terça-feira, 3 de abril de 2018

General Villas Boas posta no Twitter um aviso ao Supremo, dizendo que "Exército está atento às suas missões institucionais" e repudia impunidade


O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou em rede social nesta terça-feira (3), véspera do julgamento do habeas corpus impetrado pelo bandido corrupto, lavador de dinheiro, chefe da organização criminosa petista e ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal, que repudia "a impunidade". Ele escreveu que o Exército está ainda "atento às suas missões institucionais", sem detalhar o que pretendeu dizer com a expressão.


O general fez duas postagens na noite desta terça-feira (3). Na segunda, afirmou: "Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais". Na primeira postagem, o general escreveu: "Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?". Quarenta e cinco minutos depois das postagens, os comentários tinham cerca de 4.500 "curtidas". O comandante do Exército tem 118 mil seguidores no Twitter. As afirmações do general surgem em um momento de tensão social e política, com protestos ocorridos ou marcados em várias partes do país contra e a favor de Lula. Em resposta ao general, o comandante militar da Amazônia até o mês passado, general Antonio Miotto, afirmou: "Comandante! Estamos juntos na mesma trincheira! Pensamos da mesma forma! Brasil acima de tudo! Aço!". 

O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, reproduziu o comentário do general no Twitter com um emoji (ícone usado em trocas de mensagens) de aplauso.  A assessoria do Comando do Exército disse que as mensagens são de autoria do general Villas Bôas e informou que não poderia dar mais detalhes sobre o objetivo da manifestação, por serem a expressão do pensamento próprio do comandante. 

Para o senador e pré-candidato à Presidência Álvaro Dias, do Podemos, Villas Boas fez “uma advertência oportuna”.  “Se ocorrer o divórcio dessa instituição essencial ao estado de direito – o STF – e as aspirações visíveis da sociedade brasileira contra a impunidade, será a falência da República. O general Vilas Boas coloca o Exército brasileiro em sintonia com o desejo do nosso povo de ver nascer uma nova Justiça onde todos serão iguais perante a lei". Flavio Bolsonaro, filho do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) e deputado estadual no Rio, disse: "As Forças Armadas, como sempre, ao lado da Constituição e da democracia!"

Resta evidente que, se o comandante do Exército Nacional sentiu a necessidade, na véspera do julgamento do habeas corpus do bandido criminoso petista Lula, de emitir esse forte e incisivo aviso, é porque precisou dar expressão à inquietação das fileiras das Forças Armadas com o golpe institucional, a quebra da ordem, que está sendo arquitetada pelo Supremo Tribunal Federal, especialmente pelos ministros Celso de Mello (o arquiteto do golpe hermenèutico), Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. 

Vivo será investigada pelo Ministério Público pelo uso de dados de 73 milhões de clientes


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios instaurou inquérito para apurar se a Vivo utiliza informações dos usuários para comercializar publicidade. O inquérito civil público considera que os interessados na investigação são os 73 milhões de usuários da operadora no Brasil. O serviço que será investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal é chamado de Vivo Ads, uma plataforma de marketing mobile da Vivo. Segundo o pedido de abertura do inquérito feito pelos promotores Frederico Ceroy e Paulo Binicheskey, a Vivo usa dados dos clientes, como perfil, localização e comportamento de navegação para vender publicidade. Os promotores usam como exemplo a possibilidade da empresa usar dados de localização de um consumidor submetido a tratamento médico. O mapeamento da circulação em clínicas e hospitais podem, segundo os promotores, serem usadas de maneira imprópria para venda do espaço publicitário. O inquérito destaca que o serviço Vivo Ads não permite que os clientes neguem o uso de seus dados pessoais para fins de publicidade.

