domingo, 25 de fevereiro de 2018

44 mil inscritos fazem provas para concurso de escrivão e inspetor da Polícia do Rio Grande do Sul

A primeira etapa das provas do concurso de escrivão e inspetor da Polícia Civil do Rio Grande do Sul foi realizadas neste domingo por mais de 44 mil inscritos em Porto Alegre e Canoas. Os candidatos concorrem a um total de 1,2 mil vagas - 600 vagas para escrivão de polícia e 600 vagas para inspetor. Um levantamento da Fundatec, responsável pela aplicação dos testes, mostrou que 44% das inscrições foram para o cargo de escrivão e 56% para o cargo de inspetor. Do total de inscritos, 42% são mulheres e 58% são homens. Na parte da manhã os candidatos tiveram quatro horas para a realização da prova objetiva de língua portuguesa e de redação e, no turno na tarde, os candidatos também tiveram o prazo de quatro horas para a realização da prova objetiva - conhecimentos gerais, jurídico, raciocínio lógico e informática.

A próxima etapa do concurso prevê para os aprovados a realização de uma prova física, de um psicotécnico e avaliação da vida pregressa e atual onde é avaliado a conduta do candidato que pretende ingressar na Policia Civil. Depois, os aprovados ingressam na Academia de Polícia no mês de novembro. A preparação na Acadepol terá duração prevista de seis meses. Eles serão nomeados no próximo ano. Para a realização, foram utilizadas tecnologias de varreduras eletrônicas (espectros e de radiofrequência), com equipamentos importados de última geração, para identificação e prisão das pessoas ou candidatos que tentassem atentar contra a integridade da disputa.

Desordem pública domina o Ceará, governado pelo petista Camilo Santana, aliado de Ciro Gomes


O jornal Globo de sábado mostra de que modo a desordem pública passou a dominar o Ceará, governado pelo petista Camilo Santana, eleito com o apoio de Ciro Gomes, cujo irmão, Cid, foi o último governador do Estado: “Em um intervalo de menos de três semanas, a chacina no bairro Cajazeiras, que deixou 14 mortos, e o duplo homicídio que envolveu Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, expoente do PCC, colocou Fortaleza, capital do Ceará, no centro da atenção da Segurança Pública". A violência não é novidade no Estado, com alto índice de homicídios, mas a configuração do crime passou por transformações nos últimos três anos. Há uma disputa territorial pelo tráfico entre PCC e Guardiões do Estado contra o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, e a FDN, do Amazonas.”

Bilionário chinês Li Shufu, da Geely, vira o maior acionista da dona da Mercedes


A fabricante automobilística alemã Daimler, dona da Mercedes, anunciou, na sexta-feira (24), a chegada ao seu capital do industrial chinês Li Shufu, que, com 9,69% da participação, se tornou o maior acionista da empresa. O grupo Geely, do bilionário chinês, supera assim um fundo público do Kuwait, que até agora tinha 6,8% da Daimler, bem como os 3,1% da Renault-Nissan.  A transação foi avaliada em 7,2 bilhões de euros, segundo comunicado da Bolsa de Frankfurt. Em 2010, o industrial chinês de 54 anos e dono da 10ª maior fortuna da China, de acordo com a revista Forbes, comprou a sueca Volvo Cars. Durante várias semanas, houve rumores sobre sua possível chegada à Daimler na imprensa econômica alemã. Mas apenas na sexta-feira, pela primeira vez, a participação acionária da Geely no capital da Daimler superou os 3%, forçando a fabricante alemã a informar à Bolsa de Valores de Frankfurt. 


Ex-mulher de Orlando Diniz conta que ele usou doleiro para pagar advogado Roberto Teixeira

Orlando Diniz sendo levado preso, escoltado à direita pela agente federal Claudia Garcia
A ex-mulher de Orlando Diniz, ex-presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) preso na operação Lava Jato, contou ao Ministério Público Federal que o advogado Roberto Teixeira, do escritório que defende o bandido corrupto, lavador de dinheiro, chefe da organização criminosa petista e ex-presidente Lula, cobrou R$ 10 milhões para defender Orlando Diniz na Justiça. Ela afirmou aos procuradores que parte do pagamento foi viabilizado pelo doleiro Álvaro Novis, ligado ao grupo do ex-governador do Rio de Janeiro, o ladrão peemedebista Sérgio Cabral.   

Danielle de Andrade, a ex-mulher de Diniz, afirmou ao Ministério Público Federal que a contratação de Roberto Teixeira foi aconselhada por outro advogado, amigo de Orlando Diniz. Este teria alegado, conforme o depoimento de Danielle, que o problema de Orlando era político e, por isso, deveria procurar Roberto Teixeira para mantê-lo na presidência do Sesc e Senac. Orlando Diniz foi preso nesta sexta-feira (23) pela força-tarefa da Lava Jato no RJ na operação Jabuti. Ele é investigado por contratar escritórios de advocacia com verba pública federal do Sesc/Senac no valor de R$ 180 milhões. De acordo com o MPF, o escritório Teixeira, Martins e Advogados recebeu um total de R$ 68,2 milhões entre 2012 e 2017 da Fecomércio. 

Danielle foi diretora jurídica e de governança do Senac. O advogado Roberto Teixeira não é investigado no caso, mas, sim, os contratos elaborados pela Fecomércio durante a gestão de Diniz. 

Roberto Teixeira, o compadre do bandido corrupto Lula
Segundo Danielle, Roberto Teixeira fez a proposta para honorários no valor de R$ 10 milhões, sendo que deveria ser feito um primeiro pagamento no valor de R$ 1 milhão em dinheiro e o restante ao longo de seis meses assim que o problema fosse resolvido. O Ministério Público Federal acredita que esses R$ 9 milhões restantes sairiam dos cofres da Fecomércio. A Orlando Diniz, Roberto Teixeira disse, segundo Danielle de Andrade, que resolveria o problema em 15 dias. A primeira parcela de R$ 500 mil em dinheiro deveria ser entregue em São Paulo. Danielle diz ter "ficado nervosa", quando soube que a entrega havia sido viabilizada pelo doleiro Álvaro Novis, investigado por integrar o grupo criminoso do ex-governador e ladrão peemedebista Sérgio Cabral. 

Álvaro Novis administrava uma conta de nome "Leblon" e que pertencia a Orlando Diniz. Dessa conta, ele chegou a sacar R$ 500 mil em 6 de fevereiro de 2013. "A conclusão de que os pagamentos mais vultosos, a partir de 2012 e até o início de 2017, passaram a ser os escritórios de advocacia totalizando quantias milionárias e aparentemente fora de qualquer padrão razoável, relembrando-se, com dinheiro proveniente de receitas públicas federais do Sesc e do Senac", explicou a força- tarefa da Lava jato na petição encaminhada à Justiça Federal. 


Orlando Diniz e Danielle Paraíso 

Em depoimento ao Ministério Público Federal, a ex-mulher de Orlando Diniz, Danielle Paraiso de Andrade Schneider, relatou detalhes dos hábitos de consumo do ex-marido. Entre eles, o de pagar todas as despesas pessoais em espécie. Segundo ela, em viagens internacionais, Diniz costumava levar mais de US$ 10 mil em dinheiro vivo e mantinha "gastos elevados". Danielle declarou ainda que perguntava ao então marido a origem do dinheiro, que ele afirmava vir de "consultorias". Ela foi uma das testemunhas a revelar aos procuradores a relação do ex-marido com o ex-governador e ladrão peemedebista Sérgio Cabral. Em seu testemunho, atesta que "para o sucesso de suas empresas contava com a ajuda de Cabral, que lhe indicaria vários clientes". De acordo com a investigação, o presidente da Fecomércio "adeiriu à Organização Criminosa de Cabral para lavar dinheiro próprio". O esquema incluia "contratos para dar aparência de licitude ao dinheiro arrecadado pela Organização Criminosa, um grande volume de movimentação financeira e repasse a pessoas jurídicas, com contratos fictícios, sobre serviços não executados". 

Danielle e Diniz foram casados por oito anos. Viviam entre o apartamento no Leblon, vizinhos ao então governador e ladrão peemedebista Sérgio Cabral, e a casa de praia em Mangaratiba. Entre obras de arte caras e vinhos raros, o casal mantinha uma vida de luxo. O casal se separou em 2015. A ex-mulher de Orlando Diniz relatou ainda detalhes do período de 17 anos que trabalhou no SENAC. Em 2008, começou a se relacionar com o presidente da Fecomércio. Ela, então, relata que, a partir de 2014, Diniz passou a exercer controle sobre os diretores do chamado sistema S — antes, segundo ela, seu papel era de "representação institucional". Nenhuma negociação superior a R$ 2 mil era realizada sem autorização dele, relatou ela ao Ministério Público Federal. Ela deu ainda detalhes sobre a contratação do advogado Roberto Teixeira. 

Danielle não é a primeira ex-mulher a ajudar a desvendar esquemas ou supostos crimes de empresários e políticos. Em São Paulo, Nilcéia Pitta, ex do então prefeito Celso Pitta, foi peça-chave na investigação que tornou seu ex-marido réu em treze ações civis públicas, em 2000. Ele chegou a perder o cargo na Justiça no caso conhecido como "escândalo dos precatórios". O desvio, segundo a Justiça chegou a R$ 3,8 bilhões. Pitta morreu em 2009.  O mensalão também teve sua mulher-bomba. A ex-mulher de Valdemar Costa Neto (condenado a sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva), a socialiete Maria Chistina Mendes Caldeira, em 2005, à CPI do Mensalão, confirmou que o ex-marido recebeu propina quando comandava o PL, agora PR. Após o testemunho, ele renunciou ao cargo de deputado, para não ser cassado. Anos depois, em 2016, ela mandou carta ao então procurador-geral, Rodrigo Janot, para que não concedesse indulto ao marido. 

