quinta-feira, 1 de março de 2018

Polícia Federal invade mansão e empresas do megalixeiro Wilson Quintella Filho, dono da Estre, máfia do lixo é investigada pela Operação Lava Jato



A Polícia Federal e a Receita Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em operação de desdobramento da Lava Jato em São Paulo e Minas Gerais na manhã desta quinta-feira (1º). Segundo a Polícia Federal, a Operação Descarte tem como objetivo desarticular esquema criminoso de lavagem de dinheiro e desvios de recursos pagos por prefeituras municipais na execução de contratos de limpeza urbana. Na verdade, uma verdadeira "limpeza de recursos  públicos" realizada por estas megalixeiras rapinantes, que corrompem na área política desde vereadores até presidente da República. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas mansões e empresas nas cidades paulistas de São Paulo (9), Santos (1), Paulínia (1), e nas mineiras Belo Horizonte (2) e Lamim (2).

Em Belo Horizonte, os policiais fizeram buscas na casa do milionário Átila Reys Silva, empresário da construção civil, no Mangabeiras, bairro sofisticado da capital mineira. Ele é apontado pela Polícia Federal como operador do esquema e teve mandado de prisão indeferido pela Justiça. Durante a ação, marceneiros foram chamados até a casa porque havia a suspeita de que houvesse materiais escondidos em fundos falsos no imóvel. Em Lamim, na Zona da Mata mineira, ficam um escritório e uma fazenda do milionário Átila Reys Silva. 

De acordo com a Receita Federal, a organização criminosa emitiu mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude. A investigação foi feita a partir de delação do doleiro Alberto Youssef, que está na origem da Operação Lava Jato, assim como já tinha estado na Operação Banestado. Na foto abaixo o edificio onde fica localizado o apartamento-mansão do megalixeiro Wilson Quintella Filho, na região dos Jardins, em São Paulo. O megalixeiro só andava de jatinho Phenom, da Embraer, no Brasil e no Exterior, comandando e articulando seus negócios obscuros. Uma dessas viagens foi a Punta Del Este, no Uruguai, onde se encontrou com o outro megalixeiro brasileiro, Carlos Leal Villa, dono do Grupo Solvi, Na mesa das conversas no Uruguai estava o megacontrato de limpeza da prefeitura de São Paulo, na gestão do prefeito João Dória, antigo amigo das empresas lixeiras. 


"Uma das pontas, a primeira fiscalização, começou pelo fato de uma das empresas envolvidas ter feito transações com um dos operadores citados na Lava Jato. A outra ponta, a outra fiscalização que estava em andamento, foi uma operação em uma dessas empresas de coleta de lixo que tinham feito com outro operador citado na Lava Jato. Percebemos que essas empresas se utilizam de vários operadores diferentes para poder praticar crimes contra ordem tributária", disse o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira. O delegado não disse nome da empresa, mas é a megalixeira Estre, do megalixeiro Wilson Quintella Filho, que operou amplamente com o regime da organização criminosa petista, Lula. Wilson Quintella Filho chegou ao ponto de contratar como um de seus diretores a figura de Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete na prefeitura de Ribeirão Preto e depois no Ministério da Fazenda, nas gestões do "porquinho petista" e bandido comuno-trotskista Antonio Palocci. 

Segundo a Polícia Federal, "as empresas participantes do esquema simulavam a venda de mercadorias ao cliente do "serviço" de lavagem, que então pagava por produtos inexistentes via transferências bancárias ou boletos (para dar aparência de legalidade à aquisição). As quantias recebidas eram transferidas para diversas outras empresas de fachada, que remetiam os valores para o Exterior ou faziam transferências para pessoas ligadas ao cliente inicial".


A investigação mostrou que a empresa Soma (um consórcio), concessionária de serviços públicos de limpeza no município de São Paulo, é "a maior cliente identificada, usou serviços da rede profissionalizada de lavagem de dinheiro, tendo simulado a aquisição de detergentes, sacos de lixo, uniformes etc., entre os anos de 2012 e 2017". Fiscalização de auditores em empresas de lixo mostrou que 14 fornecedores do consórcio Soma tinham forjado emissão de notas fiscais.

