terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Janot depõe à Polícia Federal sobre delação da JBS

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi ouvido pela Polícia Federal na condição de testemunha no inquérito que apura possíveis irregularidades nas negociações do acordo de colaboração premiada dos executivos do grupo J&F, dono da JBS. Atualmente Janot é sub-procurador da República. A audiência foi realizada no gabinete de Janot no prédio da Procuradoria Geral da República e foi conduzida pelo delegado Cleyber Malta, do grupo da Polícia Federal de inquéritos no Supremo Tribunal Federal. O ex-Procurador Geral da República foi responsável pela negociação e assinatura do acordo de colaboração premiada dos ex-executivos do grupo açougueiro bucaneiro J&F.

Em setembro, Janot convocou uma coletiva de imprensa na qual anunciou a abertura de uma investigação para apurar se os delatores teriam omitido informações do acordo. “Determinei hoje (segunda) a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre práticas de crime no processo de negociação para assinatura do acordo de delação no caso JBS. Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público Federal na semana passada, precisamente, na quinta-feira, às 19 horas”, disse Janot durante a coletiva à época

A apuração foi aberta após pedido da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, e já foi parcialmente concluída. Um dos investigados é o ex-procurador Marcello Miller, suspeito de atuar para a JBS enquanto ainda era integrante do Ministério Público Federal. A Polícia Federal já concluiu parcialmente a investigação sobre o caso JBS.

Senador Roberto Requião diz que Congresso Nacional tem "dois terços de ‘ladrões"


O senador Roberto Requião (MDB) afirmou, em vídeo postado no fim de semana no Facebook, que “dois terços” do Congresso Nacional é formado por parlamentares “corruptos”, que são “comprados pelo governo” para aprovarem medidas impopulares contrárias ao interesse público. A afirmação foi feita como parte de uma crítica de Requião ao coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, procurador federal Deltan Dallagnol. 

“Doutor Dallagnol é um homem de sorte. Ele sabe que existe mesmo no Congresso Nacional um bando de vigaristas, de ladrões do patrimônio público. Algo como dois terços do plenário, eu diria”, diz o senador. “Todos comprados pelo governo para fazer passar suas emendas, e no caso desse liberalismo econômico, ‘Ponte para o Futuro’, leis infames que ofendem o interesse dos trabalhadores, da CLT, da aposentadoria, e da soberania brasileira, como é o caso da entrega, por exemplo, do petroleo, e posteriormente a isenção da cobrança de impostos em relação às pretroleiras”, afirma Requião.

“Essa maioria permite ao promotor Dallagnol generalizar os insultos sem risco de tomar pela frente um processo criminal. Com isso ele pode ignorar, olimpicamente, a existência de centenas de políticos, milhares de políticos, que dedicaram a sua vida inteira à defesa do interesse público”, afirma o senador, para em seguida defender o projeto que prevê punições contra o abuso de autoridade por parte de agentes públicos, incluindo integrantes do Ministério Público e do Judiciário.
Desvios - Na fala, Requião afirma que sempre apoiou a Lava Jato e reconheceu a importância do que a operação fez para o País, mas que não concorda com o que chama de “desvios” da operação. “Diz o procurador Dallagnol que todos os prefeitos, ou praticamente todos os prefeitos, governadores e políticos são corruptos, pois só defendem seus interesses pessoais e não os interesses públicos. Acontece, Dallagnol, esses políticos, notadamente os parlamentares, são os mesmos que deram a vocês, a você Dallagnol, aos promotores de todo o Brasil, o poder absoluto de insultá-los sem que sejam por isso responsabilizados. Insultá-los de modo a não pagar nada pelos insultos muitas vezes gratuitos de que são vítimas”, afirma o senador.

Segundo Requião, a operação Lava Jato “tirou a tampa da caixa, mostrou a corrupção em boa parte da política, do sistema”, mas também colaborou para o desmonte de políticas sociais. Ele aproveitou para criticar o auxílio-moradia e outros benefícios recebidos por membros do Ministério Público, magistrados e pelos próprios políticos. “Doutor Dallagnol não percebe que esse processo de corrupção das elites atinge a ele mesmo. Atinge a todos, os parlamentares, os salários, os nossos salários, o meu salário é desproporcional ao salário do trabalhador que está construindo o Brasil. Auxílios-residências e outras séries de artifícios que vão inchando e estourando o famoso teto constitucional”.