No Rio, o comportamento delator também tem adeptas. Vanessa Felippe, ex-mulher do ex-deputado federal Rodrigo Betlhem (PMDB), gravou conversas com o ex-marido, em que ele relata ter aberto conta na Suíça e desviado recursos de programas da pasta que comandava, a Secretaria Municipal de Assistência Social. Ele não conseguiu se reeleger deputado. 

Brasil pede extradição do maior traficante de armas para o País, preso nos Estados Unidos




Foi preso no sábado (24) na Flórida o brasileiro Frederik Barbieri, considerado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro o maior traficante de fuzis dos Estados Unidos para o Brasil. O governo brasileiro já pediu aos Estados Unidos a extradição de Barbieri. A prisão foi confirmada pelo titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), Fabrício Oliveira. Barbieri tinha cidadania americana e foi apontado como o comandante da organização responsável pela carga de 60 fuzis de guerra apreendidos em junho do ano passado no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão/Tom Jobim. Segundo Oliveira, as investigações no Brasil começaram em 2015 e apontam que Barbieri residia em Miami desde 2010. Com a apreensão no aeroporto, as autoridades americanas também iniciaram uma investigação, no ano passado. “Foi essa investigação nos Estados Unidos que ocasionou a prisão dele lá, começou com a apreensão do carregamento de fuzis aqui no Galeão, quando começou a investigação das autoridades americanas. A prisão dele é fruto de uma investigação da polícia americana com a ajuda da polícia brasileira, uma força-tarefa ficou uma semana lá”, disse Oliveira.

Para o delegado, a prisão foi um importante passo no combate à violência no Estado. “A expectativa é que as remessas ilegais diminuam, uma vez que a gente conseguiu desarticular essa quadrilha. Tem investigações que seguem em sigilo. A gente apreendeu fuzis no aeroporto, mas sabe que ele utilizou diversos outros instrumentos. É muito importante, porque foi fruto de uma força-tarefa entre a Polícia Civil do Rio e agentes americanos, em que a gente consegue colocar o líder de uma organização criminosa na cadeia”, destacou.

O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, informou que já apresentou ao governo norte-americano o pedido de extradição de Frederik Barbieri. Porém, houve um pedido de documentação complementar e, no momento, o departamento aguarda o Poder judiciário enviar os papéis solicitados traduzidos para o inglês. “Frederik Barbieri é investigado em procedimentos criminais instaurados no Brasil e nos EUA. Os pedidos de cooperação jurídica internacional entre os países para produção de provas encontram-se em andamento”, informou o órgão por meio de nota.


O importador de fuzis, que abastecia criminosos do Brasil com as armas, foi preso através do rastreamento dos aquecedores dentro dos quais ele enviou uma carga no ano passado. Para a polícia brasileira, Frederik enviou os 60 fuzis apreendidos no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia primeiro de junho do ano passado. As armas estavam dentro de aquecedores de piscina. Um dia depois da apreensão, o governo brasileiro pediu ajuda às autoridades americanas para identificar a origem da carga, vinda do Aeroporto de Miami, na Flórida. O mistério começou a ser desvendado pela etiqueta de identificação dos aquecedores. A partir do número de série dos equipamentos, a polícia conseguiu, com o fabricante, descobrir a loja exata de onde os aquecedores tinham saído, em Fort Pierce, cidade da Flórida onde Barbieri morava. A loja faz parte de uma grande rede de materiais de construção nos Estados Unidos. E, para os funcionários, não foi difícil lembrar de brasileiros que haviam comprado muitos aquecedores dizendo, justamente, que iam exportar pro Brasil.

O estabelecimento forneceu às autoridades um vídeo de 31 de janeiro de 2017, onde aparecem os brasileiros João Felipe Barbieri e Marcus Garrido. Na ocasião, eles compraram seis aquecedores de água, do mesmo modelo apreendido no Galeão, com os fuzis dentro. Cada aquecedor custa algo em torno de R$ 1,3 mil. Garrido foi identificado e localizado pelos policiais americanos. Ele contou aos oficiais que depois de comprar os aquecedores, ele os trazia para um depósito. Ele disse que dentro do depósito havia uma mesa pra trabalho, ferramentas e equipamentos pra corte. Garrido disse que os aquecedores ficavam aqui por um tempo, até serem levados para uma transportadora em Miami, a última parada antes do aeroporto.

Os investigadores suspeitam que funcionários de companhias aéreas ajudavam no esquema de Frederik. Já Felipe é o genro de Frederik, e também está preso. Frederik será ouvido na tarde desta segunda-feira em uma corte em Miami. Ele tem cidadania americana --- ou seja, vai responder aos crimes como cidadão dos Estados Unidos.

Também foi localizado um homem responsável por ajudar a polícia a desvendar todo o esquema montado por Frederik Barbieri, investigado desde o envio de uma carga de fuzis para Salvador em 2010. O colaborador, que fez sua primeira viagem para os Estados Unidos em 2016 para ajudar na exportação das armas, contou como os fuzis eram colocados dentro dos aquecedores – uma balança de precisão era usada para certificar que a carga teria o mesmo peso que aquecedores normais exportados. “Ele sempre me chamou de primo, né? Chamava todo mundo de primo. Aí ele falou, primo, tu tá falando com o senhor das armas. Eu sou o senhor das armas”, disse o delator, que afirmou que inicialmente acreditava trabalhar com contrabando de eletrônicos. O delator afirmou que decidiu colaborar com as autoridades depois da entrevista que Frederik Barbieri deu para o Fantástico dizendo que criava galinhas e negando ser traficante de armas.

Empresários corruptos esperam a publicação do manual de colaboração do Ministério Público para realizar a delação premiada


Orientados por grandes bancas de advocacia, investigados na Lava Jato esperam que a Procuradoria Geral da República finalize o manual de delação premiada antes de iniciarem conversas com os investigadores. “Os investigados querem entender como poderão ser beneficiados pelas novas regras caso topem entrar num acordo de colaboração".

O leilão dos imóveis do bandido petista mensaleiro e petroleiro José Dirceu


Determinado pelo juiz Sergio Moro, o leilão de imóveis do bandido petista mensaleiro e petroleiro José Dirceu confiscados na Lava Jato inclui bens avaliados em R$ 11 milhões e ocorrerá no dia 26 de abril. A quem interessar, os lances poderão ser feitos no endereço eletrônico de empresa responsável pela venda o que for arrecadado será depositado em conta vinculada à Justiça Federal. A lista de imóveis inclui:
– uma casa e o respectivo terreno no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, registrados em nome de José Dirceu;
– um prédio e o terreno no bairro da Saúde, também na capital paulista, registrados em nome de Camila Ramos de Oliveira e Silva, filha do petista;
– uma chácara em Vinhedo (SP), registrada em nome da empresa TGS Consultoria e Assessoria;
– e uma casa e terreno em Passa Quatro (MG), que também estão em nome da TGS.

Disputa por bens marca separação de Diniz, presidente preso da Fecomércio RJ, e Daniele

A “história de amor” que se transformou em uma “virulenta disputa judicial” entre o empresário Orlando Diniz, presidente da Fecomércio preso na Operação Jabuti na sexta-feira, e a advogada Daniele Paraíso de Andrade, é pública agora. Eles se conheceram na própria Fecomércio-RJ, no início dos anos 2000, quando ela atuava no departamento jurídico do Senac. Depois viveram em um apartamento de luxo no Leblon, passaram fins de semana em uma bela casa de praia nos arredores de Angra dos Reis e viajaram pelo mundo. Tiveram uma filha, hoje com 5 anos, e celebraram sua união no Taiti, em 2014. Meses depois, a união desandou com acusações de ocultação de patrimônio, barracos públicos e a contratação de advogados de alto gabarito. O fator detonador, segundo os amigos, foi a suspeita de Orlando Diniz de que a advogada o traía. Em um bar no Leblon, ele chegou a partir para cima de um advogado, a quem acusava de ser o amante.

Também destruiu com uma tesoura o equivalente a 71.000 reais de roupas de grife que Daniele havia deixado no apartamento. Eles discutiram sobre a guarda da filha na porta do prédio onde Daniele passou a morar e o bafafá, que levou a criança aos prantos, acabou registrado por policiais como “rixa de casal”. Quando um oficial de Justiça conseguiu entrar no apartamento do Leblon com um mandado de arrolamento dos bens, as peças e obras de arte relacionadas por Daniele não estavam nos locais indicados e a adega estava vazia, assim como o cofre. “Muito da animosidade entre o empresário e a advogada decorre da acirrada disputa financeira travada entre eles. Daniele discute judicialmente a pensão para a filha do casal, que ela quer ver equiparada aos valores pagos aos três filhos do primeiro casamento de Diniz.

Também exige a partilha integral dos bens que usufruíam no período em que estiveram juntos. O problema é que nenhum dos bens listados por Daniele está em nome do ex-marido.” O apartamento, avaliado em 12 milhões de reais, está em nome da empresa Kaelin do Brasil Participações. A casa de praia em Mangaratiba, avaliada em 5 milhões de reais, está em nome do engenheiro que desenvolveu o projeto. “Não quero nada mais do que me é de direito”, informou Daniele por meio de seus advogados. “O patrimônio declarado à Receita Federal é absolutamente incompatível com o padrão de vida mantido por Orlando”, disse a defesa dela em petição à Justiça do Rio, calculando em pelo menos 200.000 reais as despesas mensais de Diniz.

Curiosamente, a esposa do ex-governador preso Sérgio Cabral, a advogada solta Adriana Ancelmo, é quem representa Diniz no processo judicial contra Daniele. A revista teve acesso a notas fiscais que comprovam o pagamento de pelo menos 5 milhões de reais a Adriana em 2015. A assessoria de imprensa de Diniz afirmou que “dados distorcidos de sua vida privada são apresentados tentando influenciar o desfecho do processo” de separação e que ele “é comerciante atuante, tem gastos e patrimônio compatíveis com as suas atividades profissionais e os seus bens e propriedades são declarados anualmente”.