A Polícia Federal diz que não foi identificada até o momento a participação de funcionários da prefeitura de São Pauloo, mas que uma das linhas de investigação é saber se o dinheiro que a Soma mandou para as empresas de fachada chegou a servidores públicos. Os policiais federais podem ter certeza de que sempre correu e continua a correr muita propina no lixo em São Paulo. Ultimamente, o prefeito João Dória vinha mantendo reuniões com o megalixeiro Wilson Quintella Filho, que teve seu apartamento-mansão nos Jardins invadido pela Polícia Federal nesta quinta-feira. 

A Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio de nota, "que não tem nada a comentar porque a operação da Polícia Federal não envolve a gestão municipal". Por telefone, o ex-secretário de serviços da gestão Fernando Haddad (2012-2016), Simão Pedro, afirmou que o modelo de contrato com a empresa investigada foi feito na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab e prorrogado na gestão Haddad após ter sido aprovado pelo Tribunal de Contas do município. O Tribunal de Contas de São Paulo não passa em qualquer exame preliminar de probidade.


No total, segundo a Polícia Federal, foram repassados mais de R$ 120 milhões para terceiros ainda não identificados. Uma das células do esquema criminoso mandou ilegalmente parte dos valores para o Exterior, em favor de funcionário público argentino e em conluio com operadores financeiros que foram presos posteriormente durante a Operação Lava Jato. Além disso, o grupo adquiriu vários veículos de alto luxo, como Ferrari, Masserati e BMW, registrados em nome de laranjas. Os mandados de busca foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal. Os crimes investigados são lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação tributária e associação criminosa. 


A SOMA – Soluções em Meio Ambiente, é um consórcio composto pelas empresas Cavo e Corpus. A partir de dezembro de 2011, passou a ser responsável pela limpeza urbana das regiões leste e sul da cidade de São Paulo. O Consórcio SOMA atua na região sudeste da cidade de São Paulo, uma área de 992,58 quilômetros quadrados e uma população estimada em quase 7 milhões de pessoas, que residem em pouco mais de 2 milhões de domicílios. Todo o trabalho é supervisionado pela Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) e por 18 subprefeituras: AD – Cidade Ademar, AF – Aricanduva/Formosa, CL – Campo Limpo, CS – Capela do Socorro, CT – Cidade Tiradentes, EM – Ermelino Matarazzo, G – Guaianazes, IP – Ipiranga, IQ – Itaquera, IT – Itaim Paulista, JA – Jabaquara, MB – M’Boi Mirim, MP – São Miguel Paulista, PA – Parelheiros, SA – Santo Amaro, SM – São Mateus, VM – Vila Mariana, VP – Vila Prudente. 

A CAVO é uma empresa do grupo megalixeiro e "petroleiro" ESTRE AMBIENTAL SA. Atualmente, 57% do controle acionário do grupo está em mãos da empresa ESTR AMBIENTAL INC, controlada pelo fundo americano de investimentos Boulevard, pertencente a outro fundo, o Capital Venture, e tem ações na Nasquad (uma das bolsas de Nova York). 

Sócia do Consorcio Corpus & Estre, a Corpus Saneamento e Obras Ltda é sócia, administradora e dona da empresa Consorcio Corpus & Estre. Tem o CNPJ  13.224.889/0001-32. Sua razão social é Consorcio Corpus & Estre. A empresa funciona na rua Professor Zeferino Vaz, 988, no Jardim Santa Terezinha 2, em Paulinia, A Estre Ambiental tem um megalixão nesse município. Tem registrada como atividade econômica a coleta de resíduos não-perigosos (3811400). Sua natureza jurídica é de um consórcio de sociedades (2151). A data de abertura da empresa é 28 de janeiro de 2011. O telefone de contato da empresa (19) 3825-5060. E o e-mail é juridico@corpus.com.br. 