O Facebook é acusado de ter permitido à consultoria Cambridge Analytica usar os dados dos usuários para favorecer a candidatura de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Os mesmos promotores do inquérito que investiga a Vivo instauraram inquérito em 21 de março para apurar se a Cambridge Analytica fez uso dos dados do usuários brasileiros da rede social. Os promotores ressaltam, contudo, que a telefonia móvel no Brasil é uma concessão de serviço público, o que não ocorre com o Facebook. O inquérito pode resultar em uma ação civil coletiva de responsabilidade por danos aos usuários. 

Leia o artigo do filósofo e jornalista Luis Milman - A ralé e a desordem institucional

O País atravessa momento de aguda crise política, com a dissolução de fato de seu sistema partidário, imerso na corrupção revelada pela Operação Lava-Jato e com a deterioração de sua escora institucional, o sistema judicial superior, vazado pelo casuísmo atrelado a interesses oligárquicos. 

O estado brasileiro está, assim, em condição falimentar. Os partidos, numa república constitucional, são entidades que representam o povo, em seus diversos segmentos, apenas se tiverem a capacidade de o organizarem politicamente e, nessa medida, o afastarem de tentações extravagantes, como a salvação autoritária. Para isso, devem possuir capital moral e consistência programática, justamente as virtudes cívicas das quais, nos últimos anos, os grandes partidos nacionais se afastaram. 

Já no plano judicial, a degeneração ocorre quando a aplicação da justiça se torna o seu contrário, passando a ser condicionada pela proteção de grupos ou indivíduos privilegiados. O Supremo Tribunal Federal, que se tornou palco rotineiro de disputas de vaidade e de acusações de má conduta recíprocas por parte de seus membros, de modo inaceitável, ainda se expõe à sociedade como fonte de insegurança jurídica, de desordenamento, pelo simples fato de admitir, ou pior, ameaçar, alterar decisão consagrada em jurisprudência recente, quando está em jogo a execução da pena de um ex-presidente, por corrupção e lavagem de dinheiro. 

Uma interpretação vicária, nesse caso, não passará de casuísmo de motivação inconfessável e indisfarçável, seja lá qual for a forma embelezada com que venha a se apresentar. Não é por menos que essa ameaça motivou, de forma inédita, a manifestação de milhares de juízes e membros do ministério público pela manutenção da prisão após julgamento em segunda instância, o que, por si só, revela a desorganização institucional interna vivida pelo poder judiciário, com a corte suprema dissociada das demandas das instâncias inferiores.

O pano de fundo político da crise é, assim, o descompasso, hoje evidente, do que se espera das instituições numa sociedade pacificada e o que, em contraste, estão nos oferecendo seus meios de organização, os grandes partidos e o sistema judicial. 

Os partidos, dilapidados pela ausência de capital moral, e a alta corte, imersa em degradada parcimônia para com um criminoso, comportam-se passivamente diante da grotesca rebeldia do ícone da mera ralé, que não pode ser confundida com o povo. A ralé não almeja a ordem representativa ou jurídica, como o povo o faz, mas busca na figura de um homem forte, de um líder, o modo pelo qual se expressa politicamente. 

É um erro pensar que a ralé se compõe apenas do populacho ignorante. Dela também fazem parte intelectuais e sectários de todo o tipo que odeiam a sociedade e a ordem. Ela se vê representada na figura politicamente desafiadora de Lula, que sobrevive, apesar dos crimes, dos escândalos e das trapaças públicas, nos ritos de uma esquerda que não tem mais nada a oferecer ao povo além da integralidade da mentira. E somente a ralé aceita esta aliança. 

A enganação metódica proposta por Lula e pelo PT disputa espaço com a ação moral na política, e dela surgem caravanas de um condenado, que ofendem o senso cívico comum. Esse mesmo senso exige, hoje, a prisão de Lula. Assim, veremos, nesta quarta-feira, quem será vitorioso no embate que se prenuncia: se a ralé, que deseja subverter a ordem das coisas para impor seus instintos à nação, ou o povo que, mesmo de forma inarticulada, não suporta mais ser o polo passivo da desordem institucional.

