sexta-feira, 24 de novembro de 2017

STJ nega liberdade a Adriana Ancelmo, a "Riqueza", ex-primeira-dama do Rio de Janeiro


A ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, negou nesta sexta-feira (24) pedido para revogar a prisão da ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, a "Riqueza" do ladrão peemedebista Sérgio Cabral, também conhecida como "Garota do Leblon". Adriana Ancelmo cumpria prisão domiciliar no apartamento do casal, no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (23) ela foi levada para o presídio de Benfica, onde Sérgio Cabral também está preso. A decisão de revogar a prisão domiciliar e restabelecer a prisão preventiva foi decidida nesta quinta-feira pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Os desembargadores atenderam a um pedido do Ministério Público.

Adriana Ancelmo foi presa em 2016, na Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. Em setembro, ela foi condenada a 18 anos e 3 meses de prisão pelo crime de lavagem dinheiro e por ser beneficiária do suposto esquema de corrupção comandado por Sérgio Cabral. A ex-primeira-dama chegou a passar algumas semanas presa no complexo de Gericinó, mas, com decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, teve concedida prisão domiciliar.

Agora é oficial, o Brasil é um país pardo


A população brasileira cresceu 3,4% entre 2012 e 2016, chegando a 205,5 milhões de habitantes, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua revelados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas que se declararam pardas subiu no período, de 45,3% para 46,7% do total, passando a ser a maioria no País.
Até 2014, a maior parcela da população era branca. Segundo os dados da Pnad, a proporção de brancos passou de 46,6% para 44,2% no período. A parcela de pessoas que se declararam negras também cresceu, de 7,4% para 8,2% do total.

A coordenadora da Pnad Contínua, Maria Lúcia Vieira, afirma que a tendência do crescimento da população parda já vinha sendo detectada há algum tempo. “O crescimento é natural por causa da miscigenação do País, e a questão da afirmação da cor pode explicar o fenômeno também”, disse ela. Desde 2007, as Pnads do IBGE vêm mostrando que a soma da população identificada como de pele preta e parda supera aqueles que se consideram brancos. 

Além do aumento total, a população seguiu envelhecendo em 2016. Na passagem de 2015 para o ano passado, 1 milhão de brasileiros entrou na faixa etária de 60 anos ou mais. Atualmente, eles são 14,4% dos 205,5 milhões da população nacional estimada pela Pnad Contínua. Em 2012, quando começa a série estatística da pesquisa, essa faixa etária respondia por 12,8% da população. Em quatro anos, são 4 milhões de brasileiros a mais na faixa acima de 60 anos, aumento de 16%. É como se todos os habitantes do Espírito Santo passassem a essa faixa, entre 2012 e 2016.  

Na outra ponta, o contingente populacional na faixa etária de zero a 9 anos encolheu 4,7%. São 1,3 milhão de crianças a menos nessa faixa. Com isso, o porcentual da população enquadrada nesses limites caiu de 14,1% em 2012 para 12,9% em 2016. 

Regionalmente, o Norte é onde a população é mais jovem. Lá, as pessoas com 60 anos ou mais representam 9,2% do total, comparado aos 17% da faixa etária de zero a 9 anos, conforme os dados de 2016. Só que a região Norte tem apenas 8,5% do total da população brasileira, com 17,427 milhões de habitantes. O menor contingente populacional está no Centro-Oeste, com 15,545 milhões de habitantes, ou 7,6% do total em 2016. A maior parte dos brasileiros (86,361 milhões de pessoas) vive no Sudeste. 

Além disso, conforme os dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE, as mulheres representavam 51,5% do total de 205,5 milhões. Os homens respondiam por 48,5% do total. Segundo o IBGE, não foi verificada alteração nestas participações entre 2012 e 2016.

Procuradora geral Raquel Dodge pede a condenação da petista Gleisi Hoffmann e perda de seu mandato

A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, pediu que a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, seja condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Ela também quer que a senadora pelo Paraná devolva R$ 4 milhões aos cofres públicos e perca o mandato. Em manifestação ao Supremo, Raquel Dodge argumentou ainda que a pena de Gleisi Hoffmann deve ser maior do que a média, por ela ser política. A procuradora-geral também defendeu a condenação de Paulo Bernardo, ex-ministro e marido de Gleisi Hoffmann.