Consorcio Valinhos Ambiental (Consorcio Valinhos Ambiental) é empresa fundada em 7/1/2014, tem o CNPJ 19.479.485/0001-76. Seu endereço é na rua Geraldo De Gasperi, 4981, Chacara Sao Bento, Valinhos. O telefone é (19) 3825-3355 e o e-mail é juridico@corpus.com.br. Suas principais atividades são coleta de resíduos não-perigosos (3811400), coleta de resíduos perigosos (3812200). É um consórcio de empresas, reunindo os seguintes sócios: Cineas Feijo Valente, Corpus Saneamento E Obras Ltda, Estre Ambiental S/A.




Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na manhã desta quinta-feira (1º) em uma empresa especializada em licenciamento ambiental, localizada no Centro de Santos, como parte da Operação Descarte. Em Santos, os agentes da Polícia Federal e da Receita Federal chegaram por volta de 6h30 à companhia. Eles pediram para que um funcionário de um posto de combustível que fica ao lado da companhia, acompanhasse a operação, servindo como testemunha. Os policiais arrombaram a porta do imóvel e ficaram no interior da empresa por cerca de 2 horas. Durante a ação eles apreenderam documentos, computadores e HDs.

Itaipu registra o melhor bimestre da história com produção recorde


A usina de Itaipu registrou o melhor bimestre em quase 34 anos de operação, com a geração de 18.055.000 megawatts-hora (MWh). É a primeira vez que a usina ultrapassa a marca de 18 milhões de MWh antes de iniciar março. O volume produzido nos dois primeiros meses de 2018 é 4,7% maior quando comparado ao mesmo período de 2016 (ano do recorde mundial de Itaipu), quando foram gerados 17.236.382 MWh. É também 6,5% maior em comparação com janeiro e fevereiro de 2017, quando Itaipu produziu 16.955.185 MWh. O Brasil possui atualmente 1.641 plantas de energia com capacidade acima de 1 MW. Com exceção da produção anual da Usina de Tucuruí, a produção da Itaipu nesse bimestre supera a de todas as demais usinas brasileiras no ano de 2017. Com um dia a menos, Itaipu também teve o segundo melhor fevereiro de todos os tempos, com 8.525.000 MWh. O melhor foi em 2016, que, por ser ano bissexto, teve um dia a mais (29) e produção final de 8.741.899 MWh. Na média, no entanto, fevereiro de 2018 lidera.

Para o diretor técnico executivo, Mauro Corbellini, os recursos abundantes são importantes, mas utilizá-los com eficiência é crucial. A afluência média de água na usina de Itaipu neste bimestre foi de 14.800 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto no mesmo período de 2016 foi de 17.833 m³/s. Mesmo assim e com um dia a menos, a produção foi 4,7% maior. “O grande desafio não é somente aumentar ou reduzir a disponibilidade de cada elemento-chave no processo de produção, mas sim ajustar, no limite da possibilidade, os momentos de suas disponibilidades, viabilizando, assim, as indisponibilidades programadas necessárias e a maximização do fluxo de energia”, diz Corbellini. 

STF decide que aterros sanitários, lixões "sofisticados", de baixíssima tecnologia, não podem ocupar área de proteção ambiental

O Supremo Tribunal Federal confirmou, nesta quarta-feira (28), que as empresas lixeiras e prefeituras não poderão mais construir os famigerados aterros sanitários em áreas de proteção permanente ambiental. O tribunal decidiu que as obras destinadas à gestão de resíduos sólidos não são de utilidade pública e, portanto, não poderiam ocupar essas zonas de preservação ambiental. A decisão já era prevista - restava apenas o voto do ministro Celso de Mello, que também votou pela inconstitucionalidade da permissão, ao lado de outros oito ministros. Apenas Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes haviam defendido a maior flexibilização. 