Diretores da lixeira Grupo Solvi (Revita, CRVR, Vega) continuam presos no Pará por crime ambiental em aterro da Marituba


Todos os citados na Operação Gramacho, da Polícia Civil do Pará e do Ministério Público do Estado, de combate a crimes ambientais no Aterro Sanitário de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, já foram apresentados em audiência de custódia e tiveram a prisão preventiva mantida. Nelas, o Ministério Público do Estado do Pará solicitou a manutenção das prisões preventivas - o que foi deferido pelo juízo. Diego Nicoletti, diretor Norte e Nordeste da empresa Guamá Resíduos Sólidos que opera o aterro (subsidiária do Grupo Solvi, criada especialmente para esse empreendimento), e Lucas Rodrigues Feltri, diretor de operações da empresa, foram presos na quarta-feira, 6, tiveram audiências na quinta-feira, 7, e estão presos por decisão judicial no Centro de Recuperação Coronel Anastácio das Neves (CRCAN), localizado no Complexo Penitenciário de Santa Izabel.

Já Lucas Dantas Pinheiro, engenheiro de operações da empresa, teve audiência e está preso desde o dia 6, no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), no Complexo de Marituba. Eles são acusados pela responsabilidade de crimes ambientais na região onde o aterro sanitário está localizado. O processo corre em segredo de Justiça. 

Carlos Leal Villa, dono do Grupo Solvi, depoimento sob vara 
As prisões preventivas são resultados da Operação Gramacho, lançada na quarta-feira, 6, pela Polícia Civil do Pará e pelo Ministério Público do Estado com objetivo de combater crimes ambientais no Aterro Sanitário de Marituba, na Região Metropolitana de Belém. Durante a operação foram cumpridos cinco mandados de condução coercitiva, três de prisão preventiva, 16 de busca e apreensão, além de mandados para proibição de contratar com o poder público, de ausentar-se do País e de garantir o funcionamento do aterro.

Ainda na quinta-feira (7), a Justiça do Pará determinou o bloqueio de mais de R$ 50 milhões das empresas Revita Engenharia, Guamá Tratamento de Resíduos e Solvi Participações, responsáveis pelo Aterro Sanitário de Marituba. A decisão atende pedido do Ministério Público para que o dinheiro seja aplicado em medidas emergenciais para o tratamento do chorume presente no aterro. A Justiça também exige apresentação de um plano de contingência emergencial para o tratamento do chorume. De acordo com a ação do Ministério Público, as empresas agiram de má fé e permitiram que o aterro funcionasse sem os recursos necessários, causando graves danos ambientais.

O Grupo Solvi, de Carlos Leal Villa, dono da CRVR (Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos), em sociedade com os donos do grupo minerador Copelmi (irmãos Farias), no Rio Grande do Sul, pretende instalar uma nova lixeira gigante no município de Viamão, na Grande Porto Alegre. Esse projeto já está com pedido de licenciamento na Fepam (Fundação Estadual do Meio Ambiente), mas já levou um encontrão gerado pelo comitê gerenciador da Bacia do Rio Gravataí e do Banhado Grande, áreas de proteção ambiental (APAs), nas quais não podem ser instalados esses empreendimentos altamente poluidores, nem sequer em suas zonas de amortecimento. O Grupo Solvi é monopolizador dos contratos de lixo das prefeituras no Rio Grande do Sul. Como detém a gigantesca lixeira de Minas do Leão, que funciona nas monumentais crateras abertas pela exploração do carvão pela Copelmi, ele recebe o lixo de cerca de 150 municípios do Estado do Rio Grande do Sul. Por ter o poder de vetar quem pode colocar lixo no seu aterro, o Grupo Solvi, na verdade, determina quem vence todas as licitações de lixo no Estado. Vence a empresa concorrente à qual o Grupo Solvi concede a carta de autorização para deposição do lixo do município que está realizando a licitação. E todo mundo faz de conta no Estado que não vê o que acontece. 

O tamanho do calote dos governos regionais

A União (vale dizer, os contribuintes nacionais) – precisou honrar R$ 4,06 bilhões em dívidas de Estados e municípios não pagas por esses governos no ano passado, segundo o Tesouro Nacional. O calote dos governos regionais foi 70,7% superior ao verificado em 2016. A maior parte dos débitos (R$ 3,99 bilhões) era devida pelo Estado do Rio de Janeiro, desde setembro em recuperação fiscal e “autorizado” a dar o calote com a cobertura da União.