Brasil registra queda de quase 1,14 milhão de linhas fixas de telefone


A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta sexta-feira (24) que o Brasil registrou 41.106.021 linhas fixas de telefone em setembro de 2017, o que corresponde a uma redução de 1.135.158 (-2,69%) quando comparado com o mesmo mês do ano passado. Enquanto as linhas das concessionárias da telefonia fixa apresentaram queda de 1.056.716 linhas (-4,23%), as empresas autorizadas perderam 78.442 acessos (-0,46%) no período.

Entre as autorizadas, a TIM, com a entrada de 199.651 novas linhas, apresentou o maior crescimento nos últimos 12 meses, de 38,57%, seguida da Algar Telecom, com mais 70.283 novas linhas (28,55%), e da Oi, com 15.279 novos acessos (9,68%), conforme dados da Anatel. As concessionárias que apresentaram crescimento no período foram Algar Telecom, com 21.035 novas linhas (2,87%), e a Claro, com a adição de 177 novos números (10,79%). As demais registraram redução.

Na comparação entre setembro e agosto de 2017, o País registrou redução de 117.493 linhas fixas, queda de 029%. As concessionárias apresentaram diminuição de 136.761 linhas (-0,57%) e as autorizadas aumento de 19.268 linhas fixas (+0,11%). Comparando setembro de 2017 com o mês anterior, entre as autorizadas, a Algar Telecom registrou 4.390 novas linhas (+1,41%) e todos os demais grupos apresentaram variação menor do que 1% para cima ou para baixo. Entre as concessionárias, a maior redução foi da Oi, com menos 83.164 linhas fixas (-0,61%), seguida da Vivo, com menos 53.148 linhas fixas (-0,56%).

O maior crescimento no número de linhas das autorizadas foi em Santa Catarina, com 47.098 novas linhas (+6,91%) nos últimos 12 meses. A maior redução foi em São Paulo, com menos 80.995 (-1,38%). Em relação às concessionárias, todos os estados apresentaram queda no período.

Na comparação entre setembro e agosto de 2017, Minas Gerais apresentou o maior crescimento das autorizadas no país, com mais 4.797 linhas (+0,35%), e o Rio de Janeiro a maior queda, com menos 4.439 linhas fixas (-0,21%). Em relação às concessionárias, o Acre com mais 79 linhas (+0,13%) foi o único estado que apresentou variação positiva.

Ataque terrorista do Estado Islâmico contra mesquita deixa pelo menos 235 mortos no norte do Egito


A explosão de uma bomba seguida de um ataque a tiros contra uma mesquita no norte do Egito deixou pelo menos 235 mortos e mais de 125 feridos nesta sexta-feira (24). O ataque aconteceu na mesquita de Al-Rawdah em Bir al-Abed, que fica a 70 quilômetros de El Arish, capital do Sinai egípcio e próxima da fronteira do país com Israel e com a Faixa de Gaza. Bombas explodiram dentro da mesquita no fim das orações desta sexta-feira. Enquanto as pessoas fugiam, cerca de 40 homens armados que estavam em jipes começaram a disparar contra a multidão. Os canais de TV no local mostraram dezenas de ambulâncias na região para atender as vítimas. Pelo menos 50 veículos levaram alguns dos feridos para hospitais de El Arish. Pelo menos um homem-bomba esteve envolvido no ataque. É o ataque mais letal da história moderna do Egito. 

A mesquita atacada é do sufismo, uma vertente mística do islamismo que não é aceita por grupos extremistas. Nos últimos três anos a região do Sinai tem sido palco de confronto entre as forças de segurança do governo e militantes do Estado Islâmico, que miram especialmente cristãos na região. Centenas de pessoas já morreram nos confrontos. 

Horas depois do ataque, as Forças Armadas do Egito começaram a fazer ataques aéreos a locais ligados aos terroristas islâmicos nas montanhas ao redor de Bir al-Abed. "As Forças Armadas e a polícia vão vingar nossos mártires e restaurar a segurança e a estabilidade com a maior força", disse o presidente Abdel Fattah el-Sisi na televisão egípcia. "O que está acontecendo é uma tentativa de nos impedir nos nossos esforços na guerra contra o terrorismo, para destruir nossos esforços para parar o terrível plano criminoso que quer destruir o que restou da nossa região". 