A mudança perturba os planos das famigeradas empresas lixeiras, já que aproximadamente 80% dos aterros regularizados passam, ao menos parcialmente, por essas regiões, segundo estimativa da Abetre, associação que representa as companhias do setor. 

Hoje, essa autorização é prevista em um artigo do Código Florestal de 2012, cuja constitucionalidade foi questionada no Supremo, juntamente com outros dispositivos do texto. Segundo advogados da entidade, as empresas pedirão embargos de declaração para aclarar alguns pontos considerados obscuros, principalmente na decisão do relator do caso, Luiz Fux, cujo voto foi seguido por parte dos ministros. Os aterros construídos não deverão sofrer punições, mas a restrição limitará a construção de novos aterros e dificultará a expansão daqueles já existentes, segundo as empresas. "Corre-se o risco de perpetuar o que ocorre hoje, que é 45% dos resíduos indo para lixões", afirma Fabricio Soler, sócio da Felsberg Advogados especializado na área e que representa a Abetre. "Pela experiência, é difícil encontrar áreas aptas que não interfiram em áreas de proteção", diz ele. É evidente que isso não é verdadeiro. E tem mais, aterro sanitário (lixão "sofisticado") é um empreendimento de baixíssimo valor tecnológico, além de ter um poder de alto impacto ambiental, por  contaminar solos, lençóis freáticos e perpetuar a degradação de grandes áreas rurais no País. Além disso, esse aterros são verdadeiras bombas atômicas. 

Mas, o grande problema é que o Brasil, carente de energia, joga fora um gigantesco manancial. Se fossem instaladas usinas para queima do lixo e geração de energia elétrica, o Brasil poderá facilmente gerar mais de 30 mil megawatts hora dessa fonte de energia, com um gigantesco acréscimo de receita de ICMS para os municípios (a alíquota do ICMS sobre a energia elétrica é de mais de 33%), 

Um dos votos contrários à ocupação de áreas de proteção, dado pelo ministro Marco Aurélio, destaca que o uso de substâncias químicas inerentes à operação dos aterros pode gerar danos ambientais. A ministra Carmen Lúcia ressaltou que, nesse caso, as desvantagens de desmatar as áreas superariam os benefícios dos empreendimentos. "É um dos grandes debates no Brasil, a proteção ambiental contra a liberação de empreendimentos prioritários. Embora seja importante ter a gestão de resíduos, inclusive para a preservação, a flexibilização da regra significa uma intervenção no meio ambiente, que é justamente o objetivo da criação dessas áreas", afirma Gustavo Magalhães, sócio do Fialho Salles. 

Para Sérgio Gonçalves, diretor da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), o próprio processo de licenciamento ambiental pelo qual os empreendimentos precisam se submeter já dá conta de analisar se o impacto compensa ou não os benefícios da obra. Além disso, nem todas as áreas de proteção são próximas de cursos d'água, onde haveria mais risco de uma contaminação, afirma Simone Nogueira, sócia do setor ambiental do Siqueira Castro. É incrível como essa gente das empresas lixeiras cartelizantes usam argumentos falaciosos sem o menor pudor. "A maior parte das áreas de preservação onde há intervenção de aterros são regiões próximas de montanhas e não de cursos d'água. Você cria restrições que dificultam a construção. Não pode ter empreendimentos de resíduo perto da cidade. E agora também não poderá ter perto dos morros. É preciso ter algum local para a disposição desses resíduos", afirma. Na verdade, não é necessário, se o País optar pela implantação das usinas de queima de lixo e geração de energia elétrica, como já faz a Europa inteira, continente onde os famigerados aterros foram banidos desde 2015. O Brasil tem 679 aterros sanitários e 1.794 lixões, conforme os mais recentes dados divulgados pelo Ministério das Cidades.