PCdoB suspende filiado que afirmou ter que estourar a cabeça de coxinha e juiz em caso de condenação de Lula


O PCdoB de Mato Grosso do Sul suspendeu por 120 dias, no início deste mês de janeiro, um de seus filiados que fez ameaças contra os integrantes do TRF-4. O corretor de imóveis Urias Fonseca Rocha, que já concorreu a mandato de deputado estadual pelo PCdoB, havia mandado por WhatsApp uma mensagem em que dizia que a condenação de Lula será inaceitável. Dizia também que era preciso “ir pra rua, ir pro pau” e “começar a estourar a cabeça de coxinha, de juiz, mandar esses golpistas para o inferno”.

Ibovespa fecha com novo recorde e atinge pontuação histórica durante pregão nesta terça-feira

Pela segunda vez esta semana, o Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3 (antiga BM&F), bateu recorde, alcançando 79.831 pontos hoje (16). Isso representou alta de 0,10% em relação ao pregão de segunda-feira (15), quando chegou aos 79.752 pontos. Durante o pregão de hoje, o índice chegou a alcançar o patamar inédito de 80 mil pontos. Até então, o maior recorde havia sido registrado no dia 8 de janeiro, quando a pontuação do Ibovespa atingiu 79.378 pontos. Desde o dia 2 de janeiro, o indicador vem batendo sua marca histórica. O pregão de hoje chegou a registrar o patamar inédito de 80 mil pontos, mas fechou o dia a 79.831 pontos. Por meio de sua conta no Twitter, o presidente da República, Michel Temer, comemorou o resultado: “Muito me alegra o resultado da Bovespa, que ultrapassou hoje o patamar inédito de 80 mil pontos. O recorde significa valorização das nossas empresas, que, com a inflação baixa, podem investir mais e gerar emprego e renda para o País”, disse o presidente na rede social.

Pedro Parente explica a ministros do TCU acordo fechado pela Petrobras com a Justiça de Nova York

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, explicou hoje (16) aos ministros do Tribunal de Contas da União as condições do acordo que a estatal negociou com investidores nos Estados Unidos para encerrar uma ação na qual é acusada de prestar informações falsas durante o esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Parente disse que a estatal não está disposta a fechar novos acordos, a não ser que seja forçada pelas legislações de outros países.

O objetivo da Petrobras nesse encontro com ministros do TCU, é impedir que o acordo seja anulado pelo tribunal, cuja área técnica está analisando as condições do pagamento de US$ 2,95 bilhões aos acionistas norte-americanos. “Acreditamos que, naquilo que é possível, numa conversa de cerca de uma hora, esclarecer, esclarecemos. Prestamos as informações preliminares. Não houve nem contrariedade nem aprovação por parte dos ministros, que nos escutaram com muita atenção”, informou, acrescentando que a estatal permanece à disposição do TCU para novas explicações.

A ação coletiva contra a Petrobras foi proposta em 2014 na Corte Federal de Nova York por um escritório de advocacia americano em nome de investidores que compraram bônus da estatal entre 2010 e 2014. O escritório Wolf Popper LLP acusou a estatal de enganar investidores com informações falsas e ocultação do esquema da Lava Jato. Durante a conversa, foram prestadas informações relativas ao histórico do acordo. “Como se iniciou, questões relacionadas à legislação americana e porque a Petrobras se viu em uma situação em que era melhor fazer o acordo do que prosseguir na linha de uma confrontação que poderia levar a um julgamento onde os riscos para a empresa seriam muito maiores”, detalhou Parente.

Segundo ele, porém, acordos com outros países só serão sugeridos pela empresa caso ela seja “forçada” pelas legislações respectivas, e mesmo assim “depois de um longo processo”. “A Petrobras não considera fechar acordos em outros lugares. Fomos forçados a isso pelas contingências da legislação americana, deixamos registrado no nosso acordo que fomos vítimas. A Petrobras é vítima da Lava Jato, diferentemente de tudo que aconteceu com outras empresas que se beneficiaram dos processos de corrupção”, afirmou.

Quanto à reparação de danos aos investidores brasileiros, Parente avaliou que o marco legal interno é diferente e que o próprio fato de o acordo com os Estados Unidos ter sido bem recebido pelo mercado, com aumento no preço das ações, é uma prova de que o conjunto dos acionistas gostou do acordo e tem se beneficiado com o desempenho.

