quinta-feira, 29 de março de 2018

Procuradoria Geral da República pediu as prisões da Operação Skala, que deteve os amigos de Temer


A decisão do ministro Luís Roberto Barroso autorizadora da Operação Skala, deflagrada nesta quinta-feira (29), revela que a Polícia Federal não chegou a pedir a prisão temporária de investigados, mas, sim, que essas solicitações partiram da Procuradoria-Geral da República. O que a Polícia Federal pediu, segundo Barroso, foram intimações simultâneas para prestação de depoimento, como alternativa à condução coercitiva. Já a Procuradoria Geral da República, ao se manifestar sobre os pedidos da Polícia Federal, apontou necessidade de prisões temporárias. “Instada a se manifestar, a Procuradoria-Geral da República corroborou as razões apresentadas pela Policia Federal e requereu, em lugar das pleiteadas (pedidas) intimações simultâneas, subsidiárias de condução coercitiva, a decretação da prisão temporária dos investigados”, diz Barroso, citando os 13 alvos desta medida.

Preso pela manhã, coronel Lima passa mal, é atendido no Hospital Albert Einstein e chega à carceragem nesta noite

O coronel João Baptista Lima Filho, da reserva da Polícia Militar de São Paulo, foi levado no início da noite desta quinta-feira (29) para o Instituto Médico Legal, para exames, e seguiu depois para a carceragem da Polícia Federal. Amigo do presidente Michel Temer, o coronel foi preso pela manhã na Operação Skala, investigação sobre esquema de propinas a partir do Decreto dos Portos, editado pelo peemedebista em maio de 2017. Lima saiu de casa, logo cedo, escoltado pela Polícia Federal em uma ambulância porque passou mal durante as buscas dos agentes. Ele foi internado no Hospital Albert Einsten, onde passou o dia todo. No início da noite, o coronel teve alta e foi levado ao IML, depois para a sede da Polícia Federal em São Paulo. Lima está sob investigação como suposto intermediário de propinas para Temer, de quem é amigo há quase 40 anos. Segundo a Polícia Federal, ele vinha se esquivando de prestar depoimento no inquérito da Operação Skala. Por três vezes, pelo menos, a Polícia Federal tentou ouvi-lo, mas o coronel alegou problemas de saúde e não foi depor. Chegou a pedir para depor por escrito, o que a Polícia Federal não aceitou. 

Ex-ministro peemedebista Wagner Rossi diz ao ir preso que decreto dos portos não é assunto da sua alçada


O ex-ministro Wagner Rossi (PMDB), da Agricultura, preso na Operação Skala nesta quinta-feira, 29, chegou por volta de 14h30 à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo. Ele foi trazido de Ribeirão Preto em um camburão da Polícia Federal. Vai ficar preso pelo período de cinco dias, por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. A Operação Skala pegou amigos e aliados do presidente Michel Temer. Foram presos o empresário e advogado José Yunes, o empresário Antônio Celso Grecco, do Grupo Rodrimar, e o coronel da PM João Baptista Lima Filho. A operação é resultado do inquérito da Polícia Federal sobre o Decreto dos Portos, editado por Temer em maio do ano passado para supostamente beneficiar empresas do setor portuário, como a Rodrimar.

Ao entrar na sede da Polícia Federal, Rossi declarou: “É um assunto que não é da minha época, não é da minha alçada, que é o tal Decreto dos Portos. Eu tinha saído 15 anos antes da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), portanto não tenho nada a ver". Rossi foi ouvido na Polícia Federal de Ribeirão Preto logo depois de ser preso em casa. Ele disse que respondeu a 74 perguntas da Polícia Federal. “Naturalmente, como hoje o procedimento do Judiciário é dessa maneira nós vamos cumprir e respeitar. Hoje a orientação do Judiciário é mais nesse sentido. Antigamente, você comparecia e dava declarações.” O ex-ministro reiterou que o suposto esquema de propinas nos portos ‘não tem relação’ com ele.