FAB leva drones da Base Aérea de Santa Maria para ajudar na intervenção federal do Rio de Janeiro

A Força Aérea já está realizando o levantamento eletrônico de áreas estratégicas do Rio de Janeiro por meio dos aviões sem piloto do Esquadrão Hórus, transferidos da base de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O comandante da Aeronáutica, Nivaldo Rossato, avisou que a FAB participará da intervenção militar até mesmo com tropas de infantaria. Sobre os drones, explicou: "Os Veículos Aéreos não Tripulados (Vants) terão agora as ações intensificadas e expandidas, eventualmente envolvidos na vigilância das linhas de divisa com os Estados vizinhos". Além de monitorar os principais eixos rodoviários, as aeronaves têm capacidade de identificar situações de anormalidade também nas estradas secundárias.

Tribunal do Distrito Federal mantém prisão de ex-deputado Paulo Maluf

A Terceira Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios decidiu na quinta-feira (22), por unanimidade, negar dois pedidos feitos pela defesa de Paulo Maluf para que o ex-deputado tenha concedida a prisão domiciliar. Os dois habeas corpus impetrados pela defesa pretendiam reverter decisão do juiz Bruno Macacari, responsável pela Vara de Execuções Penais, que em dezembro do ano passado negou um pedido de prisão domiciliar humanitária, feito com base no estado de saúde de Maluf, que tem 86 anos. 

Os desembargadores do TJDFT, contudo, mantiveram o entendimento de que, “conforme atestado pelos peritos oficiais, o estado de saúde do paciente Maluf, apesar de portador de doença grave, se apresentava estável”, diz o teor da decisão. Maluf está preso desde o fim do ano passado para cumprir pena de sete anos e nove meses na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, pelo crime de lavagem de dinheiro, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal. 

Por meio de nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse respeitar a decisão da Terceira Turma do TJDFT, mas que a defesa possui “enorme preocupação com o estado de saúde lamentável do dr. Paulo”. “Aos 86 anos, com câncer, problemas graves de coração e seríssimos problemas com o agravamento da sua hérnia de disco, que lhe retira a cada dia os seus movimentos, a defesa quer registrar que sequer consegue ter acesso a fisioterapia pois a profissional esta de férias”, acrescentou o advogado. 

Kakay disse que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça para que Maluf tenha concedida a prisão domiciliar enquanto aguarda o julgamento da apelação contra sua condenação no STF. Maluf foi condenado por receber propina em contratos públicos com as empreiteiras corruptas Mendes Júnior e OAS quando era prefeito de São Paulo (1993-1996). Os recursos foram desviados da construção da Avenida Água Espraiada, hoje chamada Avenida Roberto Marinho. O custo total da obra foi cerca de R$ 800 milhões. As investigações se arrastaram por mais de 10 anos desde a instauração do primeiro inquérito, ainda na primeira instância da Justiça. Os procuradores do Ministério Público estimaram em US$ 170 milhões a movimentação total de recursos ilícitos. O Supremo assumiu o caso após a eleição de Maluf como deputado federal.

Bolsonaro começa pelo Japão um giro pela Ásia



O deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) desembarcou na tarde de sexta-feira (23) em Tóquio, onde iniciou um giro internacional. A comitiva integrada por três filhos do pré-candidato, além de dois deputados federais, passa três dias no Japão e seguirá depois para a Coreia do Sul e para Taiwan. Segundo o deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR), a viagem é financiada com recursos próprios. Como presidente da Liga Parlamentar Brasil-Japão, Nishimori viaja anualmente ao país em missão. O pré-candidato diz que o objetivo da missão é conhecer e estudar o sistema do governo japonês, principalmente nas áreas da educação e da tecnologia. A viagem prevê também encontro com a comunidade brasileira, assim como foi feito nos Estados Unidos, onde Bolsonaro esteve em outubro passado. A equipe do deputado agendou encontros em dois locais para este domingo (25). O primeiro será em Hamamatsu (260 km a sudoeste de Tóquio), cidade onde vive o maior número de brasileiros, cerca de 8.000. Há 30 anos residente no Japão, João Masuko abriu as portas de seu restaurante para receber até 200 interessados em conhecer Bolsonaro. Para o segundo encontro, foram reservados 300 lugares em um prédio onde funcionou o primeiro shopping brasileiro do Japão. Ele fica na cidade de Oizumi (90 km a noroeste de Tóquio).

Moro pede nova perícia para identificar relações da empreiteira propineira Odebrecht com Lula


O juiz Sergio Moro assinou despacho na sexta-feira (23) determinando nova perícia dos sistemas da empreiteira propineira Odebrecht, já em posse da Polícia Federal. O objetivo é identificar lançamentos e documentos que possam ter relação com a reforma de um sítio em Atibaia (SP), atribuído ao ex-presidente Lula. A análise deve ocorrer em prazo máximo de trinta dias. A Polícia Federal divulgou na tarde de sexta-feira a perícia dos sistemas Drousys e MyWebDay, assim como respostas a questionamentos feitos pelo juízo, acusação e defesa sobre referências nos arquivos a um terreno que a Odebrecht teria adquirido para a construção do Instituto Lula, em São Paulo.

Desta vez, Moro pede, em outra ação penal, que a perícia indique possíveis relações entre os arquivos encontrados nos sistemas e reformas de R$ 1,02 milhão no sítio, que teriam sido pagas pelas construtoras Odebrecht e OAS em benefício do ex-presidente. Moro também solicita que os peritos verifiquem se documentos juntados aos autos deste processo encontram-se nos sistemas, assim como sua autenticidade. Entre eles, um anexo juntado pelo colaborador e engenheiro da Odebrecht, Emyr Diniz Costa Júnior, que sugere pagamentos do grupo para a reforma no sítio, supostamente retratados nos sistemas de contabilidade informal da empreiteira.

O juiz negou parcialmente pedido da defesa de Lula para ter acesso aos sistemas, liberando apenas transações que digam respeito ao sítio. "Franquear-lhe acesso ou cópia como pretendido colocaria em risco o sigilo e a eficácia de investigações em curso sobre outros crimes envolvendo outros agentes públicos supostamente beneficiados", escreveu. Moro também negou pedido da defesa para ouvir Rodrigo Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht acusado de lavagem de dinheiro. "Se o ex-presidente custeou essas reformas ou se ressarciu das despesas os responsáveis pelas obras, isso pode ser facilmente provado pela defesa, até por documentos, não sendo necessário ouvir foragidos na Espanha para tanto".

No despacho, o juiz argumenta que Tacla Duran não é digno de credibilidade. "É certo que criminosos podem ser ouvidos em juízo (...) Mas, neste caso, normalmente após terem celebrado um acordo de colaboração e assumido o compromisso de dizer a verdade."

Dados da Odebrecht foram apagados, diz polícia


Laudo da Polícia Federal divulgado na sexta-feira (23) indicou que houve destruição de dados em sistemas da Odebrecht. Peritos do órgão analisaram os sistemas Drousys e MyWebDay a pedido do juiz Sergio Moro. A destruição dos dados, segundo o laudo, ocorreu em 22 de junho de 2015, três dias após a prisão do sinhozinho baiano corrupto e propineiro Marcelo Odebrecht na 14ª fase da Operação Lava Jato. Os peritos relatam que foi utilizado um comando cuja principal função é sobrescrever arquivos com dados aleatórios, destruindo o conteúdo original. Os peritos definem o Drousys como um sistema destinado ao armazenamento e edição de arquivos, acesso à internet e recursos de comunicação, entre outros. Já o MyWebDay era utilizado pelo departamento de propinas da empreiteira no gerenciamento de dados contábeis e financeiros.

O documento foi anexado ao processo em que o bandido corrupto, lavador de dinheiro e chefão da organização criminosa petista, o ex-presidente Lula, é acusado de ter favorecido a empreiteira em troca de favores, como a compra de um lote para o Instituto Lula. O laudo indicou que o codinome "Beluga" foi utilizado na contabilidade paralela da empresa com a função de controlar gastos relativos ao imóvel objeto da ação penal. Entre os beneficiários físicos do codinome está a DAG Construtora, apontada como laranja na compra do terreno para o instituto. Outro beneficiário é o empresário Glaucos da Costamarques, réu no processo e suposto laranja na compra do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo do Campo (SP).

O escritório de advocacia de Roberto Teixeira, amigo e compadre do bandido corrupto Lula, também teria recebido repasses. Com a apresentação do documento da Polícia Federal, os advogados das partes podem solicitar a Moro que mais testemunhas sejam ouvidas ou que o material seja submetido a nova perícia para sanar dúvidas. Sobre a autenticidade dos arquivos eletrônicos entregues pela Odebrecht ao Ministério Público Federal, o laudo diz que, dos 1.912.667 arquivos, só 842, ou 0,043%, apresentam não conformidades. Marcelo Odebrecht disse em depoimento sigiloso que pediu para seu cunhado e vice-presidente do grupo, Maurício Ferro, dar fim ao departamento de propinas.

Justiça mantém prisão domiciliar do médico monstro Roger Abdelmassih

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o recurso do Ministério Público e manteve a prisão domiciliar do médico monstro Roger Abdelmassih. Ele deixou a Penitenciária de Tremembé, no interior paulista, em outubro do ano passado, ao ter um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. Condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros de 37 de suas pacientes, Abdelmassih recebeu pela primeira vez o benefício em julho de 2017. No entanto, após uma internação, em agosto, voltou à prisão por uma nova decisão judicial que cassou a liminar autorizando que ele cumprisse a pena em casa devido a falta de tornozeleiras eletrônicas no estado de São Paulo. A defesa argumenta que o ex-médico tem uma doença grave e não pode ser prejudicado pela falta do equipamento de monitoramento. Na quinta-feira (22), 6ª Câmara de Direito Criminal de São Paulo decidiu pela manutenção de Abdelmassih no regime domiciliar. O Estado de São Paulo está sem sistema de tornozeleiras eletrônicas desde agosto do ano passado, quando foi rompido o contrato com a empresa que fornecia os equipamentos. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), a rescisão ocorreu por uma série de falhas no sistema de monitoramento.

