 de outubro de 2017

Morre o comuno-petista Ricardo Zarattini, libertado em troca do embaixador americano sequestrado por terroristas



Morreu neste domingo (15) o ex-terrorista e ex-deputado federal comuno-petista Ricardo Zarattini. Engenheiro, foi um dos 15 presos políticos soltos, em 1969, em troca da libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Pai do líder do PT na Câmara, o deputado federal Carlos Zarattini, e irmão do ator Carlos Zara (1930-2002), ele tinha 82 anos e estava internado havia dez dias na UTI do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. 

Ricardo Zarattini tinha câncer na medula e sofria das intercorrências provocadas pela doença. O enterro será na tarde desta segunda-feira (16). Líder estudantil aos 16 anos, o político foi um dos participantes da campanha "O Petróleo é Nosso", que culminou com a criação da Petrobras. 

Ex-integrante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), foi preso pela primeira vez no dia 10 de dezembro de 1968, em Pernambuco, três dias antes da decretação do AI-5, o Ato Institucional nº 5. Torturado, foi encarcerado no Quartel Dias Cardoso (PE). Em 1969, conseguiu fugir com a ajuda dos soldados aos quais dava aulas e que o apelidaram de "o professor". Ficou escondido por um mês no Convento das Doroteias, graças ao auxilio de dom Hélder Câmara. 

Voltou clandestinamente para São Paulo. Em julho, foi preso pela Oban (Operação Bandeirante). Detido e torturado na cadeira do Dragão por 14 dias, foi libertado em setembro daquele ano em troca do embaixador americano sequestrado por militantes de esquerda. No grupo dos 15 libertados, estava o bandido petista mensaleiro ex-ministro José Dirceu. Em 2013, na comemoração dos 78 anos, Zarattini fez um ato de desagravo aos petistas condenados no processo do Mensalão do PT. 

Ao comentar a morte do ex-deputado, o bandido petista mensaleiro José Dirceu lembrou ter convivido com ele em Cuba e como era conhecido: "velho Zara". Zarattini foi assessor de José Dirceu na Casa Civil, no primeiro ano do primeiro governo Lula, e assumiu uma vaga de deputado em 2004, já que era suplente de bancada. O ex-ministro o descreve como um homem dedicado "ao combate ao imperialismo". "Não tenho palavras para expressar minha gratidão ao companheiro Zara", escreveu o bandido petista mensaleiro José Dirceu. 

Zarattini tinha mobilidade e fala comprometidas em decorrência da doença e de torturas. Caminhando com auxílio de uma bengala e, no fim da vida, em cadeira de rodas, ele participava nos últimos tempos de atos em defesa do chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula. "Perdemos um grande companheiro, Ricardo Zarattini, revolucionário, socialista e petista", escreveu o ex-presidente do PT, o comuno-trotskista Rui Falcão. 

Zarattini iniciou sua militância política quando ainda era secundarista e foi presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo. Após sua libertação em troca do embaixador Elbrick, Zarattini foi para o México, Cuba e Chile. Em 1974, voltou ao Brasil clandestinamente. Em maio de 1978, foi novamente preso e torturado, sendo libertado no ano seguinte no processo de anistia. 

O ex-deputado foi o primeiro brasileiro a ter o banimento revogado, filiando-se em seguida ao PDT, de Leonel Brizola. Em 1993, a convite de Brizola, foi trabalhar na liderança do PDT na Câmara dos Deputados, onde permaneceu até 2002, mesmo depois de se filiar ao PT. Em 2002, concorreu pelo PT à Câmara. Como era suplente, assumiu uma vaga em 2004. Em 2013, foi inocentado de ser um dos responsáveis pela explosão de uma bomba no saguão do aeroporto do Recife, ocorrida em 1966. Documentos dos órgãos de segurança, apresentados pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, desvinculavam o político da acusação. Quem armou essa bomba foi um terrorista gaúcho que tinha aprendido a montar bombas no Exército e era canhoto. Sua autoria foi descoberta pelo laço que aplicou ào fecho da mala com bomba deixada no ságuão do Aeroporto de Guararapes.