Os ataques na região começaram depois que o então presidente Mohammed Mursi, da organização islâmico-nazista Irmandade Muçulmana, , a mãe de todas as organizações terroristas islâmicas, foi destituído do cargo pelos militares em 2013. 

O atentado desta sexta-feira acontece um dia antes após o Egito começar um período de testes de três dias de uma abertura na passagem da fronteira com a Faixa de Gaza. Sisi convocou uma reunião de emergência sobre o ataque e anunciou luto de três dias no país. 


Juiz Sérgio Moro decreta a prisão preventiva de chefete da BR Distribuidora que repassava propina para o PT

O juiz Sérgio Moro decretou, hoje, a prisão preventiva do líder do PT, José Antônio de Jesus, ex-gerente da Transpetro, que estava preso temporariamente desde terça-feira, quando foi deflagrada a 47ª fase da Lava Jato. O ex-gerente e seus familiares são acusados de negociar o recebimento de R$ 7 milhões em propinas da empresa NM em troca de favorecimento em contratos com a Transpetro. Parte do dinheiro era repassado para o PT.

Zimbabwe, ex-Rodésia, empossa novo presidente após 37 anos de ditadura do infame Mugabe que destruiu o país


Diante de milhares de pessoas, o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa foi empossado nesta sexta-feira como o novo presidente do Zimbábwe, a ex-Rodésia. É a primeira vez desde 1980, quando o comunista Robert Mugabe chegou ao poder após o fim da colonização britânica, que o país apresenta uma nova figura política no cargo. O antigo ditador anunciou sua renúncia na terça-feira, depois de uma breve intervenção sem conflitos comandada pelas Forças Armadas. 

“Protegerei e promoverei os direitos do povo do Zimbábwe, cumprirei meus deveres com toda minha força e com minhas melhores capacidades”, declarou Mnangagwa em um estádio na capital Harare. Ele foi pivô da crise política após ser deposto da vice-presidência por Mugabe acusado de “deslealdade e pouca honradez na execução dos seus deveres”. A medida foi interpretada como um passo para o então presidente apontar a mulher dele, Grace, de 52 anos, como sua sucessora. Ela é sul-africana, tremendamente arrogante e detestada pelo povo de Zimbabwe.

A demissão levou o Exército a tomar o poder e condenar Mugabe a prisão domiciliar. De seu exílio, Mnangagwa emitiu uma carta pedindo a renúncia do então presidente e convidando a população a pedir o mesmo. Seu partido, o União Nacional Africana do Zimbábue – Frente Patriótica (Zanu-PF, comunista) também aconselhou a renúncia, caso contrário seria aberto um processo de impeachment. Mugabe inicialmente se recusou a renunciar. 

Em meio a ovações do público, Mnangagwa, de 75 anos, prometeu que servirá ao país e à sua Constituição, e que fará o necessário para fazer o Zimbábwe “avançar”. O político, de 75 anos, foi nomeado como presidente pelo partido governista Zanu-PF, e, após seu discurso, ouviu juras de lealdade de comandantes das forças de segurança do Estado. O chefe da polícia, corporação acusada de estar vinculada aos aliados políticos de Grace Mugabe, foi alvo de vaias. 

Arrecadação de outubro "cai de mentirinha" na comparação com ano passado


A arrecadação do governo federal teve baixa real de 20,73% em outubro sobre igual mês de 2016, a 121,144 bilhões de reais. A queda foi afetada pela forte base de comparação do ano anterior, já que o resultado daquele período foi impulsionado pela repatriação de recursos. As informações foram divulgadas pela Receita Federal nesta sexta-feira. 

Em outubro do ano passado houve ingresso de 46,3 bilhões de reais com o programa de regularização de ativos no Exterior, que ficou conhecido como repatriação. Já em outubro deste ano, as receitas extraordinárias foram puxadas basicamente pelos 5,1 bilhões de reais referentes ao Refis, cifra que inclui tanto o parcelamento de dívidas tributárias junto à Receita quanto aquelas inscritas na dívida ativa da União. 