General Mourão vai para a reserva chamando Ustra de "herói" e declarando apoio a Bolsonaro

Em discurso de despedida do Exército nesta quarta-feira (28), o general do Exército Antonio Hamilton Mourão chamou de herói o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015, que foi chefe do DOI-Codi paulista, órgão de repressão da ditadura militar. Mourão disse que Ustra foi seu comandante, "combateu o terrorismo e a guerrilha, por isso ele é um herói". O general afirmou que, agora fora da ativa, será candidato a presidente do Clube Militar e vai trabalhar pela candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Mourão disse que o "regime que nós vivemos" é frágil, "onde a moral e as virtudes foram enxovalhadas". "Se não mudarmos a moral do nosso regime, o nosso país não vai ter futuro", afirmou. O general disse que o Poder Judiciário deveria "expurgar da vida pública aquelas pessoas que não têm condições de participar". Questionado se ele incluiria Temer nesse cenário, Mourão respondeu que sim.

Governador da Bahia compara Polícia Federal a polícia nazista

Dois dias depois da operação em que foram feitas buscas no apartamento do ex-governador Jaques Wagner (PT), o governador da Bahia, Rui Costa (PT), comparou a atuação da Polícia Federal com a Gestapo, polícia política que atuou no regime nazista da Alemanha. Costa classificou a operação como "grande armação para tentar influenciar as eleições" e insinuou a existência de um conluio entre a Polícia Federal e a TV Bahia, afiliada da TV Globo, que pertence à família do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Ele fez referência ao fato de uma equipe da TV ter chegado ao prédio de Wagner antes da Polícia Federal. Ele ainda comparou a atuação da Polícia Federal com a Gestapo. "Isso eu me lembro dos livros que li de história da época da polícia fascista alemã, a Gestapo, que era usada como um braço da política", afirmou.

STF mantém anistia a desmatadores no Código Florestal

O Supremo Tribunal Federal manteve nesta quarta-feira (28) a anistia a crimes ambientais cometidos antes de 2008, determinada pelo Código Florestal. Em termos gerais, o Supremo manteve os dispositivos da lei, de 2012. Esse era um dos principais pontos entre 22 temas do Código Florestal que foram questionados em cinco ações que chegaram ao STF em 2012. "Isso vai trazer segurança jurídica para a implementação da lei", disse Rodrigo Justus, advogado da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), acrescentando que a maior vitória para os ruralistas foi o reconhecimento de quase toda a lei. 

A decisão por manter a anistia aos proprietários que aderirem ao PRA (Programa de Regularização Ambiental) coube à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, e aos colegas Alexandre de Moraes, Rosa Weber e Dias Toffol, Gilmar Mendes e Celso de Mello. A lei determina que quem adere ao programa não fica sujeito a sanções referentes a infrações de antes do marco temporal de 22 de junho de 2008. O entendimento dos ministros foi de que o caso não configura anistia, pois os proprietários continuam sujeitos a punição caso descumpram os ajustes firmados nos termos de compromisso. 

Relator das ações, Luiz Fux votou pela derrubada da anistia concedida a desmatadores. A posição foi seguida por Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio. O julgamento do Código Florestal no STF começou em novembro de 2017, mas foi interrompido por pedido de vista feito por Cármen Lúcia. A principal queixa dos especialistas era justamente a anistia para quem desmatou até 2008. A Procuradoria-Geral da República havia defendido a inconstitucionalidade da anistia por considerar que viola a proteção ambiental e reparação de danos. 

Com veto do Cade, grupo Ultra pagará R$ 280 milhões em multa à Petrobras

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) reprovou, nesta quarta-feira (28), a compra da Liquigás, maior distribuidora de gás de cozinha que pertence à Petrobras, pelo grupo Ultra. Dos sete conselheiros, cinco votaram pela rejeição. O negócio de R$ 2,8 bilhões é parte do programa de desinvestimentos da Petrobras, com o qual a estatal tenta levantar recursos para reduzir seu endividamento. A transação era tão importante para a Petrobras que o próprio presidente da estatal, Pedro Parente, ligou para os conselheiros e para o presidente do Cade, Alexandre Barreto. Com a recusa do Cade, o Ultra terá de pagar uma multa de R$ 280 milhões à Petrobras, que terá de centrar esforços na busca de interessados estrangeiros. Isso porque, segundo advogados que participaram das negociações, dificilmente uma empresa nacional não enfrentará o mesmo problema de concentração que levou o Cade a condenar a transação 