Uma semana antes do julgamento do chefão da organização criminosa petista, TRF 4 já tem forte proteção contra ataques de terroristas comuno-petistas


Uma semana antes do julgamento da apelação do chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula, de sua condenação pelo juiz Sérgio Moro no caso do Triplex do Guarujá obtido por meio de propina da OAS, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, já tem forte policiamento de aparatos da segurança pública do Rio Grande do Suol. A região no entorno do prédio do TRF 4, localizado na rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, tem policiamento de policias militares a pé, com cães treinados, policiais do Choque, a pé, em viaturas, de moto e a cavalo, e também da Polícia Rodoviária Federal. 

Na Avenida Loureiro da Silva, a uma quadra do prédio do TRF 4, na tarde desta terça-feira, estavam postados quatro policiais do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar, junto a uma viatura estacionada no canteiro central. Uma viatura também circulava pela rua Augusto de Carvalho, outra artéria localizada a uma quadra do TRF 4. Em frente ao prédio, na esquina das ruas Otávio Francisco Caruso da Rocha e Ibanor José Tartarotti, havia policiais ao lado de motos e viaturas estacionadas. Policiais a cavalo faziam a segurança dentro do Parque Harmonia. Dois PMs com cão farejador circulavam no entorno do prédio, assim como uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF). 






Uma caminhada pelo centro de Porto Alegre revela mesmo ao mais desavisado transeunte que a capital gaúcha já está cheia de "mortadelas". Eles estão "disfarçados", ou seja, nada nas suas fisionomias ou vestimenta denota a identificação político-ideológico, com exceção de uma certa raiva no olhar que não conseguem esconder. Estão bem instruídos. São mochileiros por todos os lados. Mas, também nunca se viu tanto policial e tanta viatura de policiamento ostensivo como agora. Os "mortadelas" podem vir, que estão sendo esperados para um tratamento especial de "borrachada democrática".

Desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF4, nega pedido para oitiva de Lula antes do julgamento


O relator das ações da Operação Lava-Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador João Pedro Gebran Neto, negou nesta terça-feira (16) pedido do chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula para ser ouvido no dia do julgamento da apelação de sua defesa, em 24 de janeiro. Os advogados de Lula sustentam que houve violação por parte do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, durante interrogatório ocorrido em 10 de maio de 2017, na capital paranaense. "Evidente violação, por parte do magistrado de piso das garantias fundamentais do peticionário, que se viu alvo, em seu interrogatório, de uma verdadeira inquisição, impedido, inclusive, de livremente manifestar-se sobre os fatos e de exercer a sua autodefesa", afirmou o advogado Cristiano Zanin em petição protocolada no TRF4.

Zanin também sustentou que "ao jurisdicionado é assegurado o direito de ser ouvido perante órgão imparcial, isento e que possua, por decorrência, posição de equidistância em relação às partes, o que não teria ocorrido". Na decisão que negou o pedido, Gebran ressalta que já há decisões de tribunais superiores e do próprio TRF4, em processos da Lava-Jato, negando esse tipo de pedido. "O disposto no art. 616 do Código de Processo Penal, ao autorizar novo interrogatório, reinquirição de testemunhas ou a realização de novas diligências, não traz faculdade para os réus ou para o Ministério Público Federal, mas, sim, para o Tribunal. A jurisprudência de ambas as Turmas Criminais do Superior Tribunal de Justiça segue exatamente no mesmo sentido", sustenta Gebran.

O desembargador também afirma que "a determinação de novo interrogatório exige o reconhecimento de eventual nulidade do primeiro, e tal compreensão, envolve o exame de matéria de fato, somente passível de deliberação pelo Colegiado. Não socorre a defesa o disposto no art. 196 do Código de Processo Penal, no sentido de que 'a todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamentado de qualquer das partes', já que a previsão se destina à instrução do feito, e não impositivamente ao juízo recursal". 

Presidente Michel Temer determina o afastamento de quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal pedida pelo Ministério Público Federal

O presidente Michel Temer determinou o afastamento de quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa Econômica Federal por um período de 15 dias. Em nota, o Palácio do Planalto informou que esse será o prazo para que eles apresentem defesa das acusações de que são alvo. Os vice-presidentes são investigados em operações da Polícia Federal. Temer deu a ordem ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; e ao presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, para que procedessem com os afastamentos. A determinação foi anunciada oito dias depois que o governo federal não seguiu a recomendação do Ministério Público Federal para exonerar todos os 12 vice-presidentes do órgão. Na última quinta-feira (11), os procuradores responsáveis pela Operação Greenfield enviaram um novo ofício ao presidente, desta vez alertando que ele poderia ser responsabilizado por “eventuais novos ilícitos” cometidos pelos gestores do banco. No documento, encaminhado inicialmente à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, os membros do Ministério Público Federal colocam como data final para atendimento à recomendação o dia 26 de fevereiro.