Lava Jato vê indícios de repasses ilegais a advogado de Lula


Uma nova fase da Lava Jato do Rio, deflagrada na sexta-feira (23) contra mais um aliado do ex-governador peemedebista ladrão Sérgio Cabral, acabou respingando também no escritório Teixeira, Martins & Advogados, responsável pela defesa do ex-presidente Lula na Justiça. Essa etapa da investigação fluminense, batizada de Jabuti, prendeu o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, e aborda pagamentos milionários de honorários advocatícios pela entidade. O foco da operação era os repasses da federação para o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo, mulher do ladrão peemedebista Sérgio Cabral, a título de vantagem indevida. Quebras de sigilo, porém, mostraram que o principal beneficiado dos repasses da Fecomércio-RJ foi o Teixeira, Martins & Advogados, liderado pelo compadre de Lula, Roberto Teixeira, e pelo chefe da defesa do petista, Cristiano Zanin Martins, seu genro.

Foram pagos R$ 68,3 milhões em honorários ao escritório pela federação. Existe a suspeita de que o dinheiro tenha sido desviado do Sesc-RJ e do Senac, órgãos que recebem verbas públicas e que também foram presididos por Orlando Diniz, e pagos a Teixeira para que ele atuasse politicamente a favor dele no governo federal, contra questionamentos à sua gestão. 

"A gente vai tentar entender por que tamanha quantia de dinheiro para essas contratações", disse o procurador Felipe Bogado. Em documentos públicos enviados à Justiça Federal, os procuradores são mais contundentes a respeito do elo entre Teixeira e Diniz. Eles afirmam que a Receita Federal mostrou que Diniz, "valendo-se de subterfúgios para utilizar verba pública federal do Sesc-Senac", gastou R$ 180 milhões com serviços de advocacia cuja contratação não seguiu "regras mínimas". Dizem ainda que esses pagamentos foram feitos "fora de qualquer padrão razoável".

Danielle Paraíso, ex-mulher de Diniz e que trabalhou em uma diretoria do Senac-RJ, disse em depoimento que foi o advogado Fernando Hargreaves que aconselhou Orlando Diniz a procurar Roberto Teixeira em 2012. "Teixeira poderia resolver a questão por ter boa relação com Carlos Eduardo Gabas, então presidente do conselho fiscal do departamento nacional do Sesc, que assinava pedidos de intervenção e denúncias." Os procuradores também apontam que houve um pagamento em espécie de R$ 500 mil ao escritório de Teixeira viabilizado pelo doleiro Alvaro Novis, conhecido por atuar para o ladrão peemedebista Sérgio Cabral e para a empreiteira propineira Odebrecht.

Segundo a testemunha, os advogados do escritório aceitaram que o contrato fosse firmado com a Fecomércio-RJ, que não passa por auditorias da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Outra testemunha, o diretor regional do Sesc-RJ, Julio Cesar Gomes, diz que Diniz acreditava que Teixeira "conseguiria a cadeira nacional para ele", em referência à Confederação Nacional do Comércio, e "resolveria seu problema político". Uma gerente do Senac-Sesc, Veronica Gomes, disse que Diniz firmou uma "cooperação técnica" da Fecomércio-RJ com os dois órgãos, a partir de 2014, a fim de utilizar as receitas das entidades para arcar com gastos com advogados "a partir da briga com a Confederação Nacional do Comércio, principalmente para recuperar a presidência do Sesc".

O nome de Lula não é citado no documento. O ex-presidente é o principal cliente do escritório. Teixeira já é réu em duas ações penais da Lava Jato em Curitiba junto com Lula. No mesmo escritório, trabalha Cristiano Zanin Martins, genro de Teixeira e responsável pela defesa do petista em todas as ações penais contra ele. A Operação Jabuti prendeu outras três pessoas e apontou que o ladrão peemedebista Sérgio Cabral foi beneficiado também por meio da contratação de ao menos seis funcionários fantasmas que eram formalmente vinculados ao Sesc e ao Senac, mas que trabalhavam para o ex-governador. Essa fase da Lava Jato apontou ainda lavagem de R$ 3 milhões por meio de uma empresa de Diniz, a Thunder, com a participação de Sérgio Cabral.

Receita Federal vai exigir mais informações do contribuinte na declaração de renda de 2019

A Receita Federal vai exigir mais informações sobre os bens dos contribuintes no próximo ano. Além disso, será preciso informar o CPF de dependentes de qualquer idade. Em novembro do ano passado, a Receita publicou uma instrução normativa, que trata do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Por essa norma, os contribuintes que desejarem incluir seus dependentes na declaração do Imposto de Renda de 2018 deverão fazer a inscrição do CPF caso tenham a partir de 8 anos. Até então, a obrigatoriedade valia somente para dependentes com 12 anos ou mais. A partir de 2019, a obrigação é para qualquer idade. 

No caso dos bens, neste ano serão incluídos campos para as informações complementares, mas o preenchimento não será obrigatório. No próximo ano, será obrigatório prestar essas informações. O supervisor nacional do Imposto de Renda, auditor-fiscal Joaquim Adir, orienta os contribuintes a preencherem todos os campos na declaração a ser enviada neste ano para facilitar a importação de dados em 2019. 

Para cada tipo de bem, será incluído um campo. Por exemplo, no caso de imóveis, será pedido a data de aquisição, área do imóvel, registro de inscrição em órgão público e no cartório. Para veículos, será pedido o Registro Nacional de Veículo (Renavam). A Receita também vai pedir o CNPJ da instituição financeira onde o contribuinte tem conta-corrente e aplicações financeiras.

Outra novidade deste ano é a informação sobre a alíquota efetiva utilizada no cálculo da apuração do imposto. A ideia é informar alíquota efetiva sobre os rendimentos menos as deduções. Outra mudança é a possibilidade de impressão do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) para pagamento de todas as quotas do imposto, inclusive em atraso. O prazo para a entrega da declaração de IRPF começa no próximo dia 1º e vai até o dia 30 de abril. O programa de preenchimento da declaração estará disponível nesta segunda-feira (26).

Fitch rebaixa nota de crédito do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da dívida soberana do Brasil para -BB com perspectiva estável. A nota anterior era BB com perspectiva negativa. Com o rebaixamento, o Brasil se mantém entre os países que não têm o selo de bom pagador. Segundo a agência de classificação de risco, o rebaixamento deu-se em razão dos grandes e persistentes déficits fiscais e pelo peso da dívida do governo, que segue crescente, além de falta reformas que melhorem o desempenho estrutural das finanças públicas. A Fitch cita ainda como fator para o rebaixamento a decisão do governo de adiar a votação da reforma da Previdência. Isso "representa um importante revés na agenda de reformas que mina a confiança de médio e longo prazo na trajetória da dívida pública e o compromisso político para abordar o problema". A agência diz, também, que os investimentos caíram para "novos mínimos".

De acordo com a Fitch, o cenário político para 2018 continua a ser um desafio e seria necessária uma forte liderança política e governabilidade para avançar nas reformas, aumentar o crescimento e reduzir as preocupações com a sustentabilidade da dívida no médio e longo prazo. No mês passado, agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou o Brasil para três níveis abaixo do grau de investimento com perspectiva estável.

Desde fevereiro de 2016, o Brasil estava enquadrado dois níveis abaixo do grau de investimento. A outra principal agência de classificação de risco, Moody’s, ainda não alterou a nota do país e continua a manter o Brasil dois níveis abaixo do grau de investimento. No fim de dezembro, o ministro Henrique Meirelles fez uma teleconferência com as três principais agências de classificação de risco. Ele tinha pedido que a S&P, a Fitch e a Moody’s aguardassem a votação da reforma da Previdência, prevista para fevereiro, antes de tomarem qualquer decisão sobre a nota do Brasil.

Em nota, o Ministério da Fazenda destacou na sexta-feira (23) que a “Dívida Pública Federal conta atualmente com uma composição saudável, reduzida exposição cambial e baixa concentração de vencimentos no curto prazo, além de uma base diversificada de investidores para seu financiamento, o que contribui para mitigar os riscos inerentes à sua gestão”. “A Fitch reconhece que os fundamentos macroeconômicos brasileiros permitem tanto absorver choques internacionais e domésticos como garantir a sustentabilidade da dívida pública”, diz o ministério. “O governo federal ressalta os avanços já obtidos com a aprovação de medidas como o Teto de Gastos, a Reforma Trabalhista, o Programa de Recuperação Fiscal dos Estados, a reformulação das políticas de crédito do BNDES e a nova Taxa de Longo Prazo (TLP). Além disso, segue comprometido em progredir com a agenda de reformas macro e microeconômicas destinadas a garantir o equilíbrio das contas públicas, crescimento econômico sustentável e contínua melhoria do ambiente de negócios”, acrescentou o Ministério da Fazenda.

A classificação de risco por agências estrangeiras representa uma medida de confiança dos investidores internacionais na economia de determinado país. As notas servem como referência para os juros dos títulos públicos, que representam o custo para o governo pegar dinheiro emprestado dos investidores. O grau de investimento funciona como um atestado de que os países não correm risco de dar calote na dívida pública. Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, cuja probabilidade de deixar de pagar a dívida pública sobe à medida que a nota diminui.

Estados Unidos planejam abrir em maio a sua embaixada em Jerusalém


O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira (23) que planeja inaugurar sua nova embaixada em Jerusalém em maio, coincidindo com a comemoração do 70º aniversário da declaração de independência do Estado de Israel. Em princípio, a missão diplomática será composta pelo embaixador americano em Israel, David Friedman, e uma pequena equipe", segundo as fontes. Os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como capital de Israel desde sua fundação, mas sucessivos governos deixaram de cumprir a tarefa de instalar a embaixada em Jerusalém. Agora Donald Trump dá fim a essa hesitação americana.