Se excluídos todos os fatores não recorrentes e também decorrentes de alterações na legislação, já que houve elevação de PIS/Cofins sobre combustíveis em 2017, a arrecadação em outubro teria crescido 4,20% sobre igual mês do ano passado, descontada a inflação. Outros destaques em outubro sobre um ano antes foram aumento de 14,57% com Cofins/Pis-Pasep, a 25,237 bilhões de reais, e de 4,96% na receita previdenciária, a 32,646 bilhões de reais. 

No acumulado dos dez primeiros meses do ano, a arrecadação foi de 1,089 trilhão de reais, recuo real de 0,76% frente a igual etapa do ano passado. Descontados os efeitos extraordinários, haveria um crescimento real de 1,46%, divulgou a Receita. No total, o Refis rendeu 16,131 bilhões de reais até outubro. No mais recente relatório bimestral de receitas e despesas, o governo havia ajustado sua expectativa de arrecadação com o Refis a cerca de 7,5 bilhões de reais para 2017, contra 8,8 bilhões de reais anteriormente. 

O governo vem afirmando que os sinais de gradual recuperação econômica já começam a ser vistos na dinâmica da arrecadação. O desafio fiscal, contudo, segue grande diante do peso dos gastos obrigatórios. 

Levantamento divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado, aponta que o resultado primário de outubro – receitas menos despesas, excluindo-se os juros da dívida – deve ser positivo em 3,5 bilhões de reais. Se confirmado, será o primeiro superávit após seis meses de alta. O Tesouro vai divulgar o dado na próxima terça-feira. 

Para este ano e o próximo, as metas de déficit primário foram pioradas, alcançando 159 bilhões de reais para o governo central. O cumprimento dos alvos fiscais depende da colaboração do Congresso Nacional na aprovação de medidas impopulares para elevar receitas e diminuir despesas, o que deverá ficar cada vez mais difícil com a proximidade das eleições de 2018.

Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, quer criar Faculdade de Medicina

A boutique da saúde no Rio Grande do Sul, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, tem projeto para criar um curso de graduação de Medicina. O Hospital Moinhos de Vento, que é "controlado" pelo "coronel Pasadena", o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, e sua família, acaba de investir R$ 300 milhões na ampliação de suas instalações, que passaram de 400 para 500 leitos. Antes da ampliação, a taxa de ocupação do Hospital Moinhos de Vento era de 92%. Este ano o hospital quer faturar R$ 800 milhões.

Presidente Michel Temer faz cirurgia no coração nesta sexta-feira em São Paulo


O presidente Michel Temer será internado nesta sexta-feira, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para realização de cirurgia de desobstrução de uma artéria coronariana. A cirurgia ocorre um mês após a primeira internação, quando ele teve um problema na próstata. Aos 77 anos, Temer é o mais velho ocupante da presidência da República na história do País e vem sendo submetido a testes de estresse muito pesados e continuados. Ainda não se sabe se o presidente será substituído interinamente pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A cirurgia consistirá na implantação de um stent. É procedimento cirúrgico aparentemente simples, mas requer cuidados especiais. 

Filho de desembargadora presidente de tribunal no Mato Grosso do Sul vai preso de novo por tráfico de drogas e armas



A Polícia Federal prendeu mais uma vez o empresário Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos, filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges. Breno Borges foi detido na quarta-feira (22), em uma clínica médica em Atibaia (60 km de SP), e foi levado para o presídio de Três Lagoas, cidade sul-mato-grossense de onde partiu o pedido de prisão preventiva expedido pela Justiça. 

Segundo a Polícia Federal, a segunda prisão do filho da magistrada faz parte de novos desdobramentos de uma investigação que identificou a participação dele em uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas e armas e que também planejava a fuga de um detento. Breno Fernando Solon Borges foi preso por tráfico de drogas no dia 8 de abril. Em julho, foi beneficiado com três decisões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, e transferido da cadeia para se submeter a um "tratamento contra o transtorno de borderline", caracterizado por instabilidade emocional e impulsividade, na clínica de Atibaia, onde estava desde o dia 25 de julho. 