Eles solicitam também que sejam anexados aos autos o relatório das investigações feitas por um escritório independente de advocacia contratado pela Caixa Econômica Federal, o ofício enviado anteriormente a Temer e uma recomendação do Banco Central, de “teor semelhante” ao enviado pelo Ministério Público. Na semana passada, o Palácio do Planalto disse que não cumpriria a recomendação. 

A Operação Greenfield investiga indícios da existência de um esquema de cooptação de testemunhas para que não contribuíssem com a apuração de supostas irregularidades envolvendo fundos de pensão. 

O primeiro pedido havia sido encaminhado a Temer no final do ano passado. Além das investigações em andamento, os procuradores citam a relação de alguns desses executivos com o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, ambos presos por denúncias de corrupção.

Dono da Havan diz por que não está no Rio Grande do Sul, e ele tem toda razão

O empresário catarinense Luciano Hang deu uma entrevista muito firme e direta, em um estilo desconhecido pelos gaúchos, muito enroladores, e disse porque ainda não conseguiu colocar empreendimento seu no Rio Grande do Sul. Ele reclama que espera há dez anos pela aprovação de projetos seus, tudo emperrado pela burocracia estatal, ciosa dos seus carimbos e das suas assinaturas. Veja no video abaixo:


Luciano Hang pretende disputar a eleição de outubro deste ano para "consertar a bagunça que virou esse País”. E ele já tem uma “solução” para o Brasil, que pode ser sintetizada pelas estátuas que são marca registrada de suas lojas: liberdade, mais liberdade


Eram 36 minutos do segundo tempo do jogo entre Brusque e Marcílio Dias, clássico do Vale do Itajaí, válido pelo quadrangular final da segunda divisão do Campeonato Catarinense de 2013. O Brusque, dono da casa, vencia por 2 a 1. Mas tinha dois jogadores a menos, expulsos por reclamarem de marcações polêmicas do juiz. O árbitro então marca um pênalti questionável para o Marcílio Dias. Foi a gota d’água. A torcida se enfurece com o que considera ser um “roubo”. Integrantes da comissão técnica e da diretoria do Brusque invadem o gramado. Há tentativa de agressão do juiz. Logo depois, entra em campo um sujeito careca vestindo a camisa do time local. Ele comanda a retirada de seu time para os vestiários. É ovacionado pelos torcedores, aos gritos de “Luciano! Luciano!”. Sem o time mandante, a partida não termina. O torcedor careca era o catarinense Luciano Hang, de 55 anos, dono da patrocinadora do Brusque, a Havan – empresa da cidade que se tornou a 27.ª maior rede de comércio varejista do País, com 107 lojas de departamentos espalhadas de Norte a Sul, 12 mil funcionários e uma marca registradíssima: as amadas e odiadas réplicas da Estátua da Liberdade.

A confusão em que Luciano Hang se meteu no jogo resume o perfil do empresário catarinense: arrojado nos atitudes e nas opiniões, voluntarista, defensor ardoroso daquilo que acredita, “pop star” em Brusque. E, como não podia deixar de ser, envolvido em polêmicas. Depois do futebol, Hang quer “invadir” outro campo: a política. Mas ainda esconde o jogo

O objetivo é tentar consertar o que ele considera estar errado, como as injustiças e “roubos” cometidos por aqueles que ditam as regras da partida que transcorre no imenso gramado chamado Brasil. “Ainda não sou candidato, mas estou no jogo”, disse o empresário no último dia 5. Por enquanto, Hang ainda esconde o jogo. Não decidiu para qual partido vai migrar; no dia 5 ele anunciou que estava deixando o PMDB, sigla da qual era filiado desde 1985.