CVM abre inquérito contra Banco Original, dos irmãos açougueiros bucaneiros Joesley e Wesley Batista

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou nesta segunda-feira (2) que abriu um inquérito administrativo contra o Banco Original, que é controlado pela propineira J&F, holding que reúne os negócios dos irmãos açougueiros bucaneiros corruptos Joesley e Wesley Batista. O banco é investigado por uso de informação privilegiada em operações no mercado financeiro antes da delação premiada de seus controladores. A CVM arquivou em outubro passado o primeiro processo administrativo que moveu em 19 de maio contra o banco Original por uso de informação privilegiada. Na ocasião, o órgão que regula o mercado de capitais brasileiro disse que "não foram identificados indícios suficientes de que o Banco Original tenha operado com conhecimento prévio dos fatos".


No entanto, a CVM abriu outro processo contra o banco dos irmãos corruptos bucaneiros Batista no dia 28 de dezembro de 2017. O motivo foi "analisar novos fatos envolvendo possível atuação irregular do Banco Original S.A. em operações com contratos futuros de DI1 em maio de 2017, nos dias que antecederam a divulgação do Acordo de Colaboração Premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista". A partir das informações apuradas neste processo administrativo, a CVM abriu um inquérito administrativo. Além da abertura do inquérito, a CVM avisou o Ministério Público sobre indícios de crime. Desde o dia 17 de maio, quando foi divulgada a informação de que os irmãos Batista, acionistas da JBS, fecharam acordo de delação premiada a CVM abriu diversos processos e inquéritos contra eles ou as empresas do grupo. Os executivos da J&F fecharam acordo de delação premiada, informação que foi divulgada na noite do dia 17 de maio. Essa informação mexeu com o mercado financeiro, provocando uma disparada na cotação do dólar e uma queda brusca das ações negociadas na bolsa de valores brasileira. 

Raimundo Lira entrega liderança do PMDB no Senado para deixar o partido

Apesar dos apelos do presidente Michel Temer, o líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira (PB), decidiu entregar o cargo para sair da legenda. Temer chegou a conversar pessoalmente com Lira, mas não conseguiu mudar a decisão do senador. Com a janela partidária, o PMDB começou a sofrer uma debandada de parlamentares. Lira decidiu deixar a legenda por razões locais, depois que três deputados do PMDB da Paraíba também decidiram deixar o partido. A rebelião no PMDB estadual foi deflagrada depois que o senador José Maranhão (PB), que comanda a sigla no Estado, decidiu lançar sua pré-candidatura ao governo da Paraíba. Lira defendia uma aliança para lançar a candidatura do atual prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV).

Presidente afastado do TCE-RJ relata esquema de propina em gravação


O empresário e delator Marcos Andrade Barbosa Silva, da área de transportes do Rio de Janeiro, entregou ao Ministério Público Federal uma gravação que mostra o presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, conselheiro Aloysio Neves, admitindo esquema de pagamento de propina na instituição. A gravação foi realizada no dia 13 de dezembro de 2016 e foi entregue por Marcos Andrade Barbosa Silva para firmar um acordo de delação premiada. Em um dos trechos da denúncia, os procuradores afirmam que Aloysio Neves pede três vezes, em apenas uma obra, propina de R$ 150 mil, totalizando R$ 450 mil, entre novembro de 2016 e fevereiro de 2017. Em outro trecho, procuradores apontam que Aloysio Neves recebia uma mesada do ex-governador e ladrão peemedebista Sérgio Cabral no valor de R$ 100 mil. O valor foi pago, pelo menos, 87 vezes, entre janeiro de 2007 a março de 2014.