O Conselho Nacional de Justiça abriu um procedimento para investigar se houve algum ato indevido na decisão que permitiu a saída dele da prisão para a clínica médica. O ministro corregedor do CNJ, José Otávio Noronha, encaminhou ofício ao Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul pedindo informações acerca do habeas corpus concedido em prol do empresário durante a madrugada, no plantão do desembargador José Ale Ahmad Neto. 

Caso o CNJ avalie que houve alguma irregularidade, o desembargador Ahmad Neto pode ser penalizado com advertência e até com aposentadoria compulsória. O presidente da OAB no Mato Grosso do Sul, Mansour Karmouche, diz que está acompanhando o caso e aguarda decisão do CNJ. 

Antes mesmo de ser preso e denunciado pelo tráfico de 129,9 quilos de maconha, o filho da desembargadora já era alvo de investigação policial. Segundo a Polícia Federal, ele ajudaria na "fuga cinematográfica" de um detento do presídio de Três Lagoas. O plano foi descoberto pela Polícia Federal a partir da apreensão de celular que estava com o presidiário Tiago Vinícius Vieira, no dia 28 de março deste ano. Por meio de autorização judicial, no dia 7 de abril, a polícia teve acesso, identificando os integrantes da organização criminosa comandada pelo preso, entre eles, o filho da desembargadora, que seria responsável pelo transporte de drogas e armas. 

Um dia depois, Breno Fernando Solon Borges foi preso em Água Clara (a 192 km de Campo Grande), quando transportava a maconha e 270 munições para armas de calibre 7,62 mm e 9 mm. O relatório da Polícia Federal, relacionado à Operação Cerberus, detalha conversas entre o líder do grupo, Borges e outras duas pessoas que dariam apoio na ação. A primeira tentativa de fuga ocorreu em 27 de março. Um dia antes, pelo aplicativo de mensagem de texto Whatsapp, eles acertavam os detalhes da ação. O empresário garantiu participação no plano: "Amanhã é certeza mano", disse em conversa interceptada pela Polícia Federal. No dia combinado, conforme relatório da polícia, Borges e Dario Aparecido Cunha de Almeida, apontado como cúmplice, aguardavam a saída de Tiago Vieira com outro preso, citado apenas como "fuzil". 


O líder do bando desistiu e adiou a fuga para o outro dia após a segurança do presídio ter sido reforçada devido a chegada de novos detentos. Apesar do plano ser cancelado, Borges seguiu conversando com o preso. Ele pediu para que Vieira "vender a uzi". Na sequência, o preso perguntou ao filho da desembargadora se ele poderia dormir em Três Lagoas, mas, por áudio, ele disse que não. "Dormir eu não posso. A minha filha tá em casa, ehh, eu tinha que ter alguma desculpa para minha mãe, entendeu? Se eu dormir aqui, vai dá desconfiança pra minha mãe...se for o caso eu venho amanhã, bicho". Depois disso, Borges voltou para Campo Grande.

Polícia Federal prendeu o ex-chefe da Casa Civil do governo do ladrão peemedebista Sérgio Cabral


O ex-chefe da Casa Civil do Rio de Janeiro, Régis Fichtner, no governo do ex-governador condenado Sérgio Cabral, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (23). A ação é mais uma fase da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro e um desdobramento das investigações da Operação Calicute. Fitchner é suspeito de receber R$ 1,6 milhão em propina. As investigações apontam ainda sobre um esquema de corrupção no uso de precatórios por empresa que tinham dívidas, tributos e impostos com o governo do estado. As empresas que tinha interesse em fazer negócios com o governo do Rio procuravam o escritório do ex-chefe da Casa Civil.

O empresário Georges Sadala também foi preso. Envolvido na Farra dos Guardanapos, Sadala era sócio de empresas que administravam o serviço Rio Poupa Tempo e representante de banco que fazia empréstimos consignados para servidores públicos. Já o empresário Alexandre Accioly foi intimado a depor e Fernando Cavendish, fundador da empreiteira Delta conduzido sob vara a prestar depoimento.