Também faz mistério sobre a cadeira que pretende disputar. “Posso pleitear qualquer cargo, como também posso apoiar alguém e também posso, com minha voz, minha vontade, ser um incentivador ou ser alguém que possa ajudar esse país a ir para o caminho que eu acho que tem que seguir”, afirmou. A indefinição só alimenta especulações do que ele quer: governo de Santa Catarina, Senado e até mesmo a vice-presidência. Há um rumor espalhado nas redes sociais de que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) considera o nome de Hang uma possibilidade para compor sua chapa presidencial. 

O dono da Havan e Bolsonaro, aliás, compartilham algumas semelhanças no discurso sem papas na língua, contra “a bagunça que está por aí” e avesso ao politicamente correto. Por exemplo: ambos defenderam o general Antonio Hamilton Mourão, que em setembro pregou que os militares deveriam intervir no País se a Justiça não resolver o problema da corrupção. Mais ou menos como se o Exército invadisse o campo para tirar o juiz que está roubando o jogo.

“Eu apoio o general Mourão. Estamos cansados – a população, nós empresários – da bagunça que virou esse País. Parabéns, general Mourão! A população está do seu lado; continue assim. Chega desse negócio do politicamente correto, de falar o que só alguns querem falar”, disse Hang num vídeo divulgado na internet. No jogo eleitoral, a camisa que Hang vai vestir é a do antipolítico

No discurso, ele já é assim. O que atrapalha o crescimento do País? “A burocracia e o grande número de políticos”, disse em entrevista ao programa do Ratinho, do SBT, em dezembro de 2016. “Ninguém mais quer saber do político que rouba mas faz, do bonzinho incompetente ou daquele que fica em cima do muro. Precisamos de políticos que não dependam daquele cargo. A maioria dos maus políticos só fez política a vida toda. Se perderem o cargo, não sabem fazer nada. Precisamos mudar esse cenário”, disse no último dia 5.

Hang diz: “Este 2018 é o ano do fato novo, é o ano do empreendedor, do empresário, o ano de as pessoas votarem em quem tem disciplina, sabe administrar e quer fazer”. Ninguém pode acusar Hang de não saber fazer. Dinheiro, pelo menos. Ele encarna o self made man. Filho de dois operários de uma indústria têxtil de Brusque, ele seguiu os passos dos pais e, aos 17 anos, começou a trabalhar no chão da mesma fábrica. Em sua biografia divulgada no site da Havan, Hang relata que uma de suas recordações daquele tempo era ir trabalhar com um sapato furado, que ele forrava com papelão para não pisar no chão frio. Não tinha condições de comprar um novo par de calçado.

Mas sua situação logo mudou. Com tino para os negócios, comprou aos 21 anos uma pequena tecelagem. Aos 24, em 1986, deu aquele que seria um pequeno passo mas um grande salto: abriu uma acanhada loja de tecidos juntamente com um sócio, Vanderlei de Limas. Da junção das primeiras letras do sobrenome de Hang com as do nome do sócio surgiu a denominação da nova empresa: Havan. Vanderlei vendeu para o sócio sua participação na Havan no início dos anos 90 e montou outra loja de tecidos. Ele queria manter os pés no chão. Hang tinha planos mais ousados: importar não só materiais têxteis, mas também produtos para vender por R$ 1,99. 


É dessa época que a Havan ganharia o visual pela qual viria a ficar conhecida. Por causa da admiração de Hang pelo espírito empreendedor dos norte-americanos: “Me perguntam: ‘Por que você gosta tanto dos Estados Unidos?’ Porque é um país que deixa você fazer”, explicou certa vez. Hang então passou a adotar nos prédios de sua loja uma fachada inspirada nas colunas neoclássicas da Casa Branca. Logo depois, vieram as réplicas da Estátua da Liberdade – uma polêmica estética: cafonas para muitos, atrativo turístico para outros . Foram sugeridas por um garoto. Hang gostou da idéia e a adotou como marca definitiva da loja. “É o símbolo da liberdade, liberdade de compra, de escolher o produto que o consumidor quer”, justificou Hang.

E elas tinham de ser grandes, como os sonhos de expansão de Hang. Aliás, a maior estátua do Brasil, com 57 metros de altura, é um dos colossos da Havan: fica na megaloja de Barra Velha, em Santa Catarina. À sombra das gigantescas estátuas, a Havan cresceu. E também se tornou uma gigante, com 107 lojas em 15 Estados. A meta para 2018 é chegar a 120 lojas. E Hang sonha ainda mais alto: quer 200 unidades até 2022. 