O aúdio da gravação mostra uma conversa entre Marcos e Aloysio, em que o presidente afastado do Tribunal de Contas diz que tem medo de perder a "ajuda" paga por Sérgio Cabral. "A minha relação pessoal com o Sérgio Cabral só me trouxe prejuízo, alegou Aloysio na conversa. Essa "santa criatura" alega que é inocente. O que se passou com ele é o que acontece em regra em todos os tribunais de contas no País inteiro. Esses tribunais têm as maioria de seus conselheiros envolvidos em grossas falcatruas e processos. É preciso extinguir esses tribunais inúteis. 

Exportações brasileiras superam importações em US$ 6,28 bilhões em março

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,281 bilhões em março, informou nesta segunda-feira (2) o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Isso significa que o valor das exportações brasileiras superou o das importações em US$ 6,281 bilhões no mês passado. Apesar de positivo, o resultado é 12% menor que o registrado em março de 2017 (superávit de US$ 7,136 bilhões, recorde para o mês). A última vez que a balança comercial registrou queda no superávit foi em novembro de 2017 - o alto valor das exportações em novembro de 2016, porém, foi influenciado pela exportação fictícia de plataforma de petróleo. Segundo o governo, as exportações somaram US$ 20,089 bilhões em março, com aumento de 9,6% sobre o mesmo mês de 2017. As três categorias de produtos registraram alta nesta comparação: semimanufaturados (+16,8%), manufaturados (+8,3%) e básicos (+8,4%). Já as importações avançaram 16,9% na comparação com março de 2017, para US$ 13,809 bilhões. Cresceram, no último mês, as compras de todas as categorias de produtos: combustíveis (+46,5%), bens intermediários (+12,2%), bens de capital (+20,5%) e bens de consumo (+16,4%).

O secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, afirmou que a expectativa do governo é de que as exportações cresçam menos do que as importações neste ano. Por isso, o superávit da balança comercial em 2018 deve ficar mais baixo que o de 2017. Ainda assim, Neto estimou um saldo positivo "na casa" de US$ 50 bilhões, valor considerado por ele como "extremamente robusto". No acumulado do primeiro trimestre deste ano, informou o governo, a balança comercial registrou um superávit de US$ 13,952 bilhões. O valor é 3,1% menor que o registrado em igual período do ano passado (US$ 14,402 bilhões - recorde para os três primeiros de um ano).


Na parcial de 2018, as exportações somam US$ 54,370 bilhões, com média diária de US$ 891 milhões (alta de 11,3% sobre o mesmo período do ano passado). As importações, por sua vez, somaram US$ 40,417 bilhões, ou US$ 662 milhões por dia útil, com aumento de 15,8% em relação ao mesmo período de 2017. A expectativa do mercado financeiro para este ano é de piora do saldo comercial na comparação com 2017, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada.

A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 55 bilhões nas transações comerciais do País com o Exterior para 2018. Para o Ministério da Indústria, o saldo positivo ficará em cerca de US$ 50 bilhões neste ano. O Banco Central, por sua vez, prevê um superávit da balança comercial de US$ 56 bilhões para este ano, com exportações em US$ 225 bilhões e importações no valor de US$ 169 bilhões.

Presidente do Banco Central avisa que vem aí novo corte da taxa de juro

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira (2) que uma nova redução da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) “se faria apropriada”, desde que o cenário econômico permaneça estável. “Para a próxima reunião, provavelmente uma nova queda se faria apropriada desde que as condições continuem como hoje. Porque a inflação está baixa e nós queremos convergi-la para meta”, disse Goldfajn, que participou de seminário da FGV no Rio de Janeiro.


A Selic está atualmente em 6,5%, o menor valor da história. Ilan, no entanto, reforçou a visão de que há espaço para um novo corte, mas que o ciclo de redução de juros está perto do fim, já manifestada no comunicado de 21 de março divulgado após a última reunião do Copom. Após o possível novo corte, Goldfajn defende que haja uma interrupção dessa política monetária, pois acredita que a situação positiva do mercado estrangeiro não deverá se perpetuar. “Nós teremos provavelmente uma parada para avaliar se esses riscos frente ao mercado internacional vão se materializar ou não”, ponderou. O mercado financeiro está acompanhando a evolução das pressões comerciais entre China e Estados Unidos. Os dois países já anunciaram a adoção de medidas de restrição à importação. Há também incertezas sobre a política do Federal Reserve, que está no meio de um ciclo de alta dos juros da economia americana.