Operação Ouro de Ofir investiga golpes de pastores evangélicos

A Polícia Federal identificou a atuação de pastores evangélicos para beneficiar uma organização criminosa investigada por golpes milionários que atingiram pelo menos 25 mil pessoas em todo o País. A Operação Ouro de Ofir foi deflagrada na terça-feira, 21, contra grupo que prometia lucros estratosféricos às vítimas em negócios fictícios envolvendo ouro "do tempo do Império" e antigas "letras do Tesouro Nacional". Sidiney dos Anjos Peró, alvo de prisão temporária, é apontado com um dos líderes e responsável por arregimentar pastores com o fim de ludibriar e tirar dinheiro dos fiéis.

“A característica principal da fraude está em atingir a fé das pessoas e na sua crença em um enriquecimento rápido e legítimo, levando-as a crer, inclusive, que tal mecanismo seria um “presente de Deus aos fiéis”, ou seja, trazendo a fé religiosa para o centro da fraude. A maneira mais prática de explicar isso talvez seja a crença de que contra a fé não há fatos nem argumentos. Muitas vítimas não estão interessadas em entender, pensar ou se informar – só estão interessadas em acreditar. E é exatamente neste ponto que a fraude tomou proporções inimagináveis e ganhou território nos mais diversos Estados da Federação”, afirma o delegado Guilherme Guimarães Farias, em relatório.

Segundo o inquérito, diversas narrativas foram inventadas pela organização criminosa para ludibriar as vítimas. No entanto, apenas os crimes cometidos por intermédio de duas histórias foram alvo da ação deflagrada na terça-feira, 21. Uma delas se refere a uma família de Campo Grande (MS) detentora dos lucros sobre a venda de centenas de toneladas de ouro do tempo do Brasil Imperial (1822-1889), mas, para repatriar os valores obtidos com os lucros, alega ter um acordo com uma ‘Corte Internacional’, que coloca uma condição: 40% do montante que receberiam os herdeiros no Brasil teriam de ser doados a terceiros. 

Em outro golpe, as vítimas davam valores em troca de uma comissão sobre a ‘recuperação de antigas letras do Tesouro Nacional’. O esquema era o mesmo: em troca de quantias de, no mínimo, R$ 1 mil, eram prometidos às vítimas grandes lucros. Em ambos os casos, as pessoas nunca receberam o que foi prometido. Há quem já tenha dado mais de R$ 20 mil ao grupo. 

De acordo com a Polícia Federal, abaixo dos mentores dos esquemas, estão "corretores", que ficam a cargo de cooptar vítimas e inseri-las em grupos nas redes sociais, e escriturários, que fraudavam documentos. Em representação à Justiça Federal do Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal dá conta de que, "fazendo uso de grupos em redes sociais, como Facebook e, principalmente, Whatsapp, onde vários “grupos” foram criados com o objetivo de transmitir informações sobre as “operações”, os chamados “corretores”, “líderes” ou apenas encarregados, postam informações e áudios, bem como os próprios “investidores”, por vezes, se manifestam”

“Assim, todos ficam emaranhados em informações falsas, contraditórias e, por vezes, motivacional. São comuns as mensagens do tipo: “vocês tem que acreditar”; “vocês foram os escolhidos“; “aguardem que a benção virá”, “tenham paciência que isso é uma dádiva de Deus”, tudo como forma de manipulação mental e técnicas aparentemente programada de PNL (Programação Neurolinguística) e Controle da Mente, para despertar a cobiça e a esperança, sempre renovada a cada semana, de se receber milhões de reais”, dizem os investigadores.

Um dos golpes tem como mentor Sidiney dos Anjos Peró, conhecido pelas vítimas como ‘Dr. Peró’. Ele se diz Juiz, mas apenas possui uma carteira de identificação de Juiz Arbitral do Tribunal de Justiça Arbitral Brasileiro. “Juiz arbitral é um cargo que não existe. Um árbitro existe em Câmaras de negociação, não é um cargo público. O que eles queriam era status”, afirma o delegado Guilherme Guimarães Farias, que conduz as investigações.