O veto do Cade não foi unânime. Discordando da maioria dos conselheiros e da área técnica, que defendia a reprovação do caso por não encontrarem "remédios" suficientes, a conselheira Polyanna Vilanova acolheu a proposta de venda de metade da Liquigás e propôs ao conselho do Cade negociar um "acordo". A conselheira-relatora do caso, Cristiane Alkmin, recomendou a condenação depois de negociar com as empresas sem consenso sobre possíveis "remédios". 

Acompanharam a relatora os conselheiros João Paulo de Resende, Paula Azevedo, Paulo Burnier e o presidente do Cade, Alexandre Barreto. Defenderam a aprovação do caso com "remédios", Polyanna Vilanova e Maurício Maia. 

Ultragaz e Liquigás são as líderes de um setor no qual quatro empresas dominam 85% das vendas. Se a operação fosse aprovada, a Ultragaz ficaria, sozinha, com 45% do mercado e com níveis de concentração ainda maiores em todo o Sul, na Bahia e em São Paulo. Apesar da proposta de vender bases de distribuição, concorrentes alegavam que as características do mercado nacional impediriam a entrada de novos agentes no setor diante da elevada concentração em mercados como a região Sul e a Bahia. 

 No mercado, uma empresa pega o botijão na casa do cliente. Se for de um concorrente, leva para o pátio e depois troca por um seu pego pelo concorrente. Assim, as empresas precisam ter grandes quantidades de botijões, uma vez que parte deles estará parada com os concorrentes. Ultra e Liquigás teriam 47,2 milhões de botijões, quase o dobro da terceira colocada em vendas, a Nacional Gas Butano, que tem 26,8 milhões. Mesmo que as concorrentes adquirissem a Liquigás, o problema da concentração persistirá. Foi o segundo revés do grupo Ultra no Cade em menos de um ano. Em agosto, o órgão barrou a aquisição da distribuidora de combustíveis AleSat, também alegando risco de concentração. O Ultra opera no setor por meio da bandeira Ipiranga.

Marcelo Odebrecht apresenta emails que diz serem ligados a sítio e terreno para Lula

A defesa de Marcelo Odebrecht apresentou nesta quarta-feira (28) os emails trocados entre executivos do grupo que tratariam da venda de um terreno para a construção do Instituto Lula, reformas em um sítio em Atibaia (SP) e financiamento para o filme "Lula, o filho do Brasil". 

Os documentos foram anexados aos autos do processo em que o ex-presidente Lula é acusado de beneficiar indevidamente as empreiteiras Odebrecht e OAS em troca de mais de R$ 1 milhão em reformas no sítio. Marcelo Odebrecht teve acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal em janeiro de 2017. 

Na petição desta quarta-feira, os advogados afirmam que Marcelo Odebrecht começou a realizar buscas em um HD ao qual teve acesso quando passou a cumprir regime domiciliar, em dezembro do ano passado. Seu objetivo, segundo os advogados, é encontrar mais elementos que corroborem os fatos relatados em seu acordo. Em um dos emails, o empresário pede que seja entregue a seu pai, Emilio Odebrecht, pontos para uma conversa. Entre eles, "estádio Corinthians", "obras sítio" e "instituto". Em outro email, o ex-funcionário Carlos Armando Paschoal afirma a Marcelo Odebrecht que a reforma de Atibaia está no cronograma e que será entregue no dia 15. 

Ele também diz que um engenheiro sênior ("Fred") se instalou no local e que "está cuidando pessoalmente do assunto com equipe de sua confiança". Ao juiz Sergio Moro, o engenheiro Frederico Barbosa afirmou que a empreiteira não queria ser identificada pela obra. 