Goldfajn participou de um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro sobre a retomada do crescimento econômico. Em sua palestra, ele enfatizou a importância da queda da inflação para os sucessivos cortes da Selic. Segundo Goldfajn, chegar à taxa mínima histórica da Selic foi possível por conta, sobretudo, da queda da inflação e à conjuntura econômica internacional “benigna ao país”. Na última reunião do Copom, realizada em fevereiro, a taxa foi reduzida em 0,25 ponto, chegando à 6,50%, e para o presidente do Banco Central ainda há espaço para novo corte. Segundo ele, ambos os fatores – queda da inflação e da Selic - foram determinantes para a retomada da economia brasileira. “É uma recuperação gradual, mas consistente”, afirmou. “Não devemos acreditar que esse cenário global de crescimento geral com juros muito baixos vai se perpetuar”, ponderou Goldafjn. Ele enfatizou, ainda, que “o trabalho difícil é manter o que conquistamos” nesta retomada da economia.

Ilan Goldafjn defendeu durante o seminário da FGV que seja aprovada a autonomia do Banco Central. Embora a proposta não esteja tramitando no Congresso, ele afirmou que ela faz parte das prioridades do governo e disse acreditar ser possível que venha a ser discutida e aprovada ainda neste semestre. “O Banco Central brasileiro é o único do mundo que não tem autonomia por lei. Chegou o momento da gente mudar isso”, afirmou Goldafjn. Aprovar a autonomia da autoridade monetária implica estabelecer um mandato único para o seu presidente. No Brasil, ele tem status de ministro, mas diferentemente de outros países ele não tem mandato e pode ser demitido pelo presidente da república a qualquer momento. Se aprovada a mudança, a atual presidência permaneceria no cargo por pelo menos mais dois anos após o novo presidente da República tomar posse. Para Goldafjn, dentre as reformas na área econômica, a autonomia do Banco Central seria a mais simples de ser implantada. “Outras reformas, principalmente as fiscais, mexem com outros interesses, com os bolsos das pessoas”, enfatizou. Ele afirmou, ainda, que “a autonomia do Banco Central reduz o prêmio de risco”, o chamado “risco país”, usado para orientar investidores estrangeiros.

Morreu Winnie Mandela, militante sul-africana contra o regime de apartheid



Winnie Madikizela-Mandela, militante sul-africana que lutou contra o apartheid, morreu aos 81 anos nesta segunda-feira (2) . Ela foi mulher do ex-presidente sul-africano, o comunista Nelson Mandela, que se tornou um ícone na defesa da igualdade racial. Ela morreu em um hospital de Joanesburgo depois de “uma longa doença”, que a obrigou a ser internada várias vezes desde o início do ano.


Winnie e Nelson se casaram em 1958, seis anos antes de ele ser condenado à prisão perpétua pelo regime de minoria branca. Durante os 27 anos de prisão de Mandela, Winnie continuou com a luta anti-apartheid, passou pela prisão, por prisões domiciliares, e confinamentos em uma localidade afastada de todos. O casal se divorciou em 1996 - dois anos depois que Mandela se tornou o primeiro presidente negro do país.


Winnie ressaltava a sua importância na luta do ex-marido enquanto ele esteve preso. "Se eu não tivesse lutado, Mandela não teria existido, o mundo inteiro o teria esquecido e ele teria morrido na prisão como queriam as pessoas que o prenderam", declarou ela ao jornal francês "Le Journal du Dimanche", em 2013. Em 1991, ela foi condenada por cumplicidade no sequestro de um jovem militante à pena de prisão comutada por uma multa. Também foi condenada por fraude em 2003. 