O delegado afirma, em representação à Justiça, que ‘além dos símbolos usados por Peró, que remetem à fé cristã, como a Estrela de Davi e a Arca da Aliança’, Sidiney ‘arregimenta pastores evangélicos, possivelmente como corretores, para vender “aportes” de sua Operação SAP a fiéis das respectivas igrejas evangélicas onde referidos pastores agem também de forma criminosa, seja vendendo “aportes” ou mesmo divulgando e estimulando uma operação ilegal’. “Vários pastores são citados nos grupos, dos mais diversos Estados brasileiros”, relata.

A Polícia Federal ainda afirma que ‘Sidinei dos Anjos Peró está sendo alvo de uma investigação na Policia Civil de Primavera do Leste (Mato Grosso), juntamente com Gleison França do Rosário, que tudo indica, teria sido seu “corretor” na região citada, fato este ocorrido dentro de uma igreja evangélica, inclusive com a participação do pastor responsável pela instituição religiosa’. O nome da operação faz referência a uma passagem Bíblica, na qual o ouro da cidade de Ofir era finíssimo, puro e raro, sendo o mais precioso metal da época. Ofir nunca foi localizada e nem o metal precioso dela oriundo. 

"Só faltou nos dizer que eles morreram", diz mulher de tripulante de submarino argentino perdido no fundo do Atlântico Sul



Após serem informados nesta quinta-feira (23) pela Marinha argentina de que houve uma explosão antes do submarino ARA San Juan desaparecer, os familiares dos tripulantes se revoltaram e disseram ser impossível que alguém tenha sobrevivido. "Não disseram a palavra 'mortos', mas o que se pode entender?" - disse Itatí Leguizamón, esposa de Germán Oscar Suárez, um dos 44 tripulantes do submarino que segue desaparecido. 

"Não disseram que estão mortos, mas é a suposição lógica". "Nos dizem apenas que estão a 3.000 metros, não falam mais nada. São uns desgraçados, uns manipuladores", disse ela, referindo-se aos militares, em uma entrevista coletiva improvisada em frente a Base Naval de Mar del Plata, onde estão os familiares. 

Segundo ela, o ARA San Juan já passou por problemas em 2014 quando não conseguia emergir da água. "Os mandaram navegar em uma merda", afirmou ela. Logo após serem informados sobre a explosão, os familiares impediram que o resto do comunicado fosse lido pelo porta-voz da Marinha e começaram a quebrar a sala onde estavam. 

Imagens do canal de TV argentino "Todo Noticias" mostram muitos familiares deixando o local chorando. Alguns são contidos por militares, enquanto uma mulher se joga no chão. Ambulâncias foram enviadas para atender os familiares. "Mataram o meu irmão, filhos da puta. Mataram o meu irmão porque o fizeram navegar num pedaço de arame", gritou, sem se identificar, um parente que saía do local. 

"O mataram, mataram meu filho", gritava ao lado o pai de um dos tripulantes. O submarino argentino ARA San Juan, com 44 tripulantes, está desaparecido desde o último dia 15. A embarcação estava em um exercício de vigilância na zona econômica exclusiva marítima argentina a cerca de 400 km a leste de Puerto Madryn, na Patagônia (sul do país). Ele se dirigia de volta à sua base em Mar del Plata, ao norte, quando as comunicações foram interrompidas. 

O San Juan, de propulsão que combina motores a diesel (para uso na superfície) e elétrico (quando submerso), é uma arma de patrulha e ataque com torpedos. Ele é um dos três submarinos à disposição de Buenos Aires. Faz parte da classe TR-1700, construída pela Alemanha a pedido da Argentina. Dois dos seis barcos desse modelo foram entregues, mas o programa não foi adiante. 

A embarcação irmã do San Juan, o Santa Cruz, está em atividade. O San Juan foi completado em 1985, e passou por uma longa revisão para lhe dar mais 30 anos de vida útil que acabou em 2013. A Marinha argentina, como suas Forças Armadas de forma geral, passam por um processo de degradação acelerada há muitos anos. Possui 11 navios principais de superfície, 3 submarinos, 16 embarcações de patrulha costeira, entre outros. 

A circunstância evoca uma tragédia ocorrida no ano 2000, quando o submarino nuclear russo Kursk sofreu uma explosão no seu compartimento de armas e afundou no mar de Barents - os 118 tripulantes morreram, muitos por asfixia.