Em outra mensagem, o executivo da Odebrecht, Emyr Costa, diz que "o cliente" relatou que "o morador do sítio" não estava preocupado com a extensão do prazo das obras. Em email para o executivo Luiz Antonio Mameri, Marcelo Odebrecht orienta: "Qd mencionar ao amigo de BJ (Benedicto Junior, ex-presidente da empreiteira) que o acerto do evento foi com Italiano/amigo de meu pai, e não com PT, importante não mencionar nada sobre minha conta corrente com Italiano (ex-ministro Antonio Palocci), pois só ele e amigo de meu pai (Lula, segundo Odebrecht) sabem". 

A defesa de Marcelo Odebrecht destaca que este email reforçaria o conhecimento de Lula sobre a conta corrente de propina mantida com Palocci. Em outra mensagem, o empresário diz que aprovou R$ 15 milhões com Palocci para cobrir pedidos do amigo de seu pai (Lula, segundo Marcelo Odebrecht), sem que ele soubesse do uso do crédito. A conta teria incluído palestras e frete de aeronaves. Foram anexados, ainda, emails trocados entre Marcelo Odebrecht e Branislav Kontic, assessor de Palocci. Em um deles, o executivo diz que precisa "mandar um paper para o Chefe (Palocci) pedindo orientações sobre o prédio".
Segundo a defesa do empresário, este prédio é o que seria construído para o Instituto Lula. Em outra mensagem, Odebrecht pede que Branislav lembre ao chefe sobre um encontro que ficou de marcar com o advogado sobre o prédio, pois teriam sido cobrados sobre o assunto. De acordo com sua defesa, o advogado é Roberto Teixeira, amigo de Lula. 

Marcelo Odebrecht também apresentou emails sobre uma suposta ajuda financeira para o filme "Lula, o filho do Brasil". O executivo Marcos Wilson afirma que o apoio da empresa seria de R$ 750 mil e que a empreiteira não apareceria. Ele ressalta que, embora fosse um desejo do cliente, achava este "tipo de louvação maléfico" e que poderia ser "um tiro no próprio pé do cliente". Odebrecht responde que está de acordo com o que decidirem seu pai, Emilio, e o executivo Pedro Novis. 

Há cerca de uma semana, Marcelo Odebrecht já havia apresentado emails que tratariam da compra de um terreno para o Instituto Lula. Na ocasião, os documentos foram anexados à ação penal em que Lula é acusado de beneficiar indevidamente a empreiteira em troca de vantagens como o terreno em São Paulo para o instituto.

Ibama aplica multa de R$ 20 milhões em refinaria no Pará

O Ibama multou a refinaria norueguesa Hydro Alunorte em R$ 20 milhões e embargou instalações da empresa nesta quarta-feira (28) por realizar atividade potencialmente poluidora e operar tubulação de drenagem sem licença válida da autoridade ambiental competente. Em 2009, o Ibama multou a empresa em R$ 17,1 milhões por lançamento de rejeitos no mesmo rio. A empresa recorreu, e até hoje nada foi pago. No fim de semana passado, moradores próximos da fábrica relataram mau cheiro e cor adulterada da água do rio Murucupi, que transbordou por causa das forte chuvas e atingiu várias casas. Um laudo Instituto Evandro Chagas de quinta-feira (22) confirmou a contaminação por chumbo e outros metais. 

Equipes do Ibama e do Instituto Evandro Chagas, que é vinculado ao Ministério da Saúde, realizaram vistoria no local nestas terça (27) e quarta-feiras (28). Uma nota técnica do instituto afirma que as águas do rio apresentaram níveis elevados de alumínio e outras variáveis associadas aos efluentes gerados pela Hydro Alunorte, que tem maioria de ações controlada pelo cínico governo da Noruega.

Após negar irregularidades em sua operação em Barcarena, a fabricante de alumina admitiu na sexta-feira (23) a existência de uma tubulação clandestina que deságua no rio. O depósito de rejeitos sólidos n° 2 e a tubulação de drenagem de efluentes da área industrial foram embargados pelo Ibama nesta quarta-feira (28). 