TRF-4 aumenta pena de Delubio Soares, ex-tesoureiro do PT, e mantém absolvição do jornalista petista Breno Altman


Na mesma sessão que julgou o recurso do bandido corrupto, lavador de dinheiro, chefe da organização criminosa petista e ex-presidente Lula, o TRF-4 aumentou na segunda-feira (26) a pena do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e manteve absolvição do jornalista Breno Altman, que dirige o site Opera Mundi. A pena de Delúbio Soares subiu de cinco para seis anos de prisão. No julgamento, foi mantida pena de cinco anos a Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC. Segundo o Ministério Público Federal, o ex-tesoureiro solicitou empréstimo fraudulento no valor de R$ 12 milhões em favor do PT, em 2004. O financiamento, de acordo com a acusação, foi obtido no banco Schahin pelo pecuarista José Carlos Bumlai, e metade do valor foi repassada a Ronan Maria Pinto, para que ele ficasse quieto e não revelasse detalhes da morte do prefeito petista Celso Daniel, assassinado em 2002, conforme suspeita dos investigadores.

Em março do ano passado, o juiz Sergio Moro condenou Delúbio, Ronan e os operadores Enivaldo Quadrado e Luiz Carlos Casante por lavagem de dinheiro.  O ex-tesoureiro nega que tenha solicitado qualquer empréstimo e disse em depoimento a Moro que, se precisasse do dinheiro, o PT faria o pedido em nome próprio. Altman, que havia sido denunciado sob a suspeita de ser um intermediário de Ronan, foi absolvido. Em rede social, o jornalista agradeceu aos advogados, mas criticou a decisão em relação aos outros réus. "Aliviado, no entanto, pouco há para se comemorar: a mesma turma, no mesmo dia, concluiu a farsa judicial contra o ex-presidente Lula e manteve a injusta condenação de meu camarada Delubio Soares", escreveu. "Minha absolvição, sob nenhum ângulo, atesta a idoneidade institucional dos setores do sistema de justiça envolvidos na Operação Lava Jato", acrescentou, dizendo que o processo contra ele "era demasiadamente frágil até para os padrões persecutórios em voga".

Na segunda-feira, a 8ª turma do TRF-4, responsável pelos processos criminais da Lava Jato, também iniciou julgamento de uma ação que, em primeira instância, condenou Bumlai e outro tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. A decisão foi interrompida porque um dos juízes, Victor Laus, pediu vista para analisar o processo. Delúbio Soares é aquele que disse que investigação das roubalheiras terminaria como se fosse piada de salão.

Polícia Federal prende os amigos de Temer na investigação do Decreto dos Portos na Operação Skala


A Polícia Federal prendeu, na Operação Skala, nesta quinta-feira, 29, amigos muito próximos do presidente Michel Temer (MDB). Os aliados do peemedebista são alvos da investigação que apura o Decreto dos Portos. Foram presos o empresário e advogado José Yunes, o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Celso Grecco, o ex-ministro de Agricultura, Wagner Rossi, e o coronel da reserva da Polícia Militar paulista, João Batista de Lima Filho, o coronel Lima. Milton Ortolan, auxiliar de Wagner Rossi, e uma mulher ligada ao Grupo Libra também foram presos. As ordens de prisão são temporárias – por cinco dias.

Os mandados são do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal no âmbito do inquérito que apura o Decreto dos Portos. O presidente Michel Temer (MBD) é um dos alvos da investigação e está sob suspeita de beneficiar a empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário. Em fevereiro, Barroso esticou o inquérito por 60 dias. O Decreto dos Portos foi pivô de um diálogo no dia 4 de maio entre Temer e seu então assessor Rodrigo Rocha Loures, alvo do grampo da Polícia Federal. A interceptação ocorreu em meio ao processo de delação premiada de executivos do grupo bucaneiro propineiro JBS, entre eles Joesley Batista.

José Yunes é amigo do presidente Michel Temer (MDB) há mais de 50 anos. O empresário foi assessor de Temer da Presidência. Ele pediu demissão do cargo após a revelação do conteúdo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho. José Yunes disse, na ocasião, que teria sido "mula involuntária" do ministro Eliseu "Fodão" Padilha. O empresário também foi citado na delação do doleiro Lucio Funaro. O delator afirmou que José Yunes era um dos operadores de Michel Temer. Wagner Rossi é pai do deputado Baleia Rossi. O ex-ministro foi citado na delação de executivos das propineiras J&F e da JBS.