Conhecido como "Madiba" na África do Sul, Nelson Mandela foi foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do apartheid, vigente entre 1948 e 1993. Mandela ficou no poder de 1994 a 1999 e morreu aos 95 anos, em Pretória. No começo de 2018, o Supremo Tribunal de Apelações da África do Sul arquivou um processo movido por Winnie, que pretendia assumir a casa familiar de Nelson Mandela em Qunu, no leste do país.


Ela afirmava que, de acordo com a jurisprudência local, a residência pertencia a ela, já que a comprou em seu nome em 1989, quando Nelson Mandela estava preso e o casal ainda estava junto. Nelson Mandela deixou seus bens a sua última esposa (Graça Machel), seus filhos e netos, bem como colaboradores, escolas e seu partido, o comunista Congresso Nacional Africano (ANC). Ele não deixou nada para Winnie.

Príncipe herdeiro da Arábia Saudita diz que Israel tem direito a existir, é mais um decisivo passo para estabelecimento de relações diplomáticas


O príncipe saudita Mohammed bin Salman, herdeiro do trono de seu país, defendeu o direito de Israel de existir e foi além: insinuou o estabelecimento de relações diplomáticas entre seu reino e o Estado judeu, até há pouco inimigos quase existenciais. Na verdade, essa tendência ficou explícita desde o momento em que Donald Trump visitou o país e voou dali direto a Israel. Ele discutiu com os altos dirigentes da Arábia Saudita o entendimento entre os dois países, para o enfrentamento comum ao Irã e também o lançamento de novas bases para um acordo com os palestinos. Provavelmente com a cedência de terras no Sinai para a construção do novo Estado nacional palestino“. Acredito que cada povo, em qualquer parte, tem o direito de viver em sua pacífica nação; acredito que os palestinos e os israelenses têm o direito de ter a própria terra”, declarou Mohammed bin Salman, governante “de facto” da Arábia Saudita. A declaração dele foi dada à revista americana The Atlantic, em entrevista publicada nesta segunda-feira. 

O príncipe foi muito simpático em relação a Israel: “Israel é uma grande economia, comparada com a dimensão do país, e é uma economia em crescimento. É natural que haja uma porção de interesses que compartilhamos com Israel". Mohammed bin Salman condicionou o restabelecimento de relações a um acordo de paz entre Israel e os palestinos, no que apenas reitera ponto central do plano de paz que os sauditas já haviam apresentado em 2002. No essencial, o plano previa a devolução aos palestinos de territórios ocupados por Israel, em troca da normalização das relações do mundo árabe com Israel. A novidade na entrevista de Mohammed bin Salman é o reconhecimento do direito à existência de Israel quando está cada vez mais distante a hipótese de um acordo com os palestinos. Mas isso é compreensível diante da enorme influência do Irã no Iêmen e do perigo que isso representa para a Arábia Saudita. Dezenas de mísseis têm sido lançados do Iêmen contra Riad, capital do reino saudita. Portanto, a Arábia Saudita precisa se aliar à outra potência econômica e militar regional com capacidade de confrontar com o regime teocrático iraniano, que é Israel. E inclusive ceder bases e autorização para que aviões caças e bombardeiros de Israel possam usar seu espaço aéreo em incursões sobre o Irã. Israel está tecnicamente em guerra com dois de seus quatro vizinhos (Síria e Líbano) e só tem acordos de paz com Egito e Jordânia. Todos os demais países árabes se consideram inimigos de Israel. Síria e Líbano, atualmente, são bonecos de mola do regime iraniano, também gerando grande perigo para a continuidade da monarquia na Arábia Saudita. 