Ex-deputado paranaense é condenado a 9 anos por mortes em acidente de trânsito

Fernando Ribas Carli Filho, ex-deputado estadual do Paraná, de 35, foi condenado na tarde desta quarta-feira (28) a nove anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por duplo homicídio com dolo eventual. Em 2009, ele se envolveu em um acidente de trânsito que resultou na morte de dois jovens em Curitiba (PR). Carli poderá recorrer em liberdade. O júri, formado por cinco mulheres e dois homens, entendeu que o ex-deputado assumiu o risco de matar na ocasião. Segundo laudos periciais, Carli havia ingerido álcool antes do acidente e dirigia em alta velocidade. A dosimetria da pena ficou a cargo do juiz Daniel Avelar. 

Os jurados responderam quatro questões formuladas pelo juiz: se houve morte, se a ação do réu foi causa da morte, se o réu agiu de forma culposa (por imprudência) e se o acusado deveria ser absolvido. Eles julgaram que o ex-deputado agiu de forma dolosa e votaram contra a absolvição. A deputada federal Christiane Yared (PR), mãe de uma das vítimas, disse acreditar que o julgamento representará uma mudança de comportamento no trânsito. "A Justiça está compreendendo que essas mortes no trânsito, quando envolvem bebida e alta velocidade, precisam ser encaradas como dolo", disse. Christiane também disse que a sentença de Carli tem "tempo de validade". "A nossa não tem. Vamos para o túmulo com a nossa pena". Como deputada, ela já assumiu o discurso político, A condenação do assassino do filho dela é irrisória e ele pegará muito pouco tempo de cadeia, se chegar a pegar. O trânsito ainda é o maior assassino no Brasil, mata mais de 65 mil pessoas por ano, mais do que aquelas mortas por tiro ou facada. 

O assistente de acusação, advogado Elias Assad, afirmou que não recorrerá pelo aumento da pena do ex-deputado. Ele disse considerar que este caso criará jurisprudência em torno do tema, podendo servir como exemplo em processos semelhantes. Ao ser interrogado no julgamento, Carli assumiu parcela de culpa, mas disse que não teve a intenção de matar. O ex-deputado disse estar arrependido e pensar no acidente todos os dias. Ele pediu desculpas às mães das vítimas. "Quero hoje poder pedir desculpas pelo que causei. Eu quase morri. O filho de vocês morreu e eu quero, do fundo do coração, pedir desculpas". Carli afirmou que "jamais poderia imaginar" que um carro passaria na frente do seu na via preferencial, argumentação utilizada pela defesa. 

Ele voava na avenida, a mais de 160 quilômetros de velocidade, seu carro rasgou o veículo em que estavam os dois jovens mortos, como se fosse um abridor de latas. Eles foram degolados. Seus advogados sustentaram que as vítimas também erraram ao invadir a preferência do acusado. A defesa argumentou que o ex-deputado deveria ser condenado por homicídio culposo, quando não há a intenção de causar dano. Os advogados defenderam que Carli não assumiu o risco de matar, da mesma forma que não assumiu o risco de morrer. Uma prova disto seria que o próprio acusado quase morreu - situação que não teria sido prevista por ele. No caso de homicídio culposo, a pena seria de 2 a 4 anos. Para homicídio doloso, de 6 a 20 anos. 

O julgamento já havia sido agendado outras duas vezes, mas foi cancelado após cortes superiores aceitarem recursos da defesa do ex-parlamentar. O acidente que matou Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, ocorreu na madrugada de 7 de maio de 2009. Os amigos morreram na hora e o ex-deputado ficou internado por um mês. O carro dos jovens foi completamente destruído. Exame do IML apontou que Carli tinha quatro vezes o limite permitido de álcool no sangue, e laudo do Instituto de Criminalística do Estado constatou que ele dirigia a uma velocidade entre 167 e 173 km/h, numa via em que o limite era de 60 km/h.