Presidente da Fecomércio-RJ é acusado de desviar R$ 10 milhões



O presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Santos Diniz, preso na manhã de sexta-feira (23), é acusado de participar de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 10 milhões de recursos públicos provenientes do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), em esquema de lavagem de dinheiro com notas fiscais sem a prestação de serviços e com o pagamento de funcionários fantasmas ligados a pessoas de confiança do ex-governador ladrão peemedebista Sérgio Cabral. Diniz foi acusado pelo Ministério Público Federal de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e organização criminosa, sendo o principal alvo da Operação Jabuti, deflagrada na manhã de sexta-feira (23) pelo Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal, dento da Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, todos os mandados da Operação Jabuti foram cumpridos com sucesso pelos 60 policiais que foram a campo. Foram executadas as prisões temporárias de Plínio José Freitas Travassos Martins, Marcelo José Salles de Almeida e Marcelo Fernando Novaes Moreira, todos diretores de confiança de Diniz no Sesc e no Senac. Eles foram chamados para prestar esclarecimentos sobre atitudes demandadas pelo presidente da Fecomércio-RJ para se blindar e dificultar as investigações.

Também foram cumpridas dez ordens de busca e apreensão e dez intimações para investigados prestarem depoimentos. O procurador regional da República José Augusto Vagos explicou que Orlando Diniz está sendo investigado porque, na condição de presidente do sistema Fecomércio, lavou dinheiro entre os anos de 2007 e 2011 com o auxílio da organização de Sérgio Cabral, com a emissão de notas fiscais de prestação de serviço de consultoria pela empresa Thunder. A acusação de corrupção ativa é pela contratação de funcionários fantasmas, chamados por pessoas da própria Fecomércio de “funcionários jabuti”.

“Até o ano de 2017, Diniz manteve vários empregados que foram contratados pelo Sesc e Senac a pedido do Sérgio Cabral, empregados esses que efetivamente não trabalhavam lá, recebiam o salário sem trabalhar. Com essas duas fraudes, o prejuízo foi de cerca de R$ 10 milhões, entre lavagem de dinheiro e pagamento de salários para pessoas que não iam trabalhar, os chamados funcionários jabutis”, disse Vagos.

Também integrante da equipe da Lava Jato no Rio de Janeiro, o procurador federal Felipe Bogado explicou que Diniz utilizou de manobras jurídicas, feitas por meio de convênios, em que recursos do Sesc e do Senac eram transferidos para a Fecomércio. “Inequivocamente são verbas federais, que iam direto para o cofre do terceiro setor, do Sistema S. Por isso mesmo essas verbas são sujeitas ao controle do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União. E a partir dessa manobra feita pelo Orlando Diniz essas verbas passaram para a Fecomércio e aí sim puderam ser livremente gastas sem controle nenhum porque a Fecomércio não se sujeita a esse tipo de controle, como o Sesc e o Senac se sujeitam”, disse Bogado. O Sistema S, que abrange nove entidades de serviço, está previso no artigo 149 da Constituição Federal, e os recursos são oriundos de contribuição dos empregadores.

Outra linha de investigação da operação deflagrada na sexta-feira é o pagamento de R$ 180 milhões feitos pela Fecomércio a escritórios de advocacia. Entre os escritórios que aparecem na contabilidade está o Ancelmo Advogados, da mulher do ladrão peemedebista Sérgio Cabras, a "Riqueza" dele, "Garota do Leblon", Adriana Ancelmo. Ela já está condenada pela 7ª Vara Federal por lavagem de dinheiro, e recebeu R$ 20 milhões da Fecomércio. “A gente está investigando os pagamentos. Chamaram atenção por serem vultuosos, são pagamentos milionários, e foram feitos sem os controles previstos no Sesc e no Senac, com subterfúgios para driblar a fiscalização do TCU e da CGU. Poderia ser pagamentos a qualquer segmento, mas esses dos escritórios de advocacia chamaram a atenção”, explicou Vagos.

Segundo ele, ainda não se sabe se houve de fato prestação de serviços advocatícios por todos os escritórios, mas que eles podem ter sido feitos e serem regulares. Em nota, a Fecomércio-RJ disse que as “acusações que recaem sobre Orlando Diniz são infundadas”, e que ele esclarecerá todos os pontos levantados pela Polícia Federal e pelo MPF. “O devido processo legal deve provar sua inocência”, diz a nota. A nota destaca ainda que “o comando nacional da Confederação Nacional do Comércio, dirigida desde 1980 pela mesma pessoa, tem interferido indevidamente na entidade do Rio de Janeiro com a finalidade de se manter no poder” e que “as inverdades levantadas contra o grupo legitimamente eleito para dirigir a Fecomércio e o Sesc têm resultado na destruição de projetos importantes para a sociedade fluminense (como o investimento no esporte), no enfraquecimento do comércio no Estado e na desprofissionalização da Fecomércio, hoje controlada por interventores indicados politicamente”. 

Estados Unidos impõem sanções a 27 empresas e 28 navios por ajuda à Coréia do Norte


O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs nesta sexta-feira (23) sanções econômicas contra 27 empresas e 28 navios registrados em vários países para "aumentar a pressão e isolar ainda mais" o regime da Coreia do Norte. "Estamos atacando de maneira agressiva todas as vias ilícitas usadas pela Coréia do Norte para evitar sanções, entre elas medidas decisivas para impedir que navios, companhias de navegação e outras entidades do mundo trabalhem para o regime norte-coreano", indicou o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, em comunicado.

Os países onde estão registradas as embarcações e empresas atingidas são: Coreia do Norte, China, Cingapura, Taiwan, Hong Kong, Ilhas Marshall, Panamá, Tanzânia e Ilhas Comores. "Isto dificultará significativamente a capacidade do regime de Kim Jong-un de realizar atividades marítimas evasivas, que facilitam o transporte ilegal de carvão e combustível, e erodir suas capacidades para comercializar bens através de águas internacionais", comentou Mnuchin. O anúncio do Tesouro acontece pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificar a medida como o "maior conjunto" de sanções aplicadas contra Pyongyang.

Mnuchin acrescentou que "o presidente deixou claro para as companhias de todo o mundo que, caso decidam ajudar a financiar as ambições nucleares da Coreia do Norte, não vão fazer negócios com os EUA". Como consequência da deliberação do Tesouro, ficam congelados os ativos que essas entidades e empresas possam ter sob jurisdição americana e as 27 empresas e 28 navios também ficam proibidas de fazer transações financeiras com cidadãos americanos.

Aneel mantém bandeira tarifária verde para as contas de luz em março

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou na sexta-feira (23) que a bandeira tarifária de março continuará na cor verde, o que significa que não haverá cobrança extra nas contas de luz. Com isso, nos três primeiros meses do ano, não terá havido cobrança adicional nas contas de energia. Em janeiro, a bandeira já havia ficado na cor verde. Em fevereiro a Aneel decidiu manter a tarifa no mesmo patamar. A manutenção dela em março significa que a situação nos reservatórios das hidrelétricas continua a melhorar, devido à volta das chuvas. Nos últimos meses de 2017, por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, houve cobrança extra nas contas de luz via bandeira tarifária. Isso ocorre para arrecadar recursos necessários para cobrir custos extras com a produção de energia mais cara, gerada por termelétricas. Em outubro e novembro vigorou a bandeira vermelha no patamar 2, a mais alta prevista pela agência. Em outubro, o acréscimo foi de R$ 3,50 a cada 100 kWh consumidos no mês. Em novembro, como a Aneel antecipou a revisão dos valores que seriam aplicados a partir de janeiro de 2018, o valor adicional passou para R$ 5,00 a cada 100 kWh. Já em dezembro, em razão do início do período chuvoso, a agência reguladora determinou a cobrança da bandeira vermelha, mas no patamar 1, com cobrança extra de R$ 3,00 a cada 100 kWh.

Ministério Público Federal manda Polícia Federal investigar dono da Jovem Pan por sonegação e lavagem de dinheiro

Esta matéria é do site Diário do Centro do Mundo, notoriamente petista, alinhado aos interesses do PT. Apesar disso, a matéria tem todos os documentos necessários para comprovar a veracidade dos fatos que revela. Está na cara que o site recebeu a documentação diretamente da socialite Flavia Eluf, ex-mulher de Tutinha., ou de um representante legal seu. Está na cara que a matéria atende ao interesse de vingança do PT e dos petistas contra a Jovem Pan e seu proprietário que moveram intensa campanha pelo impeachment da mulher sapiens petista Dilma Rousseff. Está na cara ainda que a Polícia Federal em São Paulo engaveta a investigação solicitada pelo Ministério Público Federal porque há intervenção política das grandes, diretamente de Brasília, protegendo Tutinha. O Brasil funciona assim. E a grande mídia no Brasil também é corrupta e corruptora como todo o restante do capitalista paraestatal nacional e o sistema estatal de empresas. Mas, não deixe de ler. 

Casa de Tutinha em Manhattan tem 5 andares e vale 10 milhões de dólares – no 221 da East 61 ST
O Ministério Público Federal determinou à Polícia Federal que abra inquérito para apurar a denúncia contra Antônio Augusto do Amaral Filho, o Tutinha, dono da Jovem Pan, pelos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A denúncia envolve também três filhos adultos de Tutinha e a prima dele, Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, que seria responsável pelo envio de recursos ao exterior de maneira a dissimular o nome de Tutinha. A denúncia integra a Notícia de Fato número 1.34.001.0063220/2016-03, assinada pelo procurador Luís Martins de Oliveira. Na notícia, a partir de uma representação da ex-mulher de Tutinha, Flávia Eluf Lufty, ele afirma: "Ressalte-se, por oportuno, que a remessa significativa de divisas para o Exterior, sem a comprovação nos autos, indica possível envio de recursos de forma ilegal ou para o fim de promover lavagem de capitais". O procurador determina à Polícia Federal algumas providências, entre elas o envio de ofícios à Secretaria da Receita Federal para que indique se Tutinha ou os filhos Daniela Amaral de Carvalho, Antônio Augusto Amaral de Carvalho e Gabriela Amaral de Carvalho, bem como a prima e a empresa dela, Consenso Investimentos Ltda., respondem a processo administrativo fiscal. O procurador determinou ainda a requisição junto à Receita Federal dos dados fiscais de todos eles, no período de 2010 a 2016. 