A rapidez do crescimento – que chega a ser de mais de uma loja inaugurada por mês – levantou rumores de quem seria o verdadeiro dono da Havan: coreanos, chineses, norte-americanos (dada a inspiração de seus símbolos) Silvio Santos, o bispo Edir Macedo, Lula (ou um de seus filhos), Dilma (ou a sua filha). A desconfiança por trás do boato era de que só uma empresa que tivesse um político ou um figurão por trás poderia ter tanto sucesso no Brasil. 

Quem é de Brusque e imediações sempre soube quem não era nada disso. Mas não o resto do Brasil. “Nunca me incomodei. Sempre pensei que quem tinha que aparecer era a empresa, não o dono”, disse Hang em dezembro de 2016. Ainda assim, foi naquela época que Hang decidiu desfazer o mal-entendido. Saiu dos escritórios e foi para a frente das câmeras. Estrelou comerciais publicitários para dizer claramente quem mandava na Havan. “Fiz a campanha para dizer que é possível, com trabalho, ter sucesso empresarial.”, complementou ele, numa declaração que deixava claro seu entendimento de que não é preciso estar ligado a políticos para crescer.

Na verdade, para Hang, os políticos e as amarras que eles impõem à sociedade são os principais problemas do Brasil. Agora que Hang planeja entrar na política, todo o seu discurso pode ser sintetizado pelo símbolo maior de sua empresa: as estátuas da liberdade. A liberdade de empreender e fazer o Brasil crescer sem que o governo, os burocratas ou quem quer que seja atrapalhe.

O que mais, para Hang, atrapalha o crescimento além de políticos e a burocracia? Uma resposta: sindicalistas intransigentes. Quando um sindicato conseguiu, no ano passado, fechar a loja da Havan em Cacoal (Rondônia), no feriado do Sete de Setembro, o empresário gravou um vídeo e o divulgou nas redes sociais para reclamar da falta de sensibilidade dos sindicalistas diante do momento do País: “O Brasil tem 14 milhões de desempregados; as pessoas querem trabalhar”.

Outra resposta: restrições urbanísticas e ambientais. No dia 8 de janeiro, ele gravou mais um de seus vídeos (Hang parece ter gostado da ideia de ir para a frente das câmeras). Desta vez para defender a construção de arranha-céus em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, por gerar “milhares e milhares de empregos”. Era uma manifestação contra, em suas palavras, “uma reportagem esdrúxula” de um dia antes do programa Fantástico, da Rede Globo. O Fantástico havia mostrado que o paredão de prédios da cidade faz com que a sombra projetada pelos edifícios tire o sol da praia durante a maior parte da tarde, além de o adensamento urbano provocado pelos espigões ameaçar a cidade de ter escassez de água no futuro.

Defensor de Balneário Camboriú, que fica próxima de Brusque, Hang não apenas reclamou da Globo, que segundo ele “está sempre do lado errado”, como viu uma vantagem adicional dos arranha-céus e de suas sombras: “Excesso de sol faz mal para a pele”. Mas o buraco da política é mais embaixo. O ardor com que Hang defende sua terra e sua gente, desde o episódio da invasão de campo em Brusque até o caso dos espigões de Balneário Camboriú, faz dele ser uma espécie de pop star em sua região. E com certeza será um importante capital eleitoral caso realmente seja candidato.

Moradores de Brusque relatam com admiração que, embora seja rico e famoso, Hang continua a frequentar os mesmos lugares, restaurantes, etc., que os demais conterrâneos. Não é incomum que ele esteja na entrada da Havan da cidade cumprimentando os clientes. O empresário também é reconhecido por investir na região, recuperar imóveis históricos, patrocinar projetos sociais, culturais e de entretenimento. Sua popularidade pode ser medida tanto nos gritos da torcida do Brusque como nos pedidos para tirar selfies nas ruas da cidade. 

Mas o jogo político no qual o empresário pretende entrar é pesado e só simpatia não ganha eleição. Hang sabe disso. E já armou seu time para contra-atacar. No último dia 5, quando anunciou sua intenção de ser candidato, sacou uma certidão negativa da Justiça para dizer que está limpo para concorrer. Hang já respondeu a processos, inclusive criminais, por sonegação e lavagem de dinheiro. “Está aqui o processo, nada consta, fomos inocentados. Temos muitos processos, sim, e vamos continuar sendo processados. O que importa é não ser condenado. Aqui está a minha certidão para as pessoas que ficam falando mal de mim. Sou transparente".