quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fim do foro privilegiado ameaça sete deputados federais gaúchos


Sete deputados gaúchos estão ameaçados pelo fim do foro privilegiado. Seus processos descem do Supremo para instâncias inferiores. Parte dos processos havia subido à Suprema Corte a partir da diplomação dos parlamentares. Outra parcela sujeita à perda de foro está relacionada ao repasse de caixa 2, entendimento que ainda suscita dúvidas. Devem deixar o Supremo os processos dos seguintes parlamentares: 

ALCEU MOREIRA (PMDB) - Inquérito 3076 - Investigado por suposta influência na liberação de recursos para a pavimentação da RS-494, entre Mampituba e Morrinhos do Sul, em benefício da MAC Engenharia e Construções Ltda. O processo teve início no Tribunal de Justiça em 2011. 

JOSÉ STÉDILE (PSB) - Inquérito 3825 - Investigado por suposta participação na aquisição de títulos da dívida pública pelo Fundo Municipal de Assistência e Previdência do Servidor Público por meio de uma corretora de valores e câmbio na época em que era prefeito de Cachoeirinha. Processo foi iniciado no âmbito estadual. 

PAULO PIMENTA (PT) - Inquérito 3499 - Investigado por lavagem de dinheiro – não há detalhes do processo no sistema do STF. Iniciou a tramitação na 1ª Vara Federal de Uruguaiana. 

YEDA CRUSIUS (PSDB) - Inquérito 4406 - Investigada por ter recebido supostamente R$ 950 mil da Odebrecht em 2006 e 2010 para garantir que a Braskem, controlada pela empreiteira, seguisse recuperando créditos de ICMS no Estado. Ao Ministério Público Federal, três delatores mencionaram o pagamento de caixa 2 para a campanha ao governo gaúcho – o que evidenciaria não ter relação com o mandato parlamentar.

MARCO MAIA (PT) - Inquérito 4385 - Investigado por suposto caixa 2 na campanha à Câmara em 2014. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, o deputado teria recebido R$ 1,35 milhão por meio do setor de propina da empreiteira. No sistema, seria identificado como “Gremista”. Há dúvidas se caixa 2 estaria relacionado ao mandato, mesmo que Maia estivesse concorrendo à reeleição naquele período.

Inquérito 4332 - Investigado em inquérito iniciado em 2016 por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. No sistema do Supremo, não é possível identificar detalhes sobre o processo. Por isso, não há como projetar desdobramentos sobre permanência ou não na Corte. 

MARIA DO ROSÁRIO (PT) - Inquérito 4398 - Investigada por ter recebido supostamente R$ 150 mil em caixa 2. No sistema da empreiteira, seria identificada como “Solução”. Há dúvidas se o caixa 2 estaria relacionado ao mandato, mesmo que estivesse concorrendo à reeleição.

ONYX LORENZONI (DEM) - Inquérito 4400 - Investigado por ter recebido supostamente R$ 175 mil em caixa 2 em 2006, diz a delação de Alexandrino Alencar, da Odebrecht. Há dúvidas se o caixa 2 estaria relacionado ao mandato, mesmo que estivesse concorrendo à reeleição.

JOSÉ OTÁVIO GERMANO (PP) - Inquérito 3980 - Investigado pelo recebimento de vantagem indevida decorrente da cobrança de percentuais sobre contratos firmados pela Diretoria de Abastecimento da Petrobras entre 2006 e 2014. O crime teria ocorrido durante o mandato.

Inquérito 3989 - Investigado no caso conhecido como quadrilhão do PP. Segundo o Ministério Público Federal, faz parte dos parlamentares integrantes do núcleo político de uma organização criminosa que arrecadaria propina por meio da “utilização de diversos órgãos públicos da administração pública direta e indireta” durante os mandatos.

JOSÉ STÉDILE (PSB) - Ação penal 599 - Réu por suspeita de ordenar e autorizar, enquanto prefeito de Cachoeirinha, que o município assumisse despesas que não poderiam ser pagas no mesmo exercício financeiro e ter inscrito parcelas a pagar sem contrapartida disponível em caixa. Apesar da ação investigada remeter a fatos cometidos antes do mandato parlamentar, o processo deverá continuar no STF por ter entrado na fase de alegações finais.

MARCO MAIA (PT) - Inquérito 4434  - Investigação pela suposta solicitação de pagamento de vantagens indevidas associadas a contrato para ampliação do trensurb, entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, conforme delações. Segundo o inquérito, os repasses ocorreram entre 2009 e 2010, quando era deputado. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), que detém foro, também está entre os investigados. Desse modo, o caso permaneceria no STF.

Inquérito 4261 - Investigado por suspeita de ter participado de um esquema para impedir convocações de empreiteiros para falar na CPI da Petrobras, em 2014 – inquérito aberto a partir do acordo de delação do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS). Relator da comissão, teria recebido R$ 200 mil em espécie entregues pelo lobista Júlio Camargo a um operador financeiro.

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