“Sugere-se, ademais, a análise das movimentações bancárias dos envolvidos, referente ao mesmo período, com o objetivo de determinar os caminhos trilhados pelos valores sob análise. Por fim, sejam expedidos ofícios ao Bacen (Banco Central) para que informe se possuem registros das operações de câmbio contratadas pelos investigados acima, bem como promova-se suas oitivas, a fim de que esclareçam e comprovem os fatos noticiados, dentre outras providências a serem adotadas a critério da autoridade policial.”

A notícia foi acompanhada de centenas de cópias de documentos e de um pen drive, que contém as informações sobre os supostos crimes. Esse pen drive, segundo a denúncia, pertenceria ao próprio Tutinha. Segundo Flávia contou ao procurador, Tutinha deixou o arquivo digital conectado à entrada de USB de um computador quando deixou a casa onde morava com a mulher, Flávia, na rua Groelândia, Jardins. Sua separação foi turbulenta. Ele teria deixado a casa para viver com outra mulher, e alguns meses depois postou no Facebook uma nota em que relaciona uma série de obras de arte e acusa a ex-mulher de furto. Daniela, uma das filhas de Tutinha, de um casamento anterior, fez eco ao pai e também acusou a ex-madrasta de furto. A acusação foi parar no Distrito Policial do Itaim, mas não deu em nada. Ainda que a acusação fosse comprovada — e não foi —, não existe o crime de furto entre cônjuges.

O caso é um dos processos que envolvem a família. Em resposta à acusação de furto, Flávia representou contra os dois por injúria e calúnia, processos que estão em andamento na Justiça de São Paulo, já com o depoimento de Tutinha e Daniela agendados. Ao mesmo tempo em que se defendeu das acusações, Flávia entregou ao Ministério Público Federal o pen drive de Tutinha. No arquivo, segundo se depreende da Notícia de Fato assinada pelo procurador, há riqueza de detalhes da vida financeira de Tutinha. O procurador conta que, durante o casamento, Flávia descobriu “atos anômalos no campo negocial” e, no pen drive, encontrou documentos e correspondências por e-mail que, em tese, comprovam sua denúncia. Segundo o despacho do procurador, são documentos em inglês que revelam a existência de empresas e contas em paraíso fiscal, em nome de Tutinha e dos três filhos. Há ainda documentos que comprovam a compra de um imóvel de cinco andares em Manhattan, Nova York, em área muito valorizada, próxima do Central Park, na 221 East 61 street.

O imóvel, segundo a denúncia, não aparece na declaração de renda de Tutinha, referente a 2016, cuja cópia estava no pen drive e foi entregue ao procurador. 

Também não aparece a empresa em nome da qual a casa foi comprada, a Holding LLC GHSKLLP. Tutinha, segundo contrato social encontrado no pen drive, é sócio majoritário da empresa, que tem ainda três dos seus filhos como acionistas. O imóvel foi comprado por 6 milhões de dólares, mas, segundo avaliação da Prefeitura de Nova York, já está valendo 10 milhões de dólares, depois que Tutinha fez uma reforma em que gastou pelo menos 1 milhão de dólares.

Tutinha e Flávia Eluf: separação turbulenta gerou denúncia ao MPF

Na Notícia de Fato do Ministério Público Federal, também está relatado que existem muitas obras de arte no apartamento, que teriam sido registradas a preços subfaturados. “Por sua vez, (Flávia) trouxe também que Tutinha e seus três filhos maiores, Daniela, Antônio Neto e Gabriela, são titulares e/ou beneficiários da empresa estrangeira Kingswood Art Resources Inc. Segundo consta, esta empresa é titular de inúmeros quadros de artistas renomados e de valores expressivos, destacando-se a obra de Frank Stella (Cownway II, 1965) adquirida pela quantia de US$ 750 mil”, relatou o procurador, que prossegue: “Ela juntou correspondência eletrônica realizada por Tutinha com corretores estrangeiros de obras e arquitetos encarregados das citadas reformas, sendo que diversos documentos comprobatórios dessas empresas encontram-se orçados e quitados em moeda estrangeira, constando a correspondente tradução para a língua portuguesa.”

Ainda segundo o relato do procurador, feito com base na representação da ex-mulher de Tutinha, “as remessas dos valores era feita, na sua maioria, por meio de depósitos em contas bancárias indicadas por Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, responsável pela Consenso Investimentos Ltda., prima de Tutinha e conhecida pela alcunha de Lica.” Na Notícia do Fato, o procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira diz que “os documentos, recibos e as trocas de e-mails ora juntados comprariam o noticiado, declinado às folhas 11/12 trechos de mensagens que, em tese levantariam fortes suspeitas dos delitos até então alegados”. Na sequência, escreve o procurador: “De igual modo, consta da representação informação de que os bens noticiados e adquiridos no Exterior, bem como as propriedades e controles acionários das citadas Holdings e offshores, sediadas em paraísos fiscais, não teriam sido objeto de declaração à Receita Federal do Brasil — RFB”. 

O procurador segue reproduzindo a denúncia de Flávia, que revela procedimentos suspeitos por parte de Tutinha: “Não bastasse isso, das DIRFs (declaração de imposto de renda) de Tutinha referentes aos exercícios de 2015-2016, chama a atenção os expressivos valores de bens declarados, contudo, sem a devida comprovação nos autos acerca de suas origens, destacando-se, além de muitos outros, o valor de R$ 13.390.883,15 em cotado capital da MYDDLETON INVESTIMENS LTD, nas Ilhas Virgens Britânicas, bem como a significativa movimentação bancária na conta bancária 1106100 do banco Bradesco em Luxemburgo. Note-se, pois, que se trata de locais notoriamente conhecidos como paraísos fiscais”, escreve.

O ofício foi enviado pelo procurador à Polícia Federal em 11 de novembro de 2016. Três meses depois, no dia 14 de fevereiro de 2017, o delegado federal Eduardo Hiroshi Yamanaka despachou na Notícia Crime, já com 511 páginas, a maioria de documentos juntadas por Flávia. Eduardo Yamanaka não fez nenhuma investigação, ignorando as medidas requisitadas pelo procurador, e se manifestou pela devolução da Notícia de Fato ao Ministério Público Federal. “A citada petição não informa se houve autorização judicial para a quebra do sigilo fiscal e dos dados dos e-mail de Antônio, fato que gera a figura da prova ilícita”, justificou Eduardo Yamanaka. Num procedimento que não é comum na Polícia Federal, o chefe do Núcleo de Correições da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Ulysses Prates Júnior, também se manifestou e avalizou a sugestão do delegado Eduardo Yamanaka. “Pelo exposto, opino pelo acolhimento da sugestão do Delegado de Polícia Federal Eduardo Hiroshi Yamana e consequente devolução ao Exmo. Procurador da República Oficiante para que, respeitosamente, proceda a reavaliação do presente expediente à luz dos argumentos da referida autoridade policial”, destacou, em despacho assinado em 3 de março de 2017.

O procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira respondeu ao delegado, em termos duros. Diz que o delegado “não pode travestir-se de advogado de defesa e espiolhar nulidades”. A ele, cabe tão-somente investigar.. A manifestação do procurador merece reprodução integral: “Com o devido respeito, a análise quanto à licitude ou não da prova trazida aos autos não cabe, nesta fase preliminar, à autoridade policial. Não pode o delegado de polícia, embora bacharel em Direito, destacar-se de seu fundamental papel de investigador, de esquadrinhador da verdade. Não pode travestir-se em advogado de defesa e espiolhador de nulidades. Principalmente quando nenhuma diligência investigatória foi sequer cogitada.

A noticiante, testemunha presencial dos fatos narrados, independentemente da discussão a respeito da validade jurídica dos documentos que juntou aos autos, sequer foi ouvida. Seu depoimento, como bem sabe, ou deveria saber a autoridade policial, pode lastrear pedido judicial de acesso a informações bancárias ou fiscais, além de pedido de cooperação penal internacional com semelhante propósito. Requisito, insisto, a instauração de inquérito policial.” 

A resposta do procurador Sílvio Luis Martins de Oliveira é de 20 de julho de 2017, mas até agora, sete meses depois, Flávia, na condição de testemunha, não foi chamada. Eduardo Yamanaka já não se encontra mais na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), para onde a Notícia de Fato foi encaminhada. Em seu lugar, assumiu Karina Murakami Souza, que também estaria de saída.

Por que a Polícia Federal ainda não atendeu à determinação do procurador, que tem poderes para exibir a abertura de inquérito, como determina a Constituição? Uma explicação é a influência da Jovem Pan como veículo de comunicação. O grupo foi um dos mais ostensivos na campanha que levou à queda de Dilma Rousseff e, nos primeiros meses do governo Temer, foi um dos que lhe deram sustentação. A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça.

A ex-mulher de Tutinha, Flávia, não dá entrevista, mas amigas disseram que que já está disposta a ir aos Estados Unidos, para entregar cópias de documentos às autoridades do Fisco americano. 

Segundo cópias de e-mails e recibos de obras de arte adquiridas nos Estados Unidos, Tutinha teria comprado, através de suas empresas, obras de arte a preços subfaturados, o que significa menos recolhimento de imposto, prática que, nos Estados Unidos, é severamente punida.

Caso cumpra a ameaça de ir aos Estados Unidos denunciar o ex-marido, Flávia Eluf Lufty move mais uma peça numa disputa que começou em 2016, quando Tutinha, depois de se separar, postou em seu perfil Facebook que 43 quadros e esculturas haviam sumido da residência, entre exemplares de Di Cavalcanti, Amélia Toledo, Tunga, Vik Muniz e os gêmeos. “Ela me roubou”, acusou ele, segundo reportagem publicada à época pela Veja São Paulo. “Ela também sumiu com uma coleção de mais de cinquenta relógios, como Rolex. Até panela de 10 reais desapareceu”, disse. A acusação rendeu um boletim de ocorrência no 15o. Distrito de Polícia, que está parado. A essa acusação, somaram-se outras, mais pesadas.