Como a Arábia Saudita lidera significativa parte do mundo árabe-muçulmano, uma aproximação com Israel mudaria a retórica inflamatória no relacionamento com esse mundo. E tem mais: mudaria radicalmente a geopolítica internacional, e o modo como o esquerdismo da mídia mundial vê Israel, e dos organismos mundiais também. Um indicativo poderoso disso é que, na mesma entrevista, Mohammed bin Salman disse que o líder supremo do Irã, o aiatolá xiita Ali Khamenei, faz "“Hitler parecer bom”. E acrescentou: “Khamenei é o Hitler do Oriente Médio”. Os sauditas são, na maioria, sunitas, ao passo que o Irã é um país de maioria xiita —os dois grandes ramos do Islã. A doutrina sempre citada como a oficial da Arábia Saudita é o wahabismo, baseado nos ensinamentos radicais de Muhammad ibnAbd al-Wahhab (1703-1792). Tem sido apontada como uma das principais influências para o terrorismo islâmico. Mas isso está mudando radicalmente. Além de se aproximar de Israel, o príncipe Mohammed bin Salman pretende mudar essa imagem, confirme declarou a investidores em outubro passado: “Estamos retornando ao que éramos antes, um país de islamismo moderado que esteja aberto a todas as religiões e ao mundo”. O aceno a Israel se encaixa à perfeição nessa promessa. Leia a íntegra da entrevista em inglês no link a seguir https://www.theatlantic.com/international/archive/2018/04/mohammed-bin-salman-iran-israel/557036/

Raquel Dodge denuncia o deputado federal Arthur Lira por lavagem de dinheiro e prevaricação



A Procuradoria Geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira, 2, denúncia contra o deputado Arthur Lira (PP/AL), líder do partido na Câmara dos Deputados, por lavagem de dinheiro e prevaricação. A procuradora-geral, Raquel Dodge, requer ainda a decretação da perda do mandato do parlamentar. De acordo com a denúncia, em 10 de fevereiro de 2012, Arthur Lira aceitou propina de R$ 106 mil do então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Francisco Colombo, e enviou, para recebimento da quantia, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes. A quantia foi entregue em dinheiro vivo, afirma a denúncia. Momentos depois, com o intuito de ocultar a natureza e a origem ilícita do valor, Arthur Lira determinou que seu subordinado, antes de embarcar para Brasília, escondesse as notas pelo corpo, sob suas vestes, nos bolsos do paletó, junto à cintura e dentro das meias. E, ainda, orientou que o funcionário dissimulasse a real propriedade do dinheiro, em caso de ser descoberto. Ao tentar passar pelo aparelho de raio x, o assessor foi abordado por agentes aeroportuários e detido pela Polícia Federal.

A procuradora-geral esclarece que o crime cometido pelo parlamentar está inserido no contexto da Operação Lava Jato, mais precisamente no esquema criminoso revelado pelo doleiro Alberto Youssef, operador financeiro pelo PP. Em outra denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, em setembro do ano passado, o delator Youssef revelou que Arthur Lira, juntamente com seu pai, Benedito de Lira, "exercia influência nas sucessivas gestões da CBTU, inclusive na de Colombo". “Francisco Colombo, para se manter na presidência da CBTU, oferecia e pagava vantagens indevidas a Arthur Cesar Pereira de Lira para que este, na condição de deputado federal, líder do PP na Câmara dos Deputados, com a prerrogativa de fazer indicações para cargos em comissão, mantivesse-o naquele cargo como nomeação política da agremiação”, afirma Raquel Dodge.

Além de denunciar Arthur Lira pelos crimes de lavagem de dinheiro e prevaricação, a Procuradoria Geral da República requer que o parlamentar ressarça os danos materiais causados, no valor do montante recebido, e indenize a União em R$ 106,4 mil, "uma vez que as condutas ferem a ordem econômica, a administração da Justiça, o patrimônio moral da coletividade e a confiança coletiva nas instituições públicas". Essa merda toda ocorreu em fevereiro de 2012, e somente agora, seis anos depois, o tipo está sendo denunciado à Justiça. De fato, o crime de colarinho branco compensa no Brasil. Políticos só são denunciados depois de uma eternidade.