Tutinha pediu a guarda das duas filhas que teve com Flávia, nos dez anos em que permaneceram casados. Na Vara de Família, ele acusou a ex-mulher de usar drogas. Flávia se submeteu a exame no laboratório Fleury, e o resultado deu negativo.

Por conta disso, Flávia pretende mover outro processo contra Tutinha. Seria o segundo. Ele já responde por injúria e difamação por conta da acusação de furto dos quadros. Tutinha, por sua vez, conseguiu na Justiça um mandado de reintegração de posse da casa onde ela vive com as duas filhas. A casa é dele, comprada antes do casamento com Flávia. Já existe a ordem de despejo, que pode ser cumprida a qualquer momento.

Flávia reclama que não tem onde morar. No acordo de separação, Tutinha teria concordado em pagar o aluguel em um apartamento no Itaim, no valor de R$ 15 mil aproximadamente, conforme recorte de classificado do jornal O Estado de S. Paulo apresentado ao juiz. O contrato de aluguel, no entanto, não foi assinado. Tutinha exige agora que Flávia se responsabilize pelo contrato e pague um terço do valor do aluguel. Os números relacionados à separação do controlador da Jovem Pan são expressivos, mas coerentes com o padrão de vida declarado por ele, conforme consta da representação encaminhada ao Ministério Público Federal. Em 2016, sua renda mensal era de R$ 780 mil. Hoje, ele paga aproximadamente 30 mil reais de pensão às duas filhas, mais escola e plano de saúde. Também teria se comprometido a pagar os quatro funcionários da mansão da rua Groelândia, mas os salários deles não estariam em dia.

Flávia se mantém firme na defesa do que considera seu direito, mas, como se vê, têm sido grandes os obstáculos que ela enfrenta. Há mais de um ano, denunciou o ex-marido ao Ministério Público Federal por supostas práticas ilegais. O procurador acolheu a representação, mas até agora a Polícia Federal não cumpriu a ordem do Ministério Público Federal.

O artista plástico Frank Stella, condecorado por Obama, vendeu uma obra para Tutinha por 750 mil dólares

Adesões ao Tesouro Direto batem recorde em janeiro

O número de adesões ao Tesouro Direto bateu recorde em janeiro. Segundo informações divulgadas na sexta-feira (23) pelo Tesouro Nacional, 82.568 investidores se cadastraram no programa no mês passado. O número de operações de até R$ 1 mil também atingiu o máximo histórico em janeiro. No último mês, ocorreram 119.076 aplicações nessa faixa de valor, representando 56,1% dos investimentos realizados. De acordo com o Tesouro Nacional, isso mostra maior acesso dos pequenos investidores ao programa. O número de investidores ativos (que efetivamente possuem aplicações) alcançou 1.915.352. Somente nos últimos 12 meses, o total de investidores no Tesouro Direto acumula alta de 59,8%. Apesar da atração cada vez maior de aplicadores, as vendas caíram em valores em janeiro. Elas somaram R$ 1,761 bilhão, com recuo de 28,8% em relação aos R$ 2,475 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. O recorde mensal absoluto foi registrado em março de 2017, quando as vendas totalizaram R$ 2,648 bilhões.

Em janeiro, os títulos mais procurados pelos investidores foram os vinculados à taxa Selic (juros básicos da economia), que concentraram 41,2% das vendas. Os papéis corrigidos pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) representaram 33,4% do total. Os títulos prefixados, com juros definidos no momento da emissão, corresponderam a 25,4%. Com o resultado de janeiro, o estoque de títulos públicos aplicados no Tesouro Direto subiu 2,3% em relação a dezembro de 2017, alcançando R$ 46,7 bilhões. A variação do estoque representa a diferença entre as vendas e os resgates, mais o reconhecimento dos juros que incidem sobre os títulos.

Em janeiro, os resgates somaram R$ 707,2 milhões, relativos a recompras (quando o Tesouro recompra títulos em circulação). No mês passado, não houve vencimentos de títulos (quando o prazo do papel acaba e o Tesouro paga os investidores). O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só tem de pagar uma taxa à corretora responsável pela custódia dos títulos.

Cerca de 43% dos municípios ainda não prestaram contas de gastos com educação


Mais da metade dos municípios do País já fizeram a prestação de contas sobre os gastos em educação de 2017 ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação. Até a tarde de sexta-feira (23), o número de municípios que tinham regularizado sua situação era de 3.165, o que representa 56,8% das cidades do País. O prazo para a prestação de contas referentes ao último bimestre de 2017 terminou no dia 30 de janeiro, mas os municípios que ainda não encaminharam as informações por meio do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) podem regularizar a situação a qualquer momento. O sistema está aberto 24 horas por dia e, segundo a área técnica do Siope, o FNDE recebeu cerca de 100 transmissões diárias nos últimos dias.

Estados e municípios que não encaminham as informações nos prazos estabelecidos ou não conseguem comprovar que investiram 25% do orçamento em educação ficam inadimplentes no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias (Cauc), do governo federal. Com isso, ficam impossibilitados de firmar novos convênios com órgãos federais e podem deixar de receber recursos de transferências voluntárias da União por tempo indeterminado. Os repasses só são liberados após a transmissão dos dados pendentes. Esse é o primeiro ano em que o prazo para o envio das informações pelas prefeituras ao Siope termina em janeiro. Até ano passado, o limite era até abril. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), 15,4% dos municípios conseguiram fazer a transmissão de dados até o dia 30 de janeiro. De acordo com a entidade, o encurtamento de prazo e o elevado número de novos prefeitos engrossam as estatísticas de municípios que não conseguiram cumprir a data estipulada pelo FNDE.

Os estados com o menor percentual de municípios que fizeram a prestação de contas são Amapá (18,7%), Piauí (18,7%) e Amazonas (19,3%). Entre os com maior percentual estão Sergipe (88%), Ceará (74,4%) e Tocantins (74,1%). 

Presidente do TRF4 defende fim do foro privilegiado

O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, defendeu nesta sexta-feira (23) o fim do foro privilegiado. Ao palestrar na Câmara Americana de Comércio (Amcham), ele citou ex-presidentes dos Estados Unidos julgados pela Justiça e lembrou que todos eles responderam a processos em primeira instância. “Lá nos Estados Unidos, o presidente da República, como toda e qualquer autoridade, responde ao processo em primeira instância. Não há o foro por prerrogativa de função”, disse. Fazendo uma comparação entre o caso Watergate e a Operação Lava Jato no Brasil, Thompson Flores disse que os fatos que ocorreram nos Estados Unidos há mais de 40 anos podem trazer reflexões. “Está mais do que na hora, no Brasil, de revisarmos o foro privilegiado”, afirmou.

Segundo ele, todas as instâncias da Justiça brasileiras estão preparadas para lidar com a possibilidade do fim do foro privilegiado: “Digo isso com toda certeza. A Lava Jato é um exemplo. Os processos da Lava Jato estão tendo um prazo que não é rápido demais – o que comprometeria o direito de defesa dos acusados e investigados – e não é demasiadamente demorado, o que dá impressão de impunidade”. O desembargador destacou que, só no TRF4, passaram 911 processos relativos à Lava Jato, sendo que apenas 2% deles foram reformados em instâncias superiores. “As diversas instâncias estão preparadas”.

O desembargador destacou ainda que o fim do foro não prejudicaria a defesa dos réus, já que o Brasil, diferentemente de muitos outros países, tem um sistema de recursos generoso. “O ingresso no Poder Judiciário é de uma generosidade poucas vezes vista em qualquer outro país”, disse. “O fato de ser julgado em primeira instância permite, no Brasil – e não nos Estados Unidos, uma gama de recursos enorme. Estamos vendo aí processos que levam tempo, como o caso de Paulo Maluf. Ele é um homem idoso e só agora as garras da Justiça o capturaram”. Além do fim do foro privilegiado, o presidente do TRF4 também defendeu a revisão dos crimes de obstrução de Justiça e de perjúrio, usando novamente os Estados Unidos como exemplo, lembrando que lá um presidente é sempre punido por mentir, como nos casos de Nixon e também de Bill Clinton: “Isso mostra a importância que os americanos dão para a palavra empenhada”, disse.

“Mas o crime de perjúrio aqui não tem sido levado muito a sério”, disse ele sem citar nomes ou algum caso específico. “Nos Estados Unidos, quando uma autoridade é convocada para um comitê, que seria nossa Comissão Parlamentar de Inquérito, para um depoimento, ela pode se calar, mas arcando com as consequências processuais que isso significa. Mas, em falando, ela não pode mentir. Três ministros de Nixon foram aos comitês e mentiram à vontade. Comprovado depois que mentiram, os três foram condenados em primeiro grau e já foram cumprir penas”, contou.

Citando também os presidentes dos Estados Unidos, o desembargador disse que nenhum deles utilizou o poder do Estado para fazer sua defesa em um processo judicial, como aqui ocorre com o uso da Advocacia-Geral da União: “Os presidentes dos Estados Unidos ou seus partidos constituíram escritórios de advocacia para fazer suas defesas. Esse é um princípio que me parece importante. Podemos aqui no Brasil caminhar em algo nesse sentido”, disse.

Casos de febre amarela já somam 246 em São Paulo, com 93 mortes

Os casos autóctones de febre amarela (quando a transmissão ocorre na própria localidade) no estado de São Paulo somam 246, informa a Secretaria de Estado da Saúde, em boletim divulgado na sexta-feira (23). Deste total, 93 resultaram na morte do paciente. No último balanço, os casos eram 202 e as mortes, 76. Metade das infecções ocorreram em Mairiporã e 17% em Atibaia, o que representa dois terços dos casos. Na capital, os números permaneceram os mesmos da semana passada: cinco registros, com três mortes. A secretaria reforçou o chamado para vacinação nas 54 cidades consideradas prioritárias. A campanha de imunização contra febre amarela é considerada preventiva, pois São Paulo tem 38 cidades como locais prováveis de infecção da doença. Desde o dia 25 de janeiro, 4,1 milhões de pessoas foram vacinadas. A meta, no entanto, é alcançar 9,2 milhões até 2 de março. Do total de imunizados, 96% receberam a dose fracionada, que é válida por oito anos, conforme orientação do Ministério da Saúde.

A região com menor cobertura vacinal é a Baixada Santista, com 31,1%. Os municípios do ABC Paulista, na região metropolitana, e capital alcançaram 54,3% do público-alvo. No último dia 19, o governo estadual anunciou a prorrogação da campanha com o objetivo de ampliar a cobertura. A expectativa é que 5,1 milhões de pessoas compareçam aos postos na próxima semana. De acordo com o governo estadual, 6,9 milhões de doses fracionadas estão disponíveis para as áreas definidas para a campanha. Além disso, 2,3 milhões de doses-padrão são disponibilizadas para crianças com idade entre 9 meses e 2 anos incompletos, pessoas que viajarão para países que exigem a vacina e grávidas residentes em áreas de risco.

Pessoas HIV positivo, pacientes com tratamento quimioterápico concluído, transplantados, hemofílicos ou pessoas com doenças do sangue devem consultar o médico sobre a necessidade da vacina. Não há indicação para grávidas que morem em locais sem recomendação de imunização, mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 meses e imunodeprimidos, como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas.

Venezuelanos perderam 11 kg em média por causa da falta de comida


Em meio à grave crise econômica, escassez e a maior superinflação do mundo, nove em cada dez venezuelanos vivem abaixo da linha da pobreza, e mais da metade deles estão no patamar da pobreza extrema, segundo estudo divulgado na quarta-feira (21). De acordo com a Pesquisa sobre Condições de Vida (Encovi), realizada anualmente pelas principais universidades da Venezuela, os venezuelanos perderam em média 11 quilos em 2017. Seis em cada dez admitem já terem ido dormir com fome por falta de comida. Para especificar a porcentagem da população na pobreza, os especialistas aplicaram um questionário de 16 páginas e entrevistaram 6.168 famílias em todo o país.

A condição de pobreza foi extraída dos dados coletados e analisados sob diferentes métodos, como linha de pobreza, necessidades básicas insatisfeitas, e medição multidimensional da pobreza. Dentro das respostas obtidas, os especialistas estabeleceram que 61,2% dos entrevistados viviam em pobreza extrema, enquanto 25,8% foram considerados pobres – na soma, praticamente nove em cada dez venezuelanos viveu na pobreza em 2017. O estudo refletiu uma dramática deterioração da qualidade de vida dos venezuelanos ao avaliar o aumento da pobreza e sua incidência em emprego, educação, criminalidade, nutrição e saúde em geral.

A pesquisa é realizada anualmente desde 2014 pelas Universidade Central da Venezuela (UCV), Universidade Simón Bolívar (USB) e a Universidade Católica Andrés Bello (UCAB). A socióloga María Gabriela Ponce, da UCAB, afirmou que entre os resultados desta pesquisa foi observado que a pobreza extrema aumentou na Venezuela de 23,6% para 61,2% em quatro anos e quase dez pontos percentuais apenas entre 2016 e 2017. Ponce exibiu um gráfico que mostra que em 2014 a pobreza extrema afligia 23,6% da população – 2015 (49,9%), 2016 (51,5%) e em 2017 (61,2%). As estatísticas mostraram também que os domicílios considerados "não pobres" em 2014 representavam 51,6% dos consultados, enquanto em 2015 já eram apenas 27%, passando em 2016 para 18,2% e a 13% em 2017.

Os especialistas que participaram do estudo deixaram claro que estes dados não refletem o impacto nos domicílios consultados sobre o processo de hiperinflação, que estourou em outubro do ano passado – os dados foram coletados entre julho e setembro de 2017. Marianella Herrera, pós-graduada em Nutrição Clínica na USB, disse que 64% dos entrevistados relataram ter perdido uma média de 11 quilos no último ano por não terem acesso a alimentos. Herrera relatou que 61% dos entrevistados disseram ter "ido para a cama com fome" porque não tinham comida suficiente e 90% disseram que sua renda "não é suficiente" para comprar a quantidade necessária de alimentos.

Os resultados apresentados pela especialista em nutrição indicam que 63% das pessoas praticaram "a estratégia" de "produzir alimentos em casa", eliminaram refeições ou cortaram porções em seus pratos. "Cerca de 20% não tomam café da manhã, e os lanches são praticamente inexistentes, enquanto 70% dizem não ter suficiente para comprar alimentos saudáveis e balanceados", disse Herrera. A especialista acrescentou que "80% dos domicílios possuem algum grau de insegurança alimentar" e têm uma "dieta anêmica". Segundo Anitza Freitez, especialista em Estudos Sociais da UCAB, três de cada quatro crianças da população mais pobre entre as idades de três e 17 anos deixaram de frequentar a escola com frequência devido à falta de comida.

O sociólogo da UCV Roberto Briceño León, diretor da ONG Observatório Venezuelano de Violência (OVV), disse que, de acordo com o estudo, a insegurança aumentou no país no ano de 2017 – um em cada cinco foi vítima de um crime. León apontou que a violência "ocupou quase todo o país" – dados da pesquisa mostram que apenas 10% das comunidades não registraram um crime violento. Ainda segundo León, 41% dos cidadãos entrevistados "sentem a necessidade de se mudar" do bairro ou de sair da Venezuela – um número que aumentou significativamente devido à "situação de violência sustentada e grave" desde 2014, quando apenas 28% expressaram o desejo de se mudar.

Resultados da Lava Jato garantem bloqueio de US$ 44 milhões no Exterior em 2018

O Ministério da Justiça informou na sexta-feira (23) que, em 2018, as investigações da Operação Lava Jato levaram ao bloqueio de mais de US$ 44 milhões (R$ 142,61) no Exterior. Os valores, depositados em bancos suíços, foram bloqueados como resultado de uma cooperação jurídica internacional entre o Ministério da Justiça e o governo da Suíça. Os recursos bloqueados em 2018 ainda não foram devolvidos ao Brasil. O Ministério da Justiça informou que isso só vai ocorrer “após o trânsito em julgado das ações condenatórias penais na Justiça brasileira ou após a concordância dos réus em dispor desses ativos mantidos no Exterior, nos casos que envolvem acordos de colaboração premiada”. Entre 2014 e fevereiro de 2018, as investigações da Lava Jato resultaram no bloqueio de US$ 377,5 milhões no Exterior. Desse valor, US$ 135 milhões (R$ 437,55 milhões ao câmbio do dia) já foram repatriados.

Lucro dos maiores bancos volta a crescer e sobe 14,6% em 2017

O lucro dos maiores bancos do País voltou a crescer em 2017, após ter recuado quase 20% em 2016. Somados, os ganhos das quatro maiores instituições financeiras com ações listadas na Bovespa – Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander — alcançaram R$ 57,63 bilhões no ano passado ante R$ 50,29 bilhões em 2016, o que corresponde a uma alta de 14,6%. Apesar da recuperação das margens, a soma dos lucros líquidos ainda ficou abaixo do resultado nominal de 2015, quando os ganhos dos 4 bancos somaram R$ 61,95 bilhões, segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica. 


O maior lucro em 2017 foi do Itaú (R$ 23,96 bilhões), seguido por Bradesco (R$ 14,65 bilhões), Banco do Brasil (R$ 11,01 bilhões) e Santander (R$ 7,99 bilhões). Já a mediana do indicador rentabilidade sobre o patrimônio dos 4 bancos ficou em 13,92%, em linha com os 13,74% regiostrados em 2016, segundo a Economatica.  

Itaú 
Lucro cresce 10% em 2017 e atinge R$ 24 bilhões, puxado por redução de despesas com provisão para crédito de liquidação duvidosa. 
Bradesco 
Lucro cai para R$ 14,65 bilhões em 2017, impactado pelo aumento nas provisões para perdas com calotes. 
Banco do Brasil 
Lucro cresce 37% em 2017 e atinge R$ 11 bilhões, puxado pelo aumento das receitas com tarifas bancárias, redução de gastos administrativos e também das provisões. 
Santander 
Lucro cresce 44,5% em 2017 e alcança R$ 8 bilhões, impulsionado pelo aumento de receitas.

Diplomata e policial são presos após 389 kg de cocaína serem descobertos na embaixada russa em Buenos Aires


O governo da Argentina anunciou, na quinta-feira (22), que um diplomata russo e um agente da polícia argentina foram presos após uma operação que durou mais de um ano e que investigava um grande carregamento de cocaína deixado na Embaixada da Rússia em Buenos Aires. A ministra de Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, disse que 389 quilos da droga foram descobertos em dezembro de 2016, dentro da embaixada russa, após uma denúncia do próprio embaixador, Victor Koronelli, que desconfiou de bagagens que estavam em um anexo do prédio onde funciona a representação diplomática. A investigação conjunta entre Rússia e Argentina também possibilitou prender envolvidos no esquema na Europa. A cocaína, que estava distribuída em 16 malas, foi substituída por farinha, e levada para a Rússia em um vôo de mudança diplomática rastreado com GPS, que decolou em 9 de dezembro do ano passado. No país, três pessoas foram presas, segundo a imprensa argentina.


Bullrich classificou a operação como uma das mais "complexas e extravagantes" já realizadas e disse que quase todos os envolvidos no crime foram presos, exceto uma pessoa que estaria na Alemanha. As duas prisões anunciadas na quinta-feira foram executadas na quarta-feira (21), e configuram a parte final da operação.

O ex-contador da Embaixada está entre os detidos na Rússia. Ele atuou na Argentina até julho de 2016, e fontes familiarizadas com o caso afirmam que a droga foi deixada na Embaixada antes de sua saída do cargo. De acordo com os investigadores argentinos, a droga foi avaliada em 50 milhões de euros (R$ 200,2 milhões) e seu destino poderia ser "a Copa da Rússia ou o consumo regular no país". A polícia ainda estuda a procedência da cocaína.